terça-feira, 4 de setembro de 2018

Políticas migratórias nas propostas de presidenciáveis

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Na disparada das campanhas eleitorais para a Presidência da República, além da necessária formulação de programas de governo claros e realistas para o Brasil, os candidatos deveriam tomar seriamente em consideração o tema das políticas migratórias. Depois dos horrores presenciados em Paracaima, Roraima, contra venezuelanos ali refugiados, não seria de se esperar uma posição diferente por parte dos presidenciáveis, mesmo entre aqueles nada bem preparados ou assessorados.
Digo dessa forma, porque entre os moralmente obrigados a observar valores mínimos de convivência, desde humanidade, solidariedade e as conquistas constitucionais dos últimos 30 anos, e os que desavisadamente pedem o retorno da ditadura, o republicanismo e o respeito aos direitos humanos devem imperar em uma retomada brasileira. Nem seria pela lógica batida de que o país se construiu por imigrantes. Essa lição, tecnicamente, aprendemos nas escolas. Ao contrário, seria muito mais pela pergunta a ser feita: o que qualquer Estado, receptivo às migrações, poderia ganhar em termos históricos, políticos, sociais, económicos e culturais? Quais compromissos poderiam ser estabelecidos em benefício de uma nação plural e ambiciosa por contínuas transformações?Talvez a resposta não seja tão simples. O mundo hoje testemunha o descaso e formas de violência praticadas contra migrantes e, particularmente, contra aqueles que ganham o status de refugiados em certos Estados. Para se ter uma ideia, depois do fechamento das fronteiras de muitos países da Europa, nacionais e residentes na Síria, por exemplo, que sofrem internamente com uma das piores guerras civis do globo, não hesitam em implorar por alternativas de acolhimento na vizinha Turquia. O governo de Recep Erdogan, contudo, não dá sinais de entusiasmo por uma solução, particularmente por recrudescer suas ações politicas e relutar em negociar com a União Europeia.
No continente europeu, por sua vez, a ausência de políticas migratórias ou aquelas que deixam migrantes à sua própria sorte, a receber auxílio social mínimo do Estado, sem possibilidade de real integração, a exemplo de aulas de idiomas e aspectos culturais do país anfitrião e permissão de trabalho, levam à emergência de facções políticas anti-imigração e hostilidades contra os estrangeiros. O caso recente mais absurdo é o da Suécia. Reconhecidamente aberta aos migrantes, a sociedade sueca é confrontada com ataques ideológicos promovidos pelo Partido dos Democratas, de raízes neonazistas, cuja mensagem principal vocifera a sumária expulsão dos estrangeiros do território nacional. Para as próximas eleições de setembro, além das agendas ambiental e laboral, a disputa se volta para um escrutínio sobre a adoção ou não de drásticas medidas restritivas à admissão e manutenção de migrantes no país.
Em outros cantos da Europa, como Áustria, Itália, Eslovênia, Hungria e República Tcheca, essa assustadora forma de lidar com a migração já é realidade. A ascensão de partidos e coalizões de extrema direita nada liberal, mas absolutamente xenófoba, marca as transferências de agendas políticas em um bloco multinacional. No Reino Unido, após o vergonhoso referendo sobre o Brexit, nem mesmo os estrangeiros empregados e altamente qualificados ficaram imunes às mudanças comportamentais e institucionais dos órgãos migratórios, em linha com os espasmos patrióticos da primeira-ministra Theresa May. Todos já estavam a correr para procedimentos de obtenção de nacionalidade britânica enquanto uma solução de transição não fosse alcançada ou, na melhor hipótese, que decisão sobre o Brexit retornasse para a vontade do povo, na escudeira tradição parlamentarista. Escritórios de advocacia especializados já ofertam serviços de assessoria para os estrangeiros residentes e atingidos pelo Brexit.
Na Alemanha, passa Angela Merkel por todo tipo de constrangimento e pressões, vindas justamente de partidos de coalizão do próprio governo, e que postulam uma solução de recusa dos migrantes já registrados como refugiados em outros estados membros da União Europeia. Em outra via, os recentes protestos em Chemnitz, que alcançaram audiência de participantes neonazistas contra a presença de estrangeiros em virtude de suposto crime de assassinato cometido por dois jovens, um sírio e outro iraquiano, escancaram não apenas o radicalismo, mas também a negação de uma política humanitária pré-existente que havia resultado em fortalecimento da posição de Merkel entre os líderes europeus. Em 2015, a Alemanha havia decidido abrir suas fronteiras para solicitantes de refúgio, respondendo aos principais picos de influxos em curso para as fronteiras da União Europeia, particularmente envolvendo sírios, iraquianos, afegãos, líbios e os que emigram de países da África subsaariana, tais como somalis, nigerianos, eritreus, sudaneses e ganeses.
Segundo estatísticas recentes da União Europeia, dos 650 mil pedidos de ingresso registrados em 2017, a Alemanha contabilizava 31% relativos à primeira entrada no bloco (equivalentes a 198 mil), seguidos da Itália (20% ou 127 mil), França (14% ou 91 mil), Grécia (9% ou 57 mil), o Reino Unido (5% ou 33 mil) e Espanha (5% ou 30 mil). Ainda que houvesse diminuição de pedidos de refúgio em 8%, para o ano de 2017, comparado aos picos observados nos anos anteriores, entre 2015 e 2016, a tendência de recepção dos migrantes é considerável na Europa. Em dados globais, a Organização Mundial das Migrações relata que 67.122 migrantes e refugiados entraram no continente por via marítima neste ano (dados de 28 de agosto de 2018) com 27.994 para a Espanha, que se tornou o principal destino. Esse cenário se compara com 123.205 (172.362 para o ano todo) de ingresso em toda a região no mesmo período do ano de 2017 e 272.612 em 2016.
