quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Igreja tem mandato evangélico do acolhimento, da proteção

A diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) afirmou que as comunidades cristãs têm a obrigação de mostrar que é “possível viver o acolhimento, a proteção, a integração e a promoção”, com os refugiados e migrantes.
“O primeiro apelo é às comunidades. Temos um mandato evangélico que fala do acolhimento, que nos fala da proteção, que nos diz que em todas as nações há discípulos de Cristo, por ai começa o primeiro mandato”, referiu Eugénia Quaresma à Agência ECCLESIA, a respeito da próxima celebração do Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que a Igreja Católica assinala este domingo.
A diretora da OCPM afirma que “ao cuidar” dos migrantes e refugiados cada pessoa também cuida de si, dos seus “medos, saber o que assusta” e superar “estes medos promovendo o encontro e acolhimento”.
A entrevistada destaca o “apelo muito incisivo” para o modo como a “sociedade vive a humanidade” e a “tónica está sobre a exploração humana”, o tráfico de seres humanos e “a responsabilidade de cada um, não só do cidadão, do consumidor, mas também das empresas, de todos”.
O Papa Francisco escolheu o tema ‘Não se trata apenas de migrantes’, e o subtema ‘trata-se também dos nossos medos’, para o 105.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado.
“O tema é muito bonito, até pela forma pedagógica com que nos foi sendo apresentado, parte da mensagem bíblica, depois há uma mensagem do magistério e depois exemplos práticos, como é que a palavra pode ser posta em prática no dia-a-dia”, desenvolve Eugénia Quaresma.

A diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações realça que o movimento migratório já “é a denúncia que alguma coisa não está bem”, mas depois “pode ser positivo”, uma “oportunidade de crescimento”.
“Há vários motivos e cabe a nós perceber quem é que temos ao lado e por que razões, e vamos perceber olhando, escutando e compreendendo as razões. Olhando para os migrantes e refugiados como irmãos e irmãs, como pessoas que nos podem ajudar a construir uma sociedade melhor as coisas mudam”, prosseguiu.
Neste contexto, recorda às comunidades cristãs a necessidade de abertura “a quem chega de novo”, o que permite “não ficar tão presos à estrutura”, com a ajuda de “rostos novos, experiências novas de viver a fé”.
Eugénia Quaresma salienta que os migrantes e refugiados “não são um extra à calendarização pastoral”, porque têm um “potencial evangelizador” que “tem de ser cada vez mais valorizado e posto ao serviço das comunidades”.
A diretora da OCPM observa também que em Portugal as notícias sobre este tema mostram “boas políticas, escritas no papel”, mas o problema está na “prática, na morosidade dos serviços” que “vão criando dificuldades acrescidas aos cidadãos de outras terras”.
O Papa Francisco vai presidir à Eucaristia do DMMR, este domingo, na Praça São Pedro e convidou à participação na celebração, na Praça de São Pedro, “para expressar proximidade com migrantes e refugiados de todo o mundo através da oração”.
A Seção para os Migrantes e Refugiados da Santa Sé preparou diversos materiais para a celebração deste Dia Mundial e convidou os fiéis a partilharem a sua vivência/celebração, através do endereço media@migrants-refugees.va.
Agencia Eclesia
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Comissão para o Enfrentamento ao Tráfico Humano aposta em articulação regional






