sexta-feira, 21 de abril de 2023

Afegãos refugiados lutam para viver e manter a religião longe de casa

 


No momento em que o grupo extremista Talibã retomou o poder no Afeganistão, em 2021, Shabir Ahmad Ahadi soube que não poderia voltar para casa. Diplomata a serviço do antigo governo, no Irã, e membro da minoria xiita, contrária ao regime, ele e a família se viram diante das portas do próprio país fechadas. E de um prazo de 15 dias para deixar o território vizinho.

Com o visto humanitário em mãos, Shabir desembarcou com a esposa grávida de 8 meses, a mãe idosa e dois filhos pequenos no Aeroporto de Guarulhos, em junho de 2022, sem nenhum tipo de orientação. Na espera por algum auxílio, sem falar português e com pouco dinheiro, a família afegã passou sete dias dormindo nas cadeiras do aeroporto, racionando biscoitos diante dos preços superfaturados.

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Ainda sem retorno dos órgãos para refugiados do governo, a família foi recebida na casa de acolhimento Vila Minha Pátria, em Morungaba (SP), mantida pela Convenção Batista Brasileira. Meses depois, passaram a viver em um apartamento em Brasília, cedido pelo prazo de um ano pela Igreja Batista.

As barreiras culturais e de idioma, no entanto, dificultam a procura por emprego e a autonomia de Shabir e dos parentes no Brasil. Eles também mantêm os pensamentos nos familiares presos pelo regime fundamentalista do país natal.

No mês do Ramadã, que termina nesta sexta-feira (21/4), os afegãos lutam para manter a cultura viva e a esperança de começar uma vida nova.

Fronteiras brasileiras

O Brasil é o único país que concede visto humanitário a cidadãos do Afeganistão. No entanto, apesar do pioneirismo, o governo não foi eficiente em criar uma política de acolhimento.

“Chegamos ao aeroporto depois de 20 horas de viagem, sem nenhuma referência. Não falávamos uma palavra em português, e ninguém nos entendia. Ficamos com medo de sair do aeroporto e não conseguir mais voltar, porque não sabíamos como funcionava o transporte, não falamos a língua e tínhamos pouco dinheiro conosco, não muito”, lembra Shabir.

A expectativa era chegar em território brasileiro e abrir caminhos para os demais irmãos – a mais nova, Ferooza, foi vítima de violência doméstica e impedida pelo marido de continuar os estudos. Outros dois foram presos e ameaçados pelo regime fundamentalista.

As preocupações com os familiares que ficaram no Afeganistão, em meio às ameaças do grupo extremista no poder, dividiam espaço com as dúvidas se ir para São Paulo foi, de fato, a decisão certa.

“Não tínhamos mais dinheiro, nem para onde ir, os lanchinhos que trouxemos estavam acabando. Eu estava rezando para Deus e pensando: ‘o que fizemos da nossa vida ao vir para o Brasil'”, conta o diplomata.

Refugiados Afegãos fizeram uma espécie de acampamento no Aeroporto de Guarulhos

Depois de uma semana sem respostas, eles pediram abrigo a voluntários que foram até o local buscar outro grupo de cidadãos islâmicos. Apesar da falta de espaço, em razão da gravidez da esposa e da saúde delicada da mãe, a família foi recebida na casa de acolhimento Vila Minha Pátria, mantida pela agência missionária da Convenção Batista Brasileira.

O local abriga cerca de 160 refugiados de origem afegã em uma chácara em Morungaba (SP), a 480 km da capital paulista. Depois de quase cinco meses, os membros da família receberam a notícia de que uma igreja em Brasília poderia fornecer um apartamento na cidade, que agora eles chamam de lar.

Controle extremista

A família de Shabir integra um grupo de 3,3 mil afegãos que chegaram ao Brasil entre janeiro e outubro de 2022, tendo o aeroporto de Guarulhos como porta de entrada. No auge do fluxo migratório, no fim do ano passado, cerca de 300 pessoas permaneceram acampadas em barracas improvisadas no terminal 2 do aeroporto.

