quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Artigo 15: Direito a nacionalidade

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi adotada em 10 de dezembro de 1948. Para marcar o aniversário de 70 anos, nas próximas semanas, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) publicará textos informativos sobre cada um de seus artigos.
A série tentará mostrar aonde chegamos, até onde devemos ir e o que fazer para honrar aqueles que ajudaram a dar vida a tais aspirações.
Leia mais sobre o Artigo 15:
1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
Concerto em homenagem ao 22º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) na sede da ONU, em Nova York, em 1970. Da esquerda para a direita, o pianista norte-americano Duke Ellington conversa com o então secretário-geral da ONU U Thant; Edvard Hambro (Noruega), então presidente da Assembleia Geral; e Ralph J. Bunche, sub-secretário-geral para assuntos políticos especiais. Foto: ONU/Yutaka Nagata
Concerto em homenagem ao 22º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) na sede da ONU, em Nova York, em 1970. Da esquerda para a direita, o pianista norte-americano Duke Ellington conversa com o então secretário-geral da ONU U Thant; Edvard Hambro (Noruega), então presidente da Assembleia Geral; e Ralph J. Bunche, sub-secretário-geral para assuntos políticos especiais. Foto: ONU/Yutaka Nagata
Nos arredores da cidade de Ho Chi Minh, capital vietnamita, um homem idoso revelou seu maior desejo: “só tenho uma simples esperança – de quando eu morrer, receber um certificado de óbito, para provar que um dia existi”. Como uma pessoa apátrida, ele não havia existido legalmente durante os 35 anos que viveu no Vietnã – incapaz de ter propriedade, matricular seus filhos na escola ou até mesmo comprar uma motocicleta.
Ex-refugiado do Camboja, ele caiu em um limbo legal por não ter tido a possibilidade de desistir da nacionalidade cambojana para obter a vietnamita, uma vez que o Camboja já havia anulado sua cidadania. Felizmente, em 2010, o Vietnã cortou o nó górdio e concedeu cidadania para cerca de 6 mil pessoas nesta situação.
A maior parte das pessoas do mundo toma como garantido o direito a nacionalidade, reconhecido no Artigo 15 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). A maioria de nós pode adquirir carteira de identidade, passaporte ou outros documentos sem qualquer problema. Mas, no mundo todo, cerca de 3,9 milhões de pessoas estão oficialmente sem nacionalidade. A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) estima que o número verdadeiro possa ser três vezes maior.
Elas sofrem profundamente, condenadas a uma vida sem esperança e marginal, assim como seus filhos, condenando gerações à apatridia.
“Ser destituído de cidadania é ser destituído do mundo; é como retornar a uma selva como homens das cavernas ou selvagens… eles podiam viver e morrem sem deixar quaisquer vestígios”, disse a filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt, no livro “As origens do totalitarismo”.
A Declaração Universal afirma que todo ser humano tem direitos e liberdades inerentes estabelecidos pelo documento. Por esta razão, muitos se opõem à formulação de Hannah Arendt de que nacionalidade é o “direito de ter direitos”. No entanto, sem nacionalidade, é praticamente impossível exercer muitos outros direitos – ir à escola, receber tratamento médico, conseguir um emprego legalmente, relatar um crime, viajar entre fronteiras e, como o vietnamita lamentou, até mesmo permitir que sua família receba seu certificado de óbito.
Algumas pessoas são apátridas por conta da fragmentação de Estados, ou desintegração de impérios, há gerações. Outras não têm, ou perdem, nacionalidade involuntariamente por conta de leis mal formuladas ou conflitantes dentro de um ou mais países, quando os pais têm diferentes nacionalidades. Até mesmo uma mudança em práticas administrativas podem fazer com que pessoas, por equívoco, caiam em um limbo legal por conta de alguma peculiaridade de nascimento, casamento ou herança.
Algumas pessoas são deliberadamente transformadas em apátridas – tendo sua nacionalidade recusada ou retirada como parte de um processo de perseguição política, racial ou étnica, e frequentemente são subsequentemente forçadas a fugir para outros países, onde permanecem apátridas por muitos anos. Os rohingyas em Mianmar são um exemplo óbvio. A filósofa alemã Hannah Arendt – que foi tanto apátrida quanto refugiada, primeiro na França e depois nos Estados Unidos – é outro exemplo.
Já em 2010 – sete anos antes da rodada mais recente de violência, possivelmente resultando em genocídio, eclodir no estado de Rakhine, em Mianmar – o relator especial da ONU para o país alertava que o “problema da apatridia” – incluindo a rejeição de emissão de certidões de nascimento para muitas crianças muçulmanas desde 1994 – está na “raiz de flagelos crônicos” sofridos pelos rohingyas. Mais recentemente, em relatório de setembro de 2018, a missão de checagem da ONU em Mianmar destacou que “a rejeição de nacionalidade é baseada em motivos raciais proibidos”.
Desde que a DUDH foi adotada, há 70 anos, houve um reconhecimento crescente do problema da apatridia. Nos últimos anos, houve um esforço concentrado para solucioná-lo e impedir que ocorresse, com o secretário-geral da ONU enviando um relatório anual sobre privação de nacionalidade à Assembleia Geral.
“Nos últimos dez anos, perdi todos os meus direitos: não pude estudar, trabalhar, ou dirigir. Não posso estar com meu marido. Simplesmente ter uma vida e uma nacionalidade após 17 anos de apatridia… é muito para se pedir?”, contou uma mulher de 24 anos mantida em detenção porque seus pais infringiram leis migratórias quando era criança.
Frequentemente, o problema pode ser solucionado com o metafórico movimento de uma caneta – uma simples mudança nas leis, por exemplo, para eliminar discriminação de gênero que impede mulheres de passar sua nacionalidade para seus filhos. Emissão de certidões de nascimento também é um passo final na prevenção de apatridia.
Desde que o ACNUR lançou uma campanha em 2014 para impedir e acabar com a apatridia, mais de 166 mil apátridas receberam ou tiveram confirmação de suas nacionalidades e 20 Estados aderiram às duas Convenções sobre Apatridia. Nove Estados estabeleceram ou melhoraram procedimentos de determinação de apatridia e seis reformaram suas leis de nacionalidade, entre outras melhorias.
Mesmo com progressos sendo feitos, um debate surgiu sobre a possibilidade de as mudanças climáticas acrescentarem milhões a mais aos números de apátridas. Juristas já estão explorando soluções no caso de alguns Estados insulares ficarem inteiramente submersos pelos crescentes níveis do mar – embora nem todos concordem que isto resultaria em todos os cidadãos se tornando apátridas.
Um líder da juventude de Kiribati, um dos países de menor altitude no mundo, disse ao Conselho de Direitos Humanos em 2017 que todo seu povo pode – no pior cenário – ter que fugir por conta de crescentes níveis do mar, erosão ou ciclones, e que “realocação significa não ter casa para onde voltar”.
Rae Bainteiti, de 27 anos, acrescentou: “significa deixar sua terra e seu país de vez e cortar laços com tudo que é importante para você como um povo”. “Tal ação iria ameaçar nossa soberania, nossa cultura, nossa identidade e todos os nossos direitos humanos fundamentais”.
Onu
www.miguelimigrante.blogspot.com