Nos Estados Unidos, retrocessos em política migratória deliberadamente estabelecidos por Donald Trump, a partir de iniciativas do Executivo, desde cedo não pouparam o mundo de doses de sensacionalismo e manifesta violação aos direitos humanos. As cenas chocantes de crianças separadas de seus pais e confinadas em gaiolas, em junho de 2018, simplesmente demonstram o que tem sido um denominador comum às comunidades de migrantes, refugiados e aqueles considerados “ilegais” ou sem residência regular em determinado Estado: a incidência de medidas forçadas de dispersão familiar e de violência psicológica, outros graves problemas a serem enfrentado por políticas migratórias. Os Estados Unidos, contudo, não representam qualquer bom exemplo de comparação com que o que vivencia a Europa. Aliás, é o pior deles. Desde há muito tempo, sobretudo com a formalização de contratação de mão de obra barata de trabalhadores estrangeiros considerados ilegais, impulsionada pela promulgação da ‘Immigration Reform and Control Act’ de 1986, sob a presidência de Ronald Reagan, o país veio adotando uma série de ações modulares nessa área. Em sucessivos governos posteriores, elas variaram entre a concessão de anistias, vistos de permanência temporária, ‘green cards’ e nacionalidade plena. Forjaram um considerável grupo de estadunidenses que hoje hostilizam os próprios conacionais estrangeiros e que constituem, inclusive, a base eleitoral de Donald Trump.
A lista de dificuldades postas, portanto, para esse campo tão crucial do direito e política internacionais, e mesmo das relações diplomáticas, parece ser extensa. No Brasil, apesar da vigência da nova Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), é enorme o descompasso entre as garantias ali previstas e a prática observada, ainda que a nova Lei pretenda afastar as sombras do Estatuto do Estrangeiro de 1980, promulgado na época da ditadura. O Estatuto encarava o estrangeiro como ameaça à segurança nacional, tratando-o como objeto (não sujeito) submetido a regime de autorização de entrada, permanência e saída do território nacional. A visão distinta de uma base constitucional para os direitos de estrangeiros no Brasil, todavia e para o bem, rivaliza com essa ideia tacanha, típica de bastidores palacianos, cartoriais e almoxarifados no país. A Constituição, em seu Art.5º, caput, prevê expressamente a assimilação ou igualdade de direitos entre brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil para a fruição e o exercício de direitos e garantias individuais, estendendo-a para diversos domínios das esferas pública e privada. Dessa forma, tão iguais são esses migrantes já em solo brasileiro quanto são os nacionais que podem se reunir, manifestar suas opiniões, (re)constituir famílias, encontrar moradia e condições dignas de trabalho, receber atendimento pelo Sistema Único de Saúde e acessar todas as instância da Justiça.
Como o ocorrido nas agressões em Paracaima, o grupo de brasileiros hostilizando e atacando as famílias de refugiados venezuelanos reforça estigmas de um país declaradamente desigual. Esqueceram-se da existência de princípios constitucionais e valores de humanidade, generalizando acusações aos venezuelanos: prática de alegados crimes, disseminação de doenças, saturação de serviços públicos e desabastecimento na região. O Brasil profundo que conhecemos não é diferente dessa realidade. Ele é de todo dia para boa parte da população excluída e marginalizada, acometida pelas chagas da desigualdade, do racismo e da violência contra minorias, e nada tem a ver com a simples presença aparentemente irritante de estrangeiros que aqui chegam para buscar condições mais dignas de sobrevivência. Na via reversa, por que então tão-somente admitir os qualificados profissionalmente, diretores de empresas, sobretudo no eixo Rio-São Paulo, para os quais, na sutil condição de “expatriados”, a aclimatação cultural ao cordial brasileiro seria mais dócil ou palatável? Ou, no extremo, por que apenas festejar a horda de brasileiros com alto poder aquisitivo, que migram para países que lhe concedem nacionalidade por investimentos e sacramentam candidatos declaradamente apolíticos para reger nosso país?
O entusiástico caso de Portugal tem sido emblemático bem recentemente, mas o que os brasileiros emigrados “expatriados” se esquecem, contudo, é o fato de que a Europa embarcou há tempos em uma política duradoura de acolhimento, hoje sob assalto. Ela edificou-se por diferentes pilares, que foram desde a onda de reconstrução dos países europeus ocidentais no Pós Segunda Guerra, até as demandas de trabalho proporcionadas pela esteira da globalização econômica, financeira e tecnológica, ainda hoje em marcha e absolutamente irreversível. Esse sentido é justamente o das oportunidades e das transformações pelas quais um estado, região ou localidade podem sofrer rumo aos percursos do desenvolvimento e que se beneficiam daqueles grupos de pessoas que emigram por condições melhores de vida ou de sobrevivência, acima de tudo. Entre as razões dos ataques instilados às políticas migratórias não se encontram os descontentes e órfãos da globalização, como o senso comum poderia supor. Além de reações irracionais proporcionadas pela especulação, desconfiança e pelo ódio, podem ser enumeradas a crise na condução da democracia, a emergência de grupos de extrema-direita com bandeiras de autoverdade e a midiatização da política por plataformas que espetacularizam a violência e criam aparência de nacionalismo.
A hostilidade aparentemente instalada e exacerbada no Brasil, como negação de hospitalidade, é retrato duplo da completa ignorância e da ausência de politicas do Estado. Essa ausência, talvez deliberada, praticamente transmite sensações de total insegurança para moradores dos locais de recepção de migrantes forçados, como é o caso de venezuelanos em Roraima, e como foi em relação aos haitianos no Estado do Acre há alguns anos. Devendo conhecer a realidade do país, os presidenciáveis devem se comprometer com a implementação de políticas favoráveis à recepção e presença do migrante, não somente por acolhimento, humanidade ou solidariedade, mas por ser também o Brasil um país continental, de enormes oportunidades e rotas de transformação. E tantos são os caminhos possíveis.
De todos eles, a integração permanece como uma resposta apropriada e que pode ser testada por experiências comparadas, números e resultados. O fluxo de migrantes deve ser caracterizado pelo sentimento de organização, de tratamento humanitário e de alternativas para desenvolvimento regional, incluindo o crescimento econômico, redução da pobreza e geração de postos de trabalho formal. Os sentimentos de desordem e de abandono, como se evidenciam nas farpas trocadas entre governos federal e estadual, no caso Roraima, e mesmo na demanda submetida ao STF, certeiramente solucionada na Ação Civil Originária 3.121-RR, tendem a intensificar uma reação anti-imigração, totalmente indesejada, e, em grau simbólico, a xenofobia pelos rincões esquecidos e negligenciados. É bom relembrar que a própria Constituição, celebrando seus 30 anos, não tolera essa forma de agir ou de ver o mundo.



