segunda-feira, 15 de abril de 2019

Latino-americanos batem recorde de pedidos de asilo na UE desde 2014

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A União Europeia (UE) registrou, em fevereiro, um "recorde" de pedidos de asilo da América Latina desde 2014, especialmente de venezuelanos, os quais se tornaram a segunda nacionalidade, atrás dos sírios - informou o Escritório Europeu de Apoio ao Asilo (EASO) nesta segunda-feira.
"Em fevereiro de 2019, foram apresentados cerca de 57.000 pedidos de proteção internacional" nos países da UE, assim como na Noruega e na Suíça, anunciou o EASO em um comunicado, um aumento de cerca de 11.000 em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Com 5.393 pedidos, os sírios se mantêm como a primeira nacionalidade a pedir proteção na UE em fevereiro, seguidos dos venezuelanos (3.995), afegãos (3.608), iraquianos (3.071) e nigerianos (2.461).
"A Venezuela se tornou o segundo país de origem dos solicitantes", detalha o escritório europeu, acrescentando que a taxa de aceitação dos pedidos de proteção, no caso dos venezuelanos, foi de 48% nos últimos seis meses.
Além dos venezuelanos, o EASO destaca um "número recorde" de pedidos de cidadãos da região da América Latina em fevereiro desde 2014, quando esta agência começou a coletar esses dados, disse seu porta-voz, Anis Cassar, à AFP.
Além dos venezuelanos, 1.937 cidadãos da Colômbia pediram proteção em fevereiro, seguidos de 731 de El Salvador; 616, da Nicarágua; 592, de Honduras; 351, do Haiti; 323, do Peru; 112, de Cuba; e 73, da Guatemala.
"Os pedidos de colombianos alcançaram um recorde em fevereiro (...), mais do que o triplo do número de pedidos em comparação com o ano anterior, e se tornaram a décima nacionalidade mais comum", afirma esta agência.
Em 2018, cerca de 22.000 venezuelanos, cujo país se encontra mergulhado em uma profunda crise política, econômica e humanitária, pediram proteção internacional na UE, principalmente na Espanha.
São os países latino-americanos, porém, que continuam acolhendo a maioria dos 2,7 milhões de venezuelanos que abandonaram o país desde 2015, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e a Organização Internacional para Migrações (OIM).
* AFP
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'Ayka' é filme poderoso sobre imigração e maternidade

Ayka (Samal Yeslyamova) é uma imigrante do Quirguistão que mora ilegalmente em Moscou, capital da Rússia. Só que as coisas vão mal, talvez até pior do que em seu Pais de origem. Afinal, ela está grávida sem ter condições de cuidar do filho, não tem emprego e ainda está devendo dinheiro para um mafioso da região. Como saída, ela passa a percorrer a região em busca de um emprego, fazendo o que quer que seja.

Essa é a premissa de Ayka, longa-metragem que chegou aos cinemas brasileiros  quinta-feira, 11. Dirigido por Sergei Dvortsevoy (Tulpan), o filme é uma nova visão sobre o filme Cafarnaum -- mas, desta vez, voltado para a maternidade. A crueldade e a tristeza da personagem principal é sentida em cada uma das cenas. O frio congela os espectadores. A dor sentida por ela é transferida diretamente para o outro lado da tela.

E isso acontece por dois motivos principais: a atuação absolutamente sensacional de Samal Yeslyamova (Tulpan) e a direção precisa de Dvortsevoy. Ela, que assume seu primeiro protagonismo, consegue mergulhar na personagem desde a primeira cena. Ainda que algumas de suas atitudes despertem sentimentos contraditórios na audiência, é difícil não sofrer com ela, por ela. Uma personagem deveras complexa.
Dvortsevoy, enquanto isso, consegue controlar o filme dentro do seu fortíssimo arco dramático sem deixar cair para o clichê, para o óbvio. Ainda que o longa tenha algumas cenas desnecessárias, e situações não resolvidas, a maior parte do drama funciona. Cenas como a de Ayka sofrendo de dor e usando estalactites para o ferimento doem em quem assiste. Ou, então, a cena final, que é um soco no estômago. Parte o coração.

