sábado, 6 de maio de 2017

Crescente repressão nos países está a causar o êxodo dos africanos

Aumento da repressão estatal e falta de oportunidades para os cidadãos são os principais motivos para crescente êxodo do continente africano, segundo organização britânica.
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Migrantes se arriscam em embarcações precárias na travessia ilegal entre África e Europa, no Mar Mediterrâneo
Os países africanos estão se tornando cada vez mais repressivos e fazendo com que mais pessoas deixem suas casas, afirmou a organização britânica Oxfam esta semana, enquanto a Alemanha alertou sobre o efeito desestabilizador que a migração está a causar em África.
A liberdade política e o problema da evasão de talentos de África estavam entre os principais temas da agenda do Fórum Económico Mundial sobre África, realizado em Durban, na África do Sul, e que terminou esta sexta-feira (05.05).
Südafrika | World Economic Forum on Africa 2017 | Winnie Byanyima
Winnie Byanyima, diretora-executiva da Oxfam
A diretora-executiva da Oxfam, Winnie Byanyima, disse que "as leis repressivas sobre liberdade de associação e expressão" foram "um motor da migração".
O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, alertou que "se não conseguirmos estabilizar o continente africano nos próximos anos e décadas, enfrentaremos riscos geopolíticos cada vez maiores", incluindo mais migrantes na Europa.
O Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que organizou o fórum, descreveu o tratamento da migração como um dos "desafios críticos que o mundo enfrenta".
Falta oportunidades para os africanos
O número total de migrantes em todo o mundo atingiu 244 milhões em 2015, e entre eles um recorde de 63 milhões foram forçados a deixar suas casas, incluindo refugiados, pessoas deslocadas dentro de seus próprios países e requerentes de asilo, alertou esta sexta-feira o Programa Mundial de Alimentos.
Byanyima disse que as saídas maciças de África são uma realidade que diz muito sobre o desempenho da classe política do continente. "Essa é a avaliação que fazemos sobre a liderança política que temos em África, que falha ao não criar oportunidades económicas para seu povo", disse ela à agência de notícias AFP.
Spanien Massenansturm auf spanische Exklave Ceuta
Em fevreiro, cerca de 400 migrantes africanos saltaram a vedação da fronteira do enclave espanhol em Marrocos
"Em muitos desses países você tem regimes ilegítimos repressivos que gastam o dinheiro que deve ir para capacitar seus povos em sistemas de segurança, em monitorar seus cidadãos, em oposições e em silenciar meios de comunicação", ressaltou a diretora-executiva da Oxfam.
Uma pesquisa recente da CIVICUS, que monitora as liberdades em todo o mundo, descobriu que apenas dois países africanos estavam totalmente abertos – as nações insulares de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Nenhum país do continente africano foi considerado livre.
Cooperação dos países ricos
Byanyima também criticou os governos ricos que desviaram seus orçamentos de ajuda para cobrir os custos das chegadas de refugiados.
 
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Níger: país de trânsito

"Os países ricos devem parar de reorientar a ajuda, devem manter a ajuda para os países afetados pelo conflito e não devem desviá-la para atender os custos dos refugiados em seus países ou suas necessidades de segurança".
"Se eles ajudam a tornar os países estáveis, para alcançar um crescimento inclusivo, então as pessoas não vão querer deixar suas casas. A cooperação para o desenvolvimento é uma ferramenta para a paz e a estabilidade", acrescentou.
O risco da migração
Só este ano, mais de mil migrantes morreram fazendo a perigosa passagem da Líbia para a Itália, pelo Mar Mediterrâneo, segundo a agência da ONU para os refugiados. No ano passado, houve cerca de 5 mil mortes.
Mais de 36.700 pessoas foram resgatadas e levadas para a Itália este ano, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações, um aumento de quase 45% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Pelo menos 150 dos mortos eram crianças, embora a cifra seja provavelmente maior, já que muitos migrantes menores de idade viajam desacompanhados, de modo que suas mortes frequentemente não são reportadas, de acordo com a UNICEF.

