sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Chile é primeiro país da América do Sul a adotar campanha contra trafico de migrantes

Com o objetivo de inserir a luta contra o tráfico de migrantes na agenda pública, o Ministério Público do Chile, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), formalizou sua adesão à campanha #NegocioMortal.
A campanha pretende ser um veículo para a retomada de um diálogo nacional sobre esse tema, o que representa um importante desafio para o país sul-americano nos campos da prevenção do crime e da proteção aos direitos humanos.
Com o objetivo de inserir a luta contra o tráfico de migrantes na agenda pública, o Ministério Público do Chile, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), formalizou sua adesão à campanha #NegocioMortal. Foto: ONU
Com o objetivo de inserir a luta contra o tráfico de migrantes na agenda pública, o Ministério Público do Chile, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), formalizou sua adesão à campanha #NegocioMortal. Foto: ONU
Com o objetivo de inserir a luta contra o tráfico de migrantes na agenda pública, o Ministério Público do Chile, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), formalizou sua adesão à campanha #NegocioMortal.
A campanha pretende ser um veículo para a retomada de um diálogo nacional sobre esse tema, o que representa um importante desafio para o país sul-americano nos campos da prevenção do crime e da proteção aos direitos humanos.
A campanha #NegocioMortal busca tornar visível o contrabando de migrantes como um crime grave vinculado a outros, como tráfico de pessoas, corrupção e lavagem de dinheiro. Além disso, busca informar migrantes e suas famílias sobre seus riscos, além de gerar mais empatia entre populações de trânsito e de destino sobre as vulnerabilidades dos migrantes.
O evento de adesão foi liderado pelo procurador federal chileno, Jorge Abbott Charme, que destacou a importante contribuição da migração para o desenvolvimento dos países receptores.
Em seguida, o representante do Escritório de Ligação e Parceria do UNODC no Brasil, Rafael Franzini, disse que “para o UNODC, é uma honra que o Chile lidere essa causa no Cone Sul, que deve servir de modelo para outros países da região e contribuir para refletir sobre as melhores ferramentas para combater esse crime e criar mecanismos de proteção aos migrantes”.
O México foi o primeiro país do mundo a receber a campanha. Desde sua adoção, em 2015, a divulgação tem sido promovida em fóruns multilaterais como a Associação Iberoamericana de Ministérios Públicos (AIAMP), em Lisboa, e a Conferência Regional sobre Migração, em Washington, DC, dos quais 11 países da América Central e da América do Norte fazem parte. Em junho de 2017, a Espanha foi o primeiro país europeu a lançar a campanha.
Em sua apresentação sobre produtos de comunicação, Felipe De La Torre, oficial de Gestão de Programas do UNODC, ressaltou que, devido à sua linguagem universal, #NegocioMortal é facilmente adaptável a qualquer contexto, além de ser realista. A construção da campanha envolveu amplo processo de participação, no qual governos, sociedade civil e associações de migrantes deram sugestões.
A campanha foi desenvolvida em espanhol e traduzida para árabe, inglês, francês e português.
O material produzido inclui vídeos, spots de rádio, posters, infográficos e folhetos informativos, que contêm mensagens de aviso sobre os diferentes tipos de tráfego ilícito: terra, mar e ar.
Onu
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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Pacaraima: bispo de Roraima pede respeito do governo brasileiro com ambas às nações

