Programa Latinoamerica no Ar- Missão Paz , Radio 9 de Julho Am 1600 Khz Domingo das 16 a 17 h. Miguel Angel Ahumada, Patricia Rivarola
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A edição deste ano da Conferência de
Segurança de Munique começa hoje (12), com a política externa e a segurança no
centro dos debates.
Durante três dias, centenas de
autoridades de política internacional, incluindo chefes de Estado e de Governo,
ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, se reúnem na 52.ª edição da
conferência, presidida pelo diplomata alemão Wolfgang Ischinger.
Sob o lema Crise Sem Limite,
Capacidades Limitadas - a Fragilidade da Ordem Internacional, o encontro
vai discutir, entre outros temas, a resposta da Europa à crise dos refugiados,
a guerra na Síria e o futuro da ordem de segurança europeia. A estabilidade na
África Subsaariana e o controlo de armas no espaço cibernético são outros temas
da agenda.
Entre os participantes estão o rei da
Jordânia, Abdullah II, os presidentes da Polônia, Andrzej Duda, e da Ucrânia,
Petro Poroshenko, os primeiros-ministros da Rússia, Dmitri Medvedev, e do
Iraque, Haider Al-Abadi, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e
o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov.
A Suíça cortou os
recursos para a ajuda ao desenvolvimento. Uma estratégia denunciada por
organizações de ajuda humanitária e partidos de esquerda, enquanto a Europa
enfrenta uma crise migratória. A eficácia da ajuda é posta em questão e acusada
de estimular a imigração.
"Em
um mundo globalizado, com interações que nos afetam a todos, não vejo
alternativa senão a de se engajar", diz Philippe Besson, diretor do
Serviço de Cooperação Suíça no Sudão do Sul e ex-responsável de questões de
eficácia da ajuda na Direção de Desenvolvimento e Cooperação Suíça (DDC).
A
situação humanitária no Sul do Sudão, devastado pela guerra civil desde 2013,
provavelmente atinge menos a opinião pública do que a da Síria, mas é tão grave
quanto em certos pontos de vista: "Quase nada funciona no país. Quase
metade da população é vulnerável, ou porque está em uma zona de conflito, ou
porque ameaçada de fome". Neste contexto, o trabalho da DDC, em parceria
com várias ONGs, se concentra principalmente na ajuda humanitária, incluindo a
proteção da população e a segurança alimentar.
É difícil realizar
projetos de desenvolvimento em situação de crise, pois a economia do país
entrou em colapso e muitas instalações foram destruídas. Um projeto da DDC
relacionado à água e ao saneamento básico ainda está em andamento no noroeste
do país. "Desde que a guerra civil eclodiu, no entanto, fomos obrigados a
rever nossas metas para baixo. Nós nos concentramos na consolidação do projeto
e desistimos de criar um serviço público que funcione, pois o Ministério da
água não tem mais recursos para a coordenação e a gestão da
infraestrutura."
Apesar
dos desafios, para Philippe Besson a ação continua um imperativo ético:
"Podemos reivindicar e documentar que a comunidade internacional já salvou
centenas de milhares de vidas, mas também podemos dizer que durante esse tempo
as partes puderam conduzir sua guerra civil. Devemos sempre perguntar quais são
os limites e como vamos continuar".
Philippe Besson está
decididamente convencido de que os argumentos a favor da cooperação ainda
superam os que apregoam uma retirada. "Alguns pesquisadores defendem um
desengajamento. No entanto, no Sudão do Sul, esta estratégia significaria
aceitar friamente que dezenas de milhares de pessoas morram, e em primeiro
lugar pessoas que não se afrontam, como mulheres, crianças ou deficientes. Isto
é inaceitável", afirma.
Além
das dificuldades encontradas na prática, a Suíça questiona a orientação de sua
política de assistência. Um debate intensificado pela onda sem precedentes de
refugiados na Europa.
Durante a revisão do
orçamento de 2016, o parlamento, onde a direita é maioria, aceitou recentemente
cortar 100 milhões de francos da cooperação e ajuda ao desenvolvimento. A DDC
não sabe ainda as consequências exatas dessas economias, mas indica que todos
os programas estão agora em causa.