Comitê Federal apresenta balanço de ações de acolhimento de venezuelanos


Balanço apresentado na 8ª reunião do Comitê Federal de Assistência Emergencial nesta terça-feira (4) registra que 5.723 venezuelanos estão acolhidos em 13 abrigos construídos pelo Governo Federal em Roraima. Outros 3.271 viajaram para 29 cidades pelo processo de interiorização.
Presidido pela Casa Civil, o comitê foi criado em fevereiro de 2018 para atuar no atendimento emergencial do fluxo migratório de venezuelano. O Governo Federal atua em três frentes: ordenamento de fronteira, acolhimento e interiorização. O Ministério da Defesa foi o responsável pela coordenação operacional dos trabalhos.

Em março, R$ 190 milhões foram liberados para a Defesa atuar em Roraima na Operação Acolhida. Outra medida provisória foi editada em novembro com a liberação de mais R$ 75,2 milhões, para garantir a continuidade dos trabalhos até o fim de março.

Acolhimento
Para o acolhimento dos imigrantes, foram montados 13 abrigos, sendo 11 em Boa Vista e dois em Pacaraima. Nesses locais, geridos pela Organização das Nações Unidas (ONU), os abrigados recebem três refeições, kits de higiene e assistem a aulas de Língua Portuguesa, entre outras atividades.

Interiorização
Com objetivo de oferecer mais oportunidades de trabalho a venezuelanos e diminuir a pressão sobre os serviços públicos de Roraima, o governo e a ONU passaram a transportar venezuelanos para outros Estados.

Processo de adesão voluntária, a interiorização transferiu 3.271 venezuelanos desde abril para 29 cidades de 13 Estados e Distrito Federal. Todos os solicitantes de refúgio e residência que participam do programa são vacinados, regularizados e assinam termo de voluntariedade.

Atualmente, há diferentes modalidades de interiorização: com abrigamento na cidade de destino; reunificação familiar; e a que leva venezuelanos já com vaga de emprego sinalizada em outras cidades.

Ordenamento de fronteira
O controle do atendimento na fronteira foi ampliado em junho, com a inauguração do Posto de Triagem (PTrig) em Pacaraima. No local, é realizada a identificação, controle, recepção e orientação das pessoas que queiram cruzar a fronteira.

O posto realiza cadastro biométrico, vacinação, regularização migratória, emissão de CPF e atendimento social já na fronteira. Há espaço para atendimento médico de emergência.

Desde junho, foram atendidas 21.106 pessoas no PTrig de Pacaraima, sendo 10.970 (52%) solicitantes de residência e 10.020 (48%) de refúgio, segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
Entre essas pessoas atendidas na fronteira, 11.246 indicaram ter cursado Ensino Médio e 2.456 possuem diploma universitário.

Em setembro, um posto de triagem foi instalado em Boa Vista. Desde então, 20.272 foram atendidos. Foram emitidos 9,168 CPFs no posto de atendimento e 4.978 carteiras de trabalho.

