quinta-feira, 13 de junho de 2019

Campanha convoca para acolhida ao migrante

Mala da ‘Compartilhe a Viagem’ está em Ponta Grossa
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Na Assembleia Geral de 2015, a Cáritas Internacional aprovou e passou a realizar uma campanha de mobilização mundial a cada quatro anos. Após a escuta de toda a rede mundial da Cáritas, e um olhar dirigido às principais feridas da humanidade hoje, nesta edição a temática escolhida foi a questão dos imigrantes e refugiados. O lançamento da Campanha Compartilhe a Viagem ocorreu em setembro de 2017. Malas estão passando por todas as Cáritas das dioceses pelo Brasil a fora, colhendo histórias de imigrantes que vivem no País. Elas foram ‘despachadas’ no Seminário Internacional, em Brasília, em junho do ano passado. Nesta quarta-feira (12), a mala chegou à Diocese de Ponta Grossa.

Durante os dois anos da campanha (2017-2019), toda a Rede Cáritas é chamada a responder ao apelo do Papa Francisco, abraçando a ‘cultura do encontro’, e fazendo uma proposta positiva diante da realidade atual na vida de imigrantes e refugiados. “Neste sentido, a Cáritas assume de forma ainda mais comprometida a sua identidade como uma família mundial, que encoraja as pessoas a refletir, aproximando imigrantes, refugiados e comunidades com o objetivo de mudar corações e mentalidades”, explica o presidente da Caritas Internacionalis, cardeal Luis Antônio Tagle. No Brasil, são cinco malas percorrendo as regiões  do país. No Regional Sul 2 (Paraná) a mala iniciou sua passagem em março e já esteve em Foz do Iguaçu, Cascavel, Maringá, Apucarana, Londrina e Jacarezinho. Em Ponta Grossa, ela ficará até as comemorações da 34 ͣ Semana do Migrante, de 16 a 23 deste mês.

Cada unidade da Cáritas fica responsável em colher histórias dos migrantes e colocar nessa mala, que vai ser enviada para o Papa Francisco, no final da Campanha. Na programação, amanhã (13), ela seguirá para o hall do Bloco A do Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa, às 9h30, onde será recebida pelo reitor Miguel Sanches Neto, professores, alunos e migrantes integrantes do Curso de Internacionalização, Cidadania e Direitos Humanos. No da 14, ficará na sede da Cáritas, no primeiro andar do prédio da Cúria Diocesana, e, dia 15, será levada para o Calçadão da Rua Coronel Cláudio. Dia 16, os migrantes serão recebidos em uma roda de conversa, no Espaço Cultural Sant’Ana, às 15 horas, para  falar sobre o tema ‘Melhor que o pão é sua Partilha’. E, dia 17, o Seminário Migração e Políticas Públicas, às 19 horas, também no Espaço Cultural, reunirá a representante da Organização Internacional para as Migrações (OIN/ONU), Merissa Farret;  a presidente do Conselho estadual dos Direitos dos Refugiados, Migrantes e Apátridas da Cáritas, Márcia Ponce; a advogada da Cáritas Paraná, Angélica Furquim; Rafael Machado, do setor de Relações Internacionais da Cáritas, e o migrante haitiano Jean Woody.  

d.arede

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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Após transformar cidade da Itália em modelo de integração, ex-prefeito é julgado por ajudar imigrantes

