quinta-feira, 13 de março de 2025

ACNUR realiza treinamento para agentes de proteção da aviação civil no Aeroporto de Guarulhos

 Ação foi promovida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a partir de demandas de cuidado e atenção no atendimento a pessoas vindas de outros países, inclusive solicitantes de asilo

Curso realizado no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) foi oferecido a duas turmas, com cerca de 70 profissionais alcançados no total


As demandas específicas e os direitos de pessoas refugiadas e solicitantes de asilo em aeroportos, assim como o cuidado no atendimento a quem chega ao Brasil por meio de voos comerciais internacionais estiveram entre os temas de treinamento realizado nesta terça-feira, 11, em Guarulhos (SP). A atividade, que incluiu palestra da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), foi promovida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em articulação com os diversos órgãos que compõem o Grupo de Trabalho para Soluções Humanitárias e Solidárias a Migrantes Inadmitidos no Aeroporto de Guarulhos (GT GRU). Cerca de 70 agentes de proteção da aviação civil (APACs) e funcionários de companhias aéreas atuantes no Aeroporto Internacional de Guarulhos receberam a formação.

Profissionais do ACNUR, do Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante (PAAHM) da prefeitura de Guarulhos e das ONGs Missão Paz e Caritas Arquidiocesana de São Paulo apresentaram dados relacionados ao atendimento humanizado de viajantes e solicitantes de asilo. Foram debatidos os direitos das pessoas refugiadas e migrantes, o histórico de atuação no aeroporto de Guarulhos e os fluxos de atendimento estabelecidos. Também foram compartilhadas experiências de atendimento e pontos de atenção ao lidar com diferentes culturas. O curso contou, ainda, com palestras sobre cuidados sanitários e de saúde, ministradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo posto de atendimento médico do aeroporto.

“Esse curso foi motivado pela dificuldade que identificamos no tratamento com os passageiros inadmitidos no aeroporto. O aeroporto é local de passagem, e profissionais não são treinados para lidar com essa situação e com as decorrências dessa estadia prolongada de pessoas que chegam com outras culturas, com outros hábitos, e com a possibilidade de chegarem com alguns patógenos que não temos no Brasil. Muitas dessas pessoas chegam buscando asilo porque sofrem perseguição em seus países, fogem de regimes autoritários, de guerras. São pessoas que chegam aqui extremamente fragilizadas”, afirmou o gerente técnico de Segurança Cibernética e Facilitação do Transporte Aéreo na ANAC, Werllen Lauton de Andrade. 

“Para esse curso, buscamos parceiros que lidam tanto com aspectos sanitários quanto aspectos humanitários, que são os dois campos que identificamos maior urgência de serem tratados. Treinando profissionais que lidam com esses passageiros e que participam do atendimento deles em algum momento e em algum nível, queremos que tenham as ferramentas tanto para se protegerem quanto para oferecerem um melhor atendimento”, completou Andrade.

Há nove anos trabalhando na área restrita, a agente de proteção da aviação civil Maria Inez França Souza destaca a importância de conhecer os fluxos de atendimento

Atendimento mais humanizado

“A gente trabalha todos os dias a partir do dever e da obrigação que temos como companhia aérea. O curso ajudou a resgatar o nosso lado humano, para a gente aprender também a identificar o que o outro precisa e prestar essa assistência com empatia”, destacou a supervisora operacional da Latam Dhyellen Santos de Oliveira. “O curso também nos dá um amparo, para saber quem buscar e a quem recorrer em casos que não estamos familiarizados. Essa troca de contatos e esse conhecimento dos procedimentos foram muito importantes”, completa.

O conhecimento sobre os fluxos e os contatos para solicitar auxílio também foram os pontos fortes destacados pela agente de proteção da aviação civil Maria Inez França Souza. Ela trabalha há nove anos no atendimento a pessoas inadmitidas no aeroporto de Guarulhos e destaca a necessidade de um olhar mais cuidadoso. “A gente acaba criando vínculos com as pessoas que ficam na área restrita. Já chegamos a ter 700 pessoas inadmitidas naquela área. Você não sabe o que aquela pessoa está passando, então é preciso se colocar no lugar dela”, afirma. “Foi bom a gente conhecer mais, conhecer as pessoas, saber dos números para onde podemos ligar quando precisamos de apoio, principalmente nos casos que a gente não sabe como atender.”