O longa, como já deixa claro na primeira cena, não abre espaço para o descanso dramático. Não há cenas engraçadinhas, nem ao menos leves. Tudo é forte, tudo é drama. Isso, por algum lado, pode ser considerado erro de Dvortsevoy e Gennadiy Ostrovskiy (Tulpan), roteiristas do filme e que acabam por não dar respiros necessários. Se existissem, talvez o drama ficasse ainda mais forte e considerável. Mas não estraga.

E apesar de Ayka ser um filme que fala muito da precarização dos imigrantes, inclusive com uma ou outra cena xenófoba, a alma do longa-metragem é o tema da maternidade. É ele que rege a maioria dos acontecimentos, do sofrimento de Ayka. Uma cena, envolvendo uma cachorra amamentando, é extremamente significativa e mostra o que o diretor queria mostrar. Difícil sentimentos não virem à tona com essa história.

Ayka, dessa maneira, é um filmaço. Duro, cruel, insensível. Ele provoca e deixa o espectador angustiado de propósito, fazendo com que fique desconfortável com o que está sendo exibido na tela. E é muito funcional. Claro: poderia ter tirado o pé do acelerador nas cenas dramáticas, como Cafarnaum tão bem fez, sem deixar que esse drama forte e pesado perca força. Mas, mesmo assim, funcionou muito bem. É uma pedida ideal para os que não se incomodam com provocações, dramas fortes, incisivos. É tudo isso e mais um pouco.
Esquina da Cultura 
Matheus Mans
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sábado, 13 de abril de 2019

Prefeito que ajuda imigrantes é indiciado na Itália

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O prefeito afastado de Riace, Domenico "Mimmo" Lucano, que ganhou fama internacional por seus projetos de acolhimento de migrantes e refugiados, foi indiciado juntamente com outros 26 suspeitos no âmbito da investigação sobre a gestão das políticas migratórias da cidade. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (11) pelo Juiz de Audiências Preliminares (GUP, na sigla em italiano) e anunciada pela magistrada Amelia Monteleone, após mais de sete horas de audiência no Tribunal de Locri.

    Lucano é acusado de conspiração, fraude, abuso de poder, peculato, suborno, fraude, falsificação e auxílio a imigração ilegal. Com este novo processo, foi determinado que ele continue fora do cargo por mais um ano. O então prefeito de Riace foi colocado em prisão domiciliar no dia 2 de outubro de 2018 por ordem do juiz Domenico Di Croce. A Justiça, então, o obrigou a exilar-se da cidade para "impedir a reincidência do crime de imigração ilegal". Ele é investigado pela operação "Xenia" por suspeita de ter facilitado casamentos forjados para garantir a permanência no país de migrantes em situação irregular. Além disso, o Ministério do Interior ainda o acusa de irregularidades no uso de recursos nacionais para financiar projetos de acolhimento. 

O julgamento de Lucano está agendado para o próximo dia 11 de junho, perante aos juízes da Corte, que deverão estabelecer se, de fato, o modelo de Riace esconde um verdadeiro sistema criminal. Nos últimos anos, a cidade do sul da Itália promoveu a integração de refugiados à economia local. Lucano, por sua vez, chegou a entrar na lista dos 50 maiores "líderes" do mundo da revista "Fortune".

    Em seus mandatos, ele ofereceu casas abandonadas e treinamento profissional a estrangeiros, além de uma "bolsa trabalho", ajudando a recuperar a economia de Riace, afetada pelo esvaziamento populacional que atinge diversos vilarejos italianos.

Terra
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Espetáculo “Travessias”, no teatro do Sesi Campinas, reflete sobre migrações

 
Dia 23 de março, sábado, o espetáculo Travessias será apresentado pela Seres de Luz Teatro no SESI Campinas. Os ingressos são gratuitos.

 Uma metáfora sobre as forçadas migrações e êxodos. A história de uma palhaça e uma flor e a eterna busca do um lugar seguro. Desde a comicidade do absurdo aborda-se a dura 
realidade dos povos expulsos. Que coisas, que pertences levamos conosco quando devemos fugir e deixar tudo para traz? Sobrevivência e esperança.

