sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Americanos fogem para o Canadá em busca de status de refugiados enquanto os números aumentam drasticamente

Enquanto a elite americana busca cada vez mais vistos "dourados" ao redor do mundo , outros buscam "status de refugiado" mais perto de casa.

O Conselho de Imigração e Refugiados do Canadá divulgou dados destacando um aumento no número de americanos se mudando para a Terra da Folha de Bordo.

Os dados, divulgados na quinta-feira, revelaram que mais americanos solicitaram status de refugiado no Canadá no primeiro semestre de 2025 do que em todo o ano de 2024, informou a Reuters.

Houve 245 pedidos de refúgio até agora neste ano, com 204 pedidos registrados no ano passado.

Os 245 americanos que se inscreveram superaram os números de cada ano completo anterior desde 2019, de acordo com a Reuters.

Embora os dados não especifiquem os motivos pelos quais os americanos buscam o status de refugiado, muitos relatórios sugerem divergências políticas com o governo Trump .

O professor de filosofia de Yale, Jason Stanley, por exemplo, disse ao Financial Times (FT) que aceitou um cargo na Universidade de Toronto e citou preocupações com a liberdade acadêmica.

"Acredito nos valores da liberdade acadêmica e na defesa das instituições democráticas... Não na ideia de que a resposta adequada aos autoritários é se esconder e torcer para não ser o próximo", disse Stanley.

Os historiadores Timothy Snyder e Marci Shore também aceitaram cargos na Universidade de Toronto, de acordo com o FT.

Às vésperas da eleição presidencial de 2024, várias celebridades divulgaram seus planos de se mudar caso o presidente Trump fosse reeleito. 

Sharon Stone, Cher e Barbra Streisand ameaçaram se mudar, informou anteriormente a Fox News Digital. 

Streisand disse uma vez que não seria capaz de "viver neste país se ele se tornasse presidente", enquanto Stone disse que ela "certamente estava considerando uma casa na Itália".

David Lesperance, um advogado que representa famílias com patrimônio líquido ultra-alto, disse à Axios que está vendo pessoas se mudando para o Reino Unido

"Grande parte do movimento que estamos vendo agora de americanos se mudando... seria de pessoas que não querem viver na América de Trump", disse Lesperance.

Mohamed Bennis, vice-presidente associado da Arton Capital, residente no Canadá, conversou anteriormente com a Fox News Digital sobre o aumento dos vistos "dourados".

família viajando

Os países mais populares para vistos "dourados" incluem Malta, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Portugal.  (iStock)

Divisões políticas, disse Bennis, influenciaram os americanos ricos a ponderar suas opções.

Eles não estão necessariamente mudando suas residências principais, mas podem estar  adquirindo a liberdade  de ter outra opção. 

Ele disse que Malta, Emirados Árabes Unidos (EAU)  e Portugal  estão se tornando cada vez mais populares para americanos que buscam residência ou cidadania por meio de investimento.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Mudança climática pode levar 5,9 milhões de crianças e jovens à pobreza na AL

 

Unicef/Giacomo Pirozzi
 

Criança que vive na região da Amzônia no Brasil

O impacto das mudanças climáticas pode lançar 5,9 milhões de crianças, adolescentes e jovens da América Latina e do Caribe na pobreza até 2030. Foram analisados 18 países incluindo o Brasil.

O alerta consta de um relatório da Comissão Econômica da ONU para a região, Cepal, e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Nordeste do Brasil

O estudo inclui áreas críticas que estão expostas aos efeitos negativos da mudança do clima como o nordeste do Brasil, partes do Cone Sul e o chamado “corredor seco” da América Central.

Se nada for feito para mitigar as emissões de gases que causam o efeito estufa e a falta de financiamento climático, o número irá triplicar chegando a 17,9 milhões de crianças e jovens. O estudo inclui todas as pessoas com menos de 25 anos de idade.

A maior preocupação dos governos da região deve ser com priorizar serviços sociais e de resiliência climática para crianças.