Guarulhos conta com 478 alunos estrangeiros na rede pública de ensino

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Cada vez mais presentes no cotidiano de seus respectivos países de origem, os estrangeiros procuram seu lugar no Brasil e, em Guarulhos, não é diferente. Atualmente são 478 alunos de diversas nacionalidades que estudam na rede pública de ensino, em variadas escolas distribuídas pelo município.
Disparadamente o número de alunos bolivianos é o que mais aparece na lista, com 338 educandos nascidos na Bolívia, representando 70,7% do total de alunos vindos de mora do Brasil a estudar no município.
Além deles, as escolas guarulhenses possuem outras nacionalidades de alunos, bem como, haitianos, chilenos, paraguaios, argentinos, portugueses, japoneses, angolanos, peruanos, estadunidenses, colombianos, cubanos, entre outros. As Escolas da Prefeitura de Guarulhos (EPG) que mais possuem alunos de fora são Dorival Caymmi, Herbert de Souza – Betinho, Ione Gonçalves de Oliveira de Conti e Silvia de Cassia Matias, com quatro alunos em cada turma.
Folha Metrpolitana
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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Como países como o Brasil podem se beneficiar da vinda de refugiados

VenezuelanosDireito de imagemMAURO PIMENTEL
Image captionEstudos mostram que, onde a onda migratória é bem gerida, ela pode ser positiva para a economia
A chegada de venezuelanos no Brasil tem estampado manchetes devido às tensões entre moradores de Pacaraima (RR) e os estrangeiros. A situação da cidade fronteiriça e do Estado é descrita por moradores como crítica, à medida que migrantes pobres se instalam nas ruas, a sensação de insegurança aumenta e os serviços públicos ficam ainda mais sobrecarregados. Nesta semana, o presidente Michel Temer autorizou o envio das Forças Armadas a Roraima, para atuar na segurança pública.
Crises do tipo se repetem em diversas fronteiras onde o fluxo de refugiados é ainda maior. Mas, embora as tensões sejam latentes, a imigração pode representar oportunidade de desenvolvimento aos países que a recebem. De acordo com estudos e especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, uma onda migratória, se for bem gerida, pode ser positiva.
Mundialmente os imigrantes correspondem a 3,4% da população, mas contribuem desproporcionalmente mais à economia, produzindo quase 10% de toda a riqueza mundial (PIB), aponta levantamento de 2015 da consultoria McKinsey. Imigrantes contribuem com US$ 6,7 trilhões à economia global - cerca de US$ 3 trilhões a mais do que teriam gerado se tivessem apenas permanecido nos países de origem.
Em países como a Suíça - onde há políticas de integração -, os imigrantes pagam mais impostos do que recebem de benefícios. Nesse caso o aumento líquido da arrecadação chega a até 2% do PIB, apontam dados da OCDE, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Outro estudo vai na mesma linha: uma onda migratória proporcional a 1% da população local resultaria em ganhos econômicos de até 4,35% no PIB per capita a esse local após uma década. A simulação, feita pelo professor Hyppolyte d´Albis, da Paris School of Economics, tomou por base dados compilados de 19 países, entre 1985 e 2015.
Mas tudo depende da forma como um governo irá receber esses imigrantes, explica a pesquisadora Cindy Huang, da organização Center for Global Development (CGD): "Se os imigrantes e refugiados são um peso ou uma oportunidade depende das escolhas políticas", diz.
"Garantir direito a trabalhar, a ter um negócio e a viajar livremente permite a eles que contribuam mais integralmente. Restringir o acesso ao trabalho ou à liberdade de movimento dificulta o potencial dos imigrantes de se tornarem contribuintes econômicos e consumidores e pode deixá-los dependentes de ajuda."
imigrantes na SuéciaDireito de imagemSAM_LINDH
Image captionImigrantes geraram crescimento do PIB na Suécia

Questão de gestão

Um levantamento do Carnegie Endowment for International Peace reconhece que, quando imigrantes forçados chegam em grandes números a Estados frágeis, "pode haver perda de bem-estar social" temporária. Mas para que uma piora definitiva se materialize é necessário que o número de imigrantes seja "relativamente grande em relação à população local".
No caso do Brasil, vieram 50 mil venezuelanos até abril de 2018, segundo relatório de julho da Organização Internacional para Migrações (OIM). Trata-se de 0,024% de uma população de 208 milhões.
Um exemplo de boa gestão, a Suécia é um país de população pequena (9,6 milhões) que ainda assim recebeu uma onda migratória expressiva. Desde a virada do século, o país escandinavo acolheu 15 mil pessoas a cada ano no período entre 2000 e 2014. Esse influxo resultou em um crescimento de meio ponto percentual no PIB. Isso se explica porque os imigrantes aumentaram a população economicamente ativa, trazendo talentos complementares e se inserindo em segmentos onde havia déficit de mão de obra, aponta relatório da Delegação para Estudos da Imigração da Suécia.
"No caso da Suécia houve um forte investimento público em integração também porque estava claro que a maioria das pessoas iriam permanecer no país", explica Thomas Liebig, especialista em imigração na OCDE.

Como inserir migrantes em meio ao desemprego?

Há uma diferença entre refugiados e imigrantes econômicos: a definição clássica de refugiado é "o imigrante (que sofre de) fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas", diferentemente de um migrante que busca melhores condições econômicas. Mas a Acnur (agência da ONU para refugiados) já incorpora na definição de refugiados as vítimas de uma crise humanitária, com fome generalizada e a ausência de acesso a medicamentos e serviços básicos, que é o caso de muitos venezuelanos.
Arredondando os números da OIM, dentre os cerca de 50 mil venezuelanos que se encontram no Brasil, pouco menos de 33 mil se inscreveram para receber status de refugiados. Os restantes 17 mil solicitaram residência.
venezuelanosDireito de imagemREUTERS/NACHO DOCE
Image captionPara usar a imigração a favor do país, é preciso inserir a população de migrantes no mercado de trabalho
Entre os que chegaram ao Brasil no primeiro trimestre desse ano a maioria (71%) está na faixa etária economicamente ativa, tendo entre 25 e 49 anos, é do sexo masculino (58%) e possui nível educacional secundário (51%) e superior (26%), segundo a OIM.
Esse é justamente o perfil de indivíduo apto a se inserir produtivamente no mercado de trabalho. Mas como aproveitar 50 mil pessoas a mais em um Brasil que já regista 13 milhões de desempregados?
"Não é que simplesmente irá aumentar o número de desempregados. Essa não é a dinâmica. Essas são pessoas qualificadas, com demandas, e haverá atividade econômica criada ao redor disso, o que também pode gerar oportunidades", defende Liebig, da OCDE.
"Isso não quer dizer que não haverá problemas ou que será um êxito. O impacto vai depender muito da vontade de se investir em integração e o idioma é fundamental nisso", opina.
Hyppolyte d´Albis concorda: "Nossa perspectiva macroeconômica mostra que a imigração gera um aumento de demanda global que impulsiona a economia e reduz o desemprego."
VenezuelanasDireito de imagemREUTERS/NACHO DOCE
Image captionDentre os que chegaram ao Brasil no primeiro trimestre desse ano a maioria (71%) está na faixa-etária economicamente ativa, tendo entre 25 e 49 anos, e possui nível educacional secundário (51%) e superior (26%), segundo a OIM.
"Além disso, a maioria dos imigrantes estão em idade de trabalhar e por isso ajudam a diminuir a taxa de dependência na maioria das populações, promovendo um dividendo demográfico que é benéfico às economias dos países receptores", argumenta d´Albis, em referência à proporção de trabalhadores ativos frente ao número crescente de aposentados.
"Ao contrário do que muitos temem, a maioria das pesquisas concluiu que os efeitos gerais de um influxo de refugiados sobre os salários e o desemprego é mínimo ou nulo", afirma Cindy Huang, do CGD.