 Travessias… Atravessar… com sorriso e lirismo a interminável viagem sem destino, sem final.

  Horário: 20h00.
Duração: 60 minutos.

⇒   Local: Teatro do SESI Campinas - Amoreiras
Endereço: Av. das Amoreiras, 450 - Pq. Itália - Campinas/SP

$   Ingressos: Gratuitos.

✗   Pontos de Retirada:
- CAMPINAS:

SESI Campinas - Amoreiras: 1 hora antes do espetáculo.

Show Campinas
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sexta-feira, 12 de abril de 2019

CEPAL reduz para 1,3% estimativa de crescimento para América Latina e Caribe em 2019

Porto de Santos, em São Paulo. Foto: Prefeitura de Santos
Porto de Santos, em São Paulo. Foto: Prefeitura de Santos
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) reduziu nesta quinta-feira (11) para 1,3% sua projeção de crescimento para os países da região em 2019, frente à previsão de avanço de 1,7% feita em dezembro de 2018. Para o Brasil, a previsão é de avanço de 1,8% este ano, frente a 2% previstos anteriormente.
De acordo com a CEPAL, as novas estimativas são influenciadas pelo complexo cenário externo e pelas dinâmicas internas observadas nos países da região.
Como nos anos anteriores, a CEPAL projeta uma dinâmica de crescimento cuja intensidade é diferente entre países e sub-regiões, e que responde não somente aos impactos diferenciados do contexto internacional em cada economia, mas, também, ao comportamento dos componentes do gasto — principalmente o consumo e o investimento — que têm seguido padrões diferentes nas economias do norte e do sul.
Segundo a CEPAL, a atividade econômica na América do Sul passará de um crescimento de 0,5% em 2018 para 1,1% em 2019. Por sua vez, a América Central crescerá 3,1% em 2019, com ligeiras revisões para baixo na maioria dos países. Isso é consequência da maior desaceleração esperada para os Estados Unidos este ano, que afeta não somente o comércio, mas também as remessas direcionadas para essa sub-região, entre outros fatores.
A CEPAL acrescenta que, para a América Central, México, República Dominicana, Haiti e Cuba terão crescimento de 2%. Enquanto as economias do Caribe anglófono e de língua holandesa apresentarão igual avanço este ano, próximo à previsão de dezembro.
De acordo com o organismo das Nações Unidas, os principais riscos para o desempenho econômico da região em 2019 continua sendo uma menor taxa de crescimento global, o baixo dinamismo do comércio mundial e as condições financeiras enfrentadas pelas economias emergentes.
Por outro lado, a guerra comercial entre EUA e China ainda não foi solucionada, o que representa um risco não apenas para o comércio global e a taxa de crescimento do mundo a médio prazo, mas também para as próprias condições financeiras que geralmente estão vinculadas à percepção de maior ou menor risco por parte dos agentes.
Os preços das matérias-primas também podem ser negativamente afetados por um aumento das restrições comerciais, acrescenta a CEPAL. Até o momento, espera-se para 2019 uma ligeira queda no nível médio de preços dos produtos básicos (de 5%), sendo os produtos de energia os que apresentariam a maior queda (12%). Mas dada uma piora maior do que o esperado do nível da atividade e do comércio mundial, essa projeção poderia ser revisada para baixo.
Também continua presente a preocupação pela evolução da economia chinesa: espera-se que em 2019 volte novamente a desacelerar, para um crescimento de 6,2%. Finalmente, existem os habituais riscos geopolíticos, aos quais se somam as incertezas ainda vigentes em relação a certos processos com importância não apenas geopolítica, mas também econômica, no âmbito global, como o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.
Informe CEPAL
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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Tráfico de seres humanos é uma traição à nossa humanidade


2019-04-11-conferenza-internazionale-sulla-tr-1554977952205.JPGO Papa Francisco recebeu em audiência no Vaticano os 200 participantes da Conferência Internacional sobre o Tráfico de Seres Humanos, da qual participaram também representantes do Brasil.
Muito tem sido feito, mas muito ainda resta por fazer: a audiência aos participantes da Conferência Internacional sobre o Tráfico de Seres Humanos foi a ocasião para o Papa Francisco agradecer-lhes e encorajá-los na luta contra esta chaga.
O encontro foi organizado pela Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, com a finalidade de criar estratégias para aplicar as Orientações Pastorais sobre o Tráfico Humano recentemente publicadas.

