terça-feira, 28 de maio de 2019

Itália: especialistas condenam projeto de lei para multar quem resgata migrantes e refugiados no mar

Barcos com migrantes na costa da Itália. Foto: Marinha italiana/M. Sestini
Barcos com migrantes na costa da Itália. Foto: Marinha italiana/M. Sestini
Especialistas das Nações Unidas em direitos humanos condenaram em maio (20) uma proposta de decreto do ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, para multar pessoas que resgatam migrantes e refugiados no mar.
Em carta formal ao governo da Itália, os especialistas independentes pediram a retirada do projeto e afirmaram que “o direito à vida e o princípio de não devolução devem prevalecer sobre a legislação nacional ou outras medidas supostamente adotadas em nome da segurança nacional”.
Mais cedo neste mês, Salvini anunciou um projeto de lei que multaria embarcações por cada pessoa resgatada no mar e levada para o território italiano. Barcos de organizações não governamentais e de outras organizações que resgatarem migrantes também podem ter suas licenças revogadas ou suspensas.
“Instamos as autoridades a parar de colocar em perigo as vidas de migrantes, incluindo solicitantes de refúgio e vítimas do tráfico de pessoas, ao invocar a luta contra contrabandistas. Esta abordagem é enganosa e não está em linha tanto com o direito internacional geral quanto com o direito internacional de direitos humanos”, disseram.
“Em vez disso, políticas migratórias restritivas contribuem para exacerbar as vulnerabilidades de migrantes e só servem para ampliar o tráfico de pessoas.”
Os especialistas da ONU disseram que, se a proposta entrar em vigor, irá prejudicar seriamente os direitos de migrantes, incluindo solicitantes de refúgio, assim como vítimas de tortura, de tráfico de pessoas e de outros sérios abusos de direitos humanos. A proposta de decreto ainda precisa ser aprovada pelo governo.
Eles também pediram a suspensão de duas diretrizes anteriores que impedem embarcações de ONGs que resgataram migrantes das costas da Líbia de acessarem portos italianos. A segunda diretriz, em particular, atingiu o navio italiano Mare Jonio por ajudar pessoas que estavam no mar.
Declarar que portos líbios são “capazes de fornecer assistência logística e médica adequada para migrantes” é especialmente alarmante, disseram os especialistas. Relatos indicam que membros da guarda costeira da Líbia cometeram múltiplas violações de direitos humanos, incluindo conluio com redes de traficantes de pessoas, além de afundamento deliberado de embarcações.
Segundo os especialistas, quaisquer medidas contra agentes humanitários devem ser cessadas.
“Estamos profundamente preocupados com as acusações apresentadas contra a embarcação Mare Jonio, que não foram confirmadas por quaisquer autoridades judiciais competentes. Acreditamos que isto representa mais uma tentativa política de criminalizar agentes humanitários que fornecem serviços vitais, indispensáveis para proteger a vida e a dignidade de pessoas.”
De acordo com os especialistas, autoridades italianas fracassaram em considerar diversas normas internacionais, como o artigo 98 da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, que aborda o dever de ajudar qualquer pessoa em perigo no mar.
“O Artigo 98 é considerado lei consuetudinária. Aplica-se a todas as zonas marítimas e todas as pessoas em apuros, sem discriminação, assim como todas as embarcações, incluindo navios particulares ou de ONGs sob uma bandeira de um Estado”, disseram.
Além disso, as diretrizes estigmatizam migrantes como “possíveis terroristas, traficantes e contrabandistas”, sem fornecer evidências para tal.
“Estamos preocupados que este tipo de retórica irá aumentar ainda mais o clima de ódio e xenofobia, como anteriormente destacado em outra carta, que o governo italiano ainda precisa responder.”
Os especialistas contataram o governo sobre suas preocupações e aguardam uma resposta. Uma cópia da carta também foi entregue à Líbia e à União Europeia.
Os especialistas independentes das Nações Unidas são: Felipe González Morales, relator especial sobre direitos humanos de migrantes; Nils Melzer, relator especial sobre tortura e outras formas de punições ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes; Maria Grazia Giammarinaro, relatora especial sobre tráfico de pessoas, especialmente mulheres e crianças; E. Tendayi Achiume, relatora especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerâncias relacionadas; Michel Forst, relator especial sobre a situação de defensores dos direitos humanos; Obiora C. Okafor, especialista independente sobre direitos humanos e solidariedade internacional.
Onu
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sábado, 25 de maio de 2019

