sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ministros de países latinoamericanos discutirán migración cubana

Ministros de Relaciones Exteriores de los países latinoamericanos de tránsito para los migrantes cubanos se reunirán el próximo martes en El Salvador para discutir la apertura de un corredor humanitario que facilite su paso a Estados Unidos, anunció el jueves el gobierno costarricense.
El canciller de Costa Rica, Manuel González, dijo a periodistas que el tema fue abordado el jueves en San Salvador por la Comisión de Seguridad de Centroamérica, que apoyó la convocatoria de los ministros de Cuba, Ecuador, Colombia, México, Panamá, Costa Rica, Nicaragua, Honduras, El Salvador y Guatemala.

“Los países han reaccionado de forma positiva y solidaria, han entendido que el aspecto humanitario está en juego y que debe ser abordado integralmente por toda la región”, dijo González.

Costa Rica planteó a los gobiernos latinoamericanos crear el corredor de tránsito seguro ante la llegada de más de 2,000 cubanos a su territorio, en un trayecto que comienza en Ecuador, a donde llegan en avión, y continúa por tierra con rumbo a Estados Unidos.
Washington mantiene una política de permitir la entrada de cubanos que ponen un pie en su territorio.

La situación de los cubanos desató tensiones entre Costa Rica y Nicaragua cuando este último país reclamó a su vecino del sur una violación de su soberanía por el envío de los migrantes cubanos por su territorio.
Nicaragua utilizó las fuerzas policiales y militares para repeler la entrada de los isleños a su territorio, por lo que los cubanos permanecen en la frontera norte de Costa Rica, albergados en iglesias y centros comunales, en espera de que se les permita continuar el recorrido.

Costa Rica protestó contra Nicaragua por considerar que hizo un uso desmedido de la fuerza contra los migrantes.
Pese al acuerdo para celebrar la reunión, la portavoz del gobierno de Nicaragua, Rosario Murillo, acusó a Costa Rica de bloquear una discusión sobre “la migración irregular e ilegal” de cubanos en la región.

El canciller nicaragüense Samuel Santos dijo a la prensa que Costa Rica nunca comunicó la llegada de más de 1,900 cubanos a la frontera el domingo y que por eso fueron rechazados. “Ni una sola carta sobre ese aspecto recibimos”, dijo Santos.

La Tribuna


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Europa recebe 700 pedidos de asilo de crianças diariamente, segundo UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) identificou nesta segunda-feira (16) cinco grupos de vulnerabilidade entre as crianças que chegam à Europa procurando refúgio. A agência da ONU alertou para o aumento no número de jovens deslocados que atravessam ao continente. Atualmente, 700 jovens por dia requerem asilo na região. O UNICEF pretende reforçar ações de assistência.
Em outubro, um terço dos refugiados registrados na fronteira entre a Grécia e a Macedônia era composto por crianças. Em junho, a quantidade de jovens representava apenas um décimo do total de deslocados. De acordo com dados do Eurostat avaliados pelo UNICEF, entre janeiro e setembro desse ano, 214 mil crianças pediram asilo na Europa.
Entre o enorme contingente de jovens refugiados, a agência das Nações Unidas identificou cinco grupos vulneráveis: bebês e crianças pequenas, crianças com deficiências e necessidades especiais, crianças perdidas, crianças que foram deixadas para trás e adolescentes desacompanhados em deslocamento.
Na Suécia, por exemplo, 24 mil crianças desacompanhadas solicitaram asilo esse ano, valor superior ao total de menores que pediram, sozinhas, refúgio em toda a Europa, em 2014. “A grande questão para nós é: estamos prontos para isso, a Europa está apta? Seremos capazes de dar para essas crianças o futuro pelo qual elas estão arriscando suas vidas”, afirmou a coordenadora especial do UNICEF para a crise de refugiados e migrantes, Marie-Pierre Poirier.
O UNICEF, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a Cruz Vermelha, os governos e outras organizações têm prestado assistência às crianças, mas os esforços precisam ser ampliados, de acordo com o Fundo da ONU para a Infância.

 Unicef

"Rostos femininos das migrações no Brasil" tema do Seminário Vozes e Olhares Cruzados realizado na Missão Paz



A realização do evento é da  Missão Paz, dos Missionários de São Carlos, Scalabrinianos, que atua junto aos migrantes, imigrantes e refugiados em São Paulo, do Centro Pastoral e de Mediação dos Migrantes (CPMM), da Casa do Migrante e do Centro de Estudos Migratórios,

Padre Paolo Parise diz “A grande ideia do seminário  e  oferecer aos imigrantes e refugiados um espaço para que pudessem falar deles mesmos, contar suas histórias e experiências vividas. Nesse ano, especialmente, sobre os processos de integração a partir das diversas realidades, trabalho, família, escola “. Os participantes da primeira mesa foram representantes de Bolívia , Guiné- Bissau, Síria , Congo e China.


No relato elas dizem que chegam aqui buscando melhores condições de vida , isso move as pessoas , mas nem sempre sabemos o que representa o refugio e a migração , nos deixamos atrás laços afetivos e referencias culturais para enfrentar o desconhecido em um choque cultural . A adaptação á nova realidade é agravada pela dificuldade de quem recebe em aceitar o diferente, o próprio preconceito ou mesmo pelo sentimento com a chegada de pessoas com culturas e conhecimentos diferentes .

A edição 2015 de vozes e Olhares cruzados é um seminário que da espaço para dar visibilidade no contexto de imigração para imigrantes e refugiados mulheres, entendendo as mulheres como agentes de seu processo de migração.

A segunda parte do evento começou com o grupo de teatro Cia. De Artesãos do Corpo.


 .Patricia Nabuco graduada em Relações Internacionais divulgou o estudo  realizado junto a Missão Paz sobre o atendimento aos Imigrantes Haitianos referente a Janeiro e Julho de 2015.  A professora da PUC-SP Dulce Maria Tourinho fala sobre o recente lançamento do livro Migração , Trabalho e Cidadania, a importância da migração no atual cenário internacional, a crescente complexidade dos fluxos migratórios levou a formação de um mundo multipolar a  mesa foi coordenada pelo editor da Revista Travessia Jose Carlos Pereira .

