sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Conferência de Segurança de Munique debate crise de refugiados e guerra na Síria

A edição deste ano da Conferência de Segurança de Munique começa hoje (12), com a política externa e a segurança no centro dos debates.
Durante três dias, centenas de autoridades de política internacional, incluindo chefes de Estado e de Governo, ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, se reúnem na 52.ª edição da conferência, presidida pelo diplomata alemão Wolfgang Ischinger.
Sob o lema Crise Sem Limite, Capacidades Limitadas - a Fragilidade da Ordem Internacional, o encontro vai discutir, entre outros temas, a resposta da Europa à crise dos refugiados, a guerra na Síria e o futuro da ordem de segurança europeia. A estabilidade na África Subsaariana e o controlo de armas no espaço cibernético são outros temas da agenda.
Entre os participantes estão o rei da Jordânia, Abdullah II, os presidentes da Polônia, Andrzej Duda, e da Ucrânia, Petro Poroshenko, os primeiros-ministros da Rússia, Dmitri Medvedev, e do Iraque, Haider Al-Abadi, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov.


Edição: Denise Griesinger

Agencia Lusa

Crise migratória não salva ajuda ao desenvolvimento

A Suíça cortou os recursos para a ajuda ao desenvolvimento. Uma estratégia denunciada por organizações de ajuda humanitária e partidos de esquerda, enquanto a Europa enfrenta uma crise migratória. A eficácia da ajuda é posta em questão e acusada de estimular a imigração.

"Em um mundo globalizado, com interações que nos afetam a todos, não vejo alternativa senão a de se engajar", diz Philippe Besson, diretor do Serviço de Cooperação Suíça no Sudão do Sul e ex-responsável de questões de eficácia da ajuda na Direção de Desenvolvimento e Cooperação Suíça (DDC).

A situação humanitária no Sul do Sudão, devastado pela guerra civil desde 2013, provavelmente atinge menos a opinião pública do que a da Síria, mas é tão grave quanto em certos pontos de vista: "Quase nada funciona no país. Quase metade da população é vulnerável, ou porque está em uma zona de conflito, ou porque ameaçada de fome". Neste contexto, o trabalho da DDC, em parceria com várias ONGs, se concentra principalmente na ajuda humanitária, incluindo a proteção da população e a segurança alimentar.
É difícil realizar projetos de desenvolvimento em situação de crise, pois a economia do país entrou em colapso e muitas instalações foram destruídas. Um projeto da DDC relacionado à água e ao saneamento básico ainda está em andamento no noroeste do país. "Desde que a guerra civil eclodiu, no entanto, fomos obrigados a rever nossas metas para baixo. Nós nos concentramos na consolidação do projeto e desistimos de criar um serviço público que funcione, pois o Ministério da água não tem mais recursos para a coordenação e a gestão da infraestrutura."

Apesar dos desafios, para Philippe Besson a ação continua um imperativo ético: "Podemos reivindicar e documentar que a comunidade internacional já salvou centenas de milhares de vidas, mas também podemos dizer que durante esse tempo as partes puderam conduzir sua guerra civil. Devemos sempre perguntar quais são os limites e como vamos continuar".
Philippe Besson está decididamente convencido de que os argumentos a favor da cooperação ainda superam os que apregoam uma retirada. "Alguns pesquisadores defendem um desengajamento. No entanto, no Sudão do Sul, esta estratégia significaria aceitar friamente que dezenas de milhares de pessoas morram, e em primeiro lugar pessoas que não se afrontam, como mulheres, crianças ou deficientes. Isto é inaceitável", afirma.

Além das dificuldades encontradas na prática, a Suíça questiona a orientação de sua política de assistência. Um debate intensificado pela onda sem precedentes de refugiados na Europa.
Durante a revisão do orçamento de 2016, o parlamento, onde a direita é maioria, aceitou recentemente cortar 100 milhões de francos da cooperação e ajuda ao desenvolvimento. A DDC não sabe ainda as consequências exatas dessas economias, mas indica que todos os programas estão agora em causa.