A movimentação intensa para deixar as fronteiras afegãs foi motivada pela tomada de poder do regime Talibã, grupo político que restringe direitos fundamentais de parcela significativa da população, em especial, mulheres e minorias de fé xiita.

Pouco depois de retomar o controle do país, o grupo anunciou a reintrodução de execuções e amputações de supostos criminosos, ato que virou um dos símbolos do primeiro governo no Afeganistão, no período de 1996 a 2001.

No fim do ano passado, autoridades do país proibiram televisão, música e cinema. Também impediram meninas com mais de 10 anos de irem à escola, e mulheres de trabalharem fora de casa.

Em um país marcado por divisões religiosas e étnicas, profissionais ligados ao governo derrotado, como Shabir e os irmãos dele, também são perseguidos em um vaivém de prisões injustificadas e solturas.

“Eu ainda tenho dois irmãos detidos no Afeganistão, e eles estão sendo torturados pelo regime. Um deles ficou na prisão por um tempo, mas depois foi solto. Eles não têm autorização para trabalhar, os filhos deles não podem ir a escola. No nosso país, família é a coisa mais importante. Eu fico com o coração dolorido em saber que meus irmãos ainda estão lá”, lamenta.

“É uma preocupação constante. Minha mãe chora toda noite por eles. Sempre que ela come algo, pensa neles, bebe algo, eles vêm à mente”, lamenta.

 Vinícius Schmidt/Metrópoles
Shabir e o irmão agora moram em Brasília

Nova vida

A pequena Fátima Ahadi, de 7 meses, conheceu a nova vida em território brasileiro. Rima, 25, esposa de Shabir, deu à luz na casa de acolhimento em São Paulo – em uma espécie de renascimento de toda a família. Pouco tempo após a chegada da matriarca da família e do filho diplomata, vieram um irmão e a esposa dele, também grávida.

Depois de meses de tentativas de autorização para deixar o território iraniano sem o marido, a irmã Ferooza também chegou ao Brasil. Ao todo, 10 integrantes da mesma família moram no apartamento da capital federal, entre os quais duas crianças são brasileiras.

“Ferooza tinha um problema com o esposo no Irã, que é um primo. Ele batia nela, não deixava ela estudar, trancava ela em casa. Ela me pediu ajuda e eu a trouxe para minha casa, dei suporte para continuar os estudos e ela concluiu a faculdade de arquitetura. É um orgulho para nós”, lembra o irmão mais velho.

Pais dos pequenos Mohammad, de 4 anos, Duny, de 2, além da bebê brasileira Fatima, Rima e Shabir se preocupam, principalmente, com a instrução dos três filhos. “O principal motivo para virmos ao Brasil é pelo futuro deles. É muito importante para nós que as meninas estudem”, frisa o pai das crianças.

“Meu filho tem autismo, ele demanda cuidado na escola, pela nossa cultura e sem falar a língua. Mas a maior preocupação é que eu não tenho um emprego aqui. Eu trabalhei como diplomata, tenho dois mestrados, doutorado na Europa, falo inglês, e ainda assim, não tenho emprego. Meus irmãos também não”, comenta o afegão.

Pelo período de um ano, a igreja fornece uma ajuda de custo para mantê-los. Mas, a preocupação com o fim do período é frequente. As barreiras culturais e o idioma têm dificultado a busca por uma colocação no mercado brasileiro. O sonho do pai dos três meninos é voltar a trabalhar com relações internacionais ou em uma universidade, e continuar a estudar.

metropoles.com/brasi

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Oito mitos sobre um mundo com 8 bilhões de pessoas

UNFPA/ARTificial Mind/Cecilie
 
Novo relatório do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, explica algumas suposições e avalia o futuro da sociedade após o mundo alcançar a marca de 8 bilhões de habitantes

 No último ano, a população mundial chegou a 8 bilhões de pessoas. Com o marco, apareceram questionamentos: o que isso significa? Quais são as implicações para as vidas, direitos, saúde e filhos futuros de todas essas pessoas?