PF atualiza dados migratórios 
Durante a reunião, a Polícia Federal (PF) atualizou os números da migração de venezuelanos. Até novembro de 2018, havia registro de 77.306 solicitações de refúgio e 39.692 de residência em todo o País. Entre os pedidos de refúgio, foram 56.261 solicitações em 2018 e 17.943 em 2017. 
Em Roraima, 96.094 venezuelanos procuraram a PF para solicitar regularização migratória. Desses, 62.128 pediram refúgio e 24.966, residência. Outros 9 mil haviam agendado atendimento. Os números abrangem todo registro histórico de solicitações na PF até novembro.
A PF também atualizou os dados de fluxo migratório de venezuelanos. Segundo os números compilados até 3 de dezembro, 199.365 venezuelanos entraram pela fronteira de Pacaraima, sendo que 100.928  deixaram o Brasil. Outros 98.437 não registraram saída do País.

Entre os 66.024 que deixaram o País por via terrestre, 64% cruzaram de volta a fronteira de Pacaraima com a cidade venezuelana de Santa Elena de Uiarén, 18% saíram por Foz do Iguaçu, 5% por Guajará-Mirim e 5% por Uruguaiana. Outras fronteiras representam somadas 8%.
Balanço apresentado na 8ª reunião do Comitê Federal de Assistência Emergencial nesta terça-feira (4) registra que 5.723 venezuelanos estão acolhidos em 13 abrigos construídos pelo Governo Federal em Roraima. Outros 3.271 viajaram para 29 cidades pelo processo de interiorização.
Presidido pela Casa Civil, o comitê foi criado em fevereiro de 2018 para atuar no atendimento emergencial do fluxo migratório de venezuelano. O Governo Federal atua em três frentes: ordenamento de fronteira, acolhimento e interiorização. O Ministério da Defesa foi o responsável pela coordenação operacional dos trabalhos.

Em março, R$ 190 milhões foram liberados para a Defesa atuar em Roraima na Operação Acolhida. Outra medida provisória foi editada em novembro com a liberação de mais R$ 75,2 milhões, para garantir a continuidade dos trabalhos até o fim de março.

Acolhimento
Para o acolhimento dos imigrantes, foram montados 13 abrigos, sendo 11 em Boa Vista e dois em Pacaraima. Nesses locais, geridos pela Organização das Nações Unidas (ONU), os abrigados recebem três refeições, kits de higiene e assistem a aulas de Língua Portuguesa, entre outras atividades.

Interiorização
Com objetivo de oferecer mais oportunidades de trabalho a venezuelanos e diminuir a pressão sobre os serviços públicos de Roraima, o governo e a ONU passaram a transportar venezuelanos para outros Estados.

Processo de adesão voluntária, a interiorização transferiu 3.271 venezuelanos desde abril para 29 cidades de 13 Estados e Distrito Federal. Todos os solicitantes de refúgio e residência que participam do programa são vacinados, regularizados e assinam termo de voluntariedade.

Atualmente, há diferentes modalidades de interiorização: com abrigamento na cidade de destino; reunificação familiar; e a que leva venezuelanos já com vaga de emprego sinalizada em outras cidades.

Ordenamento de fronteira
O controle do atendimento na fronteira foi ampliado em junho, com a inauguração do Posto de Triagem (PTrig) em Pacaraima. No local, é realizada a identificação, controle, recepção e orientação das pessoas que queiram cruzar a fronteira.

O posto realiza cadastro biométrico, vacinação, regularização migratória, emissão de CPF e atendimento social já na fronteira. Há espaço para atendimento médico de emergência.

Desde junho, foram atendidas 21.106 pessoas no PTrig de Pacaraima, sendo 10.970 (52%) solicitantes de residência e 10.020 (48%) de refúgio, segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
Entre essas pessoas atendidas na fronteira, 11.246 indicaram ter cursado Ensino Médio e 2.456 possuem diploma universitário.

Em setembro, um posto de triagem foi instalado em Boa Vista. Desde então, 20.272 foram atendidos. Foram emitidos 9,168 CPFs no posto de atendimento e 4.978 carteiras de trabalho.

PF atualiza dados migratórios 
Durante a reunião, a Polícia Federal (PF) atualizou os números da migração de venezuelanos. Até novembro de 2018, havia registro de 77.306 solicitações de refúgio e 39.692 de residência em todo o País. Entre os pedidos de refúgio, foram 56.261 solicitações em 2018 e 17.943 em 2017. 
Em Roraima, 96.094 venezuelanos procuraram a PF para solicitar regularização migratória. Desses, 62.128 pediram refúgio e 24.966, residência. Outros 9 mil haviam agendado atendimento. Os números abrangem todo registro histórico de solicitações na PF até novembro.
A PF também atualizou os dados de fluxo migratório de venezuelanos. Segundo os números compilados até 3 de dezembro, 199.365 venezuelanos entraram pela fronteira de Pacaraima, sendo que 100.928  deixaram o Brasil. Outros 98.437 não registraram saída do País.

Entre os 66.024 que deixaram o País por via terrestre, 64% cruzaram de volta a fronteira de Pacaraima com a cidade venezuelana de Santa Elena de Uiarén, 18% saíram por Foz do Iguaçu, 5% por Guajará-Mirim e 5% por Uruguaiana. Outras fronteiras representam somadas 8%.
Os aeroportos internacionais registraram a saída de 32.413 venezuelanos, sendo 58% pelo aeroporto de Guarulhos, 14% via Manaus, 12% pelo aeroporto de Brasília e 12% pelo Galeão.