Diante do episódio em que alguns moradores de Pacaraima, na fronteira entre Brasil e Venezuela, no estado de Roraima, destruíram acampamentos e queimaram pertences de imigrantes venezuelanos um dia após um comerciante brasileiro ter sido assaltado, o bispo de Roraima, dom Mário Antônio da Silva classificou o ocorrido como “lamentável” e “muito triste”. Dom Mário falou sobre o assunto durante a abertura do III Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal que acontece entre os dias  20 e 23 de agosto, em Manaus (AM).
“A gente fica indignado que tais situações cheguem a esse termo para que o Governo Federal possa se aproximar de governos estaduais e municipais; e é lamentável que isso aconteça para que os governos olhem um pouco mais com respeito e consideração ao povo de ambas as nações, tanto do Brasil quanto da Venezuela. Liguei agora a pouco lá para Pacaraima e a cidade está digamos que, aparentemente, calma com tudo aquilo que aconteceu no sábado de manhã”, afirmou dom Mário.
O fato é que com a grave crise política e econômica que atinge a Venezuela, centenas de pessoas tem deixado o país, a maior parte com destino à Boa Vista e Pacaraima. Entre 2017 e 2018, mais de 120 mil venezuelanos entraram em Roraima. Mais da metade deles já deixou o Brasil. Em julho, o governo brasileiro informou que quatro mil venezuelanos permaneciam em abrigos em Roraima. Poucos dias antes do conflito em Pacaraima, o portal da Cáritas Brasileira havia realizado uma entrevista com o arcebispo de Maracaibo e presidente da Conferência Episcopal da Vanezuela e da Cáritas América Latina e Caribe, dom José Luiz Azuaje Ayala.Segundo a Força-Tarefa Humanitária, composta pelas Forças Armadas e integrada por  organizações civis os ataques provocaram a fuga de 1,2 mil imigrantes de volta para a Venezuela. O conflito ocorrido no sábado, 18, chegou a provocar uma manifestação do governo venezuelano, que pediu que as autoridades brasileiras protegessem seus cidadãos. De acordo com a chancelaria venezuelana, foram solicitadas ao Ministério de Relações Exteriores do Brasil “garantias correspondentes aos nacionais venezuelanos e medidas de resguardo e segurança de seus familiares”.
Ele havia solicitado para os brasileiros serem “solidários” e para não colocarem “qualquer obstáculo à caridade”. “Devemos lembrar que este mundo é feito para todos, que as fronteiras são linhas imaginárias para ordenar, mas não para o impedimento da realização dos seres humanos. Um migrante é um ser humano que tem dignidade em si mesmo, independentemente de raça, cor, credo ou ideologia. Todos nós possuímos a primeira dignidade que nos aproxima, irmãos, co-participantes de uma história comum no mundo”, disse o bispo.
Na entrevista, o bispo também garantiu que os venezuelanos não tem vocação para migrar, pelo contrário, sempre se distinguiram em acolher pessoas de outras países. “Se você sair do país é porque as condições de segurança econômica, social, pessoal e legal não permitem que você viva. É algo de vida ou morte para milhões de pessoas”, afirmou dom José Luiz.
Arquidioceses de Fortaleza
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América Latina enfrenta crise migratória venezuelana

Milhares de venezuelanos fogem, todos os dias, para os países vizinhos para escaparem da crise económica na Venezuela.
No Equador, dezenas de imigrantes desesperam após a autoridades começarem a exigir a apresentação do passaporte.
"Decidimos vir a pé porque não recebemos nenhuma resposta. As autoridades não vão carimbar nenhum documento", diz uma venezuelana.
Dispostos a correr todo o tipo de riscos, centenas de venezuelanos tentam entrar no Equador ilegalmente. Muitos pagam a camionistas para que os introduzam no país escondidos no meio das mercadorias, nos camiões.
Para isso, um grupo de 20 pessoas pode pagar cerca de 100 pesos para fazer a travessia, 150 se no grupo estiverem crianças.
Uma mulher conta que "não temos passaportes. As pessoas, aqui, têm um documento de identidade porque nos dão o mapa andino e a maioria das pessoas, que ficou a par da situação, fê-lo a caminho daqui".
Segundo a Organização Internacional para as Migrações, mais de cinco mil venezuelanos entraram diariamente no Equador, desde o início deste mês, o que levou o Governo de Quito a declarar o Estado de Emergência e a instaurar a obrigatoriedade de apresentação de passaporte. A exceção ocorre quando crianças e adolescentes estão a viajar com os pais.
"As minhas duas filhas estão no Chile e eu vim com a minha esposa e o meu filho. Agora elas estão em Quito à minha espera", conta um venezuelano.
No Brasil, as autoridades do estado de Roraima pediram ao Supremo Tribunal Federal que suspenda temporariamente a imigração na fronteira e que os venezuelanos, que já estão em território nacional, sejam enviados para outros estados.
O pedido surge depois de, no sábado mais de mil venezuelanos terem sido obrigados a abandonar a localidade fronteiriça de Pacaraima após o ataque da população local.
A revolta popular foi motivada pelo assalto e agressão de um comerciante brasileiro, por dois venezuelanos 
Euronews
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NOTA DA COORDENAÇÃO COLEGIADA DO SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES, SOBRE OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS NA CIDADE DE PACARAIMA-RR.