Comissão para o Enfrentamento ao Tráfico Humano aposta em articulação regional






Articulação é a palavra forte no planejamento da Comissão Especial Pastoral para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 
Reunidos na Casa de Retiros Assunção, em Brasília (DF), nestes dias 24 e 25 de setembro, os membros partilharam sobre o trabalho desenvolvido pelos grupos representados, pensaram em sugestões para levar ao Sínodo para a Amazônia, elaboraram contribuições para a continuidade do trabalho e indicaram pistas para fortalecer a relação com redes que atuam na realidade do tráfico de pessoas e da migração.
“A comissão agora está em processo de rearticulação para ter uma incidência maior em nível nacional e também nos regionais da CNBB, nas Pastorais Sociais, nas fronteiras, com alguns enfoques específicos, como as crianças, adolescentes, jovens, as mulheres”, resumiu o bispo da prelazia de Marajó (PA), dom Evaristo Spengler, que a partir de novembro assumirá a presidência da Comissão.
A busca de maior incidência está no horizonte de atuação do grupo que atua na prevenção ao tráfico humano, na incidência política e na denúncia e responsabilização dos culpados. De acordo com a irmã Eurides Alves de Oliveira, representante da Rede Um Grito Pela Vida, o contexto atual apresenta aumento na mobilidade humana com fluxos intensos, “a miséria bate à porta com muita força” e as crianças são as maiores vítimas.
Neste “cenário desolador”, o papel da Comissão é dar visibilidade às realidades, sobretudo nos processos de evangelização da Igreja, “que muitas vezes são doutrinários, catequéticos, mas não abordam essas questões”, aponta a religiosa. A ideia é fazer uma sensibilização eclesial para os diversos organismos e pastorais pautarem essas problemáticas, para que alertem a sociedade e deem visibilidade.
O grupo deve se empenhar para descobrir iniciativas que existem nos regionais e tentar agregar força para uma atuação mais efetiva em rede, além de buscar ter uma palavra profética diante dos desmontes das políticas públicas e também incentivando as denúncias.
Para irmã Marie Henriqueta Cavalcante, da Comissão Justiça e Paz do Regional Norte 2 da CNBB, estas proposições consideram que o tráfico de pessoas “é um crime extremamente organizado, silencioso, invisível”. “Então nós pensamos que nos regionais a gente ainda precisa falar muito mais desse tema em outros espaços e articular e fortalecer a Comissão nos outros regionais”. Irmã Marie também pontua para a necessidade de incidir politicamente e integrar os trabalhos que já existem nas áreas de fronteira.
Sínodo para a AmazôniaA Comissão para o Enfrentamento ao Tráfico Humano da CNBB tem entre seus membros três participantes do Sínodo para a Amazônia convocados pelo Papa Francisco. Eles terão a oportunidade de reforçar a importância da temática na assembleia sinodal.
Dom Evaristo reforça que o tema já está posto para o debate, uma vez que já está presente no documento de trabalho. “Nós queremos agora que haja algum compromisso formal no documento sinodal em relação a esta chaga humana que tem sido denunciada em todo o mundo”, afirma o bispo.
Para o prelado, é importante dar relevo à questão do tráfico humano, da exploração sexual, do abuso sexual, “que é uma prática encontrada no Brasil inteiro, mas de modo especial a Amazônia sofre muito com isso”.
“São corpos de crianças, adolescentes, meninas e meninos que são degradados, não são vistos como um ser humano, mas como um objeto de lucro, como objeto de prazer. E a pessoa humana tem que ser valorizada. E o sínodo vai dar uma palavra importante na defesa das crianças, adolescentes, na defesa da vida dos mais fragilizados”.
Articulação com redesPara ao planejamento de 2020, a Comissão deverá aprimorar a relação com redes que já atuam no enfrentamento ao tráfico. “O grande desafio é esta articulação da Comissão com essas outras redes que já tem um trabalho de enfrentamento ao tráfico de pessoas em nível de Brasil. A gente tem fortalecido essas articulações com as redes que tem nas regiões de fronteira que já fazem um trabalho tanto de prevenção, de incidência política e relação com as redes que trabalham com os migrantes”, conta a irmã Rose Bertoldo, que atua na Rede Um Grito pela Vida e no Eixo de Fronteiras da REPAM.
Entre as ações na parceria com as redes o grupo colabora na formulação de políticas públicas voltadas para a realidade da migração e do tráfico de pessoas, na formação de lideranças nos regionais e na articulação destes regionais com as redes locais que existem. Tudo isso tem sido promovido até o momento por meio de Seminário de formação e capacitação de lideranças.
São algumas das redes que já atuam neste campo: Rede Clamor, do Conselho Episcopal Latino Americano; a REDEMIR, articulada pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos para a realidade de Migrantes e Refugiados, o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, a rede da Tríplice Fronteira (Brasil, Peru e Colômbia), a rede internacional Thalita Kum, articulada pelas Superioras Gerais de congregações religiosas, além da REPAM entre outras.
As prioridades da Comissão para os próximos anos:
  • Incidência nos Regionais e nas pastorais sociais para uma agenda comum para enfrentamento ao tráfico de pessoas
  • Inclusão da temática nas prioridades das Pastorais Sociais no plano 2019-2023
  • Articulação com as organizações que estão atuando com educação para sensibilização e prevenção
  • Fortalecimento do papel de articulação da Comissão em todo o país
  • Incidência política e profética na temática do enfrentamento ao tráfico de pessoas
  • Aproximação das iniciativas nas fronteiras
  • Dar ênfase ao tema do enfrentamento ao tráfico de pessoas na Semana Social Brasileira
  • Ampliação da articulação entre organizações nacionais que atuam nos temas afetos à comissão em plano nacional e internacional
  • Aproveitar o ambiente do Sínodo para incidência da temática
  • Ampliação do olhar e do conceito de fronteiras para além da terrestre
CNBB
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Migrações e Sínodo para a Amazônia

