sexta-feira, 21 de julho de 2023

Coletivo de mulheres migrantes organiza festival multicultural em BH

 A cantora Claudia Manzo

A cantora chilena Claudia Manzo, do BaianaSystem, apresenta no domingo o show de seu álbum solo "Re-voltar", na programação do festival

Luciana Diniz/Divulgacão

Feiras de ruas, shows, performances teatrais e rodas de conversa destacam a cultura de países como Peru, Haiti, Chile, Argentina, Colômbia, Venezuela e República Democrática do Congo, a partir desta sexta-feira (21/7) até a próxima segunda, em Belo Horizonte. A primeira edição do Festival Migrante é uma iniciativa do coletivo de mulheres migrantes Cio da Terra.

“A proposta do festival é reunir toda a diversidade da migração que existe no Brasil e em Belo Horizonte, tanto que é um evento todo protagonizado e organizado por nós, imigrantes, para que as pessoas possam conhecer melhor nossas culturas”, afirma a peruana Marinela Herrera, uma das organizadoras do projeto.

A abertura, às 19h de hoje, terá um encontro sobre o tema “Mulheres e migrações”, transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do festival.

Cantora e compositora chilena que integra o grupo Baianasystem, Claudia Manzo participa do festival apresentando o show do álbum “Re-viver” (2022) pela primeira vez na capital mineira.


Nascida em 1985 no Chile, Claudia Manzo se instalou no Brasil em outubro de 2012 e viveu durante uma década em Belo Horizonte, onde participava ativamente das atividades do coletivo Cio da Terra. Hoje, a artista está radicada em Salvador. “Estar de volta a BH é muito bom. Aqui foi minha casa por mais de 10 anos, então tenho uma relação profunda com a cidade, com os artistas, com tudo”, diz.

Nas 10 faixas de seu álbum solo “Re-voltar”, Claudia aborda temas relacionados à sua vivência como estrangeira no Brasil e as saudades de casa.

Acontecimentos recentes da história chilena, como os megaprotestos de 2019 em favor da alteração da Constituição datada do período da ditadura Pinochet, também são tratados. “O disco é um olhar para o futuro da humanidade, é um trabalho que fala sobre olhar para trás e pegar impulso para ir para a frente”, diz ela.

O show dela no Festival Migrante ocorre neste domingo (23/7), às 19 horas, na Casa Circo Gamarra. Na segunda-feira, a artista ministra uma oficina de canto no Centro de Referência da Juventude, também às 19h.

Sobre o coletivo Cio da Terra, fundado em 2017, ela afirma: “Acho importante ter um coletivo desses porque mulheres imigrantes sempre são vítimas de muita violência. Mulheres já são vítimas por si só e, quando elas migram, não têm rede de apoio, não têm família e, às vezes, acabam em relacionamentos violentos, nos quais o parceiro é a única pessoa que elas têm”.

Conscientização

Ela ainda chama a atenção para a falta de conscientização sobre a discriminação no país. “Acho que o Brasil, às vezes, não tem muitas ferramentas ou informações que ensinem a população sobre imigração. Sinto que, por exemplo, esse não seria um tema tratado numa conversa no churrasco de domingo, sabe? E isso é um problema, porque muitos brasileiros começam a compreender sobre discriminação apenas quando saem do Brasil.”

Marinela Herrera, radicada na capital mineira há 21 anos, diz que a cidade vem mudando sua relação não tão amigável com os estrangeiros vindos de outros países da América Latina e da África. “Sinto que as pessoas estão aprendendo a conviver de uma maneira mais tranquila com quem é de fora. Quando cheguei aqui, era muito mais estranho. Estamos vivenciando essa mudança, e o festival vem justamente para fortalecer esse processo”, afirma.

Ela aponta, no entanto, que a questão tem que contar com atenção governamental, tendo em vista casos de violência contra imigrantes no país, como o assassinato do jovem congolês Moïse Kabagambe, no Rio de janiero, em 2022. “Acredito que a inclusão das políticas públicas pode ajudar muito nessa visibilidade e na aceitação da população imigrante. Isso já acontece em outros estados, como São Paulo. Estamos lutando para que isso se estabeleça em BH e acreditamos que tempos melhores estão por vir.”