Houve o divulgação da nova revista Travessia de numero 75  com o dossiê Migração e Religião  e a exposição de fotografia com migrantes que passaram pela Missão Paz  do Chico Max  com o tema “Somos Todos Imigrantes “ amostra que foi exposta no MIS Museu de Imagem e do Som ,que percorrera vários lugares do Brasil em 2016 e a partir de Janeiro estará exposta no metro da luz da capital paulista .

















O seminário foi transmitido pela Web Radio Migrantes Español   www.radiomigrantes-es.net

Fotos e texto 
Miguel Ahumada

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Costa Rica critica Nicarágua por impedir cubanos se seguirem para EUA

O Presidente da Costa Rica afirmou hoje que a migração de centenas de cubanos para os EUA, através da América Central, é um assunto humanitário e criticou a Nicarágua por lhes ter encerrado a sua fronteira. "É da importância suprema entender que este é um problema de pessoas que têm ilusões, necessidades, que procuram chegar a um destino onde querem viver melhor. 
Tem de se olhar pelas pessoas, que precisam de ter respostas à sua ansiedade e protegidas nas suas necessidades", afirmou Luís Guillermo Solís, durante uma conferência de imprensa realizada depois do Conselho de Governo semanal. Mais de mil cubanos, com passaporte e um visto costa-riquenho, estão bloqueados na fronteira entre a Costa Rica e a Nicarágua, desde domingo, dia em que o governo de Manágua lhes recusou a entrada e utilizou o Exército para repelir cerca de 800 que procuravam entrar ilegalmente no país.

Correio da Manha

Migrações: Amnistia Internacional pede penalização de estados europeus

A Amnistia Internacional apela à Comissão Europeia que abra procedimentos de infração contra Espanha, Grécia, Bulgária e Hungria por não proteção dos refugiados que chegam à Europa.

A Amnistia Internacional apela à Comissão Europeia que abra procedimentos de infração contra Espanha, Grécia, Bulgária e Hungria por violação do Código de Fronteiras Schengen no que toca aos refugiados que chegam à Europa.

No relatório “Medo e Cercas: a abordagem da Europa para manter longe os refugiados”, que será apresentado hoje em Madrid, a organização de direitos humanos recolhe depoimentos de refugiados que tentaram passar as fronteiras da Grécia, da Espanha e da Bulgária e que foram “repelidos pelas autoridades sem terem tido acesso aos procedimentos de asilo ou oportunidade de recorrer da sua expulsão, em violação direta do direito internacional”.

Estas ações,”frequentemente acompanhadas de violência, colocam a vida das pessoas em risco”, refere o documento.

Em Espanha (nomeadamente nas cidades de Melilla e Ceuta), este tipo de procedimento ganha a forma de “devoluções a quente” (nas quais os migrantes são devolvidos a Marrocos sem serem processados pelos serviços de fronteira, sendo-lhes assim negada a possibilidade de o seu caso ser analisado).
Muitos migrantes alegam ser refugiados da Síria e da Líbia ou de países da África subsariana nos quais são perseguidos politicamente.

“A Comissão Europeia deve fazer aplicar rigorosamente o estatuto de asilo da UE, no que diz respeito à tramitação de pedidos de asilo e à receção de quem pede asilo em Estados-membros, por forma a assegurar-lhes os direitos humanos”. É por considerar que a Espanha, a Grécia e a Bulgária não o estão a fazer que pede ao executivo europeu que “inicie procedimentos de infração” contra estes três países, “ao abrigo dos artigos 3b, 5(4)c, 13(1) e 6 do Código de Fronteiras Schengen”.

O artigo 3b do código indica que este se aplica “a todas as pessoas que atravessem as fronteiras internas ou externas de um Estado-Membro”, mas “sem prejuízo dos direitos dos refugiados e dos requerentes de proteção internacional, nomeadamente no que diz respeito à não repulsão”.

Já no artigo 6, indica que na “realização dos controlos de fronteira” e no “desempenho das suas funções, os guardas de fronteira” devem “respeitar plenamente a dignidade humana”.
No caso da Hungria, a Amnistia Internacional pede a Bruxelas que “use todas as medidas necessárias, incluindo procedimentos de infração formais, para que cumpra integralmente a lei europeia”.

A AI pede ao Parlamento Europeu, à Comissão e aos Estados-membros que proponham ao Conselho Europeu a ativação dos “mecanismos de prevenção previstos no artigo 7” do Tratado da União Europeia, “à luz de um risco claro de violação dos valores referidos no artigo 2” do mesmo tratado, incluindo “o respeito pela dignidade humana” e o “respeito pelos direitos humanos” na Hungria.

A “determinação” da UE de “fechar as suas fronteiras externas” está a “fazer crescer um vasto leque de abuso de direitos humanos, ao mesmo tempo que nada faz para parar o fluxo de refugiados desesperados”.

“O relatório revela como as medidas adotadas para erguer cercas nas fronteiras e arregimentar países vizinhos – caso da Turquia e de Marrocos, como ‘gatekeepers’ – têm impedido os refugiados de ter acesso a asilo, têm exposto refugiados e migrantes a maus-tratos e empurrado as pessoas para viagens marítimas nas quais arriscam a vida”, escreve a Amnistia.

A Amnistia recorda ainda que “no total, os estados-membros construíram mais de 235 quilómetros de cercas nas fronteiras externas” (orçadas em “mais de 175 milhões de euros”), entre as quais 175 quilómetros na fronteira Hungria-Sérvia e 30 quilómetros na fronteira Bulgária-Turquia, que será alargada em outros 130 quilómetros. Nas fronteiras de Ceuta e Melilla (Espanha com Marrocos) foram construídos 18,7 quilómetros de barreiras.
Citando números do ACNUR (Agência das Nações Unidas para os Refugiados), a Amnistia refere que em 2015 (até novembro) chegaram à UE por mar 792.883 migrantes (quase o triplo dos 280.000 que chegaram por terra e mar em todo o ano de 2014, segundo os dados oficiais da agência Frontex). Quase 3.500 pessoas já morreram no Mediterrâneo este ano devido às migrações.

