segunda-feira, 20 de abril de 2020

Açoes para combater o corona vírus são realizadas pela Cáritas




Em meio à pandemia da Covid-19, famílias venezuelanas que vivem em extrema situação de vulnerabilidade nas ruas de Boa Vista e Pacaraima (RR), fronteira com a Venezuela, estão mais expostas ao contágio com a falta de vagas nos abrigos do governo, acesso a produtos de higiene e desinformações sobre o vírus. Conforme levantamento realizado semanalmente pela Organização Internacional para Migrações (OIM), são quase quatro mil pessoas vivendo em situação de rua e em ocupações espontâneas em prédios públicos e privados na capital do Estado.


O projeto humanitário Orinoco: Águas que atravessam fronteiras, da Cáritas Brasileira e Cáritas Diocesana de Roraima, apoiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID/OFDA), tem atuado diretamente com esse público, e em tempo de pandemia do coronavírus a equipe de trabalho, embora em quarentena, tem feitos ações urgentes para combater a disseminação do vírus. Uma das atividades foi colocar à disposição da comunidade local um carro de som com mensagens de prevenção e combate à doença. Os spots são bilíngues, gravados em português, espanhol e na língua indígena warao. 
Conforme a assessora local para emergências, Nara Barreto, o projeto Orinoco tem se organizado em três eixos de ações emergenciais frente ao Covid-19. “Iniciamos no dia 7 de abril a circulação de carro de som em Boa Vista e Pacaraima, na intenção de difundir conteúdos preventivos para a população desses municípios. Estamos instalando também 28 pias para lavagem de mãos em 14 ocupações espontâneas e distribuímos nesses mesmos locais 511 unidades de garrafas de água sanitárias e 1.061 unidades de sabão em barra”, explicou.
De acordo com a assessora, serão mais de 500 famílias beneficiadas com insumos de limpeza, entregues semanalmente nas ocupações. Ela ainda destacou que a principal atuação do projeto é disponibilizar água potável, saneamento e ações de promoção de higiene. “Com foco de prevenção de doenças e a mitigação de danos para a população migrante mais vulnerável, que se encontra em situação de rua”, finalizou.
As atividades desenvolvidas em Roraima estão em conexão com a Ação Solidária Emergencial da Igreja no Brasil, “Tempo de Cuidar”. A iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da Cáritas Brasileira tem o objetivo de arrecadar produtos de higiene e alimentos não-perecíveis a serem distribuídos pelas comunidades eclesiais em diferentes cidades do Brasil. Para saber mais sobre a campanha: https://bit.ly/3ee1O3W    
Folha BV
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Webradio Migrantes –Missão Paz e Associação Latinoamericana de Educação e Comunicação Popular ALER de Equador Formalizam parceria


Webradio migrantes da missão formalizam parceria com a Associaçao latinoamericana de educação e comunicação popular - Aler de Equador 


Essa aproximação, aliada ao poder da comunicação, forma a base da Rádio Migrantes. A webradio, que está no ar há sete anos, tem uma programação voltada para imigrantes, refugiados, e pessoas que acompanham a temática 

A Rede de Migração e Comunicação é um espaço dinamizado  pelos comunicadores migrantes daqui e dali, como diz o verso de uma música bem conhecida. Os vários protagonistas desfilam através de seus programas: quem sai, quem fica, quem recebe, quem faz políticas, quem legisla, quem está nos circuitos do dinheiro da migração. Programas de rádio, diversos e interculturais, destacam as oportunidades e dificuldades da migração e por que elas ocorrem.

A Associação Latino-Americana de Educação e Comunicação Popular (ALER) foi criada em 1972, quando 18 rádios da Igreja Católica decidiram se associar.
Essas estações estavam alfabetizando à distância, especialmente no campo. Juntando-se, eles procuraram melhorar o planejamento e a avaliação de programas educacionais, o pessoal da estação de trem, encontrar apoio financeiro internacional, entre outros objetivos.
O rádio puramente educacional logo mudou. O ALER tornou-se a associação de estações de rádio populares. A situação da pobreza na América Latina, a ascensão das lutas populares, a radicalização de um determinado setor da igreja, a insurgência revolucionária em alguns países, o avanço dos partidos de esquerda, entre outros, e a luta contra os regimes ditatoriais que são Eles estavam impondo na América Latina, eles contribuíram para essa mudança.

A rádio popular lançou na mídia um modelo participativo, onde era privilegiada a palavra dos mais humildes, dos excluídos, sempre pensando em sua organização social e política para a transformação das estruturas dos países. Os rádios da ALER lutaram contra as ditaduras que se seguiram na América Latina. A ALER assumiu fortemente um papel de treinamento e orientação nos conceitos e objetivos do rádio popular, oferecendo produções inovadoras de rádio, pesquisa, manuais de produção de rádio e workshops para diretores, produtores, programadores e pesquisadores de rádio.

A alteração ALER também ocorreu em sua constituição. Por ser, na prática, uma associação de rádios "de inspiração católico-cristã", tornou-se uma de rádios "de inspiração cristã e / ou humanística", com a qual acolheu instituições não necessariamente vinculadas a projetos da igreja. Desde então, estações de rádio comunitárias desenvolvidas em vários países da América Latina começaram a participar da associação, cujos objetivos coincidiam com os da ALER na busca de construir sociedades mais justas e dignas.

