sábado, 26 de janeiro de 2019

ONU defende que segurança nacional não justifica recusa de refugiados

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Esta declaração surge numa altura em que existe a possibilidade dos Estados Unidos começarem hoje a devolver às autoridades mexicanas migrantes oriundos de países da América Central que conseguiram chegar à fronteira sul do território norte-americano.
"Muitas das pessoas que chegaram à fronteira sul dos Estados Unidos fogem da violência que ameaça as suas vidas ou de perseguição e precisam de proteção internacional", afirmou, numa conferência de imprensa, a porta-voz do ACNUR, Liz Throssell.
A agência da ONU para os refugiados espera, segundo frisou a representante, que "todos os países garantam que qualquer pessoa que necessite de proteção como refugiado possa chegar a um lugar seguro e que o seu pedido de asilo seja analisado".
Os Estados Unidos anunciaram que irão devolver alguns requerentes de asilo ao México enquanto espera que a justiça analise e resolva os casos destes migrantes, uma nova estratégia que, segundo a imprensa norte-americana, pode começar a ser aplicada durante o dia de hoje.
As autoridades norte-americanas argumentam que pretendem reduzir desta forma os casos de "asilo fraudulento", uma vez que existem migrantes, segundo Washington, que dizem que vão requerer asilo, mas que depois não apresentam um pedido ou desaparecem antes que um juiz dos serviços de migração determine a validade do pedido.
Nas últimas semanas, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem dado uma atenção prioritária à chegada de requerentes de asilo no âmbito das designadas caravanas de migrantes, compostas por milhares de pessoas oriundas de vários países da América Central, como Honduras, El Salvador, Guatemala ou Nicarágua.
Cerca de 10.000 migrantes esperam atualmente entrar no México junto à fronteira com a Guatemala.
Na semana passada, cerca de 2.000 pessoas entraram no território mexicano, ignorando o pedido das autoridades de imigração mexicanas para aguardarem na fronteira com a Guatemala até à entrega de um documento que certifique a sua passagem por razões humanitárias.
Ao longo dos últimos meses, grandes grupos de migrantes oriundos de países da América Central têm percorrido centenas de quilómetros, muitos deles a pé, em direção à fronteira dos Estados Unidos.
Fugir da miséria, da violência de grupos criminosos organizados e alcançar o 'sonho americano' são as principais motivações destas pessoas.
Diário de Noticias 
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Papa diz que medo de imigrantes pode deixar pessoas loucas

Papa Francisco durante entrevista coletiva no avião que o leva ao Panamá
23/01/2019 Vatican Media via REUTERS

O papa Francisco sugeriu nesta quarta-feira que a hostilidade contra imigrantes é motivada por medos irracionais, à medida que segue para a América Central, de onde muitos imigrantes saem a caminho dos Estados Unidos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao Congresso 5,7 bilhões de dólares para construir um muro ao longo da fronteira do país com o México, para impedir a entrada de imigrantes --uma demanda rejeitada por democratas que levou à paralisação parcial do governo norte-americano.

Um dos repórteres viajando com o papa para o Panamá disse ao pontífice que havia visto recentemente uma barreira elaborada para conter imigrantes que se estendia pelo oceano Pacífico em San Diego, na ponta oeste da fronteira dos EUA com o México, e a descreveu como uma "loucura".

"O medo nos deixa loucos", respondeu Francisco.

A imigração deve ser um dos temas principais da visita de seis dias do papa ao Panamá. Enfatizando o foco do pontífice na questão, Francisco se reuniu com oito refugiados que vivem em Roma antes de ir para o aeroporto.

A viagem ao Panamá entre os dias 23 e 28 de janeiro para celebrar a Jornada Mundial da Juventude é a primeira viagem ao exterior do papa em 2019.

O papa de 82 anos também deve visitar os Emirados Árabes Unidos, o Marrocos, a Bulgária, a Macedônia e a Romênia este ano e disse que uma visita ao Japão também está prevista.

"Eu vou ao Japão em novembro. Se preparem", disse a repórteres a bordo do avião.

Francisco disse que também gostaria de visitar o Iraque, mas que foi advertido de que seria muito perigoso.

