quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

'Nos devolveram a esperança', migrantes confiam em mudança da política com Biden

 

Foto: Andrew Harnik / POOL / AFP

Migrantes que aguardam no México seus trâmites para se radicarem nos Estados Unidos disseram nesta quarta-feira (20) confiar em que o novo presidente americano, Joe Biden, flexibilizará sua política após as duras medidas implementadas no governo de Donald Trump.

"Estamos muito alegres, contentes, nos devolveram a esperança", disse à AFP a nicaraguense Jessica Valles, que está há 18 meses em Ciudad Juárez (norte), esperando uma resposta favorável à sua solicitação.

Com este sentimento, Valles acompanhava pela TV a posse de Biden em um abrigo que acolhe migrantes bloqueados.

"Nos faz sentir mais confiantes e estamos vendo que o novo presidente não nos está deixando de lado e acho que sim, está pensando em nós", disse Fátima, uma salvadorenha que está há dois anos no México e não quis dar seu sobrenome.

A migração foi um tema central do governo Trump, que tomou medidas polêmicas como a separação de famílias em situação irregular ou a construção de um muro na fronteira com o México, de quase 3.200 km.

Sob o governo de Trump, os Estados Unidos enviaram também ao México uns 60.000 migrantes, a maioria da América Central, no âmbito do programa "Quédate en México" (Fica no México).

Essa política determina que os solicitantes de asilo que chegam à fronteira sul americana devem esperar em território mexicano a solução de seus casos.

Biden assinou nesta quarta-feira um decreto determinando parar o muro - cujas obras continuavam nesta quarta em Juárez - e apresentará um projeto ao Congresso que permitirá a naturalização de uns 700.000 jovens que chegaram como ilegais em sua infância, acompanhando seus pais, grupo conhecido como "Dreamers".

Ele também projeto um plano de assistência para El Salvador, Guatemala e Honduras, de onde se origina a maioria dos migrantes, assim como recursos adicionais para a vigilância e o controle de fronteira.

"É uma esperança, não posso dizer que vá acontecer porque os políticos prometem muito, mas temos a esperança de que seja assim, que nos dê a oportunidade", comentou, por sua vez, Dennys López, um cubano que está há quatro anos no México e há três meses em Ciudad Juárez.

Após as multitudinárias caravanas migratórias do fim de 2018 e começo de 2019, Trump ameaçou o México com sanções comerciais se não tomasse medidas para deter a onda migratória.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, mobilizou, então, 26.000 militares em suas fronteiras norte e sul.

Diário de Pernambuco

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Covid-19 evidenciou o protagonismo do terceiro setor

 

(crédito: Gomez)

As organizações da sociedade civil surgiram no Brasil por um conjunto de fatores, impulsionadas, sobretudo, por um movimento de democratização do país, em um cenário de regime autoritário. Com as migrações forçadas do campo para a cidade, a população, principalmente a mais pobre, organizou movimentos de luta por serviços e políticas públicas. Foi nesse período que surgiram diversas instituições filantrópicas, como os institutos e fundações financiadas com investimento privado, que promoviam ações sociais e serviços de interesse público. Isso se deu tanto pela cobrança por empresas mais responsáveis e socialmente engajadas, quanto pela necessidade da sociedade civil de se organizar para ter uma participação mais efetiva nos processos democráticos.

Olhando para o presente, especialmente em um contexto de pandemia, o mundo fundacional deteve — e ainda detém — um papel imprescindível nas ações de combate ou na mitigação de impactos da covid-19. Em termos de doações, de acordo com a fundação de pesquisas Candid, já são mais de 14 bilhões de dólares doados por pouco mais de mil indivíduos e grandes instituições em prol do combate ao vírus.

Inevitavelmente, para o Terceiro Setor, o ano foi ainda mais desafiador. Com a demanda por ajuda com pico sem igual, seu papel fez-se mais presente. Seja no fomento de doações, por meio de recursos próprios e articulando com suas empresas mantenedoras, seja na adaptação de suas atividades para atender às causas urgentes decorrentes da pandemia. As entidades que já se destacavam com programas e ações voltadas para a sociedade e as comunidades mais vulneráveis foram cruciais, principalmente por seu conhecimento e capilaridade nos territórios, que fez com que o apoio e doações chegassem na ponta.

Diante de toda a conjuntura, 2020 nos mostrou que as mobilizações de solidariedade são cada vez mais necessárias e que o senso aguçado de responsabilidade social é vital. E não poderia ser diferente no ambiente corporativo. Na Fundação Bunge, entidade social da Bunge, por exemplo, a força de mais de 700 voluntários corporativos tornou possível a realização de mais de 300 ações voltadas para mitigar os impactos gerados pelo isolamento social nas comunidades onde já atuavam. A distância, também foram as ações de incentivo à leitura, com lives com contadores de histórias e atividades dos mediadores de leitura do programa para crianças de escolas e entidades.