Para a supervisora operacional da Latam, Dhyellen Santos de Oliveira, o curso reforçou a necessidade de empatia junto às pessoas inadmitidas 

Ação em rede

De acordo com o associado de Proteção do ACNUR, William Laureano, o curso é uma ação fundamental e que completa as iniciativas conjuntas realizadas nos últimos anos para oferecer um atendimento digno e que respeite o direito das pessoas refugiadas, migrantes e solicitantes de asilo ao Brasil. “Essa formação foi muito importante para desmitificar alguns temas e compartilhar experiências entre profissionais, de diferentes funções, tanto das  companhias aéreas quanto das demais empresas e organizações em contato direto com as pessoas que chegam ao Brasil”, afirma. “Também foi fundamental para compartilhar canais de comunicação e de atendimento e fortalecer o contato entre esses diferentes profissionais, para que tenhamos melhorias no atendimento das pessoas que chegam, respeitando e garantindo o acesso a seus direitos.”

O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, é o mais movimentado do Brasil. Em 2024, mais de 43,6 milhões de pessoas passaram pelo local. Apenas em janeiro de 2025, das mais de 4 milhões de pessoas que passaram pelo aeroporto, 1,4 milhões estavam em voos internacionais. 

Desde 2014, com o aumento significativo na chegada de pessoas solicitantes de proteção internacional ao Brasil via Aeroporto Internacional de Guarulhos, o sistema de justiça, junto com ACNUR e organizações da sociedade civil, tem tomado medidas para garantir as devidas salvaguardas processuais para passageiros não admitidos. Juntos, esses diversos órgãos compõem o Grupo de Trabalho para Soluções Humanitárias e Solidárias a Migrantes Inadmitidos no Aeroporto de Guarulhos (GT GRU). Em 2015, um Acordo de Cooperação Técnica foi firmado pelo ACNUR, Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, Ministério da Justiça, Defensoria Pública da União e Secretaria de Assistência Social de Guarulhos (gestora do Posto Humanizado do aeroporto), com o objetivo de buscar, por meio de coordenação e cooperação, soluções humanitárias e solidárias para situações de pessoas inadmitidas – entre elas, a identificação das pessoas que precisam de proteção internacional.

O ACNUR também trabalha em parceria com a prefeitura de Guarulhos para fortalecer o Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante, localizado no aeroporto. O posto é responsável pelos encaminhamentos das pessoas refugiadas aos centros de acolhida, além de prestar informações sobre os direitos dessa população recém-chegada ao Brasil.

Acnur

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terça-feira, 11 de março de 2025

Imigrantes se destacam no mercado de trabalho mineiro

 

Marcelo Camargo /Agencia Brasil 

Nos últimos anos, crises socioeconômicas e políticas em diferentes partes do mundo impulsionaram a vinda de imigrantes e refugiados para o Brasil, inclusive em busca de oportunidades.

Além da possibilidade de reconstrução da vida, essas pessoas chegam ao país em um cenário de escassez de mão de obra qualificada e acabam sendo absorvidas pelo mercado de trabalho de diversos estados, incluindo Minas Gerais.

O setor de construção civil está preocupado com a medida provisória que autoriza acesso aos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a trabalhadores demitidos que aderiram ao saque-aniversário.

Representantes da atividade dizem que isso pode prejudicar o caixa do fundo no final do ano e até mesmo acabar com os recursos do mercado para habitação de cunho social.

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sábado, 8 de março de 2025

Panamá vai fechar abrigos após queda do fluxo migratório para os EUA

Martin Bernetti /AFP


O Governo do Panamá anunciou nesta sexta-feira (7) que vai fechar vários abrigos, após a queda do fluxo migratório para os Estados Unidos, e deportar quem entrar no país pela selva de Darién.

