terça-feira, 21 de junho de 2022

Papa: “vocês estão na fronteira, com os mais pobres, onde eu gostaria de estar”

 Francisco encontra os bispos do Regional Noroeste e Norte1. O Papa insistiu aos bispos que “escutem os povos indígenas, escutem as comunidades de base, o Espírito Santo age através dessas pessoas”.

Começou nesta segunda-feira a Visita ad Limina dos Regionais Noroeste e Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Poderíamos dizer que começou com o momento principal, pois depois de celebrar a Eucaristia junto ao túmulo do Apóstolo Pedro, os 17 bispos presentes, junto com o administrador da Diocese de Roraima, se encontraram com o Papa Francisco, o Sucessor de Pedro.

Um momento para viver a catolicidade, um momento de alegria, segundo dom Leonardo Steiner. Aos pés do túmulo onde está sepultado o primeiro Papa, aquele que receberá o capelo cardinalício no dia 27 de agosto, insistiu em “expressar a alegria das nossas Igrejas”, destacando, a partir da sua experiência em Manaus, “o carinho enorme que o Povo de Deus tem pelo Papa, e nós nos alegramos com nossas comunidades”.

Segundo o arcebispo de Manaus, “o túmulo de Pedro, para nós bispos, tem o significado não apenas do primado”, destacando o caráter extraordinário da figura de Pedro, “porque tem muitas fragilidades, tem muitas fugas, muitas pedras, mas um homem de fidelidade”. Dom Leonardo Steiner afirmou, se dirigindo aos bispos, que “na figura de Pedro, nós nos vemos, nos entendemos e compreendemos como pessoas, mas nos vemos, nos entendemos e nos compreendemos também como bispos”, ressaltando que fazem parte desse ministério de séculos.

Ele falou aos bispos que “diante do túmulo de Pedro peçamos além da fidelidade, a graça da gratidão, gratidão por podermos exercer na Igreja esse ministério ao serviço das nossas comunidades”. Dom Leonardo, ao elo das palavras de São Paulo, disse que “a força não está em nós mesmos, a força está no ministério recebido”. Diante da tentação de centrar tudo em si próprio, chamou a perceber que “a força do Espírito, a força do Reino de Deus, esteja a guiar as nossas Igrejas e a guiar nosso próprio ministério”.

O arcebispo de Manaus chamou a descobrir “a nossa finitude, que é cheia de fragilidade, fraqueza”, sendo o próprio ministério que liberta, “na medida em que vamos retornando, nos entusiasmando, buscando, servindo, nos entregando”, fazendo ver a necessidade de sair das amarras de si mesmos e das amarras do sistema. Ele também quis agradecer aos Papas que os nomearam, insistindo em que “não é nenhuma promoção, mas é uma graça que Deus nos deu”, ressaltando que é um serviço à Igreja, que tem que ser feito com alegria.

A celebração eucarística foi seguida por “um encontro inesquecível e memorável”, segundo dom Edson Damian. Ainda emocionado, depois de mais de duas horas de encontro, iniciado com a saudação pessoal a cada um dos membros da visita ad Limina, onde o Papa Francisco foi recebendo e se interessando pelos presentes de cada uma das igrejas particulares, o Presidente do Regional Norte1 insistiu em que o Papa Francisco diz logo no início: “aqui eu quero que vocês digam tudo o que quiserem, perguntem tudo o que quiserem, façam críticas também, aqui precisa liberdade, porque quando não há liberdade, não existe diálogo”, segundo dom Edson. Palavras que deram passo a um longo diálogo em que o Papa “foi ouvindo as perguntas, as colocações de cada um”

O Bispo de São Gabriel da Cachoeira agradeceu ao Papa Francisco pelo Sínodo para a Amazônia e o Sínodo sobre a sinodalidade. Ele, que é bispo da diocese com a maior porcentagem de população indígena do Brasil, lhe expressou ao Santo Padre o grande agradecimento dos povos indígenas “porque pela primeira vez, são escutados, e eles se sentiam tão felizes”, destacando o trabalho fantástico de escuta feito no processo sinodal do Sínodo para a Amazônia, algo que está sendo repetido com o Sínodo atual, mostrando o Papa aos povos indígenas, “como ele os leva a sério”.