A frente de atuação voltada para o desenvolvimento das socioeconomias das comunidades também foi remodelada de forma on-line e identificou micro e pequenos empreendedores locais para compartilhar seus produtos e serviços com a população por meio de aplicativo de mensagens instantâneas e redes sociais. A entidade ainda estimulou a área de suprimentos da empresa a comprar mais de 60 mil máscaras de tecido de fornecedores locais, como cooperativas, pequenas confecções e grupos de mães.

Mas, o ano também foi de adiamentos, a exemplo do tradicional Prêmio Fundação Bunge, que, há 65 anos, homenageia ininterruptamente profissionais de diversas áreas do conhecimento, e teve que ser postergado para 2021.

Hoje, na luta contra o tempo para cessar a covid-19 no mundo, exemplos como estes nos mostram como as organizações sociais têm se mostrado cada vez mais atentas para a realidade da sociedade, buscando adaptar-se a situações adversas. E é neste contexto, em um ano em que o mundo enfrenta uma das maiores ameaças à saúde pública da história moderna, que o senso de urgência tem levado as instituições a fomentar ainda mais suas ações e promover novas iniciativas aos mais afetados, legitimando o seu papel na sociedade. Já dizia o aclamado filósofo francês Pierre Lecomte du Noüy: “Não existe outra via para a solidariedade humana senão a procura e o respeito da dignidade individual”.

 RUY ALTENFELDER, Advogado, curador dos Prêmios da Fundação Bunge

Correio Brazilense 

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Guatemala: uma caravana de migrantes privados de tudo

 Continua a grande caravana de migrantes de Honduras que tentam atravessar a Guatemala com destino aos Estados Unidos. As tensões e confrontos com as forças de segurança não cessaram. Um salesiano da região afirma: “Fogem da pobreza e da fome”

Migrantes hondurenhos atravessam a Guatemala (foto Ansa)
Migrantes r Guatemala  (ANSA)

Nove mil pessoas fugindo da miséria, da falta de oportunidades e dos desastres causados pela passagem de dois furacões devastadores que levaram Honduras à carestia. Há uma semana, como aconteceu em 2018, milhares de migrandes fazem a rota da esperança para encontrar seu Eldorado nos Estados Unidos. Na véspera da abertura do mandato de Biden, entretanto, as autoridades americanas deixaram claro "que agora não é o momento de partir para os EUA, pois a situação na fronteira não vai mudar da noite para o dia".

Uma crise regional

Nestes dias a caravana de migrantes tentou superar as barreiras de agentes em Vodo Hondo no departamento de Chiquipulas, mas como resposta receberam gás lacrimogêneo e violência. Na segunda-feira (19) ocuparam uma estrada perto de México causando 30 quilômetros de fila, bloqueando automóveis e caminhões que transitavam entre Honduras e Guatemala. Enquanto as autoridades discutem de ambas as partes, cada um com suas próprias razões, sempre a crise, as pessoas continuam seu caminho.

Migrantes de Honduras 

Pessoas com fome

A vice-ministra do exterior hondurenha Nelly Jerez garantiu para os que voltam atrás, uma colocação em um programa do Serviço Nacional de empresariado (Senprende) de Honduras que pretende “converter cada migrante em um microempresário”. Cerca de 1800 já voltaram, outros estão na estrada da fronteira com o México, e outros no departamento de Petén. Aqui encontramos o salesiano padre Giampiero Nardi, 44 anos, de Roma, na Guatemala desde 2011.

O missioniário

Padre Giampiero é responsável pela pastoral social da diocese de San Benito em Petén desde 2012. “Muitas pessoas estão de passagem e procuram comida, não param nem mesmo para dormir porque querem ir o mais adiante possível. Chegam aqui muito famintos - diz o sacerdote – percebe-se que não comem há dias. Há muitas crianças pequenas e em nossa Casa do Migrante há também duas unidades familiares, que nos últimos anos temos usado muito pouco, mas nestes dias estão lotadas". Setenta pessoas são hospedadas pelo missionário italiano, respeitando as regras anti-Covid, "muitas - acrescenta - dormem no chão e nos corredores, mas é melhor do que dormir no frio ou em situações perigosas". "Estamos tentando lidar com a emergência, oferecemos em média 150 refeições por dia, a panela de sopa - confessa, sorrindo - está sempre cheia para os que chegam".

Crianças e avós no caminho

Honduras é um país que passa fome", conta padre Giampiero, "as pessoas perderam tudo, realmente tudo, por causa dos furacões que devastaram o país". O missionário revela que ouviu "histórias trágicas" das pessoas que acolheu. Muitos perderam suas casas, seus afetos, e um homem contou que viu sua esposa ser levada pela corrente do rio. O sacerdote também se surpreende com o fato de famílias inteiras terem decidido partir, até mesmo com os avós nesta caravana, e isto é algo que surpreende. Nas palavras do padre Giampiero há também a denúncia de vários episódios desagradáveis contra os migrantes forçados a pagar para continuar o seu próprio caminho de esperança.