Especialista defende plano de atração de imigrantes para repovoar interior


 Um especialista em Geografia e Direito defendeu este sábado que Portugal tem de conjugar políticas públicas de ordenamento do território com medidas de apoio à fixação de imigrantes para repovoar o interior português.
Luiz Ugeda, doutorado em Geografia e formado em Direito no Brasil, está a desenvolver na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra um outro doutoramento na área do ordenamento, procurando sinalizar como melhor distribuir recursos escassos, como a demografia, pelo território português, recapacitar o interior para absorver mão de obra e reverter o fluxo demográfico para as grandes cidades.
Para Luiz Ugeda, Portugal não vai conseguir atrair habitantes para o interior sem atrair novas pessoas para o país, pelo que uma solução para repovoar o interior de Portugal — atualmente a enfrentar uma grave crise demográfica — poderá ser a criação de políticas migratórias, aproveitando os emigrantes da América do Sul, especialmente brasileiros e venezuelanos, que, por diversas razões, pretendem imigrar para Portugal.
“Hoje existe uma imigração de brasileiros qualificada. Não é mais o que vem buscar baixos salários para se integrar na base da sociedade. Esse também continua a vir, mas vêm brasileiros mais qualificados. Na diáspora do Brasil, há descendentes de japoneses que estão a regressar ao Japão, há quem busque os EUA e o Canadá, e há também um volume considerável que tem optado por Portugal”, afirmou.
Para isso, seriam precisas políticas de atração e fixação desses imigrantes em locais do interior, para evitar que se fixem em Lisboa e no Porto, cidades onde já há saturação demográfica.
“O centro desta preocupação é casar demografia com uma política pública de ordenamento do território. É casar política imigratória e usar essa política imigratória como vetor para o reordenamento do território. É isso que temos estudado e acreditamos que os mapas têm uma função importante nisso”, disse o investigador.
Entre as possíveis medidas que poderão ser discutidas, sugere vantagens a quem se estabeleça nestes territórios, “no sentido tributário ou na educação”, e “até facilitar a nacionalidade pode ser um incentivo, desde que o imigrante fique numa determinada região ou município”.
“Se Portugal, que tem uma política pública que atrai fundos europeus para desenvolver o território, fizer uma política de atração dessa mão de obra que hoje está a ser oferecida no mundo e conseguir fazer a comunicação para essa mão de obra se fixar na interioridade, mostrando como funcionam os fundos europeus, mostrando o que pode ser feito, parece-me um caminho interessante”, considerou.
Ugeda considerou que “não seria desproporcional pensar numa emigração de um milhão de brasileiros para Portugal”, tendo em conta que representariam 16% da população portuguesa, a mesma proporção de emigrantes portugueses no Luxemburgo.
“O Brasil tem mão de obra para isso. E qualificada. (…) A questão é quão rápido Portugal vai ser capaz de entender que isso pode ser uma janela de oportunidade, porque, em dado momento, ela vai-se fechar”, concluiu.
Observador
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Acolhida aos migrantes, “uma ação profética para nosso estado”, afirma Dom Mário Antônio da Silva