Inundações no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Muitos dos bairros mais afetados abrigavam refugiados
Acnur/Daniel Marenco
 
Inundações no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Muitos dos bairros mais afetados abrigavam refugiados

Perdas e danos

O relatório “O Impacto das Mudanças Climáticas na Pobreza Infantil e Juvenil na América Latina" foi divulgado na Cidade do Panamá, nesta quinta-feira, analisando os efeitos de eventos climáticos extremos no aumento dos níveis de pobreza entre crianças, adolescentes e jovens, vítimas de perdas e danos causados pelo clima.

O documento ressalta que essa faixa etária é a que mais sofre com os efeitos da mudança do clima. Esses eventos afetam não somente a parte física de crianças, adolescentes e jovens, mas também os fazem mais vulneráveis a fenômenos extremos como furacões, secas, inundações ondas de calor, frio extremo.

Além disso, prejudicam os meios de subsistência, acesso à educação e causam outros problemas.

O diretor regional do Unicef na América Latina e Caribe, Roberto Benes, lembra que se as crianças não tiverem os recursos dos quais necessitam para se desenvolver, as desigualdades irão se perpetuar.

Primeiros anos de vida

Um outro fator de desigualdade é a falha do financiamento climático em priorizar serviços de saúde, nutrição, água e saneamento que ajudam os menores a desenvolver sua cognição.

Em toda a região, apenas 3,4% do financiamento climático multilateral é dedicado às crianças.

A Cepal e o Unicef recomendam aos governos que protejam os menores com foco especial nos mil primeiros dias de vida, aumentando ações que priorizem as crianças em todas as idades.

Além do Brasil aparecem na lista Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador e El Salvador.  A relação inclui República Dominicana, Honduras, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Uruguai, Peru e Venezuela.

A Cepal afirma que 95% de toda a população de todos os 33 Estados-membros da agência vive nessas nações.

Povos indígenas, como esta menina da comunidade K'iche' na Guatemala, contribuem com seus conhecimentos para combater as mudanças climáticas
Unicef/Anderson Flores
 
Povos indígenas, como esta menina da comunidade K'iche' na Guatemala, contribuem com seus conhecimentos para combater as mudanças climáticas

Educação ambiental nas escolas

Segundo o Unicef, 55 milhões de crianças podem estar expostas à escassez de água na América Latina e no Caribe. 60 milhões a ciclones; e 45 milhões a ondas de calor.

O relatório também fomenta uma maior conscientização climática, com educação e autonomia dos jovens, bem como a inclusão da educação ambiental em currículos escolares e programas educativos.


https://news.un.org/


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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Projeto da UFSM/FW investiga estratégias de comunicação em saúde para migrantes e refugiados

 


O projeto de pesquisa “Comunicação organizacional e campanhas de saúde pública: perspectivas para o diálogo e a inclusão” é coordenado pelo professor Rafael Foletto, do Departamento de Ciências de Comunicação do Campus da UFSM em Frederico Westphalen (UFSM/FW). A iniciativa tem como objetivo investigar e analisar indicadores de avaliação de práticas comunicativas de sucesso, em ações de saúde pública de atenção e cuidado com migrantes e refugiados que chegam ao Brasil. Nesse sentido, busca-se construir um panorama amplo de dados relativos a essas atividades, para projetar estratégias e para solucionar lacunas existentes nas políticas de atenção à saúde, em consonância com as demandas dessas pessoas em vulnerabilidade social. 

A pesquisa pretende oferecer subsídios para o desenvolvimento de cursos e capacitações voltados a gestores e profissionais de saúde, além de propor metodologias aplicáveis em larga escala para o fortalecimento de ações junto a migrantes e refugiados. Também estão previstas publicações acadêmicas que possam contribuir para ampliar a discussão sobre a interface entre comunicação e saúde pública. 

