sábado, 17 de novembro de 2018

Santa Sé: resposta à migração seja global, solidária e sem cálculos

Migrante hondurenho na barreira que separa EUA-México, em Playas de Tijuana
Ao pronunciar-se em uma conferência realizada na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, Dom Bernardito Auza, Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, concentrou-se na questão das migrações, recordando a perspectiva do Papa Francisco e da Santa Sé sobre este complexo fenômeno.
Para a Santa Sé, emigrar é um direito. A migração voluntária, segura, ordenada, regular e bem gerida, contribui para o desenvolvimento  e o enriquecimento cultural. Foi o que reiterou Dom Bernardito Auza em seu pronunciamento na última quarta-feira, em uma conferência sobre migração organizada pelo McMillan Center for International and Area Studies da Universidade de Yale.
A migração, disse o prelado, é uma natural resposta humana à crise. É também um testemunho, acrescentou, do desejo inato de todo ser humano de buscar a felicidade, a liberdade, maiores oportunidades e condições adequadas para uma vida melhor.

Emigrar não é um ato de desespero

Dom Auza também recordou que a Santa Sé deu a própria contribuiu para a definição do "Pacto Global" promovido pela ONU e assinado pelos 193 membros da Assembleia Geral da ONU. O texto final deste documento, voltado a promover medidas para uma migração ordenada e segura, é o resultado de análises, consultas e negociações a nível internacional.
Em particular, a Santa Sé deu sua contribuição determinante à formulação do Artigo 13, que indica a necessidade de "criar condições que permitam às comunidades e indivíduos viver em segurança e dignidade em seus países".

Garantir os direitos dos migrantes

No Pacto global foi acrescentado ademais um "mantra" da Santa Sé: "a migração nunca deveria ser um ato de desespero".  Dom Auza recordou depois os apelos, lançados à comunidade internacional, para respeitar os direitos fundamentais de todos os migrantes, independentemente de seu status.
Respondendo a essas exortações da Santa Sé, o Pacto Global indica, entre seus objetivos, o de garantir a todos os migrantes o exercício de seus direitos através de um acesso seguro aos serviços básicos.

Responsabilidade compartilhada

A Santa Sé também reiterou, em mais de uma ocasião, que a migração é um fenômeno global e, portanto, é necessária uma resposta global.
Esta resposta, afirmou Dom Auza, deve haver uma "responsabilidade compartilhada". Embora reconhecendo e respeitando o direito soberano dos Estados individuais de implementar as suas políticas em matéria de migração, em conformidade com as respectivas obrigações de direito internacional, a Santa Sé considera que são os contextos globais e regionais aqueles mais idôneos para promover uma migração, segura , ordenada e regular.

Papa Francisco e as migrações

Dom Auza explicou então que o Papa Francisco condensou em quatro verbos a abordagem geral da Igreja Católica para responder ao desafio global da migração. Estes verbos são: acolher, proteger, promover e integrar.
Acolher, explicou o prelado recordando o pensamento do Pontífice, significa respeitar a dignidade de todo migrante. Proteger quer dizer salvaguardar a dignidade dos migrantes em seus estados de origem, oferecendo informações confiáveis ​​e verificadas antes da partida. Tal proteção deve depois continuar nos Estados de trânsito e destino. Integrar significa incentivar a cultura do encontro.
Quando a migração é bem gerida, disse Dom Auza, os migrantes dão uma contribuiçãopositiva para a economia, a vida social e cultural e enriquecem as comunidades. A integração, observou o bispo, não é um processo de assimilação que leva os migrantes a suprimir ou esquecer sua identidade cultural. Em vez disso, é um processo de "conhecimento recíproco", de "abertura recíproca".

Todo mundo faz a sua parte

O Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, por fim,  enfatizou que o Pacto Global será "um ponto de referência internacional" para as boas práticas e a cooperação global na gestão da migração.
O acordo, que entrará em vigor após o encontro de cúpula de Marrakech, previsto para dezembro será, em particular, um ponto de referência não somente para os governos, mas também para as organizações não governamentais.
Nossa responsabilidade compartilhada, concluiu Dom Auza, pode concretizar-se somente se todos realizarem esforços: "Seja qual for a nossa parte nesta responsabilidade compartilhada, a nossa resposta deve ser motivado principalmente pelo nosso profundo senso de comum humanidade pelo migrante e não por cálculos contingentes que poderiam violar sua dignidade humana ".
Radio Vaticano
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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Direitos de voto para estrangeiros na Suíça?