Análises temerosas apontam que o mundo está próximo de um colapso, a migração está fora de controle, não haverá cuidado ideal para os idosos, e muitos querem controlar o número de gestações.

Fatos e mitos

O relatório do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, sobre o Estado da População Mundial busca responder o que é fato e o que é mito. Além disso, os especialistas analisam o que esses números podem representar para o futuro da população global.

O documento mostra que muitas pessoas, hoje ainda, não conseguem atingir seus objetivos reprodutivos. Na avaliação da agência, os corpos das mulheres não devem ser “mantidos cativos” de escolhas feitas por governos ou qualquer outra pessoa.

Além disso, eles afirmam que o planejamento familiar não deve ser uma ferramenta para alcançar metas populacionais, mas uma ferramenta para empoderar os indivíduos. Confira os mitos mais repetidos sobre o aumento populacionais e as explicações do Unfpa.

Na avaliação da agência, os corpos das mulheres não devem ser “mantidos cativos” de escolhas feitas por governos ou qualquer outra pessoa.
© UNFPA/ARTificial Mind/Cecilie
 
Na avaliação da agência, os corpos das mulheres não devem ser “mantidos cativos” de escolhas feitas por governos ou qualquer outra pessoa.

Mito 1: Há muitas pessoas nascendo

Catástrofes climáticas, conflitos intermináveis, fome crescente, pandemias, instabilidade econômica. As causas dessas crises são múltiplas e se sobrepõem. Mas, para alguns, é natural apontar o dedo para as taxas de fertilidade: a população mundial é muito grande e os recursos são insuficientes.

Para o Unfpa, o marco de 8 bilhões é sinal de progresso humano. Isso significa que mais recém-nascidos estão sobrevivendo, mais crianças estão indo para a escola, recebendo cuidados de saúde e chegando à idade adulta.

As pessoas, hoje, vivem quase 10 anos a mais do que em 1990 e as mudanças nas taxas de fertilidade não devem alterar a atual trajetória de crescimento de nossa população. Segundo o Unfpa, se observarmos, a taxa de crescimento populacional está diminuindo significativamente.

Mito 2: Não há pessoas suficientes nascendo

Desde a década de 1950, o número médio de filhos que as mulheres têm globalmente caiu mais da metade, de 5 para 2,3. Dois terços da população mundial vivem em lugares com taxas de fertilidade abaixo do nível de reposição.

O Unfpa explica que isso não é um sinal de que a população global está em risco ou que os não terá recursos de serviço social suficiente para os idosos. Segundo a agência, isso aponta que os indivíduos estão cada vez mais autônomos sobre suas próprias vidas reprodutivas. O Unfpa ressalta que todas as populações estão envelhecendo, o que é um resultado positivo do aumento em longevidade.

A queda das taxas de fertilidade não precisa, necessariamente, resultar em redução da população como um todo. Segundo a agência, muitos países experimentaram uma queda nas taxas populacionais desde a década de 1970, mas ainda cresceram devido à migração.

Mito 3: Estas são questões demográficas, não questões de gênero

O Unfpa avalia que atualmente os indivíduos estão nascendo em um mundo de desigualdade de gênero profunda. Embora a entidade afirme que a reprodução humana deveria ser uma escolha, dados mostram o contrário.

O relatório destaca que cerca de 44% das mulheres com parceiros são incapazes de exercer autonomia corporal. Elas não são possuem liberdade para tomar suas próprias decisões sobre seus cuidados de saúde, contracepção e se devem ou não ter relações sexuais.