Neste semestre, o projeto segue com a proposta de analisar materiais comunicacionais no âmbito de saúde pública. Além disso, o projeto foi contemplado com bolsas de Iniciação Científica (Ações Afirmativas) pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), e também pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neabi) e Observatório de Direitos Humanos (ODH). As bolsas são destinadas para alunos cotistas e que estejam em programas específicos para refugiados, além de imigrantes, indígenas e quilombolas. Alunos integrantes do projeto também o apresentaram no Intercom Sul 2025, que ocorreu no mês de julho em Chapecó.

Texto: Divisão de Divulgação Institucional da UFSM/FW

https://www.ufsm.br/

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sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Como a opinião pública pode influenciar as políticas de migração

 A opinião pública parece ter um efeito particular quando se trata de políticas sociais relacionadas à migração.


De dezembro de 2003 a dezembro de 2005, representei os Estados Unidos como um dos 19 comissários da Comissão Global sobre Migração Internacional, reportando-me às Nações Unidas. Durante meu mandato, visitamos cinco continentes em busca das causas do fenômeno migratório global.

Poucos elementos em comum foram encontrados, exceto que, em todos os continentes, o efeito da opinião pública formada pela mídia parecia ditar as políticas públicas adotadas pelos governos. Por que existe uma relação tão íntima entre a opinião pública e as políticas migratórias de um governo? Parece que os funcionários públicos são muito sensíveis à percepção do público sobre como implementam as leis e regulamentos relativos à migração.

Hoje em dia, a opinião pública é geralmente formada pela mídia em todas as suas formas, e qualquer representação negativa das questões migratórias parece afetar a opinião pública de maneira especial.

Isso foi verificado no mês passado, quando houve uma mudança drástica na opinião pública em relação ao programa de deportação em massa do atual governo.

Uma pesquisa Gallup divulgada no mês passado revelou que apenas 30% dos americanos são a favor de uma redução na imigração, uma queda em relação aos 55% de apenas um ano atrás. Um número recorde de 79% considera a imigração boa para o país, e o apoio à construção do muro na fronteira e à deportação em massa diminuiu. Essas mudanças revertem uma tendência de quatro anos de crescentes preocupações com a imigração que precedeu o novo governo.

O que precipitou essa mudança na opinião pública? Parece que a cobertura da mídia sobre a detenção de migrantes, como se estivessem pastoreando gado, somada aos esforços de grupos de direitos humanos que se manifestaram pacificamente, causou essa mudança na opinião pública. Os

cidadãos americanos não estão acostumados a ver agentes do ICE e militares do Exército dos EUA envolvidos em esforços massivos de deportação. De alguma forma, isso parece antiamericano e nos lembra das táticas brutais de regimes autoritários.

A atitude pública em relação à deportação de estrangeiros criminosos permaneceu inalterada. Ainda assim, há agora uma maior simpatia por oferecer aos trabalhadores indocumentados de longa data um caminho para a cidadania e pela legalização daqueles trazidos como menores.

A fiscalização no local de trabalho também influenciou as opiniões, já que as batidas policiais representam riscos à segurança tanto para os agentes de segurança quanto para os migrantes, levando a confusões, ferimentos e, como confirmado no mês passado, até mesmo uma morte.

Houve também uma mudança na atitude do presidente Donald Trump em relação aos setores afetados pela deportação de trabalhadores essenciais.

O presidente já insinuou que aqueles que trabalham em fazendas, se autorizados pelos proprietários, poderão permanecer. No entanto, não houve prosseguimento nesse sentido. Além disso, ele insinuou que trabalhadores da indústria hoteleira e outros trabalhadores iniciantes necessários, como os da indústria frigorífica, receberiam consideração especial.

É certamente claro que não estamos lidando apenas com a questão da migração, mas também com uma questão de mercado de trabalho. Os cargos de nível básico que não são aceitáveis ​​para a maioria dos trabalhadores americanos são muito importantes para nossa economia e bem-estar. Profissionais de saúde, e em particular profissionais de assistência domiciliar, são cargos de nível básico que são significativamente preenchidos por imigrantes, especialmente por indocumentados.