Assim, a AI exorta a UE e os seus Estados-membros mais influentes “a repensar a forma como podem garantir um acesso seguro e legal à UE, tanto às fronteiras externas, como aos países de origem e de trânsito”. “Isto consegue-se com um aumento das reunificações de famílias, de recolocações e de vistos humanitários”, conclui.

Observador

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sonho haitiano vira pesadelo: Sem emprego, eles querem voltar para casa

A promessa para aqueles que viveram em um país destruído por catástrofe era de que o Brasil seria um refúgio para tentar esquecer ou amenizar as marcas do passado. No entanto, não é a realidade vivida pelos haitianos em Cascavel 

A massagista e secretária Phina Rosambert, de 25 anos destaca que o abalo na economia do país tem afetado diretamente ela e os companheiros estrangeiros. 

O fator financeiro é o que mais entristece o grupo. O Brasil era a promessa de grandes oportunidades de trabalho, mas isso agora é escasso. As especializações e o estudo no país onde nasceram, aqui não serve pra nada. 

A tentativa deles, agora é voltar ao país de origem, no entanto, as condições não colaboram pra isso. Phina nos contou que o pouco que recebe como auxiliar de serviços gerais, não dá para cobrir as despesas básicas que é moradia, alimentação, educação e saúde. Quem dirá, comprar uma passagem de volta para o Haiti.

E enquanto isso não acontece, o jeito é regularizar a situação cidadã aqui no país. 

Todos os dias, a Polícia Federal de Cascavel atende aproximadamente 40 estrangeiros, a maioria, haitianos. Eles procuram o órgão para emitir todos os documentos necessários para trabalhar aqui no Brasil.

Só que neste atendimento aos estrangeiros, algo chama a atenção.

De acordo com Phina, mesmo que o Brasil está sem estrutura para recebê-los, ela faz o apelo à imprensa já que não sabe para quem mais pedir ajuda.



Catve.com

O drama da fuga

A sensação de apego se contrapõe diretamente às grandes conquistas humanas e pessoais. É uma vilã do progresso! Muitas vezes, é preciso abrir mão de algo valioso em prol de algo maior, de um objetivo há muito almejado. As correntes circunstanciais tendem a conter o homem e a paralisá-lo no conforto do comodismo. Quando se trata do maior bem do ser humano, no entanto, nada segura o obstinado desejo de mudança. Como num cenário romanceado, uma impressionante massa humana vem impactando o mundo ao protagonizar a dramática saga por um único objetivo: a liberdade. Os conflitos étnicos, políticos e religiosos, especialmente no Oriente Médio e na África, têm levado milhões de pessoas a deixar seus lares e seus países em busca de uma vida tranquila e feliz.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), somente nos últimos cinco anos, 15 conflitos surgiram ou se reiniciaram no mundo, obrigando 11,5 milhões de sírios, 4,1 milhões de iraquianos e 4 milhões de congoleses a migrarem de seus países. Paquistaneses, libaneses e ucranianos também estão entre os maiores afetados pelas crises migratórias. Em meio a tanto desespero, surge uma caminhada muitas vezes trágica e um destino incerto para famílias inteiras. E o Brasil, a exemplo de outros países do continente americano, passou a ser opção para um número crescente de imigrantes. A liberdade política, econômica e social do País, aliada a fatores climáticos e naturais, tem atraído milhares de refugiados. “O Brasil é um país formado por migrações. Então, a gente entende que essa relação com o estrangeiro é parte da nossa história, parte do sangue, está no DNA do brasileiro”, diz Luiz Fernando Godinho, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

O controle sobre a entrada e a permanência dos estrangeiros no País está a cargo do Poder Executivo, por meio da Polícia Federal (PF) e do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), ligado ao Ministério da Justiça. O órgão – composto também de membros dos Ministérios das Relações Exteriores, da Educação, do Trabalho e da Saúde, e de representantes da PF e de organizações da sociedade civil – analisa os pedidos de refúgio, com base na Lei 9.474/97, que regulamentou a aplicação do Estatuto dos Refugiados de 1951. Pode ser considerado refugiado todo cidadão que se viu obrigado a deixar o país de origem por motivo de perseguição racial, religiosa, étnica, social ou política.

Segundo o Ministério da Justiça, a concessão do refúgio tem prazo variável, mas leva, em média, seis meses para ser concluída após o requerimento. Quando o pedido é aceito, apesar de não ser considerado cidadão brasileiro, o beneficiado passa a ter os mesmos direitos civis, podendo emitir documentos de identidade, carteira de motorista e carteira de trabalho, e ter acesso aos serviços públicos de saúde e de educação. Outros direitos, como o de votar, só são concedidos a cidadãos naturalizados. De acordo com o último levantamento do Acnur, o número de refugiados no Brasil dobrou nos últimos cinco anos, saltando de 4,3 mil em 2011 para 8,5 mil em setembro deste ano. Outros 12,6 mil pedidos de refúgio estão pendentes de julgamento. A Síria lidera a lista de refugiados – com 2.077 pessoas vivendo regularmente no Brasil –, seguida de Angola, Colômbia e República Democrática do Congo.

Justiça Federal – No processo de regularização dos imigrantes, a Justiça Federal também tem um papel relevante. É dos magistrados federais a competência para analisar ações cíveis e criminais envolvendo estrangeiros, além das questões de Direito Internacional que sejam fruto de convenções firmadas pelo Brasil com outros países. Em um processo julgado pela Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), no início de outubro, os desembargadores federais concederam a um colombiano o direito ao refúgio no Brasil.

A União tentava manter a negativa do Ministério da Justiça em reconhecer a condição de refugiado do colombiano, com base na constatação de que ele atuou como guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Dessa forma, o governo brasileiro determinou sua extradição ao país natal. O requerente, no entanto, conseguiu comprovar que havia sido recrutado como “criança soldado”, que nunca foi incriminado pela justiça colombiana e que serviu à guerrilha de forma compulsória até conseguir fugir sob ameaça de morte. Diante disso, a Sexta Turma entendeu que o estrangeiro foi, na verdade, vítima do grupo extremista e determinou que a União concedesse o refúgio. “Se mostra imperioso reconhecer, ao autor, a condição de refugiado (...) a fim de lhe assegurar direitos fundamentais como segurança, saúde e integridade física, face aos seus fundados temores de, retornando ao país de origem, ver ameaçada a vida”, afirmou o relator do caso, desembargador federal Jirair Aram Meguerian.

