sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Pesquisas relacionadas aos direitos humanos podem concorrer a prêmio

 

Trabalhos acadêmicos de graduação e pós podem concorrer ao prêmio – Arte sobre foto/Unicamp

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Se você é estudante de graduação ou de pós-graduação na USP, Unicamp e Unesp e finalizou pesquisa acadêmica em 2020 relacionada à temática dos direitos humanos pode concorrer ao primeiro Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos Unicamp-Instituto Vladimir Herzog.

A iniciativa é uma parceria da universidade e do Instituto Vladimir Herzog para reconhecer trabalhos que apresentem contribuição para a proteção e defesa do direito à vida, dignidade humana e justiça social e sejam exemplo de defesa da liberdade e responsabilidade científica para a melhoria da humanidade.

As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de janeiro através deste formulário disponível no site do prêmio http://www.direitoshumanos.unicamp.br/oportunidades. As pesquisas incluem iniciação científica ou monografia de conclusão de curso, mestrados e doutorados. Serão premiados trabalhos nas categorias Ciências exatas e tecnologia; Ciências naturais, da saúde e meio ambiente; Ciências sociais e educação e Ciências da comunicação e linguagem.

Os detalhes da inscrição e do prêmio podem ser conferidos no edital. Os responsáveis pelos projetos selecionados receberão o diploma de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos Unicamp-Instituto Vladimir Herzog. A entrega ocorrerá em cerimônia prevista para o dia 4 de março.

Mais informações: site http://www.direitoshumanos.unicamp.br/oportunidades

Jornal Usp

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Mesmo com violações de direitos humanos de refugiados, Belém recebe selo da ONU

 Mãe e filha Warao em uma pensão em Outeiro, bairro de Belém

Mãe e filha Warao em uma pensão em Outeiro, bairro de Belém - Catarina Barbosa/Brasil de Fato

Organizações ligadas à defesa dos direitos humanos lançaram uma nota contra o selo que a gestão do prefeito de Belém (PA), Zenaldo Coutinho (PSDB), recebeu da Organização Internacional para as Migrações (OIM) pelo acolhimento aos indígenas venezuelanos da etnia Warao desde 2017.

Segundo o documento, o repúdio se dá em função do "histórico de omissão e descaso da Fundação João Paulo XXIII (Funpapa)", instituição ligada à Prefeitura de Belém, responsável por ações humanitárias à população migrante e refugiada na capital do Pará.

O “MigraCidades: aprimorando a governança migratória no Brasil” é um processo de certificação das políticas migratórias locais, que surgiu de uma parceria entre a OIM e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em 2020, 27 cidades receberam o selo.

Representante da ONG Sodireitos, uma das instituições que assinou a carta de repúdio, Angélica Gonçalves conta que o selo causou espanto aos que atuam de forma voluntária no acolhimento dos Warao, em Belém, primeiro por ter sido entregue na transição da gestão de Zenaldo Coutinho (PSDB) para Edmilson Rodrigues (PSOL); e também pelo que ela considera uma total ausência de política de atendimento humanizado em todos os aspectos.

"Em Belém não existe um fluxo de atendimento pactuado. Existe um núcleo de atendimento a migrantes e refugiados que não funciona, que existe de forma fictícia, mas que não faz o seu trabalho, que deveria ser um trabalho de articulação, de fortalecimento de rede. O que existem são ações pontuais e isoladas que não conseguem fazer uma atuação de fato efetiva", resume. 

Em agosto de 2020, o Brasil de Fato visitou diversos espaços nos quais os Warao residem em Belém e todos viviam em alguma situação de precariedade, por privação de condições de higiene, de alimentação, de serviços de saúde ou de moradia.

"Descaso desde 2017"

Angélica, que acompanha os indígenas desde 2017, considera que a omissão e o descaso da equipe do ex-prefeito de Belém só fez com que a realidade dos Warao se agravasse ainda mais com o passar dos anos e que isso se reflete no número de óbitos entre a etnia, antes mesmo da pandemia. 

Segundo dados do Ministério Público Federal (MPF), até 28 de julho de 2020, 83 Warao morreram no Brasil, sendo 26 (cerca de 31%) só em Belém, sendo que 14 mortes ocorreram em 2020.

Boa Vista, capital de Roraima, mesmo sendo área de fronteira terrestre e com número superior de migrantes e refugiados, registrava, à época, 16 óbitos. Já as mortes causadas por covid-19 somam dez casos entre os Warao; desse total, quatro foram em Belém.