A
decisão suscitou a indignação do partido socialista (PS), que denunciou
"uma política hipócrita que carece de visão de longo prazo", O SVP
(partido do povo suíço, direita nacionalista) apoiou os cortes, dizendo que é
"necessário economizar nas áreas onde o crescimento tem sido mais
forte".
A Suíça em comparação internacional de 2014
Ajuda oficial ao desenvolvimento em % do PNB
Suécia
1.10
Luxemburgo
1.07
Noruega
0.99
Dinamarca
0.85
Inglaterra
0.71
Holanda
0.64
Finlândia
0.60
Suíça
0.51
Bélgica
0.45
Alemanha
0.41
França
0.36
Áustria
0.26
Canadá
0.24
Japão
0.19
Estados Unidos
Alliance
Sud, uma coalizão de ONGs, considera esta decisão "míope e não
solidária". Eva Schmassmann, especialista em desenvolvimento da
organização, acredita que "a Suíça deve, pelo contrário, aumentar a ajuda,
tendo em conta os desafios globais atuais."
Exemplo
turco
A
ajuda ao desenvolvimento não é, no entanto, necessariamente a arma certa para
resolver a crise migratória, embora seja muitas vezes apresentada como tal nos
debates políticos.
Este ponto de vista é problemático, segundo Stefan
Schlegel, membro do grupo de reflexão Foraus (Fórum de Política Externa), que
codirigiu um estudo sobre a relação entre migração e desenvolvimento ("Le
développement économique prévient-il la migration?»")."Se
entendermos a ajuda ao desenvolvimento como uma ferramenta contra a pressão
migratória, corremos o risco de instrumentalizá-la e, assim, reduzir sua
eficiência", argumentou o pesquisador. Para Schlegel, a ajuda não deve se
afastar de seu objetivo, que é a autonomia pessoal e o desenvolvimento
econômico.
O estudo também mostra que o crescimento econômico
possibilita o financiamento da migração e estimula ao invés de restringir a
emigração. "As chances que a ajuda de um país como a Suíça possa realmente
mudar a direção econômica de um outro país são poucas, e mesmo que funcione, o
efeito seria mais de aumentar a mobilidade da população", avalia o
especialista. Ele cita o exemplo da Turquia após a Segunda Guerra Mundial.
"Com
o crescimento, os turcos passaram a ter mais recursos, ganharam mais autonomia
e conseguiram sair da armadilha da pobreza que impedia o movimento."
Os autores do estudo
recomendam, portanto, a aceitar o aumento da migração, abrindo canais legais
para o controle da imigração e aproveitando o máximo dos seus efeitos
positivos. "Ainda há projetos que são muito eficazes, especialmente os que
são destinados a melhorar as instituições que lutam contra a corrupção e
melhoram os direitos das mulheres", diz Stefan Schlegel, afirmando que o
ajuda de emergência continua sendo importante.
"A
ajuda ao desenvolvimento é inútil"
Alguns
observadores adotam posições mais radicais. "A ajuda ao desenvolvimento
nunca ajudou nenhum país da África a se desenvolver", diz Francis
Kaptinde, ex porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados. O
jornalista beninense e professor da Sciences-Po Paris diz ser contra a ajuda ao
desenvolvimento, pois acredita que "ela é inútil". "É uma
maneira de se sentir bem, e que perpetua a ideia de dominado e dominante",
lamenta.
Deixar os países
africanos gerir sozinhos os seus problemas, lutando contra a corrupção,
ajudando-os a melhorar sua governança e comprando suas matérias-primas a preços
justos. Esta é a estratégia defendida por Francis Kaptinde. Ele acredita que
nada pode impedir as pessoas de tomar o caminho do exílio. "Se elas estão
desesperadas, as pessoas partem, apesar dos muros erguidos. Quando se está feliz
em casa, não se pensa em cruzar o oceano."
“O acesso à água potável
e ao saneamento básico é condição necessária para a superação da injustiça
social e para a erradicação da pobreza e da fome”: palavras do Papa Francisco
que estão contidas na mensagem aos brasileiros por ocasião daCampanha
da Fraternidade 2016. O tema este ano é “Casa comum: nossa
responsabilidade”.
No
texto, o Pontífice recorda que se trata da quarta edição ecumênica da Campanha
e que, desta vez, cruza as fronteiras para uma parceria com os católicos
alemães, através da Misereor (instituição da Conferência Episcopal Alemã para a
cooperação para o desenvolvimento).