DW

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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Trabalho cria grupo para subsidiar Temer na regulamentação da Lei da Migração

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, criou um grupo de trabalho para propor ao presidente Michel Temer uma minuta de decreto de regulamentação das disposições do Projeto da Lei de Migração referentes às áreas de competência da pasta. Segundo portaria no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 5, o grupo será formado por conselheiros do Conselho Nacional de Imigração representantes de ministérios, Centrais Sindicais, Confederações Patronais, além da Comunidade Científica e Tecnológica. O prazo para instalação do grupo será de 60 dias, prorrogável por igual período.
O Projeto da Lei de Migração, aprovado pelo Congresso Nacional no último dia 18, foi enviado nesta quinta-feira, 4, pelo Senado Federal ao Palácio do Planalto e agora aguarda sanção do presidente Temer para entrar em vigor. O texto define direitos e deveres do migrante e regula a entrada e a estada de estrangeiros no Brasil, além de revogar parte do Estatuto do Estrangeiro, lei vigente no País sobre o assunto e que foi editada em 1980. Segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 1 milhão de imigrantes residindo no País.
Alvo de protestos nesta semana em São Paulo, o texto que foi à sanção é de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), hoje ministro das Relações Exteriores, para quem a nova lei foi concebida com base na premissa de que imigrantes podem “contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e cultural do País”.
Há quem defenda o texto, alegando que o Estatuto do Estrangeiro precisa ser modificado, uma vez que foi elaborado em um período de exceção, sem atender a questões mínimas de reconhecimento das condições migratórias de hoje. Grupos contrários, porém, argumentam, entre outros pontos, que o texto flexibiliza demais as condições para o migrante viver no País.
Nesta quinta-feira, 4, o ministro Aloysio Nunes Ferreira disse que o protesto de grupos contrários à sanção da Lei de Migração é absurdo e chocante. Para ele, essas críticas partem de fascistas e de pessoas contaminadas por uma propaganda islamofóbica, que assimila os imigrantes a ações terroristas. “Ataque de fascista para mim é elogio”, afirmou.
“Infelizmente, fascismo também existe no Brasil. São grupos turbulentos, embora extremamente minoritários. Claro que há pessoas iludidas por caricaturas que esses indivíduos fazem da lei”, disse.
O ministro ressaltou que o projeto tramitou por cinco anos no Legislativo, passando por três comissões do Senado e por uma comissão especial na Câmara, e foi discutido em diversas audiências públicas, com a participação de entidades de apoio a estrangeiros e também de órgãos do governo.
Entre outras inovações, o Projeto da Lei de Migração desburocratiza as exigências para o ingresso de imigrantes e coíbe a xenofobia e o racismo e outras formas de discriminação. Também pune quem facilitar a entrada ilegal de estrangeiros no País e permite que o migrante possa tirar carteira de trabalho e obter empregos na economia formal.
Dentre as mudanças que estão causando polêmica, destaca-se o dispositivo que concede aos imigrantes direitos equivalentes aos do cidadão brasileiro, como livre acesso a serviços públicos nas áreas da saúde e da educação e a programas de moradia e benefícios sociais.
Como o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, informou nesta quinta-feira, a lei deve sofrer poucos vetos. Um dos trechos que pode ser vetado é o que revoga todas as expulsões de estrangeiros feitas até 5 de outubro de 1988, data da Constituição Brasileira.
O motivo, segundo apurou a reportagem, é que o governo teme um grande movimento de estrangeiros em busca de indenizações. Para evitar esse problema, o tema deve ser regulamentado por decreto, limitando os estrangeiros que teriam esse benefício aos que não cometeram nenhum crime, por exemplo.
Uma outra novidade importante no projeto é a criação de incentivos ao retorno de brasileiros que vivem no exterior. Pela lei, eles terão direito a trazer bens novos e usados sem pagar taxas aduaneiras e direitos de importação. A vantagem abrange bens de uso pessoal e profissional, como equipamentos e instrumentos musicais.
Estadao
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Biblioteca de SP promove oficina de currículos para imigrantes

