quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

PF inicia 16ª fase da Operação Horizonte para facilitar documentação de migrantes vulneráveis em São Paulo

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Imagem ilustrativa

São Paulo/SP. A Polícia Federal em São Paulo iniciou, na última sexta-feira (9/1), a 16ª fase da Operação Horizonte, ação interagências que tem como objetivo ampliar o acesso à documentação para pessoas refugiadas, solicitantes de refúgio e migrantes em situação de vulnerabilidade, possibilitando que residam no Brasil de forma regular.

Assim como nas fases anteriores, a iniciativa conta com a atuação conjunta da Polícia Federal, do Centro de Integração da Cidadania do Imigrante (CIC do Imigrante) e das Agências da ONU para Refugiados (ACNUR) e para Migrações (OIM), além de instituições da sociedade civil que prestam atendimento gratuito, orientação e encaminhamento dos migrantes para atendimento na PF, com hora marcada.

A Operação Horizonte facilita o acesso aos seguintes serviços:

• Solicitação de Refúgio, renovação de protocolo, registro de refugiado reconhecido pelo CONARE e solicitação de carteira de DPRNM;

• Emissão de segunda via de CRNM (mediante apresentação de Boletim de Ocorrência de roubo/furto/extravio);

• Solicitação de Autorização de Residência e prorrogação de prazo para nacionais de países do Mercosul e Venezuela;

• Solicitações de Acolhida Humanitária e renovações de prazo para pessoas provenientes do Haiti, Senegal que possuíam processo de solicitação de refúgio, República Dominicana, Afeganistão e Ucrânia;

• Autorização de residência por reunião familiar;

• Autorização de residência e registro de visto a nacionais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP (Portaria MJSP/MRE nº 40/2023);

• Autorização de residência para pessoas em cumprimento de pena ou liberdade
provisória.

A ação conta com 23 instituições parceiras que realizam, de forma gratuita, a triagem e o pré-atendimento de migrantes em situação de vulnerabilidade, oferecendo orientação sobre os serviços disponíveis, a documentação necessária para apresentação à Polícia Federal e o correto preenchimento de formulários eletrônicos.

Ressalta-se que a Operação Horizonte é uma ação coordenada e complementar, não interferindo na oferta de vagas de agendamento pelo Sistema Agenda (https://servicos.dpf.gov.br/agendaweb/acessar), que segue funcionando normalmente e prestando atendimento regular à população.

Organizações da sociedade civil idôneas, que realizem atendimento gratuito a migrantes em situação de vulnerabilidade e desejem apoiar a iniciativa, podem entrar em contato diretamente com o CIC do Imigrante para obter informações sobre o processo de parceria, pelos seguintes canais:

Endereço: Rua Guaianazes, 1112 – Campos Elíseos – São Paulo/SP
Telefone/WhatsApp: (11) 3115-2048
E-mail: cicdoimigrante@gmail.com


Para obter a lista de documentos necessários a cada atendimento, acesse:

• Solicitação de Refúgio: https://www.gov.br/pt-br/servicos/solicitar-refugio

• Renovação de protocolo de refúgio: https://www.gov.br/pt-br/servicos/renovarprotocolo-de-refugio-para-solicitante-que-esta-no-sisconare

• Registro de refúgio concedido: https://www.gov.br/pf/ptbr/assuntos/imigracao/registrar-se-como-estrangeiro-no-brasil/registro-de-imigrantereconhecido-como-refugiado-pelo-comite-nacional-para-os-refugiados-conare

• 2ª via de Carteira de Registro Migratório: https://www.gov.br/pt-br/servicos/solicitar2a-via-de-carteira-de-registro-nacional-migratorio-crnm

• Renovação e autorização de residência nacionais do Mercosul: https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/acordo-deresidencia-para-nacionais-dos-estados-partes-do-mercosul-bolivia-e-chile

• Autorização de Residência para Venezuela e países fronteiriços que não são do Mercosul: https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/imigracao/autorizacaoresidencia/autorizacao-de-residencia-para-nacional-de-pais-fronteirico-onde-naoesteja-em-vigor-o-acordo-de-residencia-para-nacionais-dos-estados-partes-domercosul-e-paises-associados

• Renovação e autorização de residência nacionais do Haiti: https://www.gov.br/pf/ptbr/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/autorizacao-de-residencia-para-fins-deacolhida-humanitaria-para-cidadaos-haitianos-e-apatridas-residentes-na-republica-dohaiti

• Renovação e autorização de residência nacionais do Senegal: https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/utorizacaode-residencia-aos-nacionais-da-republica-do-senegal-que-tenham-processo-dereconhecimento-da-condicao-de-refugiado-em-tramite-no-brasil

• Renovação de autorização de residência nacionais da República Dominicana: https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/autorizacaode-residencia-para-nacionais-da-republica-dominicana-que-tenham-processo-dereconhecimento-da-condicao-de-refugiado-em-tramite-no-brasil

• Autorização de Residência para fins de acolhida humanitária aos nacionais afegãos, apátridas e pessoas afetadas pela situação de grave ou iminente instabilidade institucional, de grave violação de direitos humanos ou de direito internacional humanitário no Afeganistão: https://www.gov.br/pf/ptbr/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/autorizacao-de-residencia-para-fins-deacolhida-humanitaria-para-nacionais-afegaos-apatridas-e-pessoas-afetadas