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Nota do Serviço Pastoral dos Migrantes: A Cidadania Universal precisa ser construída em Pacaraima!

 O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) órgão vinculado à CNBB (Conferência dos Bispos do Brasil) e rede de presença e ações em nível nacional ao serviço, acompanhamento e defesa de quem migra, promovendo sua dignidade e direitos para o reconhecimento da riqueza da diversidade humana. Após a notícia dos violentos atos ocorridos em Pacaraima, vem tornar público seu repúdio em relação a referida situação.

Em 18 de agosto de 2018, como resposta ao assalto e agressão a um comerciante local, parte da população de Pacaraima (RR) perseguiu refugiados com paus e pedras, destruindo seus acampamentos improvisados e ateando fogo a seus pertences, sem que esta população imigrante tivesse qualquer envolvimento com os fatos. Queremos aqui afirmar, nossa solidariedade a seu Raimundo e família, porém em consonância com a Defensoria Pública da União, entendemos que a prática desses atos violentos contra cidadãos estrangeiros em situação de vulnerabilidade, além de serem tipificados na legislação penal nacional, ocasionam o consequente retorno forçado ao país do qual saíram pela grave e generalizada violação de direitos básicos. Tudo o que acontece hoje também é consequência de um sistema injusto de concentração da riqueza e exclusão das pessoas e que se impõem no mundo todo destruindo povos e nossa casa comum pela ganância de poucos em detrimento da maioria.

A tímida resposta do Governo Federal, na articulação de um programa de interiorização eficaz, acaba fomentando o desenvolvimento de uma crise social nas primeiras cidades de acolhida.

De outro lado, ao tentar restringir direitos à população de determinada nacionalidade através de decreto e com seus reiterados pedidos de fechamento de fronteira, o Governo Estadual de Roraima alimenta o discurso xenofóbico de parte da população local, o que contribuiu significativamente para o acirramento da tensão social e disseminação de discursos de ódio. Autoridades de diferentes níveis da Federação e dos três Poderes que disseminam a discriminação e pleiteiam medidas populistas e inconstitucionais como o fechamento de fronteira ou cota de entrada de migrantes vêm agindo de forma irresponsável.

Destaque-se que episódios deploráveis como o deste final de semana encontram inspiração em discursos e medidas xenofóbicas por parte do poder público e que a falta de um trabalho integrado das administrações públicas para a acolhida, proteção, promoção e integração, somado ao consequente ressentimento acumulado pela população, geram barbárie e envergonha-nos mundialmente. Não esqueçamos que existem mais de 3 milhões de brasileiros no exterior buscando dignidade e segurança, da mesma forma que os Venezuelanos, refugiados e migrantes em procuram em nosso País. Assim, se quisermos ser respeitados lá fora, respeitemos os que aqui chegam
.
BASTA de ódio, violência e de injustiças contra o povo e SIM à acolhida, a solidariedade e ao diálogo pois temos a certeza de que os pobres e migrantes não devem ser culpados pela crise que o capital tem gerado no mundo, e que vem querendo se reinventar as custas das riquezas naturais de nossa América Latina. O Estado Brasileiro, do alto de suas atribuições, deve convidar a sociedade civil e as instituições que servem a acolhida, proteção, promoção e integração dos venezuelanos para organizarem em conjunto ações que atendam a contento esse fluxo migratório, de forma digna e que enobreça nossa nação.

