quarta-feira, 16 de abril de 2025

Especialistas apontam padrão de violência policial contra imigrantes africanos no Brasil

 

Manifestação na Praça da República, em São Paulo, por justiça para o imigrante senegalês Ngange Mbaye, em 14 de abril de 2025.

— Paulo Pinto/Agência Brasil


A morte do ambulante senegalês Ngange Mbaye, de 34 anos, durante operação da Polícia Militar no bairro do Brás, em São Paulo, reacendeu denúncias de violência policial contra imigrantes africanos no Brasil. Mbaye foi baleado no abdômen, na última sexta-feira (11), após tentar defender colegas ambulantes durante uma abordagem. O caso gerou protestos no Brasil e no Senegal e foi classificado por veículos senegaleses como uma “tragédia não isolada”.

“Este caso da morte do senegalês Ngange Mbaye não foi isolado. Se torna um episódio emblemático como o do congolês Moïse e outros casos de violações de direitos humanos”, afirmou o sociólogo Alex André Vargem em entrevista à Alma Preta

“Nos últimos anos no Brasil, há um conjunto de violências físicas e simbólicas contra imigrantes e refugiados negros, seja de violências perpetradas pela sociedade ou pelos agentes do Estado”, completou.

Vargem atua há mais de duas décadas com populações imigrantes e destacou que as violências contra essas pessoas persistem mesmo sob o marco da Lei de Migração, que reconhece os imigrantes como sujeitos de direitos.

Além de Mbaye, outro senegalês, Massamba Diop, sofreu agressões da polícia em janeiro de 2025, também na região do Brás. Ele foi atingido por uma arma de choque e chutado enquanto estava no chão. O procedimento cirúrgico não conseguiu remover totalmente o fragmento metálico da cabeça. 

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo acompanha o caso e a vereadora Amanda Paschoal (PSOL-SP) denunciou o episódio ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Imagem de Ngange Mbaye, homem negro, senegalês, assassinado pela Polícia Militar de São Paulo.
O imigrante senegalês Ngange Mbaye foi assassinado pela Polícia Militar de São Paulo no dia 11 de abril de 2025. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Racismo e xenofobia

A coordenadora de advocacy da ONG Missão Paz, Letícia Carvalho, criticou a omissão do Estado. “A morte de Ngange Mbaye, covardemente assassinado pela Polícia Militar, não é um caso isolado e está inserida na realidade do aumento da violência e da letalidade policial que o estado de São Paulo vem enfrentando desde o início da gestão atual“, afirmou à Alma Preta.

Ela alertou que, apesar da modernização da legislação migratória, “a ausência de políticas públicas que a implementem impede a garantia dos direitos conquistados”.

Segundo Carvalho, os desafios incluem acesso à moradia, saúde, educação e emprego. “No caso de imigrantes e refugiados negros africanos, somam-se o racismo estrutural e institucional que os exclui de políticas públicas e os torna alvo de violência extrema e até da morte.”

A Organização das Nações Unidas (ONU) já havia alertado, em 2022, sobre a violência contra imigrantes africanos no Brasil. Em carta enviada ao governo, relatores das Nações Unidas afirmaram que “a discriminação racial sistêmica e a violência racista contra migrantes, refugiados e requerentes de asilo foram exacerbadas nos últimos anos” e apontaram “expulsões coletivas, deportações arbitrárias e assassinatos” como práticas recorrentes.

Audiência pública amplia denúncias

Antes da morte de Ngange Mbaye, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) já havia realizado uma audiência pública para discutir a escalada de violência policial contra imigrantes africanos e ambulantes.

O evento foi convocado pela Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, com apoio da SOS Racismo, e teve como um de seus focos a atuação da Polícia Militar na chamada Operação Delegada.

A Operação Delegada, parceria entre a prefeitura de São Paulo e a Polícia Militar, foi alvo de críticas por práticas como invasões de domicílios sem mandado judicial, apreensões ilegais, abuso de autoridade, ameaças, racismo e assassinatos. 

Na ocasião, a morte do senegalês Serigne Mourtalla Mbaye, de 38 anos, após supostamente cair do 6º andar de um prédio durante a uma ação ilegal da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMSP) no centro de São Paulo, foi o pontapé para discussões sobre a Operação Delegada.