O Unfpa ressalta que quase metade de todas as gestações são indesejadas e cerca de 500 mil nascimentos todos os anos são de gestações entre meninas de 10 a 14 anos.

No entanto, quando confrontados com mudanças ou preocupações populacionais, muitas vezes, vemos a retórica e os formuladores de políticas se voltarem para as taxas de fertilidade como uma solução preferencial.

Já propostas que consideram desejos de fertilidade de mulheres e meninas não são avaliadas com frequência suficiente, aponta o Unfpa.

O relatório destaca que cerca de 44% das mulheres com parceiros são incapazes de exercer autonomia corporal.
© UNFPA/ARTificial Mind/Cecilie
 
O relatório destaca que cerca de 44% das mulheres com parceiros são incapazes de exercer autonomia corporal.

Mito 4: Taxa de fertilidade total ideal é de 2,1 filhos por mulher

A taxa de 2,1 filhos por mulher é apresentada como o nível de fertilidade de reposição, ou seja, a taxa média necessária para substituir uma população ao longo do tempo.

Segundo o Unfpa, embora a informação seja geralmente verdadeira, o número não pode ser tratado como um padrão-ouro e uma meta para muitas políticas de fertilidade.

Isso porque, 2,1 é a taxa média de substituição para países com taxas de mortalidade infantil muito baixas e taxas naturais de sexo ao nascimento, não países com taxas de mortalidade mais altas ou taxas de sexo distorcidas.

O índice também não considera as mudanças na idade das mulheres no parto e o impacto da migração.

Para o Unfpa, é uma meta enganosa e inatingível. Não há razão para acreditar que uma taxa de fertilidade de 2,1 resultará nos mais altos níveis de bem-estar e prosperidade.

Mito 5: Ter filhos é irresponsável em um mundo de catástrofes climáticas

Na avaliação do Unfpa, essa afirmação sugere que as mulheres em países com altas taxas de fertilidade são responsáveis pela crise climática. Na verdade, elas foram as que menos contribuíram para o aquecimento global e os que mais sofrem com seus impactos.

A agência explica que os 10% mais ricos da população humana são responsáveis por metade de todas as emissões de gases de efeito estufa. E eles tendem a viver em países com taxas de fertilidade mais baixas.

Com essas estatísticas, o Unfpa analisa que reduzir as taxas de fertilidade não resolverá a crise climática. O que contribuiria é trazer os níveis de consumo para patamares mais sustentáveis, reduzir as desigualdades e investir em fontes de energia mais limpas.

Mito 6: Precisamos estabilizar as taxas populacionais

Essa crença contém a suposição de que certas taxas populacionais são boas ou ruins.

Mas o Unfpa destaca que não existe um número perfeito de pessoas, nem devemos indicar o número de filhos que cada mulher deve ter. A história tem mostrado os danos que esse tipo de pensamento pode causar, como a eugenia e o genocídio.

A comunidade internacional hoje rejeita firmemente os esforços de controle populacional, mas ainda há um interesse significativo em influenciar as taxas de fertilidade.

As Nações Unidas pesquisaram as atitudes dos governos em relação à mudança populacional na última década. Uma descoberta do relatório é um aumento acentuado no número de países que adotam políticas com a intenção de aumentar, diminuir ou manter as taxas de fertilidade de seus cidadãos.

Estas não são necessariamente políticas coercivas, podendo ser positivas, por exemplo, se aumentarem o acesso aos serviços de saúde. Mas, em geral, o Unfpa avalia que os esforços para influenciar a fertilidade estão correlacionados com um desempenho inferior em medidas de democracia e liberdade humana.

Para o Unfpa, o ponto principal é que todo indivíduo tem o direito humano fundamental de escolher, livre e responsavelmente, o número e o espaçamento de seus filhos.

Mito 7: Temos que focar nas taxas de fertilidade porque não temos dados sobre o que as mulheres querem

Preocupações com a população são repetidamente enquadradas como questões sobre fertilidade ou taxas de natalidade. Os especialistas geralmente se preocupam com o fato de que dados sobre a intenção de fertilidade não são confiáveis.