Migrantes de Honduras 

Na Guatemala, a luz de Jesus e a sombra da pobreza

Na Igreja, trabalhamos em unidade e colaboração. Todas as Casas de Migrantes na Guatemala e no México fizeram um balanço da emergência sanitária que está em acontecendo. A Guatemala registra mais de 5 mil vítimas de Covid, é o primeiro da área em número de mortes depois do Panamá, que tem uma população 4 vezes menor. "Também estamos fazendo trabalho com relação a eventuais denúncias de abuso policial, mas na Casa pensamos na pessoa, na sua proteção porque oferecemos uma cama para dormir e os medicamentos que forem necessários". Há também a Providência que ajuda de forma inesperada. "O Senhor - sublinha padre Giampiero - sempre me faz surpreender. Comigo há dois enfermeiros voluntários da Espanha, que chegaram quando esta emergência ainda não havia explodido e agora são providenciais.


Benedetta Capelli – Vatican News

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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Alerta sobre lenta recuperação pós-pandemia na América Latina


A recuperação econômica da América Latina após o impacto da pandemia Covid-19 será parcial e desigual, publicou hoje o Círculo de Estudos Latino-Americanos em seu site.


O estudo considera que esta é a região emergente mais afetada pela pandemia, tanto em termos sanitários quanto econômicos, de modo que sua recuperação econômica terá essas características, dependendo em grande parte do espaço fiscal dos países para apoiar suas economias.

Tal reflexão parte da seguradora Crédito y Caución em uma análise da situação onde se afirma que os efeitos da Covid-19 são devastadores para a América Latina.

Nesse sentido, argumenta-se que a economia informal e a alta densidade demográfica, somadas à diminuição da demanda por bens e serviços, produziram redução nos preços dos produtos básicos e limitação do acesso a financiamentos, agravando a situação.

A contração para 2020 foi de 7,7%, e a recuperação em 2021 também ficará abaixo dessa média.

A Credito y Caución também alertou sobre a lentidão na distribuição da vacina na região, para que seus efeitos na economia se manifestem, em primeiro lugar, pela melhoria do ambiente externo.

O restabelecimento da economia latino-americana e caribenha será mais forte nos países que dispõem de amplo espaço fiscal para apoiar suas economias, como Chile e Peru, e nos que possuem maior capacidade institucional para realizar uma distribuição efetiva de vacinas.

Pelo contrário, observou ele, ficará para trás em países que dependem do turismo, como as pequenas economias insulares do Caribe, que experimentaram as contrações econômicas mais pronunciadas na região.

Ele também destacou, como uma boa notícia, que a recuperação dos preços das commodities se manterá em níveis semelhantes aos anteriores à pandemia, embora considere sua evolução futura menos favorável.

Por sua vez, o vice-presidente do Conhecimento do Banco de Desenvolvimento da América Latina, Pablo Sanguinetti, também concordou que a ressurreição após a pandemia será lenta, processo em que o crescimento do PIB poderá ser diminuído com menos investimento privado, deterioração do capital humano e do aumento das taxas de informalidade.

Prensa Latina
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Relatório da ONU aponta para 1,9 milhões de brasileiros em outros países



O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas defendeu que o número de emigrantes do Brasil reflete o dinamismo da população e não deve ser confundido com falta de oportunidades, por ser uma percepção errada.

Um novo relatório publicado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas estima que o Brasil é origem de cerca de 1,9 milhões de emigrantes instalados noutros países.

O número de migrantes com origem no Brasil é o terceiro maior número da América do Sul, precedido por Venezuela, origem de 5,4 milhões de migrantes, e Colômbia (mais de três milhões de emigrantes).

Pelo contrário, o Brasil recebeu cerca de 1,08 milhões de pessoas de outros países.

Clare Menozzi, que participou na criação do relatório “International Migration 2020 Highlights”, disse hoje em resposta à Lusa, numa conferência de imprensa, que “o facto de Brasil, como a Índia, ter uma larga e rica diáspora, não é sinal de falta de oportunidades em casa, mas do dinamismo do país”.

A pesquisadora da Divisão de População do DESA considerou que “uma visão equivocada que é comum é a de que migração é uma reação a falta de oportunidades”.

“Nalgum contexto, pode ser o caso, mas é também sinal de dinamismo, sinal de que as pessoas fazem escolhas de perseguir oportunidades”, explicou Clare Menozzi.

Portugal tem um número mais elevado de migrantes fora do país do que o Brasil (2,08 milhões), mas como indica o relatório, a Europa é o continente onde existe mais “trocas” intra-regionais e onde a população sai para outros países vizinhos ou dentro da comunidade da União Europeia.

A coautora do relatório sobre migrações acrescentou que “já não se aplica” a noção de que “uma pessoa sai do país, mas não volta”, porque algumas pessoas são migrantes fora do país quando têm um período determinado para fazer estudos ou investigação noutro país e as novas tecnologias e o desenvolvimento dos transportes ajudam ao regresso.

Num mundo confrontado com a pandemia de covid-19, o número global de migrantes internacionais atingiu no ano passado os 281 milhões, avançou o relatório da ONU, que também destacou as fortes repercussões desta crise sanitária na mobilidade humana.

Outras das fortes repercussões da pandemia será o recuo no fluxo de remessas dos migrantes para países de baixo e médio rendimento.