No início dos anos 90, os rádios que compõem a ALER consideravam a necessidade de se tornarem redes de rádio, a fim de aumentar a incidência na sociedade e dar mais poder à voz da maioria do continente. Assim, desde 1997, a ALER conta com um serviço de rádio de interconexão intercontinental, cuja cujos principais suportes são satélite e Internet.

para acessar radio migantes  http://www.radiomigrantes.net/



Aler 

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sábado, 18 de abril de 2020

Organização católica chama a proteger migrantes e refugiados durante pandemia

Catholic Relief Services (CRS) e mais de 40 organizações sem fins lucrativos solicitam recursos e testes adequados de coronavírus COVID-19 para a proteção das pessoas mais vulneráveis ​​contra a pandemia que são os migrantes, refugiados e pessoas sem-teto.
Em 16 de abril, CRS anunciou sua adesão a uma rede de mais de 40 "organizações sem fins lucrativos locais, nacionais e internacionais que pedem a proteção das pessoas sem-teto, migrantes e refugiados em meio à pandemia mortal de coronavírus" e assinalou que são as pessoas mais vulneráveis ​​ao COVID-19, porque não têm sequer “um refúgio seguro para chamar de lar”.
A vice-presidente do Departamento de Resposta Humanitária da CRS, Jennifer Poidatz, disse que essas pessoas “geralmente carecem das necessidades mais básicas, como água limpa, alimentos e saneamento adequado” e alertou que, se em tempos normais elas já correm um risco maior de doença, “precisam de ainda mais proteção agora”.
Esta rede assinou uma declaração solicitando "o fornecimento de moradia adequada, alimentação, acesso a higiene básica e saneamento e equipamentos de proteção para os deslocados e aqueles que os ajudam". Indicou que "testes adequados para COVID-19" são urgentemente necessários, já que servirão para "mitigar a disseminação e fornecer tratamento" aos infectados, assinalou a CRS.
O COVID-19 representa mais do que apenas uma emergência de saúde pública para os mais de 70 milhões de pessoas deslocadas de suas casas ao redor do mundo que vivem em "circunstâncias extremamente frágeis", assinalou a CRS, pois "podem causar interrupções massivas nos meios de vida, a segurança e a coesão social das pessoas”, o que ameaçaria o seu já “limitado acesso à moradia, alimentação, educação e capacidade de trabalhar”.
Poidatz também alertou que “as condições em que homens, mulheres e crianças se encontram, depois de serem deslocados de suas casas, poderiam significar que esse vírus se propague como um incêndio florestal através de refúgios e acampamentos, cobrando muito mais vidas e colocando em risco muitos outros”.
Por exemplo, CRS assinalou que, no México e El Salvador, "os refúgios para migrantes estão fechando para os recém-chegados, deixando as pessoas desabrigadas sem apoio". Enquanto em Mianmar, "as pessoas que vivem em campos precisam urgentemente de abrigo, água potável e saneamento" e nas Filipinas e na Indonésia, existem milhares de pessoas que, depois de serem deslocadas por tempestades mortais, "ainda vivem em refúgios de emergência" e "precisam ser transferidas para espaços com a possibilidade de distanciamento e isolamento social”.
CRS explicou que, como os refugiados moram em um acampamento, "o entorno congestionado e o acesso limitado a itens de higiene, como água limpa e sabão, podem dificultar o cumprimento das diretrizes para impedir a propagação do COVID-19". Por isso, assinalou que é essencial que haja "suprimentos de higiene, informações claras e práticas de distanciamento social" nos locais dos acampamentos. Do mesmo modo, afirmou que é essencial durante esta crise ter "a capacidade de isolar e cuidar dos doentes".
Diante dessa situação, “a CRS e seus parceiros em mais de 30 países estão expandindo e adaptando a programação para prevenir a disseminação e reduzir o risco do COVID-19”, que inclui “priorizar áreas com esforços contínuos de ajuda de emergência, inclusive nos assentamentos de refugiados e deslocados internos, devido ao alto nível de vulnerabilidade e as necessidades existentes das pessoas muito antes dessa pandemia”, concluiu
Aci Digital
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México, Honduras e Guatemala cessem deportações, pedem os bispos

Os bispos pedem aos governos do México, Honduras e Guatemala que “cessem as deportações e que respeitem o direito internacional que proíbe a um Estado deportar um estrangeiro para uma nação que não seja seu país de origem ou de residência legal”. Pedem que garantam, neste momento de emergência de saúde, a assistência médica e a proteção aos direitos dos migrantes e refugiados e que não politizem a crise causada pelo coronavírus
Migrantes centro-americanos no norte do México tentam atravessar a fronteira com os Estados Unidos

Nestes tempos de difusão da pandemia da Covid-19, contra a qual nem todos os governos tomaram medidas suficientes para proteger seus cidadãos e vizinhos, a Pastoral da mobilidade humana das Conferências Episcopais do México, Guatemala e Honduras colocou em discussão as deportações em massa e arbitrárias feitas pelas autoridades mexicanas.
“Notamos com preocupação que o México não está tratando a questão da migração como fenômeno de vital importância nestes tempos de Covid-19, permitindo a seu vizinho do norte deportar cidadãos de qualquer país para seu território, muitos dos quais sem um justo processo e sem dar a necessária proteção aos requerentes de asilo”, escrevem os bispos.