Segundo estimativa da Operação Acolhida, cerca de 300 venezuelanos entram por dia no Brasil com intenção de permanecer no Brasil, mas metade retorna para a Venezuela. Dos que ficam no País, apenas 10% (entre 15 e 20 por dia, em média) são considerados desassistidos, ou seja, precisam de ajuda do governo com oferta de abrigo e interiorização.

Fonte Casa Civil

www.miguelimigrante.blogspot.com


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Artigo 14: Direito a asilo

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foi adotada em 10 de dezembro de 1948. Para marcar o aniversário de 70 anos, nas próximas semanas, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) publicará textos informativos sobre cada um de seus artigos.
A série tentará mostrar aonde chegamos, até onde devemos ir e o que fazer para honrar aqueles que ajudaram a dar vida a tais aspirações.
Leia mais sobre o Artigo 14:
1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e gozar de asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Palestra de Eleanor Roosevelt, presidente da então Comissão da ONU para os Direitos Humanos, durante workshop sobre educação global para visitantes da UNESCO no Hyde Park, em Nova York, em 1º de julho de 1948. Foto: ONU
Palestra de Eleanor Roosevelt, presidente da então Comissão da ONU para os Direitos Humanos, durante workshop sobre educação global para visitantes da UNESCO no Hyde Park, em Nova York, em 1º de julho de 1948. Foto: ONU
Em 1950, dois anos após a Assembleia Geral das Nações Unidas adotar a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), foi criado o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A agência teria três anospara ajudar milhões de europeus que haviam fugido ou perdido suas casas durante a Segunda Guerra Mundial, e então seria desmantelada.
Décadas depois, a agência de refugiados da ONU ainda está em funcionamento e o número de pessoas deslocadas no mundo ultrapassa 68 milhões. Deste total, 25 milhões são refugiados – pessoas fugindo de conflito ou perseguição – que cruzaram uma fronteira internacional, enquanto 40 milhões são deslocados dentro de seus próprios países. O restante é formado por solicitantes de refúgio – pessoas que podem, ou não, ser determinadas como refugiadas.
O Artigo 14 da DUDH garante o direito de buscar e de gozar asilo em caso de perseguição. Este direito, além do direito de deixar um país (Artigo 13) e do direito à nacionalidade (Artigo 15), pode ser traçado diretamente aos eventos do Holocausto. Muitos países cujos redatores trabalharam na DUDH estavam cientes de que haviam rejeitado muitos refugiados judeus, possivelmente condenando-os à morte. Além disso, muitos judeus, roma (ciganos) e outros perseguidos pelos nazistas não conseguiram fugir da Alemanha para salvar suas vidas.
Sob proteção do Artigo 14, articulado de forma mais completa na Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, milhões de pessoas receberam durante décadas a proteção como refugiadas, podendo reconstruir suas vidas e frequentemente voltando para casa após o perigo passar. Muitas também foram reassentadas em países terceiros, onde usam suas habilidades para contribuir com suas novas pátrias. E algumas podem se assentar permanentemente em países onde encontraram refúgio, como mais de 170 mil burundianos que fugiram do país em 1972 e receberam cidadania tanzaniana, no que se acredita ser a maior naturalização de refugiados do mundo.
“Não podemos impedir que as pessoas fujam para salvar suas vidas. Elas virão. A escolha que temos é como iremos gerenciar suas chegadas, e o quão humanamente”, disse recentemente o secretário-geral da ONU, António Guterres.
O direito de buscar asilo não é irrestrito. O Artigo 14 deixa claro que pessoas não podem receber asilo simplesmente para evitar perseguição por “crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas”. Então, autores de crimes de guerra e pessoas consideradas culpadas por crimes contra a paz e contra a humanidade, não têm direito a asilo.
O deslocamento entre fronteiras – incluindo migrantes, solicitantes de refúgio e refugiados – se tornou amplamente controverso no mundo todo nos anos recentes. Para exercer o direito articulado no Artigo 14, as pessoas devem efetivamente entrar em outro país. Hoje, países de todo o mundo estão fechando as portas, afastando refugiados e outros migrantes com cercas de arame farpado, muros e exércitos.
Advogados dizem que pessoas fogem – e continuarão fugindo – por conta dos perigos que deixam para trás, independentemente dos perigos e obstáculos que estão pela frente. Apesar de esforços para erguer uma “Europa fortificada”, refugiados e migrantes continuam arriscando suas vidas em barcos infláveis, tentando cruzar o Mediterrâneo para chegar ao continente europeu. Desde 2014, a cada ano, ao menos 3 mil pessoas perderam suas vidas desta maneira. Em 2016, quase 5 mil pessoas morreram no mar. Muitas outras morreram durante jornadas terrestres.
Pessoas em movimento também são vulneráveis a outras que se aproveitam de suas vulnerabilidades, incluindo autoridades estatais que tentam lucrar a partir delas, em vez de protegê-las, e traficantes de pessoas que tratam humanos como mercadorias.
“Nos comprometemos com um compartilhamento mais equitativo do peso e da responsabilidade de receber e apoiar refugiados do mundo”, disseram os países da Assembleia Geral da ONU, na Declaração para Refugiados e Migrantes, de 19 de setembro de 2016.
Os países têm o direito de controlar suas fronteiras. No entanto, como a ONU têm destacado há anos, um sistema ordenado de migração com base nos princípios dos direitos humanos enraizados na DUDH não responderia somente às preocupações legítimas dos países em relação à segurança, mas também honraria os direitos tanto de refugiados quanto de migrantes.
Em 2016, os 193 Estados-membros da ONU adotaram de forma unânime a Declaração de Nova York para Refugiados e Migrantes para proteger os que foram forçados a fugir e apoiar países que os abrigam. A declaração abriu caminho para a adoção de dois novos pactos globais em 2018: um pacto global sobre refugiados e um pacto global para migração segura, ordenada e regular.
Muitas pessoas que possuem claras necessidades de proteção, e deixam suas casas por razões fora de controle, não recebem refúgio porque não se encaixam na definição de “refugiado”. Os chamados “refugiados climáticos” são um bom exemplo das lacunas e desafios da proteção atualmente.
Não está claro quantas pessoas se deslocaram entre fronteiras por conta das mudanças climáticas, mas estatísticas de deslocamento interno são ilustrativas. O Centro de Monitoramento de Deslocamentos Internos estima que, de 2008 a 2016, desastres relacionados às condições meteorológicas deslocaram, em média, 21,7 milhões de pessoas dentro de seus próprios países a cada ano. Isto não inclui problemas mais lentos relacionados às mudanças climáticas, como aumento dos níveis dos mares, intrusão salina — fenômeno pelo qual uma massa de água salgada penetra em uma massa de água doce — ou desertificação de terras agrícolas.
Similarmente, pessoas deslocadas pela fome em muitos casos não são consideradas refugiadas pela definição da Convenção de 1951, ou pelas diversas formas expandidas de proteção aos refugiados. Ainda que claramente estejam precisando de proteção e assistência – e, se não podem ter isso em casa, não têm opção a não ser ir ao exterior.
O Pacto Global para as Migrações pede para países “cooperarem para identificar, desenvolver e fortalecer soluções para migrantes compelidos a deixar seus países de origem por conta de desastres naturais, dos efeitos adversos das mudanças climáticas e degradação ambiental”. Para tais pessoas que não são capazes de voltar para seus países, soluções concebidas no pacto incluem realocação planejada e novas opções de vistos.
Onu
www.miguelimigrante.blogspot.com


