quarta-feira, 15 de março de 2017

Argentina: a onda anti-imigração chega à América Latina

Comunidades latino-americanas estão assustadas com o endurecimento de regras para imigrantes promovido por Macri, o amigo empresário de Trump

Johnny vivia na Argentina havia 20 anos, tinha filhos nascidos no país, uma pequena empresa de mudanças e também uma condenação por tráfico de drogas que lhe rendeu quatro anos de prisão. Em 2016, uma década depois do cumprimento da pena, o registro criminal foi extinto conforme as regras argentinas. No último dia 19, no entanto, ele foi abordado por policiais no lugar onde trabalhava em Buenos Aires. Levado para prestar esclarecimentos, foi encaminhado no dia seguinte para o aeroporto de Ezeiza e, sem ter tido acesso a um advogado, foi despachado num avião para o Peru, seu país natal.
Em tempos de Donald Trump e sua agressiva atitude contra os imigrantes, é na Argentina onde se implementa na América Latina a política mais alinhada às restrições dos Estados Unidos – ainda que seus efeitos no Sul sejam sentidos numa escala muito menor.
Há casos de separação familiar, deportações relâmpagos e uma controversa diminuição dos prazos de defesa nos processos de expulsão, que se tornaram mais céleres. Um centro de detenção exclusivo aos estrangeiros está em construção e até a ideia de um muro na fronteira com a Bolívia já foi aventada por um político local – sugestão que o governo rechaçou.
No dia 30 de janeiro, dias depois das mudanças anunciadas por Trump, o presidente argentino Mauricio Macri assinou decreto que torna mais fácil deportar imigrantes que já estejam estabelecidos no país, além de frear a entrada de novos que tenham antecedente criminal. A nova regra abre brecha para que, se processados, estrangeiros já estabelecidos sejam deportados, mesmo se ainda não houver uma condenação definitiva.
Os alvos principais são imigrantes da região, especialmente de países como Paraguai, Bolívia e Peru, as maiores comunidades na Argentina, além de México e Colômbia – todos eles, não por acaso, produtores ou importantes rotas do tráfico de drogas e armas. O decreto já provocou rusgas diplomáticas: a Bolívia enviou uma comissão a Buenos Aires para acompanhar a situação dos seus imigrantes.
Apesar de coincidir com as restrições norte-americanas, a inflexão argentina começou antes. Pelo menos desde dezembro de 2015, quando Macri ascendeu à Casa Rosada, o órgão responsável pela imigração, a Dirección Nacional de Migraciones, tem agilizado a expulsão de imigrantes. Uma das deportações foi anulada pela Justiça, que viu irregularidade.
É o que os advogados de Johnny esperam como desfecho da ação penal movida por ele há um mês.
Liniers é um bairro no oeste de Buenos Aires que há muito incorporou as cores e cheiros de centros urbanos como Lima ou Santa Cruz de la Sierra: mercadinhos e camelôs de calçada oferecem de pomada de coca a artesanatos andinos. Há roupas baratas, verduras, remédios, produtos falsificados, eletrônicos e farta culinária boliviana e peruana.
Um pequeno terminal rodoviário no bairro recebe diariamente ônibus de La Paz. No mês passado, um dos veículos foi alvo de uma minuciosa batida policial. “Se eles já tinham passado por uma inspeção quando entraram na Argentina, qual o sentido de fazer outra aqui?”, pergunta-se Lucy Luna, boliviana que dirige um centro cultural de apoio aos bolivianos no bairro. “Para nos deixar com medo, claro”, responde.
Um mês depois da vigência do decreto, os efeitos mais visíveis são, além do medo, o aumento dos casos de discriminação e xenofobia. Segundo dados do Instituto Nacional contra la Discriminación, la Xenofobia y el Racismo (Inadi), do governo argentino, as denúncias por preconceito contra estrangeiros aumentaram 30% no ano passado.
A maioria prefere não falar sobre as novas regras ou os casos de revistas policiais de que foram alvo. Quase sempre por medo. Uma das vítimas, Davo Choque, confirmou por telefone a abordagem dos policiais, quando saía do restaurante peruano em que trabalha em Almagro. Davo concordou em falar sobre o episódio, mas não apareceu no encontro acertado na praça de Once, bairro portenho historicamente ocupado por imigrantes – primeiro por judeus, desde o século XIX, agora por latinos e africanos.
Os números do programa de acesso à Justiça do Ministério Público Federal mostram a inquietação: no ano passado, as consultas sobre a permanência no país aumentaram 100%. Na Villa 31, uma das mais antigas favelas de Buenos Aires, as consultas quintuplicaram. A explicação está numa particularidade argentina: quase metade da população das villas é composta por imigrantes, em especial os latino-americanos.
Na ditadura argentina, militares tentaram, sem sucesso, acabar com a Villa 31. Dados do Ministério Público indicam que metade da população das favelas portenhas é formada por imigrantes (Foto: Sergio Goya/Agência Pública)
Segundo o último censo, os estrangeiros são 5% de uma população estimada em cerca de 43 milhões. Paraguai, Bolívia e Peru têm, respectivamente, as maiores comunidades estrangeiras. O índice de estrangeiros presos ou condenados por crimes na Argentina está dentro da proporção imigrante aferida no censo.
“Está claro que essa política foi feita para essas comunidades”, comenta Julián Axat, que comanda o programa de acesso do Ministério Público, cuja sigla é Atajo. Sua principal crítica está no fim da presunção de inocência dos imigrantes, que podem ser expulsos sem haver condenação.
“Nas convenções internacionais da ONU, os imigrantes são considerados grupos vulneráveis. É muito grave o que propõe esse decreto. A Constituição é clara ao dizer que os direitos são iguais para todos que pisam em solo argentino”, afirma Axat, que já conseguiu reverter na Justiça uma das expulsões feitas pelo governo argentino no ano passado, antes da vigência do decreto.