A decisão suscitou a indignação do partido socialista (PS), que denunciou "uma política hipócrita que carece de visão de longo prazo", O SVP (partido do povo suíço, direita nacionalista) apoiou os cortes, dizendo que é "necessário economizar nas áreas onde o crescimento tem sido mais forte". 

Suécia
1.10
Luxemburgo
1.07
Noruega
0.99
Dinamarca
0.85
Inglaterra
0.71
Holanda
0.64
Finlândia
0.60
Suíça
0.51
Bélgica
0.45
Alemanha
0.41
França
0.36
Áustria
0.26
Canadá
0.24
Japão
0.19
Estados Unidos
Alliance Sud, uma coalizão de ONGs, considera esta decisão "míope e não solidária". Eva Schmassmann, especialista em desenvolvimento da organização, acredita que "a Suíça deve, pelo contrário, aumentar a ajuda, tendo em conta os desafios globais atuais."

Exemplo turco

A ajuda ao desenvolvimento não é, no entanto, necessariamente a arma certa para resolver a crise migratória, embora seja muitas vezes apresentada como tal nos debates políticos.
Este ponto de vista é problemático, segundo Stefan Schlegel, membro do grupo de reflexão Foraus (Fórum de Política Externa), que codirigiu um estudo sobre a relação entre migração e desenvolvimento ("Le développement économique prévient-il la migration?»")."Se entendermos a ajuda ao desenvolvimento como uma ferramenta contra a pressão migratória, corremos o risco de instrumentalizá-la e, assim, reduzir sua eficiência", argumentou o pesquisador. Para Schlegel, a ajuda não deve se afastar de seu objetivo, que é a autonomia pessoal e o desenvolvimento econômico.

O estudo também mostra que o crescimento econômico possibilita o financiamento da migração e estimula ao invés de restringir a emigração. "As chances que a ajuda de um país como a Suíça possa realmente mudar a direção econômica de um outro país são poucas, e mesmo que funcione, o efeito seria mais de aumentar a mobilidade da população", avalia o especialista. Ele cita o exemplo da Turquia após a Segunda Guerra Mundial.

"Com o crescimento, os turcos passaram a ter mais recursos, ganharam mais autonomia e conseguiram sair da armadilha da pobreza que impedia o movimento."
Os autores do estudo recomendam, portanto, a aceitar o aumento da migração, abrindo canais legais para o controle da imigração e aproveitando o máximo dos seus efeitos positivos. "Ainda há projetos que são muito eficazes, especialmente os que são destinados a melhorar as instituições que lutam contra a corrupção e melhoram os direitos das mulheres", diz Stefan Schlegel, afirmando que o ajuda de emergência continua sendo importante.

"A ajuda ao desenvolvimento é inútil"


Alguns observadores adotam posições mais radicais. "A ajuda ao desenvolvimento nunca ajudou nenhum país da África a se desenvolver", diz Francis Kaptinde, ex porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados. O jornalista beninense e professor da Sciences-Po Paris diz ser contra a ajuda ao desenvolvimento, pois acredita que "ela é inútil". "É uma maneira de se sentir bem, e que perpetua a ideia de dominado e dominante", lamenta.
Deixar os países africanos gerir sozinhos os seus problemas, lutando contra a corrupção, ajudando-os a melhorar sua governança e comprando suas matérias-primas a preços justos. Esta é a estratégia defendida por Francis Kaptinde. Ele acredita que nada pode impedir as pessoas de tomar o caminho do exílio. "Se elas estão desesperadas, as pessoas partem, apesar dos muros erguidos. Quando se está feliz em casa, não se pensa em cruzar o oceano."

Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch


  

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Campanha da Fraternidade: mensagem do Papa aos brasileiros


“O acesso à água potável e ao saneamento básico é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome”: palavras do Papa Francisco que estão contidas na mensagem aos brasileiros por ocasião da Campanha da Fraternidade 2016. O tema este ano é “Casa comum: nossa responsabilidade”.
No texto, o Pontífice recorda que se trata da quarta edição ecumênica da Campanha e que, desta vez, cruza as fronteiras para uma parceria com os católicos alemães, através da Misereor (instituição da Conferência Episcopal Alemã para a cooperação para o desenvolvimento). 
Comentando o tema escolhido sobre saneamento básico, Francisco convida todos a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de Casa Comum.