Violação do direito internacional aumenta vulnerabilidade

Por conseguinte, os prelados se dizem muito preocupados diante da “expulsão de cidadãos não mexicanos dos EUA, que o México recebe sem conceder-lhes uma permanência legal no país”, como também com as deportações de famílias inteiras com crianças, tarde à noite, presas fáceis da criminalidade organizada.
Os bispos ressaltam que “o México, do mesmo modo, continua deportando cidadãos centro-americanos, especialmente migrantes hondurenhos, para Guatemala, violando o direito internacional e deixando esses cidadãos hondurenhos numa situação de total ausência de proteção, aumentando assim o grau de vulnerabilidade deles”.

Governantes não politizem crise causada pelo coronavírus

Diante dessa situação, os bispos pedem em primeiro lugar aos governos do México, Honduras e Guatemala que “cessem as deportações e que respeitem o direito internacional que proíbe a um Estado deportar um estrangeiro para uma nação que não seja seu país de origem ou de residência legal”.
Pedem que evitem, neste momento de emergência sanitária, a superlotação, permitindo às pessoas deixar os centros de migração e os centros de detenção; que garantam a assistência médica e a proteção dos direitos dos migrantes e refugiados; e que não politizem a crise causada pelo coronavírus, convidando-os a empreender ações concretas para impedir a difusão da pandemia.
Radio Vaticano
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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Bolivianos recorrem à medicina ancestral para combater o coronavírus

AFP / AIZAR RALDES, AIZAR RALDESIndígena aimará entra em uma das 10 câmaras de plástico instaladas na cidade boliviana de El Alto, para respirar o vapor de ervas contra o coronavírus
Remedios Yujra, de 42 anos, inspira profundamente o vapor de ervas usadas ancestralmente pelos aimarás para purificar seus pulmões enquanto atravessa uma câmara nebulizadora instalada na cidade boliviana de El Alto.
Assim como Remedios, milhares de bolivianos confiam nas propriedades benéficas do eucalipto, da wira wira e camomila, plantas antibacterianas, expectorantes, febrífugas e sudoríficas que, segundo os médicos tradicionais, ajudam a criar tecido imunológico contra o coronavírus.

Se sente "muito bem, vapor puro com plantas medicinais, que lindo!", exclama Remedios, após sair da primeira das dez câmaras artesanais de plástico instaladas no bairro de Alto Lima, da cidade de El Alto, a 3.800 metros de altitude e vizinha de La Paz, habitada principalmente por migrantes aimarás.

A associação de Médicos tradicionais Inca Roca, que instalou a cabine, substituiu o habitual nebulizador de hipoclorito de sódio por um de eucalipto fervido, wira wira (huira huira) e camomila, plantas que os indígenas bolivianos usam quando estão resfriados. A farmácia nacional também tem essas plantas em sua posologia, por exemplo em antitússicos.

O procedimento é "mais do que tudo em aspecto preventivo", destaca Felipe Néstor Quilla, vice-ministro de Medicina Natural.

Se trata de "fortalecer o sistema imunológico. O vapor é impregnado na porosidade do corpo, protegendo-o de microorganismos e bactérias nocivas", explica Quilla.
O pneumologista Andrei Miranda, médico da clínica Caja Petrolera, destaca que "evidentemente (o eucalipto) ajuda na desinfecção" mas "infelizmente o eucalipto como elemento de desinfecção para o coronavírus não tem um estudo determinado".
Mas, "a cultura do país deve ser respeitada" e "que pode ajudar, realmente pode, mas não podemos cometer o erro de fabricar câmaras de desinfecção apenas com elementos herbários", enfatiza. A parte ancestral "tem que andar de mãos dadas" com a parte científica, acrescenta.

Esta não é, no entanto, a única contribuição da população para se defender da COVID-19, que até agora infectou cerca de 400 bolivianos e causou 28 mortes.

Por exemplo, o ambientalista Álex Vilca está construindo cabines desinfetantes em grande escala na região de Oruro, onde o coronavírus ressurgiu após 22 dias sem contágios.

Em meio a uma precariedade de recursos na saúde, muitos bolivianos fabricam artesanalmente tapa-bocas ou máscaras de proteção facial de acetato transparente.
Para combater a pandemia, as autoridades ampliaram o confinamento nacional até 30 de abril, enquanto algumas cidades, como Santa Cruz, onde está concentrada metade dos infectados, estão militarizadas.

AFP
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'Tudo fechou': pequenas e médias empresas da América Latina tentam sobreviver a pandemia

AFP / JOAQUIN SARMIENTO(16 março) Pessoas sentam-se em frente a bar fechado, na cidade colombiana de Medellín
Quando a crise causada pelo novo coronavírus a obrigou a suspender as operações de sua pequena empresa de construção no México, Lucía Gutiérrez, 53, pediu aos funcionários que procurassem outra fonte de renda, porque seria difícil continuar pagando seus salários. "Em três dias, tudo fechou, foi um golpe brutal."

Pequenas e médias empresas são responsáveis por pouco mais de 60% dos empregos na América Latina, e delas dependem milhões de pessoas, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão técnico da ONU.