A programação do Festival Migrante inclui oficinas de capoeira angolana, dança rítmica cubana e apresentações circenses no Centro de Referência da Juventude, nos centros culturais São Geraldo e Venda Nova e na Casa Circo Gamarra.

“Desejamos chegar em outros bairros e lugares além do Centro, que tem muitos imigrantes. Queremos também que isso não se restrinja só a nós. As oficinas são para a população em geral. O festival é uma oportunidade para vivenciar uma diversidade artística. Faço um convite para que a população venha nos conhecer, conhecer o coletivo. Somos mulheres de diversas nacionalidades, culturas e costumes. Vai ser muito interessante”, diz Marinela.

FESTIVAL MIGRANTE

Desta sexta (21/7) a segunda (24/7), com atividades no Centro de Referência da Juventude (Rua Guaicurus, 50, Centro), Centro Cultural São Geraldo (Rua Silva Alvarenga, 548, São Geraldo), Centro Cultural Venda Nova (Rua José Ferreira dos Santos, 184, Comerciários) e Casa Circo Gamarra (Rua Conselheiro Rocha, 1.513 - Santa Tereza). Entrada gratuita. Programação completa no instagram: @ciodaterramigrantes.

*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes

em.com.br

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Europa luta para converter refugiados ucranianos em mão de obra ativa em meio a escassez de trabalhadores

 

Foto Wikipedia 

Os países europeus não aproveitaram totalmente a oportunidade de preencher as lacunas de força de trabalho apresentadas pela chegada de milhões de refugiados ucranianos, embora muitos dos que fogem da guerra sejam altamente qualificados ou tenham habilidades muito necessárias nos países de destino.

A inundação de pessoas na fronteira após a invasão da Rússia em fevereiro de 2022 deveria ter sido uma benção para os países do leste da União Europeia, onde a escassez aguda de mão de obra há muito arrasta o crescimento econômico e alimenta a inflação.

Mas obstáculos que vão desde a falta de estruturas de acolhimento de crianças à relutância em reconhecer qualificações acadêmicas e profissionais não europeias deixaram vagas por preencher e os recém-chegados – na sua maioria mulheres – frustrados. Muitos estão presos em empregos abaixo de seus níveis de qualificação e educação e sem as perspectivas de carreira de longo prazo.

Svetlana Chuhil buscou uma licença temporária para trabalhar na Polônia como médica ortopedista e fisioterapeuta logo após fugir com seus dois filhos. Mais de um ano depois, ela foi informada de que sua inscrição exigia um documento-chave que estava preso atrás das linhas inimigas na Ucrânia.

Um mês depois de chegar à Polônia, a mulher de 37 anos, formada em ortopedia, fisioterapia e gestão organizacional, fez um estágio em um centro de bem-estar social pagando 1.400 zlotys (US$ 353,15) por mês – na época, cerca de metade do salário mínimo local.

A Polônia tem um dos mercados de trabalho mais regulamentados da União Europeia, de acordo com uma pesquisa de outubro da consultoria Deloitte.

“Eu não poderia ser contratado como médico ou fisioterapeuta sem ter meus diplomas reconhecidos”, disse Chuhil à Reuters.

Após o estágio, ela conseguiu dois empregos, mas não como médica, e ao mesmo tempo lutou para conciliar um horário de trabalho exigente com o cuidado de suas filhas.

Enfrentando altos aluguéis na cidade de Zgorzelec, no oeste da Polônia, em dezembro, ela cruzou a fronteira para Goerlitz, no leste da Alemanha, onde o governo pagará pela acomodação até que ela termine um curso de alemão e consiga um emprego.

Desde janeiro, ela é voluntária em um centro da cidade que oferece ajuda psicológica a mulheres e crianças refugiadas ucranianas.

Oportunidade ainda não está perdida

O think tank da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que a integração bem sucedida deste último grupo de refugiados poderia expandir a força de trabalho da Europa em meio ponto percentual e ajudar a aliviar a escassez de mão-de-obra citada como um grande fator na inflação insistentemente alta.