Seminário sobre “Migração e Políticas Públicas”, com representantes do Regional Norte 1 da CNBB. Nas últimas duas décadas, os desafios de ordem social e pastoral ligados à mobilidade humana ocupam um lugar de destaque no calendário desse regional devido, sobretudo, à presença de milhares de migrantes haitianos e venezuelanos. Uns e outros, de resto, estão se espalhando por todo o território nacional.

As cidades de Pacaraima e Boa Vista, no estado de Roraima, por um lado, e as cidades de Tabatinga e Manaus, no estado do Amazonas, por outro, formam o corredor de entrada dos migrantes em fuga, tanto do Haiti, a partir do terremoto de 2010, quanto da Venezuela, com a crise dos últimos anos. Devido a esse afluxo inédito, a Pastoral dos Migrantes, com a ajuda de vários parceiros, tem multiplicado esforços para a acolhida e inserção de tantas pessoas e famílias. As exigências são múltiplas: documentação, trabalho, moradia, saúde, educação!...

No processo do Sínodo para a Amazônia, o tríplice olhar profético do Antigo Testamento traz alguma luz para iluminar as ações pastorais e sociopolíticas. Na primeira dimensão desse olhar, subjaz um “lembra-te”. Lembra-te que foste escravo no Egito: o Senhor te fez sair das garras do Faraó e te conduziu a uma “terra onde corre leite e mel”. Trata-se de um eco que vem dos livros do Êxodo e Deuteronômio. Por isso, “quando estiveres ceifando a colheita em teu campo e esqueceres um feixe, não voltes para pegá-lo (...), quando vindimares a tua vinha, não voltes a rebuscá-la, não repasses os ramos. O resto será do estrangeiro, do órfão e da viúva” (Dt 24,18-21). A primazia é a defesa dos mais vulneráveis.

A segunda dimensão nos leva a uma denúncia da ordem estabelecida. Os profetas põem a nu a opressão e as calamidades que pesam sobre os ombros do povo. Aqueles que outrora foram escravos no Egito agora tendem a oprimir seus próprios irmãos. Daí a advertência: “Escutem chefes de Jacó e senhores das tribos de Israel, vocês não deveriam conhecer a justiça e o direito. Por que odeiam o bem e amam o mal?” (Mq 3,1). E ainda: “Vocês vendem o pobre por um par de sandálias” (Am 2,6). Aqui, as etapas do Sínodo têm servido para revelar os abusos e a falta de políticas públicas quanto à defesa das populações mais ameaçadas, entre elas indígenas, migrantes e comunidades quilombolas.