A onda anti-imigração toma a Europa e os Estados Unidos. São fronteiras fechadas e milhões de refugiados sem ter para onde ir, fugidos das guerras que assolam seus países. Ao bater na porta de lugares supostamente mais tranquilos, dão de cara com leis – muitas vezes cruéis – que barram suas entradas e a expectativa de um recomeço digno.
Na Europa, crianças morrem em travessias tenebrosas pelo mar. Nos Estados Unidos, o tresloucado novo presidente cria leis – barradas, é importante saber – que mais se aproximam da xenofobia que da suposta proteção americana. Governos e políticos são eleitos com discursos igualmente preconceituosos.
foto: Hugo Lana
No Brasil, essa onda cruel não se faz ouvir. Até se faz, mas com a rouquidão de tresloucados. Depois da aprovação da Lei de Migração, em abril, nesta semana um grupo anti-imigração foi à Av. Paulista protestar contra a “islamização do Brasil”. Puro discurso de ódio, que culminou em conflito: Hasan Zarif, palestino e criador do restaurante Al Janiah – local de confraternização entre os refugiados no Brasil – foi detido. Zarif também é líder do movimento Palestina para Tod@s.
A nova lei é considerada um “avanço” por especialistas, já que não criminaliza o imigrante e não faz deste uma “ameaça”. O documento detalha diretrizes de políticas públicas para esses grupos, bem como o repúdio ao racismo e princípios pautados nos direitos humanos. O acesso a serviços públicos também torna-se igualitário.
Nesse sentido, como forma de apoio a imigrantes, a Biblioteca de São Paulo promove neste domingo (7/5), a partir das 15h, uma oficina de elaboração de currículos. Diante das dificuldades em novo solo, os imigrantes precisam de ferramentas para ingressarem no mercado de trabalho – sobretudo em uma cidade competitiva como São Paulo.
As atividades da oficina Compartilhando Saberes serão ministradas em português e terá o apoio de tradutores de espanhol, inglês e francês. Para participar, é preciso ir com 30 minutos de antecedência e retirar senha no balcão de atendimento da Biblioteca.
A oficina é gratuita e foi desenvolvida em parceria com o coletivo Sí, Yo Puedo; e o Núcleo de Estudos Sobre Migrações, Gênero e Direitos Humanos (Nemigddhhs). A Biblioteca de São Paulo está na Av. Cruzeiro do Sul, 2.630, ao lado da Estação Carandiru do Metrô. Mais informações no telefone 2089-0800.
fotos: Paulo Pinto – Fotos Públicas (topo) / Paulo César Rocha – Governo SP
Sp Norte
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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Refugiados e migrantes promovem feira cultural no Rio de Janeiro