• Autorização de Residência para fins de acolhida humanitária aos nacionais ucranianos e aos apátridas que tenham sido afetados ou deslocados pela situação de conflito armado na ucrânia: https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/imigracao/autorizacaoresidencia/autorizacao-de-residencia-para-fins-de-acolhida-humanitaria-aos-nacionaisucranianos-e-aos-apatridas-que-tenham-sido-afetados-ou-deslocados-pela-situacaode-conflito-armado-na-ucrania

• Autorização de Residência por Reunião Familiar - https://www.gov.br/pf/ptbr/assuntos/imigracao/autorizacao-residencia/autorizacao-de-residencia-por-reuniaofamiliar

Outras informações no portal do ACNUR: https://help.unhcr.org/brazil/

https://www.gov.br/pf/pt-br

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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Refugiados ucranianos na UE eram 4,3 milhões em novembro de 2025

Em meio à guerra, menina despede-se de seu pai antes de deixar Kiev em um trem  (ANSA)

Segundo os dados mais recentes divulgados por pelo Eurostat, em 30 de novembro de 2025, um total de 4,33 milhões de cidadãos não pertencentes à UE que fugiram da Ucrânia eram beneficiados pelo estatuto de proteção temporária na UE, o que revela um ligeiro aumento de 0,7% (30.615 indivíduos) em comparação com o final de outubro de 2025.

Vatican News

A invasão russa da Ucrânia gerou uma das maiores crises de refugiados da Europa, com cerca de 10,6 milhões de ucranianos deslocados, sendo 3,7 milhões internamente e 6,8 milhões buscando refúgio no exterior, principalmente na União Europeia, que ativou a proteção temporária, concedendo residência, trabalho e acesso a serviços.

A maioria, composta majoritariamente por mulheres e crianças, teme pela segurança e sonha em retornar, mas enfrenta obstáculos como acesso a moradia, subsistência e a incerteza da situação de segurança, apesar de a maioria ter esperança de voltar um dia.

Segundo os dados mais recentes divulgados por pelo Serviço de Estatística da União Europeia (Eurostat), em 30 de novembro de 2025, um total de 4,33 milhões de cidadãos não pertencentes à UE que fugiram da Ucrânia eram beneficiados pelo estatuto de proteção temporária na UE, o que revela um ligeiro aumento de 0,7% (30.615 indivíduos) em comparação com o final de outubro de 2025.

Os países da UE com o maior número de beneficiários deste estatuto continuam a ser a Alemanha (1.241.000 pessoas, 28,7% do total da UE), a Polônia (968.750, 22,4%) e a República Checa (392.670, 9,1%).

Os beneficiários deste estatuto são predominantemente cidadãos ucranianos (98,4%), sendo as mulheres adultas 43,6% dos beneficiários, os menores 30,7% e os homens adultos pouco mais de um quarto (25,7%) do total.

Entre os 26 países dos quais há dados disponíveis, o número aumentou em 21 deles, com os três maiores incrementos absolutos observados na Alemanha (+11.040, +0,9%), Polônia (+3.745, +0,4%) e Espanha (+2.810, +1,1%).

Entre os cinco países da União Europeia que registraram diminuições, as quedas mais significativas foram observadas na França (-870, -1,6%) e na Lituânia (-575, -1,1%).

Em novembro de 2025, o número mensal de novas decisões de concessão da proteção temporária na UE (53.735) diminuiu respectivamente de 32,5% e de 27,8%, em comparação com setembro e outubro de 2025: o número de novas decisões está retornando a um nível semelhante ao precedente ao decreto do governo ucraniano do final de agosto de 2025, que concedeu aos homens de 18 a 22 anos o direito de deixar a Ucrânia sem restrições.

As taxas mais elevadas de beneficiários de proteção temporária por 1.000 pessoas foram observadas na República Tcheca (36,0), na Polônia (26,5) e na Eslováquia (25,7), enquanto o valor correspondente a nível da UE foi de 9,6 por 1.000 pessoas, indica o gabinete de estatísticas da UE.


https://www.vaticannews.va/pt
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sábado, 10 de janeiro de 2026

Governo do Brasil realiza primeira operação de acolhida humanitária de repatriados de 2026

 Governo do Brasil realiza primeira operação de acolhida humanitária de repatriados de 2026

(Foto: MDHC/Divulgação)

O primeiro voo de repatriação de brasileiros em 2026 chegou ao Brasil nesta quarta-feira (7), com 32 cidadãos vindos dos Estados Unidos. A operação de deportação é realizada pelo governo norte-americano e, no Brasil, a ação de acolhida do Governo do Brasil é coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com outros órgãos federais, no âmbito do programa Aqui é Brasil.

O voo procedente dos Estados Unidos pousou por volta das 21h no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG). Após a recepção inicial, parte do grupo foi encaminhada para o hotel que abriga a estrutura especial de atendimento, onde recebeu alimentação, kits de higiene, apoio psicossocial, acompanhamento médico e psicológico, além do encaminhamento para o deslocamento até as cidades de origem.