Um estudo realizado em Zurique relança o debate sobre os direitos de voto da população estrangeira. Qual é a sua opinião?
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A falta de integração política da população estrangeira é um dos pontos fracos da democracia suíça: 25%, ou seja, uma em cada quatro pessoas na Suíça não têm o direito de votar nas eleições e plebiscitos nacionais.
O artigo "Ausländerstimmrecht, das grosse Dilemma der direkten DemokratieLink externo" (O grande dilema da democracia direta) é de grande atualidade. Segundo um estudo realizado em Zurique, 45% dos residentes estrangeiros de 30 a 39 anos - a faixa etária mais numerosa e variada - não têm voz política, embora estejam perfeitamente integrados na sociedade, especialmente economicamente.
Alguns até perderam o direito de votar em seu país de origem. Os cidadãos britânicos, por exemplo, perdem-no depois de viver quinze anos no estrangeiro.
Várias cidades e cantões suíços, principalmente na região de língua francesa, têm enfrentado o problema e concederam o direito de voto aos residentes estrangeiros.
swissinfo.ch
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Refugiada angolana estreia nos palcos em peça no Rio sobre vida dos refugiados

De Angola, da República Democrática do Congo e da guerra para os palcos brasileiros. Esse é um resumo simples da trajetória de luta e perseverança de Ruth Mariana, refugiada que sempre sonhou em ser atriz e agora estrela o espetáculo “Kondima – Sobre Travessias”, no Rio de Janeiro.
Em cartaz no Teatro Sesc Copacabana desde o dia 8 de novembro, a peça "Kondima - Sobre Travessias" é uma mistura de documentário e teatro, ficção e realidade. Trata do drama das pessoas refugiadas pelo olhar delas mesmas, intercalando histórias contadas por quatro atores e a exibição de vídeos de notícias e relatos de refugiados de várias partes do mundo, como Síria, Haiti, Venezuela e Uganda.
Ruth e o espetáculo se misturam até no nome. “Kondima” é uma palavra do dialeto lingala que significa “acreditar” – justamente o verbo que sempre a moveu. A língua é falada em tribos de Angola e da República Democrática do Congo, onde ela nasceu e para onde se mudou quando criança, respectivamente. Fugiu do conflito, da violência bárbara contra as mulheres, e veio para o Brasil há três anos.
“Sempre amei o Brasil, meus filhos falam português pela minha origem angolana. E, por uma ironia da vida, estava pedindo visto para a Europa, mas consegui o brasileiro. Sou muito grata”, relembra.
No Rio de Janeiro, ficou sabendo do Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio (PARES) da Cáritas num momento em que vivia uma situação difícil.
“Cheguei sofrida, não tinha nem roupas para os meus filhos. Tínhamos uma outra vida em Angola e aqui estava passando necessidades. Quando cheguei à Cáritas e vi o pessoal da África, fiquei muito feliz. Desde então, meu sorriso voltou.”

Protagonismo das pessoas refugiadas

​Por meio da Cáritas, Ruth conseguiu realizar o desejo de atuar – a instituição inclusive é mencionada na peça. A equipe da companhia teatral Troupp Pas D’argent, que realiza o espetáculo, mergulhou no tema do refúgio durante um ano e meio, fazendo entrevistas e realizando filmagens em lugares tão distantes quanto Alemanha, França, Roraima (fronteira Brasil-Venezuela), São Paulo e Rio de Janeiro.
O objetivo era fundir realidade e ficção de forma que o público não conseguisse distinguir uma coisa da outra.
Desde o início, a intenção era incentivar o protagonismo de pessoas em situação de refúgio, segundo a diretora do espetáculo, Marcela Rodrigues. Buscaram, então, uma atriz refugiada com um perfil específico: mulher, negra, africana, com experiência ou não. Por uma indicação da equipe da Cáritas, chegaram até Ruth, que nunca havia atuado.

“Entramos em contato e na primeira reunião, no primeiro teste, nos apaixonamos pela Ruth”, conta a diretora. ​
A idealizadora do projeto, Natalíe Rodrigues, destaca ainda a dedicação da refugiada durante todo o processo. “Foi uma conexão instantânea. Ela trouxe tantas coisas importantes, de sensibilidade, e nos surpreendeu a cada encontro, a cada ensaio, com disponibilidade, vontade de se doar, de aprender e de ensinar”, elogia.

Sonho realizado

No fim de semana de estreia do espetáculo, Ruth foi homenageada pelos outros atores, que fizeram questão de destacar a força de vontade e a inspiração que ela representou para o resto da equipe.
A refugiada não abandonou seu outro trabalho para atuar, e ainda precisa cuidar dos filhos, mas garante que o sacrifício vale a pena.
“Sonho em ser atriz desde que estava na África. Me dá muito orgulho o meu primeiro trabalho ser sobre refúgio. Penso nas pessoas que morreram, penso ‘estou aqui por vocês’, pelas mulheres que são estupradas, mal-tratadas. Estou trabalhando para defendê-las e para gritar por elas.”
Ela também deseja que a peça percorra o Brasil e, quem sabe, outros países. Um desejo compartilhado com outra refugiada, a colombiana Ninibe Forero, que assistiu ao espetáculo.
“Tinha que ser obrigatório para todo mundo assistir, tinha que ser vista no mundo inteiro, porque consegue tocar qualquer pessoa. Temos contato com tudo o que falam, e isso faz parte da humanidade. É muito gratificante ver a reação do auditório no fim, porque dá pra ver que entendem um pouco mais a nossa condição.”
Para a idealizadora do projeto, a arte tem a missão de debater o que precisa ser debatido. “Nosso objetivo é comunicar com a plateia, mostrar que somos todos iguais, que olhar para o outro é o olhar para si, na construção de uma sociedade mais justa, mais harmoniosa, mais equilibrada, de um mundo que mais do que nunca precisa se comunicar através do amor, da generosidade e do respeito ao próximo”, conclui Natalíe Rodrigues.