“Baboseira latino-americana”

O cerco à imigração é uma das propostas de Mauricio Macri, filho de um imigrante italiano, para combater a criminalidade. Além do decreto, o governo anunciou novas medidas de controle nas fronteiras e um sistema, ainda em implementação, que vai obrigar as companhias aéreas a informar com antecedência os dados dos passageiros que chegam ao país. A mensagem do governo é que os imigrantes estão por trás da alta da violência na Argentina. O presidente já chegou a declarar que “os recém- chegados de países mais pobres da América Latina trazem o crime”.
Eleito em 2015 após 12 anos de polarização com a Argentina sob o comando do kirchnerismo, primeiro com Néstor, depois com sua mulher, Cristina Kirchner, o empresário e ex-prefeito de Buenos Aires não disfarça seu entusiasmo por Trump – ambos são do setor da construção e já fizeram negócios juntos. O argentino utilizou palavras semelhantes às do americano para defender a restrição: “A prioridade é cuidar dos argentinos”; “Precisamos saber quem cruza a nossa fronteira” e “Não podemos permitir que o crime siga escolhendo a Argentina como lugar para vir e delinquir”.
Há políticos aliados do kirchnerismo que aprovaram as novas medidas. Não foram os únicos. Pesquisas revelam que mais de 80% dos argentinos também aprovaram as mudanças. Críticos apontam aí a principal razão do decreto: provocar um efeito político num ano de eleições para o Congresso, no segundo semestre do ano.
Como sua antecessora, virtual candidata para uma cadeira no Legislativo, Macri também enfrenta suspeitas de corrupção. A mais recente foi a notícia de que o Estado perdoou uma dívida com a empresa do seu pai, que por alguns anos controlou os Correios argentinos. A família quitou o débito, intermediado pelo governo, após pagar apenas 2% do que devia.
O debate sobre a nova política já chegou às ruas, em manifestações e também aos tribunais: ONGs encaminharam à Justiça um pedido para que ela considere inconstitucional o decreto.
“O controle não é uma ferramenta fascista, mas sim uma política de país desenvolvido. Questionar esse controle é uma típica baboseira latino-americana; no mundo que funciona de verdade, é diferente”, afirmou à Pública Horacio García, chefe do órgão imigratório do governo argentino. Para ele, a forma como o debate está colocado reflete um pensamento “adolescente”.
Horacio García, diretor da Dirección Nacional de Migraciones, responsável pelo controle migratório (Foto: Sergio Goya/Agência Pública)
A imigração latino-americana na Argentina está marcada pela invisibilidade. A maioria dos imigrantes está diluída nas favelas e nos bairros pobres de Buenos Aires como a Villa 31, que cresceu ao lado de uma das avenidas mais valorizadas da cidade, a Libertador. As vielas apertadas estão repletas de rostos andinos (que algumas vezes pode ser de um argentino de Jujuy, norte do país), camisas do Olimpia ou Alianza Lima e restaurantes que oferecem chicharrón.
“Já trabalhei na casa de uma família na cidade que me pedia para eu não dizer que morava na Villa 31”, recorda a boliviana Vanesa Valderrama, 29 anos, nove deles na Argentina.
Apesar do alto número de latinos, a imigração argentina continua heterogênea: há muitos africanos (senegaleses e nigerianos), fenômeno relativamente recente e com quase todos dedicados ao trabalho ambulante, e, claro, europeus, ainda que num fluxo imensamente inferior ao que foi no passado.
Alguns vêm por amor, como o professor italiano Marcello Claudio, que se casou com uma argentina e se mudou há dois anos para Buenos Aires. Ao contrário dos morochos latinos, Marcello conta que sempre foi tratado com reverência, sobretudo quanto à influência italiana, origem do sobrenome da maioria da população.
Da liberalidade de sua formação a períodos de menor abertura, a Argentina coincidiu sua política migratória com os Estados Unidos. No século 20 o governo atraía os estrangeiros com terras e dinheiro. Em 1902, temendo a influência anarquista, aprovou lei para expulsar os baderneiros italianos, espanhóis, alemães e franceses.
Nas décadas seguintes, haveria outros momentos: na sua última e mais terrível ditadura (1976-1983), os imigrantes eram comparados aos subversivos; nos anos de Carlos Menem (1989-99), filho de imigrantes sírios, a queixa caía novamente na violência crescente e no alto desemprego, culpa dos que chegavam de fora.
A boliviana Vanesa Valderrama vive há nove anos na Villa 31, uma das maiores e mais antigas favelas de Buenos Aires (Foto: Sergio Goya/Agência Pública)
Os anos de Néstor e Cristina Kirchner, entre 2003 e 2015, leis abertas coroaram aqueles como os melhores tempos para os imigrantes, sobretudo os latino-americanos, que passaram a contar com direitos como o acesso ao programa de distribuição de renda do governo, similar ao Bolsa Família.

