segunda-feira, 4 de novembro de 2024

55 empresas são responsáveis pela contratação de mais de 12 mil pessoas refugiadas no Brasil

 

O representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, durante abertura do 3º Encontro Anual do Fórum Empresas com Refugiados

Atualmente, o Brasil emprega formalmente cerca de 200 mil pessoas refugiadas e que necessitam de proteção internacional. Dessas, mais de 12 mil ocupam a posição em 55 empresas e organizações que fazem parte do Fórum Empresas com Refugiados. O dado foi apresentado nesta quinta-feira (31) em São Paulo, durante o encontro anual do fórum.

Criado em 2021 pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Pacto Global da ONU – Rede Brasil, o Fórum Empresas com Refugiados busca promover estratégias de apoio à população refugiada no Brasil por meio do trabalho e geração de renda. Atualmente, mais de 130 empresas de todo fazem parte da iniciativa. O 3º Encontro Anual do Fórum Empresas com Refugiados, promovido em São Paulo nesta semana, contou com a presença de cerca de 180 pessoas, entre representantes da sociedade civil, Governo, profissionais refugiados no Brasil e setor privado.

No evento, foram apresentados em primeira mão dados coletados em agosto de 2024 em pesquisa feita com 72 membros do fórum. Foi constatado um aumento de 24% de contratações após se tornarem parte da iniciativa. Das empresas que responderam, 50% afirmaram contratar também jovens em vagas de aprendiz e estágios e 11% como prestadores de serviços pela modalidade de pessoa jurídica. Das pessoas refugiadas contratadas, a maioria ocupa cargos operacionais e ganha em média de 2 a 3 salários mínimos e 25% das empresas que contratam têm pessoas refugiadas em cargos de liderança. 

“Esse resultado expressivo mostra a relevância desse trabalho em rede com as empresas para transformar a vida da pessoa refugiada no Brasil”, destacou o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli. “O Fórum é uma iniciativa sustentável e que cresce a cada dia, com empresas engajadas em contratar pessoas refugiadas, na sua formação e capacitação. A integração e a inclusão dessas pessoas vêm através do trabalho digno. E as empresas, por meio do trabalho formal, contribuem para a construção de uma nova vida - uma vida com dignidade, autonomia e qualidade aqui no Brasil.”

“As empresas do Fórum estão engajadas nessa importante causa de inclusão e contratação de pessoas refugiadas. Também temos com o ACNUR outras iniciativas conjuntas, como a plataforma Refugiados Empreendedores, que reúne cerca de 160 empreendimentos de pessoas refugiadas no Brasil”, ressaltou a diretora de Pessoas, Governança e Integridade no Pacto Global, Adriana Alves. “São agendas que remetem diretamente em tudo o que acreditamos no Pacto - agenda 2030, liderança feminina, raça como prioridade, salário digno, entre outros.”

Exemplo de boas práticas

Os resultados dos esforços do fórum junto ao setor privado refletem-se não só no aumento da contratação de refugiados no mercado formal de trabalho brasileiro, mas também no desenvolvimento profissional dessas pessoas, relacionando isso à perspectiva de integração local e parcerias orientadas por soluções para garantir os direitos e a dignidade das pessoas refugiadas no país. 

Durante o evento, várias empresas puderam compartilhar suas experiências com a contratação de pessoas que necessitam de proteção internacional. Uma delas é o Hospital Israelita Albert Einstein. Segundo a superintendente de Sustentabilidade do Hospital, Priscila Surita, desde 2021 a entidade tem falado mais abertamente sobre o papel das pessoas refugiadas em sua história institucional. “Desde então, temos trabalhado com parceiros para causar impacto não só contratando as pessoas para serem nossas colaboradoras, mas para construir projetos de impacto e valor”, afirma. Ela também ressaltou que, embora muitas empresas evitem a contratação por conta da falta de experiência, no hospital, o processo tem sido o inverso. “Se você der oportunidade, a pessoa refugiada, em pouco tempo, vai estar performando até mais que alguém com muita experiência. São pessoas de muito valor”.