A história de nossa nação tem sido marcada por imigrantes que preenchem ocupações necessárias, em grande parte evitadas por outros, para dar a seus filhos uma forte chance de perseguir o Sonho Americano.

Seria interessante se pudéssemos identificar os cargos de nível básico ocupados por nossos antepassados ​​imigrantes. Eu, pessoalmente, tenho a sorte de conhecer os cargos de nível básico dos meus quatro avós, todos imigrantes da Itália antes das restrições de 1924 à migração do Sul e do Leste Europeu. Tenho até algumas fotos dos seus locais de trabalho.

Meu avô paterno trabalhava em uma fábrica de bonecas Kewpie em Newark, Nova Jersey, e a foto dele naquela fábrica mostra um jovem emaciado. Minha avó paterna e sua irmã trabalhavam em uma fábrica de lenços, onde eram obrigadas a usar uniformes muito elegantes. Meu avô materno trabalhava em uma fábrica de botões e materiais de costura, onde acabou se tornando capataz.

Talvez o mais interessante seja minha avó materna, que era uma camponesa na Itália, cujo primeiro emprego nos Estados Unidos foi enrolar charutos na vitrine de uma tabacaria em Newark.

Se ao menos conhecêssemos e apreciássemos nossas próprias histórias de imigrantes, poderíamos ter uma compreensão muito diferente dos migrantes de hoje.

Existem soluções melhores para a situação atual do que deportações em massa. Precisamos de trabalhadores imigrantes em início de carreira no mercado de trabalho para preencher vagas essenciais, o que sempre foi o estilo de vida americano. No entanto, nossas leis de imigração não acompanharam nossas necessidades de mão de obra. No entanto, nunca foi o estilo de vida americano tratar nossos trabalhadores com desdém e tratamento desumano, pelo menos nos últimos tempos.

Esperamos que o governo compreenda isso e tome providências para legalizar os trabalhadores indocumentados, o que não apenas os ajudaria, mas também atenderia aos melhores interesses da nação.

Por Bispo Nicholas DiMarzio, OSV News

https://news.diocesetucson.org/

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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Desafios pastorais da migração são debatidos na Costa Rica

 


A migração é um dos fenômenos sociais mais impactantes do século XXI, e a Igreja Católica na América Latina tem se mobilizado para enfrentar os desafios que essa realidade impõe. De 18 a 22 de agosto, a Costa Rica sedia a XII Reunião Regional dos Bispos e Agentes da Pastoral da Mobilidade Humana da América do Norte, Central e Caribe. O encontro é um espaço para discutir a complexidade do fenômeno migratório na região e os grandes desafios pastorais que a Igreja enfrenta nesse contexto.

A importância do encontro para a Igreja e a sociedade

Realizada na Escola Social Juan XXIII, em Dulce Nome de la União, a reunião reúne bispos, especialistas e delegados de diversas Conferências Episcopais que dedicam suas atividades à promoção e proteção dos direitos de migrantes, refugiados, pessoas em situação de rua e vítimas de tráfico de pessoas. Entre os participantes, destacam-se o cardeal Fabio Baggio, subsecretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, e o cardeal Álvaro Ramazzini, presidente da Rede Eclesial Latino-Americana e Caribenha CLAMOR, ligada ao Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM).

O impacto da migração na região

Durante o encontro, o bispo auxiliar de San José e presidente do Observatório Sociopastoral da Mobilidade Humana da América Central e do Caribe (OSMECA), Daniel Blanco, ressaltou: “Neste momento, há irmãos e irmãs que estão deixando sua terra natal e suas famílias em busca de um futuro melhor. A migração é uma realidade que nós, cristãos, não podemos ignorar”. Ele enfatizou a necessidade de um compromisso ativo em favor das dignidades dos migrantes, reconhecendo-os como filhos e filhas de Deus.