Crime organizado

É verdade que há estrangeiros envolvidos no crime organizado, sobretudo no mercado da cocaína e de seus derivados, como o paco, a versão local do crack. Mas eles não agem sozinhos.
“Há um produto [a cocaína] que não é produzido na Argentina. Aqui há uma cadeia de distribuição e de comercialização em que há estrangeiros, mas os argentinos também estão envolvidos”, comenta Horacio García, chefe da Dirección Nacional de Migraciones, responsável pela política migratória no país.
Reunião de integrantes da Asociación Civil de Migrantes Los Emprendedores na Villa 31 (Foto: Sergio Goya/Agência Pública)
Homem magro e ágil nas palavras, García admite que o decreto pode ser considerado rigoroso, mas argumenta que essa é a forma de enfrentar a criminalidade.
“Há problemas graves na efetivação de medidas do Estado, que não são cumpridas”, afirmou.
O problema, resume, é a ineficiência do Estado, que não consegue executar todas as ordens de expulsão. “Em 2015, o governo aprovou 1.900 expulsões, mas apenas quatro foram cumpridas. Em 2016, dos 4 mil processos de expulsão aprovados, 31 foram efetivados”, afirma. “Se o Estado não cumpre as próprias resoluções, ele vira um Estado fantasma. Isso ataca a reputação do Estado.” Os dados deste ano – quando será possível ver o impacto do decreto nas deportações – ainda não foram divulgados pelo governo argentino.
Em dezembro, um mês antes de o decreto ser apresentado, duas notícias das páginas policiais causaram furor no país. Em ambas, os protagonistas eram imigrantes peruanos.
Um foi o chamado “caso Brian”, nome do jovem que morreu ao lado do avô dentro de um ônibus no bairro portenho de Flores. Ele foi alvejado por uma bala perdida após um assalto. Um adolescente peruano, também de nome Brian, foi apontado como autor do disparo – seus pais, imigrantes, são acusados de envolvimento com o tráfico; o garoto voltou para o Peru com o pai.
A poucos quilômetros onde Brian morreu está a Villa 1-11-14, uma das mais violentas favelas de Buenos Aires, onde moravam Brian (o suposto atirador) e os pais. O tráfico na 1-11-14 estava sob o comando do peruano Marco Antonio Estrada González, o Marcos, velho conhecido da Justiça argentina que fora preso em dezembro e apresentado como o maior traficante em atividade no país.
“O problema é banalizar a criminalidade ao relacioná-la com os imigrantes”, afirma o professor Lelio Marmora, da Universidad Nacional de Tres de Febrero que estuda a imigração há décadas. “Estar contra a imigração é estar contra os argentinos, além de ser uma fantasia atribuir os crimes aos estrangeiros. É uma atitude superficial e preconceituosa, mas que acima de tudo é política.”
Ao contrário da maioria dos imigrantes latinos, a família de Johnny vive em Abasto, bairro de classe média, num apartamento que nada lembra a precariedade das favelas portenhas.
Sua filha mais velha, Gina, tem 24 anos e garante não pensar mais nas gozações dos colegas de escola que a malhavam na adolescência por ser peruana. “Só depois de velha ela me falou a respeito”, conta Jéssica, a mãe, que tem outros três filhos, todos nascidos na Argentina. A família está no país desde 1997. O futuro dependerá da decisão da Justiça sobre a deportação de Johnny. Caso ele não consiga retornar, eles deverão encontrá-lo em Lima.
“Será muito ruim se tivermos que recomeçar”, afirma Gina, que pediu para omitir o sobrenome da família. Ela presenciou a detenção do pai, no dia 19 de janeiro, e gravou o diálogo com os policiais, que garantiram que Johnny seria levado para um rápido depoimento e logo estaria de volta.
Seu caso está sob o cuidado da Comisión Argentina para los Refugiados y Migrantes (Caref), organização civil que tenta anular a deportação na Justiça. A razão é o Estado ter executado uma expulsão de 2014 apesar da extinção do registro criminal em 2016.
Gina, 24 anos, na Argentina há duas décadas agora cuida da empresa de mudança do pai, deportado em janeiro (Foto: Sergio Goya/Agência Pública)
Gina e a mãe têm esperança: o caso é semelhante à expulsão do paraguaio Rigoberto Bernal no ano passado, posteriormente anulada pela Justiça. Rigoberto foi preso numa farmácia no centro de Buenos Aires e, sem aviso prévio ou contato com advogado, colocado numa caminhonete e levado para o Paraguai.
Ele tinha uma expulsão por porte de drogas, mas o crime já havia prescrito. Sua condição familiar também não foi levada em conta: Rigoberto tinha mulher grávida de gêmeos e uma filha de 4 anos que ficaram na Villa 31.
Travestis e imigrantes
A organização em grupos políticos, ou com força de mobilização, é o caminho de muitos dos imigrantes diante das novas regras.
Em La Plata, capital da província de Buenos Aires a 70 km da capital, Claudia Vázquez Haro é uma travesti peruana que dirige a Otrans, grupo que reúne mais de 300 travestis imigrantes de países como Peru, Equador, Colômbia, Haiti, e República Dominicana.
Num bairro residencial de La Plata, Claudia reúne-se semanalmente com as “meninas” num salão de beleza do qual é dona. Todas são cadastradas em fichas pela Otrans, com dados de contatos na Argentina e nos países de origem para o caso de algum inconveniente com a Justiça – “Aqui quase todas têm passagens pela polícia”.
Uma delas é Alexandra Peña González, 30 anos, alvo em potencial do novo decreto. Presa com cocaína, Alexandra está respondendo por tráfico de drogas após passar dois anos na prisão – sua defesa alega que a droga era para consumo pessoal; o veredicto deverá sair no ano que vem, segundo a advogada Carolina Grassi.
A peruana Alexandra Penã González pode ser deportada, segundo as novas regras, antes mesmo de sair sua condenação (Foto: Sergio Goya/Agência Pública)
De acordo com as novas regras migratórias, pouco importa se Alexandra será condenada ou absolvida: ela pode virar estatística da deportação.
“Pela nossa dupla condição de travestis e imigrantes, estamos acostumadas a viver nas sombras, com o pé no pescoço”, conta Claudia, uma reconhecida militante trans, habitué de eventos com a presença de Cristina Kirchner. No ano passado, Claudia encaminhou denúncia à ONU sobre a condenação de uma travesti em La Plata, também flagrada com cocaína, cuja pena foi agravada pelo fato de ser estrangeira.