Mas 17 meses após a invasão, muitos ainda estão empregados com contratos de curto prazo ou meio período, em vez de formas sustentáveis ​​de emprego, disse Ave Lauren, analista de política de migração da OCDE com sede em Paris.

“Acho que a oportunidade ainda não foi perdida. O que esses países precisam fazer agora é uma segunda camada de integração no mercado de trabalho”, acrescentou Lauren, destacando a necessidade de treinamento, requalificação e reconhecimento de qualificações.

Na Alemanha — a maior economia da Europa e que, segundo dados das Nações Unidas, abriga o maior número de refugiados da Ucrânia –, o número de vagas abertas subiu para seu nível mais alto desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo assim, menos de um em cada cinco refugiados encontrou emprego até agora, já que Berlim se concentra em cursos de idiomas que devem ajudar os refugiados a encontrar empregos de longo prazo mais alinhados com suas habilidades.

“Sempre há um compromisso entre integração rápida e sustentável no mercado de trabalho”, disse Thomas Liebig, economista-chefe do departamento de migração internacional da OCDE.

Oksana Krotova tem mestrado em filologia e trabalhava como gerente de hotel em Kiev antes da invasão. Ela agora trabalha como recepcionista de hotel em Berlim.

“Ninguém precisa de um hotel em uma cidade em guerra”, disse Krotova.

Desde janeiro, a mulher de 34 anos, que não tem filhos, combinou um contrato de 30 horas semanais com um curso de segundo idioma que a ajudou a alcançar a fluência no alemão.

Ciente das dificuldades para obter o reconhecimento de seu diploma, Krotova quer estudar administração de empresas na Alemanha, onde — como mais de 40% de seus companheiros refugiados, segundo uma pesquisa recente — ela agora prevê ficar por alguns anos.

Pesquisadores do Minor, um think tank de políticas migratórias, disseram que o fluxo em larga escala de refugiados da Ucrânia é visto como uma grande oportunidade na Alemanha. No entanto, segundo o pesquisador Ildiko Pallman, houve uma “verificação da realidade”, já que sua integração em empregos de nível semelhante aos que tinha na Ucrânia não é possível sem dominar o idioma local.

E mudar para um emprego melhor mais tarde não é fácil. “Se você já trabalha 40 horas por semana e não tem tempo para um curso de idiomas, muitas vezes as pessoas ficam presas”, disse o pesquisador da Minor Gizem Uensal.

cnnbrasil.com.br

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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Neste ano, já morreram 289 crianças migrantes no Mediterrâneo

 As notícias sobre os desaparecidos no Mediterrâneo são cada vez mais alarmantes. Não só por causa de uma das últimas e piores tragédias, a que ocorreu em junho, perto de Pylos, na Grécia, em que uma barcaça afundou e pelo menos 600 imigrantes morreram. Agora, o Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância - informou números terríveis sobre o desaparecimento de crianças no mar. Pelo menos 11 meninos e meninas morrem, a cada semana, ao tentar atravessar o mar que separa a África da Europa.

A reportagem é de Elena Llorente, publicada por Página/12, 15-07-2023. A tradução é do Cepat.

Em 2023, calcula-se que ao menos 289 crianças morreram afogadas, de um total aproximado de 11.600 que tentaram escapar de situações dramáticas em seus países. Contudo, os números são aproximados porque nem sempre é possível recuperar os restos mortais de todos os que se afogaram no mar. Boa parte dessas crianças viajava sozinha ou separada dos pais, disse um comunicado do Unicef.

Isto tendo presente que, entre janeiro e 9 de julho de 2023, 90.605 pessoas chegaram à Europa via mar, a maioria (69.599) pela rota do Mediterrâneo Central, ou seja, da Líbia ou da Tunísia para a Itália, segundo dados do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados).

O Mediterrâneo é um cemitério

Outro dado divulgado pelo Unicef é que se estima que, desde 2018, cerca de 1.500 meninos e meninas morreram ou desapareceram ao tentar atravessar o Mediterrâneo Central. Mas, agora, também existem outras rotas que os traficantes utilizam, como demonstraram as recentes tragédias de migrantes afogados em Pylos e nas Ilhas Canárias espanholas que estão no Atlântico, perto de Marrocos.