media
Domenico "Mimo" Lucano é acusado de ter autorizado casamentos por conveniência, com o objetivo de ajudar mulheres estrangeiras a permanecerem em Riace, cidade de 1.800 habitantes no sul da Itália. O ex-prefeito de esquerda também enfrenta a denúncia de ter recusado o processo de licitação para a gestão do lixo do município, atribuindo-a a cooperativas ligadas a imigrantes.
“Mimo” Lucano administrou Riace durante 15 anos, sendo eleito de forma interrupta desde 2004. Com o objetivo de relançar o desenvolvimento e criar novos empregos, ele criou um modelo único, dinamizando a economia e repovoando o local com estrangeiros, principalmente originários da Síria, Afeganistão e Nigéria. O sucesso lhe valeu um lugar na classificação do ranking Fortune entre as 50 personalidades mais influentes do mundo em 2016.
No entanto, com o exemplo da cidade sendo ostentado nas mídias do mundo inteiro, Lucano passou a ser alvo da extrema direita. Desde a ascensão do partido ultraconservador A Liga, abertamente contrário à imigração, o ex-prefeito viu seu destino mudar.
Nas últimas eleições municipais de 26 de maio, Riace mudou de campo e foi conquistada pela extrema direita. De "cidade de acolhimento" passou a exibir o slogan "os italianos primeiro", do líder ultranacionalista Matteo Salvini. O governo também decidiu cortar as subvenções que o local recebia, como o fundo europeu e italiano para a proteção dos asilados e refugiados (Sprar).
"As pessoas queriam mudança. Depois de 15 anos falando apenas de acolhimento e refugiados, os habitantes estavam cansados", afirma o novo prefeito, Antonio Trifoli, do partido A Liga.
Leis desumanas
Lucano reconhece ter recorrido a atos de "desobediência civil", mas apenas para, segundo ele, contornar leis que classifica como "desumanas". Ao chegar nesta terça-feira para o início do julgamento na cidade de Locri, também na Calábria, ele foi ovacionado por uma multidão. O ex-prefeito está proibido de frequentar a cidade que governou durante quase duas décadas.
Entrevistada pela RFI, Rosaria Lucano, prima do ex-prefeito, visitou Riace na semana passada. Segundo ela, o local "está se apagando", após o fim do programa de acolhimento de imigrantes. Cerca de seis mil estrangeiros passaram pela cidade nos últimos anos. Mas, atualmente, os que ainda vivem no local, planejam ir embora.
Para ela, a extrema direita utiliza o julgamento que teve início nesta terça-feira para acabar com um símbolo de solidariedade. "O que o prefeito Lucano fez foi reabrir escolas, dar formações de trabalho, reconstruir as casas abandonadas há décadas pelos italianos que foram embora da cidade. Lucano representa a integração e o acolhimento, por isso quiseram mostrá-lo como uma pessoa indigna, para que ele seja culpado e não se torne um exemplo", avalia.
O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, não esconde o que pensa de Lucano. Em uma viagem recente que fez à Calábria, ao ser questionado pela imprensa sobre Riace, o líder da extrema direita italiana afirmou: "o ex-prefeito de Riace não é nada, é um zero".
RFI
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México pedirá a Brasil maior controle de imigrantes caso acordo com EUA falhe


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O chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, sugeriu que o Brasil também pague a conta do cerco aos imigrantes ilegais exigido pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo ele, novas medidas seriam necessárias se o acordo com os americanos, anunciado na semana passada, não reduzir o número de imigrantes que entram no México a caminho dos EUA no prazo de 45 dias. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o Itamaraty disse ontem que não foi contatado por nenhum governo sobre o assunto.

Ebrard afirmou que "ações adicionais para restringir a imigração ilegal" devem envolver também Brasil, Panamá e Guatemala. "Precisamos da solidariedade deles", disse o chanceler mexicano. "Do Brasil, porque é onde as pessoas de fora do continente chegam. Do Panamá, porque é onde chegam cubanos e haitianos. Da Guatemala, porque é por onde passam hondurenhos e salvadorenhos."

Segundo o governo americano, no ano fiscal de 2019, que começou em outubro, foram apreendidas na fronteira do México com os EUA 27 mil pessoas de 37 países - exceto México. De acordo com o jornal USA Today, apenas no posto fronteiriço de Del Rio, no Texas, o número de detenções de não mexicanos aumentou 500% em relação ao ano passado.

Na semana passada, diz o jornal, um grupo de 37 congoleses foi preso ao tentar entrar nos EUA pela passagem de Del Rio. Apesar do aumento, o número de africanos ainda é irrisório diante do total de centro-americanos que fazem a travessia.

Estatísticas do governo americano mostram que apenas 367 imigrantes africanos foram presos na fronteira em 2018, um aumento de 44,5% em relação a 2017. No mesmo período, mais de 380 mil centro-americanos - incluindo 155 mil mexicanos - foram apreendidos ao tentarem entrar nos EUA.

O número relativamente baixo de africanos apreendidos se explica, segundo o USA Today, pelo fato de a maioria dos imigrantes da África preferir aguardar a conclusão do processo de asilo no México - o fato de não terem família ou conhecidos do lado americano faz com que eles não arrisquem a travessia.