Serviço

O espetáculo “Kondima – Sobre Travessias” fica em cartaz no SESC Copacabana até 25 de novembro, com sessões de quinta a domingo, às 19h.
Os ingressos saem a 7,50 reais (habilitado Sesc), 15 reais (meia-entrada) e 30 reais (inteira).
Onu
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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Japão pode receber cerca de 47 mil trabalhadores estrangeiros em 2019


O governo do Japão projeta que até 47 mil trabalhadores estrangeiros podem vir ao país no ano fiscal de 2019 com as mudanças na lei de imigração.
Tiveram início na terça-feira os debates de um projeto para revisão da Lei de Controle de Imigração que permitira a entrada de mais trabalhadores estrangeiros a partir de abril do ano que vem.
Representantes do governo dizem que uma falta de mão de obra de mais de 600 mil trabalhadores é esperada para o ano fiscal de 2019. Eles dizem que se o projeto for aprovado, cerca de 33 mil a 47 mil trabalhadores de outros países podem ser aceitos durante o período.
Nos cincos anos fiscais a partir de 2019, as autoridades projetam uma falta de mão de obra entre 1,3 a 1,35 milhão de trabalhadores e a chegada de cerca de 260 mil a 340 mil trabalhadores estrangeiros.
Partidos de oposição exigem que o número de trabalhadores aceitos sob a lei de imigração revisada seja quantificado o quanto antes.
FONTE : NHK PORTUGUÊS
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Venezuelanos recebem auxílio na busca de emprego no mercado brasileiro

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Duas salas abertas no início deste mês pelo Ministério do Trabalho em Boa Vista vão auxiliar imigrantes venezuelanos a obter carteira de trabalho e buscar vagas de emprego no mercado brasileiro.

De acordo com a pasta, as unidades são as primeiras inauguradas na Amazônia Legal e fazem parte de um projeto-piloto de atendimento exclusivo para venezuelanos.

A ideia é auxiliar os abrigados no cadastramento do Portal Emprega Brasil e depois na realização de cursos oferecidos gratuitamente na modalidade ensino à distância, pela Escola do Trabalhador.
Com o cadastro no Emprega Brasil, os trabalhadores venezuelanos terão acesso a políticas e ações de emprego que poderão ajudá-los na busca ou preservação de trabalho no Brasil, com garantias trabalhistas e previdenciárias.

As empresas que contratam pelo Emprega Brasil têm a facilidade de selecionar os trabalhadores pelo portal, além de obter auxílio no atendimento das disposições trabalhistas.

As salas, exclusivas para atendimento de venezuelanos em Boa Vista, funcionam em horário comercial, no Abrigo Rondon 2 e no Posto de Triagem da capital.

O Ministério do Trabalho informou que neste primeiro mês espera atender cerca de 10 mil pessoas, em Boa Vista.
EBC
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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

GRUPO DE PRIMEIROS MIGRANTES CHEGA À FRONTEIRA MÉXICO-EUA


Cerca de 400 de migrantes chegaram nesta terça-feira (13) à fronteira México-Estados Unidos e alguns escalaram a cerca que divide ambos países sob os olhares dos agentes da patrulha fronteiriça americana. Eles planejam solicitar asilo às autoridades americanas nos próximos dias.
Esse grupo, composto de dezenas de lésbicas, gays e transgêneros, afastou-se da principal caravana com migrantes de países da América Central que segue na direção da fronteira dos Estados Unidos.
A grande caravana saiu em 13 de outubro de San Pedro Sula, em Honduras, e chegou a reunir cerca de 7 mil migrantes. A maior parte deles ainda permanece longe da fronteira, na região de Sinaloa, no oeste do México.
Esse primeiro grupo a chegar à fronteira fez uma parte do trajeto de ônibus até a região de Playas de Tijuana. De acordo com relato do “Washington Post”, o esforço cotidiano de viajar milhares de quilômetros a pé e pegar carona foi agravado pelo assédio ocasional de outros viajantes.
O hondurenho Erick Dubon, de 23 anos, vinha de San Pedro Sula com o namorado Pedro Nehemias, de 22 anos. Ele relatou ao jornal americano que foram discriminados durante o percurso. “As pessoas não nos deixavam entrar em caminhões, eles nos faziam entrar no fim da fila para tomar banho e nos chamavam de nomes feios ”, declarou.
Os migrantes devem solicitar asilo às autoridades dos Estados Unidos em breve. Porém, a situação não é simples. Na sexta-feira (9), o presidente Donald Trump assinou uma ordem que impede a concessão de refúgio para os imigrantes que entrarem ilegalmente no país. A ordem também suspende por 90 dias a entrada de imigrantes pela fronteira com o México.
Notibras
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A exclusão de imigrantes e refugiados pode trazer novos riscos para a segurança

João Estevens é investigador do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, doutorando em Estudos da Globalização. Durante dois anos analisou as políticas europeias de segurança em relação às migrações e concluiu que há riscos "sérios e complexos" se não for feita uma integração das novas comunidades.