Entre o Caminito e Puerto Madero, um obstáculo: Lamadrid

La Boca é um dos mais emblemáticos bairros de Buenos Aires: abriga o Caminito, um dos pontos turísticos portenhos, o Boca Junior, o mais popular clube argentino, além do porto, o primeiro destino de grande parte dos imigrantes que construíram o país a partir do século XIX.
As marcas estrangeiras permanecem vivas nos moradores do assentamento Lamadrid, um conjunto de barracos que fica embaixo de uma autopista federal numa das curvas do rio Riachuelo/Matanza, que desemboca no rio La Plata – por isso o nome La Boca. A área é degradada e perigosa.
Restos de uma santa no assentamento Lamadrid, La Boca, Buenos Aires. Local é reduto de imigrantes desde o início do século passado (Foto: Sergio Goya/Agência Pública)
Osvaldo, um dos raros argentinos a viver no local, tem histórias de russos que viveram por ali na década de 1990, após o fim da União Soviética – “Estavam pelos lados de cá, em missão num navio, e por aqui ficaram”, conta –, e de africanos que chegaram há pouco. Muitos foram embora, mas cerca de 300 barracos resistem.
Como aconteceu nos anos 1970, quando a autopista começou a ser construída e centenas de famílias de imigrantes tiveram de ser removidas da mesma área (uma delas era a do fotógrafo Sergio Goya, responsável pela fotografia desta reportagem e descendente de italianos), agora 180 casas deverão ser removidas.
Uma lei impede residências embaixo ou numa área de pelo menos 12 metros de distância de estradas federais. Mas a remoção também atenderá os propósitos de expansão turística de La Boca, criando um corredor que o ligará a Puerto Madero, outro bairro turístico, a poucos quilômetros dali.
“Nosso lema é simples: ‘as pessoas não são coisas'”, conta a paraguaia Margarita Ritos, 39 anos, uma das líderes do assentamento e dona de um pequeno barraco que também será removido.
A organização dos moradores, a maioria imigrantes latino-americanos, deu certo. As remoções, segundo acordo firmado com o governo da cidade de Buenos Aires, devem ser realizadas até 2019, e a condição é que todas as famílias sejam removidas para novas casas que serão construídas no bairro.
“A organização é a única forma de sermos respeitados”, afirma a boliviana Marlene Pérez, integrante da Asociación Civil de Migrantes Los Emprendedores, presente em três bairros da periferia de Buenos Aires.
Dezenas de grupos já organizam manifestações por Buenos Aires contra o decreto. Há até quem defenda a ampliação dos direitos dos imigrantes, com a possibilidade de que eles possam votar para presidente – um projeto enviado ao Congresso prevê alterar a lei vigente, que permite aos estrangeiros escolher apenas os prefeitos, vereadores e, em alguns casos, governadores.
Lucas Ferraz
Agencia Publica 
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Encontro em Brasília promove integração entre crianças migrantes e brasileiras

Festa intercultural, brincadeiras e outras atividades proporcionaram um dia repleto de diversão e interação para crianças e adultos de diversas nacionalidades. Organizado pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), parceiro da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o evento “Crianças sem Fronteiras” ocorreu no último sábado (11) em Brasília.
Crianças na Bridges Church de Brasília. Foto: Bridge Church.
Crianças na Bridges Church de Brasília (foto arquivo). Foto: Bridge Church.
Refugiados e migrantes de diversos países e culturas reuniram-se com famílias brasileiras no encontro “Crianças sem Fronteiras”, que aconteceu no quintal da igreja Bridges Church no último sábado (11), em Brasília.
O evento, promovido pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), organização parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), promoveu a integração das crianças e a oportunidade de lazer e interação com a comunidade brasiliense.
Segundo Rosita Milesi, diretora do IMDH, encontros como esse favorecem a família inteira. “A integração das crianças é um elemento extremamente favorável para que as famílias se sintam parte da comunidade”, afirmou.
A iniciativa de fazer uma festa para as crianças que deixaram sua terra natal já acontece há três anos, mas esta edição foi a primeira em parceria com a igreja Bridges Church, que cedeu seu espaço de lazer para dar lugar ao encontro e trabalhou na organização do evento. Ao todo, estiveram presentes cerca de 100 migrantes e refugiados, além de voluntários e membros da igreja.
A representante do ACNUR no Brasil, Isabel Marquez, esteve no encontro e testemunhou a atmosfera de solidariedade e interação entre os convidados. “Os brasileiros são um grande exemplo de generosidade e acolhimento às pessoas que precisam de proteção, e este evento é um exemplo disso”, destacou.
Matilde, refugiada da Colômbia, esteve no evento com marido e filho. A família já está no Brasil há três anos, e afirma que o processo de integração no país está indo bem, destacando que o apoio do IMDH foi essencial para a adaptação local. “Somos muito gratos pelo acolhimento que recebemos dos brasileiros”, disse ela.
O pastor Dave Bollenbacher, da Bridges Church, contou que embora a igreja já tenha realizado outros eventos humanitários, essa foi a primeira atividade com refugiados. “Para nós é muito importante celebrar as diversidades, sejam elas culturais ou religiosas, era isso que tínhamos em mente quando decidimos organizar esse evento”.
Encontros como esse são positivos para promover a solidariedade e a interação entre diferentes culturas, segundo o ACNUR. O evento “Crianças sem Fronteiras” conta com o apoio de diversos parceiros e também da comunidade.
Para o ACNUR, iniciativas como essa são essenciais para que as crianças superem as dificuldades de integração com as pessoas que passam a fazer parte de suas novas realidades. Além disso, favorece a aprendizagem do idioma, processo que costuma ser impulsionado por meio da convivência e socialização.
Dos cerca de 9 mil estrangeiros que vivem no Brasil reconhecidos como refugiados, aproximadamente 18% são crianças e jovens de até 17 anos de idade. Em todo o mundo, crianças e jovens nesta faixa etária representam mais da metade dos 21,3 milhões de refugiados globalmente.
ONU

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terça-feira, 14 de março de 2017

Los puentes del Papa, antes que el muro de Trump

El delegado de Trebisacce en el exterior, Mario Stellato, aboga por unir pueblos con historias comunes. Pasó por Córdoba.