Comentando
o tema escolhido sobresaneamento básico,
Francisco convida todos a se empenharem com políticas públicas e atitudes
responsáveis que garantam a integridade e o futuro de Casa Comum.
Superação
da injustiça social
“O
acesso à água potável e ao saneamento básico é condição necessária para a
superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a
superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e
para a sustentabilidade ambiental”, escreve o Papa.
Citando
sua EncíclicaLaudato
si, Franscisco recorda que a grave dívida social para com os pobres
é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover de água
limpa e saneamento as populações mais pobres, evidenciando o nexo que há entre
a degradação ambiental e a degradação humana e social.
“Aprofundemos
a cultura ecológica”, pede o Pontífice. “Ela não pode se limitar a respostas
parciais, como se os problemas estivessem isolados. Insisto que o rico
patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o
esforço de renovar a humanidade. Eu os convido a redescobrir como nossa
espiritualidade se aprofunda quando descobrimos que Jesus quer «que toquemos a
carne sofredora dos outros» (Evangelii gaudium, 270), dedicando-nos ao «cuidado
generoso e cheio de ternura» (Laudato si’, 220) de nossos irmãos e irmãs e de
toda a criação.
Eis
aíntegrada mensagem de Francisco.
Queridos
irmãos e irmãs do Brasil!
Em
sua grande misericórdia, Deus não se cansa de nos oferecer sua bênção e sua
graça e de nos chamar à conversão e ao crescimento na fé. No Brasil, desde
1963, se realiza durante a Quaresma a Campanha da Fraternidade. Ela propõe cada
ano uma motivação comunitária para a conversão e a mudança de vida. Em 2016, a
Campanha da Fraternidade trata do saneamento básico. Ela tem como tema: «Casa
comum, nossa responsabilidade». Seu lema bíblico é tomado do Profeta Amós:
«Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca»
(Am 5,24).
É
a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem
parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Mas, desta
vez, ela cruza fronteiras: é feita em conjunto com a Misereor, iniciativa dos
católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma desde 1958. O objetivo
principal deste ano é o de contribuir para que seja assegurado o direito
essencial de todos ao saneamento básico. Para tanto, apela a todas as pessoas
convidando-as a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis
que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.
Todos
nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e
toda a sociedade. Por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e
comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem.
São chamadas a tomar iniciativas em que se unam as Igrejas e as diversas
expressões religiosas e todas as pessoas de boa vontade na promoção da justiça
e do direito ao saneamento básico. O acesso à água potável e ao esgotamento
sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a
erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de
mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade
ambiental.
Na
encíclica Laudato si’, recordei que «o acesso à água potável e segura é um
direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a
sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros
direitos humanos» (n. 30) e que a grave dívida social para com os pobres é
parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa
e saneamento as populações mais pobres (cf. ibid.). E, numa perspectiva de
ecologia integral, procurei evidenciar o nexo que há entre a degradação
ambiental e a degradação humana e social, alertando que «a deterioração do meio
ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta»
(n. 48).
Aprofundemos
a cultura ecológica. Ela não pode se limitar a respostas parciais, como se os
problemas estivessem isolados. Ela «deveria ser um olhar diferente, um
pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma
espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático»
(Laudato si’, 111). Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da
espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de
renovar a humanidade. Eu os convido, principalmente durante esta Quaresma,
motivados pela Campanha da Fraternidade Ecumênica, a redescobrir como nossa
espiritualidade se aprofunda quando superamos «a tentação de ser cristãos,
mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor» e descobrimos que Jesus
quer «que toquemos a carne sofredora dos outros» (Evangelii gaudium, 270),
dedicando-nos ao «cuidado generoso e cheio de ternura» (Laudato si’, 220) de
nossos irmãos e irmãs e de toda a criação.
Eu
me uno a todos os cristãos do Brasil e aos que, na Alemanha, se envolvem nessa
Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus: «ensinai-nos a descobrir o
valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos
profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz
infinita. Obrigado porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por
favor, na nossa luta pela justiça, o amor e a paz» (Laudato si’, 246). Aproveito
a ocasião para enviar a todos minhas cordiais saudações com votos de todo bem
em Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e pedindo que, por favor, não
deixem de rezar por mim!