Embora possam variar, deixar de buscar informações sobre o que as mulheres e outros grupos marginalizados precisam e querem, abre as portas para danos e violações de direitos, avalia o Unfpa.

Os apelos para aumentar ou diminuir as taxas de fertilidade costumam ser ouvidos como esforços para controlar a fertilidade das mulheres e não como intenções de garantir o controle das próprias mulheres e meninas sobre suas escolhas.

Mito 8: Direitos e escolhas são ótimos em teoria, mas inacessíveis na realidade

O Unfpa alerta que deixar de apoiar os direitos reprodutivos sempre acarreta custos, que são desproporcionalmente arcados, pelas mulheres e populações mais marginalizadas.

Segundo a agência, devem ser fornecidos uma gama completa de serviços de saúde reprodutiva, desde contracepção até parto seguro e cuidados de infertilidade.

Para o Unfpa, os corpos das mulheres não devem ser reféns de escolhas feitas por governos ou outros indivíduos.

O planejamento familiar não deve ser uma ferramenta para alcançar metas populacionais, mas uma ferramenta para empoderar os indivíduos.


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quinta-feira, 20 de abril de 2023

Chile endurece controle de identidade para migrantes

 


O Congresso do Chile aprovou duas leis que fornecem novas ferramentas de controle migratório: uma, que permite a prisão de migrantes em situação irregular; e outra, que estende o período de custódia para conduzir sua expulsão.

Aprovadas nesta terça-feira (19) no Congresso, as iniciativas fazem parte de um pacote de projetos de lei que o governo e parlamentares concordaram em aprovar rapidamente, para gerar um maior controle migratório e dar mais poderes à polícia para enfrentar a criminalidade.

"Não temos nenhum tipo de inibição ideológica em nenhum dos nossos setores para fazer cumprir a lei no Chile e controlar as fronteiras", disse a ministra do Interior e Segurança, Carolina Tohá, após a aprovação das duas iniciativas.

A primeira lei foi aprovada por 86 votos a favor e 44 contra, principalmente do atual governo, e 5 abstenções.

As leis permitirão que a polícia detenha uma pessoa que não possa provar sua situação migratória ou que tenha uma autorização de residência vencida.

Além disso, o prazo de uma hora para realizar o controle de identidade foi eliminado, agora deixado em um período indeterminado.

No caso dos chilenos, a polícia também tem permissão para prendê-los, se não portarem identificação.

Também aprovada com 120 votos, uma outra lei amplia o período de custódia de 48 horas para cinco dias, a fim de conduzir a expulsão de um migrante em condição irregular no país. O curto prazo anterior não permitia, na maioria dos casos, reunir os antecedentes para executar a ordem de saída do país.

Após uma onda de crimes, a Promotoria estabeleceu que pedirá a prisão preventiva, quando um migrante for preso em flagrante e não tiver sua carteira de identidade.

O líder de extrema-direita José Antonio Kast propôs a instalação de residências temporárias para pessoas que não preenchem os requisitos para ficar no país, o que gerou polêmica.

 

* AFP

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Quase 2 milhões de brasileiros trabalhando nos Estados Unidos

 

Divulgação
Segundo o Itamaraty, 1 milhão e 800 mil imigrantes – incluindo legais e indocumentados – vivem nos EUA. E fatores variados apontam que neste ano este número chegue a dois milhões de brasileiros. Não é novidade que a escolha para se viver no exterior tem os Estados Unidos como meta principal.
A quantidade de imigrantes ilegais nos Estados Unidos teve uma redução nos últimos meses e apesar do maior rigor nas fronteiras, o governo americano tem buscado alternativas para atrair trabalhadores regulares. O profissional que se qualifica para trabalhar em áreas como por exemplo, saúde, engenharia, aviação e tecnologia tem grandes chances de conseguir trabalho, somado ao incentivo do governo.