Uma pequena volta ao mundo por meio da visão, da audição, do olfato e, sobretudo, do paladar. Essa é a experiência proporcionada pela feira cultural “Chega Junto”, que desde o ano passado reúne refugiados e migrantes residentes do Rio de Janeiro para apresentar aos brasileiros um pouco da comida, da arte e da moda típicas de diversos países. O relato foi feito pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
Uma pequena volta ao mundo por meio da visão, da audição, do olfato e, sobretudo, do paladar. Essa é a experiência proporcionada pela feira cultural “Chega Junto”, que desde o ano passado reúne refugiados e imigrantes residentes no Rio de Janeiro para apresentar aos brasileiros um pouco da comida, da arte e da moda típicas de diversos países.
Nesse espaço de integração e troca cultural, línguas, sabores e aromas se misturam, mas o clima é de confraternização. Foi assim na mais recente edição do evento, realizada no último fim de semana nos jardins da Christ Church Rio, igreja anglicana localizada no bairro de Botafogo e parceira do projeto.
Um dos feirantes é o engenheiro sírio Anas Rjab, que chegou ao Rio de Janeiro em 2015 e viu na gastronomia uma oportunidade de ganhar a vida no Brasil. Com a ajuda de brasileiros, ele criou o Simsim, serviço de comida que já teve endereço fixo na zona sul carioca, mas hoje é itinerante. O nome significa “gergelim” em árabe.
“Eles nos deram uma chance de trabalhar e crescer. É maravilhoso”, celebrou o sírio. Desta vez, sua refinada culinária deu destaque ao fatteh, prato típico de Damasco, que inclui berinjela assada, limão, carne moída e molho de iogurte com tahine (pasta à base de sementes de gergelim).
“O público está cada vez maior, porque nossa feira já tem uma identidade, relacionada à comida internacional”, comentou o refugiado, feliz por estar se integrando no Brasil.
Essa foi a quarta edição da feira multicultural, que ganhou as ruas como resultado de uma parceria iniciada em 2015 entre a Cáritas do Rio de Janeiro e a Junta Local, um coletivo de pequenos agricultores e produtores artesanais.
Após um ano de “estágio” nas feiras organizadas pela Junta, que abriu espaço gratuito para refugiados com talentos culinários, estes participantes ganharam uma feira exclusiva, organizada sempre no último sábado de cada mês.
Atualmente, a feira “Chega Junto” reúne 18 famílias de refugiados e migrantes vindos de Angola, Argentina, Colômbia, Haiti, Índia, Japão, Nigéria, Paquistão, Peru, República Democrática do Congo, Síria, Togo, Uruguai e Venezuela. A cada edição, novos países são convidados a participar. Além das barracas com comida, os eventos sempre contam com música ao vivo e até mesmo pequenas oficinas (a última foi sobre como preparar uma autêntica roda de mate uruguaio).
“A meta de fazer uma feira exclusiva para refugiados e migrantes existe desde que o projeto nasceu, em 2015”, explica Luciara Mota, coordenadora da “Chega Junto”.
“As três principais vertentes do projeto são inclusão social, convívio e geração de renda. Todas as famílias participantes têm demonstrado grande alegria e uma relação sólida de vínculo e confiança, reforçados pela união entre os membros e organizadores e pela construção coletiva do projeto.”
Em outra barraca da feira, o casal Boris Laguado e Rebeca Mirabal vendia bebidas à base de leite de coco típicas das praias venezuelanas. “Os brasileiros gostam porque também são amantes do coco”, disse o refugiado de 32 anos, que vê na feira uma oportunidade para o “intercâmbio de culturas e de conhecimentos”. “As pessoas fazem muitas perguntas. Querem saber de onde vem o produto, qual é a história dele, por que estamos vendendo isso e não outra coisa. A recepção é muito positiva”.
Tão positiva que despertou a solidariedade de uma senhora de 85 anos, moradora do prédio localizado em frente à igreja que acolhe a feira. Mas não era qualquer senhora. Nascida na Rússia, Lidia Secci chegou ao Brasil como refugiada pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Ela estava na “Chega Junto” para oferecer “a uma família refugiada” um aluguel a preço abaixo do mercado do apartamento que possui na zona sul do Rio.
“Sei que os refugiados passam por muitas dificuldades quando chegam, porque já passei por isso”, explicou a idosa. “Minha infância foi um paraíso. Tínhamos uma linda casa com jardim na Rússia. Então veio a guerra, e tudo que era bom virou um inferno. Eu e minha família fomos levados para a Alemanha para fazer trabalhos forçados. Quando a guerra terminou, meus pais preferiram ir embora da Europa a voltar para a Rússia. Eles fizeram de tudo para que a guerra não atrapalhasse minha vida. Foram pais excepcionais.”
Nem mesmo a ameaça de chuva e o feriadão prolongado foram capazes de esvaziar a última edição da “Chega Junto”, que atraiu centenas de pessoas. Muitas estavam de volta pela segunda ou terceira vez, enquanto outras chegavam curiosas — e famintas — após terem visto o anúncio do evento nas redes sociais.
E ainda havia quem tivesse sido pega de surpresa, como a publicitária mineira Viviane Polizzi. “Duas amigas da minha pós-graduação me disseram que haveria uma feira de comida paraense, mas quando cheguei aqui descobri outra coisa e fiquei fascinada”, contou Viviane, que havia acabado de comer um prato nigeriano, com feijão fradinho, banana frita e pimenta.
“Senti uma explosão de sabores! E teve também o rapaz haitiano que me vendeu um doce parecido com um pé-de-moleque mineiro.”
Enquanto histórias do passado e do presente corriam pelos corredores da feira, a tarde foi caindo, o céu foi escurecendo e os refugiados e migrantes foram encerrando mais um intenso dia de vendas e intercâmbio. A pequena volta ao mundo terminava ali. A próxima está marcada para 27 de maio.
Acnur
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Protesto da direita anti-lei de migração incorreu em crime, diz especialista