De acordo com o coordenador de projeto da Coordenação-Geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do MDHC, Carlos Ricardo, a chegada do voo reforça o compromisso do Governo do Brasil com a garantia de direitos com um acolhimento humanizado e digno.

Ainda de acordo com o coordenador, mesmo com um número menor de pessoas nesta operação, o atendimento manteve o mesmo padrão das demais ações. “Cada repatriado recebeu atenção integral, com atendimentos médico e psicológico, apoio para alimentação e descanso e acompanhamento para o retorno seguro às cidades de destino”, explicou.

Carlos Ricardo também destacou o impacto do reencontro com familiares e o acompanhamento continuado realizado pela equipe técnica. “A presença de familiares no aeroporto torna esse momento ainda mais significativo, fortalecendo vínculos. E seguimos acompanhando cada caso no segundo dia de operação para assegurar uma reintegração com respeito, proteção e dignidade”, completou.

Perfil

O perfil das pessoas atendidas nesta operação indica predominância de homens, que representam 84% do total, enquanto as mulheres correspondem a 16%. A maioria dos repatriados é composta por homens desacompanhados (78%), seguido por mulheres desacompanhadas (12,5%) e integrantes de núcleo familiar (6,25%). Também foi registrado um caso encaminhado pela Justiça.

Em relação à faixa etária, a maior parte do grupo é formada por adultos jovens, com destaque para pessoas entre 18 e 29 anos. Em seguida aparecem as faixas de 30 a 39 anos, 40 a 49 anos e 50 a 59 anos. Houve, ainda, o registro de uma pessoa com 60 anos ou mais e uma criança entre 5 e 9 anos.

Ação interministerial

O Aqui é Brasil é um programa de acolhimento humanitário coordenado pelo MDHC, em parceria com os ministérios das Relações Exteriores (MRE), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Saúde (MS) e da Justiça e Segurança Pública (MJSP), além de governos estaduais, Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e organismos internacionais, como a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

A iniciativa busca garantir assistência emergencial e acompanhamento continuado, assegurando acesso a serviços essenciais e respeito à dignidade e aos direitos humanos de todos os brasileiros atendidos.

Operações anteriores

Desde o início do ano passado, o programa realizou 38 operações, garantindo o retorno de mais de 3,1 mil brasileiros em situação de vulnerabilidade, majoritariamente vindos dos Estados Unidos.

Em 2025, os voos ocorreram em janeiro (26); fevereiro (7 e 21); março (15 e 28); abril (11 e 25); maio (9 e 24); junho (7 e 21); julho (2, 4, 18 e 25); agosto (7, 13, 20 e 27- dois voos); setembro (3, 10, 17 e 24); outubro (1º, 8, 15, 22 e 29); novembro (5, 12, 19 e 27); e dezembro (7, 14, 22 e 31), já em 2026, o primeiro voo ocorreu em janeiro (7).

https://www.gov.br/mdh/pt-br

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

A falta de dignidade do Governo com os imigrantes

 


Fhoto Wikipédea 

Nunca um Governo se alimentou tanto de narrativas e perceções como o do primeiro-ministro Luís Montenegro. Aquilo que mais o preocupa é alimentar uma determinada narrativa, mesmo que seja falsa ou só parcialmente verdadeira, para construir uma perceção. Acima de tudo, está empenhado em criar a ideia de que agora é que existe um controlo implacável da imigração, mesmo indo contra a racionalidade económica e social e a decência do respeito pelos outros.

Ao mesmo tempo, tem usado a imigração e a teoria das "portas escancaradas" para ocultar a sua incapacidade para resolver alguns dos problemas mais sérios do país, como o desastre quotidiano na saúde ou a falta de casas acessíveis e a escalada tresloucada da especulação imobiliária.

E assim o Governo fechou as portas à imigração, dificultou a reunificação familiar e o acesso à nacionalidade, encostou os imigrantes à parede, é incapaz de resolver o caos nos aeroportos, foi no engodo da proibição das burkas e ainda adotou um discurso nacionalista do Portugal mais português, que basicamente é uma infantilidade à luz da razão e da nossa história colonial e de emigração.

Não está em causa, como nunca esteve, a necessidade de regulação dos fluxos migratórios e saber quem entra no país. Essa é apenas uma das obrigações elementares de qualquer Governo, que não precisa de bodes expiatórios. O inaceitável é que use a pressão social e institucional da xenofobia e da burocracia como instrumentos de submissão dos migrantes, esmagados pela forma sobranceira como são tratados, fazendo-os desesperar e cair na incerteza quanto ao seu futuro devido à morosidade, custos e exigências para a sua regularização.

Por isso, ao contrário do que diz, o Governo está pouco preocupado com a dignidade dos imigrantes, que serão as maiores vítimas se o pacote laboral for aprovado. Se estivesse realmente preocupado, faria muito mais por quem alimenta a nossa economia, combatia o racismo e a xenofobia que se disseminou e investia devidamente em recursos humanos e formas de organização na AIMA que resolvessem com celeridade os processos pendentes, para evitar que milhares de pessoas tenham de passar horas sem fim, durante a noite e depois de um dia de trabalho, muitas vezes ao frio e à chuva, sujeitando-as a um calvário com a maior das indiferenças.