Com a política de deportações do governo de Donald Trump, agora a maioria dos migrantes no Panamá e em outros países centro-americanos fazem o percurso inverso, ou seja, para a América do Sul.

‘Devido à redução em quase 100% da migração irregular que entra no Panamá a partir da Colômbia, vamos iniciar o fechamento paulatino dos abrigos’, anunciou o ministro da Segurança, Frank Ábrego, acrescentando que aqueles que entrarem no Panamá através da floresta serão deportados imediatamente para o seu país de origem ou de procedência.

Nos últimos três anos, mais de 1 milhão de pessoas, a maioria venezuelanos, cruzaram a floresta em sua travessia para o norte. Diante dessa chegada em massa, o governo Panamá Montou acampamentos para oferecer serviços básicos aos migrantes, com o apoio de organizações internacionais.

O fluxo migratório para o norte despencou. Em 2025, entraram no Panamá por Darién 2.600 pessoas, contra 72.000 no mesmo período do ano anterior.

Segundo Ábrego, fica aberto o abrigo de São Vicente, em Metetí, com capacidade para 300 pessoas, para “qualquer eventualidade, tanto no fluxo do sul para o norte quanto do norte para o sul”.

O ministro informou que os migrantes que chegam agora ao Panamá são asiáticos e africanos, e não sul-americanos ou caribenhos, como acontecia antes.

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sexta-feira, 7 de março de 2025

Imigrantes brasileiros: Como os outros países vêem o Brasil?

 

Sophia Utnick-Brennan (MF Press Global)

Os brasileiros que se aventuram em outros países e passam a refazer a sua vida em outra cultura muitas vezes se deparam com uma realidade: A forma como o Brasil e seu povo são percebidos no exterior.

Essa visão pode variar, mas em locais como os Estados Unidos e Portugal, predominam estereótipos que podem dificultar a adaptação de quem chega.

De um lado, os brasileiros são vistos como um povo alegre, hospitaleiro e limpo. A ideia de que o Brasil é um país de pessoas calorosas e felizes, apesar das dificuldades, é amplamente difundida. No entanto, essa mesma imagem muitas vezes esconde uma face menos positiva, marcada por preconceitos e estereótipos negativos.

Estereótipos negativos: Violência e exotização

Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma percepção de que o Brasil é um país subdesenvolvido, dominado pela violência e associado a imagens superficiais, como a Amazônia e o Carnaval. 

“Muitos acham que o Brasil é apenas um lugar altamente perigoso, onde a criminalidade impera, também existe uma visão exageradamente exótica sobre o nosso país, que muitas vezes reduz nossa cultura a festas e danças”.

“Por outro lado, os brasileiros são vistos como um povo alegre, hospitaleiro e limpo. A ideia de que o Brasil é um país de pessoas calorosas e felizes, apesar das dificuldades, é muito forte nesses países”, conta a empresária brasileira de destaque nos Estados Unidos Sophia Utnick-Brennan.

O desafio da adaptação

Para quem imigra, acostumar-se a essa dualidade de percepções leva tempo. De um lado, o carinho pelo Brasil e pelo povo brasileiro, de outro, os desafios de provar que o país e seus cidadãos vão além dos estereótipos.

“Com o tempo, conseguimos mostrar que somos mais do que a imagem que fazem de nós. Mas é um processo que exige paciência e resiliência e depende de cada um”, conclui Sophia.

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quinta-feira, 6 de março de 2025

Mais de 70 mil estrangeiros entraram no mercado formal de trabalho do Brasil em 2024

 


Levantamento da FecomercioSP mostra que, somente em 2024, cerca de 71 mil postos celetistas foram abertos e preenchidos por pessoas de fora do País (Arte: TUTU)


O ótimo momento do mercado de trabalho do Brasil (uma taxa de desemprego recorde de apenas 6,6%, de acordo com o IBGE) reflete em vários aspectos, como aumento da massa de salários e da média de renda da população e, agora, também é possível ver como ele tem impacto sobre países da região. 