As migrações são um dos grandes temas dos últimos anos. A crise migratória, que se seguiu a uma grave crise financeira e económica na generalidade dos países da União Europeia (UE), veio acentuar divisões e pôr em causa valores humanitários, solidários e de proteção dos direitos humanos, que sempre foram muito caros ao projeto europeu. O meu interesse veio da sua atualidade e complexidade.
Encerra em si uma dimensão humanitária, ao mesmo tempo que põe em evidência as interdependências do mundo global e as tensões existentes sobre o funcionamento da UE e a relação entre os Estados membros.
Há sinais claros de que os tempos são outros, tempos com novas prioridades, em que a memória histórica das elites políticas e das populações sobre acontecimentos passados se desvanece.
A questão migratória e a separação entre o nacional e o não nacional - o "outro" - tem sido um dos temas preferenciais nas narrativas de alguns movimentos populistas em ascensão, também presentes na última campanha presidencial norte-americana, que culminou com a eleição de Donald Trump, ou no referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, que determinaria o brexit.
O que quis entender na relação segurança/migrações?
Em concreto, aferir se os países que acolhem mais refugiados e recebem um número de pedidos de asilo mais elevado apresentam maiores preocupações de segurança face à recente crise migratória do que os restantes; e perceber o objeto da segurança: se o Estado, o seu território e os seus cidadãos ou se a pessoa humana em maiores condições de insegurança.
E o que concluiu?
Os Estados membros securitizam a questão migratória de forma muito diferenciada, mas com um denominador comum: nunca, ou raramente, o foco da segurança se coloca no migrante, refugiado ou requerente de asilo. Ou seja, apesar de muito se falar em sociedades sem fronteiras e interdependentes, a segurança mantém-se muito centrada no Estado. A intensidade deste processo é, logicamente, maior em países onde a pressão migratória é maior.
E a UE serve para equilibrar essas diferenças?
A UE, de facto, assinala o desafio humanitário e as dificuldades na gestão dos requerentes de asilo. Mas estamos a falar de uma organização cuja atuação se encontra limitada pelos Estados membros, que têm posições muito distintas. Assim se compreende a forma como foi gerida a crise migratória e de refugiados nos últimos anos, com respostas comunitárias tardias e muitas vezes contraditórias entre os Estados membros.
Há uma ideia, que descreve no seu trabalho, que gostava que desenvolvesse: como é que a exclusão pode representar um risco maior para a segurança do que os próprios fluxos migratórios?
A maioria dos estudos recentes aponta para isso sim, que a exclusão das comunidades imigrantes e de refugiados pode trazer novos riscos associados a essa exclusão - potencialmente mais sérios e complexos para os países do que a crise migratória. Aliás, a crise migratória não tem necessariamente de se colocar enquanto uma questão de segurança. A forma como é gerida a crise migratória é que pode originar alguns desafios para a segurança. São ideias distintas.
Por isso é que é importante que haja respostas articuladas e conjuntas, para que os fluxos de entrada em cada país possam ser relativamente sustentáveis, de modo a que os países tenham capacidade e disponibilidade para trabalhar na integração destas pessoas.
A circulação de pessoas é histórica, não é um fenómeno recente, que foi acentuada com o desenvolvimento de crescentes interdependências económicas, sociais e culturais. E o sentido dos fluxos não é somente sul-norte, atualmente o volume dos fluxos sul-sul já são superiores. O encurtamento de ideias de tempo e de espaço é uma realidade.
As pessoas circulam por trabalho e lazer e continuarão a fazê-lo. Como continuarão a existir conflitos, exclusões de grupos sociais por motivos políticos, guerras e desastres ambientais, que farão que haja grandes fluxos de refugiados e requerentes de asilo. A exclusão enquanto princípio que gere a política migratória parece-me um mau princípio e difícil de pôr em prática no mundo de hoje.
Vivemos numa situação híbrida, em que, por um lado, somos cidadãos globais e estamos presentes, física e digitalmente, numa escala transnacional, ao mesmo tempo que mantemos uma nacionalidade e respondemos politicamente e legalmente a um país.
Não me parece nem bem nem mal, é apenas um diagnóstico de uma situação que me parece híbrida. Ora, se as migrações são processos com raízes históricas que nos acompanharão no futuro, é responsabilidade das sociedades pensar, planear e antecipar possíveis situações de crise.
É desta forma preventiva que se deve pensar a segurança. Esse planeamento é precisamente para se estar mais preparados em situações de crise, algo que não sucedeu quando a crise migratória emergiu.
Na prática, conjugar essa preocupação humanitária com a segurança é complexo...
É obviamente difícil para uma sociedade receber, acolher e integrar fluxos migratórios tão intensos num tão curto espaço de tempo. Não há preparação política, nem condições materiais para dar resposta aos desafios existentes.
Um dos principais riscos de segurança que se tem falado é a possibilidade de infiltração de possíveis membros de células terroristas nestes fluxos e que levou a um reforço do controlo fronteiriço com novas colaborações entre forças policiais e os serviços de informações.
Em boa verdade, a presença de membros de células terroristas em território europeu aconteceu sem que houvesse necessidade de recorrer a infiltrados que se aproveitassem da crise migratória para chegar aos países da União.
E em muitos casos são pessoas com cidadania de países europeus, Estados membros da UE. Como é sabido, o problema do terrorismo na Europa tem estado muito mais associado à falta de integração económica, social e cultural de algumas comunidades imigrantes, levando a que cidadãos nacionais, provenientes de segundas e terceiras gerações de imigrantes, tenham sido aliciados em participar em organizações ou iniciativas terroristas.
Não é excluindo imigrantes e refugiados que deixa de haver mais ou menos atentados terroristas. A exclusão é, de facto, um mau princípio até do ponto de vista da segurança. É cada vez mais difícil sustentar uma segurança nacional duradoura sem uma forte resposta às condições que geram insegurança humana.