O Papa insistiu aos bispos que “escutem os povos indígenas, escutem as comunidades de base, o Espírito Santo age através dessas pessoas, dos pobres da Igreja, e vocês estão na fronteira, vocês estão com os mais pobres, vocês estão onde eu gostaria de estar”.


Em relação com o Sínodo atual, dom Edson Damian afirmou que “este Sínodo é colocar em prática as intuições mais profundas do Concílio Vaticano II, é voltar àquilo que a Igreja sempre devia ser e ela acabou perdendo, a sinodalidade, onde a Igreja é o Povo de Deus, unido com seus pastores, todos caminhando juntos”.

O Presidente do Regional Norte1, falando da Praedicate Evangelium, ressaltou que segundo o Papa Francisco “é o resultado de 9 anos de trabalho da Igreja, com aquele grupo de cardeais que me ajudaram muito, e já dá para sentir esse espírito todo, que é a nossa Igreja que está predicando o Evangelho, o Evangelho acima de tudo, anunciar o Evangelho, e o Evangelho deve chegar a todos os povos, a começar pelos pobres, pelos migrantes, por aqueles que estão nas fronteiras”.

Finalmente, o bispo de São Gabriel da Cachoeira destacou das palavras do Papa, que disse: “mesmo sendo dois regionais, vocês são profundamente unidos, estão sintonizados. Todas as perguntas que vocês fizeram foram complementando o nosso diálogo esclarecendo esse encontro que me deixa profundamente feliz”, insistindo o bispo em que: “e nós mais ainda”.


Radio Vaticano

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segunda-feira, 20 de junho de 2022

No Dia Mundial do Refugiado, ONU destaca segurança de deslocados no mundo

Acnur/S. Masengesho
Perita apoia a preocupação da Agência da ONU para os Refugiados sobre dificuldades relatadas em experiências traumáticas

 Com aumento de 8% apenas no último ano, refugiados devem ter direito a segurança, afirma Acnur; agência das Nações Unidas pede abertura de fronteiras para quem busca asilo e tem liberdade ameaçada em seu país de origem; países anfitriões devem receber apoio da comunidade internacional.

O Dia Mundial do Refugiado é uma data internacional designada pelas Nações Unidas para homenagear àqueles obrigados a fugir de suas casas, em todo o mundo. Celebrado em 20 de junho, o Dia marca a força e coragem das pessoas que tiveram que fugir de seu país para escapar de conflitos ou perseguições.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, destaca que o número de pessoas aumentou a cada ano, na última década, e está no nível mais alto desde o início dos registros. Esta é uma tendência que só pode ser revertida por um novo esforço conjunto por pacificação.

Refugiados do Burundi que agora vivem na RD Congo.
Foto: © UNHCR/Antonia Vadala
Refugiados do Burundi que agora vivem na RD Congo.

Segurança para os refugiados

Na última semana, o Acnur lançou seu relatório anual de Tendência Globais indicando que até o final de 2021, os deslocados por guerra, violência, perseguição e abusos de direitos humanos eram de 89,3 milhões.

O valor é 8% maior em comparação ao ano anterior e bem mais que o dobro de 10 anos atrás. Segundo o Acnur, a invasão russa da Ucrânia causou uma das maiores crises de deslocamento desde a Segunda Guerra Mundial, na Europa. Outras emergências, da África ao Afeganistão, empurraram o número para o marco dramático de 100 milhões.

Assim, este ano, o Acnur reforça que todas as pessoas têm direito a buscar segurança, independentemente de quem sejam, de onde venham e sempre que são forçadas a fugir.

Refugiados ucranianos chegam em estação de trem na Polônia.
Foto: © UNHCR/Maciej Moskwa
Refugiados ucranianos chegam em estação de trem na Polônia.

Pilares fundamentais para integridade dos refugiados

Com o foco na segurança dos refugiados, o escritório da ONU destaca cinco pilares fundamentais para proteger a integridade dessas pessoas.

Todos devem ter o direito de procurarem asilo, seja por fugirem de conflitos, perseguições ou abusos de direitos humanos.

Além disso, as fronteiras devem permanecer abertas àqueles forçados a fugir. A restrição pode deixar a jornada dos refugiados ainda mais perigosa.

O Acnur adiciona que os refugiados não devem ser obrigados a retornar aos países em que tenham sua liberdade ameaçada. Para a agência, nenhum país deve enviar pessoas de volta sem avaliar os perigos aos quais podem estar expostas.