Prática que desumaniza

Em seu discurso, o Pontífice citou a frase do Evangelho de João, que resume a missão de Jesus Cristo: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Mas hoje, infelizmente – constatou o Papa -, o mundo é marcado por situações que impedem a missão de Jesus: uma delas é justamente o tráfico de seres humanos.
Este tipo de tráfico expõe a tendência a mercantilizar a pessoa. Mas neste fenômeno, a vítima não é só quem sofre as consequências, mas também que as provoca:
“ O tráfico, de fato, deturpa a humanidade da vítima, ofendendo a sua liberdade e dignidade. Mas, ao mesmo tempo, desumaniza quem a pratica, negando-lhe o acesso à ‘vida em abundância’. O tráfico, por fim, fere gravemente a humanidade no seu conjunto, dilacerando a família humana e o Corpo de Cristo. ”
O Papa qualificou esta chaga como uma “injustificável violação da liberdade e da dignidade das vítimas”, por isso deve ser considerada um “crime contra a humanidade”.

Traição da nossa humanidade

Em todo o seu discurso, o Pontífice não cria uma dicotomia entre algoz e sacrificado:
“Quem se mancha deste crime prejudica não somente os outros, mas também a si mesmo. Na relação que instauramos com os outros, está em jogo a nossa humanidade, aproximando-nos ou afastando-nos do modelo de ser humano desejado por Deus e revelado no Filho encarnado. Portanto, toda escolha contrária à realização do projeto de Deus é uma traição da nossa humanidade e renúncia à 'vida em abundância' oferecida por Jesus Cristo.”

Trabalho arriscado e anônimo

Quem trabalha para restaurar e promover a dignidade humana está em sintonia com a missão da Igreja: “A sua presença, queridos irmãos e irmãs, é sinal tangível do esforço que muitas Igrejas locais assumiram generosamente neste âmbito pastoral.”
Para Francisco, são “dignas de admiração” as iniciativas criadas para prevenir o tráfico, proteger os sobreviventes e perseguir os culpados. Um trabalho feito de forma arriscada e anônima. De modo especial, o Papa agradeceu às muitas congregações religiosas que atuaram e continuam a atuar como “vanguarda” da ação missionária da Igreja contra toda forma de tráfico.
“Muito tem sido feito, mas muito ainda resta por fazer”, encorajou o Pontífice, reiterando a necessidade de trabalhar em rede, seja em nível local, seja em nível internacional, seja com instituições eclesiásticas, seja políticas e civis.
Sob a intercessão da Santa Josefina Bakhita, Francisco concluiu invocando abundantes bênçãos sobre todos que lutam contra o tráfico de seres humanos.
Bianca Fraccalvieri
Radio Vaticano
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MPF realiza debate sobre acolhimento de refugiados e migrantes