Trata-se de crianças e adultos que fogem de seus países por causa de perseguições, guerras e pobreza, pagando valores que às vezes ultrapassam 1.500 euros aos traficantes de pessoas que os amontoam em barcaças inseguras e os abandonam em um determinado ponto do mar. Muitas vezes, as barcaças afundam por motivos climáticos ou simplesmente porque estavam muito cheias e em péssimas condições.

Navios de organizações internacionais como Open ArmsGeo Barents e Humanity 1 salvaram milhares de migrantes no mar. Também a Guarda Costeira Italiana, embora com limites impostos pelo governo. No entanto, isso não é suficiente para acabar com o problema.

A segurança a ser garantida

“Em uma tentativa de encontrar segurança, reunir-se com a família e buscar um futuro mais esperançoso, um grande número de meninos e meninas embarca nas margens do Mediterrâneo só para perder a vida ou desaparecer no caminho”, declarou Catherine Russell, diretora executiva do Unicef. E acrescentou que “este é um sinal claro de que mais medidas devem ser tomadas para estabelecer vias seguras e legais para o acesso de meninos e meninas aos serviços de asilo, ao mesmo tempo em que sejam reforçadas as operações para resgatar vidas no mar. Em última instância, é preciso fazer muito mais para abordar as causas profundas que forçam as crianças a arriscarem suas vidas em primeiro lugar”.

Unicef calcula que, desde janeiro de 2023, 11.600 meninos e meninas (uma média de 428 por semana) chegaram à costa da Itália. Isso é mais que o dobro dos números de 2022. A maioria parte da Líbia e da Tunísia, onde está grande parte dos traficantes. Contudo, para chegar lá, muitos tiveram que pagar a outros traficantes para trazê-los em caminhões dos países subsaarianos onde viviam.

Unicef também especificou que, nos três primeiros meses de 2023, cerca de 3.300 crianças foram registradas na chegada à Europa. E não estavam acompanhadas de nenhum familiar, o que complica ainda mais a situação das crianças durante as viagens. Especialmente, as meninas podem sofrer violências de todos os tipos. E a isso se soma “a escassez de meios que possuem para se deslocarem com segurança, a falta de acesso à proteção nos países por onde transitam e a insuficiência e lentidão das operações de busca e resgate”, apontou o Unicef.

O que é possível fazer

Unicef pede aos governos, em relação às obrigações derivadas do direito internacional e da Convenção sobre os Direitos da Criança, que protejam as crianças que chegam como migrantes fugindo de perigos e em busca de uma vida melhor.

O organismo propõe que os governos ofereçam “vias seguras e legais para que os meninos e as meninas emigrem e solicitem asilo, incluindo a ampliação dos casos de reunificação familiar”. E que “se reforce a coordenação das operações de salvamento no mar, gerindo um rápido desembarque em locais seguros”.

O desembarque dos migrantes em “lugares seguros” tem sido um assunto muito discutido na Itália, que há alguns anos bloqueou alguns navios de organizações humanitárias que tentavam ajudar e pagou certas quantias à Guarda Costeira da Líbia para devolver os migrantes detectados no mar à terra.

No entanto, algumas organizações internacionais puderam verificar que as pessoas que eram devolvidas à Líbia, depois, eram fechadas em espécies de prisões ou campos de concentração, onde eram submetidas a todos os tipos de violência e trabalhos forçados, e seus familiares nos países de origem eram chamados para que pagassem mais dinheiro aos traficantes, caso quisessem salvá-las.

Um pacto europeu de imigração

Unicef também pede aos governos que reforcem os sistemas nacionais de proteção à infância para evitar explorações e violências contra as crianças, que tenham a possibilidade de serem informadas sobre os perigos da travessia marítima e que aquelas que chegarem a outros países tenham acesso à saúde e aprendizagem, sejam elas refugiadas ou migrantes.