 SENHOR FAZEI-NOS INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ! Canto de S. Francisco

SPM – SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

População de Migrantes triplica em dez anos em Curitiba

População de 'estrangeiros' triplica em dez anos em Curitiba
A população de estrangeiros em Curitiba vem crescendo nos últimos anos e a Prefeitura reforçou o atendimento a essa população. Dados do Ministério do Trabalho mostram que somente na capital o número de trabalhadores estrangeiros no mercado de trabalho formal mais que triplicou em dez anos – passou de 1.059 para 3.464 entre 2007 e 2016 (último dado disponível).
De acordo com o levantamento, desse total, 1.911 estavam no setor de serviços, seguido pelo comércio (765), indústria (463) e construção civil (313). Quase 40% dessa população era formada por haitianos, mas há também argentinos, paraguaios e portugueses, chilenos e venezuelanos que vêm para a cidade em busca de uma vida melhor.
Com esse aumento, a Prefeitura de Curitiba vem adotando políticas para essa população, desde acolhimento e orientação, até a intermediação de mão de obra, confecção de carteira de trabalho e capacitação de mão obra.  
“Curitiba, pelo desenvolvimento econômico e pelo planejamento urbano é uma cidade que sempre atraiu muitos estrangeiros. Além dos haitianos, houve uma quantidade expressiva de estrangeiros de países desenvolvidos que vieram para a cidade para trabalhar em empresas aqui”, disse Julio Suzuki Júnior, diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes).
“Agora, o que vemos é uma nova leva de estrangeiros, puxada pelos venezuelanos”, concluiu Júnior.
Acolhimento
Dados da Fundação de Ação Social (FAS) mostram que 379 estrangeiros foram atendidos na Casa da Acolhida e do Regresso no ano passado. Até maio desse ano já passaram pelo local 176.
A unidade, que funciona na Rodoferroviária, oferece acolhimento emergencial grátis e também garante o suporte e orienta quem veio para ficar. A FAS dispõe de 1.188 vagas para atendimento a pessoas em situação de rua nas modalidades Casa de Passagem, Abrigo e Repúblicas.
Uma das metas é incluir a pessoa na rede socioassistencial do município para evitar a marginalização e prevenir a violência. Isso inclui providenciar vagas de albergagem para quem chega. “A população estrangeira que migra de outros países por contingências sociais, chega ao Brasil na maioria dos casos em situação de extrema vulnerabilidade social. Com isso, são um dos públicos prioritários para atendimento nos Cras e nos Creas, que prestam serviço de proteção social a toda população”, diz Ana Luiza Suplicy Gonçalves, Assessora Técnica de Planejamento da FAS.
De acordo com dados da diretoria de Relações do Trabalho, entre o início de 2017 e julho desse ano, foram 1.953 estrangeiros encaminhados para vagas de trabalho por meio do Sistema Nacional de Emprego (Sine). Desse total, 61 foram colocados nas vagas.
Um mapeamento do perfil desse trabalhador mostra que eles são na maioria do sexo masculino, tem entre 30 e 39 anos e mais de 50% tem ensino médio completo. Os trabalhos que mais tiveram colocações de estrangeiros foram de faxineiro e de auxiliar de serviços de alimentação.
Qualificação
Também é grande o número de estrangeiros que buscam capacitação em cursos do programa Liceus de Ofícios, que garante qualificação de graça para população em situação de vulnerabilidade.
Atualmente são oito estrangeiros fazendo cursos nos Liceus, quatro haitianos, um boliviano e dois venezuelanos.
Depois de fugir das dificuldades na Venezuela e ficar um tempo em Roraima, o engenheiro civil  Diorglan Chourio, de 31 anos, veio há dois meses para Curitiba, onde está fazendo um curso gratuito de reparação de eletrodomésticos de linha branca na Casa Klemtz.
“Eu estudei ir para três lugares. Além de Curitiba, pensei em Florianópolis e Porto Alegre. Mas decidi vir para cá porque acho que tem mais oportunidade e porque o clima é bom”, diz ele, que veio com a esposa.  Chourio, que trabalha como pizzaiolo em um restaurante, sonha com um emprego com carteira assinada e estabilidade.
“Estamos construindo uma nova vida, do zero, aqui em Curitiba. Então queremos poder fazer nossas coisas, pagar aluguel, quem sabe comprar uma casa própria, comprar geladeira, fogão, cadeira e mesa para casa”, disse.
Maikol Bolivar, também de 31 anos, deixou a esposa e os filhos na Venezuela para tentar uma vida nova em Curitiba e assim que possível, trazê-los para a capital. Formado em estatística, ele também cursa de segunda a sexta-feira o curso de reparação de eletrodomésticos promovido pelo programa Liceus do Ofícios.
“É uma oportunidade interessante porque sou novo aqui na cidade e posso fazer um curso de graça. Curitiba tem um alto desenvolvimento humano e um bom sistema de transporte. A minha ideia é me estabelecer aqui”, disse Bolivar.  
“É preciso pensar no indivíduo de maneira global e proporcionar uma vida mais digna, independentemente dos motivos que o levaram a sair do seu país de origem. Para isso, a FAS Trabalho prioriza este público nas ações de qualificação profissional e de intermediação de mão de obra”, explicou Fabiano Vilaruel, diretor de Qualificação para o Trabalho da FAS Trabalho.
“A empregabilidade abre portas para outros quesitos primordiais, como moradia digna, acesso à cultura e uma alimentação de qualidade”, definiu Vilaruel.