“Prevê-se que a pandemia provoque um declínio de 14% nos fluxos de remessas para países de baixo e médio rendimento até 2021, em comparação com os níveis pré-pandemia”, apontou o documento, frisando que para muitos países esta redução “é suscetível de ter graves impactos financeiros e sociais que, juntamente com a contração de outros fluxos financeiros internacionais devido à pandemia, exigirá estratégias nacionais e de cooperação internacional para mitigar esses efeitos”.

Mundo Lusiada

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Agência declara 2021 como Ano Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil

 Organização Internacional do Trabalho, OIT, revela que prática caiu 38% na última década, mas 152 milhões de crianças continuam sendo afetadas; pandemia da Covid-19 piorou situação que pode ser revertida com “ação decisiva” de todos; nos últimos 20 anos, 100 milhões de crianças foram resgatadas dessas condições.

Unicef/Noorani
Criança de sete anos trabalha em uma olaria na província de Nangarhar, no Afeganistão


Este 2021 será o Ano Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil. O lançamento é resultado de uma parceria entre a Aliança 8.7 e a Organização Internacional do Trabalho, OIT.

O objetivo é encorajar ações legislativas e práticas para eliminar o problema em todo o mundo. Cerca de 10% das crianças são vítimas da prática.

Unicef/ Roger LeMoyne
Países devem tomar medidas imediatas para erradicar a prática de crianças no trabalho, acabar como formas análogas à escravidão ou formas de escravidão moderna e o tráfico humano

Recrutamento

O Ano Internacional foi adotado, por unanimidade, pela Resolução da Assembleia Geral em 2019. Com isso, a OIT quer instar os governos a fazerem o que seja necessário para atingir a meta 8.7 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável. 

Os países devem tomar medidas imediatas para erradicar a prática de crianças no trabalho, acabar como formas análogas à escravidão ou formas de escravidão moderna e o tráfico humano. 

Além disso, os governos devem proibir o recrutamento de crianças-soldado e até 2025 acabar com todas as formas de trabalho infantil. Neste 21 de janeiro, a OIT realizará um evento virtual com uma série de participantes incluindo o chefe da agência Guy Ryder, a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore e um ativista indiano, Amar Lal, que é sobrevivente de trabalho infantil.

OIT Marcel Crozet
Nos últimos 20 anos, quase 100 milhões de crianças foram resgatadas do trabalho infantil em todo o mundo

Infância roubada

O Ano Internacional quer reunir ações contra a prática até dezembro. O prazo para submeter as promessas de ação dos governos é 30 de março. O progresso será documentado em blogs, vídeos e material de áudio.

Nos últimos 20 anos, quase 100 milhões de crianças foram resgatadas do trabalho infantil em todo o mundo. Entre 2000 e 2016, os números caíram de 246 milhões para 152 milhões.

O diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que não existe mais espaço na sociedade para esse tipo de prática que não só rouba o futuro das crianças, mas também lança as famílias na pobreza.

Unicef/Helene Sandbu Ryeng
Governos devem proibir o recrutamento de crianças-soldado e até 2025 acabar com todas as formas de trabalho infantil

Pandemia

Atualmente, na África, 72 milhões de crianças estão nessa situação, o que representa quase metade de todos os casos de trabalho infantil no mundo. A região é seguida por Ásia-Pacífico com 62 milhões.

Cerca de 70% dos casos ocorrem na agricultura e quase metade são de crianças em situações de perigo para suas vidas e saúde. A crise da Covid-19 adicionou o risco de pobreza a essas pessoas que já viviam em situação frágil, e pode reverter anos de progresso e de luta contra o trabalho infantil.  Com a pandemia, homens e mulheres também ficaram mais expostos ao tráfico humano.

África do Sul

O Ano Internacional servirá como preparação a Quinta Conferência Global sobre Trabalho Infantil que está marcada para a África do Sul em 2022.

Ali, os participantes deverão apresentar os resultados de suas ações e fazer compromissos adicionais para acabar com a prática até 2025.

Em seus 100 anos de história, a OIT tem advogado pela abolição do trabalho infantil. Uma das primeiras Convenções adotadas pela Agência foi sobre a idade mínima de trabalhadores na indústria.

A organização é parceira da Aliança 8.7, que visa erradicar o trabalho forçado, escravidão moderna, tráfico humano e trabalho infantil ao redor do mundo, como previsto nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
 

Onunews

migrantes.net

Milhares de migrantes provenientes de Honduras chegam a Guatemala

 Milhares de hondurenhos atravessaram a fronteira da Guatemala no último fim de semana com o objetivo de chegar aos Estados Unidos. No domingo 817) houve confrontos com o exército e a polícia guatemaltecos que impediam a entrada da caravana de migrantes

A caravana de migrantes de Honduras para a Guatemala  (ANSA)
A caravana de mgrates  Honduras para a Guatemala  (ANSA)

