sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Freira peruana lidera rede latino-americana contra o tráfico de pessoas

Imagem ACIPRENSA 

Por Diego López Marina , Nathali Paredes

A freira Ana María Vilca, da Congregação das Irmãs dos Santos Nomes de Jesus e Maria, assumiu a Rede Internacional de Vida Consagrada contra o Tráfico de Seres Humanos, Talitha Kum, na América Latina.

A freira peruana disse à EWTN News que "infelizmente, o tráfico de pessoas está aumentando nessa parte do continente", impulsionado por fatores estruturais como pobreza, migração e corrupção.

“A pobreza é um dos fatores que torna muitas mulheres e crianças vulneráveis ​​e, como resultado, elas caem nas mãos de traficantes de pessoas”, disse ela. Isso é agravado por “extensas fronteiras sem monitoramento”, migração irregular e deslocamento forçado que afetam vários países da América Latina e do Caribe.

Os alertas da freira coincidem com dados de organizações internacionais.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) observou em seu Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas 2024 que o número de vítimas detectadas em todo o mundo aumentou 25%, com um aumento na exploração infantil e nos casos de trabalho forçado.

A mesma organização diz, num relatório atualizado até o ano passado, que 16% das vítimas detectadas em todo o mundo são das Américas.

Países afetados e modos de operação

Embora tenha evitado apontar um único país com maior incidência, a freira Ana María disse que "México, Colômbia, Peru e Brasil" frequentemente registram fatores de risco associados ao tráfico de pessoas, embora tenha dito que "não podemos dizer que isso não ocorre em outros países".

“Ainda precisamos coletar dados precisos para realmente dizer: esse é o número”, disse ela.

A freira disse que o tráfico de pessoas é um processo que começa com o recrutamento, feito por redes criminosas que muitas vezes estão ligadas a outros crimes. "São redes interligadas", disse ela.

Em alguns casos, disse a freira, “sob ameaça e coerção, as próprias vítimas do tráfico são agora incumbidas de recrutar outras pessoas”. Esse mecanismo ocorre principalmente com o propósito de exploração sexual. “Uma mulher que foi recrutada para exploração é usada para recrutar outras”, disse ela.

As principais vítimas são "mulheres jovens, garotos e garotas, adolescentes", geralmente da infância até aproximadamente os 30 anos de idade, embora ela tenha dito que não se trata de uma faixa etária restrita.

Prevenção, educação e apoio

Diante dessa realidade, a Talitha Kum concentra seu trabalho na prevenção e no apoio. "Nosso principal trabalho é a prevenção e a educação", disse a irmã Vilca.

O relatório anual de 2024 da Talitha Kum — publicado pela União Internacional das Superioras Gerais — diz que a rede alcançou cerca de 939 mil pessoas ao redor do mundo por meio de ações de prevenção e apoio, e prestou atendimento direto a cerca de 46 mil sobreviventes.

A rede acolhe e apoia sobreviventes em abrigos e trabalha em colaboração com voluntários leigos e outras instituições. "Não trabalhamos isoladamente, mas sim como uma rede", disse ela.

Atualmente, Talitha Kum está presente em 14 países da América Latina e em 77 países ao redor do mundo, segundo a freira.

Todo dia 8 de fevereiro, a Igreja promove o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Seres Humanos, iniciativa que busca conscientizar e promover ações concretas contra esse crime que, como disse a irmã Ana María, continua crescendo e afetando especialmente os mais vulneráveis.

“Acreditamos que ainda há muito trabalho a ser feito na área de prevenção e educação, para que não nos coloquemos em situações de risco que nos levem a cair nesse crime”, concluiu.

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