MPF realiza debate sobre acolhimento de refugiados e migrantes
Em meio a crises migratórias, o Recife sedia até esta quinta-feira (11), debates sobre questões como acolhimento e integração de refugiados e migrantes. A iniciativa é do Ministério Público Federal e o evento é realizado no auditório da Universidade Católica de Pernambuco.
Através de um simpósio e dez oficinas, estão sendo oferecidos treinamentos para agentes públicos, representantes da sociedade civil e do sistema de justiça que trabalham diretamente na atenção a refugiados e migrantes.
O objetivo é dar um suporte melhor às pessoas que chegam de outros países, geralmente com muita dificuldade, por questões culturais, linguísticas e também por não possuir acesso a documentações e direitos.
Mas, antes de tudo, será que todo mundo sabe a diferença entre os termos refugiado e imigrante? Quem explica é o diretor da Escola Superior do Ministério Público da União e representante da Rede de Capacitação, João Aquira Homoto. “O migrante é alguém que busca outro país por vários motivos, seja por estudo, para encontrar a família ou por motivo econômico. O refugiado sai de uma situação de algum risco pessoal e ingressa em outro país e declara que por algum motivo, que ele precisa de alguma proteção do país em que se encontra”, informou.
Para João Aquira Homoto, apesar do Brasil já ter leis que favorecem a entrada de refugiados e migrantes, também é necessário atuar na inclusão dessas pessoas na sociedade. “O Brasil aprovou em 1997 uma lei de refugiado. Aprovou em 2017 uma lei de migrações e precisa construir as suas políticas de acolhimento, de ascensão, de recepção e de integração de refugiados imigrantes”, afirmou.
Um questionamento feito por muitos brasileiros é o de que pessoas que vem de fora do país tomam a vaga de emprego de quem é daqui mesmo. Mas de acordo com João Aquira Homoto, é preciso entender que refugiados também são capacitados para ocupar vagas no mercado de trabalho. Além disso, o número de brasileiros que residem em outros países é muito maior do que o de estrangeiros vivendo no Brasil. “Muitos são bem qualificados, falam dois ou três idiomas e é importante que a gente tenha essa clareza de que a sociedade brasileira pode acolher. O número de refugiados imigrantes que o Brasil recebe, comparado com os números de fluxo migratórios no mundo é muito baixo. Nós temos mais brasileiros fora do Brasil do que de migrantes no Brasil”, finalizou.
Radio Jornal 
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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Combate ao tráfico humano: professora aponta retrocesso do Brasil

Por ocasião da Conferência Internacional sobre o Tráfico de Seres Humanos, Dra. Márcia Maria de Oliveira constata com pesar o retrocesso do Brasil no combate ao fenômeno, ao decidir sair do Pacto Global sobre Migrações.
Amazônia registra maior número de rotas do tráfico internacional de pessoas do Brasil
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano
Prossegue na Fraterna Domus de Sacrofano, na periferia de Roma, a Conferência Internacional sobre o Tráfico de Seres Humanos, promovido pela Seção Migrantes e Refugiados para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
Entre os 200 especialistas, está a professora Márcia Maria de Oliveira, da Universidade Federal de Roraima, que atua em parceria com a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam).
Em entrevista ao Vatican News, ela ressalta a intensificação do trabalho em rede para combater o fenômeno e sobre a reunião em si, declara-se satisfeita ao ver o engajamento das mulheres na investigação, nos estudos e também no atendimento ativo e efetivo às pessoas vítimas do tráfico humano.
Quanto à realidade brasileira, a professora constata com pesar o retrocesso do país, ao decidir sair do Pacto Global sobre Migrações:
“Isso nos coloca um pouco atrás naquele processo de enfrentamento ao tráfico de pessoas que a gente vinha realizando no Brasil desde 2002. Nesse sentido, algumas questões aparecem como retrocesso nas políticas públicas do lado brasileiro, que reflete diretamente também na Amazônia, a região do Brasil onde ocorre o maior número de rotas do tráfico internacional de pessoas. Pelo fato de ser uma região de fronteira, isso constitui uma fragilidade para toda a região e a ausência de políticas públicas acaba permitindo a livre atuação das rotas internacionais e isso é um problema grave para a Amazônia.”