A representante da ONG Sodireitos avalia, ainda, que a certificação pode causar ainda mais danos para as pessoas que já vivem em condições desumanas e que a construção da nota de repúdio foi a forma encontrada para externar o fato.

"Foi uma forma de a gente expressar a nossa revolta com a OIM, que em um momento tão inoportuno certifica uma gestão que não tinha nenhum compromisso com os direitos migratórios. Expressamos o nosso total repúdio, alertando que tal atitude da OIM é muito preocupante, porque pode, inclusive, postergar possíveis ações da atual gestão por conta de uma certificação que camufla, que destoa uma realidade que é crítica e que dá a ideia de que está tudo bem e que existe uma política de acolhimento a migrantes e refugiados", diz.


Para que se obtenha o certificado, é preciso cumprir uma série de etapas, e Angélica afirma que o documento enviado pela Prefeitura de Belém para conseguir a certificação não é verídico.

"O próprio relatório que foi encaminhado pela Prefeitura de Belém para a OIM é o relatório de uma Belém que não existe. Não se tem uma comprovação de fato dos atos narrados em tal relatório, que foi apresentado pela Universidade [Federal] do Rio Grande do Sul. Belém não tem uma política de acolhimento. O único espaço público que acolhe os indígenas refugiados não está de acordo com a Política Nacional de Assistência Social e o Sistema Único de Assistência Social. Ele é um espaço que a gente sempre ressalta que é um espaço de segregação. É o improviso que se eternizou. É um espaço com infraestrutura comprometida, insalubre, que não foi preparado para receber pessoas e, ao mesmo tempo, a prefeitura acabou utilizando não como abrigo, mas como depósito de pessoas", ressalta.

Em agosto de 2018, Brasil da Fato constatou uma série de violações de direitos humanos, no abrigo junto a uma vistoria com o Ministério Público Federal.

"Por conta própria"

Apesar de ter sido certificada pela política de acolhimento aos Warao, os indígenas que chegam à cidade não têm uma rede de apoio e precisam ir para as ruas pedir ajuda financeira. 

Esse processo se repete desde 2017, quando os primeiros chegaram à capital do Pará. Norberto Núñez, por exemplo, conta que está na cidade há cinco meses e não recebe apoio da Prefeitura de Belém ou de instituições parceiras. Para conseguir sustentar a si mesmo e a família, ele vai diariamente para as ruas para poder pagar o local onde mora.

"Nós estamos morando de aluguel na Campos Sales [próximo ao mercado do Ver-o-Peso] e pagamos cerca de R$ 30 por dia, R$ 900 mensais. Nós saímos da Venezuela lutando. Agora estamos procurando trabalho", diz ele que se mudará para o município de Ananindeua, na região metropolitana de Belém, a fim de reduzir os custos com moradia.

Outra crítica da integrante da ONG Só direitos é com relação à apropriação acerca da aprovação de seis indígenas venezuelanos no Processo Seletivo Especial 2020-6 Migre da Universidade Federal do Pará (UFPA). Segundo ela, o processo foi fomentado pelo Aldeias Infantis SOS em parceria com a Acnur (Agência da ONU para refugiados).

"Não foi algo fomentado pela prefeitura, muito pelo contrário. Isso se percebe pelos dados em si. São seis aprovações em um universo que temos, atualmente, de pouco mais de 500 Warao e outro ponto muito importante é que não há nenhum trabalho hoje da Semec (Secretaria Municipal de educação) no âmbito dos acolhidos no Tapanã, o que tem é um programa da EJA (Educação para Jovens e Adultos), do governo do estado, mas a prefeitura em si não tem nenhum trabalho para educação dos Warao".

Procurada pelo Brasil de Fato, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse que o recebimento do selo concedido à Prefeitura de Belém indica "a participação na integralidade do processo, que inclui a realização de um diagnóstico e a priorização de ações futuras. As informações assim levantadas, bem como suas prioridades para o desenvolvimento futuro de políticas migratórias, são disponibilizadas para o público, oferecendo oportunidades para estabelecer ou aprimorar mecanismos de coordenação local e de diálogo construtivo, inclusive com a sociedade civil, para em conjunto reforçar a governança migratória". 

A OIM, no entanto, não se posicionou acerca das violações de direitos humanos vividas, atualmente, pelos Warao em Belém do Pará. A organização também não respondeu se conhece os locais nos quais os indígenas estão alojados em Belém.