O Brasil tem um papel duplo no fluxo regional de imigração. "O Brasil tem um papel curioso em nível mundial, mesmo sem conter os maiores índices de imigração. Pode ser tanto um país intermediário quanto um destino final", afirma o coordenador do Projeto de Promoção dos Direitos dos Migrantes da USP, Victor Del Vecchio.

Enquanto alguns imigrantes de países africanos e asiáticos constroem uma rota incluindo o Brasil como parada estratégica, por uma "questão de fiscalização", segundo Del Vecchio, a maioria daqueles que procuram viajar para os EUA, partindo do território brasileiro, tinha planos de se estabelecer aqui, mas mudou de ideia.

"Eles ficam decepcionados com o custo de vida e com os salários que não compensam", explica o padre Paolo Parise, coordenador da entidade Missão Paz. As rotas que saem do Brasil em direção aos EUA são diversas e variam de acordo com o dinheiro disponível.

"O caminho mais barato é por terra, via Acre. Um imigrante me disse que pagou US$ 6 mil", afirma Parise.

Del Vecchio explica a variação entre rotas aéreas e terrestres. "Uma rota frequente tem o Equador como ponto de parada, que tem uma política de vistos mais fácil do que de outros países. É um voo menos fiscalizado", conta.

O presidente da ONG África do Coração, Jean Katumba Mulondayi, relata que cinco grupos, cada um com uma rota diferente, chegaram a sair ao mesmo tempo do Brasil. Ele acompanhou uma viagem ao Equador, seguindo para Costa Rica, México e EUA. "Eles saem sem saber o que vai acontecer. O destino fica nas mãos de Deus", afirma.

O acordo entre EUA e México, anunciado na sexta-feira, evitou a imposição de tarifas gradativas sobre as importações de todos os bens mexicanos. Mesmo com todas as concessões, o governo americano foi criticado no fim de semana por ter capitulado nas negociações.

Por isso, desde segunda-feira, Trump garante que levará as tarifas adiante se o Congresso mexicano não aprovar uma parte ainda não revelada do acordo que os EUA pleiteam há muito tempo. Ontem, o presidente americano garantiu que o acordo tinha trechos "secretos" e exibiu uma folha de papel, sem mostrar detalhes. O governo mexicano nega que haja partes não divulgadas do acordo com Trump. (Com agências internacionais)

Hojeemdia

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terça-feira, 11 de junho de 2019

UFMS abre transferência externa, vagas para estrangeiros e portadores de diploma

Foto: Wesley Ortiz
Estarão abertas de 14 a 24 de junho as inscrições para o processo seletivo de acadêmicos de outras instituições, estrangeiros e graduados que queiram estudar na UFMS. Ao todo são 986 vagas distribuídas em todos os câmpus para ingresso no segundo semestre de 2019.
Os interessados devem se atentar às informações contidas no edital disponível no Portal Ingresso e se inscreverem por meio do cadastro no próprio portal. A liberação do acesso à Área do Candidato será confirmada por meio de e-mail enviado para o endereço informado no cadastro.
A ocupação das oportunidades será realizada, primeiramente, entre os candidatos inscritos no tipo de ingresso por transferência de outras instituições de ensino superior. Nesta modalidade, podem se inscrever estudantes que se encontrem em três situações: cujo curso de origem tem o mesmo nome do curso de destino; cujo curso de origem tem o mesmo nome do curso de destino, porém, de modalidades diferentes (bacharelado ou licenciatura); e estudantes interessados em mudar de um curso de origem para outro curso na UFMS, desde que os cursos sejam da mesma grande área de conhecimento.
Caso ainda haja vagas, a ocupação será realizada entre os candidatos inscritos no tipo de ingresso de estrangeiros portadores de visto de refugiado, visto humanitário ou visto de reunião familiar e, posteriormente, entre os candidatos inscritos no tipo de ingresso de portador de diploma de graduação.
O Processo Seletivo consistirá da conferência das informações e dos documentos anexados no momento da inscrição. O resultado preliminar está previsto para 3 de julho e as aulas começam no dia 22.
Texto: Ariane Comineti
UFMS
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"Por que os imigrantes deveriam “respeitar nossas fronteiras” se o Ocidente nunca respeitou as deles




"Muito se discute hoje em dia se os EUA devem algum tipo de ressarcimento a seus cidadãos negros pela escravidão; devem, sim. Mas há uma dívida ainda mais alta, do país e da Europa, que continua pendente: a que eles têm com os outros países por suas aventuras colonialistas, pelas guerras que lhes impuseram, pela desigualdade que impingiram à ordem mundial, pelo excesso de carbono que despejam na atmosfera.