Por último, o Unicef destacou um tema que está provocando um longo debate no Parlamento Europeu e que ainda não foi aprovado: o Pacto da União Europeia sobre Migração e Asilo. O Unicef solicita que tudo o que for necessário para as crianças migrantes também seja incluído nesse Pacto. E sobre isso teremos que esperar, pois existe uma duríssima oposição dos governos de extrema direita da Polônia e da Hungria.

ihu.unisinos.br

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No Brasil, desastres socioambientais e violência impulsionam as migrações internas


Violência no campo é o principal motivo para o deslocamento interno além dos desastres socioambientais – Foto: Freepik

O número de deslocados internos, em todo o mundo, alcançou um total de 71 milhões e 100 mil pessoas até o final de 2022, de acordo com levantamento do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), parceiro da Agência ONU para as Migrações (OIM). Esse número representa um aumento de 20% em relação a 2021, com os desastres naturais exercendo um papel crucial no crescimento dos dados. Nas Américas, o Brasil se destaca como o país com o maior número de migrantes internos, com mais de 708 mil deslocados nos primeiros meses deste ano.

Márcio Henrique Pereira Ponzilacqua, professor da FDRP – Foto: FDRP-USP

Os deslocamentos internos também são conhecidos pelo nome de migração interna e se referem ao movimento de pessoas dentro das fronteiras de um determinado país. Segundo Márcio Henrique Pereira Ponzilacqua, professor da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, apesar dos desastres socioambientais serem a maior causa dessa migração, ela não é a única. “As outras causas que originam essa migração, são, principalmente, as violências, em especial a violência agrária. Isso é um problema sério que atravessa a história do nosso país.”

Segundo pesquisa realizada em 2021 pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o número de assassinatos em conflitos no campo cresceu 75%, indo de 20 para 35 mortes computadas. Além dos já conhecidos atentados contra povos indígenas e quilombolas, a pesquisa também relata a violência vivida pelas famílias de agricultura familiar em conflitos no campo. 

Problema estatal 

Para Ponzilacqua, o crescimento no número de deslocamentos internos é um problema sério e deve ser enfrentado. “Cabe ao estado, nas suas diversas dimensões, oferecer políticas públicas que evitem ou diminuam o sofrimento da população.”

Apesar de a maioria dos deslocamentos internos serem causados por desastres socioambientais, ou seja, acontecimentos que não podem ser interrompidos, isso não exime o estado de criar políticas públicas para diminuir o impacto dessas intercorrências na vida da população. “Com o nível tecnológico que nós temos hoje, é possível mapear as zonas de riscos de potenciais desastres e criar políticas públicas de caráter preventivo. É claro que nem sempre é possível evitar que esses desastres aconteçam, mas, nesses casos, o Estado tem a obrigação de realocar os afetados da maneira mais rápida possível.”

Um problema para todos

É fato que os mais afetados pelas migrações internas são os próprios deslocados, todavia, eles não são os únicos afetados. Segundo Ponzilacqua, “toda vez que um grande contingente populacional parte de uma localidade para a outra, isso sobrecarrega as estruturas, ou a falta delas, no local de destino”. 

Segundo o relatório publicado pelo IDMC, apenas as chuvas de janeiro no estado de Minas Gerais e as de maio em Pernambuco motivaram, respectivamente, cerca de 107 e 133 mil deslocamentos. Entretanto, apesar do alto número, o relatório esclarece que das mais de  700 mil pessoas afetadas no País, apenas 44 mil não tinham voltado ao seu local de origem até o fim do ano passado. 

Julia Valeri (estagiária*), com a supervisão de Ferraz Junior

jornal.usp.br

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quarta-feira, 19 de julho de 2023

Reino Unido aprova lei anti-imigração que restringe fortemente o asilo


 

O Parlamento britânico aprovou, nesta terça-feira (18), uma polêmica lei contra a imigração ilegal, que restringe drasticamente o direito de asilo e que foi criticada pela ONU, que considera a medida contrária ao direito internacional sobre pessoas refugiadas.

O texto é uma iniciativa crucial para o primeiro-ministro Rishi Sunak (conservador), que estabeleceu como prioridade a luta contra a imigração irregular e prometeu "deter" as chegadas de migrantes pelo Canal da Mancha.

Os migrantes que entrarem de forma ilegal no território britânico não poderão mais solicitar asilo no país, de acordo com a lei.