Paulo Pisco Diretor do Departamento de Comunidades Ps e ex Deputado 

https://www.jn.pt/

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Portugal/Brasil: D. Luiz Lisboa defende que é missão da Igreja afastar discursos radicais contra migrantes

 Responsável pela Pastoral de Brasileiros no Exterior na CNBB entende que «não deveria haver tantas dificuldades de integração quando alguém escolhe viver» noutro país

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 06 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo responsável pela Pastoral de Brasileiros no Exterior (PBE) na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), D. Luiz Fernando Lisboa, contestou os discursos extremistas contra migrantes e apelou a um maior acolhimento.

“[Discursos extremistas contra migrantes] é uma atitude a condenar. Deus criou esta casa comum para todos habitarem. Nós é que inventamos as fronteiras. Então nós precisamos de ultrapassar essas barreiras das fronteiras. Todo mundo tem o direito de ir e vir”, afirmou o bispo da diocese brasileira de Cachoeiro de Itapemirim.

Em declarações à Agência ECCLESIA, em Lisboa, esta segunda-feira, D. Luiz Lisboa referiu que apesar do território, cultura e país serem diferentes, “não deveria haver tantas dificuldades de integração quando alguém escolhe viver” noutra nação.

Para o arcebispo, é missão da Igreja afastar os discursos mais radicais contra os migrantes, lembrando que Jesus Cristo também esteve nesse papel, quando foi obrigado a ir para o Egipto, para refugiar-se e não ser morto.

“Os imigrantes, muitos vão tentar uma vida nova, buscar melhores condições de vida. E muitos que estão noutros países estão refugiados por causa da fome, por causa de guerra, por causa de violência. Então nós temos que ser acolhedores. Assim como nós gostamos de ser acolhidos, temos que acolher bem os outros também”, indicou.

D. Luiz Lisboa integra a Comissão Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, cuja uma das missões é acompanhar os cidadãos de nacionalidade brasileira no exterior, sendo Portugal o segundo país com o maior número (cerca de 600 mil), apenas atrás dos EUA (cerca de 2 milhões).

“O trabalho dessa comissão é visitar os brasileiros, se possível celebrar com as comunidades de brasileiros e acompanhar aqueles que acompanham. Acompanhar os padres que estão fora, em outros países, e que servem, que ajudam essas comunidades de brasileiros”, explicou.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Questionado sobre o processo de integração dos imigrantes brasileiros em Portugal, o arcebispo aponta a “facilidade” da língua, apesar de haver sempre dificuldades, indicando que o objetivo da comissão é que estas sejam “um pouco diminuídas”.

D. Luiz Lisboa assegurou que o intuito da PBE não é “formar guetos de brasileiros”, mas ajudá-los a integrar-se e incentivar a sua participação nas comunidades locais, levando-as a crescerem.

Sobre a adoção de discursos extremistas que rejeitam e afastam os imigrantes por parte de forças políticas em Portugal e o impacto nos cidadãos brasileiros, o responsável católico dá conta que ouviu relatos de pessoas que tiveram “experiências um pouco traumáticas”.

“Mas outros não”, indicou, destacando que, independentemente do lugar, há sempre dificuldades.

“No Brasil também. No Brasil nós tivemos no governo uma extrema-direita que não gostava de imigrantes, de pobres. Então isso acontece em todo lugar. Nós, como brasileiros, temos que estar prontos também a enfrentar isso nos países onde nós escolhemos para viver”, salientou.

A CNBB é a instituição permanente que congrega os bispos da Igreja Católica Apostólica Romana no país, na qual exercem conjuntamente algumas funções pastorais em prol dos fiéis.

PR/LJ/OC

https://agencia.ecclesia.pt/

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Com acolhimento estruturado, Porto Velho garante recomeço para migrantes e refugiados

 


A Prefeitura de Porto Velho consolidou uma política pública estruturada e humanizada voltada ao acolhimento de migrantes e refugiados estrangeiros que chegam ao município em situação de vulnerabilidade social. Por meio da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), a gestão municipal assegura atendimento digno, inclusão social e acesso a direitos fundamentais, que garantem a integração dessas pessoas à cidade e a uma nova vida.

Semias coordena o atendimento ao público migrante com o apoio de equipes técnicas especializadasSemias coordena o atendimento ao público migrante com o apoio de equipes técnicas especializadas

A iniciativa tem como objetivo garantir que homens, mulheres e crianças que migram em busca de melhores condições de vida encontrem em Porto Velho uma rede de proteção eficiente, capaz de prevenir situações de abandono, violação de direitos e ruptura de vínculos sociais.

Estrutura

A atuação da Prefeitura envolve planejamento, investimento e articulação entre diferentes políticas públicas. A Semias coordena o atendimento ao público migrante com o apoio de equipes técnicas especializadas e parcerias estratégicas, assegurando um fluxo organizado desde a chegada ao município até o encaminhamento para a autonomia social e financeira.

Tércia esclarece que o procedimento de atendimento ocorre de forma organizadaTércia esclarece que o procedimento de atendimento ocorre de forma organizada
De acordo com a secretária adjunta da Semias, Tércia Marília, essa política pública é resultado de uma união técnica fundamental para a cidade.