Segundo informações oficiais da OIM, a certificação "foi entregue aos governos locais que participaram com sucesso de todas as etapas ao longo de 2020, que incluíram um curso de capacitação e o diagnóstico realizado localmente. Agora, os governos certificados entram na fase de monitoramento das ações priorizadas".

Edição: Camila Maciel

Brasil de Fato

migrantes.ne

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

CREPÚSCULO DA ECONOMIA CAPITALISTA?


 

Janeiro, primeiros dias no ano e da década. Brasil ultrapassa os 7,7 milhões de infectados pela Covid-19 e quase alcança a casa das 200 mil vítimas fatais. Ao mesmo tempo, o continente europeu passa por uma segunda onda do novo coronavírus, e nos Estados Unidos os mortos já superam três centenas de milhares. Os que desfilam com rostos aflitos e desesperançados. A que se deve essa tragédia, com seu rastro fúnebre de famílias enlutadas?

Não faltam explicações. Elas vão desde o conceito de esgotamento da exploração da natureza pela ação humana até a “teoria da conspiração”, segundo a qual o vírus teria sido fabricado em laboratório, passando por uma série de visões intermediárias. A “teoria da conspiração” está definitivamente descartada, na medida em que visa apenas encontrar um culpado, isentando as autoridades da própria responsabilidade. Ela se complementa, de resto, com a “teoria do bode expiatório”. Em meio a uma crise, ao caos e à desordem social, os detentores do poder buscam a todo custo um inimigo externo a ser identificado e abatido. Somente assim, com o sacrifício do culpado, será possível resgatar a ordem perdida.

Deixando de lado as explicações nebulosas e permeadas de interrogações, resta a ideia das implicações e consequências que a tecnologia e o progresso humano, levados à exacerbação, imprimem ao meio ambiente. No sistema capitalista de produção, tudo e todos convertem-se em “mercadoria”, incluindo os recursos que o planeta nos legou, bem como a força humana de trabalho. Por conta disso, o motor do lucro e a primazia da acumulação de capital explora as coisas e as pessoas até o último átomo ou a última gota de sangue. Os resultados perversos dessa ânsia doentia e autofágica na cadeia implacável de produção, comercialização, consumo e descarte chegam a um ponto culminante e irreversível.

Daí a poluição e contaminação dos rios e do mar, do ar e das águas em geral; a derrubada das florestas e a progressiva desertificação do solo; o uso indiscriminado de insumos, herbicidas e inseticidas cujas danos afetam todas as formas de vida; a extinção de não poucas espécies de fauna e flora, o que afeta a biodiversidade e a própria qualidade da vida humana; a emissão de gases com efeito estufa, que têm contribuído poderosamente para o aquecimento global; o derretimento das geleiras e a elevação do nível do mar, com risco para uma série de povoados e populações; a devastação e destruição dos diversos ecossistemas, o que, pouco a pouco, deverá comprometer o organismo vivo chamado planeta terra!... Por fim, a força destruidora das catástrofes ditas “naturais”, mas cujos extremos acabam sendo despertados pela cobiça do capital sobre os bens que a natureza colocou à nossa disposição, causando secas e estiagens cada vez mais prolongadas, tempestades e inundações imprevistas, incêndios, furacões, tornados!... Não estará em curso o crepúsculo mesmo desse modo de produção?!...

Na medida em que semelhante sistema de produção compromete o ritmo cadenciado da vida e das estações, a ciência sábia e popular do plantio e da colheita, o usufruto e distribuição mais sensatos e racionais dos bens produzidos, sem desperdício, por um lado e, por outro, sem fome e desnutrição – nessa exata medida o cuidado e preservação do meio ambiente também se tornam irremediavelmente comprometidos. A terra exibe feridas e cicatrizes por todo lado. Golpeada, ela se enfurece e reage. Diz o ditado popular que “Deus perdoa sempre, o homem às vezes, a natureza nunca”. Ao mesmo tempo que a natureza se vê afetada, segue-se a destruição dos ecossistemas vegetais e animais. Enquanto várias espécies simplesmente desaparecem, outras passam a buscar meios de vida fora de seu habitat natural. Em determinados lugares, animais selvagens invadem as cidades para sobreviver. Passam a conviver mais de perto com os seres humanos. Daí o risco de transmutação e transmissão de novos vírus, como gripe suína, aviária, ebola e agora do Covid-19. Que outros flagelos nos aguardam?