Estima-se que 9.000 hondurenhos tenham atravessado a fronteira com a Guatemala. Eles partiram a pé de San Pedro Sula, uma cidade no norte de Honduras, levando o pouco que podiam, e começaram uma longa viagem a pé em pequenos grupos desde a última quarta-feira (13). Abandonam um país saturado pelo desemprego, pela violência, pela pandemia e pelos graves danos causados pelos dois furacões que atingiram a América Central. Inicialmente a polícia guatemalteca recebeu ordens para deixar passar os migrantes, devido à presença de famílias com crianças, mas no domingo (17) no departamento de Chiquimula, a 200 quilômetros da Cidade da Guatemala, agentes tentaram bloquear o fluxo de cerca de 6.000 pessoas, usando gás lacrimogêneo contra parte da caravana. Informações do país centro-americano falam de 3.000 hondurenhos que em alguns casos conseguiram avançar, enquanto que parte da multidão recuou ou decidiu voltar atrás. Atualmente, as autoridades guatemaltecas falam de 1.383 repatriados. Entre eles, indica o Instituto de Migração da Guatemala, há 192 crianças. Desde 2018, pelo menos 12 caravanas de migrantes tentaram, quase sempre sem êxito, chegar à fronteira entre o México e os Estados Unidos.

A preocupação do governo de Honduras


Em uma declaração, o governo hondurenho pediu ao governo da Guatemala "que investigue e esclareça as ações das forças de segurança guatemaltecas e reitera mais uma vez que somente unidos como região, pode-se continuar a trabalhar para enfrentar a migração irregular". Esta migração, acrescenta a nota de Tegucigalpa, é "causada pelas condições sociais que estão passando os nossos países e que, infelizmente, é explorada pelo crime organizado que lida com o tráfico de pessoas". "Estamos falando de segurança nacional", replicou o diretor do Instituto Guatemalteco para as Migrações, Guillermo Díaz, sobre a posição do país em relação à proibição da passagem dos migrantes hondurenhos. O exército guatemalteco enviou mais de 5.000 soldados em sete departamentos do país e também é apoiado por milhares de outros agentes da Polícia Nacional Civil como parte de um plano organizado pelo governo para impedir o avanço dos migrantes.

O medo da difusão da Covid-19 entre os migrantes


As autoridades de saúde da Guatemala, por sua vez, informam que pelo menos 21 migrantes hondurenhos da caravana testaram positivo para a Covid-19. A diretora de comunicações do Ministério da Saúde da Guatemala, Julia Barrera, disse que todos os infectados foram transferidos para centros de tratamento específicos para o coronavírus para que permaneçam em quarentena, assegurando que nenhuma das pessoas positivas foi repatriada para Honduras, pois devem primeiro manter a quarentena na Guatemala.


Elvira Ragosta – Vatican News


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sábado, 16 de janeiro de 2021

PRESIDENTE DA CNBB CONVOCA URGENTE SOLIDARIEDADE AO POVO DE MANAUS (AM): “É PRECISO AJUDAR!”

 




Em mensagem de vídeo, divulgada nesta sexta-feira, 15 de janeiro, a arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, reforçou que a gravíssima emergência de saúde em Manaus  (AM) é uma urgente convocação dos cristãos e todas as pessoas sensíveis ao sofrimento do próximo. “É preciso ajudar”, apelou.

Segundo ele, a CNBB dará a sua colaboração para levar oxigênio aos hospitais de Manaus, capital do Estado da Amazônia. Trata-se, segundo dom Walmor, de um gesto concreto e urgente de solidariedade ao povo sofrido de Manaus e também de solidariedade aos bispos que atuam na região amazônica.

O presidente da CNBB apelou aos líderes empresariais, empreendedores e políticos para que prestem seu auxílio aos irmãos e irmãs que sofrem nos hospitais oferecendo oxigênio, a vacinação e combatendo a especulação de quem quer lucrar com o sofrimento  e as perdas humanas.

Dom Walmor ressaltou que a pandemia se agravou no Brasil evidenciando uma fragilidade no planejamento do setor público mesmo com as lições de outros países que enfrentaram a segunda onda da Covid-19.

“Não podemos apenas no lamentar. É preciso agir de forma urgente, solidária e com responsabilidade”, disse. Cabe a cada pessoa, segundo ele, manter o distanciamento social, usar máscara e observar os protocolos das autoridades sanitárias.

Confira, abaixo, a íntegra da mensagem do presidente da CNBB.

 

Campanha de arrecadação

 

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende o Norte do Amazonas e Roraima, lançou a campanha “Amazonas e Roraima contam com a sua solidariedade”. A ação tem como objetivo ajudar as vítimas da Covid-19 que sofrem sem atendimento adequado nos hospitais. A região passa por uma grave crise de saúde pela falta de UTIs e insumos básicos para atendimento dos pacientes. O Regional Norte 1 da CNBB disponibilizou uma conta para receber doações:




CNBB

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Migrantes no mundo chegam aos 281 milhões em ano de pandemia

 Num mundo confrontado com a pandemia da covid-19, o número global de migrantes internacionais atingiu no ano passado os 281 milhões, avançou hoje um relatório da ONU, que também destacou as fortes repercussões desta crise sanitária na mobilidade humana.



O número é avançado no relatório “International Migration 2020 Highlights” elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UN DESA, na sigla em inglês).