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Uma corrente de xenofobia parece ter se instalado na sociedade mundial. Os discursos de alguns políticos cada vez têm mais repercussão numa sociedade que vai endurecendo seu coração. Frente a essa atitude o Papa Francisco nos diz, “que o medo não nos impeça de acolher”.
A reportagem é de Luis Miguel Modino.
Esse chamado tem encontrado uma resposta clara na diocese de Roraima, que tem se tornado mãe para os milhares de refugiados que tem chegado desde a vizinha Venezuela. Só na paróquia de Pacaraima, na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, chegam cada dia 1.500 venezuelanos esperando receber o café da manhã, para muitos seu único alimento ao longo da jornada.
Podemos dizer que o contexto migratório faz da sociedade uma realidade diferente, como reconhece Dom Mário Antônio da Silva. Diante desse fenômeno, o bispo de Roraimafaz um chamado a “disseminar o verdadeiro amor, que nos move e vai ao encontro das pessoas”. A Igreja católica em Roraima tem se tornado “uma ação profética para nosso estado”, afirma Dom Mário Antônio. Essa atitude encontra rejeição em boa parte da classe política local, assim como dentro da própria Igreja católica, onde tem gente que não compreende essa atitude da diocese e mostra resistência.
O trabalho desenvolvido por pastorais, organismos, congregações religiosas que trabalham na diocese de Roraima lhes mostra como “líderes de uma ação eclesial”, afirma seu bispo, reconhecendo nesse trabalho “uma ação com incidência política e social”, que faz de todos os envolvidos e da própria diocese, sal, luz e fermento, revelando “verdadeiras páginas vivas do Evangelho”, insiste Dom Mário Antônio. Ele, seguindo a mensagem do Papa Francisco, diz que deve ser garantido o direito de migrar com liberdade, uma realidade cada vez mais difícil numa sociedade onde o próprio sistema prende os migrantes, lhes impedindo se libertar das correntes que os amarram.
Algumas das pessoas que trabalham na acolhida aos migrantes e refugiados na diocese de Roraima, reconhecem que os migrantes os ajudaram a se abrir como Igreja, a sair dos templos, das próprias estruturas. Isso se traduz em um atendimento que se diversifica de múltiplas formas e que tem como objetivo final a interiorização dos migrantes venezuelanos no Brasil, a través do projeto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, “Caminhos de Solidariedade”, que tem ajudado a milhares de pessoas nos últimos meses.
Falar de migrantes tem que nos levar a descobrir a história de pessoas, de rostos concretos, de vidas, muitas vezes machucadas, exploradas por gente sem escrúpulo que se aproveita da necessidade alheia. Cada pessoa que consegue se estabelecer, representa uma vitória de todos os envolvidos, de tantos voluntários e voluntárias que tenderam sua mão ao irmão migrante.
Como reconhece Dom Mário Antônio da Silva, o trabalho com os migrantes apresenta desafios para a igreja de Roraima. Um deles é a articulação entre os diferentes atores desse trabalho, mas que é difícil, pois “a cada dia surge uma nova emergência, é difícil estabelecer um processo”.
No trabalho de conscientização eclesial e social, a Semana do Migrante tem um papel em destaque. Em 2019, na sua 34ª edição, que vai ser celebrada de 16 a 23 de junho, tem como tema, em relação com a Campanha da Fraternidade, “Migração e Políticas Públicas”. Lembrando as palavras do Papa Francisco, faz um chamado a “Acolher, proteger, promover, integrar e celebrar. A luta é todo dia!”. A Semana tem como propósito refletir a partir do rosto, raiz, rotas e respostas. Os migrantes são pessoas concretas, que passam por essa situação a partir de causas comuns, que entram num esquema que segue suas rotas.
Tudo isso precisa de respostas da sociedade e da própria Igreja. É por isso, que podemos dizer que a diocese de Roraima tem se tornado uma referência no trabalho com os migrantes, mostrando que acima do medo, as incompreensões e resistências, a misericórdia tem que ser a atitude a seguir, fazendo assim realidade o Evangelho da vida, sempre atento ao excluído, àquele que a sociedade descarta.
Unisinos
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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Haitiano busca nas aulas de francês uma forma sustentar a família em Jaraguá do Sul


Louis saiu do Haiti buscando melhores oportunidades para a família. | Foto: Eduardo Montecino/OCP News
Louis saiu do Haiti buscando melhores oportunidades para a família. | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

Encontrar espaço no mercado de trabalho local tem sido um dos grandes desafios para os imigrantes haitianos. Até mesmo para quem está há um bom tempo em Jaraguá do Sul, chances para demonstrar habilidades e capacidades são raras.