13º Dialogos Centro de Estudios Migratorios Missão Paz . Migração e refúgio


Autora e palestrante: Marie Ange Bordas

Kakuma é um campo de refugiados sem cercas nem muros, mas de onde quase ninguém consegue ir embora.  Este é o único lugar que conheço neste mundo, mas já ouvi muitas histórias contadas pelos  pessoas  que chegaram de outros cantos.  Como minha mãe, minha irmã e meu tio. Como meu amigo Deng.

Outro dia eu disse a Geedi que pra essas guerras durarem tanto empo, muita gente deve se beneficiar  e lucrar com elas! Alguém deve estar ganhando muito, enquanto tantos  perdem tudo, inclusive a própria vida. Quem são estas pessoas? Será que elas consegudormirtranquilas à noite, sem pesadelos?

Local: MISSÃO PAZ. Rua do Glicério, 225. 
Liberdade, São Paulo
Data :07-12-2018 
Horario 14h00

Transmissão ao vivo web radio migrantes www.radiomigrantes-es.net
Face live da Missão Paz São Paulo e Revista Travessia 

www,miguelimigrante.blogspot.com

   

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

López Obrador e outros três líderes assinam plano para conter migração

Migrantes
O novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, e líderes de Guatemala, El Salvador e Honduras assinaram um plano de desenvolvimento para tentar reduzir o número de pessoas que fogem de seus países a procura de uma vida melhor no exterior.
O Plano de Desenvolvimento Integral para o Triângulo Norte da América Central, apoiado pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe, visa impulsionar o emprego e o bem-estar nos países afetados.
López Obrador conseguiu uma vitória esmagadora em julho, prometendo colocar os pobres do México no topo de sua agenda.
A assinatura do plano ocorre após a ameaça de Washington de cortar a ajuda a países que não conseguem impedir a imigração ilegal. A saga das caravanas de migrantes continua a dominar as manchetes dos Estados Unidos.
Diante da caravana de 6 mil migrantes acampados atualmente na fronteira entre os Estados Unidos e o México e tentando reivindicar refúgio, os EUA aumentaram a pressão sobre os países da América Central.
A jornada de milhares de quilômetros percorridos pelos migrantes, através do México, reacendeu um debate nos EUA sobre imigração e controle de fronteiras.
O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu não permitir que eles entrassem no país, especialmente depois que centenas tentaram invadir a fronteira no fim de semana passado.
Trump está pressionando o México a aceitar um acordo para manter os migrantes no lado mexicano da fronteira enquanto seus pedidos de refúgio são processados. Ebrard deve ir a Washington neste domingo para conversar sobre o assunto com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.
Os migrantes afirmam que estão fugindo da violência e da pobreza em seus países de origem.
O chamado "triângulo norte", formado por Honduras, Guatemala e El Salvador, é uma das regiões mais perigosas do mundo, com gangues criminosas que aterrorizam as populações locais.
O comércio lucrativo de drogas – muitas das quais são contrabandeadas para os EUA – também levou a confrontos violentos entre gangues rivais. As forças policiais locais são muitas vezes impotentes para lidar com elas, e às vezes estão envolvidas com as próprias gangues.
Carta Capital
www.miguelimigrante.blogspot.com