"As vendas podem ser insuficientes para a sobrevivência dessas empresas, que não poderiam pagar os salários e benefícios de seus funcionários e poderiam, inclusive, quebrar", advertiu a Cepal no começo do mês.
As pequenas e médias empresas enfrentam um panorama sombrio, à medida que a região luta contra os estragos causados pelo novo coronavírus, que mantém milhões de pessoas confinadas. O Banco Mundial estima que a atividade econômica de América Latina e Caribe sofrerá uma contração de 4,6% em 2020, com as quedas mais acentuadas em Brasil e México, de 5% e 6%, respectivamente.

Renata de Paula, sócia e administradora do café Okanossa, no Rio de Janeiro, já observa uma queda no faturamento devido à pandemia. O local fechou para o público e sobrevive de entregas à domicílio.
"O delivery não corresponde nem a 40% do que faturávamos", diz Renata, que teve que dispensar dois dos seis funcionários e antecipar as férias de um terceiro para conseguir manter o negócio.
- Apoio dos governos -
Vários países da região buscam apoiar o setor através de diversas iniciativas, especialmente créditos bancários garantidos pelos governos.
Na Colômbia, o presidente Iván Duque disse que respaldaria as dívidas das empresas com os bancos para honrar as folhas de pagamento, com a condição de que funcionários não fossem demitidos.

No Chile, o governo lançou uma linha de crédito, com garantia do governo, de 24 bilhões de dólares para as empresas. Espera-se que os bancos disponibilizem os recursos sem juros e com prazo de pagamento de até 48 meses.

O Peru também garantiu créditos às pequenas e médias empresas e anunciou um fundo de apoio empresarial de 85 milhões de dólares, enquanto, no Brasil, o governo ampliou o acesso ao crédito e disse que emprestará dinheiro para que os microempresários possam continuar pagando o salário de seus funcionários.

No México, o governo do esquerdista Andrés Manuel López Obrador evitou apoiar o setor, o que criou um embate com o empresariado, mas, juntamente com alguns bancos, anunciou a entrega de 2 milhões de créditos, cada um de mil dólares.

A cúpula empresarial mexicana também definiu um plano que implica que as empresas maiores diminuam os prazos de pagamento das menores e antecipem as compras de insumos.
- 'As ajudas nunca são vistas' -

Apesar do apoio anunciado pelos governos, para muitas empresas o acesso aos bancos não é tão simples. Alejandro Espejo, dono da Bendito Arroz, pequena empresa de sobremesas na cidade colombiana de Barranquilla, luta para conseguir crédito.

"As ajudas (do Estado) nunca são vistas. Na prática, nada acontece", lamenta Espejo. Sua empresa buscou empréstimo bancário a partir das medidas do governo, mas não teve sucesso. "Estão pedindo documentos que são uma barbaridade. Somos muito afetados, mas estamos reinventando o negócio", diz, citando o serviço de entrega a domicílio.
No México, supermercados, restaurantes e até a Central de Abastecimento da capital, grande mercado que distribui um terço da produção de hortaliças, frutas e verduras do país, apostaram no delivery.

"Vemos muito isso, todas as empresas estão buscando alternativas para gerar receita e a tecnologia tem um papel-chave", comenta Rolando Garay, da consultoria KPMG. Para ele, a criatividade sempre surge em situações adversas.

AFP
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quinta-feira, 16 de abril de 2020

UE criticada por manter acordos migratórios apesar de abusos

 UE criticada por manter acordos migratórios apesar de abusos
A organização internacional, que divulgou hoje o seu relatório anual sobre "Direitos Humanos na Europa", censura também especialmente a Itália, pela chamada política de 'portos fechados', que manteve milhares de migrantes semanas em alto mar.

Segundo o relatório, mantém-se, entre os países europeus, a "convicção prevalecente" de que a gestão das migrações deve ser entregue a "países com um histórico questionável de direitos humanos" para "conter os migrantes e requerentes de asilo em condições terríveis na periferia da UE ou logo à saída das suas fronteiras".
O reacender do conflito na Líbia, em abril, levou a "novos patamares" nos "abusos dos direitos humanos" de migrantes e refugiados que tentam atravessar o Mediterrâneo central, sublinha, citando "tortura e detenções arbitrárias" e "ataques diretos das fações em conflito", que resultaram na morte de dezenas de pessoas.
Apesar desta situação, "os países europeus continuaram a cooperar com a Líbia" para a contenção dos migrantes e, em novembro, Itália prorrogou o seu acordo com Tripoli por mais três anos, critica.
Essa cooperação, avançou "mão na mão" com a política de 'portos fechados' do governo de Itália em funções até setembro, que negou o acesso a navios de organizações não-governamentais que salvavam pessoas do mar, "obrigando-os a esperar semanas enquanto os países mediterrânicos discutiam entre si onde os desembarcar".
A Amnistia critica ainda o acordo UE-Turquia de 2016 que, "apesar da constante condenação por organizações de direitos humanos", "continuou a definir a política de imigração da UE para o Mediterrâneo oriental".
"Relatos de graves violações dos direitos humanos [...] na Turquia de nada serviram para deter o uso continuado da Turquia como parceiro para as migrações", aponta.
Pelo contrário, aponta, "o maior aumento desde 2016" das chegadas por mar à Grécia, que provocou "uma sobrelotação sem precedentes" dos campos nas ilhas do Egeu, com mais de 38.000 pessoas alojadas em instalações com capacidade para "pouco mais de 6.000", levou o novo governo grego a aumentar as detenções e reenvio de migrantes para a Turquia.
Tais medidas seguiram a tendência verificada na "ÁustriaFinlândia e Alemanha, que restringiram os direitos dos requerentes de asilo e privilegiaram as detenções e deportações", sublinha.
O relatório destaca, pela positiva, a ação de "indivíduos e organizações da sociedade civil" que "continuaram a opor-se a estas políticas migratórias", providenciando "apoio concreto e solidariedade" aos migrantes e refugiados.
Mas, lamenta, "a resposta de muitos países europeus a estes atos de humanidade foi criticar, intimidar, perseguir, multar e mesmo julgar defensores dos direitos humanos", apontando que Grécia, Itália e França trataram frequentemente os salvamentos como "tráfico de pessoas" e as ações como "ameaças à segurança nacional", levando "à adoção de leis supostamente de emergência, mais restritivas".
"A falta de clareza na legislação pertinente da UE deu amplo espaço aos Estados para fazerem interpretações draconianas dessa legislação", denuncia.
Noticias ao Minuto 
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Guatemala gera polêmica sobre número de deportados dos EUA com coronavírus