Que riscos há sem essa resposta à "insegurança humana"?
A não integração de imigrantes e de refugiados pode contribuir para muitas situações de insegurança humana, que podem levar à expansão da pobreza, à necessidade de apoios sociais que pressionam o Estado social, ao aumento das atividades na economia paralela, ao desenvolvimento de pequenas redes de criminalidade organizada em diversas áreas, à guetização urbana e marginalização em grandes cidades e, em menor escala, ao terrorismo.
Estes são alguns dos riscos para a segurança, em sentido alargado, apontados em muitos estudos, que me parecem muito mais difíceis de securitizar e gerir quando comparado com o acolhimento de imigrantes e de refugiados provenientes da atual crise migratória. Cuidar da segurança humana, que é um conceito que surgiu no âmbito das Nações Unidas nos anos noventa, e que articula direitos humanos, desenvolvimento e segurança, é alimentar a segurança nacional.
Nas nossas sociedades, a segurança é muito mais do que a ausência de conflitos e de guerras. Só trabalhando uma visão alargada de segurança é que podemos esperar alcançar condições que permitam a paz e a estabilidade dos regimes políticos democráticos no futuro.
Em resumo, parece-me mais fácil gerir a necessidade de integração dos fluxos de entrada no país de acolhimento e as assimetrias étnicas e religiosas de uma população residente multicultural do que os outros possíveis riscos que mencionava.
E como pode um país prevenir as ameaças à segurança sem pôr em causa a questão humanitária?
Precisamente pelo que disse anteriormente. Com a perceção de que a segurança vai para além de uma dimensão político-militar. Na atualidade, excluir a questão humanitária e o respeito pelos direitos humanos só seria possível com um movimento de retrocesso social tão grande que nos levasse de volta para o Estado-Nação e que nos confinasse às fronteiras nacionais, penso.
Eu acho que é normal que em períodos de crise sejam naturais a existência de tensões entre movimentos globalistas e movimentos nacionalistas, que possam defender a primazia do Estado-Nação. Mas a verdade é que a segurança é grandemente coletiva e cooperativa, daí a existência de uma série de organizações internacionais de segurança.
Atualmente, o sistema internacional reconhece que os Estados não são os únicos atores. Os Estados competem e cooperam entre si em função de interesses estratégicos e alianças políticas, económicas ou securitárias, sendo certo que a política de um Estado pode influenciar o que se passa noutro. Logo, na mesma linha, a segurança preventiva de um Estado pode trazer riscos de segurança para outro Estado.
Ambos atuam no interior de um sistema dinâmico e complexo. E ainda que um ou outro Estado possa, em determinado contexto social e político, ignorar a questão humanitária, sem ela não conseguiremos ter estabilidade na segurança nacional.
Dito isto, é inegável afirmar que faltou ​​​​​​​um pensamento mais humanitário nas elites políticas e se calhar em todos nós, enquanto sociedade, que não fomos capazes de as pressionar no contexto desta crise migratória. Ainda assim, penso que esse comportamento decorreu muito mais das circunstâncias políticas em que a crise acontece do que propriamente de uma visão política que já não assenta num pensamento humanista.
Para concluirmos um eventual declínio desse pensamento humanista enquanto base das relações políticas e sociais existentes no Ocidente, penso que será necessário mais tempo. Neste momento, as questões humanitárias são fundamentais em muitos países, em muitas instituições internacionais, em muitas ONG e para muitos cidadãos.
E a crise migratória também mostrou este lado. Mostrou uma forte mobilização de vários setores da sociedade civil em torno da necessidade de uma intervenção humanitária junto de migrantes e refugiados.
No atual contexto político internacional e na própria Europa, com os populismos e extremismos a ganharem um espaço cada vez maior, como se pode convencer a sociedade sobre a importância de haver políticas de integração?
É claramente mais difícil e os resultados eleitorais dos últimos anos mostram isso mesmo, assinalando que esta é uma grande questão na sociedade de hoje. A indiferença face ao outro, o distanciamento face à dor do outro e a falta de empatia por uma situação limite é algo que nos deverá fazer refletir enquanto sociedade. São questões estruturais da sua construção e da nossa vida coletiva. Somos os protagonistas das nossas vidas, mas o mundo é maior do que as nossas vidas.
A partir do momento em que se perde esse plano maior e uma dimensão coletiva da organização social, parece-me que será sempre mais difícil convencer a sociedade do que quer que seja. Já agora, quando falamos da crise migratória, é importante não esquecer que estes fluxos são compostos por pessoas em fuga numa tentativa de sobrevivência, muito mais do que aquelas que procuram melhores condições de vida.
É uma confusão comum que se tem feito ao longo deste processo. Ainda assim, acho que há uma necessidade de maior esclarecimento junto das populações, cuja maior responsabilidade é do poder político, dos media e da academia.
Estes são canais de comunicação abrangentes para tentar desconstruir ideias e fomentar pensamento crítico na sociedade sobre as mais diversas questões. Há uma culpabilização excessiva das comunidades imigrantes por falhas de um modelo de desenvolvimento económico e político, que em nada se deve às populações imigrantes.
As fragilidades da integração económica, a corrupção ou a crise dos partidos políticos em democracias consolidadas em nada se deve às populações imigrantes. É necessário desconstruir ideias instaladas de que quem chega vem roubar um posto de trabalho, vem para participar em redes de criminalidade ou para perpetrar um atentado terrorista. Estas são ideias que existem deste exato modo na cabeça de muitas pessoas e que contribuem para a criação de um estigma sobre os imigrantes.
Ainda que em menor escala no caso português, as sociedades de hoje são multiculturais. É uma realidade inegável. O contributo económico, social e cultural das populações com diferentes origens culturais é semelhante à restante população, se em condições semelhantes.