Claro que as nações credoras não estão sugerindo que o Ocidente envie sacos e mais sacos de ouro todo ano para a Índia ou a Nigéria. Elas pedem apenas justiça, com a abertura das fronteiras dos países ricos para seus produtos e sua gente, para tecidos indianos e médicos nigerianos. Ansiosas por mudança, pedem que a imigração seja a moeda indenizadora.

Atualmente, 250 milhões de pessoas são imigrantes. E elas estão se movimentando simplesmente porque os países ricos roubaram o futuro dos mais pobres. Sejam os iraquianos e sírios fugindo dos efeitos das guerras norte-americanas ilegais ou africanos querendo trabalhar para seus antigos mestres colonizadores europeus, sejam os guatemaltecos e hondurenhos tentando entrar no país que lhes fornece armas e compra suas drogas: eles estão vindo para cá porque nós estivemos lá.

E antes de você lhes pedir que respeitem nossas fronteiras, pergunte a si mesmo se o Ocidente alguma vez respeitou as fronteiras de alguém.

Da mesma forma que há o imposto sobre as emissões de carbono, deveria haver uma "taxa de migração"

A grande maioria dos migrantes sai de um país pobre para outro que esteja em melhores condições, não para um que seja rico. As cotas de imigração deveriam ser baseadas no tamanho do estrago promovido pela nação hospedeira. Assim, a Grã-Bretanha deveria receber um número "x" de indianos e nigerianos; a França, de malineses e tunisianos; a Bélgica, de congoleses.

E, quando migrassem, deveriam ter o direito de levar suas famílias e ficar – ao contrário dos "operários convidados", que foram atraídos a engrossar a mão de obra pós-guerra dos colonizadores só para serem convidados a se retirar quando seus mestres já não precisavam mais explorá-los.

A República Dominicana, onde os EUA ajudaram a manter o ditador Rafael Trujillo por três décadas, deveria gozar de um alto nível preferencial, como também o Iraque, ao qual impusemos uma guerra que resultou em 600 mil mortes. A justiça agora deveria exigir que deixássemos entrar 600 mil iraquianos no país, ou seja, para cada morte causada, permitir que alguém tenha uma nova chance de vida.

Cerca de 12 milhões de africanos foram escravizados e levados para o outro lado do Atlântico pelos poderosos europeus. Doze milhões de africanos deveriam, portanto, poder viver nos países que ficaram ricos à custa dos sacrifícios de seus ancestrais, não? Todo mundo sairia ganhando: os africanos, que ainda sofrem as consequências da escravidão na terra natal, e os países que os receberiam, beneficiados pela mão de obra, mas dessa vez sem dor e por um salário digno."

"Da mesma forma que há o imposto sobre as emissões de carbono, deveria haver uma "taxa de migração" para as nações que enriqueceram emitindo gases estufa. Os EUA são responsáveis por um terço do excesso de CO2 na atmosfera; a Europa, outro quarto. Cem milhões de pessoas fugindo de furacões e secas terão de ser reassentadas até o fim do século. Os EUA deveriam receber um terço desse número e a Europa, outro quarto.

A conta vai sair alta para o Ocidente, mas ela deveria ser paga com o maior prazer. Sem imigração, o crescimento econômico norte-americano teria sido 15% mais baixo de 1990 a 2014; o do Reino Unido, 20%. Os imigrantes respondem por 14% da população total dos EUA, mas abriram 25% de todos os novos negócios e, desde 2000, ganharam mais de 30% dos prêmios Nobel de Química, Física e Medicina que o país faturou.

Os migrantes representam 3% da população mundial, mas contribuem com 9% do PIB. Os impostos que pagam sustentam os sistemas previdenciários das nações ricas, cujas taxas de natalidade são baixas.