O governo da Guatemala recebeu nesta quarta-feira (15) críticas de diferentes setores que exigiram transparência, após a divulgação de informações contraditórias sobre o número de infecções por coronavírus entre deportados dos Estados Unidos.

As críticas ocorreram ao mesmo tempo em que opositores, especialistas em saúde e outros setores do governo tinham solicitado dados concretos sobre o número de casos no país.

O governo de Alejandro Giammattei alega impedir a divulgação de informações que possam prejudicar a privacidade dos infectados.

Controvérsias sobre o número de deportados com o COVID-19 surgiram depois que o ministro da Saúde, Hugo Monroy, disse diante do Congresso na última terça-feira que entre 50% e 75% das 41 pessoas que chegaram à Guatemala em um voo em março tinham testado positivo para a doença.

Horas depois, o funcionário enviou aos jornalistas uma mensagem de vídeo, na qual ele simplesmente disse havia "vários" infectados.

No entanto, a porta-voz do ministério, Ana Lucía Gudiel, informou que apenas cinco pessoas deportadas dos Estados Unidos testaram positivo para a COVID-19.

Diante das contradições, diferentes personalidades da sociedade civil e da política local exigiram esclarecimentos sobre o número de deportados infectados que retornaram ao país.

A ONG Refugiados Internacionais pediu ao governo que solicitasse a suspensão das deportações porque "eles estão colocando em risco os migrantes guatemaltecos e o público".

"O governo dos Estados Unidos deve parar de deportar qualquer pessoa, a menos que testem negativo para a COVID-19. O governo da Guatemala deve pedir aos Estados Unidos que interrompam as deportações até que possam ser realizados testes para interromper a propagação do vírus", segundo a organização.

As deportações de guatemaltecos dos Estados Unidos tiveram uma queda de 13,4% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2019.

Dados oficiais indicam que, nesta quarta-feira, 180 pessoas foram diagnosticadas com o novo coronavírus na Guatemala, que já registra cinco mortes.

AFP

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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Colômbia pede ajuda urgente para lidar com migrantes venezuelano

Colômbia pede ajuda urgente para lidar com migrantes venezuelano
Governo colombiano pediu hoje ajuda internacional urgente para conseguir dar apoio às centenas de milhares de migrantes venezuelanos, em plena crise de pandemia de covid-19.
A Colômbia é o país com o maior número de migrantes venezuelanos no seu território (1,8 milhões), que fugiram da profunda crise política, económica e social que se vive no seu país.
Segundo o Ministério da Saúde colombiano, “a política de portas abertas da Colômbia” para migrantes envolve “um elevado custo em termos de recursos financeiros e humanos”, que aumenta quando acontece uma pandemia.
“O Governo nacional apela urgentemente à comunidade internacional para aumentar os recursos destinados a apoiar os esforços da Colômbia para ajudar os migrantes da Venezuela (...) em particular para superar a emergência greda pela covid-19”, disse o Ministério, em comunicado.
“Atualmente, diante da crise sanitário que o país e o mundo atravessam, a necessidade de aumentar as fontes de financiamento parece óbvia”, acrescenta o comunicado.
Segundo a ONU, 4,9 milhões de venezuelanos deixaram o seu país, desde 2015, sendo a Colômbia e também o Brasil dos principais países de refúgio.
Na luta contra a pandemia da covid-19, o Governo colombiano anunciou um investimento de cerca de 13 mil milhões de euros em medidas económicas, que incluem empréstimos, ajudas, subsídios aos mais pobres e gastos com o sistema de saúde.
O Governo colombiano também pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) acesso a uma linha de crédito de cerca de 10 mil milhões de euros, numa altura em que o Ministério das Finanças estima uma quebra do Produto Interno Bruto de 1,5% a 02%, em 2020..
A Colômbia, com 48 milhões de habitantes, registou 2.776 casos de contaminação com o novo coronavírus, incluindo 109 mortes.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 114 mil mortos e infetou mais de 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.
Dos casos de infeção, quase 400 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.
Lusa
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Pedida regularização urgente de migrantes e refugiados em Espanha

Centenas de organizações não-governamentais (ONG) e milhares de cidadãos estão a pedir ao governo de Espanha que avance com um programa urgente de regularização de todos os migrantes e requerentes de asilo em situação administrativa pendente, foi hoje divulgado.