Um levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base nos dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra que, somente em 2024, cerca de 71 mil postos celetistas foram abertos e preenchidos por pessoas de fora do País. É o maior volume para um único ano desde que o Caged mudou sua metodologia, em 2020 [gráfico 1].

Isso significa um avanço de 50% em relação a 2023, quando pouco mais de 47,3 mil vagas foram atendidas por estrangeiros. Como não poderia deixar de ser, o grosso delas são conformadas por latino-americanos, sobretudo venezuelanos e haitianos [gráfico 2].

Em 2023, com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), 44% da mão de obra do exterior no mercado formal de trabalho do Brasil era de cidadãos da Venezuela no fim daquele ano — muito à frente, inclusive, do segundo país da lista, o Haiti, com 44,7 mil postos. Essa tendência se manteve ao longo de 2024, muito por causa dos setores econômicos que mais contratam esses trabalhadores. A lista continua com paraguaios, argentinos, cubanos, bolivianos e peruanos. 

Na leitura da Entidade, o fato de dois terços (60%) dessa mão de obra ser preenchida por pessoas de países em crise, Venezuela e Haiti, mostra como o Brasil pode elaborar políticas públicas voltadas para a absorção delas. Conta muito, por exemplo, a boa escolaridade desses migrantes, além do fato de serem jovens e de virem ao nosso País em busca de melhores condições de vida. 

Não só isso, mas empregá-las também gera um efeito social relevante, porque proporciona renda, acesso ao sistema de crédito e proteção institucional, já que o regime celetista garante uma série de benefícios ao trabalhador. Se a tendência é que esse fenômeno continue crescendo, por fatores que vão da política internacional ao desempenho econômica brasileiro, ele pode ser utilizado para melhorar a produção do País e expandir os setores que mais demandam por mão de obra. 

[GRÁFICO 1]

Vagas formais preenchidas por estrangeiros (em mil)

Período do Novo Caged (2020-2024)
Fonte: Caged/FecomercioSP
 

[GRÁFICO 2]

Principais nacionalidades no mercado de trabalho formal do Brasil (em mil)

RAIS (2023)

Fonte: RAIS/FecomercioSP
 

Pelo levantamento da Federação com base no Novo Caged, de 2024, há dois deles com mais força na busca por estrangeiros: a indústria, com 92,8 mil trabalhadores celetistas (o que significa um terço de todos os vínculos), e o comércio, com ênfase em empreendimentos de reparação automotiva, com 65,7 mil postos [tabela 1].

[TABELA 1]

Setores econômicos com maiores saldos de empregos celetistas (em mil)

Novo Caged (2024)

Fonte: CAGED/FecomercioSP
 

Os dados tanto da RAIS quanto do Novo Caged ainda permitem criar um perfil claro desses sujeitos: são jovens homens adultos (entre 30 e 39 anos), com ensino médio completo trabalhando em São Paulo (62,7 mil vínculos), em Santa Catarina (60,7 mil) e no Paraná (48,7 mil). Vale dizer que, no ano passado, o mercado catarinense se expandiu com mais força para esse público, gerando 18,9 mil novas vagas.

Considerando que deve haver uma desaceleração do desempenho do mercado de trabalho do Brasil em 2025, se espera que o mesmo aconteça com a absorção dessa mão de obra, mas ainda assim ela deverá continuar sendo importante. A Federação permanecerá atenta a ele, sobretudo em busca de alternativas que melhorem o ambiente de negócios do País.

https://www.fecomercio.com.br/

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quarta-feira, 5 de março de 2025

Turquia vai construir um muro na fronteira com a Grécia para conter imigração irregular



"Num primeiro momento, está prevista a construção de 8,5 quilómetros (de barreira) este ano", declarou Yunus Sezer, presidente distrital de Edirne, na Turquia, que faz fronteira com a Grécia e a Bulgária, países membros da UE.