De acordo com o documento, o número de pessoas que vivem fora do seu país de nascimento ou de cidadania atingiu no ano passado os 281 milhões, contra os 173 milhões em 2000 e os 221 milhões em 2010.

“Como o número de migrantes internacionais cresceu mais rápido do que a população mundial, a percentagem de migrantes internacionais na população total aumentou de 2,8% em 2000 para 3,2% em 2010 e, em 2020, para 3,6%”, referiu o relatório.

Um dado curioso focado no documento é que este grupo global de 281 milhões de migrantes é quase igual à população da Indonésia, o quarto país mais populoso do mundo.

Mas 2020 foi um ano atípico e que ficará para a História por causa da pandemia da doença covid-19 que afetou, segundo o UN DESA, “drasticamente todas as formas de mobilidade humana, incluindo a migração”.

“Centenas de milhares de migrantes ficaram retidos, impedidos de regressar aos seus países, enquanto outros foram forçados a regressar aos seus países de origem mais cedo do que previsto, quando as oportunidades de emprego se esgotaram e as escolas encerram”, lê-se no relatório, que lembrou, entre outros aspetos, que o mundo testemunhou, ao longo de 2020, o fecho de fronteiras e graves interrupções nas viagens internacionais.

De acordo com este departamento da ONU, dados preliminares indicam que as perturbações provocadas pela pandemia podem ter reduzido, em meados do ano passado, o número de migrantes internacionais em cerca de dois milhões a nível mundial, o que corresponde a um decréscimo de cerca de 27% no crescimento previsto entre julho de 2019 e junho de 2020.

Outras das fortes repercussões da pandemia será o recuo no fluxo de remessas dos migrantes para países de baixo e médio rendimento.

“Prevê-se que a pandemia provoque um declínio de 14% nos fluxos de remessas para países de baixo e médio rendimento até 2021, em comparação com os níveis pré-pandemia”, apontou o documento, frisando que para muitos países esta redução “é suscetível de ter graves impactos financeiros e sociais que, juntamente com a contração de outros fluxos financeiros internacionais devido à pandemia, exigirá estratégias nacionais e de cooperação internacional para mitigar esses efeitos”.

O relatório do UN DESA mencionou igualmente que os deslocamentos forçados através das fronteiras nacionais continuaram a aumentar em 2020, em conformidade com o cenário verificado ao longo das últimas duas décadas.

Entre 2000 e 2020, o número de pessoas deslocadas através das fronteiras internacionais enquanto fugiam de conflitos, perseguições, violência ou de violações dos direitos humanos duplicou de 17 milhões para 34 milhões, o que corresponde a cerca de 16% do aumento total verificado no número de migrantes internacionais em todo o mundo durante esse período.

“Em 2020, refugiados e requerentes de asilo representavam 12% do universo global de migrantes, contra os 9,5%” verificados no final da década de 1990, prosseguiu o documento.

No ano passado, a grande maioria (mais de 80%) dos refugiados do mundo foram acolhidos por países de baixo e médio rendimento.

“Os refugiados e requerentes de asilo representavam cerca de 3% de todos os migrantes internacionais em países de elevado rendimento, em comparação com 25% em países de rendimento médio e 50% em países de baixo rendimento”, precisou o relatório.

No entanto, os números modificam-se quando a análise incide no estatuto de migrante internacional.

Segundo o UN DESA, em 2020, os migrantes internacionais representavam quase 15% da população total nos países de rendimento elevado e menos de 2% nos países de rendimento médio e baixo.

E este cenário é visível na lista de países que acolhem o maior número de migrantes internacionais.

No ano passado, dois terços de todos os migrantes internacionais viviam em apenas 20 países, destacando-se os Estados Unidos da América (que continuam a ser o destino preferencial com 51 milhões de migrantes, 18% do total mundial), a Alemanha (cerca de 16 milhões), a Arábia Saudita (13 milhões), a Rússia (12 milhões) e o Reino Unido (nove milhões).

Ainda na análise geográfica, o relatório destacou que a migração internacional ocorre frequentemente dentro das mesmas regiões e o ano de 2020 não foi exceção (quase metade dos migrantes residiam na região de onde eram oriundos).

Por exemplo, a Europa detém a maior percentagem de migração intra-regional, com 70% de todos os migrantes nascidos na Europa a residirem em outro país europeu.

O relatório traçou igualmente o perfil do migrante internacional em 2020, concluindo que as mulheres e as jovens representaram 48% desta comunidade, outra possível consequência da pandemia.

“O número de migrantes do sexo feminino excedeu ligeiramente o de migrantes do sexo masculino na Europa, América do Norte e na Oceania, em parte devido à maior expectativa de vida das mulheres entre os migrantes de longo prazo e à crescente procura de mulheres migrantes para trabalhos relacionados com a área dos cuidados”, indicou o documento, acrescentando que os migrantes internacionais tendem a concentrar-se em faixas etárias ativas.

No ano passado, 73% dos migrantes internacionais em todo o mundo tinham entre 20 e 64 anos de idade.

O departamento da ONU focou ainda a questão das políticas desenvolvidas pelos países para a promoção de “uma migração ordeira, segura, regular e responsável” e concluiu que, em termos globais, 54% dos 111 Governos inquiridos relataram ter medidas nesta matéria.