Outra empresa que compartilhou suas experiências foi a Solar Coca-Cola, engarrafadora com 13 fábricas no Brasil. Atualmente, apenas em Manaus (AM), as mulheres venezuelanas representam 50% da força de venda da empresa. “Temos um resultado muito gratificante em termos de inclusão e de produtividade. Em um ano de atividade junto com o ACNUR, já contratamos 88 pessoas refugiadas vindas de 4 países diferentes, que falam espanhol e francês, e que permitem que a gente amplie de forma muito significativa as referências e as experiências, e que contribuem com o nosso aprimoramento enquanto companhia”, afirma Arthur Ferraz, head de Relações Externas da Solar Coca-Cola.

Daibelys Nunes é uma dessas pessoas. Ela é venezuelana e trabalha há um ano como promotora de vendas da área comercial da Solar Coca-Cola em Manaus. Apenas nesse período, ela já ganhou três premiações como melhor promotora de vendas na região e agora treina novas colaboradoras. “Sou mãe de dois filhos e não há nada mais dolorido para uma mãe do que ter para o almoço e não ter para uma janta. Uma oportunidade de trabalho dá para sustentar uma família, seguir sonhando e crescendo”, declara. 

Outra empresa participante do Fórum é a Foundever, dedicada ao atendimento ao consumidor e que tem um terço de suas interações com pessoas que não falam português. Com a contratação de pessoas que necessitam de proteção internacional, a empresa não apenas supriu uma demanda interna com mais qualidade, mas também passou a estimular que outras empresas abram oportunidades no mesmo sentido. “A contratação de pessoas venezuelanas hoje se mostra fundamental para a companhia. Hoje temos 700 colaboradores refugiados e migrantes, mas ainda é pouco quando se pensa que, todos os dias, mais de 200 pessoas venezuelanas chegam ao Brasil por Roraima. Estou muito engajado em divulgar essa iniciativa a outros CEOs. É uma grande responsabilidade, mas também um sucesso e um orgulho que tenho”, afirma o CEO da Foundever, Laurent Delache.

A venezuelana Kiria Flores está no Brasil há seis anos e trabalha atualmente como supervisora de operações na Foundever. Ela iniciou na empresa em uma posição de assistente, mas em pouco tempo teve a oportunidade de, dentro da própria empresa, receber capacitação para liderar equipes que têm o espanhol como língua nativa. “Quero seguir crescendo na empresa para continuar ajudando a família e ter um futuro melhor no Brasil com a compra de uma casa própria”, planeja. 

Sobre o Fórum Empresas com Refugiados

O Fórum Empresas com Refugiados foi lançado em junho de 2021 pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Pacto Global da ONU – Rede Brasil com o objetivo principal de promover a contratação de refugiados no mercado de trabalho brasileiro. Ao longo de quatro anos, mais de 130 empresas e organizações empresariais aderiram a essa iniciativa, fortalecendo seu impacto por meio da troca de melhores práticas, treinamentos, intercâmbios de experiências entre os membros e pela sensibilização e engajamento do setor privado na inclusão de refugiados no Brasil. Os impactos alcançados têm feito do Fórum referência na América Latina quanto à mobilização e engajamento do setor privado. O desenvolvimento de iniciativas como estas, pode posicionar a região como líder na inclusão socioeconômica de pessoas refugiadas e migrantes sob o conceito da agenda Cartagena+40.

O 3º Encontro Anual do Fórum Empresas com Refugiados foi promovido com o apoio de Amcham, BRF, Miguel Neto Advogados Associados, Solar Coca-Cola, Lojas Renner e Instituto C&A.
 

acnur.org/br


www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

VII Encontro Internacional de Escrita Migrante: Tecidos Creativos Jasayé

 O VII Encontro Internacional de Escrita Migrante acontecerá de 5 a 10 de novembro de 2024, abrangendo as cidades de Rio Branco, Acre, no Brasil, e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

O evento é gratuito e tem como objetivo fortalecer o intercâmbio cultural e poético por meio da produção literária, performances e debates em torno das artes migrantes e identidades culturais.