Superação da injustiça social

“O acesso à água potável e ao saneamento básico é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental”, escreve o Papa.
Citando sua Encíclica Laudato si, Franscisco recorda que a grave dívida social para com os pobres é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres, evidenciando o nexo que há entre a degradação ambiental e a degradação humana e social.
“Aprofundemos a cultura ecológica”, pede o Pontífice. “Ela não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados. Insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade. Eu os convido a redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando descobrimos que Jesus quer «que toquemos a carne sofredora dos outros» (Evangelii gaudium, 270), dedicando-nos ao «cuidado generoso e cheio de ternura» (Laudato si’, 220) de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação.

Eis a íntegra da mensagem de Francisco.

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!
Em sua grande misericórdia, Deus não se cansa de nos oferecer sua bênção e sua graça e de nos chamar à conversão e ao crescimento na fé. No Brasil, desde 1963, se realiza durante a Quaresma a Campanha da Fraternidade. Ela propõe cada ano uma motivação comunitária para a conversão e a mudança de vida. Em 2016, a Campanha da Fraternidade trata do saneamento básico. Ela tem como tema: «Casa comum, nossa responsabilidade». Seu lema bíblico é tomado do Profeta Amós: «Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca» (Am 5,24).
É a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Mas, desta vez, ela cruza fronteiras: é feita em conjunto com a Misereor, iniciativa dos católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma desde 1958. O objetivo principal deste ano é o de contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico. Para tanto, apela a todas as pessoas convidando-as a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.
Todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade. Por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem. São chamadas a tomar iniciativas em que se unam as Igrejas e as diversas expressões religiosas e todas as pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental.
Na encíclica Laudato si’, recordei que «o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos» (n. 30) e que a grave dívida social para com os pobres é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres (cf. ibid.). E, numa perspectiva de ecologia integral, procurei evidenciar o nexo que há entre a degradação ambiental e a degradação humana e social, alertando que «a deterioração do meio ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta» (n. 48).
Aprofundemos a cultura ecológica. Ela não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados. Ela «deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático» (Laudato si’, 111). Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade. Eu os convido, principalmente durante esta Quaresma, motivados pela Campanha da Fraternidade Ecumênica, a redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos «a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor» e descobrimos que Jesus quer «que toquemos a carne sofredora dos outros» (Evangelii gaudium, 270), dedicando-nos ao «cuidado generoso e cheio de ternura» (Laudato si’, 220) de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação.
Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e aos que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus: «ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e a paz» (Laudato si’, 246). Aproveito a ocasião para enviar a todos minhas cordiais saudações com votos de todo bem em Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e pedindo que, por favor, não deixem de rezar por mim!