Fugindo da pobreza e buscando oportunidades melhores para a família após o terremoto que destruiu o Haiti, François Louis, 40 anos, deixou a terra natal em 2013 para vir para o Brasil. As barreiras foram muitas.

"A gente se adapta, mas o problema é que não conseguimos encaixar num emprego facilmente, tem que lutar bastante antes que Deus abra a porta para a gente", lamenta o haitiano.

Demitido de uma empresa têxtil em janeiro desde ano, Louis buscou no francês, um de seus idiomas nativos, a oportunidade para garantir a renda de sua família.

"Eu tinha planos de dar aula de francês faz tempo, mas como não consegui uma sala para a começar fiquei com esse projeto parado", conta ele.

Ainda com poucos alunos, Louis espera aumentar quantidade de aulas | Foto Eduardo Montecino/OCP News

A oportunidade surgiu com uma escola de línguas, que buscava um professor e chegou até Louis.

"Sentamos, conversamos e resolvemos tentar. Ainda tenho poucos alunos mas começamos a pouco tempo", diz o agora professor.

Falta de confiança e reconhecimento é dificuldade

Ensinar não tem sido difícil para Louis, já que ele ainda se apropria do domínio da língua portuguesa. Ele procura passar seu conhecimento de forma gradual para os alunos.
Para Louis, a maior dificuldade que enfrenta no Brasil é a falta de confiança do povo em relação aos haitianos. A maioria dos imigrantes vindos do país possuem curso superior, mas não são reconhecidos.
"A maior parte dos haitianos que estão no país tem conhecimento, ensino superior. Estudaram engenharia, direito, só que as pessoas pensam que a gente não tem nada de conhecimento" lamenta.

Ele era estudante de engenharia florestal na República Dominicana, quando o terremoto em 2010 o forçou a sair do país, faltando ainda um ano para o fim do curso.

Vontade de ficar

Se entre 2015 e 2016 cerca de 600 haitianos viviam na cidade, com a crise que abateu o Brasil e as demissões, muitos foram embora. De acordo com Louis, hoje são cerca de 100 morando em Jaraguá do Sul.

Pensando na família, ele diz que não tem a intenção de sair da cidade, mas no futuro, caso as alternativas não deem certo, a mudança não é descartada. Mas no momento ele continua resiliente.

"Como a gente está em família é bem difícil ficar correndo daqui pra lá. Assim pode ficar fazendo isso o resto da vida, correndo daqui pra lá sem resolver nada", finaliza.

OcpNews

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Embaixador britânico visita iniciativas do UNFPA de atendimento a refugiados venezuelanos