A terceira e última dimensão abre o horizonte do anúncio. Este remete à aliança de Deus com seu povo e à experiência fundante da libertação do Egito. Certo que a situação é difícil e até caótica: os migrantes em fuga acabam encontrando povoados pobres e com poucas condições de os acolher. Mas o Senhor não esquece sua promessa. Caminha com o povo pelas estradas do êxodo, do deserto, da floresta, do exílio, da diáspora e da dispersão. O poema da “Jerusalém celeste” (Is 65,17ss) e o conceito do “Dia do Senhor” (Am 5,18-24) são uma espécie de faróis que apontam para o Reino de Deus. Jesus retoma a experiência do Deus a caminho que “percorre cidades e aldeias (...), encontra as multidões cansadas e abatidas” (...) e sente compaixão” (Mt 9,35-38). O Sínodo para a Amazônia e a Pastoral dos Migrantes, com todos os agentes que atuam na região, tocados pela compaixão do Mestre, podem assim orientar-se sobre políticas públicas que levem em conta não apenas os grupos privilegiados, mas o bem-estar de toda a população.
Jornal o São Paulo
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Conheça oito refugiados que estão lutando pelo planeta

Mesmo longe de casa, esses refugiados fazem sua parte para combater as mudanças climáticas.
Assim como as lideranças e ativistas que participaram da Conferência do Clima 2019 da ONU, em Nova Iorque, muitos refugiados já se conscientizaram de que não é preciso ser um chefe de estado para entrar nessa luta.
Conheça a história de oito deles, que estão tomando ações concretas para combater os efeitos adversos das mudanças climáticas nos países que os receberam.
Mesmo longe de casa, esses refugiados fazem sua parte para combater as mudanças climáticas. Foto: ACNUR.
Mesmo longe de casa, esses refugiados fazem sua parte para combater as mudanças climáticas. Foto: ACNUR.
“Nossa casa está em chamas — vamos agir de acordo.” É dessa forma que a jovem ativista Greta Thunberg ilustra a crise climática global, que pode ser a luta de nossas vidas. Afinal, é uma luta que, se perdida, pode nos custar tudo.
E ninguém conhece os riscos e a realidade de se perder tudo melhor do que um refugiado. Para aqueles que fugiram por conta da guerra, violência e perseguição, a ameaça iminente das mudanças do clima já é real demais.
Assim como as lideranças e ativistas climáticos que se encontraram em Nova Iorque para a Cúpula de Ação do Clima, muitos refugiados já se conscientizaram de que não é preciso ser um chefe de estado para entrar nessa luta.
Conheça oito refugiados que estão ativamente engajados nessa luta global, tomando ações concretas para combater os efeitos adversos das mudanças climáticas. A matéria é da Agência da ONU para Refugiados.

Céline, Empreendedora

Céline Semaan fugiu da guerra no Líbano. Foto: Slow Factory | Direly Carter.
Céline Semaan fugiu da guerra no Líbano. Foto: Slow Factory | Direly Carter.
Céline Semaan é a fundadora de um laboratório de design que está lutando para colocar a sustentabilidade ambiental no coração da indústria da moda – e além.
Ela é também uma ex-refugiada, cujas primeiras memórias são a sua fuga da guerra que devastou o Líbano quando ela tinha por volta de três anos de idade.
Como estilista, Céline tem um profundo senso de responsabilidade em criar itens bonitos e produzidos eticamente – um sentimento impulsionado por sua experiência como refugiada, pois sabe com que facilidade as coisas podem se tornar tiranas.
E o futuro? Céline está abrindo uma instalação industrial que transformará resíduos de plástico e resíduo têxtil em novos materiais.

Omar, Líder da Juventude Sudanesa no Egito

Omar é refugiado sudanês no Egito. Foto: ACNUR | Pedro Gomes.
Omar é refugiado sudanês no Egito. Foto: ACNUR | Pedro Gomes.
Omar é um dos 50 refugiados que trabalham para combater a poluição plástica do rio Nilo. Voluntariando-se ao lado de 800 egípicios locais, refugiados de cinco países ajudam a remover plásticos de ilhas flutuantes que se acumularam nas margens do Nilo, no centro do Cairo. Em apenas um dia, os voluntários já removeram 11,5 toneladas de lixo.
Como fundador de um grupo de jovens que ajuda outros refugiados sudaneses a se integrarem às comunidades locais, Omar espera que seu voluntariado mude a percepção negativa que alguns locais têm dos refugiados.
“Hoje, os voluntários egípcios voltam para casa e dizem aos pais que refugiados de diferentes comunidades os ajudaram a limpar o Nilo, e isso mudará sua compreensão de nós para melhor”, contou.