Vaticano, 22 de janeiro de 2016.
Radio Vaticano


Jornada de refugiados inclui perigos da travessia e desafios da integração

Na Síria tomada pela guerra, homens jovens, em geral, só têm duas opções: pegar em armas (pelo governo ou com os rebeldes) ou se recusar a lutar e ser preso. No dia 19 de setembro de 2014, autoridades do Exército bateram à porta de Alaa Houd, então com 27 anos, para recrutá-lo. Mas ele não estava mais lá. Na madrugada, havia se despedido da esposa e do filho de apenas 2 anos para arriscar a vida de outra forma: encarar uma longa jornada até a Europa para buscar melhores condições para a família. 
“Eu pedi desculpas ao meu filho. Disse 'sinto muito por deixar você aqui e, desta vez, eu não sei se vou te ver de novo. Mas eu estou fazendo isso por você. Espero que você me perdoe se algo acontecer'”, relembra Houd, no único momento da entrevista em que os seus olhos se enchem de lágrimas. Essa é a lembrança mais vívida e mais doída da difícil travessia que o trouxe à Alemanha.
Para bancar a viagem, eles venderam a casa em que viviam e Hiba foi morar com o filho na casa dos pais.
À deriva
De Damasco, capital da Síria, Houd foi de carro para o Líbano, onde pegou um voo para a Turquia, com destino à cidade de Esmirna, na costa. “Lá há smugglers em todos os lugares, em cafés, em cada esquina”, conta o refugiado, se referindo aos traficantes de pessoas que viabilizam as travessias ilegais pelo Mar Mediterrâneo. Foi com o dinheiro da venda de uma casa em Damasco que Houd pode pagar o que eles pediam: 1200 euros para ir de bote inflável até a ilha de Kos, na Grécia. 
“Estava abarrotado, a maioria sírios, como eu”, conta. Eles mesmos conduziram a embarcação improvisada. “O smuggler disse que era fácil, que era só seguir em direção a uma pequena luz no horizonte”. Mas não foi.
Na costa turca, Houd conheceu outros sírios que se tornaram companheiros na jornada
Na costa turca, Houd conheceu outros sírios que se tornaram companheiros na jornadaArquivo pessoal
Cerca de uma hora depois, eles avistaram a Guarda Costeira e alguns refugiados furaram o barco. “Quando ela pega, leva todo mundo de volta para o país de partida. Algumas pessoas que estavam no barco já haviam passado por isso e tiveram medo de serem mandadas para a Turquia de novo”, explica Houd. Eles nadaram por três horas até serem resgatados pela Guarda Costeira da Grécia. 
Depois de seis dias com a mesma roupa na ilha de Kos, ele conseguiu ser registrado como refugiado. Pelas leis europeias, o registro deve ser feito no país de entrada. De Kos ele foi para Atenas, em busca de um smugglerpara ir para a Alemanha. Por contar com recursos próprios, Houd pôde pagar um atravessador de novo: 3.800 euros por um passaporte falso e uma passagem para Frankfurt. “Eu me senti como James Bond, com documentos falsos, sentado num avião para a Alemanha”, brinca Houd, uma forma de aliviar o peso da experiência.
Quando Houd desembarcou em Frankfurt, não teve coragem de seguir com o passaporte falso. “Os alemães são conhecidos por reconhecer documentos falsos. Eu queria me privar de passar pela humilhação de ser pego pela polícia”, lembra. Então, decidiu se entregar. Primeiro foi ao banheiro, tirou uma foto do passaporte, mandou para a esposa, como recordação, arrancou a foto – a única coisa verdadeira naquele documento –, rasgou o restante e mandou descarga abaixo. Várias vezes, só para garantir. Depois, procurou a polícia no aeroporto. “Eu disse que havia chegado na Alemanha com passaporte falso e que era sírio, fugindo da guerra, e precisava me refugiar no país”.
As forças policiais encaminharam Houd a um centro de refugiados. Ele enfrentou nove meses pulando de centro em centro até, finalmente, conseguir a permissão para ficar no país e a chance de cumprir o que prometera ao filho: oferecer a ele uma vida mais segura.