Contribuintes líquidos

"Veja os Estados Unidos, por exemplo. Um estudo concluiu que refugiados se tornam contribuintes líquidos (ou seja, passam a gerar mais dinheiro em impostos do que o que recebem em benefícios estatais) à economia apenas oito anos após a chegada deles ao país", continua.
"Um relatório do departamento americano de Saúde e Serviços Humanos calculou que os refugiados contribuíram com US$ 63 bilhões a mais em renda ao governo do que custaram ao longo da última década", diz Huang.
Apesar de serem números oficiais, os dados do estudo ao qual ela se refere foram rechaçados publicamente pelo governo Donald Trump. Na prática, até 2016 o país vinha acolhendo grande número de imigrantes, tendo recebido mais de 290 mil venezuelanos naquele ano.
Migrantes nos EUADireito de imagemLOREN ELLIOTT
Image captionNos EUA, estudo mostrou que refugiados se tornam contribuintes líquidos à economia apenas oito anos após a chegada deles
"É normalmente verdadeiro e os economistas tendem a concordar que os imigrantes contribuem proporcionalmente mais porque são mais jovens e estão na faixa etária economicamente ativa. Eles trazem novas ideias, novos talentos. Há de certa forma um consenso de que a contribuição deles à sociedade é positiva também pelo pagamento de impostos e arrecadação aos sistemas de segurança social", resume o pesquisador especialista em imigração Jasper Tjaden da OIM.

Política para dar retorno

Huang explica que, quando os refugiados chegam, precisam de assistência pública, mas que esse gasto é "um investimento que pode ser mais do que repago", porque com o tempo eles também passam a pagar impostos.
"Quão cedo e quanto os refugiados vão contribuir de volta em termos fiscais econômicos depende em grande parte de quão rapidamente eles conseguirão ser integrados ao mercado de trabalho do país anfitrião", diz.
Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmaram que casos bem-sucedidos de integração (como a Suécia e a Suíça) contaram com governos engajados, que promoveram, por exemplo, o ensino gratuito do idioma local, a promoção do acesso das crianças às escolas, o reconhecimento das qualificações acadêmicas dos imigrantes e a redistribuição dos imigrantes dentro do país.
imigrantes na SuéciaDireito de imagemDAVID RAMOS
Image captionCasos bem-sucedidos de integração, como Suíça e Suécia, envolveram políticas para integrar os imigrantes e dar a eles acesso a educação, além de reconhecimento de seus diplomas nas áreas de especialidade
"Pelo que já foi observado em outros países, a experiência nos mostra claramente que saber falar o idioma é a primeira coisa que você precisa para se integrar. Apoiar as pessoas nesse sentido é fundamental", aponta Liebig.
"Muitas vezes os cursos de idioma podem ser combinados com treinamento vocacional, para que as pessoas se encaminhem mais facilmente a um aperfeiçoamento local, ou um emprego", exemplifica Tjaden, da OIM.
"Investir na educação dos que buscam asilo e ajudá-los a se integrar ao mercado de trabalho rapidamente são as políticas-chave que precisam ser implementadas para que um país se beneficie", reforça d´Albis.
Para evitar sobrecarregar a região de Roraima, o governo brasileiro está redistribuindo os venezuelanos para outras regiões do Brasil. São Paulo, Cuiabá, Manaus, Brasília e Rio de Janeiro acolheram os imigrantes. Há planos de enviar 646 deles ao Rio Grande do Sul, para as cidades de Esteio e Canoas.
"Se alguém está fugindo de desastres, de guerra, você tem uma obrigação internacional de ajudar essas pessoas e de oferecer abrigo. Isso não deveria ser uma discussão econômica", opina Tjaden. "Antes de mais nada, é um dever moral e humano."
BBC BRASIL
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Bono, um holofote pela Europa