Governo define novas medidas para reforçar segurança em Roraima

Ministros de Estado, secretários-executivos e outras autoridades se reuniram nesta segunda-feira (20) com o presidente da República, Michel Temer, para discutir medidas e avaliar a situação da segurança nas fronteiras da Venezuela com o Brasil.
Na segunda-feira (20), um grupo interministerial viajou a Pacaraima (RR), onde conflitos entre brasileiros e venezuelanos foram registrados, para avaliar a situação. O grupo retorna a Brasília nesta terça-feira (21), quando deverá se reunir novamente para definir novas ações.
No domingo, Temer convocou ministros e assessores no Palácio da Alvorada. Ele determinou a intensificação de esforços da interiorização de venezuelanos em outros Estados; a criação de um abrigo de transição entre Pacaraima e Boa Vista; o envio de 36 voluntários da área de saúde para Roraima; e o reforço da segurança no Estado com mais 120 homens da Força Nacional.
O governo está comprometido com a segurança dos brasileiros e o acolhimento aos venezuelanos. A situação no Estado é monitorada desde 2016. Já foram aplicados mais de R$ 200 milhões no ordenamento de fronteira, na construção de 10 abrigos e na transferência de venezuelanos para outros Estados.
LinhãoEnquanto a situação nas cidades de Pacaraima e Boa Vista continua em monitoramento, representantes de diferentes ministérios se reuniram no Palácio do Planalto e entraram em um acordo para viabilizar o início da construção do Linhão de Tucuruí, antiga demanda de Roraima para interligar o estado ao restante do sistema elétrico nacional.
Segundo o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, a licença ambiental deve ser emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) até o fim de setembro, permitindo que a empresa responsável pela obra inicie os trabalhos ainda neste ano.
Fonte: Planalto
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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Itália receberá navio de imigrantes e encerra impasse com Malta