“Essa é uma parceria firmada por meio de um termo de fomento. A Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra) é especialista em acolhimento através da Casa de Passagem, especialmente para migrantes. A Prefeitura fomenta 50 vagas para receber e acolher pessoas que chegam ao nosso município e precisam de apoio temporário”, explicou.

A secretária Tércia esclarece que o procedimento de atendimento ocorre de forma organizada. “Quando o migrante chega a Porto Velho, ele deve procurar o Centro de Referência Especializado de Assistência Social. O Creas realiza a triagem e faz o encaminhamento para a Adra. A partir daí, essas pessoas são acolhidas e passam pela construção do Plano Individual de Atendimento, que direciona todo o suporte necessário para estudo, trabalho, empregabilidade e habitação.”

Casa de Passagem Esperança

Estrutura tem capacidade para acolher até 50 migrantesEstrutura tem capacidade para acolher até 50 migrantes

Um dos principais equipamentos de preservação de direitos é a Casa de Passagem Esperança, espaço de proteção social de alta complexidade destinado a migrantes e refugiados estrangeiros.

O projeto é executado por meio do Termo de Fomento (nº 042/PGM/2025 – Processo nº 00600-00020690-2025-10-E), com investimento total de R$ 2.407.450,87, repassados pelo município conforme o plano de trabalho e o cronograma de desembolso.

A estrutura tem capacidade para acolher até 50 migrantes, oriundos de vários países, oferecendo quartos com beliches, banheiros privativos, ar-condicionado, áreas de convivência e espaços destinados a atividades coletivas, garantindo conforto, segurança e acolhimento humanizado.

Atendimento

Rivailton Matos disse que o acolhimento é rotativo e integrado às políticas públicas municipaisRivailton Matos disse que o acolhimento é rotativo e integrado às políticas públicas municipais
O coordenador da Adra em Porto Velho, Rivailton Matos, disse que o acolhimento é rotativo e integrado às políticas públicas municipais. “Esse acolhimento é rotativo. Somente nos primeiros três meses, conseguimos mais de 170 acolhimentos, com um número expressivo de pessoas inseridas no mercado de trabalho, alcançando autonomia e dignidade”, afirmou.

Atendimento psicossocial

Cada pessoa acolhida passa por atendimento técnico especializado, com levantamento de necessidades e elaboração do Plano Individual de Atendimento (PIA). O prazo inicial de permanência é de 30 dias, podendo ser renovado conforme avaliação da equipe técnica.

Psicóloga Daiane Lacerda destaca que o cuidado vai além do abrigoPsicóloga Daiane Lacerda destaca que o cuidado vai além do abrigo
A psicóloga Daiane Lacerda destaca que o cuidado vai além do abrigo. “Todos os acolhidos passam pela assistente social e pela psicologia. Identificamos demandas emocionais, psicossociais, habilidades profissionais e os objetivos de cada pessoa em Porto Velho. A partir disso, desenvolvemos ações como atendimentos individuais, rodas de conversa, campanhas de saúde mental, cursos de português e capacitações profissionais, para que se sintam preparados para o mercado de trabalho e para uma vida independente”.

Além do acolhimento, a Casa de Passagem Esperança oferece três refeições diárias, doação de roupas e calçados, apoio para regularização documental e encaminhamento para oportunidades de trabalho. A equipe também promove cursos de qualificação, como português e construção civil, ampliando as chances de empregabilidade e geração de renda.

Adra é especialista em acolhimento através da Casa de PassagemAdra é especialista em acolhimento através da Casa de Passagem
Segundo Rivailton Matos, a estrutura foi planejada para resgatar a autoestima e a dignidade dos acolhidos. “É um espaço onde as pessoas se sentem acolhidas, abraçadas e respeitadas. Com esse apoio, muitos conseguem emprego, alugam um local para morar ou seguem viagem, conforme seus objetivos.”

Impacto social

Entre os meses de setembro e novembro, a Casa de Passagem Esperança registrou o acolhimento de 148 pessoas, com média mensal de aproximadamente 49 atendimentos, demonstrando a efetividade da política pública municipal no atendimento à população migrante, refugiada.

Raul Figueira chegou a Porto Velho há apenas duas semanasRaul Figueira chegou a Porto Velho há apenas duas semanas
“Hoje, o município cumpre seu papel de acolher, proteger e oferecer oportunidades. Nosso compromisso é com uma cidade inclusiva, que respeita os direitos humanos e oferece condições para que todos possam viver, trabalhar e produzir com dignidade”, concluiu Tércia Marília.

Raul Figueira, chegou a Porto Velho há apenas duas semanas. Venezuelano, deixou para trás o país de origem carregando na mochila poucos pertences, mas muitas expectativas. Ao cruzar a porta da Casa de Passagem Esperança, na Zona Leste da capital, encontrou algo que não esperava tão cedo: acolhimento, proteção, orientação e a chance real de reconstruir a própria história.

“Quando cheguei ao Brasil, eu estava com medo. Aqui fui bem recebido, me deram comida, um lugar para dormir e orientação. Meu objetivo é trabalhar, ter um salário e sustentar minha família. Sou muito grato por tudo que estão fazendo por mim”, descreveu Raul, emocionado.