Estatisticamente, em geral, não há mais desempregados não nacionais do que nacionais, não há mais subsídios para não nacionais do que nacionais, não há mais crimes praticados por não nacionais do que por nacionais. Ou seja, por um lado, esta distinção (nacional vs. não nacional) em si mesma não faz muito sentido, e, por outro lado, as narrativas que as alimentam são recorrentemente movidas por sentimentos nacionalistas e exclusivistas e, em alguns casos, xenófobos.
Penso que é fundamental tratar a população residente como um todo, trabalhar na integração das comunidades imigrantes e trabalhar, também, na receção dessas mesmas comunidades. Em qualquer relação, há um trabalho a ser feito pelos dois lados, nos dois sentidos. Qualquer mudança cultural leva tempo a sentir-se, mas deve ser incentivada de cima para baixo, com programas em diversas áreas, com legislação e com educação para uma cidadania ativa multicultural.
E a solução para o problema?
A complexidade do tema estende-se às duas soluções mais evidentes. Por um lado, a solução dependerá da estabilidade política no Médio Oriente e norte de África; e por outro, da evolução política da União Europeia, atualmente a braços, para além da crise migratória, com a ascensão de forças políticas de extrema-direita e eurocéticas em vários países, muitos deles com forte impacto político (França ou Alemanha) ou na linha da frente da crise migratória (Itália).
Não querendo parecer pessimista, nesse caso a esperança é quase nula, ou não?
Acho que a experiência da crise migratória não pode ser vista como una. Houve momentos distintos aos quais corresponderam diferentes fases e diferentes respostas. Uma primeira fase mais negativa e, atualmente, uma fase mais equilibrada. Ainda se continuam a registar muitas mortes de pessoas em trânsito, quer em terra quer no mar.
O que quer dizer que há seguramente ainda muitas coisas por fazer. A estabilidade política no Médio Oriente, no norte de África e, também, no Sahel continua a ser uma questão hoje e não me parece que ficará resolvida de um momento para o outro, pois as clivagens existentes são complexas e fruto de um processo de desenvolvimento social e político tardio sobre os quais não se pode ignorar os séculos de experiência colonizadora por parte de vários países europeus.
Por outro lado, a ação europeia também tardou em chegar e aparenta ser hoje muito mais ágil, atuando com programas em diversos níveis, o que me parece muito positivo, pois a mitigação dos efeitos negativos da crise migratória está dependente de um conjunto de respostas multinível que estão hoje em curso e nas quais não se pode ignorar o papel da União.
Penso que esta crise migratória veio acentuar as tensões que já eram conhecidas e a falta de integração do projeto (já tinha sucedido na crise do Euro), mais evidente após os últimos alargamentos. As divisões na União Europeia não são apenas norte-sul, mas, nesta questão, sobretudo este-oeste, com particular destaque para os países do Grupo de Visegrado.
Ainda assim, ao mesmo tempo em que a crise evidenciou as fragilidades europeias, também mostrou que era necessária uma resposta europeia sob pena de a ausência de resposta determinar o falhanço do projeto europeu tal como o conhecemos. Ainda que de modo parcial, penso que essa resposta tem surgido.
A própria alteração de discurso de Angela Merkel parece-me paradigmática sobre esta questão, quando discursou neste verão, na cimeira de Bruxelas, apelando a consensos e afirmando que a forma como se lidasse com a crise migratória podia determinar o futuro da União Europeia.
Penso que, no mínimo, foi um alerta que levou a que os partidos políticos europeístas fizessem um esforço maior nos seus países para conseguirem alguns consensos nacionais e europeus. Apesar disso, um mês depois, o ministro do Interior italiano proibia o desembarque de migrantes na Sicília.
Ainda que haja muitos pontos negativos, há hoje uma atuação conjunta com países de origem, países de trânsito e alguns dos países de chegada, que terá muitas falhas, mas que representa um passo em frente na gestão da crise migratória. Resumindo, tenho hoje mais esperança do que tinha quando iniciei o estudo, em 2016.
Como caracteriza a política portuguesa nesta matéria, comparativamente com a dos restantes países europeus?
Na relação securitária, que é sobre o que posso falar melhor, parece-me que Portugal é um país que pensa de forma abrangente a segurança. Pensa a segurança nacional e a segurança humana da sua população, não só em Portugal mas também no estrangeiro.
O Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN), enquanto elemento estruturante da política nacional, é disso um bom exemplo. Menciona a necessidade de relações estratégicas com os países das comunidades imigrantes e emigrantes, a promoção de ações de combate a redes de imigração clandestina e de tráficos de seres humanos, a premência de planos de atração de imigrantes para mitigar o envelhecimento demográfico, desenvolvendo, em simultâneo, políticas de integração.
Ainda assim, há países que depuram muito mais a questão das migrações nas suas estratégias de segurança, como os casos da Alemanha, da Espanha, da Finlândia, da Grécia, da Hungria, da República Checa ou do Reino Unido, assinalando não só os possíveis riscos para a segurança nacional como as interdependências com outros domínios da sociedade e as formas de cooperação multilateral, em particular com a União, na resposta a estes desafios.
Do ponto de vista securitário, Portugal faz uma exploração intermédia desta relação. Mas a análise institucional portuguesa não se esgota no CEDN. Paralelamente, há planos de integração de imigrantes, há um Plano Estratégico para as Migrações recente e ambicioso, há relatórios de monitorização da integração de imigrantes, do Observatório das Migrações, com indicadores positivos, pelo que há uma clara intervenção política sobre as questões migratórias, que articula diferentes instituições, conseguindo estabelecer uma atuação coerente e consistente.
O poder central tem atuado e ainda que mais possa ser feito, grande parte da integração decorrerá de processos micro, com a frequência escolar, a socialização com a comunidade residente local, e os programas de apoio específicos para habitação e atividades económicas alicerçados no poder e nas estruturas locais.

