Programa Latinoamerica no Ar- Missão Paz , Radio 9 de Julho Am 1600 Khz Domingo das 16 a 17 h. Miguel Angel Ahumada, Patricia Rivarola
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“Estamos enfrentando uma destruição maciça de empregos e isso representa um desafio de magnitude sem precedentes para os mercados de trabalho da América Latina e do Caribe”, disse o diretor regional da OIT, Vinícius Pinheiro. Foto: Engin_Akyurt/pixabay
O efeito catastrófico da COVID-19 sobre as horas de trabalho e a renda no mundo se repete na América Latina e no Caribe, onde a pandemia provoca a perda de 5,7% das horas de trabalho no segundo trimestre deste ano, o equivalente a 14 milhões de trabalhadores em tempo integral.
Divulgada na terça-feira (7) em Genebra, com uma série de dados compilados, a segunda edição do “Monitor OIT: COVID-19 e o mundo do trabalho” apresenta informações regionais e setoriais que possibilitam começar a medir a extensão do grande desafio representado pela pandemia para o mundo do trabalho.
“Estamos enfrentando uma destruição maciça de empregos e isso representa um desafio de magnitude sem precedentes para os mercados de trabalho da América Latina e do Caribe”, disse o diretor regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Vinícius Pinheiro.
“A partir de agora sabemos que, ao mesmo tempo em que enfrentamos a emergência de saúde, teremos que enfrentar uma verdadeira reconstrução de nossos mercados de trabalho.”
Em todo o mundo, a perda de horas de trabalho chegou a 6,7%, o equivalente a 195 milhões de trabalhadores em período integral no segundo trimestre de 2020. O documento da OIT classifica a pandemia como a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial, e que, ao final, poderia deixar um rastro de desemprego e precariedade no trabalho.
O relatório também estima enormes perdas nos diferentes grupos de renda, destacando que entre os setores mais expostos ao risco estão serviços de hospedagem e alimentação, manufatura, varejo e atividades comerciais e administrativas.
Na América Latina e no Caribe, mais de 50% de todos os trabalhadores estão empregados, precisamente, nos setores mais expostos à crise, como comércio e serviços, de acordo com dados do último relatório do Panorama Laboral para a região, apresentado em janeiro, pouco antes do começo do contágio global do COVID-19.
Pinheiro ressaltou que existe uma preocupação particular com o emprego de mulheres, que poderiam ser as mais afetadas por estarem super-representadas nos setores de saúde, turismo e serviços. Ele também explicou que os impactos da crise sobre o setor de turismo serão maiores na região do Caribe, que é altamente dependente dos empregos e da renda gerados por essa atividade.
O novo relatório da OIT alerta que, nesses setores, muitas pessoas trabalham em empregos mal remunerados e de baixa qualificação, para as quais uma perda imprevista de renda acarreta consequências devastadoras.
O estudo destaca ainda que os países com altos níveis de informalidade enfrentam desafios adicionais, tanto na área de saúde quanto na economia, incluindo a falta de cobertura da seguridade social. Segundo estimativas da OIT, na América Latina e no Caribe, a taxa de informalidade é de 53%, o que afeta mais de 140 milhões de homens e mulheres no trabalho.
O diretor da OIT para a América Latina e o Caribe enfatizou que “os países da região precisarão de medidas ambiciosas para preservar empregos, promover negócios e proteger a renda para sair da terapia intensiva”. Ele também ressaltou a necessidade de usar o diálogo social para enfrentar esta crise.
Pinheiro disse que “para alcançar melhores resultados e dar sustentabilidade política às medidas, é necessário criar estratégias que tenham respaldo e sejam produto de consenso e é crucial encontrar formas de estabelecer um diálogo social do qual participem representantes do governo, organizações de empregadores e de trabalhadores”.
O escritório regional da OIT para a América Latina e o Caribe informa que, a partir de 14 de abril, realizará uma série de mesas de diálogo virtual para abordar temas específicos da crise desencadeada pelo COVID-19 e para colaborar na busca de soluções concertadas adaptadas à realidade de cada país da região.