“En estos tiempos de barreras y muros como los que propone Donald Trump, nosotros preferimos seguir las enseñanzas del papa Francisco y tratar de tender puentes, de acercar pueblos”, dice Mario Stellato, representante en el exterior del municipio de Trebisacce, enclavado sobre el mar Jónico, en la provincia calabresa de Cosenza, al sur de Italia.
Después de monitorear en lo que va de este año distintos proyectos de intercambio e integración entre su comuna y la de Villa María, en cuyo hermanamiento tuvo un papel clave, Stellato pidió empeño para que los vínculos que los italianos establecieron hace tantos años con Argentina no se retraigan con el paso del tiempo.
“La italianidad en el exterior se está perdiendo porque muchas asociaciones que nuclean a nuestros migrantes no incluyen a los jóvenes y son muy cerradas”, dijo el calabrés, quien evocó que Villa María y Córdoba toda receptaron inmigración proveniente de Trebisacce, como de tantos otros puntos de la península, aunque en condiciones muy diferentes a las que enmarcan la crisis migratoria actual. “Llegaban con papeles y hasta a veces les pagaban el pasaje desde aquí, para que vinieran a trabajar”, afirmó.

Europa, e Italia en particular, son el destino al que intentan llegar hoy miles de personas. No todos les abren sus puertas…
–Estamos viviendo un período muy difícil. Creo que el problema es puramente político. Nosotros, Italia, estamos en Europa, pero no es una Europa totalmente unida. Sí, tenemos la misma moneda, pero cada nación toma sus propias medidas. Si tomamos el asunto de la migración, vemos que casi todos los desplazados pasan por Italia, y a otras naciones, vecinas nuestras, no les interesa el tema. Lo ven como un problema italiano y que tenemos que arreglar nosotros solos y eso no está bien. En la forma actual en que ingresa la inmigración no podemos controlarla, y no tenemos ayuda de parte del resto de Europa. Además, muchas otras naciones –como Austria el año pasado–, se pusieron a construir un muro en sus fronteras. Austria es parte de la Unión Europea y no le importó nada apartarse de la política comunitaria sobre el tema. Otro ejemplo es Francia, que quiere cerrarse sin afrontar el problema en serio, ni resolverlo. Yo creo que antes de que toda esta gente intente salir del otro lado del Mediterráneo, se podría hacer algo allá, no esperar a que vengan en condiciones precarias, o a que en ese intento muera un montón de gente y ni siquiera llegue a la otra orilla. Hablan, hablan y hablan, pero no hacen lo que debieran hacer…
–Este año habrá elecciones en Holanda, Francia, Alemania y la propia Italia, y en todas partes hay grupos con discursos parecidos al de Trump, de levantar muros…
–El problema es que esos discursos se levantan y tienen éxito y seguidores porque la gente está asustada. Todos tienen miedo al terrorismo, con lo que pasó en Francia, en Bélgica, o después en Berlín. Temen a gente que pueda entrar infiltrándose en estas corrientes de migración. La mayoría de quienes ingresan por Italia quieren irse a Alemania u otras naciones del norte europeo, donde también están empezando a levantarse muros y vallas, lo que no es bueno. Este es un momento donde todos debemos construir puentes, como dijo el papa Francisco. La política internacional debe ver cómo tender esos puentes y hacerse cargo de la situación tan complicada. Lamentablemente, hay mucha gente que muere mientras tanto...
–Si Italia o Europa ponen más restricciones a la migración, ¿pueden afectarse los derechos de los argentinos descen­dientes de italianos?
– Con Argentina nunca hubo problemas. Nunca ha habido restricciones con este país o América latina. Las relaciones fueron siempre buenas y seguirán así. Muchos son los que quieren volver; y digo “volver” porque la mayoría son descendientes de inmigrantes que salieron de Italia en el período de la Segunda Guerra, son gente que nació en Argentina, pero cuyos orígenes son italianos. La mayoría de argentinos de ancestros italianos tienen derecho a obtener la ciudadanía correspondiente y a sacar un pasaporte italiano, y no van a tener ningún problema para integrarse o trabajar allá.
–¿No hay previstos cambios en los requisitos para obtener la ciudadanía italiana?
–No, no, no; la ley es siempre igual y con las reformas constitucionales que no se aprobaron tampoco estaba prevista ninguna modificación. Al contrario, se está trabajando para ver cómo acercar y no alejar…
–Usted habla de preservar una “italianidad” forjada hace décadas en esta parte del mundo…
–Todas las asociaciones que están en la Argentina nacieron cuando los primeros inmigrantes vinieron acá. Hay asociación de piamonteses, de marquellanos, o de calabreses, que nacieron en aquella época y quedaron así. Y si nosotros vemos a todos quienes manejan esas asociaciones, son personas mayores, que no hacen nada para integrar a los jóvenes en esos grupos. Creo que, al estar todas estas asociaciones dispersas y cerradas, no se va a lograr nada. Lo bueno sería que en cada ciudad hubiera una sola institución que represente a Italia, y que se integre a los jóvenes. Todo lo que representa esa italianidad se está perdiendo entre las nuevas generaciones, que ni siquiera suelen saber de dónde vinieron sus antepasados.