Quem quiser ajudar os países mais pobres do mundo, e rápido, afrouxe as barreiras para a migração. Esses estrangeiros enviaram US$ 689 bilhões para seus países de origem, o que corresponde a três vezes mais que os ganhos diretos da abolição de todas as barreiras comerciais, quatro vezes mais que toda a ajuda humanitária oferecida por esses governos e 100 vezes o volume de todo o perdão das dívidas."

"Assim, as nações ricas são obrigadas a aceitar todo e qualquer indivíduo originário daquelas que despojaram? Há sérios argumentos contra as fronteiras abertas, como o de que os EUA são o barco salva-vidas em um mar de países pobres, e se deixarem muita gente entrar vão acabar se afundando. E há quem defenda a ideia de que, se realmente devemos indenização àqueles de quem nos aproveitamos, então que o ressarcimento seja em dinheiro, ou o reassentamento em outro lugar.

Não há argumentos sérios que demonstrem os prejuízos econômicos de longo prazo a países que aceitam imigrantes, mesmo em grandes números. Durante a época da migração em massa, um quarto da população da Europa se mudou para os EUA, que substituiu o Velho Continente como o símbolo máximo de riqueza e poder.

Um mundo com fronteiras mais abertas teria um breve interlúdio de movimento em massa, mas depois a migração efetivamente cairia, pois o dinheiro e a satisfação estariam divididos de forma mais igualitária, e muito mais gente permaneceria na terra natal.

Para evitar o pagamento da "taxa de migração", os países ricos teriam de parar de apoiar e manter ditadores, de fomentar guerras devastadoras e desnecessárias, controlando suas corporações multinacionais para que não pratiquem a exploração predatória das riquezas minerais das nações pobres e garantindo que o comércio global seja mais justo. Do contrário, a conta a ser paga pelos estragos nessas nações menos favorecidas será proibitivo.

O que os EUA consideram uma boa política de imigração não tem nada a ver com o que é moral e justo para os povos cujo destino os norte-americanos afetaram, no passado e no presente. Pode até fazer sentido para o país permitir a entrada de mais indianos qualificados e menos latinos sem qualificações, mas o fato é que ele lhes deve muito e deveria abrir as portas para os vizinhos do sul.

A história se compõe de acontecimentos que nunca poderão ser "desacontecidos"; a história é o que está acontecendo neste momento. É preciso prestar atenção nisso. E quitar a dívida.

Suketu Mehta é professor de jornalismo na Universidade de Nova York e autor, mais recentemente, de "This Land Is Our Land: An Immigrant’s Manifesto".

The New York Times Licensing Group – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times."

Gazeta do Povo

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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Ministro venezuelano acusa Acnur de mentir sobre migração do país

Arreaza acusou Acnur de inchar número de imigrantes
O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, acusou neste domingo (9) o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) de mentir sobre os números de imigração do país, que a organização estima que tenha ultrapassado os 4 milhões nos últimos 41 meses.
"Depois do fracasso do golpe de Estado, como estratégia contra a Venezuela retomam a matriz migratória que tinha desaparecido da imprensa desde janeiro. A derrota e o desespero os leva a reciclar temas, readequando a obsessiva agressão contra o país", disse ele no Twitter.
Arreaza afirmou que o Acnur "mente e aumenta os números" com a intenção de obter mais recursos com destino incerto.
O chefe da diplomacia chavista criticou também o fato de o Acnur expressar preocupação com os venezuelanos com imagens feitas do departamento de Guajira, "território abatido pela pobreza extrema e abandonado pelo Estado colombiano, onde morreram milhares de crianças por desnutrição".
As declarações foram dadas um dia depois de a atriz norte-americana Angelina Jolie, enviada especial do Acnur, parabenizar nessa região, que fica na fronteira com a Venezuela, a resposta humanitária da Colômbia para ajudar os venezuelanos chegam.
Em entrevista coletiva em Guajira, ela pediu ontem que a comunidade internacional auxilie na resolução do problema, que se agrava diariamente.
Na sexta-feira, o Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgaram que mais de 4 milhões de pessoas já saíram da Venezuela. Mais de 1,3 milhão está na Colômbia.
Agencia Efe
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sábado, 8 de junho de 2019

Organização Internacional das Migrações anuncia apoio à política migratória



A informação foi publicada, em Caxito (Bengo) pelo director regional da OIM, Charles Kwenin, durante um seminário de formadores em fluxos migratórios e tráfico de seres humanos.