O UN DESA alertou, no entanto, que os domínios políticos que abrangem os “direitos dos migrantes” e o "bem-estar socioeconômico” foram aqueles que registaram os níveis mais baixos: 55% e 59%, respetivamente.

Relatorio 

PDF iconDownload undesa_pd_2020_international_migration_highlights.pdf (6.6 MB)

Onu

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Czerny: somente a cultura que acolhe tem futuro

 A reflexão do subsecretário da Seção Migrantes do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral publicada no novo blog da Comissão Católica Internacional de Migração.

Imigrantes Sírios 

“A nova Encíclica do Papa Francisco “Fratelli tutti” se dirige diretamente às alegrias e esperanças, às tristezas e angústias dos migrantes, refugiados e todas as pessoas deslocadas e marginalizadas. O coração da Encíclica é um apelo a uma maior fraternidade e amizade social entre todos os povos e nações.”

É o que escreve o subsecretário da Seção Migrantes do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Michael Czerny, no recém-criado blog da Comissão Católica Internacional de Migração (ICMC). A reflexão do purpurado, intitulada “A Fratelli tutti e a chaga dos deslocados”, retoma as passagens chave do documento, pedindo “uma fraternidade aberta, que permita reconhecer, apreciar e amar cada pessoa além da proximidade física e do lugar do mundo onde nasceu ou onde vive”.

Direito a uma vida digna

Segundo o cardeal Czerny, “toda pessoa tem direito a uma vida digna e a um desenvolvimento integral em seu país de origem”. Isto coloca em questão a responsabilidade do mundo inteiro, uma vez que os Estados mais pobres devem ser ajudados a se desenvolver”. “Os investimentos que eles precisam não residem apenas no desenvolvimento econômico sustentável, mas também e essencialmente na luta contra a pobreza, a fome, a doença, a degradação ambiental e as mudanças climáticas”, ressalta o purpurado.

Acolher, proteger, promover e integrar

O subsecretário da Seção Migrantes do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral indica a “resposta moral” apropriada a todos aqueles que são obrigados a fugir: “Ela pode ser resumida em quatro verbos ativos: acolher, proteger, promover e integrar”. Mas existem vários obstáculos que surgem ao longo do caminho dos migrantes e refugiados. Obstáculos nascidos de “uma mentalidade xenófoba incompatível com o cristianismo”.

Muitas maneiras de abrir portas

Seguindo as diretrizes da encíclica, o cardeal Michael Czerny aponta várias maneiras de abrir as portas para aqueles que fugiram de crises humanitárias e se tornaram nossos novos vizinhos. Dentre elas aumentar e simplificar a concessão de vistos, adotar programas de patrocínio privado e comunitário, abrir corredores humanitários para os refugiados mais vulneráveis e oferecer moradia adequada e decente. Também é fundamental “garantir a segurança pessoal, o acesso a serviços essenciais e à justiça”, além de lhes dar liberdade de movimento e a possibilidade de trabalhar; proteger os menores e garantir seu acesso regular à educação”.

Esforço comum

“A Fratelli tutti afirma claramente que os Estados, agindo por conta própria, não podem adotar soluções adequadas. “É necessário um esforço conjunto no âmbito global, como o Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular realizado em 2018, pois as respostas só podem ser fruto de um trabalho comum, dando vida a uma legislação (governança) global para a migração.

O dom do encontro entre culturas

O purpurado observa em sua reflexão que é o próprio Papa Francisco que define “um dom” o encontro entre diferentes culturas, como o decorrente da migração. “Um encontro que pode levar ao enriquecimento recíproco e como exemplos concretos, o Papa menciona o enriquecimento cultural causado pela migração dos latinos nos Estados Unidos e a migração italiana em seu país de origem, a Argentina”.

Generosidade e gratuidade

“Mas tal reciprocidade de benefícios não representa toda a realidade, muito menos a fundamental”, ressalta ele. “Devemos nos esforçar para estar abertos aos outros num espírito de gratuidade e generosidade, que o Papa Francisco define como a capacidade de fazer algumas coisas pelo simples fato de serem boas, sem esperar obter delas nenhum resultado, sem esperar nada imediatamente em troca”.

Uma cultura que tem futuro

“Somente uma cultura que acolhe livremente os outros tem futuro”, conclui o cardeal Czerny. “Este é o nosso futuro e deve ser partilhado com os necessitados, incluindo os migrantes e refugiados. Ouçamos o apelo do Papa Francisco por um mundo mais justo, humano e fraterno, fundado no amor e no enriquecimento recíproco, em vez da desconfiança e da fria indiferença”.