Celebrando a diversidade literária da América Latina/Foto: Ascom

Desde sua criação, o Encontro é um evento coletivo e transversal, atravessando fronteiras físicas e simbólicas com o propósito de superar lacunas sociais.

A cada ano, é realizado em diferentes países: Uruguai (2017), Brasil (2018), Chile (2019/2020), edição virtual em 2021, Colômbia (2022) e Argentina/Uruguai (2023).

Programação e Temas

A programação do VII Encontro inclui:

● Lançamento de livros e rodas de leitura
● Performances poéticas e exibições de vídeos
● Amostras de poesia visual, sonora e outras formas livres de expressão
● Visitas culturais a instituições e espaços locais.

O evento será estruturado em torno de três eixos temáticos:

● Narrativas e identidades culturais
● Artes migrantes
● Línguas maternas e escritos migrantes

Os participantes compartilham pesquisas, ensaios e experiências comunitárias que se alinhem aos temas propostos. A dinâmica do encontro inclui a produção de registros, atas e produções coletivas que serão divulgadas posteriormente em encontros literários e espaços virtuais.

Participação Presencial e Virtual

● Presenciais: Poetas e performers de Brasil, Bolívia, Chile, Canadá e Itália, como Brenda Mar(que)s Pena, Concita Maia, Tchello d’Barros e Nelly Vázquez.
● Virtuais: Artistas de Argentina, México, Colômbia e Uruguai, com transmissões e performances gravadas.

O evento é organizado pelo Coletivo Escritura Migrante e pelo Instituto Imersão Latina (IMEL), promovendo a integração cultural entre países da América Latina.

Sobre os Organizadores

O Coletivo de Escritura Migrante (CEM) reúne mais de 30 escritores, poetas e agentes culturais de países latino-americanos, promovendo o diálogo intercultural por meio das artes. O coletivo vê a migração como um ato de mobilização e preservação das memórias e histórias de cada povo.

O Instituto Imersão Latina (Imel), sediado em Belo Horizonte, MG, desde 2005 desenvolve projetos culturais que promovem a integração e preservação das culturas latino-americanas. O instituto faz parte de redes internacionais de arte e cultura, como o Ciclo de Contadores de Histórias e Poetas do Mercosul e a Red sin Fronteras.

Mais informações e atualizações:
imersaolatina.com
Instagram @imersaolatina
Facebook @imersaolatina
Instagram @escrituramigrante
Facebook @escrituramigrante

5 de novembro – Terça-feira

● 15h-18h: Mesa de abertura no Auditório da ADUFAC
● Processos curatoriais em Poesia Expandida – Tchello d’Barros
● Deslocamentos performativos – Brenda Mar(que)s Pena
● Zona Livre e Folhinha Poética – Eliana Castela e Jorge Carlos
● Partejando, do útero da Mãe Terra – Concita Maia e Edir Figueira Marques
● Exibição de vídeos de los artistas: Claudia Vaca (Bolívia), Javier Vives (Chile)
● Conferências:
● Geoglifos – Jane Pessôa Coelho, Arqueóloga – Fundação Elias Mansour
● Política de editoração da Edufac – Ormifran Pessoa Cavalcante
● Lançamento de livros:
● Discurso midiático sobre o indígena na cidade – Silvana Pinheiro Diniz
● Nós da Poesia – Vol. 9 – Instituto Imersão Latina
● Meridianos Poéticos – Coletivo Escritura Migrante
Intervenção poética: Cabaça das Palavras com Eliane Velozo

6 de novembro – Quarta-feira

● 10h: Mostra Internacional de Poesia Visual “Imagética” – Centro Cultural Justiça Federal do Acre
● 14h: Doação de livros na Biblioteca Pública e Sesc Acre
● 16h-18h: Oficinas na Casa de Acolhida de Migrantes
● Aldravias – Maria Delboni
● Escritura Automática Surrealista – Tchello d’Barros
● Autopublicações – Brenda Mar(que)s Pena
● 19h-22h: Sarau “Café com Poesia” – Casa do Poeta da Amazônia
Santa Cruz de la Sierra – Bolívia – 7 a 10 de novembro de 2024