Não queremos a Europa de Viktor Orban, que construiu uma barreira de arame farpado ao longo da fronteira da Hungria com a Sérvia e a Croácia para impedir a entrada de imigrantes. Também não queremos a Europa de Matteo Salvini, o vice-primeiro-ministro italiano que se tornou o "herói" do governante húngaro, ao defender fronteiras contra a imigração. Nem queremos que a Europa seja um palco de ódio e de caçadas coletivas de estrangeiros, como aconteceu no leste da Alemanha.
É esta Europa que rejeitamos. Nós e Bono, o vocalista dos U2, que aproveitou o início da nova digressão da banda irlandesa para sair em defesa de uma Europa "com sentimento". Num texto escrito para um jornal alemão, Bono expõe a sua nova causa e elogia a abertura de Angela Merkel ao acolhimento de imigrantes. E promete no concerto desta noite, em Berlim, agitar uma bandeira da UE "grande, brilhante e azul" para colocarmos "os corações nesta luta".
Bono sempre nos habituou às suas batalhas religiosas e sociopolíticas. De Sunday Bloody Sunday, tema sobre o massacre de 14 manifestantes católicos, até à medalha que recebeu por chamar a atenção para a pobreza em África, tem aproveitado bem a fama para ser o holofote de problemas mundiais.
Mas será que este novo ativismo é genuíno ou é fruto de marketing? Pouco importa. A luta contra os nacionalistas e extremistas merece sempre ser aplaudida de pé. E Bono não ocupa o espaço mediático apenas nas grandes catástrofes, onde outros vendem a sua hipócrita solidariedade. Escolheu apoiar a Europa e segurar uma bandeira que não é sentida por ninguém. Mas agitá-la no palco dos U2 pode ajudar a abrir a caixa de Pandora desta Europa fragilizada. Até pode nunca ganhar o Nobel da Paz (já esteve indicado em 2003), pode até ter uma agência de comunicação a fazer bem o seu trabalho, mas seguramente que os U2 continuam a fazer a diferença e a mostrar que a música não é, nem nunca foi, apenas música. A música pode mudar o Mundo. Neste caso tenta mudar a Europa.
JN
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sábado, 1 de setembro de 2018