Para juiz, incitação à intolerância, antes de confronto com opositores, poderia ser punida


Os limites entre a livre manifestação de ideias e os crimes de ódio voltaram a pautar discussões nas redes sociais nesta quarta-feira. O ato de algumas dezenas de manifestantes de direita contrários à nova lei de migração, que terminou em confronto e detenções na Avenida Paulista, teve sua legalidade questionada por vários de seus críticos. Outros fizeram coro às ideias anti-imigração propagadas pelo grupo.
A iniciativa dos manifestantes de fechar umas das principais vias da capital para pedir que o presidente Michel Temer não sancione a lei aprovada por senadores no dia 18 de abril está de acordo com a legislação. Eles tinham, inclusive, autorização da Polícia Militarpara realizar o ato. A manifestação de ideias é livre no Brasil. O que pode ser contestado judicialmente, de acordo com especialistas ouvidos pelo EL PAÍS, é o teor de declarações proferidas durante o protesto, que incitaram o ódio contra minorias antes mesmo do conflito. Vídeo divulgado por um dos grupos organizadores, o Direita São Paulo, registra trecho de discurso em que uma manifestante não identificada diz: “A comunidade europeia não quer mais os islâmicos lá, arrebentando as igrejas da Europa, estuprando as meninas lá na Europa. Islâmico odeia cristão, eles matam os cristãos, eles estupram as meninas (...) ”.
Num momento registrado aos 19 minutos e 35 segundos no vídeo, mulher, ao microfone, diz que islâmicos são responsáveis por estupros na Europa.
Para André Augusto Bezerra, presidente da Associação Juízes Para a Democracia, as declarações podem ser consideradas criminosas: “Não se pode propagar a intolerância. Existem valores comuns democráticos que a sociedade preserva, como o direito à manifestação, mas com a garantia de valores mínimos aos indivíduos. Propagar a intolerância pode comprometer esses valores mínimos”.
Além das declarações que associam islâmicos a criminosos, os manifestantes repetiram reiteradas vezes, em gritos entoados coletivamente, que esses imigrantes seriam potenciais terroristas. O argumento também aparece nas redes sociais dos grupos responsáveis pelos protestos, onde se lê outros argumentos discriminatórios.
O advogado dos quatro manifestantes pró-imigração que foram detidos, Hugo Albuquerque, disse que seus clientes foram vítimas de xenofobia, mas a polícia não fez qualquer registro da denúncia.
Ariel de Castro Alves, advogado membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo, diz que muitas vezes essas investigações não vão em frente justamente porque falta uma legislação específica para o tema. Segundo ele, ofensas dessa natureza devem ser enquadrados na lei 7.716, de 1989, que considera crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A pena, nesses casos, pode variar de um a três anos de prisão, além de multa.
“A prática de insulto, que faz parte do dia a dia das redes sociais, está passando para as ruas, o que é lamentável e inaceitável. Como não há investigação e punição para os crimes de ódio e intolerância que ocorrem nas redes, isso acaba se disseminando. O Brasil sempre foi visto como um país acolhedor ao imigrante e atitudes como essa contrariam esse histórico. É um péssimo sinal de retrocesso social em relação à garantia dos Direitos Humanos”, avalia Castro.
El Pais
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Conselho de médicos de São Paulo questiona revalidação de diplomas estrangeiros da UFMT


O sistema de revalidação dos diplomas médicos oriundos de instituições de ensino estrangeiras utilizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), está sendo judicialmente questionado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Em Ação Civil Pública a instituição alega que no modelo adotado pela universidade o aluno reprovado no processo de revalidação recebe uma autorização para que realize 2.250 horas práticas. Após concluí-las, ele estará automaticamente aprovado, tornando-se apto a exercer a Medicina.

De acordo com o Conselho, a autorização padronizada praticada pela UFMT não leva em consideração aspectos objetivos da formação médica no exterior, quanto às reais deficiências dos profissionais, fazendo com que, diante da realização desse estágio, o aluno esteja apto à revalidação automática de seu diploma e, consequentemente, registro como médico.