Em um processo semelhante, julgado pela Justiça Federal da 1ª Região, um imigrante da República Democrática do Congo conseguiu o benefício previdenciário de prestação continuada (BPC), no valor de um salário mínimo por mês, concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a pessoas com deficiência. O congolês, hoje com 38 anos e morador do Núcleo Bandeirante/DF, foi vítima de sequestro e recrutamento forçado no exército quando tinha 17 anos. Numa tentativa de fuga, em 2001, ele foi baleado pelos militares e perdeu o movimento das pernas. Por temer represálias, acabou fugindo com o irmão para o Brasil, em julho do ano passado. Cinco meses depois, em 9 de dezembro de 2014, o imigrante teve o pedido de refúgio deferido pelo Conare.

O refugiado, então, buscou na Justiça Federal o pagamento do benefício previdenciário, que foi concedido, em primeira instância, pelo Juizado Especial Federal na 24ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF). “A questão posta nos autos diz com o princípio da dignidade da pessoa humana”, sublinhou a juíza federal substituta Maria Cândida Carvalho de Almeida. Como o congolês preencheu todos os requisitos da lei previdenciária, a magistrada atendeu ao pedido dele e aplicou o artigo primeiro da Constituição Federal, que trata da garantia de inviolabilidade dos direitos fundamentais de brasileiros e de estrangeiros residentes no País. “Nesse contexto, a meu ver, devem ser entendidos os artigos 204 e 203 da Constituição, que, respectivamente, impõem ao Estado brasileiro a obrigação de garantir a universalidade da seguridade social e de prover assistência social ‘a quem dela necessitar’”, concluiu a juíza.

O caso ainda será julgado, em segunda instância, mas quem acompanhou o drama do imigrante, de perto, já comemora. “Trata-se de uma sentença valiosa”, declarou Rosita Milesi, diretora do Instituto de Migrações e Direitos Humanos, sediado em Brasília/DF. A ONG, fundada em 1999, oferece apoio a estrangeiros que tentam recomeçar a vida no Brasil. O congolês foi uma das 1.564 pessoas atendidas pela instituição em 2014 – número que não chegou a 160 em 2010 e 290 no ano seguinte. No IMDH, a exemplo do que ocorre em outras instituições do País, os imigrantes recebem as primeiras orientações, comida, roupa, agasalho e uma bolsa de subsistência paga com recursos repassados pelo Acnur e pelo Conare. Eles são encaminhados a vagas de emprego e a escolas de português mantidas por voluntários. A ONG também prepara a documentação para viabilizar o pedido de refúgio. “Eles nos ajudaram muito”, disse Ammar Abu Nabut, 41, que deixou a Síria com a esposa e os três filhos, há um ano e meio, para fugir da guerra.

Além de todo o apoio logístico à família do imigrante, o IMDH deu a Ammar os primeiros eletrodomésticos que ele usa na pequena lanchonete que conseguiu abrir na Asa Sul, em Brasília. O negócio começou com o apoio de um amigo, também sírio, que o estrangeiro conheceu no Brasil. Foi o empurrão que ele precisava para iniciar uma nova história! Para trás ficaram o restante da família e as lembranças de um tempo que Ammar prefere esquecer. A vida tranquila na capital Damasco, onde o imigrante tinha uma loja de roupas femininas, deu lugar a um clima constante de medo e de incerteza. A decisão de abandonar tudo veio depois que as duas filhas do comerciante viram uma bomba explodir perto delas, no meio da rua, matando dezenas de pessoas. As economias do casal foram suficientes para pagar as passagens para o Brasil. “Aqui é bem mais tranquilo. A gente não tem muitos problemas como tinha lá”, conta Ammar, com um sotaque ainda carregado e pouco compreensível. Os filhos mais velhos, de 9 e 12 anos, estão matriculados em escolas públicas e já falam bem o português. “Eles já estão se acostumando, estudam e têm amigos aqui”.

Ressocialização – A inserção social em um ambiente completamente novo e culturalmente distante é um dos maiores desafios dos imigrantes. E é, também, um dos principais alvos do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. “A melhor solução para o refugiado é poder voltar pra casa. Mas, se isso não for possível, o que se vai buscar é a integração daquela pessoa no país onde ela se encontra”, afirma Luiz Fernando Godinho (foto).

“A pessoa tem que ser acolhida, tem que ser inserida na sociedade onde ela está buscando essa proteção. E essa integração tem que ser ampla, econômica e social, para que essa pessoa tenha condições de reconstruir a vida”, complementa o porta-voz do Acnur.

Uma das frentes de trabalho do órgão das Nações Unidas e das entidades sociais que dão suporte aos refugiados é a conscientização da população quanto ao drama humano envolvido nos movimentos de migração. O Brasil é tido como um País que aceita bem os imigrantes, mas, ainda assim, as ações de prevenção e de combate à discriminação são constantes. “Realizamos seminários de sensibilização da sociedade, buscando envolver as entidades que se abrem para este serviço humanitário”, revela a irmã Rosita – como é carinhosamente chamada a diretora do IMDH, devido à ligação com a Igreja Católica. Na ONG, um amplo grupo de voluntários ajuda a fazer a integração entre os estrangeiros e a comunidade local. “Os refugiados são como qualquer um de nós, apenas passando por uma situação extrema”, acrescenta Godinho.

A congolesa Souzy Kongnolo, 35, diz que, depois de dois anos morando no Rio de Janeiro, ainda convive com o preconceito de parte da população. “É como se todos os negros fossem angolanos, sem qualquer diferença. Não sou angolana, eu vim do Congo”, desabafa a imigrante, que conseguiu refúgio no Brasil em 2013. No país de origem, Souzy vivenciou os piores horrores da guerra civil. Ela morava com o marido e o pai numa província perto da capital Kinshasa. A família trabalhava com diamantes e tinha um bom padrão de vida, até que uma bomba, seguida de um ataque militar à casa dela, resultou na morte do pai e do marido. Em meio aos destroços, a congolesa, então grávida de seis meses, conseguiu fugir com os filhos gêmeos de sete anos e se esconder na igreja que frequentava. Entretanto, foi encontrada pelos militares e violentada juntamente com a filha.