7 de novembro – Quinta-feira

● 15h: Chegada e abertura no Centro de Cultura Plurinacional
● Exibição de vídeoartes:
● Cuerpo, Território, Resistencia | Usted no Está Aquí | Utópicas | Fronteras Abiertas
● 21h: Tertúlia com performances e transmissão no Semanário Latinoamericano

8 de novembro – Sexta-feira

● 9h-11h: Palestras na Universidade UAGRM
● Performances poéticas – Brenda Mar(que)s Pena
● Poéticas visuais latino-americanas – Tchello d’Barros
● Movimento Aldravista – Maria Delboni
● 17h-19h: Lançamento de livros e performances no CCP

9 de novembro – Sábado

● 10h: Visita ao Pueblito Porongo
● 18h-20h30 Performances en
● 19h: Sarau e exposição no Hostal Nomad
10 de novembro – Domingo
● Encerramento e retorno livre.

Contatos:
Brenda Marques Pena – Diretora Geral
+55 31 98811-9469

contilnetnoticias.com.br

www.miguelimigrante.blogspot.com

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

População mundial tem cerca de 300 milhões de migrantes, diz relatório


 Acampamento de migrantes na Grécia / Foto: Julie Ricard via Unsplash

O Centro de Pesquisa e Estudos Idos apresentou, nesta terça-feira, 29, um relatório sobre as migrações em todo o mundo. Segundo o documento, em 2023, aproximadamente 300 milhões de pessoas residiam em um país diferente de onde nasceu (3,6% da população global) enquanto 183 milhões possuem efetivamente uma cidadania estrangeira (2,3% do total).

Entre outros aspectos, o estudo destaca a tendência dos fluxos migratórios seguirem em evolução. Segundo o relatório, até 2050, a população mundial aumentará de 8,1 para 9,7 mil bilhões de habitantes, com um aumento de aproximadamente 859 milhões de pessoas em idade ativa. Contudo, esse crescimento se dará de forma desigual, com um declínio da força de trabalho nos países desenvolvidos e um aumento nos países em desenvolvimento.

O Centro Idos também destaca que as guerras presentes em todo o mundo incidem diretamente sobre o número de migrantes forçados, que aumentou dramaticamente e passou de 20 milhões em 2000 para 120 milhões em maio de 2024. Além disso, existem 7,7 milhões de pessoas deslocadas internamente devido a desastres ambientais, não computados entre os migrantes forçados.

Migrações na Europa

Voltando o olhar para a Europa, a União Europeia registrou, em 2023, mais de 385 mil entradas irregulares, enquanto, em agosto de 2024, já eram mais de 95 mil. As rotas mais usadas continuam a ser o Mediterrâneo Central (42,2%) e os Balcãs Ocidentais (25,7%), embora em relação a 2022 tenham diminuído as chegadas desta última rota (-31,3%) e aumentadas as provenientes do Mediterrâneo Central (+54,1%), Oriental (+57,9%) e da África Ocidental (+156,6%), que se tornou a rota mais letal do mundo, com 6.618 mortes em 2023.

“É um dado conhecido”, afirma a investigadora Maria Paola Nanni, “quanto mais as rotas são bloqueadas e tornadas inseguras, mais cresce o número de mortes e de pessoas que não conseguem completar a viagem. Temos dados a respeito, mas estão subestimados, ou seja, contabilizam apenas as mortes e desaparecimentos dos quais se conseguiu ter vestígios”.

cancaonova.com

www.miguelimigrante.blogspot.com

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Eixo 2 do Fundo Nacional de Solidariedade 2024 aprova 16 projetos para apoio a migrantes, refugiados e povos tradicionais

 

Neste ano, dos 238 projetos aprovados pelo Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), 16 deles vão apoiar e promover a integração social de migrantes, refugiados e povos tradicionais. Os recursos tem origem na Coleta Nacional de Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos.

O edital do Fundo Nacional de Solidariedade deste ano definiu, como de costume, três eixos para a distribuição de recursos, alinhados com o tema da Campanha da Fraternidade, neste ano “Fraternidade e Amizade Social”. O Eixo 2 atendeu a 16 projetos de apoio e integração social de migrantes, refugiados e povos tradicionais.