Outra tendência crescente neste ano é uma maior chegada de empreendedores e empresários que estão migrando seus negócios e investimentos para os Estados Unidos.

Contudo, para trabalhadores temporários, permanentes ou empresários que pretendem imigrar legalmente há duas espécies de vistos: de imigrante e de não-imigrante.

As diferenças entre este dois visto, segundo a advogada de imigração Ingrid Domingues McConville, é que o visto de Imigrante leva à residência permanente que significa obter um Green Card e assim ter liberdade de emprego para qualquer empregador e o tornará elegível para a cidadania dos EUA se passar em todos os outros requisitos. Já o visto de não-imigrantes é uma opção disponível por motivos de trabalho, visitas ou estudos. A maioria dos vistos de não-imigrante é renovável para que a pessoa possa permanecer no país por mais tempo. No entanto, eles não fornecem residência permanente como os vistos de imigrantes.

Os vistos de imigrantes mais populares entre os trabalhadores qualificados e empresários são os chamados EB e suas categorias. EB1 abrange aqueles com “habilidades extraordinárias”, como profissionais de negócios, acadêmicos e pesquisadores, cientistas, artes ou atletismo. Este tipo de visto não requer certificação trabalhista. EB2 estão disponíveis para profissionais com diploma avançado ou equivalente estrangeiro; ou que possam provar pelo menos dez anos de experiência em um campo; ou aqueles cujo emprego é de interesse nacional dos EUA. EB3 estão disponíveis para aqueles que possuem diploma de bacharel ou equivalente estrangeiro, bem como trabalhadores qualificados e não qualificados que tenham uma oferta de emprego não temporária de um empregador dos EUA. Para cada categoria de elegibilidade dentro do EB-3, a certificação de trabalho deve ser obtida.

Obviamente para compreender melhor sobre elegibilidade de cada pessoa é preciso que o caso seja analisado por um profissional da área, ou seja, um advogado de imigração com larga experiência, pois cada categoria tem suas peculiaridades e regras a serem seguidas.

Os advogados de imigração dos Estados Unidos são profissionais especializados em lidar com casos relacionados à imigrantes. Seu trabalho envolve ajudar as pessoas a obter residência, defender seus direitos e monitorar outros assuntos relacionados à imigração. Eles também aconselham os clientes sobre seus direitos e obrigações, além de apresentar caminhos de ação de acordo com seu conhecimento da legislação de imigração.

Quer saber mais sobre o assunto entre no   https://instagram.com/dmvisalaw?igshid=YmMyMTA2M2Y=
 * Ingrid Domingues-McConville fundou a DM VISA LAW - Domingues McConville, P.A. em 1995.  É membro da Ordem dos Advogados da Flórida desde 1995 e membro do Tribunal Distrital dos Estados Unidos, Distrito Sul da Flórida.  Ingrid obteve seu diploma de graduação em Psicologia pela Universidade de Miami em Coral Gables, Flórida e seu diploma de Direito pela Cleveland-Marshall College of Law em Cleveland, Ohio. Com 28 anos de experiência em Direito de Imigração, Ingrid representou clientes em todo os Estados Unidos e no mundo, tanto em questões de imigração empresarial quanto familiar.  Ajudou empresas e indivíduos a obterem vistos e residência permanente nos Estados Unidos. Ingrid desempenha um papel de liderança significativo na comunidade brasileira no sul da Flórida e em todos os Estados Unidos, fornecendo orientação e aconselhamento jurídicos muito necessários.