Além da medida, o governo britânico deseja que estas pessoas sejam rapidamente detidas e expulsas, seja para seu país de origem ou para outro Estado como Ruanda, independente de sua procedência.

O projeto de lei sobre imigração ficou bloqueado durante semanas no Parlamento, depois que a Câmara dos Lordes apresentou vários pedidos de emendas, com o objetivo de restringir as detenções de menores de idade e para evitar formas de escravidão moderna.

O texto foi aprovado na madrugada de terça-feira e precisa ser ratificado pelo rei Charles III, uma mera formalidade.

A ONU condenou a lei e afirmou que que o texto entra "em contradição" com as obrigações do Reino Unido sob o direito internacional no que diz respeito aos direitos humanos e aos refugiados

O texto terá "profundas consequências para as pessoas que precisam de proteção internacional", denunciaram em um comunicado conjunto o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, e o Alto Comissário para os Refugiados, Filippo Grandi.

Os migrantes não terão "nenhuma garantia de uma proteção no país" para o qual serão expulsos, denunciou a ONU.

Segundo as Nações Unidas, a lei "cria novos poderes de detenção muito amplos, com um controle judicial limitado".

A ONG britânica Refugee Council afirmou que "é um dia obscuro" para a reputação do Reino Unido. "Um governo está com problemas e está provando o velho método que consiste em (...) acusar os imigrantes pelos seus próprios fracassos", lamentou Michael Rosen, um ativista dos direitos dos refugiados que protestava com dezenas de pessoas em frente ao Parlamento nesta terça.

- "Furar a fila" -

Em 2022, mais de 45.000 pessoas atravessaram o Canal da Mancha, em particular a partir da França, em pequenas embarcações, um número recorde. Desde o início de 2023 foram registradas mais de 13.000 chegadas - no primeiro trimestre a maioria era de afegãos.

O governo britânico acusa os migrantes sem documentos de "furar a fila de espera" em detrimento daqueles que chegam ao país por vias "seguras" ou legais.

Porém, "a maioria das pessoas que fogem da guerra ou da perseguição não tem acesso a documentos como passaportes ou vistos", destaca a ONU. "As vias seguras ou 'legais' raramente estão disponíveis para estas pessoas".

No ano passado, o Reino Unido anunciou um acordo com Ruanda para enviar ao país os migrantes em situação irregular, mas até o momento nenhuma expulsão foi concretizada. O primeiro voo no âmbito do pacto, previsto para junho de 2022, foi cancelado após uma decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH).

No fim de junho, a Justiça britânica declarou o projeto ilegal, mas o governo anunciou um recurso contra a decisão.

O líder espiritual da Igreja Anglicana, o arcebispo de Canterbury Justin Welby, que também é membro da Câmara dos Lordes, afirmou que não entende como esta lei pode acabar com as chegadas de embarcações de migrantes. "Não ouvi nada que tenha me convencido", declarou durante os debates.

Além disso, quase 500 demandantes de asilo serão levados para uma embarcação atracada em um porto inglês, uma medida reduzir os custos de alojamento em hotéis.

A barcaça, que tem o nome "Bibby Stockholm", chegou nesta terça-feira a Portland, sul da Inglaterra. A medida foi muito criticada por ONGs, que chamaram a embarcação de de "barco-prisão".

AFP

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Relatório da OIM: mais de 69 mil migrantes foram assistidos com retorno voluntário, à medida que o número de pessoas em situações de vulnerabilidade aumenta

De acordo com o último Relatório de Retorno e Reintegração da Agência da ONU para as Migrações (OIM), mais de 69 mil migrantes foram assistidos pela agência para que retornassem voluntariamente para suas casas em 2022. Isso representa um aumento de 39% nos retornos assistidos em relação ao ano anterior. 

Entre os assistidos estavam 54.001 migrantes auxiliados pelo programa da OIM de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração (AVRR, na sigla em inglês), bem como 15.281 migrantes assistidos para retornar dos contextos humanitários da Líbia e do Iêmen, no âmbito do programa de Retorno Voluntário Humanitário da OIM (VHR, na sigla em inglês). 