 

Acolhimento humanizado

Uma dessas iniciativas do eixo 2 é o “Projeto de Integração local e social de Migrantes e pessoas em situação de refúgio”, desenvolvido pelo Centro de Integração do Migrante, de São Paulo (SP), ligado às Irmãs Servas do Espírito Santo.

Irmã Malgarete Scapinelli Conte
Irmã Malgarete Scapinelli Conte, coordenadora do CIM | Foto: reprodução

O projeto tem por propósito ofertar, no período de um ano, atendimento humano e escuta acolhedora a 350 migrantes e pessoas em situação de refúgio que chegam à capital paulista, de modo a favorecer a regularização migratória e o acesso a direitos.

A coordenadora do Centro de Integração do Migrante, irmã Malgarete Scapinelli Conte, explicou que a primeira necessidade quando uma pessoa em situação de migração ou refúgio chega no Brasil é ter sua situação migratória regular, com os devidos documentos para conhecer e ter acesso aos direitos sociais previstos em lei.

“O CIM, por meio desse projeto, de integração local e social de imigrantes e refugiados, com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CNBB, contribui com um profissional capacitado que dedica um dia da semana para orientação e encaminhamentos para regularização migratória e acesso a direitos. Somente nos últimos dois meses, por exemplo, foram mais de 80 pessoas atendidas de cinco nacionalidades, com predominância de bolivianos e venezuelanos. A nossa gratidão à CNBB por esse apoio que muito contribui para que os migrantes também possam chegar, se integrar na sociedade e também poder trabalhar para sustentar a família”, agradece a irmã.

 

Urgência do atendimento

Segundo o Centro de Integração do Migrante, a cidade de São Paulo conta com apenas um serviço público de atendimento especializado para migrantes e pessoas em situação de refúgio. “Não há diversidade de ações em prol da integração local e social – as poucas que existem são direcionadas a atividades recreativas e esportivas”, situa. Neste contexto, as religiosas entendem que “o resgate e a preservação da cultura do país de origem como a dança, ritmos, literatura, folclore favorecem o intercâmbio para quem migra e incidem nos contextos de interação transformando e mobilizando o encontro com o outro”.

O projeto, nesse sentido, busca atender à urgência no estabelecimento de um atendimento semanal para orientação documental e acesso a direitos, possibilitando inclusive aproximação com a comunidade brasileira, evitando a xenofobia. Esse serviço deve beneficiar, segundo a entidade, 210 mulheres, 80 homens, 40 crianças e adolescentes e 20 jovens, além de 1400 pessoas de forma indireta.

Os recursos serão utilizados para aquisição de equipamentos para o local de atendimento, como notebooks, papeis, mesas, cadeiras e impressora. Também serão destinados valores para o pagamento de assessorias com profissionais capacitados, como advogado, assistente social, tradutores e voluntários.

Além dos recursos destinados pelo FNS, no total de 23.258, o próprio projeto invesitirá em contrapartida R$47.407 para a execução do projeto como um todo. O Centro de Integração ainda oferecerá a pastorais e organizações sociais públicas e privadas capacitação para o atendimento aos migrantes e pessoas em situação de refúgio.

 

Migrantes no agir da CF

O texto-base da Campanha da Fraternidade deste ano situa o contexto atual como tempo em que a diferença é vista como inimizade e ameaça. No capítulo do agir, o convite à conversão motiva superar o individualismo e alargar o espaço da tenda (cf. Isaías 54). Isso significa que perante as várias formas atuais de eliminar ou ignorar os outros, devemos ser capazes de “reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social que não se limite a palavras”, conforme o Papa Francisco ensinou na encíclica Fratelli Tutti.

Entre as ações propostas no agir da CF 2024, há a indicação de reagir “sempre como bom samaritano”; favorecer os centros de escuta e formar pessoas para ouvir o diferente; buscar os grupos extra eclesiais que cuidam dos mais vulneráveis; e fomentar e promover as pastorais e movimentos que cuidam dos migrantes e de todos aqueles que estão nas periferias existenciais do mundo.

CNBB

www.miguelimigrante.blogspot.com