Fim da discriminação e tratamento humanizado são outras frentes destacadas pelo Acnur. Os refugiados devem ser protegidos de traficantes, detenção arbitrária e separação familiar.

Responsabilidade global

Para o Acnur, proteger as pessoas forçadas a fugir deve ser uma responsabilidade global.

No entanto, a agência adiciona que os países e comunidades que recebem e hospedam grande número de refugiados, em relação à suas populações e economias, precisam de apoio constante e solidariedade da comunidade internacional.

Além disso, a organização afirma que, uma vez que os refugiados estejam fora de perigo, elas precisam de oportunidades para curar, aprender, trabalhar e prosperar, como destaca o Pacto Global sobre Refugiados.

A agência também reforça que eles precisam de soluções, como a chance de voltar para casa em segurança e dignidade ou, nos casos mais vulneráveis, a serem reinstalado num terceiro país.

 Onunews

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sábado, 18 de junho de 2022

Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio ressalta ameaças atuais

Unsplash/Priscilla du Preez
ONU destaca que discurso de ódio se tornou um dos métodos mais frequentes para difundir retóricas e ideologias que causam divisão

 Neste 18 de junho, a ONU marca pela primeira vez o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio.

A organização pede a governos, entidades internacionais, grupos da sociedade civil e indivíduos que difundam estratégias para identificar, abordar e combater a prática. 

Danos

O presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, convocou para segunda-feira uma reunião informal de alto nível sobre o tema.

A ONU lembra que o discurso de ódio está em alta pelo mundo. Este tipo de narrativa tem o potencial de “incitar à violência, minar a coesão social e a tolerância e causar danos psicológicos, emocionais e físicos”.

O discurso de ódio afetar indivíduos e grupos específicos, e também sociedades. E o impacto é ampliado pelas novas tecnologias de comunicação “tanto que o discurso de ódio se tornou um dos métodos mais frequentes para difundir retóricas e ideologias que causam divisão em escala global”.

Esforços

A ONU receia que, se o problema não for controlado, possa até prejudicar a paz e o desenvolvimento, pelo potencial de inflamar conflitos e tensões, violações de direitos humanos em larga escala.

A criação do Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio foi baseada na Estratégia e Plano de Ação da ONU sobre o tema, lançada em 2019.

Foi a primeira iniciativa da organização para combater a prática apoiando e complementando os esforços nacionais.

A estratégia enfatiza que é preciso combater o ódio de forma holística e com total respeito pela liberdade de opinião e expressão.

Para atingir esse proposito a atuação entre os envolvidos, incluindo organizações da sociedade civil, meios de comunicação, empresas de tecnologia e plataformas de mídia social.

Criação do Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio foi baseada na Estratégia e Plano de Ação de 2019
Unsplash/Jon Tyson
Criação do Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio foi baseada na Estratégia e Plano de Ação de 2019
Onunews 
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Unicef alerta para aumento 'maciço' de crianças migrantes em selva panamenha

 

Migrantes continuam sua jornada para o norte, da Colômbia ao Panamá, com o sonho de chegar aos Estados Unidos. — Foto: ASSOCIATED PRESS

Mais de 5.000 crianças cruzaram em 2022 a inóspita selva panamenha de Darién, o que é dobro dos menores que atravessaram esta perigosa via rumo aos Estados Unidos no mesmo período do ano anterior, alertou o Unicef nesta sexta-feira (17).

"Estamos em meio à temporada de chuvas neste momento e nossas equipes em campo estão vendo um aumento maciço de crianças que põem suas vidas em risco e cruzam a selva a pé nas piores condições climáticas", advertiu Jean Gough, diretora do Unicef para a América Latina e o Caribe.

"Cada vez mais meninos e meninas" são "obrigados a fugir de seus lares como única opção viável para sobreviver", acrescentou Gough em um comunicado.

Segundo Unicef, de 1º de janeiro até 31 de maio mais de 5.000 menores cruzaram o Darién, o dobro do mesmo período de 2021. Além disso, em maio de 2022 atravessaram a floresta 2.000 crianças, quatro vezes mais do que em maio de 2021.

Unicef também destacou que quase 170 crianças não estavam acompanhadas ou tinham sido separadas de suas famílias. Alguns tampouco tinham identidade ou registro de nascimento.