Em visita a Boa Vista (RR) esta semana, o embaixador britânico no Brasil, Vijay Rangarajan, conheceu as atividades do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no atendimento a pessoas refugiadas venezuelanas que chegam ao país. O embaixador observou também projetos implementados em Pacaraima, cidade localizada na fronteira com a Venezuela.
A visita foi realizada em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e acompanhada pelo representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal. Rangarajan foi à base da Operação Acolhida — iniciativa coordenada pelas Forças Armadas —, ao Posto de Triagem e ao BV-8, alojamento temporário na fronteira.
A comitiva também foi recebida pelo diretor-geral do Hospital Estadual Délio Tupinambá, Alshelldson de Jesus, que falou sobre o atendimento das pessoas venezuelanas. Também houve visita ao Posto Avançado de Saúde da Operação Acolhida, onde o UNFPA oferece apoio técnico nas questões referentes à saúde sexual e reprodutiva.
A Operação Acolhida conta com três fases: Ordenamento de Fronteira, Acolhimento e Interiorização. Em Pacaraima, o comandante do Ordenamento de Fronteira, coronel Antônio Vamilton, explicou ao embaixador como são feitos os procedimentos de recepção e identificação das pessoas que cruzam a fronteira, com apoio de órgãos do governo federal. Um dos trabalhos destacados foi o da Defensoria Pública da União (DPU), que oferece orientação jurídica.
Em contextos humanitários, o UNFPA é responsável por garantir ações em saúde sexual e reprodutiva, bem como prevenir e oferecer respostas para a violência sexual e de gênero, e está presente em Roraima desde 2017.
Em Pacaraima, no Posto de Triagem, o UNFPA mantém o Espaço Amigável, uma área segura com salas reservadas onde mulheres, mulheres grávidas, lactantes, pessoas vivendo com HIV, pessoas idosas ou com deficiência, pessoas LGBTI, entre outras com necessidades específicas, são acolhidas.
O grupo também assistiu à apresentação do coral Canarinhos da Amazônia, formado por crianças venezuelanas migrantes e refugiadas. A iniciativa é da Associação Cultural Canarinhos da Amazônia, uma organização sem fins lucrativos que promove ações solidárias na região.
“É importante destacar projetos como esse, porque promovem os vínculos com a comunidade local e fortalecem a resiliência comunitária para que as pessoas consigam seguir em frente. Esse projeto também oferece um espaço seguro para as mães das crianças”, destacou Jaime Nadal.
“Trabalho conjunto é a única solução para esta crise. Tenho orgulho em ver a sociedade civil e organizações internacionais somando esforços. Assim vamos atingir excelentes resultados”, disse Rangarajan.
Outro projeto apresentado ao embaixador foi o recém-lançado Telecom Sem Fronteiras, realizado pelo UNFPA em parceria com o ACNUR e com recursos da União Europeia (UE).
Em um local cedido pela Pastoral do Migrante, coordenada pelo Padre Jesus de Bobadilla, pessoas venezuelanas podem fazer ligações telefônicas gratuitas. “Desta forma, não ficam desamparadas, podem criar vínculos ou mesmo localizar parentes no Brasil”, observou Nadal.
Onu
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quinta-feira, 23 de maio de 2019

CEPAL apresenta ao México plano de desenvolvimento para abordar causas da migração