No ano passado, uma autoridade do Vaticano disse que o papa Francisco consideraria a possibilidade de fazer uma viagem sem precedentes à Coreia do Norte. Ele disse que tal viagem demandaria "séria preparação" e que não houve nenhum sinal de pode acontecer em breve.

Terra
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Bolsonaro se alinha a grupo anti-imigração da União Europeia

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O presidente Jair Bolsonaro se alinha com o grupo anti-imigração da Europa e afirma compartilhar das mesmas opiniões de governos de extrema-direita do Leste Europeu. No último dia de viagem do brasileiro em Davos, ele recebeu líderes de governos que têm causado polêmica por rejeitar a entrada de estrangeiros em seus territórios.
Depois de uma reunião com o presidente brasileiro, o primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babis, insistiu que ele e Bolsonaro "compartilham das mesmas ideias sobre imigração". Na Europa, Babis tem sido alvo de duros ataques por sua posição, considerada até mesmo xenófoba por parte da UE e de outros líderes.
Ele é um dos líderes do Grupo de Visegrad (V4), formado por Polônia, Hungria e Eslováquia, além da República Tcheca. O bloco tem se oposto a qualquer abertura para receber estrangeiros, inclusive refugiados sírios.
Babis avalia que o Bolsonaro é da mesma opinião e quer o brasileiro na cúpula do grupo, no segundo semestre do ano, em Praga. "Trocamos impressões sobre migração e temos a mesma opinião. No V4, em especial eu e Viktor Orbán (chefe de governo húngaro), estamos lutando na Europa contra a imigração ilegal", disse.
"Não é possível que os contrabandistas decidam quem entra na Europa. Temos a menor taxa de desemprego. Todos os que vêm à República Tcheca para trabalhar ou estudar têm uma autorização prévia para fazer isso. Todos os que chegam ilegalmente à Europa temos que recusar", insistiu.
"Não é possível dizer que agora nós vamos salvar o planeta e que todos podem vir à Europa. Temos que dizer a essas pessoas que, na maioria das vezes, vêm da África (...) temos que ajudar essas pessoas em seus respectivos países. Investir em educação e estamos fazendo isso", justificou. Segundo ele, a Europa já tem seus problemas, como o Brexit, a relação com os EUA e as sanções com a Rússia.
Para ele, portanto, o grupo e o Brasil podem cooperar "no Conselho de Segurança da ONU ou em outros fóruns, e sobre imigração".
Numa nota à imprensa, o Planalto confirmou o diálogo. "Os dois líderes concordaram em ter um maior controle sobre as regras de imigração para respeitar as particularidades de cada País". Bolsonaro "classificou sua ida a Davos essencial para mostrar ao mundo que o País está mudando".
O presidente da Polônia, Andrzej Duda, também se reuniu com o brasileiro e indicou que acredita que Bolsonaro compartilhe os "mesmos valores" de seu governo. Duda é criticado duramente pela UE por violações no quase refere à separação de Poderes e criou polêmica ao passar uma lei em que passa a ser proibido dizer que houve cumplicidade da Polônia durante o Holocausto.
Segundo ele, há um interesse por parte de Varsóvia por uma ampliação do comércio com o Brasil e um acordo para evitar bitributação. Os outros europeus também sinalizaram que querem ampliar o comércio com o País, em especial no setor de defesa.
(Jamil Chade, enviado especial, São Paulo)
Fonte: Estadão Conteúdo
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MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O LIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

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Queridos irmãos e irmãs!