"O que vemos é que há um aumento significativo" de menores pela selva apesar de que "há muitos riscos", afirmou à AFP Laurent Duvillier, chefe regional de comunicação do Unicef.

"As crianças chegam em condições muito precárias e precisam de atenção médica por problemas de desidratação, infecções na pele, traumas pelo que viram, como assédio sexual, extorsão ou gente que morreu no caminho", acrescentou.

El Tapón del Darién, 5.000 km2 de floresta tropical na fronteira entre Panamá e Colômbia, se tornou um corredor para migrantes irregulares que tentam cruzar a América Central a partir da América do Sul rumo aos Estados Unidos.

Nesta via não há rodovias e os migrantes devem enfrentar rios caudalosos, animais selvagens e quadrilhas de criminosos. Segundo dados oficiais, em 2021 mais de 133.000 pessoas, a maioria haitianos e cubanos, cruzaram por ali. Quase um quarto deles foi de crianças.

Em 2022 já cruzaram mais de 32.000 pessoas, o dobro do mesmo período de 2021. Agora são majoritariamente venezuelanos.

Segundo o Unicef, a situação provocou a superlotação dos centros instalados pelo governo panamenho para atender estes migrantes.

G1

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sexta-feira, 17 de junho de 2022

Mapeamento aponta que Lauro de Freitas abriga mais de 300 refugiados e migrantes; venezuelanos e peruanos são maioria

 Um mapeamento realizado na cidade de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, apontou que 78 famílias de estrangeiros refugiados e migrantes no país moram no município atualmente. De acordo com a prefeitura, isso equivale a mais de 300 pessoas. A maioria delas venezuelanas e peruanas.

O Mapeamento de Pessoas Refugiadas e Migrantes, que detalha características e traça o perfil de quem se desloca de longe com a expectativa de ser acolhido na cidade, foi divulgado nesta quarta-feira (15) no Cine Teatro, pela Secretaria de Políticas Afirmativas e Direitos Humanos (SEPADHIR). 

Segundo o levantamento, nos últimos dois anos, Lauro de Freitas tem se destacado como destino de pessoas refugiadas e migrantes.

O Mapeamento foi realizado no segundo semestre de 2021 e, de acordo com a secretária da SEPADHIR, Deize Marize, uma escola da rede municipal na região de Areia Branca foi utilizada como base para receber as famílias que participaram dos cadastros voluntariamente.

“A partir do conhecimento da realidade dessas famílias é possível desenvolver políticas públicas mais efetivas como, por exemplo, o recém inaugurado Centro de Referência e Apoio aos Imigrantes (CRAI) que disponibiliza atendimento social, jurídico e psicológico a estas pessoas”, disse. 

O documento aponta que Areia Branca, Jambeiro e Capelão são os bairros mais procurados pelos migrantes e refugiados para residir.

Foto: Divulgação

Cerca de 80% chegaram a Lauro de Freitas por meio da Estratégia de Interiorização do Governo Federal ou com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e ainda por meio do setor privado.

O mapeamento aponta ainda que 99% são de nacionalidade venezuelana e apenas 1% peruana. Entre as principais habilidades profissionais exercidas por eles, estão: trabalhadores do comércio, professores, trabalhadores do campo e prestadores de serviço. 

Utilizando a metodologia COBOL – estratégia de triagem técnica para entrevistas – a realização do Mapeamento de Pessoas Refugiadas e Migrantes contou com a participação da SEPADHIR, Universidade Salvador, Serviço Jesuíta a Migrante e Refugiados, Serviço Pastoral do Migrante de Salvador e Agência da ONU para Refugiados no Brasil.

Cidade solidária pela ONU 

Durante a apresentação do Mapeamento de Pessoas Refugiadas e Migrantes, a associada de soluções duradouras da ONU, Camila Sombra, informou que pelas boas práticas na acolhida aos refugiados e migrantes, Lauro de Freitas foi reconhecida pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) como uma “Cidade  Solidária”.

“A iniciativa é uma ação global do ACNUR que destaca os esforços feitos por municípios para a implementação de políticas públicas que promovam a acolhida, o acesso a direitos e mecanismos de integração de pessoas refugiadas, solicitantes da condição de refugiados e migrantes. Lauro de Freitas se destaca com este mapeamento e agora com o CRAI”, afirmou.