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresentou na segunda-feira (20) na Cidade do México um plano de desenvolvimento integral para El Salvador, Guatemala, Honduras e México, com o objetivo de abordar as causas da migração de cidadãos desses quatro países. A cerimônia foi liderada pelo presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e pela secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.
“Como foi dito de forma muito clara, com fundamentos, com dados, as pessoas migram por necessidade, por falta de oportunidades de trabalho ou por violência e é necessário abordar essas causas, é necessário ir na origem do que está provocando esse fenômeno migratório”, disse o presidente mexicano na ocasião.
Alicia Bárcena destacou que o plano é uma oportunidade para estreitar os laços históricos entre os países participantes, além de localizar a análise e as políticas migratórias no amplo contexto do desenvolvimento. O objetivo é que, mediante sociedades mais justas, igualitárias e sustentáveis, a migração seja uma opção e não a única saída disponível.
Da direita para a esquerda, Marcelo Ebrard, secretário de Relações Exteriores do México; Andrés Manuel López Obrador, presidente mexicano; Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL; e Maximiliano Reyes, subsecretário para América Latina e Caribe da Secretaria de Relações Exteriores do México. Foto: CEPAL.
Da direita para a esquerda, Marcelo Ebrard, secretário de Relações Exteriores do México; Andrés Manuel López Obrador, presidente mexicano; Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL; e Maximiliano Reyes, subsecretário para América Latina e Caribe da Secretaria de Relações Exteriores do México. Foto: CEPAL.
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresentou na segunda-feira (20) na Cidade do México um plano de desenvolvimento integral para El Salvador, Guatemala, Honduras e México, com o objetivo de abordar as causas da migração de cidadãos desses quatro países. A cerimônia foi liderada pelo presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e pela secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.
A proposta deriva do mandato que a CEPAL recebeu em dezembro pelos presidentes desses países para elaborar um Plano de Desenvolvimento Integral com o propósito de formular um diagnóstico e fazer recomendações para avançar rumo a um novo estilo de desenvolvimento e gerar um novo olhar sobre a complexidade dos processos migratórios.
A apresentação foi feita em cerimônia realizada no Palácio Nacional, da qual também participaram o secretário de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard; o subsecretário para a América Latina e o Caribe, Maximiliano Reyes; o embaixador de El Salvador no México, Juan Ramón Carlos Cáceres; da Guatemala, Nelson Olivero; e de Honduras, Alden Rivera. Participaram também os representantes do México em El Salvador, Ricardo Cantú; da Guatemala, Romeo Ruiz, e de Honduras, David Jiménez.
Durante a cerimônia, o presidente mexicano afirmou que o plano será “muito importante para o México e para os países irmãos da América Central para que se aprofundem” no tema da migração.
“Como foi dito de forma muito clara, com fundamentos, com dados, as pessoas migram por necessidade, por falta de oportunidades de trabalho ou por violência e é necessário abordar essas causas, é necessário ir na origem do que está provocando esse fenômeno migratório”, assinalou.
O presidente mexicano acrescentou que não há somente cooperação para o desenvolvimento, e destacou que, com a implementação da iniciativa, “vamos atender as causas do fenômeno migratório e moderar os fluxos migratórios com tudo o que isso implica, para que as pessoas não sofram, para que sejam respeitados os direitos humanos”.
Alicia Bárcena destacou que o plano é uma oportunidade para estreitar os laços históricos entre os países participantes, além de localizar a análise e as políticas migratórias no amplo contexto do desenvolvimento. O objetivo é que, mediante sociedades mais justas, igualitárias e sustentáveis, a migração seja uma opção e não a única saída disponível.
A alta funcionária das Nações Unidas afirmou que o objetivo do plano é gerar um processo integral e articulado de desenvolvimento com igualdade e sustentabilidade no centro. A meta é melhorar a qualidade de vida da população e adotar uma abordagem de integração territorial, adotando o conceito de segurança humana e colocando o direito ao desenvolvimento no lugar de origem no centro dos esforços.
O documento estratégico propõe aos países uma mudança de visão ao abordar a mobilidade como um assunto de segurança humana que abrange os direitos humanos, a segurança pública e a defesa e condições de vida para as pessoas. Tal visão substitui a abordagem somente pelo ponto de vista da segurança do Estado ou da segurança nacional.
“Essa iniciativa é, até hoje, o esforço mais abrangente em escala mundial para dar cumprimento ao Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, e constitui uma extraordinária oportunidade para construir a partir da região um novo estilo de desenvolvimento com a igualdade e a sustentabilidade”, afirmou a secretária-executiva da CEPAL.
O Plano de Desenvolvimento Integral faz 30 recomendações derivadas de quatro eixos programáticos acordados pelos quatro países: desenvolvimento econômico, bem-estar social, sustentabilidade ambiental e gestão de riscos, além de gestão integral do ciclo migratório com segurança humana.
As recomendações visam alcançar um maior e sustentado crescimento econômico; reforçar a demanda de integração dos quatro países no comércio, energia e logística; gerenciar conjuntamente os riscos e respostas aos desastres e à mudança climática; avançar na construção de sistemas universais de proteção social; e abordar as causas estruturais e os efeitos da mobilidade humana. O propósito é impulsionar um novo estilo de desenvolvimento que acelere os resultados estabelecidos na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Cepal
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Quinta morte na fronteira EUA-México agrava divisões sobre leis de imigração

Mais de 300 mil pessoas foram detidas entre Janeiro e Abril quando tentavam entrar nos EUA sem documentos
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Mais de 300 mil pessoas foram detidas entre Janeiro e Abril quando tentavam entrar nos EUA sem documentosREUTERS/LOREN ELLIOTT

A morte de um adolescente da Guatemala num centro de detenção norte-americano, na fronteira entre o México e os EUA, relançou esta semana a troca de acusações entre o Presidente Donald Trump e o Partido Democrata sobre as leis anti-imigração.