Recomeço

Um ano e um mês depois da despedida, o reencontro. “Tudo o que eu fiz foi para esse momento”, diz Houd, sentado no sofá ao lado do filho, Gabriel, e da esposa Hiba, de 26 anos. Ela e o menino chegaram a Alemanha de avião, com as passagens pagas 
Agora, eles moram em um apartamento pago pelo governo em Bonn, no noroeste da Alemanha. Quando ouve uma sirene, ou algum barulho mais forte vindo da rua, o pequeno Gabriel ainda esconde a cabeça embaixo do travesseiro. Mas logo ele se acostumará a uma nova realidade, sem bombas. Porém, não sem desafios. Cruzar fronteiras e enfrentar incertezas para chegar à Europa é só o começo de um processo árduo de adaptação e de integração.
 Faria. Valeu a pena para manter minha família segura. A irmã e o pai de Houd também enfrentaram a perigosa jornada para a Alemanha, no a
Quando perguntado se faria tudo de novo, Houd diz, após breve silêncio: “Faria. Valeu a pena para manter minha família segura.” A irmã e o pai de Houd também enfrentaram a perigosa jornada para a Alemanha, no auge da crise de refugiados, no ano passadoArquivo Pessoal
O governo alemão cobre os custos de moradia e também oferece uma ajuda mensal para as despesas básicas do dia a dia. Mas conseguir esse apoio não é simples, diante da burocracia.
“Eles pedem muitos documentos e você não sabe onde conseguir, você não entende. Algumas pessoas só querem falar em alemão. Eu acho que deveria ter alguém que pudesse, por exemplo, fazer a tradução ou, então, que falassem em inglês. Eles sabem falar inglês, mas conosco, alguns não falam”, reclama Houd, que recorreu a colegas alemães e a organizações não governamentais (ONGs).
Durante três meses, a família síria viveu com os 400 euros que Houd recebia, até que Hiba e Gabriel foram reconhecidos pela agência responsável e também passaram a ter direito a receber uma ajuda mensal.
Conseguir uma vaga num dos cursos de integração, onde se aprende o básico da língua e as regras do país, também não é fácil. Ainda mais para quem não sabe ler e escrever no alfabeto romano – caso de quem fala apenas árabe. A fila de espera pode chegar a um ano. E conseguir o certificado de conhecimentos mínimos da língua é um passo crucial para engrenar uma vida nova na Alemanha.
Houd, que tem formação técnica em tecnologia da informação e também já trabalhou como vendedor, não vê a hora de conseguir um emprego. “Eu estou tentando aprender alemão rápido para começar a trabalhar. Porque eu não posso ficar aqui sentado sem fazer nada. O governo já nos ajuda bastante, e eu sou grato, e quero, agora, poder dar algo em troca”, diz.
A esposa, Hiba, que se graduou em literatura inglesa na Síria, por enquanto, só pensa em cuidar da família e em dominar o novo idioma. Para ela, ainda é difícil falar em sonhos, mas a jovem espera, no futuro, poder continuar os estudos e investir na própria carreira.

Via de mão dupla

A Alemanha é um país de imigração. Um em cada cinco habitantes vem de outro país ou é de família estrangeira. Na reconstrução pós-Segunda Guerra Mundial, a vinda dos gastarbeiter (ou “trabalhadores convidados”) foi essencial.
O especialista em movimentos migratórios para a Europa, o geógrafo Benjamin Etzold, busca criar oportunidades para que os refugiados se integrem ao ambiente universitário
Especialista em movimentos migratórios, o geógrafo Benjamin Etzold busca criar oportunidades para que os refugiados se integrem ao ambiente universitárioAline Moraes
Portugueses, italianos e, sobretudo, turcos contribuíram para o boom econômico nas décadas de 1960 e 1970. “As pessoas esperavam que eles fossem embora, mas eles ficaram e se tornaram presentes em todas as esferas da vida. Mas a compreensão disso por parte da sociedade tardou a chegar”, diz o geógrafo Benjamin Etzold, pesquisador da Universidade de Bonn. Comunidades estrangeiras, como a turca, foram mal integradas, o que resultou em isolamento e discriminação.
Para o especialista em migração, o desafio de integrar refugiados passa por um processo de mudança que envolve também os próprios alemães. “Integração só funciona vinda dos dois lados”, argumenta Etzold. “É necessário, por exemplo, criar centros culturais em cada região da cidade, onde as pessoas possam se encontrar, interagir e conhecer umas às outras”, argumenta. Para ele, as reações xenófobas ganham espaço entre aqueles que não têm contato com os recém-chegados e criam uma ideia sobre o tema apenas por meio da imprensa.
Para ele, a recepção calorosa e compreensiva de boa parte da população no auge da chamada “crise” de refugiados, no ano passado, deu o sinal de que a sociedade está mais aberta para recebê-los e para criar uma nova dinâmica na Alemanha atual. “O pensamento será: temos novos vizinhos, novos colegas; nós estudamos juntos, trabalhamos juntos, passamos tempo juntos. Não importa se eles são refugiados. O importante é que a gente se conheça”, espera Etzold.