Centro de apoio

O Centro de Referência e Apoio aos Imigrantes (CRAI) de Lauro de Freitas foi inaugurado no último dia 23 de maio e disponibiliza atendimento social, jurídico, psicológico, além de outros encaminhamentos de políticas públicas. O equipamento foi implantado no bairro do Jambeiro.

ibahia.com

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ACNUR: deslocamento global atinge novo recorde e reforça tendência de crescimento da última década

 

Milhares de famílias foram deslocadas devido às recentes secas nas regiões somalis da Etiópia. © UNHCR/Eugene Sibomana

O número de pessoas forçadas a deixar suas casas tem crescido ano após ano durante a última década e se encontra no nível mais alto desde que começou a ser registrado, consolidando uma tendência que só pode ser revertida por um novo e combinado esforço em favor da paz, disse hoje a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Ao final de 2021, o número de pessoas deslocadas por guerras, violência, perseguições e abusos de direitos humanos chegou a 89,3 milhões (um crescimento de 8% em relação ao ano anterior e bem mais que o dobro verificado há 10 anos), de acordo com o relatório “Tendências Globais”, uma publicação estatística anual do ACNUR.

Desde então, a invasão da Ucrânia pela Rússia – que causou a mais veloz e uma das maiores crises de deslocamento forçado de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial – e outras emergências humanitárias, da África ao Afeganistão e além, elevaram este número para a marca dramática de 100 milhões.

“Os números subiram em todos os anos da última década”, disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi. “Ou a comunidade internacional se une para enfrentar esta tragédia humana, resolver conflitos e encontrar soluções duráveis, ou esta tendência terrível continuará”, completou.

O último ano foi notável em relação ao número de conflitos que se intensificaram e outros que surgiram: 23 países, com uma população combinada de 850 milhões de pessoas, enfrentaram conflitos de intensidade média ou alta, de acordo com o Banco Mundial.

Enquanto isso, a escassez de comida, a inflação e a crise climática estão aumentando a privação das pessoas e exigindo uma maior resposta humanitária no momento em que as projeções de financiamento para muitas dessas situações se apresentam sombrias.

Em 2021, o número de pessoas refugiadas cresceu para 27,1 milhões. Chegadas aumentaram significativamente em Uganda, Chade e Sudão – entre outros países. A maioria destas pessoas, uma vez mais, é acolhida por países vizinhos com poucos recursos. O número de solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado chegou a 4,6 milhões (um crescimento de 11%).

O ano anterior também verificou o 15º crescimento anual consecutivo no número de pessoas deslocadas dentro de seus próprios países, que chegou a 53,2 milhões. O aumento foi motivado por violência crescente ou conflitos em diferentes lugares, como Mianmar. O conflito em Tigray e em outras regiões da Etiópia levou a um deslocamento de milhões de pessoas dentro do país. Insurgentes no Sahel causaram novas ondas de deslocamento forçado, particularmente em Burquina Faso e no Chade.

A velocidade e o volume do deslocamento têm superado a disponibilidade de soluções para as pessoas deslocadas – como retorno ao país de origem, reassentamento e integração local. Ainda assim, o relatório “Tendências Globais” traz alguns sinais de esperança. O número de retornos entre pessoas refugiadas e deslocadas internamente cresceu em 2021, retornando aos níveis anteriores à pandemia de COVID-19, com a repatriação voluntária subindo 71% – embora os números totais ainda sejam modestos.

“Enquanto testemunhamos novas e terríveis situações de refugiados simultâneas às já existentes que permanecem ativas e sem solução, também verificamos exemplos de países e comunidades trabalhando juntos para encontrar soluções às pessoas deslocadas”, adicionou Grandi. “Isto tem acontecido em lugares específicos – como a cooperação regional para a repatriação de costa-marfinenses – e essas importantes decisões precisam se replicadas e aumentadas em todos os lugares”, completou o Alto Comissário.

Na região das Américas, também há exemplos de boas práticas. “De todas as pessoas refugiadas e deslocadas à força, cerca de 20% delas estão nas Américas”, disse Jose Samaniego, diretor do escritório regional do ACNUR para a região. “Os esforços dos países desta região para regularizar, oferecer proteção e integrar localmente estas pessoas são exemplos de solidariedade que requerem um maior apoio da comunidade internacional”, completou o diretor.