A participação de delegados de diversos países, como Canadá, Estados Unidos, México e vários da América Central e Caribe, é fundamental. O encontro proporciona uma troca de experiências, visões e práticas entre aqueles que lidam com a questão da migração, permitindo que as vozes dos migrantes sejam ouvidas e respeitadas.

Reflexões sobre a Carta Pastoral

Um dos pontos centrais da reunião é a reflexão em torno da Carta Pastoral intitulada “Ele o viu, aproximou-se e cuidou dele”, publicada pelo Secretariado Episcopal da América Central (SEDAC). A carta propõe que, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, a Igreja encontre caminhos para responder de forma pastoral aos desafios atuais que os migrantes enfrentam.

Dom Blanco afirmou que o encontro “será uma oportunidade para compartilharmos experiências e ouvirmos testemunhos, reforçando nosso compromisso”. A OSMECA, que trabalha para fortalecer a resposta das Igrejas locais ao fenômeno migratório, é uma referência importante para o desenvolvimento de processos de conscientização e intervenções regionais sobre questões migratórias.

A resposta da Igreja e o apelo à comunidade

A OSMECA foi criada há cerca de cinco anos com o objetivo de reunir esforços em um contexto regional, buscando também compartilhar conhecimento e iniciativas que promovam ações concretas em benefício das pessoas em situação de mobilidade. Atualmente, a rede se destaca em consonância com o apelo do Papa Francisco para combater a “globalização da indiferença”.

Ao final da reunião, Dom Blanco fez um apelo à comunidade eclesial para que se una em oração e se informe sobre essa crise de mobilidade: “Rezemos para que nossas decisões e ações comuniquem o amor de Deus e nos tornem mais sensíveis ao sofrimento de nossos irmãos e irmãs migrantes”.

Essa reunião é um passo fundamental para a Igreja, sendo um espaço de acolhimento, reflexão e ação. A mobilidade humana deve ser vista não apenas como um desafio, mas também como uma oportunidade de solidariedade e transformação social, onde o amor e a dignidade humana prevalece.

Para mais informações, acesse a reportagem completa através deste link.

https://diario.dopovo.com.br

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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Refúgio humanitário para palestinos no Brasil é uma questão urgente

 

Foto Divulgação

Por Alice Murad (*) - "O refúgio é uma proteção legal internacional. A Lei nº 9.474/97 determina como essa proteção é aplicada e como se reconhece a condição de refugiado no Brasil.

Essa proteção específica é necessária porque a vida dos refugiados ou sua integridade física correm risco

"Essa é a diferença mais marcante entre os estrangeiros que são reconhecidos como refugiados e os outros estrangeiros que vivem no Brasil. Para estes, é aplicada a Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017)."

O texto acima é do governo brasileiro, porém os palestinos que se encontram sob o genocídio na Faixa de Gaza não têm ainda regulamentação para pedir refúgio humanitário no nosso país. 

É por essa razão na falha do vácuo das nossas leis que nós estamos dispostos a criar uma comissão de discussão para uma nova política pública do governo brasileiro a fim de que por decreto presidencial os palestinos que quiserem vir para o Brasil e não tiverem relação familiar com alguém daqui que possibilite a vinda por "reunião familiar" possam ter a chance de salvarem suas vidas com o apoio do nosso país. 

Esse é um apelo que fazemos a toda a comunidade brasileira que se constrange com o genocídio em Gaza e com a perseguição do povo palestino com bombas sionistas. 

O Brasil tem legislação que ampara o refúgio humanitário, o Brasil tem lei de imigração, o Brasil é um país que abraça os povos independentemente de suas origens ou credos. Somos conhecidos mundialmente por sermos um povo que acolhe. 

Junte-se a nós nesse processo de criação da legislação necessária e suficiente para que o refúgio humanitário aos palestinos se torne uma realidade. 

Este processo é urgente! Gaza está sendo ocupada pelo exército de Israel, está sendo bombardeada dia e noite, a alimentação é pouca e muito cara, o serviço de saúde de gás está em total colapso e existem muitas famílias palestinas que querem sair desse inferno. 