A deputada estadual Mônica Seixas (PSOL-SP) comparou os episódios aos casos de violência nos Estados Unidos. Para o deputado Eduardo Suplicy (PT-SP), a operação representa um entrave ao desenvolvimento social das comunidades imigrantes.

Reação internacional e exigência de responsabilização

No Senegal, a morte de Mbaye repercutiu amplamente. A ministra senegalesa de Integração Africana e Negócios Estrangeiros, Yassine Fall, declarou que medidas estão em curso para esclarecer as circunstâncias da morte.

Especialistas e organizações cobram responsabilização das forças de segurança. “É necessário que o sistema de justiça funcione e os órgãos de controle das forças de segurança pública, como o Ministério Público do Estado de São Paulo e os organismos internacionais, atuem de fato para que os direitos das pessoas não sejam violados”, concluiu Vargem.

A Missão Paz e outras entidades civis pedem o fim da impunidade, a desmilitarização das abordagens policiais em áreas com grande concentração de imigrantes e a implementação real da Lei de Migração.

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domingo, 13 de abril de 2025

Trabalhador senegalês é morto por PM na região do Brás, em São Paulo

 


Um homem morreu após ser baleado por um oficial da Polícia Militar (PM) na tarde desta sexta-feira (11), no Brás, região central de São Paulo (SP). Ngange Mbaye, imigrante senegalês que trabalhava como vendedor ambulante, foi socorrido e levado de ambulância até o hospital Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu.

Vídeo divulgado pelo SBT mostra um grupo de ao menos oito policiais abordando Mbaye de forma brusca para apreender sua mercadoria. Ele puxa o carrinho que carregava os produtos, tentando se proteger, e passa a ser agredido com cassetete por vários dos policiais. O ambulante revida com uma barra de ferro e tenta fugir com o carrinho. Nesse momento, um dos policiais atira no trabalhador.

Após o ocorrido, ambulantes realizaram uma manifestação espontânea na região, que foi reprimida pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha. A Tropa de Choque chegou a ser acionada.

Trabalhadores ambulantes e imigrantes da região farão uma nova manifestação às 9h deste sábado (12), na Rua Rangel Pestana, 2060, no Brás, de acordo com a atriz e ativista Mariama Bah, que esteve no local após o ocorrido. “Eu falei com algumas pessoas que estava ali, tem pessoas também machucadas, que levaram balas de borracha”, ela conta, em entrevista ao Brasil de Fato. De acordo com os relatos, Mbaye “ficou lá por muito tempo sem ser socorrido, ele quase morreu no local”, conta Mariama, que é nascida em Gâmbia, mas tem família em Senegal.

A vereadora Luana Alves (Psol-SP) também esteve no local e presenciou a manifestação. “Acabei de tomar bomba”, disse, em vídeo divulgado em suas redes sociais.

“A gente está cansado de ver a polícia militar do Tarcísio indo pra cima de quem é trabalhador, de quem é ambulante, de quem é camelô. Isso é fruto de uma negligência. Não tem políticas públicas de regularização do ambulante. É por isso que estou propondo a CPI para investigar a violência contra trabalhadores ambulantes, artesãos e artistas de rua de São Paulo”, afirmou. “Isso aqui infelizmente é uma tragédia anunciada. A gente vai cobrar justiça, não aceitamos nenhuma pessoa assassinada pela polícia do Tarcísio.”

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP-SP) informou que a Polícia Militar instaurou um inquérito para investigar o ocorrido e afastou das atividades operacionais o agente envolvido na morte de Mbaye.

“O homem, que agrediu um policial militar com uma barra de ferro, foi socorrido à Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu ao ferimento. A barra utilizada na agressão foi apreendida, assim como a arma do agente. A ocorrência foi registrada no 8º Distrito Policial como morte decorrente de intervenção policial e tentativa de homicídio. O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)”, diz o texto.