Gharam, funcionária ecológica no Líbano

Gharam é refugiada síria no Líbano. Foto: ACNUR | Houssam Hariri.
Gharam é refugiada síria no Líbano. Foto: ACNUR | Houssam Hariri.
Gharam é uma das primeiras refugiadas recicladoras contratadas para enfrentar a crise de lixo que assola o Líbano desde 2015.
A viúva síria conseguiu seu primeiro emprego remunerado no Recycle Beirut, um projeto inovador que visa reduzir os transbordantes aterros sanitários de Beirute e, ao mesmo tempo, oferecer trabalho decente aos refugiados sírios que estão em situação de vulnerabilidade.
Para Gharam, esse trabalho ecológico é mais do que apenas um meio de pagar o aluguel. “Eles estão com uma crise de resíduos agora e estamos ajudando-os”, relatou.
Como lar de mais de um milhão de refugiados sírios registrados, o Líbano abriga mais refugiados per capita do que qualquer outro país do mundo.

Abraham, campeão em plantar árvores

Abraham Bidal é refugiado sul-sudanês em Uganda. Foto: ACNUR | Michele Sibiloni.
Abraham Bidal é refugiado sul-sudanês em Uganda. Foto: ACNUR | Michele Sibiloni.
Ele não conseguiu parar a guerra da qual fugiu, mas Abraham Bidal e seus companheiros refugiados podem plantar árvores e cuidar da terra que os acolheu.
Abraham é agora um defensor do plantio de árvores em Uganda, promovendo um movimento para conservar o meio ambiente em seu novo país.
“Plantar árvores é importante porque as árvores são vida. Se um dia voltarmos ao Sudão do Sul, podemos deixar este lugar como o encontramos”, contou.
O ACNUR está trabalhando com o governo de Uganda para plantar 8,4 milhões de mudas de árvores em 2019 e restaurar centenas de hectares de árvores em reservas e plantações.

Annick, Empreendedora de Energia Limpa

Annik, do Burundi, é refugiada em Ruanda. Foto: ACNUR | Anthony Karumba.
Annick, do Burundi, é refugiada em Ruanda. Foto: ACNUR | Anthony Karumba.
Kigali, em Ruanda, é conhecida como uma das cidades mais limpas e verdes da África – e refugiados como Annick estão ajudando a manter as coisas assim.
A empresária do Burundi, Annick, ganha a vida vendendo gás de energia limpa ou gás de petróleo líquido, e os negócios estão crescendo.
Annick não é apenas financeiramente independente e uma empreendedora de sucesso. Ela também está impulsionando a economia local ao criar empregos ecologicamente corretos. Esta é uma situação em que todos saem ganhando –  refugiados, Ruanda e o meio ambiente.

Teteh, Inovador de Abrigos no Deserto

Teteh, jovem refugiado saharaui na Argélia. Foto: ACNUR | Russell Fraser.
Teteh, jovem refugiado saharaui na Argélia. Foto: ACNUR | Russell Fraser.
Conheça Teteh, um jovem refugiado que projeta e constrói abrigos com garrafas de plástico descartadas para os refugiados mais vulneráveis que vivem no deserto do sudoeste da Argélia.
Graças ao seu mestrado em eficiência energética e seu espírito inovador, Teteh provou que os seus abrigos duráveis são uma alternativa mais forte e sustentável às fortes chuvas e às fortes tempestades de areia no clima severo do deserto, onde dezenas de milhares de refugiados saharauis vivem há cerca de 40 anos.

Refugiados Rohingya estão abraçando a tecnologia verde

Refugiada Rohingya em Bangladesh. Foto: ACNUR | Kamrul Hasan.
Refugiada Rohingya em Bangladesh. Foto: ACNUR | Kamrul Hasan.
Nos dois anos desde que cerca de 740.000 refugiados da etnia rohingya fugiram de uma violência indescritível em Mianmar, vários deles assumiram papéis-chave na resposta humanitária.
No centro deste trabalho estão os principais esforços para compensar os danos ambientais por meio da inovação e da tecnologia não poluente.
Desde projetos agrícolas liderados por refugiados que combatem os efeitos do desmatamento e da erosão, a sistemas de água potável movidos à energia solar que reduzem custos e emissões de energia, esses refugiados estão liderando iniciativas que visam promover uma mudança humanitária que se utiliza do uso de tecnologia verde.