Na Síria tomada pela guerra, homens jovens, em geral, só têm duas opções: pegar em armas (pelo governo ou com os rebeldes) ou se recusar a lutar e ser preso. No dia 19 de setembro de 2014, autoridades do Exército bateram à porta de Alaa Houd, então com 27 anos, para recrutá-lo. Mas ele não estava mais lá. Na madrugada, havia se despedido da esposa e do filho de apenas 2 anos para arriscar a vida de outra forma: encarar uma longa jornada até a Europa para buscar melhores condições para a família.
“Eu pedi desculpas ao meu filho. Disse 'sinto muito por deixar você aqui e, desta vez, eu não sei se vou te ver de novo. Mas eu estou fazendo isso por você. Espero que você me perdoe se algo acontecer'”, relembra Houd, no único momento da entrevista em que os seus olhos se enchem de lágrimas. Essa é a lembrança mais vívida e mais doída da difícil travessia que o trouxe à Alemanha.
Para bancar a viagem, eles venderam a casa em que viviam e Hiba foi morar com o filho na casa dos pais.
À deriva
De Damasco, capital da Síria, Houd foi de carro para o Líbano, onde pegou um voo para a Turquia, com destino à cidade de Esmirna, na costa. “Lá há smugglers em todos os lugares, em cafés, em cada esquina”, conta o refugiado, se referindo aos traficantes de pessoas que viabilizam as travessias ilegais pelo Mar Mediterrâneo. Foi com o dinheiro da venda de uma casa em Damasco que Houd pode pagar o que eles pediam: 1200 euros para ir de bote inflável até a ilha de Kos, na Grécia.
“Estava abarrotado, a maioria sírios, como eu”, conta. Eles mesmos conduziram a embarcação improvisada. “O smuggler disse que era fácil, que era só seguir em direção a uma pequena luz no horizonte”. Mas não foi.
Na costa turca, Houd conheceu outros sírios que se tornaram companheiros na jornadaArquivo pessoal
Cerca de uma hora depois, eles avistaram a Guarda Costeira e alguns refugiados furaram o barco. “Quando ela pega, leva todo mundo de volta para o país de partida. Algumas pessoas que estavam no barco já haviam passado por isso e tiveram medo de serem mandadas para a Turquia de novo”, explica Houd. Eles nadaram por três horas até serem resgatados pela Guarda Costeira da Grécia.
Depois de seis dias com a mesma roupa na ilha de Kos, ele conseguiu ser registrado como refugiado. Pelas leis europeias, o registro deve ser feito no país de entrada. De Kos ele foi para Atenas, em busca de um smugglerpara ir para a Alemanha. Por contar com recursos próprios, Houd pôde pagar um atravessador de novo: 3.800 euros por um passaporte falso e uma passagem para Frankfurt. “Eu me senti como James Bond, com documentos falsos, sentado num avião para a Alemanha”, brinca Houd, uma forma de aliviar o peso da experiência.
Quando Houd desembarcou em Frankfurt, não teve coragem de seguir com o passaporte falso. “Os alemães são conhecidos por reconhecer documentos falsos. Eu queria me privar de passar pela humilhação de ser pego pela polícia”, lembra. Então, decidiu se entregar. Primeiro foi ao banheiro, tirou uma foto do passaporte, mandou para a esposa, como recordação, arrancou a foto – a única coisa verdadeira naquele documento –, rasgou o restante e mandou descarga abaixo. Várias vezes, só para garantir. Depois, procurou a polícia no aeroporto. “Eu disse que havia chegado na Alemanha com passaporte falso e que era sírio, fugindo da guerra, e precisava me refugiar no país”.
As forças policiais encaminharam Houd a um centro de refugiados. Ele enfrentou nove meses pulando de centro em centro até, finalmente, conseguir a permissão para ficar no país e a chance de cumprir o que prometera ao filho: oferecer a ele uma vida mais segura.