O dirigente acrescentou que, de seguida, o muro será prolongado ao longo da fronteira terrestre entre a Turquia e a Grécia, que tem cerca de 200 km e acompanha quase na totalidade o rio Evros, que os turcos chamam de Meriç.

Em 2016, a UE e a Turquia assinaram um acordo para que o país mantivesse no seu território os refugiados sírios - as estimativas apontam que o número atualmente é de 2,9 milhões de pessoas.

O acordo, assinado após a chegada de mais de um milhão de refugiados à UE em 2015, incluía como contrapartida dois pagamentos de 3 bilhões de euros (mais de 3,2 bilhões de dólares na taxa de câmbio atual) para a Turquia.

As ONGs criticaram o pacto, que entenderam como uma manobra do bloco para terceirizar a gestão migratória.

Em fevereiro e março de 2020, dezenas de milhares de migrantes chegaram à fronteira e tentaram entrar na Grécia, depois de o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçar abrir as suas fronteiras com a UE.

Na altura, Atenas construiu uma barreira de aço de dezenas de quilómetros na fronteira com a Turquia.

O fluxo migratório entre a Turquia e a Grécia, no entanto, ocorre fundamentalmente pelo mar, devido à proximidade das ilhas gregas do leste do Egeu das costas turcas.

Seis migrantes morreram no final de fevereiro em águas turcas quando tentavam chegar à ilha grega de Samos num bote insuflável.

A Turquia, por sua vez, construiu nos últimos anos muros com uma extensão de 1.000 km ao longo das fronteiras com o Irão e a Síria, para impedir as entradas irregulares.

MadreMedia / AFP

https://24.sapo.pt/

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terça-feira, 4 de março de 2025

Chefe de Direitos Humanos pede ação para impedir desmoronamento da ordem internacional

 

Conselho de Direitos Humanos da ONU/Marie Bambi
 

Alto comissário alertou que indivíduos e corporações nunca tiveram tanto controle e influência sobre nossas vidas

Volker Turk apresentou atualização global destacando preocupação com controle de dados por “oligarcas da tecnologia”; ele alertou para a proliferação de conflitos e disse que eles estão sendo explorados para gerar divisões, comércio predatório e roubo. 

O mundo atravessa um período de “turbulência e imprevisibilidade”, que se reflete em confrontos crescentes e sociedades divididas. Foram essas palavras usadas pelo alto-comissário de Direitos Humanos da ONU para descrever um contexto marcado por 120 conflitos ativos e uma ordem internacional sob risco.

Em discurso no Conselho de Direitos Humanos nesta segunda-feira, Volker Turk afirmou que o consenso global em torno das normas e instituições internacionais, duramente construído ao longo de décadas, não pode “desmoronar diante dos nossos olhos”.

Controle do “poder irrestrito”

O alto comissário alertou que indivíduos e corporações nunca tiveram tanto controle e influência sobre nossas vidas. Ele enfatizou que qualquer forma de poder não regulamentado “pode levar à opressão, subjugação e até mesmo à tirania”.

Turk declarou preocupação com o fato de que “um punhado de oligarcas do setor de tecnologia, que não foram eleitos, tem nossos dados”, incluindo endereço, hábitos, informações genéticas, condições de saúde, pensamentos, desejos e medos.

Segundo ele, esse nível de controle favorece a manipulação e por isso os Estados devem se adaptar rápido para cumprir seu dever de proteger as pessoas de um “poder irrestrito”.

O conflito permeia a vida quotidiana

O chefe de Direitos humanos ressaltou que “autocratas, demagogos e aproveitadores” se beneficiam do caos gerado por conflitos para praticar táticas de “dividir para governar, ações comerciais predatórias ou simplesmente roubo”.

Para ele, o conflito permeia toda a vida quotidiana, “desde os produtos que compramos até os feeds de notícias que navegamos”. Isso inclui desde os minerais extraídos em zonas de guerra até as chamadas fazendas de robôs e centros de golpes que florescem “nos cantos mais sem lei do mundo”.