Desesperada e sem poder voltar para casa, Souzy foi orientada pelo pastor a se refugiar no Brasil, onde seria recebida por um integrante da igreja. “Quando cheguei, fiquei dois dias no aeroporto chorando, com meus filhos passando fome e não tinha ninguém lá”, relembra. Um africano que também falava francês – língua oficial do Congo – ofereceu ajuda e encaminhou a família para a Cáritas Brasileira, entidade de defesa dos direitos humanos ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que também concede apoio a refugiados. A congolesa e os filhos receberam roupas, cestas básicas e um auxílio mensal, além de ajuda para conseguir a declaração de refúgio. Hoje, apesar de ter os filhos matriculados na escola, Souzy ainda mora de favor e tenta reconstruir a vida no Brasil. “Já pedi ajuda a muitas pessoas porque não é fácil”, conta a refugiada. “Na guerra que enfrentei ninguém consegue levar nada. Nem um chinelo ou um copo pra beber água; você só consegue fugir. Eu fugi pela janela, grávida de seis meses com duas crianças na mão”, completa com voz embargada.

Refúgio ambiental – Além dos conflitos armados, outro fator de risco contribuiu para a chegada massiva de imigrantes ao Brasil nos últimos anos. O terremoto que devastou o Haiti em janeiro de 2010, matando mais de 300 mil habitantes, provocou uma evasão de pelo menos 50 mil pessoas rumo ao Brasil, país que já se tornou referência para os haitianos devido ao contato deles com militares brasileiros das forças de paz da ONU enviados ao país.

A maioria dos imigrantes chegou pela fronteira do Peru com o estado do Acre, levando o governo a manter um abrigo provisório no município de Brasiléia/AC. De lá, milhares de haitianos seguiram para outros estados brasileiros, principalmente para as regiões Sul e Sudeste. Mesmo reconhecendo a condição crítica dos estrangeiros, o governo brasileiro se negou a conceder refúgio porque o Estatuto dos Refugiados prevê amparo apenas para os casos de violação aos direitos humanos, sem abranger questões ambientais, como os temores de terremotos e de outros desastres naturais. A solução foi editar uma resolução normativa (nº 97/2013), por meio do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego. A norma abriu uma exceção no Estatuto dos Estrangeiros para conceder vistos diferenciados aos haitianos.

Diversas questões envolvendo o ingresso e a permanência desses estrangeiros no Brasil também chegaram aos gabinetes de juízes federais. Em um dos casos, julgado há três meses pela Justiça Federal em Canoas, no Rio Grande do Sul, a esposa e o filho de um haitiano que veio ao Brasil no ano passado – também pelo Acre, fugindo da extrema pobreza no país caribenho – foram autorizados a desembarcar no aeroporto de Porto Alegre mesmo sem o visto emitido pelo consulado brasileiro. O pedido se baseou no princípio da proteção à unidade familiar, previsto na Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. “O Estado e a sociedade devem empreender todos os esforços necessários para que os membros da família permaneçam unidos, impedindo, com isso, que, por motivos alheios à sua vontade, sejam eles separados uns dos outros”, pontuou o juiz responsável pela sentença. O magistrado explicou que a lei prevê a extensão da proteção estatal aos familiares do estrangeiro solicitante desde que ele esteja em território brasileiro.

Também no sul do País, a Justiça Federal promoveu diversas audiências públicas e julgou processos relacionados à situação civil de imigrantes de países africanos, como o Senegal, que sofre com a miséria e a falta de emprego. Cidades como Bento Gonçalves e Caxias do Sul estão entre as principais rotas dos imigrantes que buscam um lugar melhor para viver e trabalhar. Em Caxias, também houve uma “invasão” massiva de cidadãos ganeses que aproveitaram a Copa do Mundo para buscar refúgio no Brasil. Ao todo, foram emitidos 8,5 mil vistos para cidadãos de Gana assistirem aos jogos da Copa. Dos 2.529 que tiveram a entrada confirmada pela Polícia Federal, 1.132 não voltaram para casa.

Se, de um lado, a Justiça Federal atua indiretamente no combate ao crime organizado internacional, no controle das fronteiras e no auxílio à polícia para desmantelar quadrilhas especializadas em imigração ilegal, por outro, cumpre um importante papel humanitário ao proporcionar dignidade a seres humanos que perderam praticamente tudo. Ao permitir que um estrangeiro em condições de se legalizar seja integrado ao novo país e tenha a possibilidade de reconstruir a vida, o Judiciário abre os olhos para uma causa nobre que tem motivado outros seres humanos a continuar a luta em favor dos imigrantes. “Temos que compreendê-los, animá-los, dar-lhes esperança e possibilidade de recuperar a autoestima e a confiança na possibilidade de viver em paz”, conclui Rosita Milesi. n

Ambito Juridico
Ricardo Cassiano



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

IV Seminário Vozes e Olhares Cruzados na Missão Paz


Marcha reunirá 20 mil mulheres negras brasileiras em Brasília nesta quarta-feira (18)


Encontro pedirá garantia de direitos já conquistados, pelo direito à vida e a liberdade, por um país mais justo e democrático e pela defesa de um novo modelo de desenvolvimento baseado na valorização dos saberes da cultura afro-brasileira. Marcha contará com a participação da diretora executiva da ONU Mulheres.
A Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver será realizada em Brasília, nesta quarta-feira (18), com concentração a partir das 9h no Ginásio Nilson Nelson. Reunirá cerca de 20 mil mulheres de todos os estados e regiões do Brasil para marchar pela garantia de direitos já conquistados, pelo direito à vida e a liberdade, por um país mais justo e democrático e pela defesa de um novo modelo de desenvolvimento baseado na valorização dos saberes da cultura afro-brasileira.