Recomeço
Um ano e um mês depois da despedida, o reencontro. “Tudo o que eu fiz foi para esse momento”, diz Houd, sentado no sofá ao lado do filho, Gabriel, e da esposa Hiba, de 26 anos. Ela e o menino chegaram a Alemanha de avião, com as passagens pagas
Agora, eles moram em um apartamento pago pelo governo em Bonn, no noroeste da Alemanha. Quando ouve uma sirene, ou algum barulho mais forte vindo da rua, o pequeno Gabriel ainda esconde a cabeça embaixo do travesseiro. Mas logo ele se acostumará a uma nova realidade, sem bombas. Porém, não sem desafios. Cruzar fronteiras e enfrentar incertezas para chegar à Europa é só o começo de um processo árduo de adaptação e de integração.
Quando perguntado se faria tudo de novo, Houd diz, após breve silêncio: “Faria. Valeu a pena para manter minha família segura.” A irmã e o pai de Houd também enfrentaram a perigosa jornada para a Alemanha, no auge da crise de refugiados, no ano passadoArquivo Pessoal
O governo alemão cobre os custos de moradia e também oferece uma ajuda mensal para as despesas básicas do dia a dia. Mas conseguir esse apoio não é simples, diante da burocracia.
“Eles pedem muitos documentos e você não sabe onde conseguir, você não entende. Algumas pessoas só querem falar em alemão. Eu acho que deveria ter alguém que pudesse, por exemplo, fazer a tradução ou, então, que falassem em inglês. Eles sabem falar inglês, mas conosco, alguns não falam”, reclama Houd, que recorreu a colegas alemães e a organizações não governamentais (ONGs).
Durante três meses, a família síria viveu com os 400 euros que Houd recebia, até que Hiba e Gabriel foram reconhecidos pela agência responsável e também passaram a ter direito a receber uma ajuda mensal.
Conseguir uma vaga num dos cursos de integração, onde se aprende o básico da língua e as regras do país, também não é fácil. Ainda mais para quem não sabe ler e escrever no alfabeto romano – caso de quem fala apenas árabe. A fila de espera pode chegar a um ano. E conseguir o certificado de conhecimentos mínimos da língua é um passo crucial para engrenar uma vida nova na Alemanha.
Houd, que tem formação técnica em tecnologia da informação e também já trabalhou como vendedor, não vê a hora de conseguir um emprego. “Eu estou tentando aprender alemão rápido para começar a trabalhar. Porque eu não posso ficar aqui sentado sem fazer nada. O governo já nos ajuda bastante, e eu sou grato, e quero, agora, poder dar algo em troca”, diz.
A esposa, Hiba, que se graduou em literatura inglesa na Síria, por enquanto, só pensa em cuidar da família e em dominar o novo idioma. Para ela, ainda é difícil falar em sonhos, mas a jovem espera, no futuro, poder continuar os estudos e investir na própria carreira.
Via de mão dupla
A Alemanha é um país de imigração. Um em cada cinco habitantes vem de outro país ou é de família estrangeira. Na reconstrução pós-Segunda Guerra Mundial, a vinda dos gastarbeiter (ou “trabalhadores convidados”) foi essencial.
Especialista em movimentos migratórios, o geógrafo Benjamin Etzold busca criar oportunidades para que os refugiados se integrem ao ambiente universitárioAline Moraes
Portugueses, italianos e, sobretudo, turcos contribuíram para o boom econômico nas décadas de 1960 e 1970. “As pessoas esperavam que eles fossem embora, mas eles ficaram e se tornaram presentes em todas as esferas da vida. Mas a compreensão disso por parte da sociedade tardou a chegar”, diz o geógrafo Benjamin Etzold, pesquisador da Universidade de Bonn. Comunidades estrangeiras, como a turca, foram mal integradas, o que resultou em isolamento e discriminação.
Para o especialista em migração, o desafio de integrar refugiados passa por um processo de mudança que envolve também os próprios alemães. “Integração só funciona vinda dos dois lados”, argumenta Etzold. “É necessário, por exemplo, criar centros culturais em cada região da cidade, onde as pessoas possam se encontrar, interagir e conhecer umas às outras”, argumenta. Para ele, as reações xenófobas ganham espaço entre aqueles que não têm contato com os recém-chegados e criam uma ideia sobre o tema apenas por meio da imprensa.
Para ele, a recepção calorosa e compreensiva de boa parte da população no auge da chamada “crise” de refugiados, no ano passado, deu o sinal de que a sociedade está mais aberta para recebê-los e para criar uma nova dinâmica na Alemanha atual. “O pensamento será: temos novos vizinhos, novos colegas; nós estudamos juntos, trabalhamos juntos, passamos tempo juntos. Não importa se eles são refugiados. O importante é que a gente se conheça”, espera Etzold.