Há algum Estado membro que consiga ter uma política equilibrada e com sucesso nesta matéria?
Os países menos pressionados pelos fluxos migratórios e com um sistema político em que a expressão de partidos ou movimentos populistas de extrema-direita é baixa ou residual, parecem-me estar numa posição mais confortável para efetuar uma gestão política mais equilibrada.
Ainda que haja muito por fazer, em termos relativos, a gestão política de Portugal parece-me equilibrada e com algum sucesso, em particular com algumas iniciativas como a colocação de jovens imigrantes e refugiados no ensino universitário e a fixação de população jovem e adulta em regiões altamente envelhecidas. Talvez por isso, num estudo publicado pelo Eurobarómetro neste ano, Portugal era o segundo país da União Europeia com uma perceção mais positiva sobre a integração dos imigrantes.
Como se inspira e motiva para uma investigação destas?
No geral, ao fazer ciência, o objetivo é sempre o mesmo, designadamente gerar conhecimento, acreditando que esse conhecimento pode auxiliar o decisor político aquando da tomada de decisão ou contribuir para um debate esclarecedor e fundamentado junto da sociedade civil. São sempre estas as minhas motivações para desenvolver trabalho científico. Acredito que há um valor, nem sempre possível de mensurar, criado para a sociedade e do qual todos e todas acabaremos por direta ou indiretamente beneficiar. Poder participar, ainda que de forma muito reduzida, neste processo é a minha fonte de inspiração.
Diario de Noticias 
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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Detran.SP orienta imigrantes e refugiados a tirar a CNH