Marcelo Taborda
La Voz
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Debate sobre migração e desenvolvimento humano integral

Realiza-se em Bruxelas, na Bélgica, no próximo dia 23, o encontro sobre “Migração e desenvolvimento humano integral”, promovido pela Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (Comece), por ocasião dos cinquenta anos de publicação da Encíclica social Populorum progressio, do Papa Paulo VI.
“Explorar o que as políticas sobre migração e asilo político devem levar em consideração a fim de tutelar os direitos humanos e ajudar os países subdesenvolvidos em seu crescimento integral.”

Este é o objetivo do debate que recordará a encíclica que colocou o “desenvolvimento dos povos no centro da questão da justiça social” e abordou o tema da migração como “dever de dar hospitalidade”, mas também como dever de “permitir às pessoas de permanecerem com dignidade em seus países”.

O encontro contará com a participação dos relatores: o jesuíta Grégoire Catta do Centro Sèvres, de Paris, que falará sobre o significado da Populorum progressio para o mundo de hoje; Annabelle Roig Granjon membro do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, sobre as respostas à migração forçada, e José Luis Bazan da Comece sobre o direito de não migrar no contexto do direito ao desenvolvimento.

Os trabalhos serão abertos pelo Secretário-geral da Comece, Pe. Olivier Poquillon, e o encerramento será feito por José Ignácio  Garcia do Serviço Jesuíta para Refugiados.
De 29 a 31 deste mês, em Bruxelas, os trinta bispos membros da Comece se reunirão na plenária que marcará o início da reflexão em vista do congresso “Repensar a Europa: a contribuição do cristão para o futuro da União Europeia” que se realizará, em Roma, de 27 a 29 de outubro deste ano. 
Radio Vaticano
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segunda-feira, 13 de março de 2017

Audiência pública expõe situação dos venezuelanos que estão vivendo em RR

Evento contou com a presença de representantes do Governo Federal e da ONU, mas Prefeitura de Boa Vista não enviou ninguém
A audiência pública, que contou com quatro mesas de debates, duas pela manhã e duas pela tarde, discutiu temas relacionados à situação dos imigrantes venezuelanos que vieram para Roraima e seus direitos. Os dados coletados vão instruir procedimentos administrativos que serão instaurados no Ministério Público Federal (MPF) para ajudar os refugiados venezuelanos que estão em Roraima. O evento ocorreu na sexta-feira, 10, no auditório Alexandre Borges, na Universidade Federal de Roraima (UFRR).
O representante da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, procurador João Akira, afirmou, ao abrir a audiência, que o momento era de se analisar a fundo a situação dos venezuelanos. “Temos que lembrar que são pessoas buscando tudo o que nós também queremos, que sofrem, passam fome, têm problemas de saúde, por isso é tão importante buscar meios de melhorar a situação deles”, analisou.
Juntamente com Akira, a audiência foi coordenada pelo procurador da República José Gladston Viana Correia, que atua na defesa dos direitos indígenas, além do procurador regional dos Direitos do Cidadão em Roraima. Participaram representantes da Defensoria Pública da União (DPU), do Governo do Estado, da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça (MJ), da Casa Civil da Presidência da República, da Reitoria da UFRR, além das lideranças indígenas venezuelanas e de representantes dos migrantes não indígenas. A Prefeitura de Boa Vista não compareceu ao evento nem enviou representante e foi bastante criticada por não estar ajudando a alimentar os abrigados em Roraima.
A audiência levantou informações, críticas e sugestões sobre a prestação de serviços relacionados à assistência social, ao trabalho, à saúde, à educação e ao abrigamento dos venezuelanos, bem como sobre a situação específica dos migrantes indígenas. Aberto ao público, o evento contou com muitos imigrantes residentes em Roraima, que contaram histórias de luta, fome e pobreza. Eles falaram das situações pelas quais passam para viver no Brasil.
A secretária estadual de Assuntos Internacionais, Verônica Caro, disse que era uma oportunidade para ouvir todos os segmentos envolvidos na assistência ao imigrante e também dar mais dignidade aos venezuelanos. “A governadora Suely Campos [PP] vem trabalhando desde o começo desta crise migratória para atender estes venezuelanos e ajudá-los. Hoje nós estamos aqui para colaborar com a discussão, buscar meios de tornar a convivência de todos os lados muito melhor”, comentou.
Para o tenente Fernando Troster, no Centro de Referência ao Imigrante (CRI), instalado no Ginásio do Pintolândia, na zona Oeste de Boa Vista, é importante ouvir que os imigrantes têm a dizer e também repassar a mensagem de apoio do Governo do Estado. “Nós, como Centro e também Defesa Civil, estamos aqui com a ideia de que fiquem expostas as dificuldades que todos os lados enfrentam para que assim possamos elaborar políticas públicas que ajudem a todos”, ressaltou.
O representante da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, procurador João Akira, afirmou que a missão em Roraima é uma forma de conhecer de perto a situação que o Estado passa atualmente. “Sabemos que esse é um problema novo e que cada organização que compõe a missão poderá ajudar na busca de soluções para essa demanda, por isso nos colocamos à disposição do governo do estado”, explicou.
Refugiada reconstrói sua vida e sonha com trabalho e dignidade
“Eu não quero trocar meu pedido de refúgio por uma residência temporária. Me sinto uma refugiada. Não estou no Brasil porque quero, estou porque no meu país não tem saúde, não tem segurança, não tem remédio, não tem comida”. A declaração emocionada fez todos os olhares se voltarem para a pequena jovem com um bebê no colo. A professora universitária Merlinda Ferreira, 26 anos, veio com o marido e os dois filhos para o Brasil em busca de uma vida melhor e de esperança.
Apesar da formação superior em psicologia clínica, ela não conseguiu emprego. O marido, que é advogado formado, sustenta a família trabalhando como feirante. Quando não consegue o suficiente para a comida, recolhe do lixão o que é jogado fora para levar para casa.
A história foi ouvida atentamente por procuradores de justiça, autoridades roraimenses, representantes da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), que juntamente com uma comitiva de jornalistas estrangeiros visita Roraima, no Norte do país, para conhecer de perto a situação da migração venezuelana que está atingindo proporções inéditas.
O representante da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, procurador João Akira, afirmou que a missão em Roraima é uma forma de conhecer de perto a situação que o Estado passa atualmente. “Sabemos que esse é um problema novo e que cada organização que compõe a missão poderá ajudar na busca de soluções para essa demanda, por isso nos colocamos à disposição do governo do estado”, explicou.
Mais de 100 mil venezuelanos já atravessaram a fronteira
Segundo a Polícia Federal em Roraima, mais de 2 mil venezuelanos pediram refúgio no país. Embora se fale em 30 mil venezuelanos entrando em Roraima no ano passado, a PF registrou mais de 100 mil venezuelanos cruzando a fronteira com Roraima em 2016.
A principal reclamação de todos é que ninguém ajuda esses refugiados. O Governo Federal ainda não enviou nenhum centavo para o Estado, que hoje banca o abrigo e uma estrutura de saúde, escola e atendimento básico aos venezuelanos. A Prefeitura de Boa Vista alega que não tem recurso.
O Ministério Público Federal em Roraima preparou a audiência pública e um relatório para ajudar os venezuelanos, mas a burocracia brasileira impede que a residência temporária concedida pelo Governo Federal ajude os imigrantes.
“Pagamos R$ 500,00 em documentos. Para revalidar o diploma precisamos pagar R$ 3 mil. Para um venezuelano, isso é uma fortuna. Não temos como pagar, não temos dinheiro nem para comer”, disse Bruno Florian, outro venezuelano que veio em busca de ajuda no Brasil.
Por conta da burocracia para retirar o visto, os imigrantes ficam em um limbo migratório por cerca de meses ou mais para serem atendidos e terem concessão aprovada.
NBO
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Universidade de Santa Maria oferecerá formação para refugiados