Texto: Jhon Silva
Fotos: Júnior Costa

Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)

https://www.portovelho.ro.gov.br/

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Um filme e um debate para refletir sobre as dificuldades dos requerentes de asilo


"Limbo" acompanha um grupo de requerentes de asilo temporariamente instalados numa ilha remota da Escócia. Foto: Direitos reservados

 Limbo é o filme que marcará a 10ª edição do Festival Internacional de Cinema sobre a Migração, que se realiza esta quinta-feira, 8 de janeiro, no Cinema São Jorge, em Lisboa. A antecedê-lo, haverá um debate sobre o que significa construir um lar num lugar desconhecido e distante das referências familiares. A entrada é livre.

O filme, que será transmitido às 19h00, acompanha um grupo de requerentes de asilo temporariamente instalados numa ilha remota da Escócia, enquanto aguardam a resposta aos seus pedidos. Com sensibilidade e um humor contido, Limbo reflete sobre a espera, a incerteza e os desafios da integração, oferecendo uma leitura atual das políticas e dos processos de acolhimento de migrantes e refugiados.

Antes disso, às 17h00, terá lugar a sessão de abertura do festival, cujo mote serão as dificuldades por que passam os requerentes de asilo, seguida de um debate intitulado “Entre Fronteiras e Crenças: Migrações, Mito e Diálogo”.

Coorganizado pela OIM – Organização Internacional para as Migrações, UNRIC – Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental e KAICIID – Centro Internacional de Diálogo, o festival anual contará nesta edição com a presença de Hamed Hamdard, refugiado do Afeganistão em Portugal, de Cátia Batista, professora de Economia da Nova SBE, Pedro Portugal Gaspar, Presidente do Conselho Diretivo da AIMA – Agência para a Integração Migrações e Asilo, e do xeque David Munir.

A iniciativa tem lugar após a recente celebração do 75.º aniversário da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e “num momento em que o diálogo intercultural e inter-religioso é cada vez mais necessário, tendo em conta o contexto sociopolítico dos nossos dias”, sublinha a organização em comunicado enviado ao 7MARGENS.

A participação é gratuita, mediante inscrição através de um formulário disponível online.


https://setemargens.com/

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Apenas 2 em cada 10 imigrantes que entraram no Brasil pelo Acre em 2025 conseguiram status de refugiado

 

Foto: Sérgio Vale

Dados do Observatório das Migrações Internacionais revelam que pouco mais de um quinto das solicitações de refúgio feitas por estrangeiros que ingressaram no Brasil pelo Acre em 2025 tiveram decisão favorável. Do total de 850 decisões proferidas ao longo do ano, apenas 180 foram deferidas, o que corresponde a aproximadamente 21,2% dos pedidos analisados.


Os números ganham relevância diante do agravamento da crise política e humanitária na Venezuela ao longo de 2025, cenário que intensificou os fluxos migratórios na região e reforçou o papel do Acre como uma das principais portas de entrada de estrangeiros no Brasil em busca de proteção internacional.


Entre os municípios acreanos, Epitaciolândia concentrou a maior parte das entradas, com 488 solicitações, seguida por Assis Brasil, com 264. Rio Branco registrou 95 pedidos, enquanto Cruzeiro do Sul contabilizou apenas três solicitações no período analisado.


Quando observada a nacionalidade dos solicitantes, a Venezuela aparece de forma amplamente majoritária. Dos 850 pedidos de refúgio que deram entrada pelo Acre em 2025, 487 foram feitos por venezuelanos, o equivalente a cerca de 57,3% do total. Em seguida aparecem Colômbia (85), Cuba (83) e Peru (57). Outros países somam números menores, incluindo Argentina, Chile, Equador, Haiti e Síria, além de um registro de pessoas apátridas.


No detalhamento das decisões, 154 pedidos foram deferidos e 26 tiveram extensão deferida, totalizando 180 decisões favoráveis. A maior parte dos processos, no entanto, terminou em extinção, com 591 casos, além de 76 arquivamentos e apenas três indeferimentos formais.


Entre os solicitantes venezuelanos, o padrão se repete: 154 solicitações foram deferidas, sete arquivadas e 326 extintas. Os dados indicam que, embora os venezuelanos representem a maioria absoluta entre os solicitantes, apenas uma parcela consegue efetivamente o reconhecimento da condição de refugiado no país. Quanto ao perfil dos solicitantes, a maioria é do sexo masculino, com 491 registros, enquanto 359 são do sexo feminino.


https://ac24horas.com/

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domingo, 4 de janeiro de 2026

Brasil acolheu quase 70 mil venezuelanos por via humanitária em 2025

 


Foto Acnur 

Com a escalada da crise na Venezuela, intensificada após a ofensiva militar dos Estados Unidos registrada neste sábado (3), a questão migratória voltou ao centro do debate no Brasil. O país tem sido um dos principais destinos de acolhimento de venezuelanos que deixam o território vizinho em busca de proteção humanitária.

Somente em 2025, o Brasil recebeu 68.512 venezuelanos na condição de acolhidos, segundo dados do Boletim da Migração no Brasil, elaborado pelo Departamento de Migrações da Secretaria Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça.