O casal de refugiados sírios Ghazal e Talal prepara marmitas que serão doados para idosos de São Paulo. Foto: Riad Al-Tinawi
O casal Talal e Ghazal Al-Tinawi, refugiados vindos da Síria com seus filhos, sentiu no bolso a redução dos pedidos de delivery de comida árabe por conta da pandemia da COVID-19 em São Paulo, estado com mais casos da doença no Brasil. Mesmo assim, eles encontraram uma alternativa humana de contribuir para mitigar a transmissão do novo coronavírus.
“Chegamos no Brasil há sete anos e somos muito gratos ao povo brasileiro, que nos recebeu de braços abertos e nos apoiou sempre que precisávamos. Agora, chegou nosso momento de retribuir com o que temos de melhor: nossa comida árabe para quem mais precisa, as pessoas idosas”, disse Talal, engenheiro mecânico de formação.
O casal se empenhou para ampliar a produção para que 300 marmitas fossem entregues para idosos, um dos grupos mais vulneráveis à epidemia da COVID-19. Atendendo a uma das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) – pessoas com mais de 60 anos devem permanecer em casa – as refeições estão sendo entregue na casa de cada um.
“Já passamos por uma situação similar, quando não podíamos sair de nossas casas por conta da guerra na Síria. A vida de nossa família estava em risco e só partimos porque não tínhamos outra escolha. Sabendo dessas dificuldades, fizemos um anúncio em nossas redes sociais sobre a doação e inúmeros pedidos começaram a chegar”, afirma Ghazal, que trabalha ao lado do marido na cozinha, atentos à higiene necessária.
A realidade da família refugiada síria como empreendedora de gastronomia é comum a muitos outros refugiados que buscam recomeçar suas vidas no Brasil por meio da produção de alimentos tradicionais. Talal e Ghazal estão numa página na internet lançada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), listando alguns empreendimentos promovidos por refugiados no Brasil.
Ação conjunta – A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), em parceria com demais agências da ONU e parceiros da sociedade civil, estão produzindo panfletos, vídeos e diversas ações informativas com orientações de prevenção em diferentes idiomas para orientar refugiados e migrantes no Brasil.
Às 21h56 de domingo (5 de abril), nove minutos antes do horário programado, decolava o último voo direto da companhia aérea Latam de Londres com destino a São Paulo. O próximo só partirá no fim deste mês, quando se espera que as regras de isolamento social decretadas pelo governo britânico para combater a pandemia de coronavírus comecem a ser afrouxadas. O paulista G., de 23 anos, era um dos passageiros.
Mas seu retorno ao Brasil - mais especificamente ao interior de São Paulo, onde mora sua família - não foi uma decisão fácil. Para G., era o fim abrupto de um sonho, que teve início em agosto do ano passado, quando entrou no Reino Unido com um visto de turista - válido por seis meses. Seu objetivo, na verdade, não era visitar o país, mas sim trabalhar.
Assim como muitos brasileiros que vivem em Londres, G. estava ilegal. Não se sabe ao certo quantos brasileiros vivem ilegalmente no Reino Unido, mas estimativas apontam que até metade possa estar em situação irregular.
"Reconheço que fiz algo errado (imigrar ilegalmente). Mas no Brasil eu não vivia, eu sobrevivia. Não queria me envolver com coisa errada por lá. Vim pra cá buscando uma oportunidade para mim. Queria melhorar minha vida e da minha família no Brasil", disse ele por telefone à BBC News Brasil no último sábado (4 de abril), um dia antes de embarcar.
Mas a realidade de G. mudou há cerca de um mês quando a pandemia de coronavírus se alastrou pelo mundo e chegou ao Reino Unido. Os "bicos" que eram frequentes começaram a rarear.
"Fazia muitas coisas. A maioria dos ilegais trabalha com o que muitos desprezam. Fazemos o serviço que a maioria não quer fazer. Pegamos qualquer tipo de trabalho. Entregamos comida, trabalhamos na construção, limpamos. O que sobra. Não dá para se dar ao luxo de escolher emprego nem patrão", explica.