Incentivo á imigração elevaria o PIB brasileiro em até 20% em 2040


Se tivesse um fluxo migratório semelhante ao de nações que têm políticas de atração de mão de obra estrangeira, como Canadá, Austrália, EUA e Alemanha, o Brasil poderia ter um incremento de até 20% no tamanho de sua economia, em 2040. É o que indica projeção feita por meio da ferramenta #observamigração, criada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP/FGV).
Os pesquisadores escolheram a comparação do Brasil com estes quatro países porque eles se tornaram referências na criação de agências focadas em atrair trabalhadores qualificados de outros países para compensar o envelhecimento de suas populações.
“Qualquer país tende a ter um arrefecimento do crescimento econômico simplesmente porque a população vai ficando mais velha. O grupo em idade ativa diminui e o de inativos aumenta. Esses países criaram departamentos governamentais que mapeiam constantemente o mercado de trabalho para identificar que tipo de profissional está faltando e abrem essas oportunidades para imigrantes daquela área”, explicou ao jornal O Globo o pesquisador da área de migração da DAPP, Wagner Oliveira.
No Brasil, a população em idade para o trabalho, de 15 a 64 anos, começará a encolher em 2038, segundo as projeções mais recentes do IBGE. No entanto, observam especialistas, o uso de recursos humanos de fora para amenizar os impactos na economia não está no radar das autoridades.
“Temos uma ótima política de acolhimento de imigrantes. Facilitamos a entrada, a legalização da documentação, mas falhamos na integração, principalmente ao mercado de trabalho”, avalia João Marques da Fonseca, presidente da Emdoc, consultoria especializada em intermediação de mão de obra estrangeira em 26 países.
O engenheiro belga Jean-David Caprace, 38 anos, é um exemplo do potencial de um processo de imigração estruturado. Pesquisador na área da indústria naval, escolheu o Brasil para viver há cinco anos. Levou um ano para revalidar seu diploma. Depois, passou num concurso para professor de Engenharia Oceânica da Coppe/UFRJ, onde fez pós-doutorado.
“Aqui no Rio, sinto que faço a diferença e contribuo mais porque é uma terra de muitas oportunidades. Em cinco anos, eu me tornei vice-coordenador de pós-graduação e diretor técnico da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval. Isso nunca seria possível em tão pouco tempo na Bélgica.”
Em parceria com os alunos, Caprace já contribuiu para o aprimoramento de um sistema de apoio a plataformas de uma petroleira, prevendo, por exemplo, o impacto das mudanças climáticas sobre os barcos que dão assistência a elas. Também trabalhou no desenvolvimento de um sistema de carga e descarga de um terminal de contêineres para diminuir o tempo que o navio fica no cais.
Escassez de mão de obra
As áreas em que o professor atua estão entre as que mais carecem de mão de obra especializada no Brasil, independentemente da conjuntura econômica, avalia Christina Aires, advogada que representa a Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Conselho Nacional de Imigração (CNIg):
“Temos falhas estruturais de educação que criam lacunas como essa em áreas que necessitam de tecnologia e inovação. Elas precisam ser corrigidas, mas isso leva tempo. Então, as empresas têm de ter a possibilidade de poder olhar para o mercado mundial e com menos burocracia para atrair especialistas.”
O sociólogo Leonardo Cavalcanti, coordenador do Observatório das Migrações Internacionais (ObMigra) da Universidade de Brasília (UnB), lembra que a imigração já foi uma política de Estado no Brasil do início do século XX: “De lá para cá, os imigrantes sempre contribuíram para o desenvolvimento do país. Europeus e japoneses, por exemplo, foram determinantes para o desenvolvimento da cafeicultura paulista e dos estados do Sul.”
Hoje, há 1,2 milhão de estrangeiros vivendo no Brasil, pouco mais de 0,5% do total da população brasileira, longe de representar uma concorrência significativa para profissionais brasileiros. Em países como Canadá e Austrália, essa participação chega a 20%.
Sem uma política estruturada para atrair talentos, a economia do Brasil tem se aproveitado melhor dos empreendedores.
Como a família de origem libanesa Chaachaa, cujos negócios estão na segunda geração. O patriarca, Raymond Chaachaa, 65 anos, veio ao Rio de Janeiro visitar os tios na década de 1970 e não voltou mais para o Líbano. Abriu o primeiro comércio de roupas, nos anos 1980, mas hoje dirige uma pequena fábrica de pães sírios, que emprega três pessoas e tem como maior comprador uma rede de supermercados.
A mais recente crise econômica brasileira reduziu drasticamente o número de autorizações de trabalho concedidas a estrangeiros, que já vêm com emprego garantido por empresas que atuam aqui.
Segundo o Ministério do Trabalho, o recuo foi de 62% entre 2011 e 2017, quando foram 26 mil. Mais da metade das concessões feitas ano passado (13.448) foram para imigrantes com ensino superior.
O Sul
www.miguelimigrante.blogspot