Abdullah, supervisor de energia solar

Abdullah, refugiado sírio na Jordânia. Foto: ACNUR | Lilly Carlisle.
Abdullah, refugiado sírio na Jordânia. Foto: ACNUR | Lilly Carlisle.
Na Síria, Abdullah podia confortavelmente sustentar sua crescente família como eletricista. Agora, como refugiado na Jordânia, esse pai de cinco crianças usa suas habilidades como supervisor na usina de energia solar em Azraq, o primeiro campo de refugiados de energia limpa do mundo.
Abdullah pode sustentar sua família com dignidade, sabendo que sua expertise em energia renovável colabora com o planeta e também ajuda seus companheiros sírios a iluminar suas casas, carregar seus telefones e refrigerar suas comidas.
No campo de refugiados ao lado, Za’atari, a maior usina solar já construída em um campo de refugiados está fornecendo energia limpa e necessária para 80.000 refugiados sírios – enquanto reduz as emissões anuais de dióxido de carbono do campo em 13.000 toneladas, o equivalente a 30.000 barris de petróleo.
Onu
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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Relatório mostra aumento de 8,8% de imigrantes trabalhando no Brasil no 2º trimestre; para especialista, investimentos ajudam a puxar índice


Investimentos de imigrantes residentes passaram de R$ 20,8 milhões para R$ 51,9 milhões. Italianos, chineses, franceses e portugueses são as principais nacionalidades
Relatório da Coordenação Geral de Imigração Laboral (CGIL) do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostra um aumento de 8,8% no número de trabalhadores imigrantes no mercado brasileiro no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação, o número de permissões de trabalho passou de 6.865 para 7.467. O relatório completo está no link https://portaldeimigracao.mj.gov.br/images/dados/relatorio_trimestral/Relat%C3%B3rio%202%C2%BAtrimestre%20CGIL.pdf
O número de profissionais e técnicos manteve-se estável em relação ao ano passado, mas houve o incremento principalmente entre os executivos ligados a grandes empresas (94%) e investidores em geral (27%). “Isso quer dizer que está havendo um interesse em investir no Brasil”, afirma a sócia da Fragomen no Brasil e diretora da Abemmi (Associação Brasileira de Especialistas em Migração e Mobilidade Internacional), Diana Quintas.
Esses imigrantes injetaram R$ 51,9 milhões entre abril e junho de 2019, um aumento de 60% em relação ao período anterior que foi de R$ 20,8 milhões. Nessa conta, estão tanto os investidores com residência prévia, quanto os que garantiram residência permanente no País. Os italianos, chineses, franceses e portugueses foram as principais nacionalidades responsáveis por esse aumento.
O Estado do Ceará foi o principal destino do volume de investimentos realizados no segundo trimestre de 2019, somando R$ 16.657.990,6, quase quatro vezes os valores investidos no estado nordestino no mesmo período de 2018.
Mais mulheres
Mesmo com a predominância de contratação de pessoas do sexo masculino (6.751), no segundo trimestre deste ano, o número de mulheres contratadas cresceu 36,1% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 526 para 716 profissionais.
Outra característica do fluxo de profissionais para o Brasil é a qualificação dos mesmos. Os que têm formação igual ou maior que a graduação, representando 66% do total.
Os estados do Rio de Janeiro (3.004) e São Paulo (2.598) continuam sendo aqueles com maior concentração no número de autorizações de residência. Mas alguns estados se destacam pelo crescimento: Rio Grande do Sul (aumento de 57%), Espírito Santo (167%), Ceará (93%) e Pernambuco (28%).
A Fragomen no Brasil
A Fragomen é a maior e mais antiga empresa de imigração do mundo. Nascida em 1951 em Nova York (EUA), chegou ao Brasil em 2012, com a abertura de escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo. Atualmente, está presente em mais de 160 países, em todos os continentes.
segs.com.b
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Harvard cria projeto para ajudar comunidades imigrantes