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A Itália permitirá que o navio de sua Guarda Costeira com 177 imigrantes que resgatou cinco dias atrás atraque na Sicília, encerrando um impasse com Malta, disse seu ministro dos Transportes nesta segunda-feira, mas não ficou claro quando e se os imigrantes poderão desembarcar.
A Comissão Europeia também disse que está trabalhando em uma solução para dividir os imigrantes a bordo do Diciotti com parceiros italianos na União Europeia depois de receber uma solicitação de Roma no dia anterior.
    “O navio Diciotti atracará em Catânia”, informou o ministro dos Transportes, Danilo Toninelli, no Twitter, sem especificar quando. “Agora a Europa deve se apressar para fazer sua parte”.
    Mas pouco depois, fontes do Ministério do Interior disseram que o titular da pasta, Matteo Salvini, ainda não autorizou a embarcação a aportar. Ele espera garantias de que os imigrantes irão para outro local. Segundo as fontes, eles não desembarcarão antes disso.
    Desde que tomaram posse, em junho, Salvini e Toninelli adotaram uma postura mais rígida quanto à acolhida de navios em portos italianos em um momento de sentimento anti-imigração crescente na Itália.
    O Diciotti recolheu 190 imigrantes de um barco superlotado em alto mar na quarta-feira. A Guarda Costeira levou 13 deles para a Itália para receberem tratamento médico de emergência, mas ao invés de conduzir o restante para terra firme o Diciotti permaneceu em águas internacionais, e Roma insistiu que Malta deveria recebê-los porque o barco passou primeiro por sua área de busca e resgate.
    Mas Malta disse que os imigrantes recusaram sua ajuda porque queriam ir à Itália. No domingo Toninelli disse que a pequena ilha-nação deveria ser sancionada por não realizar o resgate.
Reuters
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Venezuela pede ao Brasil proteção a seus cidadãos

Em um comunicado divulgado neste domingo, a Venezuela mostrou preocupação com “informações que confirmam ataques a imigrantes venezuelanos”, após ataques na cidade de Pacaraima, em Roraima. O governo de Nicolás Maduro pediu ao Brasil medidas de proteção a seus cidadãos.
No mesmo comunicado, o país apontou o “desalojamentos maciços” de imigrantes, “passando por cima das normas de direito internacional e dos direitos humanos”. A medida acontece após um grupo de brasileiros protestar, no sábado (18), contra venezuelanos em Pacaraima. Os imigrantes tiveram objetos pessoais e tendas queimadas.
Pertences de venezuelanos queimados Foto: EFE/Geraldo Maia
As manifestações foram uma resposta a uma suposta agressão contra um comerciante local cometida por um grupo de venezuelanos. Eles teriam tentado assaltar o brasileiro enquanto estava em casa com sua família.
A Chancelaria venezuelana informou que solicitou ” garantias correspondentes aos cidadãos venezuelanos e que tome as medidas de segurança necessárias” ao Ministério de Relações Exteriores do Brasil.
De acordo com o Exércio, cerca de 1.200 cidadãos da Venezuela deixaram o país após os ataques.
 Agência EFE

sábado, 18 de agosto de 2018

Cabo Verde: Igreja na diáspora é espaço de encontro» para migrantes – Bispo do Mindelo