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, vice-presidente do SPM – Rio de Janeiro,

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Mulheres imigrantes recebem cartão-alimentação em Esteio

 

 Foto: Gabriela Thurow

O Grupo Mulheres do Brasil, em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SMCDH), entregou, nesta terça-feira (5), um cartão-alimentação no valor de R$ 100 para imigrantes venezuelanas, haitianas, senegalesas, palestinas e cubanas que residem em Esteio. Ao todo, 40 mulheres receberam o tíquete-refeição.

A ação ocorreu no Espaço Mundo, que fica localizado junto à SMCDH, no prédio da Prefeitura e é destinado ao atendimento, orientação e escuta a imigrantes e refugiados que vivem no Município e que necessitam de apoio.

Um dos objetivos do Mulheres do Brasil é criar e incentivar ações efetivas para a fomentar a inserção dos refugiados no Brasil, facilitando o acesso à educação, à saúde e ao mercado de trabalho.

Acolhimento a Refugiados e Imigrantes
Em junho do ano passado, o prefeito Leonardo Pascoal sancionou a Política Municipal de Acolhimento a Refugiados e Imigrantes de Esteio. A Lei Municipal nº 7.517/2020 tem, entre seus objetivos, promover a igualdade de direitos e de oportunidades a refugiados e a imigrantes, garantindo o acesso aos serviços públicos municipais como a qualquer outro morador da cidade, criar mecanismos e condições para o acolhimento, bem como estimular o engajamento comunitário na integração. O texto traz 21 diretrizes que guiam a execução do plano no Município, sob a coordenação da SMCDH.

O plano estabelece ações que visam desde os cuidados com a situação de extrema vulnerabilidade das pessoas na chegada, assegurar que elas possam participar de projetos e programas das redes municipais, inclusive de esporte, lazer e cultura, orientar sobre o acesso ao mercado de trabalho, estimular o empreendedorismo, promover aulas de português e estabelecer um canal para denúncias de violações de direitos.

A lei criou o Comitê Executivo da Política Municipal de Acolhimento a Refugiados e Imigrantes, com a finalidade de formular, monitorar e avaliar o plano. O órgão é composto por representantes do Poder Público e da sociedade civil, como as associações representativas e organizações de apoio ao público-alvo da lei.

Foi instituído, ainda, o Fundo Municipal de Acolhimento a Refugiados e Imigrantes, com o objetivo de facilitar a captação, o repasse e a aplicação de recursos destinados à execução desta política. O fundo buscará recursos disponíveis para a assistência a refugiados de organismos nacionais e internacionais, dos governos Estadual e Federal e, também, de contribuições feitas por pessoas físicas e jurídicas.

revistanews

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

SEF investiga clubes de futebol por imigração ilegal e tráfico humano


Segundo a investigação, dirigentes e agentes desportivos terão falsificado documentos e feito contratos fictícios.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF) tem em marcha 40 inquéritos-crime que envolvem clubes do 3º escalão nacional e divisões distritais.

Segundo o "Jornal de Notícias", nos últimos dois anos, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras levou a cabo 107 ações de fiscalização em associações desportivas ou clubes de futebol, tendo sido detetados 110 cidadãos em situação irregular.

Fonte do SEF indica que foram constituídos arguidos 26 pessoas e 10 clubes ou associações desportivas. Dois cidadãos foram detidos por suspeitas de crime de tráfico de seres humanos, auxílio à imigração ilegal e falsificação de documentos.

Grande parte dos inquéritos-crime atualmente em investigação no SEF tiveram origem em fiscalizações direcionadas.

“Entre 2019 e 2020, o SEF desenvolveu 107 ações de fiscalização em associações desportivas ou clubes de futebol, tendo detetado 110 cidadãos estrangeiros em situação irregular. No total foram constituídos como arguidos 26 cidadãos e dez clubes ou associações desportivas. Foram ainda detidos dois cidadãos por suspeitas da prática de crimes de tráfico de seres humanos, auxílio à imigração ilegal e falsificação de documentos", adianta a fonte ao jornal.

De acordo com o diário, dirigentes, agentes desportivos e até mesmo atletas terão alegadamente falsificado documentos e criado contratos de trabalho fictícios para assegurarem as condicionantes legais necessárias à entrada de um jogador estrangeiro.

Para além dos contratos de trabalho fictícios, há casos em que os atletas chegam a Portugal apenas com um visto de turismo para prestar provas nos clubes, acabando por ficar a trabalhar nos respetivos clubes ou associações sem a situação regularizada.