Desde quando se tornou possível dispor da internet, a Igreja tem sempre procurado que o seu uso sirva o encontro das pessoas e a solidariedade entre todos. Com esta Mensagem, gostaria de vos convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão.
As metáforas da «rede» e da «comunidade»
Hoje, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas numerosos especialistas, a propósito das profundas transformações impressas pela tecnologia às lógicas da produção, circulação e fruição dos conteúdos, destacam também os riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica à escala global. Se é verdade que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito.
É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos. As estatísticas relativas aos mais jovens revelam que um em cada quatro adolescentes está envolvido em episódios de cyberbullying.[1]
Na complexidade deste cenário, pode ser útil voltar a refletir sobre a metáfora da rede, colocada inicialmente como fundamento da internet para ajudar a descobrir as suas potencialidades positivas. A figura da rede convida-nos a refletir sobre a multiplicidade de percursos e nós que, na falta de um centro, uma estrutura de tipo hierárquico, uma organização de tipo vertical, asseguram a sua consistência. A rede funciona graças à comparticipação de todos os elementos.
Reconduzida à dimensão antropológica, a metáfora da rede lembra outra figura densa de significados: a comunidade. Uma comunidade é tanto mais forte quando mais for coesa e solidária, animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos compartilháveis. Como rede solidária, a comunidade requer a escuta recíproca e o diálogo, baseado no uso responsável da linguagem.
No cenário atual, salta aos olhos de todos como a comunidade de redes sociais não seja, automaticamente, sinónimo de comunidade. No melhor dos casos, tais comunidades conseguem dar provas de coesão e solidariedade, mas frequentemente permanecem agregados apenas indivíduos que se reconhecem em torno de interesses ou argumentos caraterizados por vínculos frágeis. Além disso, na social web, muitas vezes a identidade funda-se na contraposição ao outro, à pessoa estranha ao grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito (étnico, sexual, religioso, e outros). Esta tendência alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo, torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo.
A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas pode também agravar o nosso autoisolamento, como uma teia de aranha capaz de capturar. Os adolescentes é que estão mais expostos à ilusão de que a social web possa satisfazê-los completamente a nível relacional, até se chegar ao perigoso fenómeno dos jovens «eremitas sociais», que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade. Esta dinâmica dramática manifesta uma grave rutura no tecido relacional da sociedade, uma laceração que não podemos ignorar.
Esta realidade multiforme e insidiosa coloca várias questões de caráter ético, social, jurídico, político, económico, e interpela também a Igreja. Enquanto cabe aos governos buscar as vias de regulamentação legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura, é responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da mesma.
Naturalmente não basta multiplicar as conexões, para ver crescer também a compreensão recíproca. Então, como reencontrar a verdadeira identidade comunitária na consciência da responsabilidade que temos uns para com os outros inclusive na rede on-line?
«Somos membros uns dos outros»
Pode-se esboçar uma resposta a partir duma terceira metáfora – o corpo e os membros – usada por São Paulo para falar da relação de reciprocidade entre as pessoas, fundada num organismo que as une. «Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros» (Ef 4, 25). O facto de sermos membros uns dos outros é a motivação profunda a que recorre o Apóstolo para exortar a despir-se da mentira e dizer a verdade: a obrigação de preservar a verdade nasce da exigência de não negar a mútua relação de comunhão. Com efeito, a verdade revela-se na comunhão; ao contrário, a mentira é recusa egoísta de reconhecer a própria pertença ao corpo; é recusa de se dar aos outros, perdendo assim o único caminho para se reencontrar a si mesmo.
A metáfora do corpo e dos membros leva-nos a refletir sobre a nossa identidade, que se funda sobre a comunhão e a alteridade. Como cristãos, todos nos reconhecemos como membros do único corpo cuja cabeça é Cristo. Isto ajuda-nos a não ver as pessoas como potenciais concorrentes, considerando os próprios inimigos como pessoas. Já não tenho necessidade do adversário para me autodefinir, porque o olhar de inclusão, que aprendemos de Cristo, faz-nos descobrir a alteridade de modo novo, ou seja, como parte integrante e condição da relação e da proximidade.
Uma tal capacidade de compreensão e comunicação entre as pessoas humanas tem o seu fundamento na comunhão de amor entre as Pessoas divinas. Deus não é Solidão, mas Comunhão; é Amor e, consequentemente, comunicação, porque o amor sempre comunica; antes, comunica-se a si mesmo para encontrar o outro. Para comunicar connosco e Se comunicar a nós, Deus adapta-Se à nossa linguagem, estabelecendo na história um verdadeiro e próprio diálogo com a humanidade (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, 2).
Em virtude de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, que é comunhão e comunicação-de-Si, trazemos sempre no coração a nostalgia de viver em comunhão, de pertencer a uma comunidade. Como afirma São Basílio, «nada é tão específico da nossa natureza como entrar em relação uns com os outros, ter necessidade uns dos outros».[2]
O panorama atual convida-nos, a todos nós, a investir nas relações, a afirmar – também na rede e através da rede – o caráter interpessoal da nossa humanidade. Por maior força de razão nós, cristãos, somos chamados a manifestar aquela comunhão que marca a nossa identidade de crentes. De facto, a própria fé é uma relação, um encontro; e nós, sob o impulso do amor de Deus, podemos comunicar, acolher e compreender o dom do outro e corresponder-lhe.
É precisamente a comunhão à imagem da Trindade que distingue a pessoa do indivíduo. Da fé num Deus que é Trindade, segue-se que, para ser eu mesmo, preciso do outro. Só sou verdadeiramente humano, verdadeiramente pessoal, se me relacionar com os outros. Com efeito, o termo pessoa conota o ser humano como «rosto», voltado para o outro, comprometido com os outros. A nossa vida cresce em humanidade passando do caráter individual ao caráter pessoal; o caminho autêntico de humanização vai do indivíduo que sente o outro como rival para a pessoa que nele reconhece um companheiro de viagem.
Do «like» ao «amen»
A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso da social web é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro. Se a rede for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso.
Assim, podemos passar do diagnóstico à terapia: abrir o caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho... Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos [«like»], mas na verdade, no «amen»com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros.
Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2019.