EBC
Edição: Lílian Beraldo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

El peso de la migración

A escasos días de la visita del papa Francisco a México, ya se ha referido a temas polémicos en el país como la migración. El mes pasado, el sumo pontífice invitó a los países receptores de migrantes a sensibilizarse y crear soluciones para el problema, al argumentar que las principales causas de la migración son situaciones de exclusión político–social, que dificultan la vida de millones de personas en sus propias patrias.
Si bien el argumento es válido y debe ser tomado en cuenta por los países de acogida, también es un llamado a las naciones expulsoras para revisar sus políticas en materia económica y social.

México se caracteriza por una constante migración, cuyo destino principal es Estados Unidos; además, con el paso del tiempo los migrantes han ido ocupando cada vez un lugar más importante en la vida económica del país.
De acuerdo con varios analistas publicados por Sin Embargo, privilegiar la estabilidad económica a través de niveles bajos de inflación, salarios controlados y costos de producción bajos para hacer a México globalmente competitivo impactó de forma negativa al desarrollo del mercado interno.

 Esto es importante, pues 99.8 por ciento de las empresas que participan en este mercado producen aproximadamente 50 por ciento del Producto Interno Bruto (PIB) del país y ocupan cerca de 70 por ciento de la Población Económicamente Activa (PEA); sin embargo, la mayoría de estas firmas son pequeñas y más vulnerables a los choques macroeconómicos.

 Además, esta política económica tiene un sesgo a favor de los grandes capitales; por ejemplo, según datos de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico (OCDE), en 2014 el salario mínimo en China era de 1.19 dólares por hora, mientras en México apenas y alcanzó 0.6 dólares en el mismo período.
En este sentido, el secretario de Hacienda, Luis Videgaray, presumió que de no haber sido por estas condiciones, mucha de la inversión extranjera radicada en México se hubiera trasladado a China.

Estos hechos muestran el desinterés por desarrollar un modelo económico más incluyente que brinde una mejor calidad de los mexicanos, y que se hace tangible en el impacto de la migración sobre la economía nacional. Recientemente, las remesas se afianzaron como la segunda fuente de divisas del país, sobre la exportación de petróleo o el turismo extranjero.
 Según el Banco de México (Banxico), en 2015 los recursos enviados por los connacionales que laboran en Estados Unidos llegaron a sumar 24 mil 770.9 millones de dólares, mientras que las divisas que ingresaron por la exportación de petróleo únicamente fueron de 18 mil 524 millones de dólares.

Asimismo, diversos organismos financieros han señalado que México debería crecer al menos 0.6 por ciento anual, pero el crecimiento ha sido paupérrimo los últimos 30 años y para 2016 no se espera ni siquiera que llegue a 0.3 por ciento. Si bien con las reformas estructurales se ha prometido impulsar la economía, éstas carecen de innovación y congruencia, pues siguen haciendo a un lado el fortalecimiento del mercado interno.Es un hecho que la visita del papa Francisco a México se da en un contexto complicado, al existir problemas como la violencia, la crisis económica e incluso por coincidir con año electoral. Si bien el líder de la Iglesia católica ha sido enfático en que asiste a México en son de paz, sería un error que no abordara el tema de la migración y la relación que guarda con las fallas del modelo capitalista, temas que ya ha tratado con anterioridad, pero que siguen desestimados por una gran parte de la sociedad.
Ntr
Periodismo Critico
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Com foco no saneamento e na saúde, CNBB lança hoje campanha da fraternidade 2016

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) lançam hoje (10) a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016. O tema deste ano é Casa Comum, Nossa Responsabilidade e o lema "Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca", com foco no saneamento básico, no desenvolvimento, na saúde integral e na qualidade de vida.
Dados divulgados pelo Conic mostram que, mesmo figurando entre as maiores economias do mundo, o Brasil tem mais de 100 milhões de pessoas sem saneamento básico. “O Estado brasileiro tem deficiência na prestação de serviços relacionados ao tratamento da água e do esgoto e à coleta de lixo”, informou a CNBB.
A abertura oficial da campanha ocorre hoje (10), Quarta-feira de Cinzas, às 10h30, na sede da CNBB, em Brasília, e será transmitida ao vivo por emissoras católicas de rádio e televisão. A cerimônia será presidida pelo bispo da Igreja Anglicana do Brasil e presidente do Conic, dom Flávio Irala. Participam ainda diversas autoridades religiosas e civis, como o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab.
Campanha ecumênica
A primeira campanha da fraternidade ecumênica foi realizada em 2000, com o tema Dignidade Humana e Paz e lema "Novo milênio sem exclusões". A segunda, em 2005, teve como tema Solidariedade e Paz e lema "Felizes os que promovem a paz". A campanha de 2010 tratou de Economia e Vida, a partir do lema "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro".