É um direito humano ter acesso à água, diz o Papa Francisco

"Proteger esse bem (a água) inestimável todos os dias representa hoje uma responsabilidade imperiosa, um desafio real""Proteger esse bem (a água) inestimável todos os dias representa hoje uma responsabilidade imperiosa, um desafio real"  (ANSA)
Chamando a atenção para a água, um elemento tão simples e precioso, o Papa Francisco na mensagem pelo IV Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação diz que é seu desejo "que as comunidades cristãs contribuam cada vez mais concretamente para que todos possam usufruir desse recurso indispensável, no cuidado respeitoso dos dons recebidos do Criador, em particular dos cursos de água, mares e oceanos".
Cidade do Vaticano
Celebra-se neste 1° de setembro o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da criação. Eis a mensagem do Santo Padre para esta ocasião:
Caros irmãos e irmãs!
Neste Dia de Oração desejo, em primeiro lugar, agradecer ao Senhor pelo dom da casa comum e por todos os homens de boa vontade que estão comprometidos em protegê-la. Agradeço também pelos numerosos projetos que visam promover o estudo e a proteção dos ecossistemas, pelos esforços destinados a desenvolver uma agricultura mais sustentável e uma alimentação mais responsável, pelas diversas iniciativas educacionais, espirituais e litúrgicas que envolvem muitos cristãos em todo o mundo no cuidado da criação.
Devemos reconhecê-lo: não soubemos proteger a criação com responsabilidade. A situação ambiental, quer a nível global, quer em muitos lugares específicos, não pode ser considerada satisfatória. Com razão, surgiu a necessidade de uma relação renovada e saudável entre a humanidade e a criação, a convicção de que apenas uma visão do homem autêntica e integral nos permitirá cuidar melhor do nosso planeta para o benefício das gerações presentes e futuras, pois «não há ecologia sem uma adequada antropologia» (Carta Enc. Laudato si’, 118).
Neste Dia Mundial de Oração pelo cuidado da criação, que a Igreja Católica há alguns anos celebra em união com os irmãos e irmãs ortodoxos, e com o apoio de outras Igrejas e Comunidades cristãs, gostaria de chamar a atenção para a questão da água, elemento tão simples e precioso, cujo acesso infelizmente é difícil para muitos, se não impossível. No entanto, «o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável» (ibid., 30).
A água nos convida a refletir sobre as nossas origens. A maior parte do corpo é composta de água; e muitas civilizações, na história, surgiram nas proximidades de grandes cursos de água que marcaram sua identidade. É sugestiva a imagem utilizada no início do Génesis, em que se diz que nas origens o espírito do Criador «pairava sobre as águas» (1,2).
Pensando em seu papel fundamental na criação e no desenvolvimento humano, sinto a necessidade de dar graças a Deus pela «irmã água», simples e útil sem nada de parecido para a vida no planeta. Precisamente por esse motivo, cuidar de fontes e bacias hídricas é um imperativo urgente. Hoje, mais do que nunca, é necessário um olhar que  ultrapasse o imediato (cf. Carta Enc. Laudato si’, 36), além de «critério utilitarista de eficiência e produtividade para lucro individual» (ibid., 159). Precisa-se urgentemente de projetos conjuntos e de ações concretas, tendo em conta que é inaceitável qualquer privatização do bem natural da água que seja contrária ao direito humano de poder ter acesso a ela.
Para nós cristãos, a água é um elemento essencial de purificação e de vida. O pensamento vai imediatamente para o Batismo, sacramento do nosso renascimento. A água santificada pelo Espírito é a matéria pela qual Deus nos vivificou e nos renovou; é a fonte abençoada de uma vida que não morre mais.
O Batismo representa também, para os cristãos de diferentes confissões, o ponto de partida real e indispensável para viver uma fraternidade cada vez mais autêntica no caminho da plena unidade. Jesus, durante a sua missão, prometeu uma água capaz de saciar para sempre a sede do homem (cf. Jo 4,14), e profetizou: «Se alguém tem sede, venha a mim e beba» (Jo 7,37). Ir a Jesus, beber d’Ele significa encontrá-Lo pessoalmente como Senhor, haurindo da sua Palavra o sentido da vida. Que possam ressoar em nós com força as palavras que Ele pronunciou na cruz: «Tenho sede» (Jo 19, 28).