Em entrevista ao Brasil Urgente, da TV Band, um oficial da PM que se identificou como capitão Anderson afirmou que o agente afastado estava “trabalhando na folga” de forma voluntária.

sábado, 12 de abril de 2025

Acolhimento a brasileiros repatriados dos Estados Unidos indica fortalecimento da política migratória no Ceará e no Brasil

 

5º voo de brasileiros repatriados recepcionado no Ceará chegou nesta sexta-feira (10)

Ao fim de 2024, o Brasil contava com 1.726.872 registros ativos de migrantes, segundo o Boletim da Migração no Brasil. O material do departamento de Migração do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) também apresenta dados relacionados aos brasileiros vivendo fora do país. Até 2023, 4.996.951 cidadãos brasileiros estavam nessa condição, sendo os Estados Unidos o país com maior número de brasileiros residentes.

Esses dados reforçam o quanto a migração é um fenômeno inerente à humanidade, e o quanto o Brasil está inserido nesse contexto. Em regime interno ou internacional, a migração acontece por motivos diversos, muitas vezes com pessoas em busca de melhorias de vida e oportunidades, em outras de forma forçada. A fim de promover uma migração segura e ordenada, o Governo do Ceará tem fortalecido as ações voltadas à construção de políticas estaduais de atendimento a migrantes.

Nesse sentido, a Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih), que desde 2024 conta com unidades do Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante (PAAHM) na rodoviária e no aeroporto de Fortaleza, tem contribuído com a consolidação de políticas nessa temática tanto em âmbito estadual como federal. Desde o dia 7 de fevereiro, equipes da Secretaria participam de operações de acolhimento a brasileiros repatriados dos Estados Unidos realizadas em Fortaleza. Nesta sexta-feira (11), um grupo de 96 pessoas foi recepcionado na quinta operação realizada na capital cearense este ano.

“O Ceará é referência na política de migração, trabalhando com o viés da mobilidade humana segura. Aquele que sai do país se arrisca, fica vulnerável. O Estado do Ceará está trabalhando junto com o Governo Federal para garantir que todos os deportados possam ir para os seus destinos, para suas casas, suas famílias, com segurança”, afirma Jamina Teles, supervisora do Programa Estadual de Atenção ao Migrante, Refugiado e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

O governo dos Estados Unidos estabeleceu restrições a migrantes em 2025, ocasionando uma série de deportações. Nesse contexto, o Governo Federal brasileiro, por meio de atuação interministerial, adotou uma série de medidas para garantir um acolhimento humanizado aos cidadãos que estão retornando ao Brasil. A chegada do voo na capital cearense foi priorizada com o objetivo de reduzir o tempo de restrição física dos repatriados, devido à proximidade da capital cearense com o país norte americano, bem como da existência do PAAHM no aeroporto.

Garantia de direitos

“A partir de articulação da Sedih, os repatriados recebem kits de higiene pessoal básica, além de kits de alimentação e água. Nossa equipe também está disponível nas operações para contribuir com atendimento psicossocial e apoio no processo migratório. O Governo do Ceará não tem medido esforços para garantir a humanização nessa recepção, lembrando que todas as pessoas devem ser tratadas com dignidade”, reforça a secretária dos Direitos Humanos, Socorro França.

As operações de acolhida representam uma força-tarefa que envolve representantes de diversas instituições do Governo Federal, do Governo do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), além de representantes do Sistema de Justiça e da Agência da ONU para Migração (OIM). Com a acolhida, é proporcionada a garantia de direitos desde o primeiro momento em que chegam no Brasil.

“O ideal é que o país conseguisse absorver essas pessoas, entender o seu potencial, regularizá-los e trazer para junto do país todo o potencial que essas pessoas têm a oferecer. Estamos em um outro contexto, em que temos um país realizando deportação. A importância da nossa atuação é garantir a chegada humanizada dessas pessoas, e que os direitos humanos delas estejam completamente atendidos ao pisar em solo brasileiro, se regularizando na Polícia Federal dando entrada como cidadãos brasileiros no país”, explica Socorro Tabosa, oficial nacional de projetos da Agência da OIM.

Casos de deportação em massa apontam para a necessidade de um olhar direcionado a possíveis casos de violação de direitos, como tráfico de pessoas e contrabando de migrantes. A partir da coleta de dados de cada repatriação, o objetivo das instituições é seguir com um trabalho de prevenção e conscientização, evitando a persistência desse fluxo migratório e possibilitando a reintegração social.