Edição: Talita Cavalcante

Ebc
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Migrações: Papa diz que “Europa deve e pode mudar”


O papa Francisco defendeu que a Europa “deve e pode mudar”, considerando que o continente não é capaz de responder à atual crise migratória, numa entrevista publicada hoje pelo jornal italiano Correiere della Sera. 

“A Europa deve e pode mudar e deve e pode reformar-se. Se não é capaz de ajudar economicamente os países de onde vêm os refugiados, então tem de pensar no problema de como enfrentar este grande desafio que é, em primeiro lugar, humanitário e não só”, afirmou.
A esperança do papa é que um dia “a Europa sorria aos imigrantes”. Para Francisco, a Europa “tem de encarar este desafio com inteligência” porque “por detrás [dele] está o terrível e enorme problema do terrorismo”.

O papa considera também que “se quebrou um sistema de educação: aquele que transmitia os valores de avós para netos e de pais para filhos e é preciso pensar no problema de como o reconstruir”.

 Francisco voltou a referir-se a uma “Europa idosa que já não é fértil nem vivaz”, comparando-a a Sara, a mulher de Abraão idosa que não pode ter filhos mas milagrosamente consegue procriar aos 90 anos.

O papa já havia usado aquela expressão sobre a Europa no discurso que proferiu perante o Parlamento Europeu e contou agora, nesta entrevista, que depois da sua deslocação a Estrasburgo lhe ligou a chefe do Governo da Alemanha, Angela Merkel, “zangada” pela comparação da Europa com “uma mulher estéril”.


“Perguntou-me se eu pensava mesmo que a Europa não podia ter filhos e eu respondi que sim, que a Europa ainda pode ter filhos porque tem raízes sólidas e profundas, porque teve e pode ter um papel fundamental (…) e porque os momentos mais escuros mostraram que tem sempre recursos”, contou. 

Dinheiro vivo
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Nuevos migrantes: los africanos que buscan el "sueño argentino"

La  voz se corrió en Igbo, un pueblo ubicado a 677 kilómetros de Abuja, la capital de Nigeria: la Argentina, principalmente Buenos Aires, ofrece empleos y altos sueldos, salud y educación gratuitas, y una política migratoria que facilita la radicación con relación a los países europeos. Este escenario sedujo a comienzos del año pasado a Ethel, un agricultor de 32 años de ese poblado, que por la difícil situación económica de su familia decidió vender su casa para pagar los 5500 dólares que requería llegar al país y, así, poder cumplir con el anhelado "sueño argentino".
Su llegada se sumó a la de nuevos migrantes africanos de países como Nigeria, Ghana, Gambia y Camerún, que en los últimos años aumentaron su presencia a lo largo de la avenida 9 de Julio, Florida, Lavalle, Pueyrredón y Corrientes.
Según el censo de 2010, fueron 214 los ciudadanos de esos cuatro países que se registraron en la Argentina. Los datos de la Dirección Nacional de Migraciones revelan que hasta el primer semestre del año pasado se concedieron un total de 391 permisos de radicaciones a ciudadanos provenientes de esos países. Es decir, un 82,7% más. Sin embargo, las organizaciones no gubernamentales consultadas estiman que las cifras oficiales no cuentan cerca de 1000 indocumentados. La mayoría reside en microcentro y la zona de Once.