Além disso, muitos desses estágios estão sendo realizados por intermédio de convênios com hospitais no estado de São Paulo que não possuem estrutura mínima de ensino obrigatória, tampouco cadastro junto ao MEC como Hospitais de Ensino, e com preceptores escolhidos sem qualquer critério de qualificação técnica. Para o Cremesp, há um risco direto para a população, pois alunos sem a formação médica completa estão atendendo pacientes.

Em nota, a UFMT informou que seu processo de revalidação dos diplomas de médicos estrangeiros é considerado um dos mais rigorosos do Brasil. Nos últimos dois anos, a Universidade teve uma taxa de aprovação de 12,81%, enquanto a média nacional gira em torno de 40%. Além disso, a comissão que realiza o processo de revalidação visita regularmente as instituições conveniadas para acompanhar in loco o período de estágio dos revalidandos, cuja duração prevista no edital de abertura é de um ano e é criteriosa na avaliação das notas obtidas durante todas as etapas do processo de revalidação.


Foi ressaltando ainda que o edital do processo de revalidação de médicos estrangeiros é regido pela Constituição Federal, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional por resoluções do Conselho Nacional da Educação (CNE), portarias normativas do Ministério da Educação (MEC) e decisões dos Conselhos Diretivos (CD) e da Faculdade de Medicina (FM) da UFMT, garantindo a legalidade, a transparência do processo e a qualidade da formação profissional.

O Cremesp defende o Revalida como o único exame nacional de revalidação de diplomas, uma vez que ele está autorizado pelo Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, sendo realizado por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). A UFMT, em razão de sua autonomia universitária, pode realizar processo próprio, contudo, por um princípio de isonomia, deveria seguir os parâmetros do Revalida.

O processo instaurado pelo Cremesp foi distribuído à 3ª. Vara Federal de Cuiabá e está com o Juiz Federal Cesar Augusto Bearsi para apreciação quanto ao pedido de concessão de liminar, sob n. 6150-03.2017.4.01.3600. A medida foi realizada em conjunto com o Conselho Federal de Medicina, com o objetivo de proteger a população contra o ingresso de profissionais sem a devida formação e o pleno preparo.

 André Garcia Santana

Olhar Direito

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Dono de restaurante de refugiados Al Janiah é preso após ser agredido por grupo de extrema-direita


O empresário árabe Hasan Zarif, proprietário do restaurante Al Janiah, localizado no centro de São Paulo e comandado por refugiados, foi detido na noite desta terça-feira (03/05), junto com outras três pessoas, após ser agredido por integrantes do grupo chamado Direita São Paulo, que, na verdade, é de extrema-direita. Eles percorriam a avenida Paulista gritando palavras de ordem contra a nova Lei de Migração.
Segundo o advogado de Hasan Zarif, Hugo Albuquerque, seu cliente relatou que o grupo de manifestantes foi a seu encontro e iniciou provocações, que terminaram em agressões mútuas. "Houve troca de ofensas e vias de fato", afirmou.
O grupo de extrema-direita diz que seus integrantes foram atacados pelos refugiados com bombas caseiras e fogos de artifício, mas uma testemunha que estava no local afirma que não viu nem ouviu nenhuma bomba, e que se tratou de um conflito entre os dois grupos que saiu do controle.
Cerca de 50 pessoas foram ao 78.º Distrito Policial (Jardins) e aguardam a soltura do imigrante e de seus colegas. Quatro equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) foram chamadas para também permanecer na porta do distrito.
Opera Mundi 
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terça-feira, 2 de maio de 2017