Inciativa possibilitará acesso à formação técnica, tecnológica e superior. Estrangeiros interessados devem solicitar ingresso para a instituição, até 15 de março

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) lançou uma iniciativa voltada aos refugiados e imigrantes, em situação de vulnerabilidade, que chegam ao Brasil. Por meio de edital, a instituição divulgou um programa de acesso à formação técnica, tecnológica e superior para esse público.
Até 5% das vagas serão direcionadas para esses estudantes a partir do primeiro semestre letivo de 2017. Os estrangeiros interessados em um dos cursos oferecidos pela UFSM devem solicitar  ingresso para a instituição até 15 de março. Quem procurar a universidade após essa data, poderá iniciar os estudos a partir do próximo semestre.
Serão admitidos imigrantes ou refugiados que tenham concluído o ensino médio ou equivalente no país onde residiam, tenham sido impossibilitados de dar continuidade ao ensino técnico ou superior pelo motivo de imigração ou que já tenham concluído os estudos equivalentes e não tenham interesse na revalidação do diploma. O programa não inclui imigrante que tenha concluído o ensino médio regular no Brasil.
Iniciativa 
A universidade já recebia refugiados e imigrantes, mas a publicação do edital torna a medida um programa permanente de acesso à universidade. Antes, dois alunos desse perfil estavam matriculados na instituição. 
Com a publicação do edital,a UFMS já recebeu 16 solicitações. A maior parte delas é de haitianos, mas também já foram recebidos pedidos de pessoas oriundas da Colômbia, El Salvador, Cuba, Equador e Guiné Bissau, entre outros.
O coordenador de Planejamento Acadêmico (Prograd) da UFSM, Jerônimo Siqueira Tybusch, acredita que a medida reforça o papel da universidade na implantação de políticas afirmativas que ajudem a incluir grupos que enfrentam maior dificuldade para acessar o ensino técnico e superior no País.
Critérios
Podem ingressar no programa os imigrantes ou refugiados que tenham recebido a concessão de residência no País há no máximo cinco anos. Quem tiver impossibilitado de apresentar os documentos que comprovem o grau de escolaridade, poderá recorrer à certificação de conclusão de ensino médio por meio do Exame Nacional de Certificação de Jovens e Adultos (Encceja).
Inicialmente, a comprovação seria feita pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mas com as mudanças no exame anunciadas recentemente pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, o edital da USFM será adaptado para utilizar o programa definido pelo MEC.
Fonte: Portal Brasil, com informações do MEC
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sábado, 11 de março de 2017

Mundo vive maior crise humanitária desde 1945


A ONU só utiliza o termo crise de fome quando determinada região apresenta certos níveis de mortalidade, desnutrição e fome, situações extremas e muito pouco frequentes, com apenas cerca de dez casos registrados nas últimas três décadas. EFE/Tobin Jones / Au Un Ist / Handou