E embora o número de pessoas apátridas tenham crescido discretamente em 2021, cerca de 81.200 delas adquiriam nacionalidade ou a confirmaram, configurando a maior redução de casos de apatridia desde que o ACNUR iniciou a campanha #IBelong (#EuPertenço) em 2014.

FIM

Principais dados do relatório “Tendências Globais 2021”, do ACNUR

  • Por volta de maio de 2022, mais de 100 milhões de pessoas estavam deslocadas forçosamente em todo mundo devido a perseguições, conflitos, violência, violações dos direitos humanos ou eventos que perturbaram a ordem pública.
  • Ao final de 2021, o número de 89,3 milhões de pessoas incluía:
  • 27,1 milhões de refugiados, sendo
    • 21,3 milhões de pessoas refugiadas sob o mandato do ACNUR
    • 5,8 milhões de pessoas refugiadas da Palestina sob o mandato da UNRWA
  • 53,2 milhões de pessoas deslocadas internamente
  • 4,6 milhões de solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado
  • 4,4 milhões de pessoas da Venezuela deslocadas fora do seu país
  • Entre as pessoas refugiadas e da Venezuela deslocadas fora do seu país ao final de 2021:
  • Países de renda baixa ou média acolheram 83% desta população.
  • Países Menos Desenvolvidos ofereceram asilo para 27% deste total.
  • 72% das pessoas viviam em países vizinhos aos seus países de origem.
  • A Turquia abrigava 3,8 milhões de pessoas refugiadas (a maior população em todo o mundo), seguido por Uganda (1,5 milhão), Paquistão (1,5 milhão) e Alemanha (1,3 milhão). A Colômbia acolhia 1,8 milhão de pessoas venezuelanas deslocadas fora do seu país.
  • O Líbano abrigava a maior população de pessoas refugiadas per capita (em relação aos habitantes do país): 01 pessoa refugiada para cada 08 habitantes. Em seguida, vem a Jordânia (01 para cada 14) e a Turquia (01 para cada 23).
  • Em relação à população nacional, a ilha de Aruba abrigava o maior número de pessoas da Venezuela deslocadas fora do seu país (01 para cada 06), seguido por Curaçao (01 para cada 10).
  • Mais de dois terços (69%) das pessoas refugiadas vieram de apenas 05 países: Síria (6,8 milhões), Venezuela (4,6 milhões), Afeganistão (2,7 milhões), Sudão do Sul (2,4 milhões) e Mianmar (1,2 milhão).
  • Globalmente, havia 6,1 milhões de pessoas refugiadas, solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado e migrantes da Venezuela em 2021 (de acordo com a Plataforma Regional de Coordenação Interagencial R4V – Response for Venezuelans).
  • Solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado apresentaram 1,4 milhão de novos pedidos. Os Estados Unidos foi o maior recipiente, a nível mundial, de novas solicitações (188,9 mil), seguido pela Alemanha (148,2 mil), México (132,7 mil), Costa Rica (108,5 mil) e França (90,2 mil).
  • Quatro dos 10 países de origem com maior número de solicitantes de asilo estão na América Latina e no Caribe: Nicarágua (2º lugar), Venezuela (4º), Haiti (5º) e Honduras (6º). Ao final de 2021, havia mais de 1,1 milhão de pessoas refugiadas e solicitantes de asilo de El Salvador, Honduras e Guatemala em todo o mundo. As solicitações de reconhecimento da condição de refugiado apresentadas por pessoas da Nicarágua em 2021 foram cinco vezes maiores que no ano anterior.
  • Soluções:
  • 5,7 milhões de pessoas deslocadas à força retornaram para suas regiões ou países de origem em 2021, incluindo 5,3 milhões de deslocados internos e 429,3 mil pessoas refugiadas.
Acnur

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quinta-feira, 16 de junho de 2022

Centro de Informações ao Imigrante participa da III Semana Estadual do Migrante

 


A Secretaria de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo, por intermédio do Comitê de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas de Tráfico de Pessoas do Rio Grande do Sul, promove a III Semana Estadual do Migrante, instituída pela Lei nº 15.367, de 5 de novembro de 2019, que tem como finalidade a discussão e promoção de programas de atenção à população migrante, incentivo de políticas públicas de proteção desta população e o debate de alternativas de empregabilidade e integração cultural.