"Mas chegou um momento que não tinha mais o que comer. Me alimentava pouco em um dia para ter alimento no seguinte. Mesmo com toda essa dificuldade, não me veio à cabeça fazer coisa errada, vender drogas ou me prostituir, como alguns fazem", ressalva.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionImigrantes ilegais estão 'esquecidos' durante pandemia de coronavírus
Sem dinheiro para se alimentar e pagar o aluguel, G. diz que se viu sem alternativa. Candidatou-se a um programa do governo britânico que financia o retorno voluntário de imigrantes que violem as regras de seus vistos a seus países de origem. Como contrapartida, não pode voltar ao Reino Unido por um período de dois anos e meio.
"Por causa desse vírus, tudo ficou muito inseguro e perigoso para nós ilegais. Porque não temos direito de absolutamente nada. Não temos como fazer uma quarentena se a gente não recebe nenhum auxílio do governo. Temos que continuar trabalhando e pondo nossas vidas em risco. Ninguém pegou na minha mão e me forçou a ir embora, mas as circunstâncias me pressionaram a tomar tal decisão", diz.
"E piorou quando o governo decretou o isolamento social. Pois para que todo mundo fique em casa e obedeça às regras, há mais policiamento nas ruas. Você fica com medo de ser parado pela polícia e eventualmente descobrirem que você é ilegal".
"Somos fantasmas aqui. Vivemos nas sombras e trabalhamos escondido. Enquanto muitas pessoas estão dentro de casa agora, continuamos a trabalhar, nos expondo. É como se não existíssemos", diz.
'De quatro a seis vezes'
O caso de G. não é isolado. Segundo a ONG Casa do Brasil, que intermedia o contato de imigrantes como G. junto ao governo britânico, aumentou "de quatro a seis vezes" a procura pelo programa, devido à pandemia de coronavírus. A Casa do Brasil tem apoio do Consulado brasileiro em Londres.
"Em média, recebemos de cinco a seis telefonemas por dia. Nas últimas semanas, esse número passou para 20 a 30. A imensa maioria das pessoas que nos procura está desesperada. Algumas delas não têm o que comer ou onde ficar. Como são ilegais, não têm contrato de trabalho e, portanto, não podem acessar os benefícios concedidos pelo governo por causa da crise do coronavírus", diz à BBC News Brasil Vitoria Nabas, advogada de imigração e diretora da Casa do Brasil.
Recentemente, o Reino Unido anunciou um amplo pacote de medidas para apoiar trabalhadores de carteira assinada e autônomos em meio ao caos socioeconômico causado pela doença. Por essa iniciativa, o governo paga até 80% do salário do funcionário, no limite de 2,5 mil libras por mês.
Mas nem todos têm a mesma oportunidade que G de voltar para casa. Por causa do isolamento social, o atendimento da Casa Brasil deixou de ser presencial, o que inviabiliza o retorno daqueles que ainda não tiveram o visto expirado ou perderam o passaporte.
"O programa se volta a todos os imigrantes que violem as regras de seus vistos. Uma pessoa que tenha entrado no Reino Unido com um visto de turismo e que ainda esteja válido, mas trabalhe aqui, ou seja, burlando as leis de imigração, também pode se candidatar", exemplifica Nabas.
"Ocorre que, atualmente, como não estamos fazendo atendimento presencial, devido às regras de isolamento social determinadas pelo governo, fica muito mais difícil comprovar junto ao Home Office (Ministério do Interior britânico, órgão responsável pela imigração) que esse imigrante esteja em situação ilegal. O mesmo vale para quem perdeu o passaporte", acrescenta ela.
Nabas faz uma ressalva importante: o programa é voluntário e mesmo que o candidato mude de ideia, não será forçado pelas autoridades a embarcar - e fica a cargo do governo britânico, a par da situação e com os dados do candidato, de considerar se é o caso de buscar sua deportação.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionDeportação envolve prisão e constrangimento público
Para G. e outros imigrantes ilegais, a palavra "Home Office" continua a despertar um misto de ansiedade e medo.
É uma das atribuições do órgão fiscalizar a situação legal dos estrangeiros no país e, eventualmente, deportá-los caso fique comprovado que eles violaram as regras de imigração.