O relatório, que compartilha detalhes e tendências de retornos voluntários assistidos pela OIM, destaca ainda um aumento de 70% no número de migrantes em situações de vulnerabilidade que foram assistidos por meio de retornos voluntários, indo de 4.446 em 2021 para 7.561 em 2022. A proporção de migrantes em situações de vulnerabilidade aumentou progressivamente nos últimos cinco anos, o que ressalta a necessidade de proteção especializada e da experiência da OIM nessa área. 

"O aumento reportado de migrantes em situações de vulnerabilidade nos principais resultados sobre o Retorno e a Reintegração de 2022 destaca a importância de uma abordagem baseada em direitos em programas de retorno e reintegração e da garantia de que uma proteção especializada e sob medida esteja disponível para aqueles em necessidade" disse o Chefe da Divisão de Proteção da OIM, Yitna Getachew. 

Geograficamente, o Oriente Médio e o Norte da África superaram o Espaço Econômico Europeu como a principal região anfitriã, representando 33% do total de casos. O Níger foi o principal país anfitrião com um número total de 15.097 migrantes assistidos no âmbito do retorno voluntário, confirmando a tendência de anos anteriores de um aumento de retornos de países de trânsito em outras regiões de acolhimento fora do Espaço Econômico Europeu. 

Para garantir que os migrantes tenham acesso a apoio personalizado, oportunidades e acompanhamento, a fim de que possam recuperar a estabilidade econômica, social e psicossocial em suas comunidades de origem, a OIM forneceu mais de 170 mil assistências relacionadas à reintegração antes ou após a chegada dos migrantes aos países de origem. 

A OIM e os seus parceiros desenvolveram ferramentas para apoiar uma abordagem baseada em direitos no âmbito do retorno e da reintegração, como a operacionalização de sua Política de Retorno, Readmissão e Reintegração, incluindo seu processo interno de due diligence de Retorno e Reintegração, que coloca os indivíduos no centro de cada decisão ou processos relacionados ao seu retorno e reintegração, com um forte foco em seu bem-estar e na proteção de seus direitos.  

 Acesse o relatório com os principais resultados de retorno e reintegração de 2022 aqui

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Para mais informações, por favor entre em contato com:  

 Giulia Brioschi, gbrioschi@iom.int  

 Bryan Ocaya, oocaya@iom.int 

brazil.iom.int

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terça-feira, 18 de julho de 2023

Roma sediará cúpula sobre migração em 23 de julho, diz Meloni

 

   foto Wikipedia 

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou neste domingo (16), durante sua viagem à Tunísia, que a cidade de Roma sediará uma conferência internacional sobre migração no próximo dia 23 de julho.

 A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa após Meloni, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o premiê da Holanda, Mark Rutte, e o líder da Tunísia, Kais Saied, assinarem um memorando de entendimento baseado em cinco pilares, incluindo a crise migratória.

Segundo a premiê italiana, a cúpula no próximo domingo reunirá vários chefes de Estado e de governo mediterrâneos e contará com a presença de Saied. "Considero o início de um caminho que pode permitir uma parceria diferente do passado", concluiu ela no final da reunião. .

Terra.com.br

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segunda-feira, 17 de julho de 2023

Entrada de migrantes na UE pelo Mediterrâneo aumenta 140%

Variação foi entre o 1º semestre de 2023 e igual período de 2022

 


O número de migrantes que entram na Europa pelo Mediterrâneo Central subiu para quase 65,6 mil no primeiro semestre de 2023, cifra mais alta desde 2017.

A Itália é a principal porta de entrada de migrantes forçados pelo Mediterrâneo no continente europeu.

O número também representa crescimento de 140% em relação ao mesmo período de 2022, segundo dados da Agência Europeia de Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex).

As chegadas pelas outras rotas migratórias registraram queda em relação ao ano passado, de 6% no Mediterrâneo Ocidental e de 34% no Mediterrâneo Oriental.

De acordo com a agência, após uma queda em maio, causada por longos períodos de más condições meteorológicas, os chamados "agentes de migração ilegal" intensificaram suas atividades, provocando aumento de 85% nas entradas via Mediterrâneo Central em junho.