O Senhor continua a pedir para ser saciado na sua sede, pois tem sede de amor. Ele nos pede para dar-Lhe de beber nos muitos sedentos de hoje, para então nos dizer: «Eu estava com sede e me destes de beber» (Mt 25,35). Dar de beber, na aldeia global, não envolve apenas gestos pessoais de caridade, mas escolhas concretas e compromisso constante de garantir a todos o bem primário da água.
Gostaria também de tocar na questão dos mares e dos oceanos. Devemos agradecer ao Criador pelo dom imponente e maravilhoso das grandes águas e de quanto elas contêm (cf. Gen 1,20-21; Sl 146,6), e louvá-Lo por ter coberto a terra com os oceanos (cf. Sl 104,6). Orientar os nossos pensamentos para as imensas extensões marinhas, em constante movimento, representa também, em certo sentido, uma oportunidade para pensar em Deus, que acompanha constantemente a sua criação, fazendo com que siga adiante, mantendo-a na existência (cf. S. João Paulo II, Catequese, 7 de Maio de 1986).
Proteger esse bem inestimável todos os dias representa hoje uma responsabilidade imperiosa, um desafio real: é necessária uma cooperação eficaz entre os homens de boa vontade para colaborar na obra contínua do Criador. Infelizmente, muitos esforços desaparecem devido à falta de regulamentação e de controles efetivos, especialmente no que diz respeito à proteção das áreas marinhas para além das fronteiras nacionais (cf. Carta Enc. Laudato si’, 174).
Não podemos permitir que os mares e oceanos se preencham com extensões inertes de plástico flutuante. Também para essa emergência somos chamados a nos comprometer, com uma mentalidade ativa, rezando como se tudo dependesse da Providência divina e agindo como se tudo dependesse de nós.
Rezemos para que as águas não sejam um sinal de separação entre os povos, mas de encontro para a comunidade humana. Rezemos para que sejam protegidas aquelas pessoas que arriscam suas vidas em meio às ondas em busca de um futuro melhor. Peçamos ao Senhor e àqueles que realizam o alto serviço da política que as questões mais delicadas da nossa época, tais como as relacionadas com a migração, com a mudança climática, com o direito para todos de usufruírem dos bens primários, sejam encaradas com responsabilidade, com previsão olhando para o amanhã, com generosidade e com espírito de cooperação, especialmente entre os países que têm maior disponibilidade.
Rezemos por aqueles que se dedicam ao apostolado do mar, por aqueles que ajudam a refletir sobre os problemas com que se debatem os ecossistemas marítimos, por aqueles que contribuem para o desenvolvimento e a aplicação de regulamentos internacionais sobre os mares que possam tutelar as pessoas, os Países, os bens, os recursos naturais – penso, por exemplo, na fauna e na flora marinha, bem como nos recifes de coral (cf. ibid., 41) ou nos fundos marinhos – e garantindo um desenvolvimento integral na perspectiva do bem comum de toda a família humana e não de interesses particulares.
Lembremos também de quantas pessoas trabalham para a proteção das áreas marítimas, para a tutela dos oceanos e sua biodiversidade, para que possam realizar essa tarefa com responsabilidade e honestidade.
Por fim, preocupemo-nos com as jovens gerações e rezemos por elas, para que cresçam no conhecimento e no respeito pela casa comum e no desejo de cuidar do bem essencial da água para o benefício de todos. O meu desejo é que as comunidades cristãs contribuam cada vez mais concretamente para que todos possam usufruir desse recurso indispensável, no cuidado respeitoso dos dons recebidos do Criador, em particular dos cursos de água, mares e oceanos.
Vaticano, 1 de Setembro de 2018
FRANCISCO
Radio Vaticano
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Apesar da escassez de mão de obra, trabalhadores estrangeiros ainda enfrentam barreiras em empregos no Japão