A deportação, contudo, envolve prisão — e constrangimento público.
"Se o imigrante é deportado, ele normalmente é preso e levado a um centro de imigração. Dali ele é colocado de volta em um avião e suas algemas só são tiradas quando está dentro do avião", explica Nabas.
Medo de não ser tratado
Além de ter perdido o emprego, pesou na decisão de G. a incerteza sobre se teria acesso gratuito à saúde pública.
Qualquer visitante estrangeiro, incluindo aqueles que vivem no país sem permissão, tem que pagar por tratamentos médicos a menos que se enquadre em uma lista de exceções, como casos de emergências, atualizada com regularidade.
Os hospitais e clínicas médicas ligadas ao serviço de saúde pública (NHS, o SUS britânico) também podem solicitar ao Ministério do Interior informações sobre a nacionalidade e o status de imigração de um paciente para decidir se ele deve ser cobrado pelo tratamento - e o NHS também pode passar suas informações pessoais, como nome, número do telefone e endereço, ao Ministério do Interior.
Em nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério do Interior afirmou que a realização tanto de testes, mesmo com resultados negativos, quanto tratamentos para o novo coronavírus, não serão cobrados de não-residentes.
"Nenhuma verificação da situação imigratória será feita para aqueles que se submetam a testes ou a tratamento para o covid-19. Também não haverá nenhuma cobrança em relação aos testes, mesmo que o resultado seja negativo", diz o comunicado do órgão enviado à BBC News Brasil.
No entanto, essa verificação pode acontecer caso a condição não esteja relacionada ao coronavírus, acrescentou a pasta.
Além disso, a BBC News Brasil apurou que as informações pessoais de não-residentes, incluindo de imigrantes ilegais, podem ser passados para o Ministério do Interior caso os pacientes tenham dívidas com o NHS — por exemplo, se em algum momento receberam um medicamento pelo qual deveriam pagar e não o fizeram.
Mas G. queixa-se que "essa informação (sobre a possibilidade de ser tratado gratuitamente para covid-19 em uma eventual necessidade) não chegou até mim. Acompanho as notícias. Mesmo assim, não fiquei sabendo. Não vi nenhum lugar dando essa informação para as pessoas que necessitam dessa informação".
Por causa disso, em uma carta ao governo britânico, uma coalizão de 30 ONGs pediu a suspensão de qualquer cobrança e compartilhamento de dados entre o NHS e o Ministério do Interior para que os imigrantes ilegais possam ter acesso à saúde pública gratuita sem medo.
Segundo essas entidades, caso as regras atuais permaneçam como estão, não só a saúde desses imigrantes ilegais, mas tambéma do público em geral, ficará ameaçada.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionQuem você acha que vai entregar a comida na sua casa com tudo fechado?", indaga G
Retorno 'amargo' ao Brasil
Para G., o retorno ao Brasil tem um gosto amargo.
"Estou indo embora sem realizar meus planos.Sem poder ter ajudado a minha família. A gente conhece a realidade do Brasil. Sou de uma cidade no interior de São Paulo, onde é muito difícil para arranjar trabalho e mesmo trabalhando você recebe um salário que não é digno. O pouco que você recebe, mal dá para se alimentar, comprar uma casa e se vestir bem. No Brasil, não temos mínimas condições de vida", diz.
"Se não fosse o coronavírus, teria ficado aqui. Não estou ilegal porque eu quero. Adoraria estar pagando os meus impostos como todo cidadão. E tudo por causa de um maldito papel. Até quando um documento vai determinar quem é humano ou não? É um papel que diz o que nós somos? Achei que fosse o nosso caráter, a nossa dignidade, as nossas palavras, mas isso não vale de nada se você é um fantasma", desabafa.
"Saí do Brasil fugindo da minha realidade. Sempre estive fugindo de alguma coisa. No Brasil, é da criminalidade, do governo que rouba o nosso povo. Aqui, continuo fugindo - da polícia de imigração. O sonho de muitos brasileiros ilegais é conseguir esse papel para mostrar que somos gente", acrescenta.