Franciscus
Queridos irmãos e irmãs!

Desde quando se tornou possível dispor da internet, a Igreja tem sempre procurado que o seu uso sirva o encontro das pessoas e a solidariedade entre todos. Com esta Mensagem, gostaria de vos convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão.

As metáforas da «rede» e da «comunidade»

Hoje, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas numerosos especialistas, a propósito das profundas transformações impressas pela tecnologia às lógicas da produção, circulação e fruição dos conteúdos, destacam também os riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica à escala global. Se é verdade que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito.

É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos. As estatísticas relativas aos mais jovens revelam que um em cada quatro adolescentes está envolvido em episódios de cyberbullying.[1]
Na complexidade deste cenário, pode ser útil voltar a refletir sobre a metáfora da rede, colocada inicialmente como fundamento da internet para ajudar a descobrir as suas potencialidades positivas. A figura da rede convida-nos a refletir sobre a multiplicidade de percursos e nós que, na falta de um centro, uma estrutura de tipo hierárquico, uma organização de tipo vertical, asseguram a sua consistência. A rede funciona graças à comparticipação de todos os elementos.

Reconduzida à dimensão antropológica, a metáfora da rede lembra outra figura densa de significados: a comunidade. Uma comunidade é tanto mais forte quando mais for coesa e solidária, animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos compartilháveis. Como rede solidária, a comunidade requer a escuta recíproca e o diálogo, baseado no uso responsável da linguagem.

No cenário atual, salta aos olhos de todos como a comunidade de redes sociais não seja, automaticamente, sinónimo de comunidade. No melhor dos casos, tais comunidades conseguem dar provas de coesão e solidariedade, mas frequentemente permanecem agregados apenas indivíduos que se reconhecem em torno de interesses ou argumentos caraterizados por vínculos frágeis. Além disso, na social web, muitas vezes a identidade funda-se na contraposição ao outro, à pessoa estranha ao grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito (étnico, sexual, religioso, e outros). Esta tendência alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo, torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo.

A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas pode também agravar o nosso autoisolamento, como uma teia de aranha capaz de capturar. Os adolescentes é que estão mais expostos à ilusão de que a social web possa satisfazê-los completamente a nível relacional, até se chegar ao perigoso fenómeno dos jovens «eremitas sociais», que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade. Esta dinâmica dramática manifesta uma grave rutura no tecido relacional da sociedade, uma laceração que não podemos ignorar.
Esta realidade multiforme e insidiosa coloca várias questões de caráter ético, social, jurídico, político, económico, e interpela também a Igreja. Enquanto cabe aos governos buscar as vias de regulamentação legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura, é responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da mesma.

Naturalmente não basta multiplicar as conexões, para ver crescer também a compreensão recíproca. Então, como reencontrar a verdadeira identidade comunitária na consciência da responsabilidade que temos uns para com os outros inclusive na rede on-line?