O alto comissário afirmou que todas as pessoas estão envolvidas de alguma forma e tem a responsabilidade de agir por meio de hábitos de consumo, uso de mídias sociais e engajamento político.

Eleições e desumanização

Turk também relatou que acompanhou as recentes campanhas eleitorais na Europa, América do Norte e outros lugares com “crescente apreensão”.

Para ele, as frases de efeito sobre um único assunto, desprovidas de substância, simplificam excessivamente questões complexas e baseiam-se frequentemente na “criação de bodes expiatórios, na desinformação e na desumanização”.

O alto comissário alertou que a desumanização é um passo para tratar um grupo inteiro como estranho, “indigno dos direitos básicos”, funcionando como um “precursor perigoso do ódio e da violência” que deve ser denunciado sempre que ocorre.   

“Masculinidade tóxica”

O chefe de Direitos Humanos expressou preocupação com o ressurgimento de “ideias tóxicas sobre a masculinidade” e os esforços para glorificar os estereótipos de gênero, especialmente entre os homens jovens.

De acordo com ele, os culpados por isso são os “influenciadores misóginos” com milhões de seguidores nas redes sociais que “são aclamados como heróis”.

Turk destacou que essas ideias circuladas online e offline vão contra a igualdade de gênero e resultam em “violência e retórica de ódio contra as mulheres, defensores dos direitos femininos e figuras políticas”.

Estruturas legais “ignoradas e descartadas”

O alto comissário enfatizou que a guerra é a violação máxima dos direitos humanos. Ele disse ser “escandaloso” que, em todos os conflitos atuais, as estruturas legais criadas para proteger civis, limitar danos e garantir justiça sejam “ignoradas e descartadas, de forma descarada e repetida”.

Em 2024, um número recorde de 356 trabalhadores humanitários foram mortos enquanto prestavam ajuda a pessoas em algumas das crises mais graves do mundo.

No Sudão, o alto comissário condenou mais uma vez os bombardeios lançados em zonas densamente urbanizadas, com total impunidade e disse que “os civis estão a “pagando um preço insuportável, numa luta aberta por poder e recursos”.

Caminhos para a paz na Ucrânia e em Gaza

Voltando-se para a Ucrânia, Turk afirmou que se opõe a “qualquer acordo de paz que exclua a Ucrânia”.

Ele disse que após três anos desde a invasão russa em grande escala, as pessoas continuam sofrendo terrivelmente e que uma paz sustentável deve basear-se na Carta das Nações Unidas e no direito internacional.

No Território Palestino Ocupado, o chefe dos direitos humanos da ONU insistiu que o frágil cessar-fogo se mantenha em Gaza “e se torne a base para a paz”.

Ele também insistiu que as entregas de assistência humanitária sejam retomadas imediatamente, após anúncio de Israel da suspensão do fluxo de ajuda.

O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, respondeu com alarme à decisão israelense, insistindo que o cessar-fogo “deve ser mantido”.


news.un.org

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segunda-feira, 3 de março de 2025

"Missionários de esperança", tema do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2025


"Migrantes, missionários de esperança", este é o tema escolhido pelo Papa Francisco para o 111º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que, neste ano, não será realizado como tradicionalmente no último domingo de setembro, mas será comemorado nos dias 4 e 5 de outubro, em virtude do Jubileu do Migrante e do Mundo Missionário.

O anúncio foi feito por meio de uma nota do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, responsável pela organização do evento, na qual se destaca que "à luz do Jubileu, o tema evidencia a coragem e a resiliência dos migrantes e refugiados, que testemunham diariamente a esperança no futuro, apesar das dificuldades. Trata-se da esperança de alcançar a felicidade mesmo além das fronteiras, uma esperança que os leva a confiar plenamente em Deus".