G. conta que chegava a trabalhar de "15 a 18 horas por dia".
"Como ganhamos por hora, quanto mais trabalhar melhor. Mas imagine sair para trabalhar e ter que esconder o material de trabalho, mudar de rota quando tem batida no metrô", diz.
"O pior dia da minha vida aqui foi quando fui aprovado em uma entrevista de emprego e tive que mentir quando me pediram meu documento. Falei que ia buscá-lo no carro e nunca mais voltei. Tive que virar as costas para uma oportunidade honesta. Era para ser chapeiro em uma cozinha. Um trabalho tão pequeno para muitos, mas para mim gratificante. Poderia ter uma renda fixa", relembra.
Quase ao fim da conversa de 1h com a BBC News Brasil, G. faz seu último desabafo.
"Imigrante ilegal não pode reclamar. Tem muitas pessoas que tiram proveito da nossa situação. Tem muitos brasileiros que tiram proveito de brasileiros, muitos britânicos que tiram proveito de brasileiros, que nos ignoram, que sentem nojo e repúdio da gente, mas que se beneficiam do nosso trabalho indiretamente", diz.
"Quer saber como? Quem você acha que vai entregar a comida na sua casa com tudo fechado?", indaga.
"Agora, se a gente vai comer ou não, não importa. Somos esquecidos. Acho que muitos brasileiros ilegais vão morrer. Ou de fome, por não ter o que comer, ou do vírus, por não ter a quem pedir ajuda. Isso se não formos presos antes", conclui.
Crédito: Vanessa Canoso/ Governo do Estado de SPMuseu da Imigração de São Paulo
O Museu da Imigração de São Paulo liberou o acesso online de duas exposições e 250 mil imagens de seu acervo digital para você conhecer e aprender um pouco mais sobre o processo de imigração brasileiro. É um verdadeiro convite para fazer uma viagem no tempo sem sair de casa!
Entre as exposições online do Museu da Imigração, está “O Caminho das Coisas”, fruto do projeto “Encontros com o Acervo”, que desde 2011 promove o diálogo entre a equipe do museu com antigos doadores, representantes de comunidades e membros de instituições parceiras.
A mostra apresenta ao público a experiência de redescobrir as histórias de algumas peças da coleção da instituição e entender suas origens. Para conferir essa exposição, clique aqui.
Crédito: Divulgação/Museu da ImigraçãoDesembarque de imigrantes na estação da Hospedaria de Imigrantes do Brás, atual Museu da Imigração de SP
A segunda mostra é “Viagem, sonho e destino”, disponibilizada no Google Arts & Culture neste link. No passeio virtual, é possível conhecer histórias sobre aqueles que contribuíram para a construção de São Paulo e acompanhar o trajeto dos imigrantes que vieram pelo porto de Santos, os primeiros serviços de acolhida e os usos do edifício, antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás.
Por meio dos caminhos percorridos e registrados por coleções fotográficas e de histórias orais, a exposição mostra um pouco das experiências de vida ocorridas ali mesmo, no atual Museu da Imigração, e no trajeto até a chegada ao Brasil.
Crédito: Acervo Museu da ImigraçãoSegundo a doadora, Eva Maria Augusta Boeckh Haesbish, este binóculo é da época da Primeira Guerra Mundial
Se você está a fim de se debruçar sobre os detalhes dos registros daqueles que passaram pela Hospedaria de Imigrantes do Brás, vale a pena conferir o acervo digital do museu neste link, que conta com mais de 250 mil fotos, cartões postais, cartas e até a relação de imigrantes que chegaram no Brasil entre 1888 e 1965. Será que você vai encontrar algum parente?
Para entender como funciona a pesquisa do acervo, o Museu da Imigração disponibiliza neste link um e-book, com um passo a passo para auxiliar a busca.
Os africanos que conseguem entrar na Europa para sobreviver à fome e tentar nova vida, nas ondas de imigração, sofrem todo tipo de dificuldade, rejeição, preconceito e racismo de grande parte dos europeus. Na Itália, que tem a Sicília, outras ilhas e um pedaço do sul do país muito próximos do norte da África, separados apenas por alguns quilômetros de Mar Mediterrâneo, o desembarque e as reações negativas são igualmente registrados em grande volume.