A escasos días de la visita del papa
Francisco a México, ya se ha referido a temas polémicos en el país como la
migración. El mes pasado, el sumo pontífice invitó a los países receptores de
migrantes a sensibilizarse y crear soluciones para el problema, al argumentar
que las principales causas de la migración son situaciones de exclusión
político–social, que dificultan la vida de millones de personas en sus propias
patrias.
Si bien el argumento es válido y debe
ser tomado en cuenta por los países de acogida, también es un llamado a las
naciones expulsoras para revisar sus políticas en materia económica y social.
México se caracteriza por una constante
migración, cuyo destino principal es Estados Unidos; además, con el paso del
tiempo los migrantes han ido ocupando cada vez un lugar más importante en la
vida económica del país.
De acuerdo con varios analistas
publicados porSin Embargo, privilegiar la estabilidad
económica a través de niveles bajos de inflación, salarios controlados y costos
de producción bajos para hacer a México globalmente competitivo impactó de
forma negativa al desarrollo del mercado interno.
Esto es importante, pues 99.8 por ciento de
las empresas que participan en este mercado producen aproximadamente 50 por
ciento del Producto Interno Bruto (PIB) del país y ocupan cerca de 70 por
ciento de la Población Económicamente Activa (PEA); sin embargo, la mayoría de
estas firmas son pequeñas y más vulnerables a los choques macroeconómicos.
Además, esta política económica tiene un sesgo
a favor de los grandes capitales; por ejemplo, según datos de la Organización
para la Cooperación y el Desarrollo Económico (OCDE), en 2014 el salario mínimo
en China era de 1.19 dólares por hora, mientras en México apenas y alcanzó 0.6
dólares en el mismo período.
En este sentido, el secretario de
Hacienda, Luis Videgaray, presumió que de no haber sido por estas condiciones,
mucha de la inversión extranjera radicada en México se hubiera trasladado a
China.
Estos hechos muestran el desinterés por
desarrollar un modelo económico más incluyente que brinde una mejor calidad de
los mexicanos, y que se hace tangible en el impacto de la migración sobre la
economía nacional. Recientemente, las remesas se afianzaron como la segunda
fuente de divisas del país, sobre la exportación de petróleo o el turismo
extranjero.
Según el Banco de México (Banxico), en 2015
los recursos enviados por los connacionales que laboran en Estados Unidos
llegaron a sumar 24 mil 770.9 millones de dólares, mientras que las divisas que
ingresaron por la exportación de petróleo únicamente fueron de 18 mil 524
millones de dólares.
Asimismo, diversos organismos
financieros han señalado que México debería crecer al menos 0.6 por ciento
anual, pero el crecimiento ha sido paupérrimo los últimos 30 años y para 2016
no se espera ni siquiera que llegue a 0.3 por ciento. Si bien con las reformas
estructurales se ha prometido impulsar la economía, éstas carecen de innovación
y congruencia, pues siguen haciendo a un lado el fortalecimiento del mercado
interno.Es un hecho que la visita del papa
Francisco a México se da en un contexto complicado, al existir problemas como
la violencia, la crisis económica e incluso por coincidir con año electoral. Si
bien el líder de la Iglesia católica ha sido enfático en que asiste a México en
son de paz, sería un error que no abordara el tema de la migración y la
relación que guarda con las fallas del modelo capitalista, temas que ya ha
tratado con anterioridad, pero que siguen desestimados por una gran parte de la
sociedad.
A Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) lançam hoje (10)
a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016. O tema deste ano é Casa Comum, Nossa
Responsabilidade e o lema "Quero ver o direito brotar como fonte e correr
a justiça qual riacho que não seca", com foco no saneamento básico, no
desenvolvimento, na saúde integral e na qualidade de vida.
Dados divulgados pelo Conic mostram
que, mesmo figurando entre as maiores economias do mundo, o Brasil tem mais de
100 milhões de pessoas sem saneamento básico. “O Estado brasileiro tem
deficiência na prestação de serviços relacionados ao tratamento da água e do
esgoto e à coleta de lixo”, informou a CNBB.