Charles Kwenin afirmou que a OIM reconhece que os movimentos migratórios mistos irregulares são um desafio à soberania dos Estados, pois estes têm a responsabilidade de zelar e proteger os imigrantes e refugiados, na base dos tratados e leis internacionais dos direitos humanos.

Segundo o responsável, o Governo de Angola provou perceber essa necessidade ao adoptar o compacto global sobre imigração, em Dezembro do ano passado, em Marraquexe (Marrocos).

Em Caxito, 117 cidadãos estrangeiros de nacionalidades diversas foram repatriados para os seus países de origem, durante o primeiro trimestre deste ano, por imigração ilegal, informou o delegado do Ministério do Interior e comandante provincial da Polícia Nacional no Bengo, Delfim Kalulu Inácio.

Ao falar no encerramento do primeiro seminário de formação de formadores em matéria de gestão de fluxo migratório, o responsável referiu que a delegação do Ministério do Interior no Bengo controlou, também neste período, 983 cidadãos de nacionalidades diversas, dos quais 18 na condição de condenados, por cometimentos de diversos crimes.

OIM
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Número de refugiados e migrantes da Venezuela ultrapassa 4 milhões, segundo ACNUR e OIM

O número de venezuelanos deixando seu país alcançou 4 milhões, anunciou nesta sexta-feira (7) a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Globalmente, os venezuelanos são um dos maiores grupos populacionais deslocados de seu país.
O ritmo do fluxo de saída da Venezuela tem sido impressionante. De cerca de 695 mil no final de 2015, o número de refugiados e migrantes venezuelanos disparou para mais de 4 milhões até meados de 2019, segundo dados de autoridades nacionais de imigração e outras fontes. Em apenas sete meses desde novembro de 2018, o número de refugiados e migrantes aumentou 1 milhão.
Os países latino-americanos estão recebendo a vasta maioria dos venezuelanos, com a Colômbia respondendo por cerca de 1,3 milhão, seguida por Peru, com 768 mil, Chile (288 mil), Brasil (168 mil) e Argentina (130 mil). O México e os países da América Central e do Caribe também recebem um número significativo de refugiados e migrantes da Venezuela.
Indígenas venezuelanos em abrigo em Boa Vista, Roraima. Foto: ACNUR/Reynesson Damasceno
Indígenas venezuelanos em abrigo em Boa Vista, Roraima. Foto: ACNUR/Reynesson Damasceno
O número de venezuelanos deixando seu país alcançou 4 milhões, anunciou nesta sexta-feira (7) a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Globalmente, os venezuelanos são um dos maiores grupos populacionais deslocados de seu país.
O ritmo do fluxo de saída da Venezuela tem sido impressionante. De cerca de 695 mil no final de 2015, o número de refugiados e migrantes venezuelanos disparou para mais de 4 milhões até meados de 2019, segundo dados de autoridades nacionais de imigração e outras fontes. Em apenas sete meses desde novembro de 2018, o número de refugiados e migrantes aumentou 1 milhão.
Os países latino-americanos estão recebendo a vasta maioria dos venezuelanos, com a Colômbia respondendo por cerca de 1,3 milhão, seguida por Peru, com 768 mil, Chile (288 mil), Brasil (168 mil) e Argentina (130 mil). O México e os países da América Central e do Caribe também recebem um número significativo de refugiados e migrantes da Venezuela.
“Esse número alarmante evidencia a necessidade urgente de apoiar as comunidades anfitriãs desses países de acolhida”, afirmou Eduardo Stein, representante especial conjunto de ACNUR e OIM para refugiados e migrantes venezuelanos. “Os países da América Latina e do Caribe estão fazendo sua parte para responder a essa crise sem precedentes, mas não se pode esperar que eles continuem a fazer isso sem ajuda internacional”.
Os governos da região estabeleceram mecanismos para coordenar suas respostas e facilitar a inclusão legal, social e econômica dos cidadãos venezuelanos. O principal deles é o Processo de Quito, que reuniu países latino-americanos afetados pelo fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos.
Para completar esses esforços, um Plano Regional Humanitários de Resposta para Refugiados e Migrantes (RMRP) foi lançado em dezembro de 2018, que à época identificou como beneficiários 2,2 milhões de venezuelanos e 580 mil pessoas em comunidades de acolhida em 16 países. Até agora, o financiamento do RMRP é de apenas 21%.
Onu
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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Japão doa US$ 3,6 milhões para ONU atender venezuelanos no Brasil


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A Embaixada do Japão assinou  nesta quinta-feira (6) um acordo de cooperação com quatro agências do Sistema ONU no Brasil para contribuir com US$3,6 milhões às ações de proteção e assistência aos refugiados e migrantes venezuelanos que chegam ao país.