Além disso, o encontro tem o intuito de reafirmar a contribuição econômica, política, cultural e social das mulheres negras que construíram e constroem diariamente o Brasil. A marcha acontece no âmbito daDécada Internacional dos Afrodescendentes 2015-2024 das Nações Unidas e do mês da Consciência Negra. Para o mesmo dia, está previsto uma sessão conjunta do Senado e Câmara Federal e uma audiência com a presidenta da República, Dilma Rousseff.

A diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, ex- vice presidenta da África do Sul também confirmou presença. São esperadas, ainda, as ativistas norte-americana Ângela Davis e Bell Hooks, entre outras referências internacionais na luta pela igualdade racial e de gênero.

A Marcha é uma iniciativa de diversas organizações e coletivos do Movimento de Mulheres Negras e do Movimento Negro, além de contar com o apoio de importantes intelectuais, artistas, ativistas, gestores e gestoras, comunicadores e comunicadoras e referências das mais diversas áreas no Brasil, América Latina e África.
Estarão presentes trabalhadoras rurais, catadoras de material reciclável, pescadoras, marisqueiras, quilombolas, estudantes, mestres e mestras da cultura tradicional, empreendedoras, yalorixás, entre outras mulheres negras dos diversos setores da sociedade.

A proposta da Marcha surgiu durante o Encontro Paralelo da Sociedade Civil para o Afro XXI, realizado em 2011, em Salvador. A partir de então, mulheres negras e do movimento social de mulheres negras atenderam ao chamado e deram início as mobilizações para a Marcha. De 2011 até agora, foram realizadas diversas ações entre debates, oficinas, passeatas, eventos formativos, articulações em âmbito local, regional, nacional e internacional.
A agenda de debate proposta pelos movimentos sociais, especialmente, os de mulheres negras tem buscado refletir e incidir sobre o lugar da mulher negra na sociedade e os desafios da luta contra o racismo, a pobreza e a sub-representação nos espaços de poder e decisão. Temas relacionados ao mercado de trabalho formal e informal, produtivo, reprodutivo, enfrentamento à violência racial, física, psicológica, patrimonial e moral, à violência doméstica e sexual, genocídio da população tem sido discutidos e necessitam de respostas urgentemente, razão pela qual a Marcha será um espaço de formação e incidência política de grande importância para a conquista e a garantia de direitos das mulheres negras em todo o território nacional.

Por que marchar?

De acordo com o IBGE (2012), as mulheres negras representam 25% do total da população brasileira, o que corresponde a cerca de 49 milhões de pessoas. Apesar dos avanços das últimas décadas, como a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, as mulheres negras ainda amargam os piores índices no que se refere o acesso às políticas públicas de uma forma em geral.
Com a criação destes importantes órgãos no primeiro mandato do então presidente Lula, foi possível avançar no que tange o enfrentamento das barreiras para a igualdade de direitos. No entanto, as marcas das desigualdades e da segregação étnico-racial ainda sustentam modelos econômicos de caráter racista em todo o mundo, baseados apenas em seus interesses em manter a exploração e a opressão de determinados grupos sociais.
Quando mulheres vencem a barreira do desemprego, passam a vivenciar a divisão sexual do trabalho, a violência doméstica, o assédio sexual. As mulheres negras são ainda mais discriminadas, já que historicamente tem convivido com o desrespeito histórico ao seu corpo que ainda é violado e marginalizado, alimentando cada vez mais os índices de agressões, estupros e assassinatos. De acordo com o Instituto de Pesquisa Aplicadas – IPEA, 62% das vítimas do feminicídio são mulheres negras, grande parte vive em condições de subemprego, mesmo com formação escolar e capacitação e, ainda, respondem por grande parte da chefia das famílias.

Segundo o DIEESE, no trabalho formal, protagonizam uma amarga diferença salarial de cerca de 19% com a mulher não negra e de 46% se comparado com homens não negros. E, apesar dos avanços na legislação trabalhista, as mulheres que atuam no trabalho doméstico, cerca de 8 milhões de mulheres, não contam com as mesmas condições e oportunidades que os demais trabalhadores urbanos.

No que diz respeito à violência, dados do IPEA, entre 2009 e 2011, estimam que mulheres negras, jovens e pobres são as maiores vítimas da violência doméstica. No Brasil, 61% dos óbitos são de mulheres negras, as principais vítimas em todas as regiões do país, à exceção da Sul. Merece destaque a elevada proporção de óbitos de mulheres negras nas regiões Nordeste (87%), Norte (83%) e Centro-Oeste (68%). Dados de 2012 apontam, ainda, que 63% das mulheres em situação de prisão são de mulheres negras.
Segundo dados do Ministério da Saúde, 60% da mortalidade materna ocorre entre mulheres negras. No que diz respeito ao atendimento pelo SUS, 56% das gestantes negras e 55% das pardas afirmam ter realizado menos consultas pré-natal do que mulheres brancas. No que tange a amamentação, as orientações só chegaram a 62% das negras, enquanto 78% das brancas tiveram acesso.

Ressalta-se que no escopo das Metas de Desenvolvimento do Milênio, que propunha erradicar a mortalidade materna, o Brasil não conseguiu alcançar as metas, e o fator predominante para os altos índices se deu, sobretudo, por conta dos dados negativos da mortalidade materna das mulheres negras.
Além da Marcha, este prevista a realização de uma Feira de Empreendedoras Negras, debates, conferências, mostra cultural e shows no Complexo Cultural do Museu Nacional da República, no período de 13 a 17 de novembro.

SERVIÇO:

Marcha das Mulheres Negras 2015
Data: 18 de novembro de 2015
Concentração: A concentração será a partir das 9h, nas imediações do Ginásio Nilson Nelson. O percurso previsto se dará até o Congresso Nacional e encerramento no Complexo Cultural do Museu da República, em Brasília.
Leia o Manifesto completo no endereço www.marchadasmulheresnegras.com
Informações: Ionara Silva ( 55) 61 9657-7741 / Naiara Leite (55) 71 9198-7892 E-mail: comunicacaomarcha@gmail.com

ONU Mulheres


sábado, 14 de novembro de 2015

Países precisam rejeitar xenofobia e abrir fronteiras para refugiados


Em uma coluna de opinião no jornal parisiense Le Figaro, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reafirmou na quarta-feira (11) a necessidade de respeito e dignidade aos refugiados da Síria, Iraque, Afeganistão e da África por parte de países do mundo e, principalmente, europeus. “É tempo da comunidade internacional desenvolver uma resposta global para o fluxo de população em massa”, acrescentou. “O progresso vai servir o interesse comum de todas as nações”.