A abertura oficial da campanha ocorre
hoje (10), Quarta-feira de Cinzas, às 10h30, na sede da CNBB, em Brasília, e
será transmitida ao vivo por emissoras católicas de rádio e televisão. A
cerimônia será presidida pelo bispo da Igreja Anglicana do Brasil e presidente
do Conic, dom Flávio Irala. Participam ainda diversas autoridades religiosas e
civis, como o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha,
e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab.
Campanha ecumênica
A primeira campanha da fraternidade
ecumênica foi realizada em 2000, com o tema Dignidade Humana e Paz e lema
"Novo milênio sem exclusões". A segunda, em 2005, teve como tema
Solidariedade e Paz e lema "Felizes os que promovem a paz". A
campanha de 2010 tratou de Economia e Vida, a partir do lema "Vocês não
podem servir a Deus e ao dinheiro".
O papa Francisco defendeu que a Europa
“deve e pode mudar”, considerando que o continente não é capaz de responder à
atual crise migratória, numa entrevista publicada hoje pelo jornal italiano
Correiere della Sera.
“A Europa deve e pode mudar e deve e pode reformar-se. Se
não é capaz de ajudar economicamente os países de onde vêm os refugiados, então
tem de pensar no problema de como enfrentar este grande desafio que é, em
primeiro lugar, humanitário e não só”, afirmou.
A esperança do papa é que um dia “a Europa
sorria aos imigrantes”. Para Francisco, a Europa “tem de encarar este desafio
com inteligência” porque “por detrás [dele] está o terrível e enorme problema
do terrorismo”.
O papa considera também que “se quebrou um
sistema de educação: aquele que transmitia os valores de avós para netos e de
pais para filhos e é preciso pensar no problema de como o reconstruir”.
Francisco voltou a referir-se a uma “Europa
idosa que já não é fértil nem vivaz”, comparando-a a Sara, a mulher de Abraão
idosa que não pode ter filhos mas milagrosamente consegue procriar aos 90 anos.
O papa já havia usado aquela expressão
sobre a Europa no discurso que proferiu perante o Parlamento Europeu e contou
agora, nesta entrevista, que depois da sua deslocação a Estrasburgo lhe ligou a
chefe do Governo da Alemanha, Angela Merkel, “zangada” pela comparação da
Europa com “uma mulher estéril”.
“Perguntou-me se eu pensava mesmo que a
Europa não podia ter filhos e eu respondi que sim, que a Europa ainda pode ter
filhos porque tem raízes sólidas e profundas, porque teve e pode ter um papel
fundamental (…) e porque os momentos mais escuros mostraram que tem sempre
recursos”, contou.
La voz se corrió en Igbo, un pueblo ubicado a 677 kilómetros de
Abuja, la capital de Nigeria: la Argentina, principalmente Buenos Aires, ofrece
empleos y altos sueldos, salud y educación gratuitas, y una política migratoria
que facilita la radicación con relación a los países europeos. Este escenario
sedujo a comienzos del año pasado a Ethel, un agricultor de 32 años de ese
poblado, que por la difícil situación económica de su familia decidió vender su
casa para pagar los 5500 dólares que requería llegar al país y, así, poder
cumplir con el anhelado "sueño argentino".
Su llegada se sumó a la de nuevos migrantes africanos de países como
Nigeria, Ghana, Gambia y Camerún, que en los últimos años aumentaron su
presencia a lo largo de la avenida 9 de Julio, Florida, Lavalle, Pueyrredón y
Corrientes.
Según el censo de 2010, fueron 214 los ciudadanos de esos cuatro países
que se registraron en la Argentina. Los datos de la Dirección Nacional de
Migraciones revelan que hasta el primer semestre del año pasado se concedieron
un total de 391 permisos de radicaciones a ciudadanos provenientes de esos
países. Es decir, un 82,7% más. Sin embargo, las organizaciones no
gubernamentales consultadas estiman que las cifras oficiales no cuentan cerca
de 1000 indocumentados. La mayoría reside en microcentro y la zona de Once.
Ethel tomó un vuelo que tardó dos días desde Abuja hasta Quito, Ecuador
(país al que llegó con visa de turista), e hizo una escala en Amsterdam. Ése
fue el comienzo de su travesía. Desde la capital ecuatoriana, tardó dos semanas
para llegar a Buenos Aires. Atravesó Perú y Bolivia, sólo esta etapa le costó
2500 dólares.