Junte-se a nós nessa discussão. 

(*) do Grupo Refúgio Humanitário Palestina - São Paulo

https://www.brasil247.com/

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sábado, 16 de agosto de 2025

Paraguai e Estados Unidos firmam acordo sobre imigrantes irregulares

 

Rubén Ramírez Lezcano (Paraguai), Marco Rubio (EUA) e Troy Edgar (EUA), durante a assinatura do acordo em Washington. Foto: Gentileza/Ministério das Relações Exteriores do Paraguai

Paraguai e Estados Unidos firmaram, nessa quinta-feira (14), o chamado Acordo de Terceiro País Seguro (STCA, na sigla em inglês). O documento trata de questões relacionadas à imigração irregular e aos pedidos de proteção e asilo.

Rubén Ramírez Lezcano, ministro das Relações Exteriores do Paraguai, viajou à capital dos Estados Unidos, Washington, para a assinatura do acordo.

A oficialização ocorreu com a presença do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio, e do subsecretário de Segurança Nacional, Troy Edgar.

Segundo as informações divulgadas pela imprensa de Assunção, o acordo permitirá que solicitantes de asilo ou proteção, atualmente nos Estados Unidos, aguardem a resposta no Paraguai.

A iniciativa envolve entidades como a Comissão Nacional para Apátridas e Refugiados (Conare), pelo lado do Paraguai. Pelo lado estadunidense, os departamentos de Estado e Segurança Nacional estarão encarregados da agenda.

Conforme Marco Rubio, a cooperação com o Paraguai demonstra “uma aliança e uma amizade muito forte que existe entre nossos países, governos e povos”.

“Estamos aqui para colocar por escrito nossa cooperação sobre a imigração irregular, ilegal, que pode causar um problema de segurança nacional para os dois países”, assegurou.

Pelo convênio ora firmado, Paraguai e Estados Unidos intensificarão o “intercâmbio de informação e o fortalecimento de capacidades institucionais para melhorar e agilizar a avaliação de solicitações de proteção internacional”.

De acordo com o chanceler Ramírez, o Paraguai está disponível para trabalhar de forma conjunta não apenas na área da imigração.

“Podemos trabalhar também em segurança, na área do comércio, nos investimentos. Tudo isso representa a agenda bilateral que temos e que fica diversificada com essa forte aliança”, afirmou o chefe da diplomacia paraguaia.

https://www.h2foz.com.br/

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Politicas desumanas nas Américas deixam milhares de pessoas em perigo


Profissional de MSF conversa com criança em um abrigo na cidade de Matamoros, no México. Junho de 2025. © Christian Zetina/MSF

 Nos primeiros seis meses de mandato, o atual governo dos Estados Unidos (EUA) implementou a política migratória mais restritiva e desumanizante dos últimos anos, abandonando milhares de pessoas que buscavam asilo no país e deixando-as em situação de perigo no México e na América Central, segundo novo relatório de Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Leia aqui em inglês o relatório “Indesejados: o devastador impacto humano das mudanças nas políticas migratórias nos Estados Unidos, México e América Central”

O documento destaca como as políticas e a retórica do governo dos EUA, que criminalizam a migração, repercutiram em toda a América Latina. MSF apela a todos os governos das Américas para que renunciem às táticas de restrição e abandono e, em vez disso, implementem políticas humanitárias que garantam o acesso ao asilo, aos cuidados médicos e à proteção ao longo do corredor migratório latino-americano.

Essas políticas tiveram um impacto devastador no bem-estar das pessoas que buscam segurança.”

Franking Frías, coordenador de operações de MSF no México e na América Central

“Essas políticas, combinadas com a redução drástica da ajuda e da presença humanitária ao longo da rota migratória, tiveram um impacto devastador no bem-estar das pessoas que buscam segurança”, afirma Franking Frías, coordenador de operações de MSF no México e na América Central.