“Com essas informações a gente pode construir políticas públicas mais adequadas para garantir a permanência do brasileiro aqui no Brasil ou que, se quiser viajar, ele viaje de forma regular”, reforça Socorro Tabosa.

Política Nacional

As políticas de atenção ao migrante tem se fortalecido no Brasil com os debates para a consolidação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia. Em 2024, o Governo do Ceará realizou a 1ª Conferência Estadual de Migração Refúgio e Apatridia do Ceará (Comigrar-CE) que, juntamente com outros eventos ao redor do país, contribuiu com a 2ª Conferência Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (Comigrar). Os Estados apresentaram propostas para integrarem a Política Nacional, que deve ser publicada ainda em 2025.

“O Fórum Nacional de Lideranças Migrantes foi criado ano passado pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), para fortalecer e ajudar os migrantes a se organizarem nessa interlocução. E a gente não pode criar uma divisão: os repatriados são migrantes. O que tenho observado é que o fato de estarmos olhando para os nossos migrantes está ajudando a gente a pensar nos migrantes que chegam no Brasil, além de inserir a pauta migratória do Brasil em um contexto internacional”, afirmou Ana Maria Raietparvar, da Coordenação-Geral de Promoção dos Direitos das Pessoas Migrantes, Refugiadas e Apátridas do MDHC.

https://www.ceara.gov.br/

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sexta-feira, 11 de abril de 2025

Estão abertas as inscrições para processo seletivo online para refugiados

 

A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) abriu hoje (10/4) as inscrições para o Processo Seletivo Aberto voltado a estudantes estrangeiros em situações de refúgio ou de risco no país de origem, além de migrantes beneficiários de políticas humanitárias do governo brasileiro. O processo seletivo será oferecido pela primeira vez pela Unicamp de maneira sistematizada e online para ingresso em seus cursos de graduação. As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas até 30 de abril de 2025, exclusivamente na página eletrônica da Comvest. São oferecidas 45 vagas, em 26 opções de cursos de graduação. O Edital com as regras está disponível na página da Comvest. No momento da inscrição, os candidatos deverão escolher uma opção única de curso e indicar em qual dos três idiomas oferecidos farão a prova (espanhol, inglês ou português). Somente podem se inscrever no processo pessoas dos perfis indicados acima que estejam cursando ou já tenham cursado ensino superior no exterior.

Como serão as três fases

O Processo se realizará em três fases de caráter eliminatório e classificatório. As três fases são: 1) Prova de Leitura e Interpretação de Textos (PLIT) e Prova de Conhecimentos Específicos (PCE) relativos às grandes áreas de conhecimento; 2) Prova de Redação; 3) Análise de Compatibilidade Curricular.

A Prova de Leitura e Interpretação de Textos (PLIT), a Prova de Conhecimentos Específicos (PCE) e a Prova de Redação (PR), obrigatórias a todos os candidatos, serão realizadas no dia 18 de maio de 2025, a partir das 13 horas (horário de Brasília), de maneira online. As orientações para a realização da prova, bem como os protocolos do ambiente virtual, estarão disponíveis na página eletrônica da Comvest.AProva de Leitura e Interpretação de Textos será constituída de oito questões objetivas de leitura e interpretação. A Prova de Conhecimentos Específicos será constituída de 12 questões objetivas relativas à área específica do curso escolhido na inscrição (Ciências Humanas/Artes ou Ciências Exatas/Tecnológicas ou Ciências Biológicas). Na Prova de Redação, será exigida uma produção textual de no mínimo 1.400 caracteres e no máximo 2.800 caracteres. Os programas de estudo e orientações para as provas estão disponíveis na página da Comvest.

Os candidatos têm no máximo três horas para a realização das provas e deverão se conectar ao ambiente virtual às 13 horas (horário de Brasília), para eventual suporte de questões técnicas necessárias para realizar o exame. A prova terá início às 14 horas (horário de Brasília). Após esse horário, não será permitido o ingresso de candidatos na plataforma.