Pedida regularização urgente de migrantes e refugiados em Espanha
Segundo a agência espanhola EFE, este apelo ao governo espanhol, feito através de uma petição e que surge em plena pandemia da covid-19, foi subscrito, até ao momento, por mais de 200 ONG nacionais e internacionais e por cerca de 41 mil cidadãos.

No pedido ao executivo liderado por Pedro Sánchez, os signatários argumentam que, perante o atual contexto de uma emergência sanitária a nível global, é fundamental que sejam garantidos os direitos de todas as pessoas que se encontram em território espanhol, com uma atenção especial para as pessoas consideradas como mais vulneráveis, nomeadamente os migrantes em situação administrativa irregular e os requerentes de asilo que aguardam há vários meses pela aprovação dos respetivos pedidos.
As ONG e os cidadãos signatários sustentam que "uma ampla e extraordinária regularização de todos os migrantes que vivem em território espanhol é a medida mais ágil e exaustiva de garantir que todas as pessoas possam enfrentar esta crise sanitária e económica".
"O conjunto de medidas de proteção social que está a ser desenvolvido e aprovado pelo governo (...), não pode deixar ninguém para trás. Promover o processo de regularização é essencial para alcançar isso", frisam os subscritores da petição.
Além disso, reforçam os signatários, esta medida pode dar "uma resposta imediata às necessidades específicas que a sociedade e o mercado de trabalho vão enfrentar após esta emergência".
E concluem: "Além da atual proposta de regularização, deve ser aprovada, a médio prazo, uma política de migração ágil e eficaz, que inclua medidas permanentes, como a flexibilização dos requisitos para a obtenção e renovação das autorizações de residência e de trabalho, dando assim resposta à realidade social sob uma perspetiva realista da proteção dos direitos humanos".
Foi no atual contexto da pandemia provocada pelo novo coronavírus que o Governo português decidiu avançar, em março, com a regularização de todos os migrantes e requerentes de asilo com pedidos de autorização de residência pendentes.
O diploma do Governo que regulariza a situação dos estrangeiros foi publicado em Diário da República no dia 27 de março.
"Procurando dar resposta à natureza específica da ameaça de contágio por covid-19, a gestão dos atendimentos e agendamentos deve ser feita de forma a garantir inequivocamente os direitos de todos os cidadãos estrangeiros com processos pendentes no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), determinando que, à data da declaração do Estado de Emergência Nacional, os mesmos se encontram em situação de permanência regular em Território Nacional", indica o diploma.
Portugal, onde os primeiros casos da doença covid-19 confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde 19 de março e até ao final do dia 17 de abril.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 120 mil mortos e infetou mais de 1,9 milhões de pessoas em 193 países e territórios.
Dos casos de infeção, cerca de 402 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Igreja abre refeitórios e alojamentos para migrantes e trabalhadores informais

Mais de mil pessoas em situação de pobreza, migração ou perda de trabalho por causa do Covid-19 estão recebendo comida e alojamento em Ranchi, no estado de Jharkhand. Já de Kandhamal, um distrito no interior de Odisha, veio o exemplo dos cristãos pobres que aderiram à campanha de arrecadação de fundos para ajudar os pacientes internados. “Mesmo sendo pobres, podemos ser modelo para muitos privilegiados e capazes de contribuir”, disse o pároco local.

O país também está com medidas restritivas para combater o Covid-19
A Índia também instaurou medidas restritivas no país para conter a disseminação do coronavírus, o que já têm deixado muitas pessoas em difícil situação econômica. É o caso dos migrantes internos que não conseguiram voltar ao seu país de origem e que perderam o emprego, além dos trabalhadores formais e informais de baixa renda que inclusive podem perder o lugar onde dormem.

Refeitório para centenas de pessoas em Ranchi

A Igreja tem se mobilizado para ajudá-los, como acontece em Ranchi, no estado de Jharkhand. Por solicitação do governo local, a Igreja colocou à disposição várias estruturas para oferecer acolhimento, mas também comida e outros serviços de base a essas pessoas, junto a tantas outras famílias pobres.
Na semana passada, segundo a agência de notícias Eglises d’Asie, o arcebispo da cidade, dom Feliz Toppo, inaugurou um refeitório popular que vai beneficiar mais de 600 pessoas por ao menos um mês. O local, administrado pelas Missionárias da Caridade, as irmãs de Madre Teresa de Calcutá, é aberto também às 200 famílias de um bairro onde vivem ex-doentes de lepra.
O bispo auxiliar, dom Theodore Mascarenhas, explica que as religiosas se encarregaram do refeitório, enquanto que as autoridades aceitaram fornecer arroz e legumes com o suporte da arquidiocese. A Igreja ainda colocou à disposição dos migrantes 14 escolas católicas e a arquidiocese local deve abrir um outro refeitório que vai servir 500 pessoas, graças às doações de organizações humanitárias católicas.