O mundo vive atualmente a maior crise humanitária desde 1945, alertou nesta sexta-feira a ONU, que voltou a enfatizar o risco de crise de fome vivido por cerca de 20 milhões de pessoas em quatro países.
"Estamos em um momento crítico da história. Já no começo do ano, enfrentamos a maior crise humanitária desde a criação das Nações Unidas", disse ao Conselho de Segurança o chefe humanitário da organização, Stephen O'Brien.
A situação, que já era considerada grave, se soma a uma possível crise de fome em quatro países - Sudão do Sul Somália, Iêmen e o nordeste da Nigéria. Já em fevereiro, a ONU avisou que 20 milhões de pessoas já estão na situação crítica ou correm risco de entrar nela nos próximos seis meses.
A ONU só utiliza o termo crise de fome quando determinada região apresenta certos níveis de mortalidade, desnutrição e fome, situações extremas e muito pouco frequentes, com apenas cerca de dez casos registrados nas últimas três décadas.
"Sem um esforço global coletivo e coordenado, as pessoas simplesmente morrerão de fome", afirmou O'Brien, que informou ao Conselho de Segurança sobre suas recentes visitas ao Iêmen, ao Sudão do Sul e à Somália para avaliar a situação humanitária.
O representante da ONU disse que é necessária uma "injeção imediata de fundos" para atender os necessitados nesses três países e o nordeste da Nigéria.
"Para ser exato, precisamos de US$ 4,4 bilhões para julho e esse é um custo detalhado, não um número para negociar", afirmou.
Em fevereiro, a ONU tinha afirmado que era fundamental reunir essa quantia antes do fim de março.
Fontes da ONU disseram à Agência Efe que as diferentes datas respondem à dificuldade de determinar o prazo exato no qual são necessários esses US$ 4,4 bilhões, e a realidade se aproxima cada vez mais do cenário indicado hoje por O'Brien.
O dinheiro, ressaltou o representante da ONU, é muito urgente para poder responder a essas crises.
Agencia Efe

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Instituições firmam cooperação para assegurar direitos humanos de migrantes inadmitidos no Aeroporto de Guarulhos

Documento renova a articulação firmada em 2015 pelas instituições
com vistas a garantir soluções mais rápidas no que se refere à
definição jurídica de estrangeiros retidos no Aeroporto Internacional de SP

Conector GuarulhosAssegurar a proteção e a promoção de soluções humanitárias para situações de migrantes inadmitidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Esse é o objetivo de termo de cooperação técnica revalidado nesta semana pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF), a Defensoria Pública da União (DPU), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a Secretaria Nacional de Justiça e a Prefeitura de Guarulhos.

O documento renova a articulação firmada em 2015 pelas instituições com vistas a garantir soluções mais rápidas no que se refere à definição jurídica de estrangeiros retidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A cooperação busca assegurar atendimento e proteção humanitários a esses migrantes, evitando decisões sem o devido processo legal.

De acordo com o procurador federal dos Direitos do Cidadão adjunto João Akira Omoto, a medida buscou diminuir o tempo de permanência de migrantes no chamado “espaço conector” – sala que fica entre as áreas de desembarque e migração no aeroporto internacional de Guarulhos na qual estrangeiros que tiveram acesso negado ao Brasil aguardam até que sua situação seja definida.

“Antes dessa ação coordenada, era comum o relato de migrantes mantidos por tempo indeterminado em espaços sem condições adequadas de alimentação e higiene. Essa retenção ocorria, inclusive, sem a definição do status desses cidadãos – o que impossibilitava, por exemplo, o acesso ao mecanismo de solicitação de refúgio, assegurado pela legislação brasileira”.

Segundo o termo de cooperação, o Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante – já instalado no Aeroporto de Guarulhos e sob responsabilidade da prefeitura da cidade –, fará a avaliação e entrevista inicial das situações dos migrantes inadmitidos, com vistas a identificação mais célere de eventuais casos de solicitantes de refúgio, apátridas e vítimas de tráfico de pessoas, bem como outras pessoas com necessidade de proteção internacional.

O trabalho contará com o apoio da Defensoria Pública da União, além de colaboração técnica de instituições como Acnur, Cáritas e o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça.

Aprimoramento – Além de garantir a continuidade da ação humanitária na área, a renovação do termo também propõe novos mecanismos para qualificar o atendimento a esses migrantes. No novo formato, uma equipe profissional da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social da Prefeitura de Guarulhos funcionará em regime de plantão para realizar tanto avaliação quanto entrevista inicial das situações de todos os migrantes inadmitidos.

Essa equipe ficará responsável por, diariamente, visitar todos os espaços do aeroporto onde se encontram os migrantes retidos – de modo a identificar, de forma mais ágil, as pessoas em potencial necessidade de proteção internacional ou em situação de violação de direitos humanos, sobretudo solicitantes de refúgio, apátridas, crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com necessidades especiais, com necessidade de atenção à saúde ou em tratamento médico, migrantes em via de repatriação, migrantes impedidos de seguir viagem pelas companhias aéreas e vítimas de tráfico de pessoas.

Ainda conforme o termo de cooperação, as entidades envolvidas no acordo deverão trabalhar de forma articulada para estabelecer mecanismos eficientes para a coleta e o registro de dados desses passageiros. Outra novidade é a criação de mecanismos para coleta e registro de dados dos passageiros inadmitidos. O registro deve conter o perfil do migrante (nacionalidade, gênero, idade, raça, status migratório), os motivos de sua inadmissão, se solicitou refúgio, quantos dias permaneceu mantido nos espaços do aeroporto e os encaminhamentos realizados para solucionar o caso.

Representantes da sociedade civil, de órgãos públicos e do ACNUR integram o Grupo de Trabalho responsável por acompanhar a execução do termo de cooperação. A ideia é assegurar a atuação do Posto Humanizado e das visitas periódicas previstas no acordo.

Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
Ministerio Publico Federal

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