Para a fase de Análise Curricular, será convocado um número de candidatos equivalente a três vezes o número de vagas no curso. A lista de candidatos convocados para a fase de Análise Curricular será divulgada no dia 2 de junho de 2025,e os selecionados precisam enviar digitalmente a documentação exigida e descrita no Edital entre os dias 3 e 6 de junho de 2025. A Análise de Compatibilidade de Currículo compete à Comissão de Graduação do curso pretendido, e os critérios constam do Edital. No mesmo período, os candidatos deverão enviar, também, a documentação comprobatória da situação de refúgio ou risco, conforme especificada no Edital.

Matrículas

A lista de convocados para a matrícula será divulgada na página da Comvest, no dia 14 de julho de 2025,e a matrícula deverá ser realizada de maneira remota, pela internet. No ato da matrícula deverão ser enviadas cópias digitalizadas do original ou autenticadas em cartório dos documentos indicados no Edital do processo.

Os estudantes aprovados poderão se inscrever, no período de 7/7 a 5/8/25, na condição de estudantes especiais, na disciplina de Língua Portuguesa para estrangeiros, a ser ministrada no segundo semestre de 2025. O ingresso regular no curso escolhido ocorrerá no primeiro semestre de 2026.

Importante: a Unicamp recomenda aos aprovados não cancelarem a matrícula em sua instituição de ensino original antes da efetivação da matrícula na Unicamp.

Acolhimento e suporte na Unicamp

A Unicamp vem se destacando na promoção do acesso à educação superior para pessoas refugiadas por meio da Cátedra “Sérgio Vieira de Mello” (CSVM). Em vigência na Unicamp desde 2019, a cátedra é uma iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), em cooperação com universidades. Atualmente, a cátedra atua em 44 instituições brasileiras.

Segundo os dados mais recentes da ACNUR, entre 2023 e 2024, a CSVM promoveu o acesso de 750 pessoas refugiadas ao ensino superior no Brasil, momento em que o deslocamento forçado atingiu níveis históricos em todo o mundo. O Relatório de 2024 da ACNUR aponta que 122 milhões de pessoas precisaram fugir de suas casas em decorrência de perseguição política, conflitos armados, crises humanitárias ou catástrofes naturais.

Por meio da Cátedra, a Unicamp já contava com um processo de ingresso simplificado para refugiados, mas ainda sem a possibilidade de realizar uma prova à distância. Desta maneira, espera-se que a prova online permita que pessoas que ainda não chegaram ao Brasil também possam se candidatar. Atualmente, a Unicamp conta com 54 alunos provenientes de países como Síria, Irã, Cuba, Congo, Rússia, Afeganistão e Serra Leoa, entre outros, sendo 44 deles na graduação e dez em cursos de pós-graduação.

Após ingressar na Unicamp, a universidade oferece uma rede de suporte por meio de variadas ações e órgãos, tais como uma parceria com o centro de línguas, que tem o curso de português como idioma de acolhimento, do serviço de atendimento psicológico, de bolsas de permanência e do atendimento no Centro de Saúde da Comunidade, que oferece consultas ambulatoriais e vacinas.

Calendário

ABRIL 
10 a 30 de abril de 2025Inscrições gratuitas para o Processo Seletivo Aberto, através do preenchimento do formulário de inscrição na página da Comvest na internet
14 de abril de 2025Publicação do Manual do Candidato, com orientações sobre a plataforma de provas e demais informações
MAIO 
18 de Maio de 2025, a partir das 13h00 (horário de Brasília)Aplicação das provas: Prova de Leitura e Interpretação de Texto (PLIT), Prova de Conhecimentos Específicos (PCE) e Prova de Redação (PR)
JUNHO 
2 de junho de 2025Divulgação da lista de candidatos convocados para a fase de Análise de Compatibilidade de Currículo, na página da Comvest
3 a 6 de junho de 2025Entrega de documentos dos convocados para a fase Compatibilidade de Currículo
JULHO 
14 de julho de 2025Divulgação da lista de convocados para matrícula
7 de julho de 2025Abertura para inscrição do candidato(a) em disciplina específica de Língua Portuguesa para estrangeiros na condição de estudante especial, a ser ministrada no 2° semestre de 2025
AGOSTO 
5 de agosto de 2025Prazo final para inscrição do candidato(a) em disciplina específica de Língua Portuguesa para estrangeiros na condição de estudante especial, a ser ministrada no 2° semestre de 2025
JANEIRO/2026 
12 de janeiro de 2026Matrícula dos candidatos convocados, na página da Comvest na internet
FEVEREIRO/2026 
5 a 6 de fevereiro de 2026Prazo para matrícula em disciplinas de todos os candidatos aprovados no Processo Seletivo Aberto  