O exemplo dos cristãos pobres

Já em Kandhamal, um distrito no interior do estado de Odisha e alvo das piores revoltas anticristãs na história do país em 2008, os fiéis pobres tornaram-se modelos para os mais ricos. Eles decidiram dar a sua contribuição para a campanha de arrecadação de fundos do primeiro-ministro para combater o Covid-19.
A paróquia de Raikia, junto a outras instituições cristãs, conseguiu arrecadar quase 30 mil rupias (quase 400 dólares) para ajudar os mais necessitados durante a emergência sanitária e econômica. O pároco local, Pe. Pradosh Chandra Nayak, disse que “mesmo uma pequena quantia poderia fazer a diferença”, isto é, pessoas que contribuíram inclusive com apenas 10 rupias.
Isso porque, como explicou o sacerdote, “não é fácil para os nossos fiéis contribuir ao fundo do primeiro-ministro, visto que aqui o povo é composto por grande parte de agricultores e marginalizados que estão combatendo a pobreza”. Mas o pároco acrescentou que a ideia veio em mente porque, “mesmo se somos pobres, também podemos nos tornar modelos para muitos que são privilegiados e capazes de contribuir para ajudar os irmãos neste período difícil”.
Graças à contribuição dos fiéis, a paróquia conseguiu distribuir pacotes com litros de leite, biscoitos, remédios e máscaras de proteção aos pacientes internados num hospital público, além de máscaras e luvas aos profissionais de saúde. Também foram distribuídos biscoitos aos órfãos da Casa de Santa Catarina de Raikia.
Radio Vaticano
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Ministra italiana propõe regularizar 600 mil imigrantes

Mulher usa máscara para se proteger do coronavírus Covid-19 diante da estação Garibaldi em Milão, na Itália (Foto: Valeria Ferraro/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
A ministra da Agricultura da Itália, Teresa Bellanova, de centro, defendeu nesta terça-feira (14) a regularização de 600 mil imigrantes que estão em condição irregular no país para ajudar na retomada da economia nacional, abalada pela pandemia do novo coronavírus.
A proposta está em um artigo publicado pelo jornal Il Foglio e acolhe uma sugestão feita por dois colunistas do mesmo diário, Carlo Stagnaro e Luciano Capone, que chamavam atenção para "600 mil invisíveis sem acesso a assistência socioeconômica e que escapam a qualquer possibilidade de monitoramento".
"Estou de acordo: chega de hipocrisia. É colocar a cabeça na areia. Essa é minha resposta ao questionamento de Carlo Stagnaro e Luciano Capone na reflexão sobre aqueles '600 mil clandestinos a serem regularizados para religar a economia italiana'", escreve Bellanova, que pertence ao partido Itália Viva (IV) e é a principal representante do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi no governo.
"Ou somos nós, a política, quem governa, a assumir a responsabilidade até o fim pelas contradições que a realidade nos impõe sob os olhos, ou algum outro fará: a criminalidade", acrescenta.
Para Bellanova, isso permitiria enfrentar a "urgência da falta de mão de obra na agricultura", que coloca em risco produtores, postos de trabalho, investimentos e a própria cadeia do setor alimentício. Segundo a ministra, a regularização também ajudaria a evitar uma "emergência humanitária" nos "assentamentos informais superlotados de pessoas que não trabalham ou o fazem na invisibilidade total".
"Estão sob risco da fome, abandonados a si mesmos e à mercê da ameaça do vírus", diz. Bellanova também ressalta que não exclui a utilização de mão de obra italiana na agricultura, mas afirma que hoje existe uma carência de 350 mil trabalhadores no setor, uma vez que a maior parte dos 400 mil estrangeiros que atuam regularmente nas colheitas não irão ao país neste ano por causa da pandemia.
"Colocar fim aos guetos, à clandestinidade, à ilegalidade e à concorrência desleal que prejudica nossa reputação no cenário internacional significa uma resposta da civilização e soluções estruturais necessárias para o país e sua economia", conclui a ministra.
Recentemente, o prefeito de Bergamo, Giorgio Gori, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), ex-legenda de Bellanova, também havia defendido a contratação de estrangeiros para as lavouras italianas.
ANSA
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segunda-feira, 13 de abril de 2020

Papa a voluntários que salvam migrantes no Mediterrâneo: contem comigo!

Uma mensagem de Francisco, escrita de próprio punho, foi enviada à organização de missões humanitárias ‘Mediterranea’ em resposta à uma carta dos voluntários. O Papa agradeceu por tudo aquilo que fazem para salvar a vida dos migrantes e acrescentou: “gostaria de dizer que estou sempre à disposição para dar uma mão”.
 Em foto de arquivo, o Papa em viagem à Lampedusa
O Papa Francisco escreveu uma curta mensagem de próprio punho nesta sexta-feira (10) em resposta à carta recebida da organização não-governamental “Mediterranea Saving Humans”, plataforma que procura salvar a vida dos migrantes, testemunhar, documentar e denunciar o que acontece naquelas águas. O jornal italiano Avvenire, de inspiração católica, divulgou nesta sexta o conteúdo da mensagem do Pontífice, que respondeu prontamente aos voluntários. O Papa escreveu à mão:
“Obrigado por tudo aquilo que fazem. Gostaria de lhes dizer que estou sempre à disposição para dar uma mão. Contem comigo.”

Carta de Palermo ao Vaticano

A extensa carta da ONG foi assinada pelo chefe de missão, Luca Casarini, em nome de todos os componentes, depois das últimas notícias provenientes da Líbia. Na mensagem, a manifestação de amargura por todos os obstáculos impostos aos navios humanitários, mas, sobretudo, pelo agravamento das condições de milhares de pessoas nos campos de refugiados na Líbia e na Grécia, onde vivem mais de 40 mil pessoas em pequenos espaços e com condições higiênicas espaventosas.
Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), quase 800 pessoas partiram da Líbia em março e cerca de 600 foram deportadas de volta ao país. Na Grécia, a ameaça do Covid-19 colocou campos de refugiados em quarentena após o registro de casos que testaram positivo ao vírus.