A Prefeitura de Caxias do Sul estará representada no evento por integrantes do Centro de Informações ao Imigrante (CIAI), vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Proteção Social. A equipe participará do debate nas mesas “Fortalecer políticas públicas: mediadores interculturais e centros de referência” e “Experiência de municípios com Políticas e Comitês Municipais voltados a migrantes e refugiados”, socializando vivências e know-how adquiridos no atendimento ao público migratório.

A edição deste ano acontecerá entre os dias 20 e 24 de junho de 2022, no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, e tratará de temas como o fortalecimento e a elaboração de políticas públicas para migrantes, de forma a qualificar o atendimento de ponta e incitar a formulação de projetos que considerem as particularidades destas experiências. Também, compõem a programação a promoção de atividades tais como o mutirão de regularização migratória, junto à Polícia Federal, e o dia de atendimento especializado para migrantes em agências SINE ao redor do estado. O encerramento do evento será celebrado com a apresentação da minuta da Política Estadual para Migrantes, Pessoas em Situação de Refúgio, Apátridas e Vítimas de Tráfico de Pessoas do Rio Grande do Sul, que está sendo elaborada pelo Comitê de Atenção a Migrantes, Refugiados, Apátridas e Vítimas de Tráfico de Pessoas do Rio Grande do Sul (COMIRAT/RS), de forma a ser promovida consulta pública a respeito do documento.

São entidades parceiras da organização do evento a Organização Internacional para as Migrações - OIM, o Centro Ítalo-Brasileiro de Atendimento ao Imigrante - CIBAI Migrações, o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados - SJMR, o Espaço Mundo de Esteio, a Fundação Gaúcha de Trabalho e Ação Social - FGTAS e a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul - CCDH/ALRS.

As mesas serão transmitidas no canal do YouTube e da televisão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. As inscrições virtuais e presenciais poderão ser realizadas através do link: https://www.even3.com.br/iiisemanaestadualdomigrante/- será disponibilizado certificado de participação.

caxias.rs.gov.br

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Migrantes de todo o mundo enviaram 577 bilhões de euros a familiares em 2021

 

Entre 2022 e 2030, este valor poderá atingir um acumulado de cerca de 5,1 trilhões de euros (quase 5,4 trilhões de dólares), segundo um relatório do FIDA, ou seja, o dobro de todo o Produto Interno Bruto (PIB) da África em 2021.

"Apesar das previsões de que a pandemia de covid-19 reduziria a soma das remessas" dos migrantes para as suas famílias, estes valores registaram um aumento de 8,6% em 2021, apontou o FIDA.

E isso graças, em parte, ao "aumento de 48% das transferências através de telefones celulares", principalmente devido à pandemia e ao fechamento de fronteiras, segundo o FIDA, uma organização da ONU com sede em Roma.

A maioria dos valores enviados foi em dinheiro transferido por clientes, e as transferências por celular representaram 3% do total, mas estão aumentando.

"O dinheiro em efetivo ainda está em alta, mas perdendo terreno", disse Pedro de Vasconcelos, funcionário do FIDA, contactado pela AFP.

"A digitalização das transferências, especialmente através do uso de telefones celulares, representa uma grande oportunidade para fortalecer o desenvolvimento rural, já que metade desses valores vai para as áreas rurais", disse Gilbert Houngbo, presidente do FIDA, citado no comunicado.

"As remessas de dinheiro ajudam a tirar as pessoas da pobreza, colocam comida na mesa, pagam taxas escolares e cobrem os custos de saúde", lembrou Houngbo.

Estado de Minas 

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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Conselho de Segurança debate efeitos dos conflitos para mulheres e meninas

 O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu a sessão do Conselho de Segurança nesta quarta-feira apontando os efeitos da falta de igualdade de gênero nos assuntos de paz e segurança.

Ele destacou retrocessos vistos nos últimos anos, com os conflitos ampliando a lacuna de desigualdade e pobreza e colocando mulheres e meninas em uma situação ainda mais desfavorecida.