sábado, 1 de dezembro de 2018

TRÁFICO DE PESSOAS NA FRONTEIRA


TRÁFICO DE PESSOAS NA FRONTEIRA
Agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos (CBP, sigla em inglês) que atuavam no posto de controle da I-35, ao norte de Laredo (Texas), interceptaram uma tentativa de tráfico de imigrantes no dia 23 de novembro.
Segundo as informações divulgadas pelo Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês), foram encontrados 38 imigrantes escondidos na carroceria de um caminhão.
Os agentes relataram que conversavam com o motorista do veículo quando uma unidade canina alertou sobre algo suspeito. Após uma busca, os oficiais encontraram os imigrantes no interior da carroceria.
Dos imigrantes, 31 eram homens, seis eram mulheres adultas e um era criança. Eles vieram originalmente de Honduras, Guatemala, República Dominicana, México, El Salvador, Brasil e Nicarágua.
Nenhum dos imigrantes precisava de atendimento médico e o motorista, um cidadão norte-americano, foi preso.
O ICE alerta que traficantes de pessoas não se preocupam com a segurança das pessoas e visam apenas dinheiro em operações como esta. Por sorte, nenhum dos imigrantes estavam em situação de risco. Para denunciar atividades suspeitas, como contrabando de drogas e tráfico de pessoas, o ICE colocou à disposição um aplicativo chamado “USBP Laredo Sector”. As pessoas também podem entrar em contato com o número de telefone gratuito da Patrulha de Fronteira do Laredo: 1-800-343-1994.
Braziliam Time
www.miguelimigrante.blogspot.com

8 gráficos que mostram quem são os imigrantes que escolheram os EUA como lar

País é formado por ondas de imigração. Ainda assim, em muitos capítulos de sua história, houve controvérsia em relação aos recém-chegados

Quase 14% da população atual dos EUA nasceu no exteriorQuase 14% da população atual dos EUA nasceu no exterior
REUTERS/Lucy Nicholson/25.11.2018
Os EUA são um país formado por ondas de imigração - ainda assim, em muitos capítulos de sua história, houve controvérsia em relação aos recém-chegados.
Um olhar mais atento àqueles que escolheram viver no país revela as grandes mudanças que ocorreram ao longo do tempo e a contribuição dada pelos imigrantes.
PUBLICIDADE
Moradores dos EUA nascidos no exterior

BBC NEWS BRASIL
Quase 14% da população atual dos EUA nasceu no exterior. O percentual representa um aumento acentuado em relação à baixa histórica registrada em 1970, quando chegou a menos de 5%, mas é aproximadamente o mesmo que vigorou de 1870 a 1910.
Após uma onda de desembarques da Europa no fim do século 19, a imigração caiu drasticamente - de cerca de um milhão por ano em 1910 para apenas 165 mil em 1924. Isso foi resultado em grande parte da limitação no número de imigrantes de determinados países, mas a turbulência econômica da Grande Depressão e as duas guerras mundiais também desempenharam um papel importante.
Na segunda metade do século 20, as cotas aumentaram e políticas destinadas ao reagrupamento familiar foram introduzidas. Em 1986, foi concedida anistia a muitas pessoas que viviam ilegais nos EUA.
Hoje, a população nascida no exterior varia muito de acordo com a região do país - vai de menos de 5% em partes do sudeste e centro-oeste, a mais de 20% em Estados como Califórnia, Flórida, Nova Jersey e Nova York.
Os filhos da nação

BBC NEWS BRASIL
Embora o número de imigrantes que chegam agora aos EUA seja apenas metade do observado por volta de 1900, o percentual total da população nascida no exterior é semelhante.
Nos Estados Unidos, a crescente proporção de imigrantes na população não se deve simplesmente à chegada de mais pessoas, mas também à queda na taxa de natalidade entre os nativos.
Desde a década de 1960, a média de filhos por mulher nos EUA caiu de 3,7 para 1,8. Isso levou a uma queda no número de pessoas consideradas no auge da idade ativa para trabalhar (de 25 a 54 anos) que são filhos de pais nativos.
Em contraste, a população de imigrantes e seus filhos continuou a crescer.
O status legal dos imigrantes

BBC NEWS BRASIL
A maioria dos imigrantes dos EUA está no país legalmente.
De acordo com dados de 2014, 44% da população nascida no exterior tem cidadania americana. Outros 27% possuem green card - o que faz deles residentes permanentes legais - e 4% são residentes temporários com autorização para morar no país.
Cerca de um em cada quatro imigrantes, ou 11,1 milhões de pessoas, vive no país sem autorização legal. Este percentual caiu, após uma queda acentuada na imigração não autorizada de cerca de 500 mil por ano no início dos anos 2000 para aproximadamente zero desde 2009.
Cerca de 75% dos imigrantes ilegais vivem nos EUA há mais de 10 anos. Menos de um em cada cinco tem até 24 anos - e três em cada quatro têm idades entre 25 e 54 anos.
Aproximadamente 800 mil pessoas que entraram nos EUA quando crianças buscam status legal temporário. São os chamados "sonhadores", cujo status legal foi questionado pelas mudanças políticas introduzidas pelo governo Trump.
De onde são os imigrantes