Harvard cria projeto para ajudar comunidades imigrantes
A Immigration Initiative at Harvard (IIH), um novo esforço de toda a universidade lançado nesta quarta-feira (18), reunirá estudantes, pesquisadores e líderes políticos de Harvard para promover pesquisas inovadoras sobre imigração. O projeto é liderado por Roberto Gonzales, professor da Escola de Pós-Graduação em Harvard, um dos principais especialistas em experiências com jovens imigrantes.
A missão central do IIH é construir uma comunidade acadêmica de pesquisadores de todas as escolas e programas de Harvard, para levar líderes nacionais a discutirem sobre imigração e para informar a mídia, os formadores de opinião, profissionais e o público sobre o assunto.
O objetivo é fornecer acesso a pesquisas não partidárias, bem como recomendações sobre políticas de imigração.
O projeto já marcou para o dia 1º de outubro, às 5:30 pm, um fórum que discutirá assuntos relacionados assuntos ligados a questões humanitárias e migração em massa. O evento terá como palestrante Marcelo Suárez-Orozco, da UCLA.
"Nunca houve um momento mais urgente na história de nosso país em relação a questões de incorporação e política para imigrantes", disse Gonzales. “Os Estados Unidos abrigam uma grande população de imigrantes sem status legal. E nossas políticas nacionais estão se tornando cada vez mais supressivas e punitivas. Há uma necessidade urgente de se reunir para entender e informar melhor o público em geral sobre as consequências da política de imigração para crianças, famílias e comunidades”, continuou.
O IIH inclui um comitê executivo composto por professores de Harvard e líderes comunitários que fornecerão informações sobre programação e atividades. "O lançamento da IIH Iniciativa, sob a liderança do professor Gonzales, não poderia chegar em um momento mais oportuno", disse Jacqueline Bhabha, professora da Escola de Saúde Pública de Harvard, membro do Comitê Executivo do IIH que estuda questões de imigração transnacional de crianças, proteção de refugiados, direitos e cidadania das crianças.
Brazilian Time
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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Prefeitos pedem mais ação do governo federal em relação aos venezuelanos em Manaus e Boa Vista

Um plano que seja posto em prática o mais rápido possível para evitar que imigrantes venezuelanos passem por mais necessidades em solos brasileiros foi cobrado pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, ao governo federal. O prefeito de Manaus recebeu na quarta-feira, 18, no Palácio Rio Branco, Centro, a prefeita de Boa Vista (RR), Teresa Surita, que compartilhou os problemas vivenciados e a dificuldade em encontrar soluções para administrar a alta demanda populacional nas duas cidades, que são pontos principais de entradas dos estrangeiros no Brasil.
Para o prefeito de Manaus, os imigrantes são bem recebidos, porém as cidades de Manaus e Boa Vista precisam da ajuda federal para poder administrar a estada e dar condições dignas de vida aos venezuelanos.
“A gente faz o possível, a gente tem solidariedade, mas precisamos de muita ajuda federal, precisamos da presença do Exército e de um plano que realmente seja posto em prática para poder interiorizar em outros Estados parte dessas pessoas que vieram para Roraima e para o Amazonas. Esperamos menos inércia e mais ação por parte dos governantes”, enfatizou Arthur.
A cidade de Boa Vista registra em média, por dia, a entrada de 800 pessoas pela fronteira com a Venezuela. Um número que, segundo a prefeita Surita, sobrecarrega atendimentos básicos em escolas, unidades básicas de saúde e em hospitais.
“Em três dias, são 2,4 mil pessoas a mais na cidade e o que nós temos, para dividir com um aumento desses, se torna praticamente inviável. Temos em Boa Vista 6,5 mil pessoas em 11 abrigos, mas temos outras 3,5 mil pessoas vivendo nas ruas. Essa superlotação na nossa cidade faz com que Manaus comece a receber sempre mais essas pessoas”, relatou a prefeita Teresa Surita.
Os prefeitos destacaram a importância da operação Acolhida, coordenada pelo Exército, porém não é uma ação de controle imediato em relação à realidade vivida no dia a dia com os imigrantes.
“A operação Acolhida é fundamental, mas a imigração é uma situação que o Brasil não sabe lidar, precisa ter mais efetividade do governo federal, pois é uma responsabilidade deles que acaba recaindo em cima dos municípios, por conta da situação e do isolamento que a gente vive aqui na Amazônia”, conclui Surita
portaldaholanda
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Imigrantes declaram preocupação com fechamento do Crai em Florianópolis