Mas, por uma dessas peças de suprema ironia que a vida costuma pregar, a pandemia de coronavírus, tão cruel com os italianos, criou uma situação para que um grupo desses imigrantes africanos dar uma grande lição de humanidade os cidadãos ricos da Península.
Com o que produz na Barikama, uma cooperativa de produção de verduras, legumes, hortaliças e derivados de leite criada em 2011 em Casale di Martignano, distante 36 quilômetros de Roma, um grupo de jovens imigrantes africanos está abastecendo casas de idosos e de famílias romanas trancadas em casa, levando alimentos todos os dias para residências da Cidade Eterna e mercados estratégicos da região do Lazio.
A ação de grandeza dos africanos tem ao menos um outro componente de ironia. Em janeiro de 2010, quase todos os cooperados da Barikama participaram do movimento que ficou conhecido na Itália como A Revolta de Rosarno.
Rosarno é uma pequena cidade italiana de vocação agrícola, com 15 mil habitantes, na Calábria. Os jovens da cooperativa e outros africanos, então apanhadores de frutas na região, participaram de um levante por se considerarem explorados pelos donos das terras. E também em protesto contra um ataque racista a um companheiro de trabalho, que o deixou gravemente ferido.
A revolta rompeu o silencio sobre as péssimas condições de trabalho dos imigrantes no interior da Itália. Uma década depois, os mesmos africanos assumem a linha de frente na luta contra o covid-19, a falta de alimentos a a morte de italianos espantados e confinados em suas casas em uma das cidades mais celebradas daquele país e do mundo.
O armazém de distribuição da cooperativa fica em Pigneto, bairro histórico da classe trabalhadora romana. Barikama significa “força” ou “resistência” em bambara, língua de raízes nigerianas e congolesas muito falada no Mali, país natal da maioria dos imigrantes africanos cooperados.
“Em Rosarno havia entre 200 e 300 pessoas trabalhando sem contrato. Não é possível que ninguém tenha notado. Como eles se livraram de pagar impostos com todo o dinheiro que ganhavam?”, questiona o cooperado Cheikh, ex-jogador de futebol e estudante de biologia no Senegal, a Dario Antonelli, do jornal britânico The Guardian. “Estamos ajudando a comunidade a se alimentar nesses tempos terríveis. É uma coisa bonita”, acrescenta.
“A demanda está mais alta do que nunca porque as pessoas não podem sair. O volume de trabalho dobrou”, comenta Modibo, 32 anos, do Mali, que desembarcou em 2008 na bela ilha italiana de Lampedusa, no Mar Mediterrâneo, para tentar a sorte no país.
A ideia de fundar a Barikama foi dada por um italiano do centro social que os africanos passaram a frequentar após a Revolta de Rosarno. “No começo, produzíamos nossos legumes e iogurtes e ganhávamos apenas de cinco (R$ 28,55) ou dez euros (R$ 57,10) mensais cada um com as vendas”, lembra Chiekh.
Em 2014, após várias negativas, eles conseguiram fazer acordo com os proprietários de uma fazenda de Casale di Martignano, fundaram a cooperativa e começaram a produzir. Seis anos depois, a Barikama envolve seis hectares de plantação de frutas, legumes e verduras e produz até 200 litros de iogurte por semana.
Cada cooperado faturou 500 euros (R$ 2.855), em média, de janeiro a outubro de 2019, e 700 euros (R$ 3.997) nos meses de novembro e dezembro. A ideia dos integrantes é aumentar o número de mercados, armazéns e empresas na lista de clientes da Barikama e, assim, ampliar o faturamento e,consequentemente , a renda individual de cada integrante.
Mas isso será trabalho para depois - quando o mundo sair do túnel escuro e sofrido do coronavírus.
O Auxílio Emergencial é um benefício financeiro destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus - COVID 19.
O benefício no valor de R$ 600,00 será pago por três meses, para até duas pessoas da mesma família.
Para as famílias em que a mulher seja a única responsável pelas despesas da casa, o valor pago mensalmente será de R$1.200,00.