BBC NEWS BRASIL
Hoje, a maioria dos imigrantes que chega aos EUA vem da América Latina ou da Ásia - uma grande mudança em relação a um século atrás, quando a maioria chegava da Europa.
De acordo com dados de 2017, 27% dos residentes nascidos no exterior são do México, em comparação com menos de 2% em 1910.
Outros 17% são de outros países da América Latina, incluindo El Salvador e Cuba.
Quase um em cada três imigrantes dos EUA é proveniente de países asiáticos, sendo a Índia e a China responsáveis pela maior parcela - 6,5% e 4,7% de todos os imigrantes, respectivamente.
Ao mesmo tempo, um em cada dez imigrantes era da Europa, contra nove de cada dez em 1910.

BBC NEWS BRASIL
Embora as procedências tenham mudado, a tendência é que os imigrantes venham de lugares mais pobres que os EUA, pois as pessoas costumam buscar melhores condições de vida. A renda per capita em 1910 na Itália era cerca de um terço da dos EUA, como é o caso do México hoje.
Educação dos imigrantes
Uma das formas mais claras de analisar a diversidade na imigração é observando a variação nos níveis de escolaridade.
Os imigrantes são mais propensos a ter mestrado ou doutorado do que os filhos de pais nativos. No entanto, quase um em cada quatro imigrantes não completou o ensino médio - em comparação com cerca de uma em cada 20 pessoas nascidas nos EUA.

BBC NEWS BRASIL
No entanto, os imigrantes dos EUA tendem a ser mais qualificados do que seus pares que não deixaram a terra natal.
Isso pode ser explicado pela limitada rede de segurança social disponível para aqueles que têm poucas perspectivas, pelas possibilidades melhores para imigrantes altamente qualificados e pelo custo relativamente alto para muitos chegarem aos EUA.
Independentemente da formação dos pais, filhos de imigrantes costumam atingir resultados educacionais semelhantes aos dos filhos de nativos.
Imigrantes na economia

BBC NEWS BRASIL
Os imigrantes contribuem diretamente para o crescimento econômico - aumentando a população e a demanda por bens e serviços.
Conceder cidadania a imigrantes sem autorização e permitir mais imigrações elevaria o crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) - valor total de bens e serviços produzidos - em 0,33 ponto percentual na próxima década, estima o Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA. Em contrapartida, a expulsão de imigrantes ilegais reduziria o crescimento em 0,27 ponto percentual ao ano.
Isso é significativo quando se trata de crescimento econômico nacional. Um investimento em infraestrutura de US$ 1,5 trilhão em 10 anos pode impulsionar o PIB em 0,1 a 0,2 pontos percentuais ao ano.
Os imigrantes também contribuem para o crescimento econômico de maneira indireta.
Embora correspondam a apenas 18% dos trabalhadores com mais de 25 anos, são responsáveis por 28% das patentes de alta qualidade - um sinal de progresso tecnológico subjacente, ligado à produtividade e ao crescimento econômico.
A produção na economia é maior e cresce mais rapidamente quando há mais imigrantes, pois eles colaboram para aumentar o número de trabalhadores e a produtividade.
Os profissionais imigrantes foram responsáveis por 39% da alta de empregos na área de ciência, tecnologia, engenharia e matemática - chegando a 29% de todos os trabalhadores neste setor - em 2010.
No entanto, eles são mais propensos a ser contratados no setor de serviços, como chefs, empregados domésticos e auxiliares de enfermagem.

BBC NEWS BRASIL
Os imigrantes também tendem a ter um impacto positivo nas finanças dos EUA - pagando mais impostos do que recebem em serviços do governo, quando comparados aos profissionais nativos.
É particularmente impressionante que, entre trabalhadores pouco qualificados, os imigrantes tenham uma probabilidade maior de estar empregados e uma chance menor de receber benefícios do governo do que os nascidos nos EUA.
Desde o início da história dos EUA, os imigrantes têm sido parte integrante do tecido que une a economia e a sociedade americana.
Entender quem eles são e o papel que desempenham no país pode ajudar a pautar o debate em torno daqueles que vão morar no país nos próximos anos.
Sobre este artigo
Esta análise foi encomendada pela BBC a especialistas que trabalham para uma organização externa.
Jay Shambaugh é diretor do The Hamilton Project e pesquisador sênior em estudos econômicos na Brookings Institution. Ryan Nunn é diretor de políticas do The Hamilton Project e pesquisador de estudos econômicos na Brookings Institution. Kriston McIntosh é diretor administrativo do The Hamilton Project.
Esta análise é baseada no artigo A dozen facts about immigration, de autoria deles.
A Brookings Institution é uma organização de políticas públicas sem fins lucrativos, que conduz pesquisas que levam a novas ideias para a solução de problemas enfrentados pela sociedade.



www.miguelimigrante.blogspot.com