Primeiras conclusões

Ao Vatican News, a Dra. Márcia escreveu as seguintes considerações acerca da Conferência Internacional:
As primeiras conclusões da referida Conferência apontam que o tráfico de seres humanos implica na atuação de grupos e empresas especializadas no aliciamento ou recrutamento de pessoas para o trabalho forçado em diferentes formas e situações que implicam a exploração sexual comercial, o matrimônio forçado, trabalho análogo ao escravo, mendicância forçada, tráfico de órgãos, exploração reprodutiva e outras formas de abuso e banalização da condição humana.
O estudo do documento Orientações Pastorais sobre o Tráfico de Pessoas aponta que “o tráfico de seres humanos atinge as pessoas mais vulneráveis da sociedade: as mulheres, jovens e adolescentes, as crianças, deficientes físicos, pessoas em situação de rua, migrantes e itinerantes”. O documento indica ainda que “se trata de um problema muito complexo e de difícil enfrentamento e erradicação por se apresentar de variadas formas, pela heterogeneidade de suas vítimas e pela diversidade de seus executores”. Além disso, representa uma economia de grande lucratividade como aquela vinculada à indústria internacional do sexo em pleno crescimento.
Por representar um setor do comércio ilícito com elevados lucros internacionais a única forma de enfrentamento é através da organização em redes com as instituições encarregadas em níveis locais, nacionais e internacionais. De acordo com os(as) conferencistas, a forma mais eficaz de enfrentamento ao tráfico de seres humanos é a criação e ou fortalecimento das redes que promovam a articulação de parcerias entre instituições vinculadas à justiça com objetivo de aperfeiçoamento de marcos regulatórios para fortalecer o enfrentamento ao tráfico de pessoas. Outra questão importante é a integração e fortalecimento de políticas públicas, redes de atendimento e organizações para prestação de serviços necessários ao enfrentamento do tráfico de pessoas, dentre os quais a necessária capacitação para o enfrentamento, a permanente produção, gestão e disseminação de informação e conhecimento sobre tráfico de pessoas em campanhas e mobilizações permanentes.
Os estudos e debates apresentados nesta conferência indicam que o Brasil apresenta retrocessos no que se refere à operacionalização do Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de pessoas com a redução de recursos humanos e financeiros destinados a ampliar e aperfeiçoar a atuação de instâncias e órgãos envolvidos no enfrentamento ao tráfico de pessoas, na prevenção e repressão do crime, na responsabilização dos autores, na atenção às vítimas e na proteção de seus direitos.
Outro retrocesso refere-se à constatação internacional da incapacidade do país em reduzir as situações de vulnerabilidade ao tráfico, consideradas as identidades e especificidades dos grupos sociais, os cortes nos investimentos à capacitação de profissionais, instituições e organizações envolvidas com o enfrentamento ao tráfico de pessoas. Por fim, é preocupante que o Brasil também reduziu investimentos no que se refere à produção e disseminação de informações sobre o tráfico de pessoas e as ações para seu enfrentamento. Todos estes retrocessos diminuem a capacidade do país em sensibilizar e mobilizar a sociedade para prevenir a ocorrência, os riscos e os impactos do tráfico de pessoas num contexto marcado por intensas migrações internas e internacionais que facilitam a atuação das redes internacionais especializadas no tráfico de pessoas.
Por outro lado, avalia-se que cresceram de forma significativa as iniciativas das instituições não governamentais que se mobilizam e se articulam em redes de enfrentamento ao tráfico de pessoas em todo o Brasil e, de maneira especial na Amazônia, com destaque para as instituições vinculadas à Igreja Católica como a Rede um Grito pela Vida e a Cáritas que continuam promovendo importantes campanhas de orientação e prevenção ao tráfico, assistência às vítimas, incentivo à formalização de denúncias e, o maior desafio que garantir proteção às vítimas e às instituições que se atrevem desafiar o crime organizado transnacional de tráfico de seres humanos.
Radio Vaticano
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5 dados sobre refugiados que você precisa conhecer

Em meio a níveis recordes de deslocamento forçado desde a Segunda Guerra Mundial, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) reuniu cinco números sobre a situação de quem teve de deixar suas casas e comunidades para trás.
Em meio a níveis recordes de deslocamento forçado desde a Segunda Guerra Mundial, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) reuniu cinco números sobre a situação de quem teve de deixar suas casas e comunidades para trás. Confira:

1. Mais de 68,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em todo o mundo

Venezuelanos atravessam a fronteira para chegar à Colômbia por uma 'trocha', trilhas enlameadas que atravessam o cerrado, às margens do rio Tákira. Foto: ACNUR/Vincent Tremeau
Venezuelanos atravessam a fronteira para chegar à Colômbia por uma ‘trocha’, trilhas enlameadas que atravessam o cerrado, às margens do rio Tákira. Foto: ACNUR/Vincent Tremeau
Desse contingente, 25,4 milhões de indivíduos cruzaram fronteiras nacionais e receberam o status de refugiados. Outras 40 milhões de pessoas são consideradas internamente deslocadas, isto é, elas tiveram de abandonar o lugar onde viviam, mas não o seu país de origem. Existem ainda 3,1 milhões de indivíduos que são solicitantes de refúgio.