Quem estava no Cadastro Único até o dia 20/03, e que atenda as regras do Programa, receberá sem precisar se cadastrar no site da CAIXA.
Quem recebe Bolsa Família poderá receber o Auxílio Emergencial, desde que seja mais vantajoso. Neste período o Bolsa Família ficará suspenso.
As pessoas que não estavam no Cadastro Único até 20/03, mas que têm direito ao auxílio poderão se cadastrar no site auxilio.caixa.gov.br ou pelo APP CAIXA|Auxílio Emergencial.
Depois de fazer o cadastro, a pessoa pode acompanhar se vai receber o auxílio emergencial, consultando no próprio site ou APP. https://auxilio.caixa.gov.br/#/inicio
Passo a passo:
1. Abram o link.
2. Confirmem as opções que estão dentro das características exigidas pelo governo.
3. Preencham seus dados: nome, data de nascimento e nome da mãe.
4.1- Caso já estejam cadastrados no CadUnico vai aparecer a mensagem: você está no cadastro único do governo federal. As condições de recebimento do auxílio emergencial serão avaliados com os seus dedos do Cadastro único. Aí é aguardar liberar o app.
4.2 - Caso não esteja cadastro no CadUnico, vai abrir uma página pra vocês colocarem os dados. Daí é só preencher tudo que for pedido e aguardar o processamento dos dados e análise.
O navio Allan
Kurdi, da organização não-governamental alemã Sea Eye, resgatou 150 migrantes
em duas operações no Mediterrâneo Central, informou esta terça-feira a ONG nas
redes sociais.
Na primeira
operação, que ocorreu na segunda-feira, 68 pessoas foram resgatadas a bordo de
um barco.
A organização
informou que durante a segunda operação, realizada hoje de madrugada, resgatou
82 pessoas que estavam à deriva num barco de madeira e que o navio "Asso
Ventinove", que estava na área, se recusou a salvá-las.
A ONG
explicou que Itália e Malta indicaram à Alemanha, o país cuja bandeira o navio
humanitário ostenta, que não permitirão o desembarque de migrantes devido à
situação da epidemia de covid-19 nos dois países.
Atualmente, o
navio humanitário está a 40 quilómetros da ilha italiana de Lampedusa, à espera
de um porto para desembarcar os migrantes.
No momento, o
Alan Kurdi é o único navio humanitário no Mediterrâneo Central, depois de os navios
de outras ONG se terem retirado após serem forçados pelas autoridades italianas
a manterem um período de 15 dias de isolamento depois de chegarem ao porto com
migrantes resgatados.
O último
desembarque de migrantes na Itália ocorreu em 26 de fevereiro, quando o navio
da ONG alemã Sea Watch, com 194 migrantes, chegou ao porto de Messina, na
Sicília, mas todas as pessoas a bordo tiveram de ficar em quarentena devido à
pandemia da covid-19.
O mesmo
aconteceu com o "Ocean Viking", operado pelas ONG Médicos Sem
Fronteiras (MSF) e pela SOS Mediterranée, que atracou no porto siciliano de
Pozzallo, e as 274 pessoas resgatadas foram isoladas no centro de receção,
enquanto a tripulação completou 15 dias de quarentena na costa desta cidade.
O Cibai
Migrações, missão da igreja católica que atua em conjunto com a Paróquia da
Pompéia, em Porto Alegre, lançou campanha para arrecadar alimentos que serão
revertidos a imigrantes. O movimento foi batizado "Somos um só planeta. A
vida vale mais".
A Pompéia tem
longa tradição de auxílio aos estrangeiros e refugiados e semanalmente faz
doações, mas a ideia de abrir uma força-tarefa para ampliar a arrecadação de
donativos surgiu devido à pandemia de coronavírus e às determinações de
isolamento social.
— Os
migrantes, juntos da população de rua, serão os mais afetados. Muitos chegaram
faz pouco, não dispõem de documentação ainda, e vivem de trabalho no mercado
informal. Como as ruas estão vazias, eles não estão tendo nenhum ingresso de
dinheiro. Isso prejudica o pagamento do aluguel, da luz, da água e também da
alimentação — diz o padre Anderson Hammes, diretor do Cibai Migrações e pároco
da Pompéia.