O volume mantém o Brasil entre os principais países de acolhimento de venezuelanos na região diante do agravamento do cenário político, econômico e humanitário venezuelano.

De acordo com o relatório, apenas no mês de outubro, último dado consolidado, 8.917 venezuelanos ingressaram no Brasil sob mecanismos de acolhida. O número integra um fluxo migratório que se mantém elevado desde 2021, com crescimento gradual até atingir o pico em 2023, quando quase 200 mil registros migratórios de venezuelanos foram contabilizados no país, segundo a série histórica do boletim.

A resposta brasileira a esse movimento ocorre, principalmente, por meio da Operação Acolhida, política humanitária do governo federal voltada ao atendimento do fluxo migratório na fronteira entre Brasil e Venezuela.

A operação é estruturada em três eixos: controle de fronteira, com triagem e regularização migratória; acolhimento em abrigos, administrados em parceria com órgãos federais; e interiorização, que permite o deslocamento voluntário dos migrantes para diferentes cidades brasileiras, com foco na integração social e no acesso a oportunidades de trabalho e serviços.

O aumento da atenção sobre o tema migratório ocorre em meio à condenação oficial do governo brasileiro às ações militares dos Estados Unidos em território venezuelano.

Também neste sábado (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou os ataques como uma “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela e alertou para os riscos de instabilidade internacional decorrentes do uso da força.

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sábado, 3 de janeiro de 2026

Número de brasileiros deportados dos Estados Unidos dobra em 2025

 

O númFoto O número de 2025 é o maior desde 2020.

O número de brasileiros deportados dos Estados Unidos bateu recorde em 2025 e praticamente dobrou em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados pela Polícia Federal e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). Ao menos 3.294 imigrantes do Brasil foram expulsos do território norte-americano ao longo do ano – em 2024, foram 1.648, o que representa um aumento de 99,8%.

O último voo chegou ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na noite de quarta-feira (31), com 124 deportados. O número de 2025 é o maior desde 2020, ano de início da série histórica, e se refere aos deportados em voos fretados do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês).

Em 2025, foram 37 voos, segundo o MDHC. Um deles decolou ainda durante o governo de Joe Biden. Os demais partiram sob a gestão de Donald Trump, que tomou posse em 20 de janeiro.

Os voos fretados haviam sido interrompidos em 2006, quando o Itamaraty alterou a política de trato de brasileiros no exterior, mas voltaram a ser realizados em outubro de 2019, durante a primeira gestão de Trump, com aval do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

De lá para cá, mais de 10 mil brasileiros foram deportados dos EUA. A maioria dos voos teve como destino o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte devido a questões de logística.

O terminal tem capacidade para receber as aeronaves usadas no fretamento e faz conexões que facilitam o retorno dos deportados às regiões de origem, principalmente por estar próximo de cidades com alto número de emigrantes, como Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.

Histórico

O primeiro voo com deportados dos Estados Unidos para o Brasil no novo governo de Donald Trump tinha Confins como destino. O pouso estava previsto para o dia 24 de janeiro, mas a aeronave precisou passar por manutenção e ficou em Manaus.

Os brasileiros chegaram algemados e acorrentados ao Amazonas, o que gerou reação do governo brasileiro. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, ordenou a retirada das correntes e determinou que os deportados fossem levados a Belo Horizonte em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB).

“Fui preso que nem um cachorro. Lá eles não tratam ninguém bem. Eles são anti-imigrantes”, disse Carlos Vinícius de Jesus, um dos 88 brasileiros deportados dos EUA em um voo que desembarcou em Confins (MG) no dia 25 de janeiro de 2025.

Depois desse episódio, o governo federal anunciou a criação de um programa de acolhimento aos repatriados. Uma estrutura foi montada no aeroporto para atender a demandas mais urgentes, como atendimento médico, alimentação e transporte para as cidades de origem.

De acordo com as regras norte-americanas, estrangeiros podem ser expulsos dos EUA por entrada irregular, desrespeito às leis migratórias, envolvimento em crimes ou situações que representem ameaça à segurança pública.

Normalmente, o processo começa com prisão e segue sob responsabilidade do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).

O imigrante detido pode permanecer em um centro de detenção até o julgamento ou ser expulso. Aqueles que não passaram pelo controle migratório ao entrar no país podem ser deportados rapidamente, sem passar por um tribunal migratório. Outros casos passam por análise de um juiz. (Com informações do portal de notícias g1)

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Migrantes em situação irregular são encontrados em navio estrangeiro no Amapá

 

Sete migrantes em situação irregular foram encontrados a bordo de uma embarcação estrangeira que navegava pela costa do Amapá, em uma ocorrência que mobilizou autoridades brasileiras e reacendeu o alerta sobre o uso de rotas marítimas internacionais para a entrada clandestina no país.

O caso foi comunicado pelo comandante de um navio de bandeira maltesa, procedente de Lagos, na Nigéria, com destino ao porto de Itacoatiara (AM), onde realizaria carregamento de grãos. Após a identificação de pessoas não autorizadas a bordo, foi solicitada autorização para o desembarque, inicialmente condicionada à avaliação das condições de saúde dos indivíduos.