Carlos Gregorio Hernandez Vásquez, de 16 anos, chegou sozinho à fronteira entre o México e os EUA no dia 13 de Maio. Foi detido e levado para o centro de triagem de McAllen, no estado do Texas, onde deveria aguardar o desenrolar do seu processo.

De acordo com o protocolo, os menores devem ser transferidos para um abrigo dos Serviços de Saúde até 72 horas depois da detenção, mas Carlos Vásquez ficou em McAllen nos seis dias 
seguintes.

No último domingo, o adolescente guatemalteco foi diagnosticado com gripe. Depois de medicado, foi levado para o centro da guarda fronteiriça de Weslaco, a cerca de 20 km – segundo as autoridades, o objectivo era conter a propagação do vírus.

Foi encontrado sem vida na segunda-feira, sem que tenha sido ainda revelada a causa da morte.

Esta é a quinta morte nos últimos seis meses em centros de detenção norte-americanos ao longo da fronteira com o México, numa altura em que se assiste a um aumento do número de pessoas que tentam entrar nos EUA sem documentos, muitas delas mulheres e crianças em busca de asilo – entre Janeiro e Abril, foram detidas mais de 300 mil pessoas.

O congressista do Texas Joaquin Castro, do Partido Democrata, denunciou o que diz ser “uma epidemia de morte” na zona da fronteira, e culpou as políticas anti-imigração do Presidente Donald Trump.

“Ninguém morreu [nos centros de detenção] nos últimos dez anos. E, de repente, nos últimos seis meses, tivemos cinco mortes”, disse Castro numa conferência de imprensa. “Estão a esconder do povo americano a verdade sobre estas atrocidades.”

Publico.
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terça-feira, 21 de maio de 2019

11º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão recebe inscrições até 5 de julho


Até o dia 5 de julho de 2019, estudantes de jornalismo de todo o país poderão inscrever propostas de pauta no 11º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão - uma iniciativa do Instituto Vladimir Herzog  que estimula a apresentação de pautas e o exercício da reportagem entre estudantes de jornalismo de todo o país.
 
Nesta edição, os trabalhos deverão abordar como tema A face humana dos movimentos imigratórios e de refúgio e seus reflexos na sociedade brasileira
 
 
As inscrições serão aceitas no site www.jovemjornalista.org.br  e o processo permite inscrição individual ou em duplas. Todas as propostas de pauta deverão contar, obrigatoriamente, com a participação de um professor-orientador vinculado à instituição de ensino dos participantes.  
 
A 11ª edição do Prêmio Jovem Jornalista conta com a parceria estratégica da Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e da OBORÉ, apoio institucional da Periferia em Movimento, Tucarena e patrocínio da Petrobrás.   

Seleção 
O processo seletivo será realizado em duas etapas. Na primeira será observada a compatibilidade dos trabalhos aos temas estabelecidos no regulamento com avaliação qualitativa das propostas. Na segunda, a Comissão Julgadora escolherá três propostas de pauta a partir dos critérios de relevância, criatividade e execução. As pautas selecionadas serão anunciadas em 5 de agosto.   

Desenvolvimento da pauta
As equipes selecionadas deverão produzir suas reportagens entre os meses de agosto e outubro de 2019, sob a orientação do professor e de um jornalista mentor indicado pelo Instituto Vladimir Herzog. A matéria final deverá ser entregue até o dia 16 de outubro

Diplomação
A entrega dos diplomas e troféus às equipes vencedoras será no dia 24 de outubro de 2019, em São Paulo, durante a Roda de Conversa com os vencedores do 41º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.  
 
Calendário 2019     
  • Inscrições | 13 de maio a 5 de julho
  • Divulgação pautas vencedoras | 5 de agosto
  • Entrega da matéria finalizada + resumo executivo | Até 16 de outubro
  • Diplomação das equipes | 24 de outubro
 
 
Regulamento e Inscrições:
www.jovemjornalista.org.br
 
Para mais informações:
Instituto Vladimir Herzog
Tel 55 11 2894.6650
jovemjornalista@vladimirherzog.org

Obore
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