 
O bispo do Mindelo, em Cabo Verde, afirmou que a “Igreja na diáspora é espaço de encontro” para os cabo-verdianos que saíram do arquipélago à procura de melhores condições de vida, numa entrevista pela Semana das Migrações em Portugal.
“A Igreja na diáspora e local, em Cabo Verde, é espaço de encontro onde os cabo-verdianos se sentem acolhidos, para a convivência, para a cultura; A Igreja por natureza é casa de todos”, disse em declarações à Agência ECCLESIA.
D. Ildo Fortes explicou que as comunidades migrantes procuram e “querem a presença do pastor”, por isso, são “solicitados para visitar e presidir” a festas, para crismar.
“A maior parte não tem capelão então passamos muitas vezes, os bispos inclusive”, observa sobre a migração que “mantém um pouco a sua identidade, a comunhão” e exemplifica que têm comunidades cabo-verdianas organizadas, por exemplo, em Boston, nos Estados Unidos da América, em Paris, Nice, Portugal, paróquias na Holanda, em Roma.
“Portugal só não é mais destino de emigração porque é dificílimo ter acesso a um visto para vir para a Europa. É assunto que merecia ter outra atenção. Há pessoas que quererão emigrar para encontrar melhores condições de vida, em todo o mundo é assim, hoje é dificílimo um cabo-verdiano sair”, desenvolve.
O prelado realça que os “dois países são países irmãos” e “é normal que qualquer cabo-verdiano anseie” vir a Portugal “onde tem um familiar”, relações que se estendem às duas Igrejas que têm “grandes laços”.
A Igreja Católica em Portugal está a celebrar a 46.ª Semana Nacional de Migrações com o tema ‘Cada forasteiro é ocasião de encontro – Migrantes e refugiados no caminho para Cristo’, até este domingo, 19 de agosto.
O bispo da Diocese do Mindelo, em Cabo Verde, observa que o acolhimento e integração “depende das regiões” e, hoje, a novas gerações “não vivem tanto a experiência de exclusão ou sentirem-se à margem”.
Neste âmbito, contextualiza que jovens com 20 ou 30 anos “têm outra formação e perspetiva”, com exemplos de “empreendedores, bem colocados” na Holanda e na Suíça.
“Os mais velhos transportaram valores humanos belíssimos, responsáveis, bons trabalhadores, gente de fé, dai que em muitas partes é querido e apreciado pela sua qualidade”, acrescenta, sobre um país onde a “migração é uma constante”, com “500 mil residentes e um milhão entre a América do Norte e, sobretudo, a Europa”.
Em Cabo Verde encontra-se uma Igreja Católica que tem a marca da “simplicidade” e da “jovialidade”, num país com “índice de juventude elevadíssimo.
“É uma riqueza enorme ter jovens, famílias, crianças”, que implica ter escolas, dinâmicas e ao mesmo tempo o problema da “maior parte da juventude não tem ocupação” e as universidades “estão cheias de jovens” mas “não se sabe qual o destino” com a escassez de trabalho.
A Diocese do Mindelo “é muito jovem”, foi criada pelo Papa São João Paulo II e está a fazer 15 anos, abrange as seis ilhas do barlavento (norte), “uma está desabitada” onde o prelado abençoou no início do mês uma capela, num arquipélago com 10 ilhas.
Uma “Igreja que cresce graças a Deus”, num país com dificuldades onde “não chove há dois” e estão a viver uma “crise de seca que não se via há muitos anos”.
D. Ildo Fortes revela ainda que no último senso oficial, “há alguns anos, baixou o número dos que se dizem católicos, agora entre 80-70%”, e cresceu o grupo daqueles que dizem não têm religião.
“O fenómeno novo é o Islão que não fazia parte destes 500 anos de história mas o fluxo migratório da costa africana – Guiné-Bissau, Nigéria, Senegal – temos milhares de irmãos africanos que professam a fé muçulmana e têm mesquitas adaptadas”.
Eclesia
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Não era como imaginava: cresce número de brasileiros que pedem ajuda para voltar de Portugal

  • Pessoas caminham no centro de Lisboa
    Pessoas caminham no centro de Lisboa
Após perder o emprego em Pernambuco, o engenheiro civil Daniel (o nome foi alterado a pedido dele), 32, decidiu fazer o mesmo caminho de pelo menos 85 mil brasileiros que, atraídos pelas perspectivas de estabilidade financeira e de segurança, adotaram Portugal como casa. Mas as coisas não saíram como ele imaginava. "Você lê muita coisa por aí e vê tanta gente vindo, que acredita que vai ser fácil. Mas a realidade é diferente", disse ao UOL .
Sem conseguir exercer a profissão e com dificuldades até para comprar comida, Daniel prepara-se para integrar outra estatística, também em expansão: a de brasileiros que pedem ajuda para voltar para o país de origem.
Nos últimos cinco anos, o Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração (Árvore), ligado à Organização Internacional para Migrações (OIM) e ao governo português, financiou a viagem de volta de 1.639 brasileiros.
Apesar de corresponder a 20% dos estrangeiros morando em Portugal, os brasileiros respondem por 86% dos pedidos de auxílio para voltar para casa. Após ter o benefício concedido, o imigrante fica impedido de entrar em Portugal por três anos.
Em 2013, no auge da crise econômica portuguesa, registrou-se pico de concessão desse tipo de ajuda para brasileiros: 593 viagens pagas. O número diminuiu nos anos seguintes, mas, de 2017 para cá, mostra tendência de aumento: foram 222 embarques de janeiro a junho de 2018, aproximando-se dos 232 retornos financiados em todo ano passado.
Na reunião da OIM em Lisboa em que a reportagem esteve presente, a maioria dos participantes se recusou a dar entrevista.
Ninguém quer falar do sonho que não deu certo
Daniel, 32 - que concordou em contar sua história, mas pediu para ter o nome alterado