O chefe da ONU alertou que a criminalização e detenção dos imigrantes não vão resolver os problemas e pediu por mais integração e oportunidades para os refugiados, mais avenidas legais e seguras para eles e investimentos em operações de assistência carentes de recursos.

Ban mencionou sua experiência pessoal como deslocado, quando precisou fugir da guerra da Coreia. “Apesar de nunca ter precisado viajar para tão longe como eles fizeram e ser poupado de muitos dos pesares que os deixaram assustados, eu conheci muito bem a confusão e o medo de abandonar a minha cidade enquanto as bombas caíam”, informou.

“Com pensamento criativo, nós podemos gerar oportunidades para mais migrantes e refugiados, por exemplo, por meio de bolsas escolares do setor privado, visas humanitários e apadrinhamento das diásporas”, declarou, “Essa resposta compassiva é também uma forma efetiva de combater as redes de contrabando e trágico que ameaçam pessoas desesperadas”.

ONU

Brasil: um país fechado para imigrantes

O Brasil tem a quinta média mais baixa de população imigrante da América Latina, segundo a revista americana Economist. A crise econômica vivida no país, a falta de políticas voltadas para facilitar a entrada de imigrantes e o idioma que não é amplamente falado no mundo são os principais motivos da baixa taxa apresentada. De uma população de 204 milhões, apenas 600 mil nasceram fora do país.

Após registrar um pico populacional de estrangeiros no início do século XX (7,3% do total), o número vem diminuindo desde então. A Argentina, ainda que tenha uma população cinco vezes menor que a do Brasil e com uma economia igualmente conturbada, atrai mais que o dobro de trabalhadores estrangeiros – cerce de 280 mil pessoas por ano. A maioria é de trabalhadores pobres vindo de outros países falantes do espanhol.

Burocracia na imigração

De acordo com o Secretário Nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, os imigrantes não são atraídos para o Brasil devido às dificuldades e barreiras desnecessárias para a entrada no país. Ao contrário das generosas políticas de concessão de asilo para refugiados, que oferecem aos requerentes  uma autorização de trabalho gratuita dentro de uma semana, a legislação para imigração no Brasil é “anacrônica”, diz Vasconcelos.

A principal lei de imigração, promulgada pelo governo militar entre 1964 e 1985, trata os imigrantes como uma ameaça à segurança nacional e para os trabalhadores brasileiros. Ela proíbe os estrangeiros de participar de comícios políticos, ter participação acionária em jornais e terem função ativa em sindicatos.

Mesmo com a queda na economia e o desemprego crescente, a falta de receptividade para talentos estrangeiros tem um preço alto. A consultoria de recursos humanos Manpower recentemente descobriu que 61% dos empregadores brasileiros estão tendo dificuldades para preencher vagas. Dentre 42 países, apenas Japão, Peru e Hong Kong apresentam índices piores.


Em um ranking anual das habilidades de países em desenvolver e atrair talentos, da escola de negócios IMD, o Brasil caiu para a 57ª posição de 61 países listados este ano. Segurança, qualidade de vida e educação foram levadas em conta no ranking.

OPINIÃO E NOTICIA

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Carta de Apoio ao Papa Francisco