2. O número de refugiados cresceu mais de 50% nos últimos dez anos

Uma família rohingya, recém-chegada de Mianmar, busca segurança em Bangladesh. Mojibur Nur Alam, de 19 anos, Nur Khatun, de 18, Sohil, de quatro, e Saima, de um, abrigam-se no Centro de Trânsito do ACNUR no campo de Kutupalong. Foto: ACNUR/Roger Arnold
Uma família rohingya, recém-chegada de Mianmar, busca segurança em Bangladesh. Mojibur Nur Alam, de 19 anos, Nur Khatun, de 18, Sohil, de quatro, e Saima, de um, abrigam-se no Centro de Trânsito do ACNUR no campo de Kutupalong. Foto: ACNUR/Roger Arnold
Refugiados são pessoas como você, que foram obrigadas a deixar suas casas, sem escolha, por conta de conflitos, perseguições ou violência generalizada. Na maioria das vezes, elas enfrentaram o impossível para sobreviver. Hoje, 85% dos refugiados estão em países em desenvolvimento, tentando reconstruir suas vidas.

3. Mais de metade dos refugiados são crianças

Uma turma de pré-escola do colégio Juhudi, no campo de refugiados de Nyarugusu, na província de Kigoma, oeste da Tanzânia. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin
Uma turma de pré-escola do colégio Juhudi, no campo de refugiados de Nyarugusu, na província de Kigoma, oeste da Tanzânia. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin
Crianças com menos de 18 anos de idade representam 52% da população refugiada no mundo. Elas podem ter testemunhado ou experimentado violência e, no exílio, estão em risco de abuso, negligência, violência, exploração, tráfico ou recrutamento militar.
Muitas delas vão passar toda a infância longe de casa. Muitas vezes, sozinhas. Algumas só conheceram a vida como refugiadas.

4. Quase 60% de todos os refugiados do mundo vêm apenas de três países

Crianças deslocadas internamente brincam, ouvem histórias e assistem a desenhos animados em um espaço para crianças, criado por equipes móveis do ACNUR na vila de Tal Shair, no norte de Alepo. Foto: ACNUR/Antwan Chnkdji
Crianças deslocadas internamente brincam, ouvem histórias e assistem a desenhos animados em um espaço para crianças, criado por equipes móveis do ACNUR na vila de Tal Shair, no norte de Alepo. Foto: ACNUR/Antwan Chnkdji
Segundo o ACNUR, 57% de todos os refugiados vêm da Síria, Afeganistão e Sudão do Sul.
O povo sírio continua a aguentar o drama da guerra civil. A Síria é o principal ponto de origem de refugiados em nível global.
No entanto, outros países foram palco de grandes deslocamentos ao longo dos últimos cinco anos. São os casos de Burundi, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Iraque, Mianmar, Sudão do Sul, Sudão, Ucrânia e Iêmen.

5. Os três países que mais acolhem refugiados são Turquia, Paquistão e Uganda

A política progressista de refugiados em Uganda é única. O país permite que os refugiados tenham uma vida normal como os cidadãos ugandenses, incluindo liberdade de movimento, direito ao trabalho, acesso à educação e à saúde e alocação de terras para a construção de casas e fazendas. Foto: ACNUR
A política progressista de refugiados em Uganda é única. O país permite que os refugiados tenham uma vida normal como os cidadãos ugandenses, incluindo liberdade de movimento, direito ao trabalho, acesso à educação e à saúde e alocação de terras para a construção de casas e fazendas. Foto: ACNUR
Juntos, eles já receberam 6,3 milhões de pessoas.
Alguns desses países já enfrentavam barreiras substanciais ao desenvolvimento sustentável, o que dificulta a mobilização de recursos suficientes para responder à chegada dos refugiados.
Por mais de meio século, o ACNUR tem ajudado milhões de pessoas a recomeçar suas vidas. Entre elas, estão refugiados, pessoas que voltaram para as suas comunidades de origem, indivíduos sem nacionalidade, deslocados internos e requerentes de asilo. A proteção, abrigo, saúde e educação do ACNUR têm sido cruciais para essas populações.
Onu
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