Arquivo Nacional cria base de dados sobre imigrantes no Rio de Janeiro

O Arquivo Nacional disponibilizou uma base de dados para consulta sobre 1,3 milhão de imigrantes que desembarcaram no Porto do Rio de Janeiro entre 1875 e 1910.
De acordo com o supervisor de Documentos do Poder Executivo do Arquivo Nacional, Sátiro Nunes, que coordenou o projeto com a professora Ismênia de Lima Martins, da Universidade Federal Fluminense (UFF), o banco de dados representa a transcrição das relações de nomes de passageiros desembarcados no Porto do Rio. Essas listas originais são manuscritas e foram digitalizadas com auxílio de 60 estagiários.
“Facilita o acesso do usuário pesquisador às informações contidas nas relações de passageiros, o que pode propiciar almejar direitos. Com informações do estrangeiro, as pessoas podem pleitear, por exemplo, um processo de dupla cidadania”, disse Nunes. Outras questões, como direitos de propriedade, também podem ser solucionadas por meio dos dados.
Migrações
Além do caráter probatório, o banco de dados tem caráter acadêmico, porque, conforme esclareceu o supervisor, permite fazer o estudo das migrações que povoaram o Brasil do fim do século 19 até o início do século 20. A base de dados foi construída com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Sátiro Nunes afirmou que as informações estavam disponíveis, mas não havia condição de acesso, porque, “não se podia ler o registro original manuscrito do século 19”. Os dados estão disponíveis na internet, em caráter definitivo, no site do Arquivo Nacional.
História
O usuário vai ao menu, pede “consulta a acervos”, clica em “outras bases de dados” e procura entrada de estrangeiros no Porto do Rio de Janeiro, onde encontrará uma descrição do projeto, manual de utilização e a base de dados.
Nunes chamou atenção para a importância do projeto. Segundo ele,  além de conhecer a história dos antepassados, o usuário consegue até reestruturar sua própria história. “Quem é você, em que contexto você se coloca na sociedade”, concluiu.
Agencia Brasil
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Dezenas de milhares protestaram nos EUA pelos imigrantes, contra Trump

Dezenas de milhares de pessoas assinalaram hoje o 1.º de Maio nos Estados Unidos com marchas e concentrações em cerca de 200 cidades de todo o país protestando contra a política de imigração do Presidente Donald Trump.


Os manifestantes invadiram as ruas de Chicago; em Washington D.C., repetiram as palavras de ordem "Donald Trump tem de se ir embora!" junto aos portões da Casa Branca; e em Oakland, na Califórnia, originaram pelo menos quatro detenções ao formarem uma corrente humana em torno de um edifício oficial para exigir que a polícia do condado se recusasse a colaborar com os agentes federais da imigração.
Apesar do incidente na Califórnia, os primeiros protestos por todo o país foram bastante pacíficos, com imigrantes, elementos de sindicatos e seus aliados a realizarem uma série de greves, boicotes e marchas para chamar a atenção para o contributo dos imigrantes nos Estados Unidos.

"É triste verificar que agora ser imigrante é quase equivalente a ser um criminoso", disse Mary Quezada, uma mulher de 58 anos do Estado da Carolina do Norte que se juntou aos manifestantes em Washington.
A Trump, a cidadã norte-americana deixou um recado: "Pare de maltratar os imigrantes!".
As manifestações do 1.º de Maio para celebrar o Dia Internacional dos Trabalhadores seguem um padrão semelhante em todo o mundo, em que os participantes reclamam por melhores condições de trabalho. Mas os protestos generalizados nos Estados Unidos tiveram hoje como alvo direto o novo Presidente republicano que, após uma agressiva retórica anti-imigração durante a campanha, adotou a correspondente política agressiva na Casa Branca.
Nos seus primeiros 100 dias no poder, Trump intensificou a fiscalização da imigração, inclusive com ordens executivas para a construção de um muro ao longo da fronteira EUA-México e uma proibição de entrada no país de viajantes oriundos de seis países muçulmanos.
As autoridades detiveram milhares de imigrantes ilegalmente em território norte-americano e o Governo ameaçou reter financiamento de zonas do país em que as autoridades locais estão a oferecer resistência à cooperação com as autoridades federais de imigração, interpondo obstáculos legais.
Trump tem argumentado que todas as suas medidas têm como objetivo manter a América segura.
Ao longo do dia, os protestos contra as suas políticas subiram de tom, exigindo soluções para os problemas criados pela administração Trump, mas a Casa Branca não deu resposta a pedidos de comentário às manifestações deste 1.º de Maio, que registaram uma afluência apenas equiparável à de 2006, em que a população saiu à rua contra uma proposta de lei que pretendia dificultar a imigração.
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