"Lo primero que pensé fue en trabajar en lo que sea, ayudar a mi
familia y, de ser posible, traer a uno de mis seis hermanos", relata en
una mezcla de español e inglés el hombre de 35 años, que con ayuda de otros
amigos africanos se dedicó a vender ropa para mujer cerca de la estación de
Once. Ese trabajo le permite enviar hasta 400 dólares mensuales a su familia en
el país africano, casi tres veces más de lo que él cobraba allá.
Muchos de los nuevos migrantes envían a sus países entre 200 y 800
dólares mensuales. Pero reunir ese dinero, dijeron varios consultados, no es
sencillo: las jornadas de trabajo se extienden hasta por 12 horas y de domingo
a domingo. No les queda mucho tiempo para el esparcimiento, que se distribuye
en alguna cena con sus pares. Otros, que profesan el islamismo, se dan un
tiempo para asistir a alguna mezquita los viernes.
Sobre la avenida Corrientes está Mary Manni, de 30 años. Ella llegó en
noviembre pasado desde Kumasi, Ghana, para vender anteojos de sol y carteras.
La tarea no es fácil, reconoce, porque su lengua es el inglés y solamente habla
unas pocas palabras en castellano.
Ella dice que llegó atraída por la idea de encontrar nuevas
oportunidades "lejos del calvario" que vivió en su país por la falta
de empleo y estudios. "Al principio me dio miedo porque no conozco la
lengua ni la forma de ser de los argentinos. Es más, nunca antes había
escuchado sobre la Argentina", cuenta después de recordar que perdió a sus
padres de pequeña y que pudo llegar a Buenos Aires con ayuda económica de
miembros de una iglesia cristiana en su país.
Mary cree que aunque las autoridades no les permiten trabajar en la
calle, siempre hay una luz que aquí les permite vivir con dignidad: "Antes
en Kumasi yo dormía en la calle, no tenía ropa, no tenía comida. Pasé mucha
hambre, es doloroso recordar aquello... Aquí no hay riquezas, pero vivo
tranquila".
Tras un certificado
Ackhast Balthzart, presidente de la Unión Civil África y su Diáspora,
señala que uno de los principales problemas de los nuevos migrantes es la
dificultad para acceder a alguno de los requisitos para conseguir el documento
nacional de identificación: el certificado de antecedentes penales en el país
de origen es uno de ellos. Este trámite, dice, puede tardar hasta un año. Y se
dificulta para los ciudadanos de Gambia, Camerún y Ghana, que no tienen
representación diplomática en la Argentina.
Además resalta la organización que muchos de los nuevos migrantes no
están considerados en las estadísticas de ingreso o residencia en el país
porque entraron a través de puntos fronterizos clandestinos.
Justamente Dilly, camerunés de 23 años, es uno de ellos. Llegó a
mediados del año pasado a Buenos Aires luego de haber vivido siete meses en
Brasil y no ha podido aún presentar la solicitud para la residencia argentina.
"Uno de los requisitos que nos dificultan el trámite es el certificado de
antecedentes penales, muchos vivimos en la ilegalidad", indica el joven,
que dice que ayuda a su familia cada mes con envíos de hasta 300 dólares.
Estima que vivirá unos tres años en el país y regresará para estudiar una
carrera y dedicarse al comercio. "Todos los días trabajamos porque el
propósito es reunir dinero para ayudar a nuestra gente, comprar alguna
propiedad allá o traer algún familiar. Cada día es un círculo que no termina
porque hacemos lo mismo siempre."
Las historias detrás de los recién llegados
Enviar dinero a los familiares, una de las metas
Mary Manni de Ghana
"Al principio, me dio miedo Buenos Aires porque no conocía la
lengua ni la forma de ser de los argentinos. Es más, nunca antes había
escuchado sobre la Argentina"
Ethel de nigeria
"Lo primero que pensé cuando llegué fue en trabajar en lo que sea,
ayudar a mi familia y, de ser posible, traer a uno de mis seis hermanos"
Dilly de Camerún
"Trabajamos con el propósito de reunir dinero para ayudar a nuestra
gente, comprar alguna propiedad allá o traer a algún familiar"