“Esse sofrimento é deliberadamente invisibilizado, ocultado pela narrativa imprecisa de que a migração parou. Mas todos os dias vemos as consequências em pacientes que vivem com ferimentos não tratados, traumas causados por violência sexual e graves problemas de saúde mental que tornam a vida cotidiana impossível.”

Lançado nesta terça-feira, o relatório “Indesejados: o devastador impacto humano das mudanças nas políticas migratórias nos Estados Unidos, México e América Central” (leia aqui em inglês) mostra como as recentes mudanças nas políticas minaram o direito de buscar proteção e deixaram muitos migrantes e solicitantes de asilo sem nenhum lugar seguro para onde ir, presos em um ciclo de violência física, emocional e institucional.

O relatório baseia-se na análise de dados médicos de MSF e em entrevistas com pacientes de várias nacionalidades em diferentes estágios da migração, além de profissionais de MSF que trabalham ao longo da rota migratória no Panamá, Honduras, Guatemala e México.

Equipes de promoção da saúde de MSF prestam apoio a pessoas que aguardam para embarcar no trem na cidade de Coatzacoalcos, no sul do México. Novembro de 2024 © Yotibel Moreno/MSF

Fechando as portas para a busca de asilo

Desde o final de janeiro, o governo dos EUA fechou as principais vias para solicitação de asilo e proteção, incluindo o encerramento do aplicativo CBP One e do programa de liberdade condicional humanitária. Além disso, reforçou a segurança na fronteira com o México e deportou pessoas em condições de vulnerabilidade, incluindo deportações com uso de algemas, envio de deportados para outros países e separação de famílias.

Fomos vítimas de golpes, dos cartéis, fomos enganadas, estamos traumatizadas.”

Relato de uma migrante hondurenha em Reynosa, no norte do México

“Nos sentimos abandonados e desprotegidos”, diz uma mulher hondurenha que não consegue sair de Reynosa, no norte do México. “Nunca quisemos entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Pedimos benevolência para casos como o meu: mães que esperam há muito tempo com seus filhos, querendo dar a eles uma vida melhor. Já passamos por um processo; já tínhamos um direito. Fomos vítimas de golpes, dos cartéis, fomos enganadas, estamos traumatizadas.” A mulher havia marcado uma consulta pelo CBP One para três dias depois que o aplicativo foi desativado e todas as consultas foram canceladas.

Além disso, vários países ao longo do corredor migratório latino-americano também reforçaram as medidas de dissuasão. Agentes de segurança e autoridades migratórias na região deportaram migrantes à força, restringiram a circulação de pessoas e destruíram acampamentos onde pessoas sem lugar para ir estavam se abrigando. Também fecharam postos de acolhimento de migrantes, dispersaram aglomerações em espaços públicos, realizaram batidas policiais, detiveram pessoas arbitrariamente, aumentaram o patrulhamento e reduziram o acesso a procedimentos burocráticos, incluindo processos de asilo.

Presos em um ciclo de violência

“Ficamos em cativeiro por 60 dias”, diz um homem venezuelano retido em Ciudad Juárez, no norte do México. “[Os criminosos] me bateram na cabeça, arrancaram um dente e colocaram uma arma na minha boca para tirar fotos e ligar para um dos meus filhos nos Estados Unidos. Meu filho e meu genro pagaram o resgate e fomos libertados. O plano era ir para os Estados Unidos. O resto da minha família está lá esperando por nós. Mas com este governo americano, não sabemos o que fazer.”

Carmen López, coordenadora de atividades de saúde de MSF, conta a história de um paciente venezuelano que ela atendeu na Guatemala. O homem e seu filho foram deportados no início deste ano dos EUA, apesar de terem entrado pelo CBP One: “Primeiro, eles foram mantidos em um centro de detenção nos Estados Unidos por cerca de 20 dias. Mais tarde, foram deportados para o México. Durante a transferência para as autoridades mexicanas, sua mochila com itens pessoais e economias foi roubada”, relata.