«Somos membros uns dos outros»

Pode-se esboçar uma resposta a partir duma terceira metáfora – o corpo e os membros – usada por São Paulo para falar da relação de reciprocidade entre as pessoas, fundada num organismo que as une. «Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros» (Ef 4, 25). O facto de sermos membros uns dos outros é a motivação profunda a que recorre o Apóstolo para exortar a despir-se da mentira e dizer a verdade: a obrigação de preservar a verdade nasce da exigência de não negar a mútua relação de comunhão. Com efeito, a verdade revela-se na comunhão; ao contrário, a mentira é recusa egoísta de reconhecer a própria pertença ao corpo; é recusa de se dar aos outros, perdendo assim o único caminho para se reencontrar a si mesmo.
A metáfora do corpo e dos membros leva-nos a refletir sobre a nossa identidade, que se funda sobre a comunhão e a alteridade. Como cristãos, todos nos reconhecemos como membros do único corpo cuja cabeça é Cristo. Isto ajuda-nos a não ver as pessoas como potenciais concorrentes, considerando os próprios inimigos como pessoas. Já não tenho necessidade do adversário para me autodefinir, porque o olhar de inclusão, que aprendemos de Cristo, faz-nos descobrir a alteridade de modo novo, ou seja, como parte integrante e condição da relação e da proximidade.

Uma tal capacidade de compreensão e comunicação entre as pessoas humanas tem o seu fundamento na comunhão de amor entre as Pessoas divinas. Deus não é Solidão, mas Comunhão; é Amor e, consequentemente, comunicação, porque o amor sempre comunica; antes, comunica-se a si mesmo para encontrar o outro. Para comunicar connosco e Se comunicar a nós, Deus adapta-Se à nossa linguagem, estabelecendo na história um verdadeiro e próprio diálogo com a humanidade (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, 2).

Em virtude de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, que é comunhão e comunicação-de-Si, trazemos sempre no coração a nostalgia de viver em comunhão, de pertencer a uma comunidade. Como afirma São Basílio, «nada é tão específico da nossa natureza como entrar em relação uns com os outros, ter necessidade uns dos outros».[2]

O panorama atual convida-nos, a todos nós, a investir nas relações, a afirmar – também na rede e através da rede – o caráter interpessoal da nossa humanidade. Por maior força de razão nós, cristãos, somos chamados a manifestar aquela comunhão que marca a nossa identidade de crentes. De facto, a própria fé é uma relação, um encontro; e nós, sob o impulso do amor de Deus, podemos comunicar, acolher e compreender o dom do outro e corresponder-lhe.

É precisamente a comunhão à imagem da Trindade que distingue a pessoa do indivíduo. Da fé num Deus que é Trindade, segue-se que, para ser eu mesmo, preciso do outro. Só sou verdadeiramente humano, verdadeiramente pessoal, se me relacionar com os outros. Com efeito, o termo pessoa conota o ser humano como «rosto», voltado para o outro, comprometido com os outros. A nossa vida cresce em humanidade passando do caráter individual ao caráter pessoal; o caminho autêntico de humanização vai do indivíduo que sente o outro como rival para a pessoa que nele reconhece um companheiro de viagem.

Do «like» ao «amen»

A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso da social web é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro. Se a rede for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso.

Assim, podemos passar do diagnóstico à terapia: abrir o caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho... Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos [«like»], mas na verdade, no «amen»com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros.
Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2019.

Franciscus

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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

E agora, sem o Pacto Global sobre Migrações?