Ethel tomó un vuelo que tardó dos días desde Abuja hasta Quito, Ecuador (país al que llegó con visa de turista), e hizo una escala en Amsterdam. Ése fue el comienzo de su travesía. Desde la capital ecuatoriana, tardó dos semanas para llegar a Buenos Aires. Atravesó Perú y Bolivia, sólo esta etapa le costó 2500 dólares.
"Lo primero que pensé fue en trabajar en lo que sea, ayudar a mi familia y, de ser posible, traer a uno de mis seis hermanos", relata en una mezcla de español e inglés el hombre de 35 años, que con ayuda de otros amigos africanos se dedicó a vender ropa para mujer cerca de la estación de Once. Ese trabajo le permite enviar hasta 400 dólares mensuales a su familia en el país africano, casi tres veces más de lo que él cobraba allá.
Muchos de los nuevos migrantes envían a sus países entre 200 y 800 dólares mensuales. Pero reunir ese dinero, dijeron varios consultados, no es sencillo: las jornadas de trabajo se extienden hasta por 12 horas y de domingo a domingo. No les queda mucho tiempo para el esparcimiento, que se distribuye en alguna cena con sus pares. Otros, que profesan el islamismo, se dan un tiempo para asistir a alguna mezquita los viernes.
Sobre la avenida Corrientes está Mary Manni, de 30 años. Ella llegó en noviembre pasado desde Kumasi, Ghana, para vender anteojos de sol y carteras. La tarea no es fácil, reconoce, porque su lengua es el inglés y solamente habla unas pocas palabras en castellano.
Ella dice que llegó atraída por la idea de encontrar nuevas oportunidades "lejos del calvario" que vivió en su país por la falta de empleo y estudios. "Al principio me dio miedo porque no conozco la lengua ni la forma de ser de los argentinos. Es más, nunca antes había escuchado sobre la Argentina", cuenta después de recordar que perdió a sus padres de pequeña y que pudo llegar a Buenos Aires con ayuda económica de miembros de una iglesia cristiana en su país.
Mary cree que aunque las autoridades no les permiten trabajar en la calle, siempre hay una luz que aquí les permite vivir con dignidad: "Antes en Kumasi yo dormía en la calle, no tenía ropa, no tenía comida. Pasé mucha hambre, es doloroso recordar aquello... Aquí no hay riquezas, pero vivo tranquila".
Tras un certificado
Ackhast Balthzart, presidente de la Unión Civil África y su Diáspora, señala que uno de los principales problemas de los nuevos migrantes es la dificultad para acceder a alguno de los requisitos para conseguir el documento nacional de identificación: el certificado de antecedentes penales en el país de origen es uno de ellos. Este trámite, dice, puede tardar hasta un año. Y se dificulta para los ciudadanos de Gambia, Camerún y Ghana, que no tienen representación diplomática en la Argentina.
Además resalta la organización que muchos de los nuevos migrantes no están considerados en las estadísticas de ingreso o residencia en el país porque entraron a través de puntos fronterizos clandestinos.
Justamente Dilly, camerunés de 23 años, es uno de ellos. Llegó a mediados del año pasado a Buenos Aires luego de haber vivido siete meses en Brasil y no ha podido aún presentar la solicitud para la residencia argentina. "Uno de los requisitos que nos dificultan el trámite es el certificado de antecedentes penales, muchos vivimos en la ilegalidad", indica el joven, que dice que ayuda a su familia cada mes con envíos de hasta 300 dólares.
Estima que vivirá unos tres años en el país y regresará para estudiar una carrera y dedicarse al comercio. "Todos los días trabajamos porque el propósito es reunir dinero para ayudar a nuestra gente, comprar alguna propiedad allá o traer algún familiar. Cada día es un círculo que no termina porque hacemos lo mismo siempre."
Las historias detrás de los recién llegados
Enviar dinero a los familiares, una de las metas
Mary Manni de Ghana
"Al principio, me dio miedo Buenos Aires porque no conocía la lengua ni la forma de ser de los argentinos. Es más, nunca antes había escuchado sobre la Argentina"
Ethel de nigeria
"Lo primero que pensé cuando llegué fue en trabajar en lo que sea, ayudar a mi familia y, de ser posible, traer a uno de mis seis hermanos"
Dilly de Camerún
"Trabajamos con el propósito de reunir dinero para ayudar a nuestra gente, comprar alguna propiedad allá o traer a algún familiar"
La Nacion