“Eles foram deixados em Villahermosa [uma cidade no sudeste do México]. Tiveram que iniciar seu retorno [à Venezuela] sem dinheiro. Ele estava muito frustrado porque havia passado pelo processo legal e, no final, tudo tinha sido uma mentira”, conta Carmen.

Migrar foi uma decisão urgente para salvar nossas vidas.”

– Migrante salvadorenha no México

Para muitos, voltar ao país não é uma opção, seja por falta de recursos financeiros ou por medo do que deixaram para trás – como as crises políticas e econômicas na Venezuela ou em Cuba, a violência generalizada no Haiti, os conflitos nas regiões periféricas da Colômbia ou as ameaças de grupos criminosos e a falta de oportunidades no Equador e em outros países da América Central.

“Nos deram um ultimato de 24 horas para pagar uma quantia que não tínhamos”, diz uma mulher salvadorenha em Tapachula, no sul do México. “Migrar não foi uma escolha política nem uma busca por melhores oportunidades econômicas. Foi uma decisão urgente para salvar nossas vidas.”

Com a busca por asilo na fronteira sul dos Estados Unidos agora quase impossível, dezenas de milhares de pessoas estão vendo o México como a única alternativa. Mas as equipes de MSF testemunham como os procedimentos de asilo no México se tornaram mais demorados e complexos em várias cidades.

Paralelamente, a violência perpetrada por grupos do crime organizado e outros atores continua alarmante, incluindo sequestros, extorsões, roubos, violência sexual e exploração laboral. “A violência é muito mais evidente agora”, diz Ricardo Santiago, que coordenou os projetos de MSF no norte e no sul do México. “Antes, devido ao grande número de pessoas em movimento, algumas eram poupadas, enquanto hoje a maioria das pessoas com quem conversei foram vítimas de violência. Não há como escapar.”

 

O impacto emocional da incerteza

As equipes de MSF na região, particularmente no México, têm observado um aumento nas necessidades psicológicas dos pacientes e uma alta proporção de pessoas com graves problemas de saúde mental, apesar da redução das atividades médicas desde a desaceleração dos fluxos migratórios.

Nos últimos anos, muitos pacientes têm apresentado uma necessidade evidente de apoio à saúde mental devido à violência recorrente sofrida e às condições precárias de vida enfrentadas ao longo da rota migratória. Mas, além dessas experiências, as pessoas agora enfrentam a incerteza provocada pelas drásticas e numerosas mudanças políticas, que provocam desespero quando percebem que tudo o que passaram para chegar aos EUA foi em vão.

“Os sintomas estão cada vez mais intensos”, diz Lucía Samayoa, coordenadora do projeto MSF em Tapachula. “Eles estão vivendo sob muita pressão e estresse. Muitas pessoas precisam de tratamento farmacológico, com um processo terapêutico mais estruturado e prolongado.”

Além disso, os migrantes e solicitantes de asilo retidos têm se dispersado, tornando-se mais invisíveis devido ao medo de serem processados, detidos e deportados num ambiente estigmatizante, no qual são repetidamente rotulados como criminosos.

“Hoje, os migrantes estão menos acessíveis e o sistema humanitário não está preparado para responder de forma eficaz a suas vulnerabilidades e necessidades complexas”, diz Frías. “Por trás de cada política, há um impacto real sobre pessoas: sobreviventes de tortura, famílias que fogem do perigo e crianças que atravessam fronteiras sozinhas. Sua saúde, segurança e dignidade são obrigações legais e morais. Todos os governos da região devem agir agora para proteger – e não punir – quem busca segurança e para criar caminhos seguros para a imigração.”

Entre janeiro de 2024 e maio de 2025, as equipes de MSF realizaram mais de 90 mil consultas de saúde primária e 11.850 consultas de saúde sexual e reprodutiva, trataram quase 3 mil sobreviventes de violência sexual e realizaram cerca de 17 mil consultas individuais de saúde mental – a maioria resultante de violência – a pessoas em movimento no México, Guatemala, Honduras, Costa Rica e Panamá.

https://www.msf.org.br/

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