Com a autorização concedida, os sete migrantes desembarcaram em território nacional e foram encaminhados à Delegacia de Polícia de Migração, onde prestaram depoimento para esclarecer as circunstâncias da entrada irregular na embarcação, os motivos da saída do país de origem e o destino pretendido no Brasil.


Segundo informações preliminares, o grupo teria acessado o navio clandestinamente pela pá do leme — área de difícil acesso e alto risco — onde permaneceu escondido durante boa parte da travessia até ser descoberto pela tripulação. Todos são homens, com idades estimadas entre 20 e 40 anos.


Em depoimento, os migrantes relataram a intenção de seguir para os estados do Rio de Janeiro ou São Paulo em busca de melhores condições de vida. As nacionalidades dos envolvidos não foram divulgadas até o momento.

As medidas legais cabíveis seguem em andamento, conforme a legislação migratória brasileira e os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. O caso permanece sob análise, enquanto são adotados os procedimentos administrativos e humanitários previstos para situações de migração irregular.


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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A vida de uma imigrante no exterior


 

Em 2021, deixou Minas Gerais e foi a Londres para fazer um intercâmbio, com o objetivo de aprimorar o idioma e viver uma experiência internacional

crédito: Charles Postiaux/UnsplashKatiuscia Silva

Viver no exterior costuma ser descrito como liberdade, novos lugares e uma vida diferente. Mas a imigração, na prática, é bem mais difícil do que parece. Ela exige que a pessoa reaprenda o básico: pedir informações, abrir conta no banco, entender a cultura local. E, sobretudo, enfrentar um tipo particular de solidão, longe da família. Muitas vezes, o imigrante sente que não pertence àquele lugar. Para muitos, as dificuldades mais comuns não são “grandes tragédias”, mas um desgaste psicológico que, dia após dia, traz a mesma pergunta: até quando eu aguento?

A psicóloga mineira Sol Souza, de 46 anos, conhece esse sentimento de perto. Em 2021, deixou Minas Gerais e foi a Londres para fazer um intercâmbio, com o objetivo de aprimorar o idioma e viver uma experiência internacional. No período, enfrentou desafios comuns a quem recomeça em outro país, construiu vínculos e atravessou um processo intenso de amadurecimento pessoal.

Com o tempo, novas possibilidades começaram a surgir. Depois de uma temporada em Londres, Sol passou a viver em Lisboa. A partir das experiências acumuladas e dos contatos construídos ao longo do caminho, surgiu a chance de validar sua formação em Psicologia em Portugal. O processo, porém, esteve longe de ser simples: exigiu paciência, resiliência e capacidade de adaptação diante das demandas emocionais e burocráticas.

Na prática, a experiência de viver fora se revelou um teste de resistência que transformou não apenas sua trajetória profissional, mas também sua relação consigo mesma.

“As ferramentas da psicologia me ajudaram a superar os desafios. Além disso, o networking me ajudou muito. Conectar-me com as pessoas certas me levou aonde estou hoje”, disse Sol.

Ela afirma que, no início, tudo é difícil e que, sem foco, muitas pessoas acabam desistindo e voltando para casa. Para permanecer, foi necessário organização, economia e a construção de uma estratégia de sobrevivência e avanço com a disciplina de quem entende que sonho sem planejamento pode virar frustração.

Em Londres, Sol precisou lidar com a rotina em um novo país enquanto o inglês ainda estava em desenvolvimento. A comunicação limitada, o choque cultural e a solidão despertaram inseguranças, ansiedade e momentos de baixa autoestima. São sentimentos comuns a muitos imigrantes, mas que, no cotidiano, exigem força emocional para serem atravessados. A necessidade de se adaptar rapidamente a uma nova realidade transformou aquele período em um exercício profundo de resiliência e autoconhecimento.

A validação de um diploma no exterior, por sua vez, envolve etapas complexas, prazos e exigências que frequentemente testam não apenas a organização, mas também a saúde emocional de quem passa por isso. Para Sol, o processo reforçou a importância do equilíbrio psicológico diante das incertezas e das decisões que acompanham grandes mudanças.

“Em momentos assim, cuidar da saúde mental deixa de ser opcional. É ela que sustenta as escolhas, a persistência e a clareza para seguir em frente”, reflete.

O que a persistência nos ensina

Hoje, Sol vive em Lisboa. Ao longo do caminho afirma ter conhecido mais de 18 países e mais de 60 cidades na Europa, expandindo o mundo que um dia existiu apenas na imaginação. Conquistou a residência em Portugal e o título de mestra em psicologia pela Universidade do Minho.

O ponto mais valioso de sua trajetória, ela resume em três pilares: objetivo, disciplina e persistência. A sua história mostra que, com planejamento e rede de apoio, é possível atravessar processos difíceis e construir novos caminhos.

A história de Sol lembra que recomeçar é construir com foco e determinação, sem se prender à aprovação dos outros e mantendo os olhos no objetivo. E, para quem também vive uma travessia, fica o lembrete: não desista de você. 

“Se quer algo grande, mire na lua; se errar, pode acabar atingindo alguma estrela” 

Norman Vincent Peale (e vários outros autores)

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