Querido  Papa Francisco:
            Somos muitos na América Latina, no Caribe e noutras partes do mundo que acompanhamos com preocupação a oposição e os ataques que lhe fazem minorias conservadoras, mas poderosas de dentro e de fora da Igreja. Perplexos, assistimos a algo inusitado nos últimos séculos: a tomada de posição de alguns cardeais contra o seu modo de conduzir o Sínodo e, mais que tudo, a Igreja Universal.
            A carta estritamente pessoal, dirigida ao Sr. por un grupo de cardeais, foi vasada para a imprensa, como já havia sucedido  com sua encíclica Laudato Si’,  em clara  violação dos princípios de um jornalismo  ético.
            Tais grupos postulam uma volta ao modelo de Igreja do passado, concebida mais como uma fortaleza fechada do que como “um hospital de campanha sempre aberto para acolher quem lhe bata às portas”; Igreja que deverá “procurar e acompanhar a humanidade de hoje não com  portas fechadas, o que trairia a si mesma e a sua missão e que, em vez de ser uma ponte, se tornaria uma barreira”. Estas foram suas corajosas palavras.
            As atitudes pastorais do tipo de Igreja proposto em seus discursos e em seus gestos simbólicos se caracterizam pelo amor caloroso, pelo encontro vivo entre as pessoas e com o Cristo presente entre nós, pela misericórdia sem limites, pela “revolução da ternura” e pela conversão pastoral. Esta implica que o pastor tenha “cheiro de ovelha” porque convive com ela e a acompanha ao longo de todo o percurso.
            Lamentamos que tais grupos, o mais que fazem é dizer não.            
         Recordamos a esses nossos irmãos as coisas mais óbvias da mensagem de Jesus.  Ele não veio dizer não. Ao contrário, ele veio dizer sim. São Paulo na segunda Epístola aos Coríntios nos recorda que “o Filho de Deus sempre foi sim, porque todas as promessas de Deus são sim em Jesus” (2 Cor 1,20).
            No evangelho de São João, Jesus afirma explicitamente: ”Se alguém vem a mim eu não o mandarei embora”(Jo 6,37). Podia ser uma prostituta, um leproso, um teólogo medroso como Nicodemos: a todos acolhia com amor e misericórdia.
            A característica fundamental do Deus de Jesus, “Abba”, é sua misericórdia ilimitada (Lc 6,36) e seu amor preferencial pelos pobres, doentes e pecadores (Luc 5,32; 6,21). Mais que fundar uma nova religião com fieis piedosos, Jesus nos veio ensinar a viver e a realizar a mensagem central do Reino de Deus, cujos bens são: o amor, a compaixão, o perdão, a solidariedade, a fome e sede de justiça e a alegria  de todos sentirem-se filhos e filhas amados de Deus.
            Os intentos de deslegitimar seu modo de ser bispo de Roma e Papa da Igreja universal, guiando-se mais pela caridade do que pelo direito canônico, mais pela colegialidade e pela cooperação do que pelo exercício solitário do poder serão vãos,  porque nada resiste à bondade e à ternura das quais  o Sr. nos dá um esplêndido exemplo. Da história aprendemos que, onde prevalece o poder,  desaparece o amor e se extingue a misericórdia, valores centrais da sua pregação e da de Jesus.
            Neste contexto, face à nova fase planetária da história e às ameaças que pesam sobre o sistema-vida e o sistema-Terra corajosamente apontadas em sua encíclica Laudato Si’sobre “o cuidado da Casa Comum” queremos  cerrar fileiras ao seu redor e mostrar nosso inteiro apoio à sua pessoa e ministério, à sua visão pastoral e aberta de Igreja e à forma carismática pela qual nos faz sentir novamente a Igreja como um lar espiritual. E são tantos de outras igrejas e religiões e do mundo secular que o apoiam e o admiram  pelo seu modo de falar e de agir.
            Não é destituído de significação o fato de que a maioria dos católicos vive nas Américas, na África e na Ásia, onde se constata grande vitalidade e criatividade em diálogo com as diferentes culturas, mostrando vários rostos da mesma Igreja de Cristo. A Igreja Católica é hoje uma Igreja do Terceiro Mundo, pois somente 25% dos católicos vivem na Europa. O futuro da Igreja se decide nessas regiões onde sopra fortemente o Espírito.
            A Igreja Católica, não pode ficar refém da cultura ocidental que é uma cultura regional, por maiores méritos que tenha acumulado. É preciso que se des-ocidentalize, abrindo-se ao processo de mundialização que favorece o encontro das culturas e dos caminhos espirituais.
            Querido Papa Francisco: o Sr. participa do mesmo destino do Mestre e dos Apóstolos que também foram incompreendidos, caluniados e perseguidos.
            Mas estamos tranquilos porque sabemos que o Sr. assume tais tribulações no espírito das bem-aventuranças. Suporta-as com humildade. Pede perdão pelos pecados da Igreja e segue as pegadas  do Nazareno.
            Queremos estar ao seu lado, apoiá-lo em sua visão evangélica e libertadora de Igreja, e de mundo, conferir-lhe coragem e força interior para nos atualizar, por palavras e gestos, a Tradição de Jesus feita de amor, de misericórdia, de compaixão, de intimidade com Deus e de solidariedade para com a humanidade sofredora.
            Enfim, querido Papa Francisco, continue a mostrar a todos que o evangelho é uma proposta boa para toda a humanidade, que a mensagem cristã é um força inspiradora no “cuidado da Casa Comum” e geradora de uma pequena antecipação de uma Terra reconciliada consigo mesma, com todos os seres humanos, com a natureza e principalmente com o Pai que mostrou ter características de Mãe de infinita bondade e ternura. Ao final, poderemos juntos dizer: “tudo é muito bom”(Gn 1,31).

Carta de apoio ao Papa Francisco - II Congresso Continental de Teologia, realizado de 26-30 de outubro de 2015 em Belo Horizonte-MG

Podem enviar os apoios al mail apoyoalpapafrancisco@yahoo.com



MJ divulga pesquisa de políticas para migrantes



A implementação de políticas públicas para migrantes tem sido foco de grandes discussões na administração pública de todas as esferas. Como forma de dar suporte às tomadas de decisões, o Ministério da Justiça promove, nesta sexta-feira (13), seminário que divulgará os resultados da pesquisa “Migrantes, apátridas e refugiados: subsídios para o aperfeiçoamento de acesso a serviços, direitos e políticas públicas no Brasil”. O estudo é iniciativa do projeto Pensando o Direito da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça (SAL/MJ) em parceria com a Secretaria Nacional de Justiça e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O objetivo foi apontar quais são os principais obstáculos normativos, institucionais e estruturais de acesso a direitos e serviços dos migrantes no país. A pesquisa também mapeou os fluxos migratórios em todas as regiões do Brasil e traçou o perfil  da população de imigrantes.

 Segundo a pesquisa, os imigrantes relatam que o idioma, a documentação e a falta de informação são os principais obstáculos para o acesso a direitos e/ou serviços. Mas quando se refere à discriminação no acesso a serviços públicos, cerca de 73% não se sentiu discriminado. Esses e outros dados foram coletados pela estudo coordenado pela professora Liliana Lyra Jubilut, da  Faculdade de Direito da Universidade Católica de Santos (UniSantos). Segundo a professora, que trabalha com o tema desde 1999, a questão da vulnerabilidade dessas pessoas deve ser colocada em foco: "A população imigrante possui uma vulnerabilidade específica que precisa ser levada em consideração na criação de política públicas que permitam a efetivação de seus direitos humanos".

Segundo o secretário de Assuntos Legislativos, Gabriel Sampaio, a pesquisa vai ajudar a identificar gargalos tanto na construção das políticas públicas quanto no marco normativo que hoje rege a temática dos migrantes em nosso país: "A partir da identificação desses problemas importantes subsídios para a atuação do MJ, por meio da Secretaria Nacional de Justiça, quanto para o debate público no Congresso Nacional vão permitir que nós solucionemos esses problemas e busquemos avanços nesse âmbito, tanto normativo quanto na construção das políticas públicas".

A pesquisa foi realizada em todas as regiões do país e contém dados coletados  de 18 cidades: Manaus – AM, Brasília – DF, Tabatinga – AM, Cuiabá – MT, Campo Grande – MS, Ponta Porã – MS, Rio Branco – AC, Brasiléia – AC, Assis Brasil – AC, Porto Velho – RO, Rio de Janeiro – RJ, Navegantes – SC, Itajaí – SC, Itapema – SC, Balneário Camboriú – SC, Porto Alegre – RS, Caxias do Sul – RS, Foz do Iguaçu – PR e São Paulo - SP.

Veja a pesquisa completa e a entrevista com a coordenadora do estudo, Liliana Jubilut, no site Pensando o Direito : http://pensando.mj.gov.br/




Ministério da Justiça