“Vou servir uma geleia doce. Se você não comer rapidamente, vou engolir”, diz Reia Zafra, funcionária filipina, com uma voz gentil. É início de julho, e a mulher de 50 anos cuida de uma mulher com demência em uma casa de repouso na cidade do leste do Japão, onde trabalhou por cerca de seis meses.
O chefe da unidade Mutsumi Onoda disse que o trabalhador filipino “tem uma disposição naturalmente brilhante e gentil que os japoneses não têm. Graças a ela, há muito mais sorrisos nos rostos de nossos residentes”. De acordo com Onoda, sorrir não só dá aos residentes um pouco de exercício, mas também parece reduzir seus níveis de ansiedade, já que menos deles agora acordam no meio da noite.
Zafra também começou a fornecer massagens nos pés e no estômago, dizendo que era simplesmente algo que ela queria fazer para os residentes. O resultado: os residentes melhoraram a função intestinal, e podem chegar ao banheiro sem um acidente. A funcionária também notou que alguns moradores tiveram problemas com a pele seca e começou a aplicar creme hidratante. Ela, em suma, tornou-se uma parte indispensável da equipe da casa.
No entanto, a instalação foi o quinto local de emprego de Zafra. Todos os quatro anteriores a rejeitaram. Apesar do já severo corte de pessoal nos lares de assistência do Japão, apenas uma parte contratará estrangeiros.
A maior barreira ao emprego para Zafra era ler e escrever caracteres kanji japoneses. Ela está no país há cerca de 20 anos e tem residência permanente, e apesar de falar japonês de conversação sem nenhum problema, ela ainda acha o kanji difícil. Zafra tem que ler e preencher registros de cuidados, mas isso leva muito tempo.
No seu local de trabalho atual, ela obtém ajuda com essa tarefa de seus colegas de trabalho japoneses, que também incluem leituras fonéticas para os caracteres kanji pictográficos quando eles preenchem seus próprios registros para que Zafra possa ler as entradas. Zafra ocupa o tempo que ela ganha após este dever administrativo para falar com os moradores o máximo que puder.
“A qualidade do trabalho de cuidado depende das relações entre os seres humanos”, diz Zafra. “Mesmo que o meu japonês seja ruim, o mais importante é alcançar os corações dos moradores. Em outras palavras, mesmo que meu japonês fosse bom, não significaria nada se eu não colocasse meu coração no trabalho. 
No entanto, muitos trabalhadores estrangeiros abandonam a profissão quando atingem a barreira da língua. Todos os cerca de 10 filipinos que vieram para o Japão na mesma época em que Zafra foram embora, indo para outros países com sociedades mais antigas, como os Estados Unidos e a Austrália. O inglês é uma das línguas oficiais das Filipinas, portanto, não há necessidade de se preocupar com as barreiras de comunicação em outros países de língua inglesa. Zafra tem até um conhecido que se tornou o chefe de uma casa de repouso nos EUA depois de obter as qualificações locais.
A expansão da aceitação de trabalhadores estrangeiros é uma das estratégias do governo para resolver a escassez de pessoal médico do Japão. No entanto, se o sistema para vir e trabalhar no Japão for muito complicado, esse plano provavelmente não dará em nada.
“Há muitos centros de atendimento no Japão. E há muitos estrangeiros que gostam de idosos. Mas, se nos dizem ‘Você não pode ler kanji, então não pode trabalhar aqui’, todo mundo vai a um país diferente “, diz Zafra. Ela acrescenta que é parte desse “todo mundo”.
Como residente permanente, Zafra não tem restrições legais sobre onde ela pode trabalhar no Japão, mas as opções de emprego são muito limitadas para os estrangeiros que procuram emprego de enfermagem sem esse status.
A primeira onda de estrangeiros que esperam conseguir empregos para trabalhadores de assistência médica chegou sob acordos bilaterais de parceria econômica, sendo o primeiro com a Indonésia. A partir de 2008, um programa foi criado para trazer indonésios para fazer treinamento e estudo no local de trabalho nas instalações japonesas, com o objetivo de passar no exame nacional de qualificação dos trabalhadores. Isso foi ampliado sob acordos com as Filipinas e o Vietnã, e até agora 4.302 pessoas treinaram no Japão no âmbito do programa. Mais de 700 passaram no exame nacional.
Em novembro do ano passado, o “cuidador” foi adicionado à lista de profissões qualificadas para vistos sob o programa de trainee técnico, que se destina a equipar os estrangeiros com conhecimentos técnicos japoneses para levar de volta para seus países de origem. Também foi criada uma categoria específica de residência de “trabalhador assistencial”. O governo está, além disso, buscando estabelecer um novo status de residência de cinco anos na primavera de 2019, destinado a pessoas que tenham completado seus períodos de estágio técnico ou que tenham certo nível de habilidades no idioma japonês.
IPC Dgital 
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