O blog da Comissão Católica Internacional de Migração publica análises, comentários, opiniões e reflexões sobre o tema. Para aprofundar e ler as contribuições, acesse o site https://www.icmc.net/newsroom/blog

Noticias do Vaticano 

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Empresa com atuação em Minas Gerais aposta em inclusão e contrata 21 refugiados

 

aitiano Andy Félix ganhou oportunidade de trabalho em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte

Foto: Belgo Bekaert/Divulgação

Vinte e um refugiados venezuelanos e haitianos - no Brasil em função da crise humanitária nos respectivos países - ganharam um novo recomeço no Brasil. Eles foram contratados para atuar nas plantas da Belgo Bekaert em Contagem e Itaúna, em Minas Gerais, além das cidades de Feira de Santana (BA) e Osasco (SP). A Belgo Bekaert é fruto de parceria entre a ArcelorMittal e a Bekaert.

De acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM), a estimativa é de que 258 milhões de pessoas vivem longe do país que nasceram, vítimas de guerras civis, terrorismo, intolerância religiosa e outras causas. 

Língua, cultura, costumes diferentes e a separação dos familiares e amigos são grandes barreiras enfrentadas pelos refugiados. Para Andy Félix, haitiano que mora há oito anos no Brasil, o principal desafio na adaptação foi o idioma, obstáculo que aos poucos foi sendo superado. ”Fui muito bem recebido por todos da Belgo Bekaert em Contagem. Já passei por outra área. Agora estou na gerência de produção de arames galvanizados”, conta. 

Rosmelys Santaella é venezuelana e atua como operadora de logística na planta industrial em Itaúna. “Estou aprendendo muitas coisas. Sempre trabalhei como cozinheira no meu país. Só tenho a agradecer essa oportunidade”, afirma. Ela chegou sozinha ao Brasil pelo Estado de Roraima em 2015. “A maior dificuldade foi a distância dos meus filhos mas já consegui juntar dinheiro e fui buscá-los”, revela.

O Brasil possui aproximadamente 43 mil refugiados já reconhecidos. Os dados são do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

Segundo Ricardo Garcia, CEO da Belgo Bekaert, a iniciativa de dar uma oportunidade de trabalho a refugiados é uma pequena contribuição diante do alto número de pessoas que buscam uma nova vida no país,  mas faz diferença para o futuro dessas pessoas.

“São muito dedicadas ao trabalho e com uma trajetória de lutas e dificuldades. É perceptível a vontade em aprender e recomeçar a vida no Brasil”, destaca.

Um exemplo é o de Eliseo Rivas, venezuelano que tem o cargo de operador de produção na unidade de Feira de Santana. “Essa oportunidade permitiu uma estabilidade econômica e ainda é possível ajudar a minha família que está na Venezuela”, conta.

O Tempo

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Relatório do IPEA : Imigração Venezuela-Roraima: Evolução, Impactos e Perspectivas

 


O presente relatório tem como objetivo geral analisar os impactos da migração venezuelana na fronteira brasileira. Ele irá se deter, mais especificamente, sobre o estado de Roraima, principal porta de entrada dos migrantes em território nacional. O trabalho tem como base o acompanhamento realizado pelos pesquisadores da pesquisa Fronteiras do Brasil, da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur), do Ipea.

Desde 2015, os pesquisadores realizaram estudos de campo nas cidades que receberam o maior número de migrantes do país vizinho se comparado às demais localidades de recepção – respectivamente, Boa Vista e Pacaraima, no estado de Roraima. Além disso, a equipe de pesquisa visitou os abrigos urbanos de acolhimento a migrantes desabrigados, indígenas e não indígenas; organizou oficinas com gestores e acadêmicos envolvidos no processo de acolhida; e entrevistou atores-chave e com poder de decisão na gestão da resposta ao êxodo venezuelano no estado.

O estudo tem como base metodológica a análise descritiva de bases de dados governamentais e internacionais, fontes jornalísticas, artigos acadêmicos e anotações de campo, com vistas à produção de um panorama abrangente da migração para o estado de Roraima. É importante mencionar ainda que fizemos a aplicação de um survey em moradores da cidade de Boa Vista, com perguntas que nortearam conclusões desse estudo.1

Inicialmente, o texto descreve etnograficamente dois momentos-chave da crise migratória: pré e pós-decisão de fechamento da fronteira terrestre da Venezuela pelo governo venezuelano, em 2016 e 2017. Tem-se como objetivo apresentar os impactos imediatos dessa decisão para os moradores da fronteira.

O tópico seguinte trata do marco legal de recepção de imigrantes em situação de refúgio em países selecionados do Cone Sul. Feita essa introdução, são discutidos os instrumentos jurídicos de recepção desse tipo de imigração no Brasil. Mais especificamente, é apresentada a estrutura de governança multinível responsável pelo acolhimento de migrantes, desde as primeiras iniciativas locais até a complexa rede de atores existente na atualidade.

Por fim, são apresentadas as áreas estratégicas que foram mais impactadas pela migração no estado. A apresentação das áreas segue a ordem de importância dos impactos locais, podendo ser utilizada para melhoria de políticas públicas. Ao final do documento são apresentadas conclusões e sugestões, com vistas à orientação para a elaboração de políticas públicas voltadas à mitigação dos impactos provocados pela crise migratória no estado. Consta, ainda, um anexo, intitulado Metodologia, e um questionário sobre a percepção local dos impactos da imigração venezuelana em Boa Vista.

O relatório na sua íntegra

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ipea.gov.br/portal

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