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Estudo avalia desigualdade econômica no Rio Grande do Sul

 



Em 2023, o Rio Grande do Sul foi o Estado brasileiro com o quarto maior rendimento domiciliar per capita. O valor de R$ 2.255 foi 22% acima da média nacional. Entretanto os dados revelam que o desafio de romper a desigualdade racial ainda persiste: enquanto o rendimento da população preta ou parda foi de R$ 1.512, o da população branca foi de R$ 2.486, equivalente a 1,6 vez mais. No Brasil, a diferença é ainda mais acentuada, de 1,9. Dados do mesmo ano mostram que 27,9% dos pretos ou pardos viviam em situação de pobreza no país, mais que o dobro da proporção de pobres entre os brancos, que foi de 13,4%.  

A análise está compilada no estudo “Redução das desigualdades: o ODS 10 no Rio Grande do Sul”, produzido pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). O documento, divulgado nesta terça-feira (8/4), tem autoria do pesquisador Guilherme Risco e faz parte da série que acompanha a evolução do Estado em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), cujo prazo para cumprimento é 2030. O ODS 10, tema do estudo, se refere à Redução das Desigualdades. 

O estudo compara dados de 2015 a 2023, sempre que disponíveis, por meio de informações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outros.  

Em 2023, a renda dos 40% mais pobres no Rio Grande do Sul foi equivalente a 9,4% da renda dos 10% mais ricos. No Brasil, o percentual foi de 7%. O histórico de análises indica que, de 2015 a 2018, houve queda de rendimento entre os mais pobres. O cenário melhorou nos anos seguintes, de 2018 a 2023, quando a renda de todos os grupos variou positivamente. Apesar do avanço, permanece uma diferença de renda significativa entre os mais pobres e os mais ricos.   

PIB 

Um dos indicadores usados pelo DEE para aferir a desigualdade no Estado é a participação das remunerações no Produto Interno Bruto (PIB), que se refere à parcela da renda gerada no país que fica com os trabalhadores. Os dados disponíveis abrangem os anos de 2015 a 2021.  

No Rio Grande do Sul, a proporção do componente remuneração no PIB foi de 42,3% em 2015. A proporção diminuiu em 2021, último ano da série que analisa esse dado, quando passou para 36,9%. A redução também foi observada no Brasil, onde a proporção foi de 44,6% em 2015 e de 39,2% em 2021. 

Na comparação com os demais Estados brasileiros, o Rio Grande do Sul detinha a 6ª menor proporção no país em 2021, e a 7ª em 2015. Nesse período, o Distrito Federal foi a única unidade federativa com aumento da remuneração (1,5 pontos percentuais), enquanto o Pará foi a que teve a maior redução (14 pontos percentuais). 

Migração  

Uma das metas para a redução da desigualdade consiste em facilitar a migração e promover a integração de migrantes e refugiados à sociedade que os recebe. Segundo o relatório do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), projeto da Universidade de Brasília em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, 50.355 imigrantes solicitaram refúgio no Brasil em 2022, sendo a maior parte deles (67%) de origem venezuelana.

O Rio Grande do Sul foi a oitava unidade federativa com mais solicitações (855), sendo a maior parte delas de imigrantes de Cuba (22%), de Gana (19%), da Venezuela (14%), da África do Sul (10%) e do Haiti (9%). 

Um estudo elaborado em 2021 pelo DEE constatou que os imigrantes que chegam ao Rio Grande do Sul são, em sua maioria, jovens e homens. Os locais de residência concentram-se na Região Metropolitana, em grandes cidades ou em municípios próximos às fronteiras do RS.  

O documento indica que, entre 2018 e 2020, foram identificados 29.357 imigrantes no Estado. Os dados, do Sistema de Registro Nacional Migratório (Sismigra), ressaltam que 19 mil pessoas que imigraram ao RS estão presentes no Cadastro Único, indicando um número significativo em vulnerabilidade social.

Texto: Karine PaixãEdição: 

Secom


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