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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Missão Paz promove feira de empregabilidade para refugiados e grupos minoritários

 

Foto: Adobe Stock | Licenciado

Atualmente, segundo o levantamento feito pelo IBGE, o número de desempregados no Brasil chega a 9 milhões de pessoas, com taxa de 8,4%, segundo dados publicados no primeiro trimestre de 2023. Com objetivo de atender a população mais vulnerável, entre eles os refugiados, a Missão Paz, em parceria com a empresa Customer Experience Foundever realizará a feira de empregabilidade para capacitação de candidatos a entrevistas, preparação para dinâmicas de grupos, orientações comportamentais em recrutamento on-line e presencial, preenchimento e impressão de currículos.  

A ação ocorrerá na sede da organização, localizada no bairro da Liberdade, na cidade de São Paulo; terá duração de seis horas com abertura às 10h e encerramento às 16h.Os interessados devem se inscrever,  por meio do link. 

O objetivo do evento é prestar serviços que ofereçam orientação e a recolocação das pessoas em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho. 

Com o objetivo de ser um evento inclusivo aos grupos mais vulneráveis da população da capital paulista, o formulário de inscrição conta com as opções para candidatos de diferentes idiomas nativos, nacionalidade, raça ou etnia.

A diretora de Recursos Humanos da Foundever, Adriana Wells, explica que o evento é totalmente voltado ao público em situação mais vulnerável, sendo este o principal diferencial. “Se estar desempregado já é difícil para quem tem uma estrutura acadêmica e financeira estável, imagine para aquele nicho da população que é mais carente. Portanto, a nossa meta é atender, por exemplo, os refugiados, pessoas com mais de 50 anos, moradores de lugares mais necessitados de São Paulo e outras minorias com dificuldade de recolocação no mercado de trabalho”, conta. 

Missão Paz é uma organização que atua há mais de 80 anos dando apoio e acolhimento a pessoas migrantes e refugiadas em São Paulo. Em seu histórico de atuação, a instuição conta com a Casa do Migrante, que acolhe e oferece um abrigo inicial aos recém-chegados; Serviços para Migrantes, com assistência médica, jurídica, social e cursos; Centro de Estudos Migratórios, responsável por pesquisas na área; e a igreja, para os que são católicos.

Feira de Empregabilidade  
Data: 20 de abril (quinta-feira)
Horário: 10h às 16h –  Ong Missão Paz
Inscrição por meio do preenchimento do formulário on-line, Clique Aqui
Documentação: Levar documento de identidade e, caso tenha, currículo impresso

A inciativa contribui para Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, com ênfase nos ODS 10, meta que respectivamente promove a redução das desigualdades.

observatorio3setor.org.br

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MPF e Círculos de Hospitalidade promovem painel sobre enfrentamento do tráfico de pessoas e contrabando de migrantes

 

Arte: Círculos de Hospitalidade


Enfrentamento do Tráfico de Pessoas: Como Identificar e Fornecer Assistência às Vítimas? é o tema do painel presencial promovido pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela organização Círculos de Hospitalidade. O evento, que será realizado amnha quinta-feira (20), discutirá os desafios e as práticas de enfrentamento do tráfico doméstico e internacional de pessoas. A palestra terá início às 14h no auditório da Procuradoria da República em Santa Catarina, unidade do MPF no estado.

A atividade contará com a presença de especialistas no assunto, entre eles, o procurador regional dos Direitos do Cidadão em Santa Catarina, Fábio de Oliveira, e a coordenadora geral de enfrentamento do tráfico de pessoas e contrabando de migrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Marina Bernardes de Almeida.

Também participarão do evento a coordenadora de projetos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Carolina Becker Peçanha, e a líder do Comitê de Enfrentamento do Tráfico Humano Swany Zenobini, além de representantes do Grupo Mulheres do Brasil. A mediação ficará por conta de Bruna Kadletz, coordenadora da Círculos de Hospitalidade.

Tráfico de migrantes - O contrabando de migrantes é um problema que afeta vários países, maculando sua integridade com a perda de milhares de vidas a cada ano. O recrutamento de indivíduos em posição de vulnerabilidade com promessas de vida melhor em outro lugar tem o propósito de exploração. Essa prática é um crime que envolve a obtenção de benefícios financeiros ou materiais por meio da entrada ilegal de uma pessoa num estado no qual ela não seja natural ou residente.