A igreja
também cerrou temporariamente as portas após o decreto da prefeitura de Porto
Alegre determinando a restrição de circulação e o fechamento de
estabelecimentos. Hammes explica que parte da paróquia abre somente às quartas
e sextas-feiras, das 14h às 17h, quando são feitas as doações de cestas
básicas. Ele diz que, atualmente, os imigrantes que mais têm buscado ajuda para
obter alimentos são os haitianos e venezuelanos.
— No ano
passado, distribuímos a média de 282 cestas básicas por mês. Em março de 2020,
já passamos disso. Em abril, estamos projetando passar das 500 entregas. É
muita necessidade — relata Hammes.
As doações de
alimentos podem ser feitas diretamente na Paróquia da Pompéia, na Rua Barros
Cassal, número 220, no centro de Porto Alegre. A igreja também busca os
donativos, desde que seja acionada pelo telefone (51-98450 9153).
Estamos a viver um daqueles momentos em que nada ficará
como antes no dia depois de amanhã. A esta crise sanitária seguir-se-á uma
crise econômica e, quase em simultâneo, uma crise de modelo de sociedade.
Nas democracias, da esquerda à direita, começa a sentir-se
uma necessidade de repensar a globalização, o comércio livre, o liberalismo, as
desigualdades, os modos de consumo, o peso da demografia, as migrações e o equilíbrio
necessário do planeta.
Um deputado francês do centro-direita, numa recente
entrevista ao Libération, referia que “não se pode evitar a interrogação sobre
o liberalismo… a ideia de que o dinheiro seria a única escala de valor e que o
Estado não tem mais nenhum papel a jogar.”Outros referem um modelo competitivo entre países que não têm as mesmas
exigências nas cadeias de produção; outros, ainda com a necessidade de ter em
conta as crises sanitárias e climáticas na abordagem das questões econômicas e
sociais, mas “sem responder com os erros do passado”, como referiu Bruno
Retailleau, também do centro direita francês, ao Le Monde.
Sinal dos tempos, este descontrolo total nesta verdadeira
caça às máscaras cirúrgicas, mas também ventiladores e medicamentos produzidos
em larga escala na China, cobiçados em tempo de penúria e urgência por parte de
vários governos e empresas de todo o mundo. Esta área é já uma vítima anunciada
do que será o dia depois de amanhã, porque a dependência de outros num domínio
tão sensível quanto a saúde não vai pode continuar. Macron já o disse. Costa já
o disse.
Vários cenários estão já em cima da mesa para retomar o
crescimento económico. O secretário-geral da OCDE evoca mesmo um “New Deal” à
escala planetária, à semelhança do que fez o presidente Roosevelt nos Estados
Unidos da América para tirar o país da grande depressão, após o crash da bolsa
em 1929.
Na Europa multiplicam-se os apelos à criação de “um novo
mecanismo de mutualização da dívida, agindo como um bloco na aquisição de
produtos sanitários de primeira necessidade… e preparando um grande plano de
choque para que a recuperação do continente seja rápida e sólida”, como
escreveu Pedro Sanchez numa crônica publicada em vários jornais europeus. Até
mesmo na Alemanha se erguem vozes na mesma linha, e o editorial da revista “Der
Spiegel” é claro, “não há alternativa a eurobonds numa crise como esta.” A
discussão, contudo, não encontra grande eco na generalidade da classe política
alemã, com excepção dos “Verdes” e do “Die Linke” ("A Esquerda"), e
em resposta, os ministros sociais-democratas no governo de Berlim, negócios
estrangeiros e finanças, defendem o recurso ao Mecanismo de Estabilidade
Europeu, agora sem os condicionalismos de uma “troika”. Ainda assim, o impacto
nas economias depois desta pandemia será muito diferente, país a país.
Portugal, que tem no turismo uma percentagem muito significativa no seu PIB,
será mais duramente atingido do que outros, ainda que venha a ter menos óbitos
e menos infectados.
Paulo Dentinho Publico .Pt www.miguelimigrante,blogspot.com