Imigrantes e refugiados venezuelanos, haitianos, palestinos e de outras nacionalidades organizaram um primeiro encontro para discutir seu futuro incerto após o governo brasileiro a saída do país do Pacto Global para uma Migração Segura, Regular e Ordenada.
Realizado na última quarta-feira, dia 16, o evento, que contou com a presença de representantes de diversas instituições da sociedade civil, discutiu a situação dos trabalhadores refugiados e imigrantes e a política do governo brasileiro para eles.
No primeiro momento, os imigrantes e refugiados explicaram a situação difícil em que viviam em seus países de origem, Haiti, Venezuela e Palestina, Peru e Síria. Entre os principais problemas vividos por eles estavam a fome, a guerra e os riscos à vida.
Quando chegaram aqui, sem falar português, eles não tinham ideia de onde morar nem de como encontrar trabalho, mas acreditaram que a vida seria melhor do que em seu país de origem.
Passaram muitas dificuldades, mas, sobretudo, sofreram com a xenofobia e o racismo. Hoje, a maioria dos imigrantes e refugiados vive com medo, e por isso muitos se calam diante de falta de respeito e violência que sofrem. Preferem se esconder, sofrem calados, pois temem o risco de serem deportados de volta ao seu país.
Esse medo é um dos fatores que tornam a organização deles mais difícil, uma vez que não conhecem as leis e não sabem que a eles também estão garantidos direitos, como o de se organizar e reivindicar um tratamento melhor por parte do Estado e mais respeito por parte dos brasileiros.
O evento teve um objetivo bem modesto: discutir a saída do Brasil do Pacto Migratório da ONU e fazer uma campanha para que o governo brasileiro voltasse a adotar o acordo não vinculativo, ou seja, sem força de lei e que, portanto, respeita a soberania do país na condução de uma política migratória, preferencialmente de base humanitária.
Essa ruptura em si pode mudar pouco, no que diz respeito à legislação e aos direitos dos imigrantes e refugiados, mas simboliza uma nova era e forma de lidar com a questão. A aproximação de Bolsonaro com Trump e Netanyahu, que tratam de forma excludente e com indiferença os latino-americanos e os palestinos, revela a preocupação com a ruptura do Pacto.
A luta pela participação do Brasil no Pacto Global sobre Migração pode parecer pouco frente às necessidades dos imigrantes e refugiados. No entanto, essa é uma primeira luta que pode aglutinar e fortalecer um movimento pelos direitos desses trabalhadores.
Esse primeiro encontro discutiu também a necessidade de mais atividades dessa natureza, com o propósito de ampliar o debate com os imigrantes e refugiados, levando a eles mais informações e esclarecimentos sobre seus direitos, inclusive de poder protestar.
Por último, o encontro reforçou a importância da solidariedade, da empatia e do apoio das entidades sociais, dos parlamentares, partidos políticos, artistas, intelectuais e de todos os brasileiros mais sensíveis a essa causa.
Uma nova plenária aberta será realizada no dia 3 de fevereiro, quando os refugiados e imigrantes buscarão formas de fortalecer o movimento e dar novos passos no caminho da busca por direitos, segurança e respeito.
Wilson Ribeiro 
DGN
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Corpos de imigrantes são encontrados enterrados como indigentes no Texas