"Migrantes e refugiados tornam-se 'missionários de esperança' nas comunidades que os acolhem", afirma o Dicastério, "contribuindo frequentemente para revitalizar a fé e promovendo um diálogo inter-religioso baseado em valores comuns. Eles recordam à Igreja o propósito último da peregrinação terrena: o alcance da Pátria futura".

vaticannews.va

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sábado, 1 de março de 2025

UnB lança base de dados sobre estudantes e docentes estrangeiros

 

O evento contou a participação da reitora Rozana Naves e de representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da ACNUR. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

A Universidade de Brasília lançou a plataforma DataMigra, uma base de dados que reúne informações sobre estudantes e docentes estrangeiros na instituição. A iniciativa, fruto de parceria entre o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra/Ela/ICS/UnB) e a Secretaria de Assuntos Internacionais (INT/UnB), visa fornecer uma análise estatística detalhada da presença de migrantes na UnB. O evento ocorreu no dia 21, no Auditório da Reitoria, campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. 

 

A plataforma, que está disponível no portal da UnB, permite consultar dados sobre nacionalidade, tipo de curso, forma de ingresso, gênero e vínculo dos estudantes e docentes estrangeiros. A ferramenta também possibilita a análise de dados por curso, área de conhecimento e período de ingresso.

 

>> Conheça a plataforma DataMigra

 

O lançamento da plataforma foi marcado por um evento que contou com a presença da reitora da UnB, Rozana Reigota Naves, e representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

O professor Leonardo Cavalcanti, coordenador do OBMigra, explicou como a ferramenta funciona. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

A reitora destacou a importância da plataforma para a gestão da UnB, afirmando que a instituição deve se basear em dados para desenvolver políticas públicas eficazes. "A Universidade de Brasília precisa se projetar para os próximos anos, e essa plataforma é um passo fundamental nesse sentido", disse.

 

O docente e coordenador científico do OBMigra, Leonardo Cavalcanti (ICS/UnB), explicou que a plataforma é um projeto pioneiro no Brasil e que a ideia é reproduzi-la em outras universidades. "A UnB é o piloto, e a gente já tem a metodologia para replicar essa iniciativa", afirmou.

 

DADOS – O levantamento revelou que a UnB conta com 561 discentes refugiados e imigrantes matriculados em diversos cursos e 415 docentes imigrantes em sua comunidade acadêmica. A UnB recebe esse público em diferentes níveis de ensino, com a graduação (30,3%) e a especialização (29,95%) concentrando a maior parte dos estudantes estrangeiros.

 

Os dados mostram que a Colômbia é o país de origem com maior número de estudantes (80) e docentes (47) na UnB. Cuba (68 alunos) e Argentina (31 docentes) ocupam o segundo lugar em seus respectivos grupos. Entre os cursos com maior número de estudantes estrangeiros, destacam-se o de especialização em Medicina de Família e Comunidade (69 alunos), Relações Internacionais (24 alunos) e Direito (21 alunos).

 

Visita do Ministro da Presidência do Conselho de Ministros de Portugal, António Leitão Amaro, ao OBMigra. Foto: Klaubert Miranda/Secom UnB

O levantamento também revelou que o cargo de professor efetivo é o mais representativo entre os docentes imigrantes, com 153 profissionais atuando nessa modalidade. O Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução (LET/IL) concentra o maior número de professores imigrantes (49), seguido pelo Departamento de Matemática (MAT/IE), com 23 pessoas.

 

VISITA – O Ministro da Presidência do Conselho de Ministros de Portugal, António Leitão Amaro, responsável pelas políticas de imigração do país europeu, visitou o OBMigra, localizado no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. Durante a visita, o Brasil apresentou sua experiência em compartilhar dados migratórios entre diferentes órgãos do governo, além do papel do observatório na análise de informações sobre migrações internacionais.

 

A troca de informações entre Brasil e Portugal demonstra o interesse mútuo em colaborar internacionalmente para melhorar as políticas migratórias, baseando-as em dados e evidências. O objetivo é fortalecer a governança migratória, tornando-a mais eficaz e integrada. O intercâmbio de experiências e conhecimentos é crucial para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes e inclusivas, que atendam às necessidades dos migrantes e refugiados, promovendo a integração e o desenvolvimento social.


 

*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB.


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