Crai deixa de funcionar na segunda-feira
Crai deixa de funcionar na segunda-feira
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A partir de segunda-feira (23), imigrantes e refugiados que precisarem de alguma ajuda em Florianópolis terão que buscar um dos 10 Centros de Referência de Assistência Social (Cras). O serviço passa a ser o caminho após o fechamento do Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante (Crai). Depois de São Paulo, Florianópolis foi a segunda capital do país a contar com este tipo de serviço, mas o trabalho durou pouco mais de um ano e meio.
No local, que funciona na Rua Tenente Silveira, as pessoas recebiam assistência jurídica, orientação para regularizar documentos, encaminhamento para o mercado de trabalho, atendimento psicológico, e apresentavam demandas imediatas, como a necessidade de cestas básicas.

Anunciado há dois meses, o encerramento das atividades do Crai estava previsto desde o início das atividades entre a Secretaria do Desenvolvimento Social a Ação Social Arquidiocesana (ASA). O período de vigência do contrato era de dois anos, mas houve um aditivo que possibilitou chegar até a data de 22 de setembro. Em breve, o prédio que pertence à Secretaria de Segurança Pública deve ser esvaziado.
Apesar de não ser uma surpresa e o Estado garantir que os Cras têm condições de atender as demandas, os imigrantes estão preocupados.
— A situação de um imigrante é muito delicada, principalmente pela língua que dificulta a vida no novo lugar. Não é só receber, mas também ajudar nas necessidades, e isso era bem feito no Crai — avalia Moussa Faye, senegalês que vive em Florianópolis desde 2014, onde é professor de línguas e desenvolve um trabalho de integração com estrangeiros e brasileiros.
O colombiano Edisson Prada também lamenta o fechamento:
Através do Crai, fui orientado sobre documentação, órgãos que podiam me ajudar. Ali também trabalhavam imigrantes e isso ajuda no acolhimento.
O haitiano Claurece Cherry questiona se os funcionários dos Cras estarão treinados para atender demandas específicas:
— O imigrante não é só carteira azul de trabalho, mas ele também tem filhos e precisa tirar certidão de nascimento. Quem irá orientar?
Conhecido nas ruas da cidade por ser empresário da moda feita com tecidos importados do Senegal, o imigrante Modou Kara considera que deveria ter havido outra saída, que não fosse o fechamento:
— A cidade tinha um ótimo serviço que deixava o imigrante mais seguro.
Imigrantes Cherry, Edisson, Modu e Mossu estão receosos sobre atendimento
Imigrantes Cherry, Edisson, Modu e Mossu estão receosos sobre atendimento
(Foto: )
De acordo com Karina Euzébio Gonçalves, diretora de direitos humanos da Secretaria do Desenvolvimento Social de Santa Catarina, o Estado está trabalhando para elaborar um diagnóstico acerca da presença dos imigrantes no Estado. A diretora destacou o trabalho em rede e falou sobre treinamentos que envolvem Polícia Federal, Defensoria Pública da União e Estado e os 8 mil funcionários que atuam nos Cras dos municípios.
Karina falou de ações que visam implementar uma política pública para imigrantes em todo o estado. Conforme ela, desde o começo do ano diversas atividades estão sendo executadas neste sentido. Questionada sobre se tinha esperanças de que algo viesse a ser realizado em Santa Catarina, tendo em vista posturas do governo Jair Bolsonaro e também de Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em relação a imigrantes, Karine se disse esperançosa:
— Este governo está comprometido, tanto que foi criada a Gerência de Igualdade Racial e Imigrantes, dentro da Diretoria de Direitos Humanos da SDS, a partir da reforma administrativa do governo estadual.
Nsctotal.com.br
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