Conflitos e situações de instabilidade podem resultar em níveis mais altos de violência de gênero contra mulheres e meninas
© UNICEF/STARS/Kristian Buus
Conflitos e situações de instabilidade podem resultar em níveis mais altos de violência de gênero contra mulheres e meninas

Igualdade de gênero e poder

Segundo o chefe da ONU, embora haja consenso no Conselho de Segurança sobre a importância da igualdade de gênero, bem como relatórios e resoluções, os atuais impasses políticos e conflitos são exemplos de como os “desequilíbrios de poder e o patriarcado continuam a nos decepcionar”.

Para ele, “a igualdade feminina é uma questão de poder”. Guterres adicionou que, com a pandemia e as crises climática, social e econômica, a violência doméstica subiu e muitas mulheres ficaram sem opções de educação e de trabalho.

Guterres também destacou que em muitos países em que forças extremistas ou militares tomaram o poder, compromissos com ações para fomentar a igualdade de gênero foram negligenciadas.

Ele adicionou que, nesse contexto, elas até passaram a ser perseguidas apenas por “seguirem suas vidas”, o que comprova que autoritarismo e misoginia se reforçam, embora sejam antiéticos para sociedades estáveis e prósperas.

O líder das Nações Unidas citou os exemplos do Afeganistão, Mianmar, Mali e Sudão, onde as mulheres sofrem os impactos da instabilidade e dos governos autoritários. Segundo Guterres, cerca de 20 milhões de afegãs foram “silenciadas” com o fechamento de escolas e a obrigação de cobrirem seus rostos em locais públicos.

Guerra na Ucrânia

Sobre a invasão russa na Ucrânia, o secretário-geral lembrou que milhares de mulheres e meninas tiveram que deixar suas casas desde o início do conflito. Guterres também falou sobre as crescentes alegações de violência sexual contra elas no país.

Ele afirmou que os números podem ser maiores, pois é “provável que muitas permaneçam em silêncio ou não registrem o crime”.

De acordo com Guterres, as mulheres refugiadas estão assumindo papéis de liderança e apoiando a resposta nos países anfitriões. Dentro da Ucrânia, as mulheres que optaram por não evacuar estão à frente dos cuidados de saúde e apoio social.

O secretário-geral afirmou ser importante que as mulheres ucranianas participem plenamente em todos os esforços de mediação em curso.

Para ele, em todos os locais de conflito citados, há “homens no poder e mulheres excluídas, com seus direitos e liberdade deliberadamente cerceados”.

Chefe da ONU Mulheres falou de sinais de alerta com combinação de deslocamentos em massa com a grande presença de recrutados, mercenários e brutalidade aos civis
ONU/Manuel Elias
Chefe da ONU Mulheres falou de sinais de alerta com combinação de deslocamentos em massa com a grande presença de recrutados, mercenários e brutalidade aos civis

Ações em organizações regionais

Além do secretário-geral, a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, também falou ao Conselho de Segurança. Reforçando a mensagem de Guterres, ela explicou a importância da implementação das resoluções aprovadas nas Nações Unidas, especialmente por organizações regionais.

Bahous citou a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental e a União Africana, em que boa parte dos membros estão fazendo compromissos e implementando ações para fomentar a igualdade de gênero.

A diretora da ONU Mulheres também mencionou a rede de mediação de mulheres na Ásia, nas Américas e nos Estados Árabes. No entanto, mesmo com progressos, ela questionou a falta de mulheres nas negociações políticas e de paz e reforçou que os compromissos não foram honrados.

Assim, ela pediu que todo o sistema multilateral defenda os valores de igualdade da mesma forma que os movimentos de mulheres e que vozes das lideranças femininas sejam incluídas nos debates.

Avanços na agenda

Sima Bahous afirmou que o Fundo Humanitário e de Paz para as Mulheres já investiu em 215 organizações da sociedade civil e alcançou 10,6 milhões de pessoas, diretamente e indiretamente.

A ajuda vai para deslocadas, pessoas com deficiência e sobreviventes de violência de gênero ou sexual.

Ela lembrou que o auxílio também foi fundamental para a evacuação de mulheres e famílias do Afeganistão, após a tomada do poder pelo Talibã.

Para haver avanços na agenda da igualdade de gênero, além dos financiamentos, o secretário-geral da ONU recomendou o sistema de cotas para acelerar a participação feminina e a necessidade de colocar as mulheres e meninas no centro das políticas de segurança.

 Onunews

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