Sobre o privilégio de salvar vidas

O chefe da missão “Rescuemed” escreveu: “nestes dias terríveis, penso ao que fazemos no mar e o que sentimos quando temos o privilégio de poder salvar da morte os nossos irmãos e irmãs migrantes, enquanto o mundo tem a cabeça virada para o outro lado”. O pensamento é direcionado à pandemia que “hoje obriga todos a fazer as contas com a luta pela vida, a pedir ajuda aos outros para se salvar”.

Sobre a piedade humana

O Papa Francisco responde com palavras de afeto e gratidão, ao dizer: “Luca, querido irmão, muito obrigado pela tua carta”, e pela “piedade humana que tens diante a tantas dores. Obrigado pelo teu testemunho, que me faz muito bem”.
Salvando os refugiados do iminente afogamento, Casarini (investigado e depois inocentado junto ao comandante Pietro Marrone) confidenciou ao Pontífice, de sempre ter tido “a sensação de estar salvando nós mesmos, mas que, na verdade, eram aqueles homens, mulheres e crianças indefesos que estavam salvando a nós. Hoje tudo está claro, transparente como a água daquele Mar Mediterrâneo, que queremos imaginar como o ‘Grande Lago de Tiberíades’”.

Colete salva-vidas crucificado


No início de dezembro, o Papa Francisco mostrou ao mundo um gesto inesperado ao expor uma cruz no acesso ao Palácio Apostólico do Cortile do Belvedere, no Vaticano. Doada ao Pontífice pela própria ONG Mediterranea, a cruz foi realizada com água de mar e um colete salva-vidas como símbolo de tantos mortos sem nome, afogados no Mediterrâneo.
Na época, o Papa disse que decidiu expor naquele local o colete salva-vidas, “crucificado na cruz, para nos recordar que devemos manter os olhos abertos, o coração aberto; para recordar a todos o empenho imprescindível de salvar toda vida humana, um dever moral que une crentes e não-crentes”. Palavras que acabaram sendo renovadas pelo Pontífice na recente mensagem dirigida aos voluntários do Mediterranea que lutam para salvar vidas.
Radio Vaticano
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Agradecimento de Boris Johnson mostra importância de imigrantes na saúde pública

Pippa FOWLES / 10 Downing Street/AFP
O discurso do premiê britânico, Boris Johnson, ao deixar o hospital depois de uma semana internado com covid-19 mostra a importância da imigração para o sistema de saúde britânico.
Os dois enfermeiros que, "a cada segundo da noite, estavam assistindo, pensando e cuidando" de Boris são estrangeiros: Jenny, de Invercargill, na Nova Zelândia, e Luis, da região do Porto, em Portugal.

Segundo o primeiro-ministro, o cuidado dos dois foi a razão pela qual seu corpo recebeu a quantidade certa de oxigênio no momento mais decisivo, "quando a situação poderia ter ido para qualquer lado".

Jenny e Luis são parte dos 13% dos funcionários do sistema público de saúde britânico (NHS) que vieram de outro país: um a cada oito é imigrante. Em Londres, a parcela é ainda maior: chega perto de 20%.

Em todo o país, são cerca de 153 mil pessoas que vieram de fora do Reino Unido. Índia, com 21 mil, e Filipinas, com 18,5 mil, são os principais países de origem, mas há imigrantes de 102 nacionalidades. Os brasileiros que atuam no NHS são 423.

A necessidade de receber imigrantes para atuar não só em hospitais mas também no cuidado de idosos foi um dos principais temas da campanha do brexit. Os opositores da saída da União Europeia argumentavam que isso deixaria ainda mais vulnerável o serviço de saúde pública britânico, no qual já faltam 43 mil enfermeiros, segundo números de 2019.

No quadro de funcionários da saúde pública britânica, 9,5% dos médicos e 6,4% dos enfermeiros são cidadãos de países da UE. Boris Johnson, líder da campanha do brexit, prometeu à época que facilitaria a entrada de estrangeiros para trabalhar em profissões críticas, como as da área de saúde.

A dependência de imigrantes para manter o atendimento médico funcionando não é exclusividade britânica. Em todo o mundo, países desenvolvidos dependem do trabalho estrangeiro para preencher suas vagas de saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Japão, que estima falta de 270 mil enfermeiros em cinco anos, abriu um novo programa de vistos para atrair 60 mil profissionais da área, e a Alemanha também não tem enfermeiros no país para ocupar as 36 mil vagas abertas no momento para o cuidado de doentes e idosos. Em 2030, a estimativa é que faltem 500 mil profissionais no serviço de saúde alemão.

Na Suécia, 34% de todos os médicos e 12% dos enfermeiros são imigrantes, segundo as estatísticas mais recentes do governo (de março de 2020). A profissão de auxiliar de enfermagem ou cuidador, a mais comum no país, tem um quarto (26%) de seus profissionais nascidos no exterior.

São mais de 48 mil imigrantes que trabalham como auxiliares ou cuidadores na Suécia, a maioria asiáticos.
Gauchazh
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