Corpos de imigrantes são encontrados enterrados como indigentes no Texas
Os estudantes universitários se revezaram na remoção de cacos de ossos amarelados de uma trincheira entre as lápides do cemitério da cidade de Falfurrias (Texas). Os voluntários estavam no local para ajudar a exumar os restos de imigrantes não identificados que foram enterrados próximo do tem sido o trecho mais movimentado da fronteira usado para travessias ilegais nos últimos anos: o Vale do Rio Grande.
Os estudantes encontraram 15 corpos, mas provavelmente havia mais. "Eles apenas os enterraram onde quer que tivessem espaço", disse Kate Spradley, uma antropóloga da Universidade Estadual do Texas que liderou a equipe de cerca de 35 estudantes e vários professores.
Até recentemente, os enterros eram tratados por uma funerária local e os túmulos eram aleatórios e aparentemente selecionados, também, aleatoriamente.
Enquanto o número de famílias imigrantes que atravessam a fronteira para reivindicar asilo cresceu nos últimos anos, as travessias ilegais caíram significativamente, com menos pessoas tentando fugir da Patrulha da Fronteira.
No ano passado, a Patrulha da Fronteira capturou 396.579 imigrantes que cruzavam ilegalmente a região, o que significa uma queda de 44% em relação a uma década atrás. Enfrentando críticas por direcionar os imigrantes para rotas mais perigosas, a agência de imigração intensificou os esforços de resgate.
Esses fatores parecem ter levado a uma diminuição nas mortes de imigrantes. No ano passado, a Patrulha da Fronteira registrou 281 mortes ao longo de toda a fronteira, em comparação com 451, cinco anos antes, e 385 uma década atrás. No mês passado, 32 mortes haviam sido relatadas desde o início deste ano fiscal, em outubro do ano passado.
O número de corpos enterrados encontrados na região também diminuiu nos últimos anos, caindo de 129, em 2012, para 50 no ano passado. Mas, como os imigrantes eram frequentemente enterrados em sepulturas não marcadas nos cemitérios rurais do sul do Texas, os voluntários continuavam a exumar corpos enterrados anos atrás.
Falfurrias tem sido uma armadilha mortal para os imigrantes. Cerca de 70 milhas ao norte da fronteira, é o lar de um dos poucos postos de controle da Patrulha da Fronteira, obriga imigrantes a atravessar pelo Vale do Rio Grande. Contrabandistas deixam os imigrantes ao longo da rodovia ao sul do posto de controle, com promessas de buscá-los ao norte.
A Patrulha de Fronteira e os defensores dos imigrantes tentam ajudar os que ficaram presos na região, acrescentando balizas de resgate, estações de água e - mais recentemente - cartazes com coordenadas para ajudar a encontrar pessoas que ligam para o 911 para obter ajuda. Mas ao longo dos anos, muitos ainda se perderam, ficaram feridos ou desidrataram e morreram.
Como muitos dos 254 condados do Texas, Brooks County, onde Falfurrias está localizada, não tem um médico legista. Assim, durante anos, uma funerária local cuidou dos enterros até que o Centro de Direitos Humanos do Sul do Texas, sem fins lucrativos, e outros defensores pressionaram o estado a pagar pelos corpos que seriam levados ao médico-legista em Laredo para autópsia.
O médico legista submete amostras de ossos à Universidade do Norte do Texas para testes de DNA, e armazena corpos até que sejam identificados.
Dos 200 corpos, 31 foram identificados, metade através do banco de dados de DNA, metade trabalhando com defensores internacionais das famílias dos desaparecidos. Os imigrantes eram de El Salvador, Guatemala, México, Honduras, Equador e Nicarágua, disse Spradley. Os restos mortais são entregues às famílias para enterro com ajuda dos consulados locais.
Na semana passada, voluntários procuraram no cemitério possíveis locais de sepultamento, comparando registros do xerife, informações de jardineiros e moradores. Eles usaram um radar de penetração no solo para escanear os restos, provavelmente amarrados e enterrados na terra, peneirando cautelosamente a sujeira para encontrar até ossos pequenos.
"Isso está mandando alguém para casa, dando paz de espírito a sua família", disse Kim Wile, 39, uma veterana da Texas State University.
Mais de 60 pessoas contataram o Centro de Direitos Humanos do Sul do Texas no mês passado em busca de membros de suas famílias, a maioria homens mexicanos, alguns da Nicarágua, segundo o fundador Eddie Canales.
Alguns dos corpos foram enterrados em sacos de cadáveres rotulados em 2005. Outros tinham sido envolvidos em plástico já em decomposição. A professora espera voltar ao cemitério para novas pesquisas, dependendo do financiamento do estado, da Cruz Vermelha Americana, da Academia Americana de Ciências Forenses e de fundações privadas. "Mesmo que alguém não esteja procurando por essas pessoas agora, achamos que há uma geração de famílias que aprenderão sobre a tecnologia do DN e vão querer saber mais", finalizou Spradley.
Fonte: Redação Braziliantimes
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Imigrantes venezuelanos chegam em Porto Velho através do programa PANA