OIM / Reprodução
Funcionária da Organização Internacional para as Migrações (OIM) dá orientação em aeroporto português

O Brasil redescobre Portugal

O bom momento vivido por Portugal e a crise econômica que se arrasta no Brasil fizeram da terra de Fernando Pessoa uma espécie de Eldorado no imaginário dos brasileiros.
De 2016 para 2017, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras concedeu mais de 4 mil novas autorizações de residência para brasileiros, que já somam mais de 85.426 no país -- a maior comunidade estrangeira .
O número ainda é menor do que o registrado em 2014, quando a comunidade brasileira passava de 87 mil pessoas, mas chama a atenção pela tendência de crescimento, após anos de retração.
Além disso, estima-se que a população brasileira em Portugal seja ainda maior: há ao menos 2 mil no país com passaporte italiano, contingentes não contabilizados de brasileiros com outros passaportes europeus e ainda os imigrantes ilegais. São pessoas que entraram com visto de turista, válido por 90 dias, e não foram embora, como é o caso de Daniel.
Sem visto de residência, o engenheiro só conseguiu trabalho como entregador de pizza ou vendendo pacotes de TV a cabo de porta em porta. Não tinha salário fixo, só a promessa de receber comissões que nunca chegavam. 
"Falta até para comer, que dirá o aluguel. Por isso resolvi procurar o programa [de retorno voluntário]", diz.
Há pouco mais de um ano em Portugal, agora Daniel espera terminar o processo junto à OIM para retornar ao Brasil.
Veja também:
  • Portugal impede a entrada de mais de mil brasileiros em aeroportos
  • Uma nova vida em Portugal, com dinheiro do Brasil

Passagem e 2.000 euros para recomeçar a vida

Histórias como as de Daniel são comuns nas reuniões informativas do programa Árvore. A maioria dos participantes são brasileiros - que têm facilidade para entrar na Europa, uma vez que não é preciso tirar visto antes de embarcar.
"Têm-se registrado mais pessoas a pedir apoio após uma estadia curta, motivados pela dificuldade em regularizar a situação, pelo desemprego, ou trabalho precário associado, e consequentes dificuldades de subsistência no país. A grande maioria possuía um nível de escolaridade médio", afirmou Patrícia Cunha, assistente de projeto da OIM Lisboa. 
O programa auxilia na regularização de documentos de viagem, dá a passagem de volta e 50 euros (equivalente a R$ 220) para despesas durante a viagem. A iniciativa também ajuda a pessoa, já de volta no seu país de origem, a se inserir no mercado de trabalho, financiando cursos técnicos. É possível também solicitar uma verba de 2.000 euros (R$ 8.700) para iniciar um novo negócio.
"A falta de informação e planejamento é a principal causa para a vulnerabilidade econômica e até psicossocial das pessoas que chegam à OIM. Muitos vêm a Portugal com passagem de volta para uma semana, mas [quando querem voltar ao Brasil] não é possível ou é muito caro reagendar", diz Cunha.

De volta para casa

Vivian e Odirlei Domingues, ambos de 38 anos, já utilizaram o programa. O casal retornou para Mauá (SP), em junho do ano passado.
"Meu marido não conseguiu arrumar emprego fixo e salário bom. Ele foi com uma vaga de lavador de carro e, no futuro, pegaria um contrato para se legalizar", conta Vivian.
Mas o plano não funcionou e Odirlei, com nível superior e uma carreira de analista financeiro, também trabalhou na limpeza de uma academia. Ainda assim, a conta não fechava.
Vivian também lavou carros e trabalhou como recepcionista, mas parou para cuidar do filho do casal, à época com um ano e meio. Ela diz não se arrepender da experiência, mas desaconselha aqueles que 
Jornal Floripa
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