A doação do governo japonês será direcionada a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Caberá à ACNUR receber a doação, redistribuindo os recursos posteriormente às demais agências.

A contribuição japonesa ajudará a fortalecer o apoio das agências das Nações Unidas à resposta conduzida pelo governo brasileiro no acolhimento, assistência e proteção dos refugiados e migrantes venezuelanos no Brasil.

De acordo com dados da Polícia Federal, desde 2017 até abril de 2019 foram registrados no país cerca de 100 mil pedidos de refúgio e 70 mil solicitações de residência temporária por parte de cidadãos venezuelanos.

Entre as ações beneficiadas pela doação japonesa estão o registro e a documentação de venezuelanos, a assistência multi-setorial a esta população nas comunidades de acolhida, apoio psicossocial, serviços de saúde e proteção de crianças. As ações acontecem nos estados de Roraima, Amazonas e Pará.

No Brasil, o Sistema ONU participa da resposta brasileira à chegada de refugiados e migrantes venezuelanos no país, sempre com o apoio de doações feitas pela comunidade internacional.

Os eixos de proteção desta resposta são a recepção e documentação na fronteira entre os dois países, registro e acolhimento em abrigos e integração local por meio da estratégia de interiorização.

Alternativa 
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Paróquia São Geraldo e os trabalhos junto aos migrantes

A Paróquia São Geraldo, localizada na Av. Constantino Nery, é conhecida por ser o lugar de acolhida e abrigo para os irmãos e irmãs migrantes, que chegam à Manaus, não importa se são haitianos, cubanos, peruanos, venezuelanos… todos são tratados da mesma forma e recebem a devida atenção tanto pela equipe da Pastoral do Migrante, que há 27 anos atua na Arquidiocese de Manaus, quanto pelos agentes da própria paróquia que, desde 2010, já atendeu cerca de 11 mil pessoas que migraram para o Brasil, grande parte são de haitianos, que chegaram na cidade e aqui se instalaram com o apoio da igreja católica.
De acordo com o pároco, Pe. Valdecir Molinari, da congregação dos Padres Missionários Scalabrinianos (também conhecida como Padres Missionários de São Carlos Borromeo), cujo o carisma é trabalhar juntos aos migrantes, não basta apenas acolher e sim fazer todo um processo em busca de moradia e emprego, além da ajuda com aulas de português e retirada de documentos.
Um trabalho árduo e diário e que, infelizmente, na maioria das vezes só é realizado por meio da Paróquia São Geraldo, que se tornou uma referência quando se trata dos migrantes.
Isso é até um apelo do próprio Papa Francisco e até um dos assuntos abordados na última Assembleia Pastoral Arquidiocesana (APA), na qual seria um compromisso de todas as paróquias ter um pequeno espaço de acolhida e isso seria uma força muito grande, porque ainda existe um olhar geral de que, na Paróquia São Geraldo e os trabalhos junto aos migrantes tão da migração, os únicos que resolvem são a Paróquia São Geraldo e a Pastoral do Migrante.
Obras concretas da Paróquia São Geraldo e Pastoral do Migrante Entre as obras já realizadas nos últimos 10 anos de atividades podemos citar: Duas casas de acolhida alugadas, uma no bairro Santo Antônio, maioria venezuelana, e outra no bairro do Zumbi, com a maioria de haitianos; a construção de uma creche na área da quadra da paróquia, atualmente com 32 crianças dos seis meses aos quatro anos, todas filhas de migrantes; além da fábrica de picolé instalada nas dependências do salão paroquial, fundada em 2014, funcionando das 8h às 18h, com cinco funcionários e uma produção média de 2 mil picolés “da massa” por dia (13 sabores diferentes), tendo à frente o jovem haitiano Jean Wilkenson Justin.
A fábrica é aberta para qualquer pessoa que quiser comprar seu picolé para revender nas caixinhas de isopor ou nos carrinhos.
Mais informações sobre esse trabalho desenvolvido com os migrantes você pode entrar em contato pelo telefone 98198-8565.
Matéria: Érico Pena
Arquidiocese de Manaus 
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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Refugiada venezuelana descobre talento para arte após chegar ao Brasil