Várias organizações, entre elas, a Círculos de Hospitalidade, se debruçam nessas questões por meio do Projeto Integra, que conta com o apoio do MPF e da Agência da ONU para as Migrações (OIM). Esse projeto tem como foco o acolhimento e a inclusão para os migrantes por meio do acesso à informação confiável para a conscientização de seus direitos. Além disso, busca instruir essas pessoas para o conhecimento dos diversos serviços e programas sociais oferecidos no país, conquistando mais autonomia.

Será emitido certificado de participação. O evento será transmitido pelo canal do MPF/SC no YouTube. As inscrições para o público interno do MPF serão realizadas pelo sistema Hórus e, para o público externo, pelo e-mail contato@circulosdehospitalidade.org

Serviço

Evento: Enfrentamento do Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes

Data: 20/4/2023

Hora: 14h

Local: Auditório do MPF em Florianópolis (Rua Paschoal Apóstolo Pitsica, 4.876, Torre 3, Agronômica)

 

Assessoria de Comunicação Social

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terça-feira, 18 de abril de 2023

Escassez de mão de obra qualificada bate recorde na Alemanha

 


Em 2022, mais de 630 mil vagas não puderam ser preenchidas por falta de profissionais capacitados. Em áreas como saúde e educação, até 60% dos postos ficaram abertos. Autoridades destacam necessidade de mais imigrantes.

escassez de mão de obra qualificada na Alemanha atingiu nível recorde em 2022, apesar de uma economia relativamente mais fraca, revelou um novo estudo do Instituto Econômico Alemão (IW, na sigla em alemão) divulgado neste domingo (16/04).

Mais de 630 mil vagas para trabalhadores qualificados não puderam ser preenchidas no ano passado por falta de candidatos devidamente capacitados para o posto em todo o país. Segundo o estudo, é o número mais alto desde o início dos registros, em 2010.

Os setores de saúde, serviços sociais e educação estão entre os mais afetados, ao lado de construção, arquitetura, topografia e tecnologia de construção, nos quais seis em cada dez vagas abertas não foram preenchidas.

Também houve uma escassez de trabalhadores qualificados maior do que a média nos campos das ciências naturais, geografia e tecnologia da informação (TI).

O estudo do IW mostrou ainda que a escassez de mão de obra nas áreas de comércio, vendas, hotelaria e turismo quase triplicou em 2022, com três em cada dez vagas abertas sem preencher. Nesse caso, o aumento foi atribuído à alta de contratações após uma queda desencadeada pela pandemia de covid-19.

Geralmente, quanto maior o nível de qualificação exigido para uma vaga ou setor, mais difícil é preencher esses postos.

Especialistas com diplomas universitários nas áreas de TI, engenharia elétrica, planejamento e supervisão de construção foram particularmente procurados: registrou-se escassez de profissionais devidamente qualificados para nove em cada dez vagas abertas nessas áreas.

Precisamos de Imigração 

Por mais que 2022 tenha batido o recorde, a escassez de mão de obra adequada para as vagas abertas se reflete há muito tempo no mercado de trabalho alemão, e é amplamente reconhecido que atrair mais imigrantes se faz necessário para suprir esse déficit de profissionais.

"Precisamos da imigração", afirmou Andrea Nahles, chefe da Agência Federal para Emprego (BA, na sigla em alemão), acrescentando que, caso contrário, as vagas continuarão abertas.

Em março deste ano, cerca de 45,6 milhões de pessoas estavam empregadas em toda a Alemanha – também o número mais alto que se tem registro. Apesar da recessão econômica, inflação e incertezas políticas, trabalhadores qualificados foram abocanhados por empregadores do setor de comércio, indústria e serviços.

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