Nos dias 16 e 17 de janeiro chegaram a Porto Velho cerca de 104 imigrantes e refugiados venezuelanos que estavam em Boa Vista, Roraima. 
Imigrantes venezuelanos chegam em Porto Velho através do programa PANA 
Porto Velho, bem como mais seis capitais estaduais, faz parte do programa Pana, que é um projeto conjunto Cáritas Brasileira e Cáritas Suíça, com o apoio do Departamento de Estado para Imigrantes e Refugiados do Governo dos Estados Unidos. Visando a complementação do programa de interiorização aos imigrantes venezuelanos proposto pelo Governo Federal, com o intuito de distribuir os imigrantes e refugiados para a melhor supressão de necessidades dessas pessoas, visto que os equipamentos do estado de Roraima já se encontram saturados. 
A acolhida destes imigrantes ocorreu em dois momentos, o primeiro na quarta-feira (16) com a chegada de 56 pessoas, e na quinta-feira (17) quando chegaram mais 48. O deslocamento foi coordenado pelo Governo Federal por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). 
Nos dois dias a recepção aconteceu na Paróquia de São Cristóvão, depois de terem recebido o almoço na Base Aérea de Porto Velho. Aqui transmitiram-se as primeiras orientações, a apresentação da equipe do programa Pana e até um momento de descontração de voz e violão iniciado pela Irmã Celi (Educadora Social do programa Pana), e continuado pelo secretário municipal da Assistência Social e da Família, Claudir Rocha. A representante da Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, Fabiane Passarini também estava presente.
Todos os imigrantes que passaram no processo de triagem para viajar inscreveram-se de forma voluntária no programa, após já estarem regularizados junto à Polícia Federal, recebendo documentação como a Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM), Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e a Carteira de Trabalho, bem como todo o conjunto de vacinas obrigatórias no país.
Ainda no momento de recepção, houve fala de alguns imigrantes venezuelanos que já residem em Porto Velho pela livre demanda e que são voluntários da Cáritas.
Por fim os grupos organizaram-se e juntaram-se aos seus correspondentes motoristas e seguiram caminho até às suas novas casas. As famílias terão ainda acompanhamento psicossocial, oportunidade de qualificação profissional e atendimento jurídico, de modo a possibilitar que elas vivam em dignidade e retomem as principais atividades sociais e produtivas. 

Texto e Fotos: Patrícia Grenhas – Fotógrafa voluntária da Cáritas Porto Velho
Arquidiocesis de Porto Velho
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Marcha das Mulheres reúne milhares pelo mundo

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Centenas de milhares de mulheres foram às ruas neste sábado 19 em várias cidades da Europa e dos Estados Unidos protestar pela igualdade de direitos e contra a política do presidente dos EUA, Donald Trump. As manifestações marcaram o aniversário da primeira Marcha das Mulheres que reuniu 3 milhões de pessoas um dia após a posse do republicano em janeiro de 2017.
Na Europa, a Marcha das Mulheres foi realizada em Berlim, Roma, Viena e Londres, onde a concentração ocorreu no centro da cidade. Em Berlim, o protesto coincidiu com o centenário da introdução do voto feminino, que foi possível pela primeira vez em 19 de janeiro de 1919.
A manifestação na capital alemã reuniu milhares de mulheres. Além de defenderem seus direitos, as manifestantes criticaram a política migratória de Trump.
Nos Estados Unidos, as marchas estão marcadas para ocorrer em 350 cidades. O maior ato será em Washington. As organizadoras disseram que neste ano o protesto visa reivindicar o aumento do salário mínimo e ao acesso aos direitos reprodutivos e de saúde. Elas pretendem ainda mobilizar mulheres para votarem nas eleições presidenciais de 2020.
Em Nova York, as mulheres se reuniram próximo à ponte do Brooklyn. Em Washington, a concentração ocorreu na Praça da Liberdade, de onde as manifestantes partirão para o Hotel Trump Internacional. Muitas usavam um gorro cor-de-rosa em protesto contra os comentários sexista do presidente.
“Não gosto da direção que nosso país está indo e acho que podemos fazer bem melhor”, afirmou Sarah Sportman, de 40 anos, que foi a capital americana para protestar contra a política de Trump e em defesa da proteção ambiental e dos direitos de imigrantes.
As ativistas também disseram que o ato é uma chance de comemorar a vitória nas eleições de 2018, quando o número de mulheres eleitas para o Congresso americano bateu recorde, 131.
A primeira Marcha das Mulheres foi realizada em 2017, no dia seguinte a posse de Trump, e foi considerado o maior protesto em Washington desde a guerra do Vietnã. Neste ano, as organizadoras estimam que o evento deve reunir 500 mil pessoas.


O movimento, porém, foi dividido depois de controvérsias envolvendo as organizadoras. Uma das fundadoras acusou quatro líderes do grupo de antissemitismo. Elas negam as acusações. Após a divisão, em Nova York e Washington, lideranças judaicas realizaram marchas paralelas à original.
Carta Capital
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