Em Boa Vista, Roraima, uma colorida pintura toma conta do muro do Centro de Convivência e Atendimento Psicossocial para refugiados e migrantes venezuelanos. Na obra, uma mulher indígena carrega as bandeiras da Venezuela e do Brasil e recebe os recém-chegados com uma mensagem de acolhimento e amizade.

A artista por trás do painel saiu das fileiras de pessoas beneficiárias do centro: Jackeline Lozada, de 25 anos, trabalhou no mural enquanto estava grávida. Ela deu à luz uma menina poucas semanas após receber a equipe de reportagem do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Jackeline Lozada quer estudar artes em uma faculdade brasileira. Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães
Jackeline deixou a cidade de Puerto Ordaz com seu companheiro em setembro de 2018. Na ocasião, estava grávida de pouco mais de quatro meses e enfrentou sangramentos e um quadro de infecção urinária. Com auxílio do UNFPA, foi encaminhada à rede pública de saúde local.

“Algumas pessoas disseram que eu ia perder o meu bebê se saísse da Venezuela, mas eu sabia que não. No começo, depois que cheguei, eu quis voltar para o meu país, eu e meu esposo temos uma boa casa lá, mas infelizmente agora temos que pensar muito. Lá, não tenho as coisas de que preciso para o meu bebê”, afirma.

O pai de Jackeline e parte de sua família já estavam estabelecidos no Brasil há algum tempo no momento da chegada de Jackeline. O casal precisou procurar auxílio da Operação Acolhida, coordenada pelas Forças Armadas brasileiras, que lideram o trabalho com refugiados e migrantes em Roraima.

Imagem: UNFPA
Cinco meses após a chegada a Boa Vista, o casal conseguiu uma vaga em um dos 11 abrigos da capital roraimense. “Pela primeira vez desde que havia chegado ao Brasil, pude dormir tranquila”, conta a artista.

Veia artística

Jackeline deu à luz uma menina. Foto: UNFPA/ Fabiane Guimarães
Na Venezuela, Jackeline costumava desenhar com grafite e produzia pequenos retratos, apenas por prazer. “Nunca estudei, foi algo que nasceu comigo”, lembra a venezuelana. Dentro do abrigo, após a doação de materiais, começou a fazer alguns quadros, sempre reproduções. As obras chamaram a atenção, tanto de voluntários e coordenadores do Fundo de População das Nações Unidas, quanto dos locais. “Me perguntaram quanto eu cobrava, mas eu não sabia. Nunca tinha vendido nada”, conta a venezuelana rindo.
Sempre com o sorriso aberto e simpático, Jackeline confessa que sentiu a responsabilidade pesar quando lhe encomendaram a pintura do muro do Centro de Convivência. “Eu nunca havia feito algo tão grande e assim, saído da minha imaginação. Sempre fiz reproduções”, explica.

O resultado do trabalho é seu maior orgulho, o símbolo de sua resiliência e criatividade, duas forças que ela nem sabia que tinha. “Agora, quero fazer uma faculdade de artes. Seria um sonho realizado”, diz a venezuelana.

O Centro de Atendimento Psicossocial

O Centro de Convivência e Atendimento Psicossocial, onde está o muro pintado por Jackeline, é um projeto mantido pelo Fundo de População das Nações Unidas e pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), com recursos da União Europeia e em parceria com o Exército da Salvação.

O espaço é uma estratégia global do UNFPA para a resposta à violência de gênero em situações de emergência. O estabelecimento também fortalece a rede local de proteção das sobreviventes de violência e de refugiados e migrantes vítimas de outras violações. Até o momento, o projeto - que tinha uma meta de 5 mil atendimentos - já dobrou essa 
quantidade, com 13 mil pessoas assistidas.

Onu

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