Segundo dados da Polícia Federal, nos últimos cinco anos 144,7 mil imigrantes e 2.694 refugiados registrados chegaram ao Estado de São Paulo, pelos mais diversos motivos, desde estudo e trabalho, até busca por moradia ou situação humanitária.
Uma vez que estão devidamente registrados e acolhidos, esses novos cidadãos passam a ter direito a documentos normais, como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), Por isso, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) orienta sobre o procedimento correto para ter acesso à carteira de motorista.
Com a habilitação brasileira, o estrangeiro tem os mesmos direitos e deveres dos brasileiros no que diz respeito ao trânsito. A validade da CNH pode ser de até cinco anos, dependendo do exame médico. Para motoristas acima de 65 anos, a validade máxima do documento é de três anos.
O primeiro passo é o proponente ter a habilitação do seu país de origem há mais de um ano e dentro do prazo de validade. Em seguida, ele pode agendar atendimento no Detran.SP e dar entrada no processo para obter a CNH brasileira.
O cidadão vai apresentar, além da habilitação com tradução juramentada, o Registro Nacional de Estrangeiro (original e cópia simples) ou outro qualquer documento equivalente (Cédula de Identidade de Estrangeiro, protocolo de refúgio, passaporte, carteira de trabalho ou documentos específicos concedidos por órgãos brasileiros).
Também deve levar o CPF, passaporte, comprovante de endereço em nome do motorista (emitido há três meses, no máximo) ou de terceiros (incluindo declaração), formulário Renach entregue pelo médico ou psicólogo, laudo de exame toxicológico (se categorias C, D e E) e o comprovante de pagamento da taxa do Detran.SP.
A tradução juramentada da carteira de habilitação é dispensável se o país de origem do pretendente é de língua portuguesa. Os exames médico, psicológico e prático também são dispensáveis para países que fazem parte da Convenção de Viena ou têm o princípio de reciprocidade com o Brasil.
Os valores do exame médico e taxas de avaliação psicológica e de transferência/emissão estão no site (www.detran.sp.gov.br)assim como todos os passos e demais orientações.
“O Estado de São Paulo atrai muitos estrangeiros. Por isso é importante divulgarmos essas informações para que eles tenham total acesso aos nossos serviços, como qualquer outro cidadão”, diz o diretor-presidente do Detran.SP, Maxwell Vieira.
Nacionalidades
Segundo levantamento do Detran.SP, 171.715 CNHs para estrangeiros estão em dia no Estado de São Paulo — isto é, o exame médico está dentro do prazo de validade.
No ranking das dez nacionalidades, os primeiros são os portugueses, seguidos por chineses, japoneses, bolivianos, italianos, espanhóis, argentinos, sul-coreanos, chilenos e alemães (veja números abaixo).
De acordo com os dados da Polícia Federal, nós últimos cinco anos em todo o país, foram 409.581 imigrantes e 4.525 refugiados com registro. A estimativa é de que 71 nacionalidades estejam representadas no Estado de São Paulo por seus cidadãos.
As 10 nacionalidades com mais CNH no Estado de São Paulo
1ª – Portugal (34.590)
2ª – China (16.660)
3ª – Japão (15.076)
4ª – Bolívia (11.201)
5ª – Itália (10.922)
6ª – Espanha (8.227)
7ª – Argentina (8.159)
8ª – Coreia do Sul (7.140)
9ª – Chile (6.464)
10ª – Alemanha (4.638)
Detran
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Bulgária decide não aderir ao pacto global da ONU sobre migrações

Bulgária decide não aderir ao pacto global da ONU sobre migrações
“O que temos como decisão do conselho da coligação é que o Executivo búlgaro tomará como posição opor-se à adesão ao Pacto Mundial da ONU para a Migração. Cremos que é a decisão correta no atual momento”, anunciou Tsvetan Tsvetanov, vice-presidente do conservador Cidadãos para o Desenvolvimento da Bulgária (GERB).
Este partido governa em coligação com Patriotas Unidos, formado por três partidos da direita ultranacionalista.
Tsvetanov acrescentou que o tema será tratado nesta quarta-feira nas comissões do Interior e de Política Externa do parlamento, assim como pelos ministérios do Interior, Negócios Estrangeiros e Emprego.
A oposição socialista também se opôs à adesão da Bulgária ao pacto, ao considerar que o texto contém elementos positivos, mas criticando que o documento descreva a imigração como algo de positivo e inevitável.
Após os Estados Unidos, Hungria e Áustria, a Bulgária é o quarto país rejeita juntar-se ao Pacto Mundial para uma Migração Segura, Ordenada e Regular.
Outros países, como a República Checa, Polónia ou Austrália, também se mostraram críticos com este documento.
Sapo
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