"O aumento da pressão migratória nessa rota pode persistir nos próximos meses, com os agentes ilegais oferecendo preços mais baixos para migrantes partindo da Líbia e da Tunísia, em um contexto de forte concorrência entre grupos criminosos.

Infelizmente, as travessias no mar continuam extremamente perigosas", diz a Frontex.

"Segundo os dados da OIM [Organização Internacional para as Migrações], só até junho quase 1,9 mil pessoas desapareceram no Mediterrâneo", conclui o boletim. .


Federal da Grande Dourados oferece 282 vagas de graduação para refugiados


A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) oferece a oportunidade de realizar cursos de graduação a refugiados, asilados políticos, apátridas, portadores de visto temporário de acolhida humanitária e portadores de autorização de residência para fins de acolhida humanitária ou para reunião familiar. Isso é possível através do Processo Seletivo de Acolhida Humanitária (PSAH-2023.2/UFGD), que disponibiliza 282 vagas em 30 cursos.

A universidade tem como foco acolher pessoas em situação de vulnerabilidade migratória, considerando que, na última década, Mato Grosso do Sul tem recebido centenas de migrantes, principalmente haitianos e venezuelanos, que deixaram seus países devido a graves crises ambientais e econômicas.


Por se tratar de uma iniciativa institucional de acolhida humanitária, o processo seletivo consiste apenas em uma fase, que é a prova de redação em Língua Portuguesa. Essa prova será realizada em 13 de agosto, das 9h às 11h. No dia da prova, é necessário que o candidato chegue com pelo menos 45 minutos de antecedência, apresente um documento de identificação original com foto e utilize caneta esferográfica preta ou azul escura, feita de material transparente.


INSCRIÇÕES

 

A inscrição será de 17 a 28 de julho e poderá ser feita pelo próprio candidato ou por alguém que assumirá a responsabilidade pelas informações prestadas, sem necessidade de apresentar procuração. A página do processo seletivo com os procedimentos que são necessários é: https://portal.ufgd.edu.br/vestibular/psah/psah-2023-2

 

Para inscrever-se, é preciso acessar a Área do Candidato (https://selecao.ufgd.edu.br/), preencher os dados cadastrais, a ficha de inscrição eletrônica e selecionar o curso que deseja concorrer.

 

VAGAS

 

São 282 vagas em 30 cursos: Administração, Agronomia, Artes Cênicas, Biotecnologia, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Ciências Sociais, Direito, Educação Física, Engenharia Agrícola, Engenharia Civil, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Aquicultura, Engenharia de Computação, Engenharia de Energia, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica, Física, Geografia, Gestão Ambiental, História, Letras, Letras Libras (bacharelado), Matemática, Pedagogia, Psicologia, Química, Sistemas de Informação e Zootecnia.


Quem não for classificado dentro das vagas ofertadas para o curso em que se inscreveu, mas quiser entrar em outro, terá a oportunidade de manifestar interesse na ocupação de vagas não preenchidas. A solicitação deverá ser feita na forma de requerimento escrito direcionado à Pró-reitoria de Ensino de Graduação (PROGRAD). Havendo concorrência pela vaga solicitada, será aplicado o critério de desempate previsto no edital. 

 

PRINCIPAIS DATAS

 

O cronograma prevê que a UFGD convocará os inscritos para a realização das provas por meio de edital divulgado em 08 de agosto, os candidatos farão a prova de redação em 13 de agosto, na cidade de Dourados (em local a ser informado na Área do Candidato), o resultado preliminar será publicado em 23 de agosto e, após o período de recursos, o resultado final será divulgado em 25 de agosto. O início do segundo semestre letivo de 2023 será em 25 de setembro.

 

CONTATOS

 

Centro de Seleção (fase de inscrição): telefone (67) 3410-2840 e e-mail centrodeselecao@ufgd.edu.br .

Secretaria Acadêmica (documentação, ingresso e matrícula): telefone (67) 3410-2820/ 2825 / 2826 ou, ainda, pelo e-mail secac@ufgd.edu.br .

Página oficial do PSAH-2023.2/UFGD: https://portal.ufgd.edu.br/vestibular/psah/psah-2023-2

 

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