Já no que toca ao tráfico de seres humanos, o SEF indica que estes crimes são menos frequentes e acontecem, maioritariamente, na zona Centro. É referido que, nesta situação, os agentes desportivos prometem salários acima da média para atrair jogadores estrangeiros. No entanto, quando os atletas chegam a Portugal, encontram salários baixos, não conseguindo sequer regularizar a sua situação.

sapo.pt

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Memorial da América Latina promove curso para migrantes e refugiados

 Programa aborda Tradução Humanitária e Mediação Cultural,  com cinco encontros on-line a partir de 11 de janeiro.


O Memorial da América Latina, por meio do CBEAL (Centro Brasileiro de Estudos da América Latina), realiza o minicurso “Tradução Humanitária e Mediação Cultural para Migrantes e Refugiados”, ministrado pelas professoras Luciana Ginezi, Aryadne Bittencourt, Sabine Gorovitz, Maria Beatriz Nogueira, Jacqueline Nordin, Thaysy Bentes, Mireille Muluila e pelos professores André de Carvalho Ramos e Antonio Rodrigues de Freitas Júnior. Os encontros acontecem nos dias 11, 13, 18, 20 e 27 de janeiro, às 19h30.

A tradução humanitária e a mediação cultural são eixos centrais no atendimento às pessoas migrantes e refugiadas. As instituições enfrentam em seu dia a dia muitos desafios para lidar com as diferenças linguísticas, sociais, culturais e individuais dos migrantes.

Ciente dessas dificuldades enfrentadas pelos profissionais do setor, o curso tem como proposta apresentar  ferramentas e diretrizes humanitárias para auxiliar no trabalho diário, a fim de proporcionar ambiente de proteção e de acolhimento de pessoas em situação de refúgio e migrantes.

Noções fundamentais para o papel de intérprete; código de conduta para atuação com pessoas deslocadas; a atuação do Comitê Nacional para os Refugiados e técnicas de tradução para grupos com necessidades específicas são alguns dos temas a serem abordados durante os encontros.

O curso tem como públicos-alvo tradutores, intérpretes, mediadores culturais, trabalhadores humanitários, profissionais e voluntários de todas as áreas de formação que atuem com população migrante e/ou refugiada, bem como professores e estudantes de graduação e pós-graduação que pesquisam a temática.

As inscrições devem ser feitas no formulário on-line disponível em https://bit.ly/38dqAPl.

O curso está inserido nas atividades da Cátedra Unesco Memorial 2020 e tem apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Cátedra

Cátedra Unesco/Unitwin para a Integração da América Latina é parte da rede de cooperação entre as universidades públicas paulistas (USP, Unesp e Unicamp) e o Memorial da América Latina. Conta, ainda, com a participação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Fapesp e a Secretaria Estadual de Desenvolvimento na comissão de orientação. Direcionada pela agenda 2030 da Unesco, a Cátedra para Integração da América Latina tem como temática “Movimentos da América Latina”, abordando questões linguísticas, migratórias, culturais e sociais. Além da pesquisa sobre traduções de mulheres na América Latina, a Cátedra também desenvolve estudos sobre português como língua de acolhimento e formação de cidadãos em situação de refúgio ou apatridia como intérpretes e tradutores comunitários.

Programação

11/01/2021
Tradução humanitária e garantia de direitos
Luciana Ginezi | intérprete, doutora pela USP e diretora do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina
Aryadne Bittencourt | advogada, doutoranda em Direito na UFRJ e pesquisadora no Memorial da América Latina
Sabine Gorovitz | tradutora e professora associada da Universidade de Brasília
Maria Beatriz Nogueira | chefe do escritório do ACNUR em São Paulo

13/01/2021
Traduzindo para migrantes e refugiados em contextos institucionais
Aryadne Bittencourt | advogada, doutoranda em Direito na UFRJ e pesquisadora no Memorial da América Latina
Jacqueline Nordin | autora e Pesquisadora na Área de Interpretação Forense

18/01/2021
Práticas inclusivas de comunicação para migrantes e refugiados
Aryadne Bittencourt | advogada, doutoranda em Direito na UFRJ e pesquisadora no Memorial da América Latina
Thaisy Bentes | Professora da UFRR e coordenadora do projeto Mi Sordo

20/01/2021
Desafios, abordagens e soluções para acesso a direitos
Prof. André de Carvalho Ramos | Professor da Faculdade de Direito da USP e Procurador Regional da República
Prof.  Antonio Rodrigues de Freitas Júnior | professor associado do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social
Aryadne Bittencourt | advogada, doutoranda em Direito na UFRJ e pesquisadora no Memorial da América Latina

27/01/2021

Mediação cultural e contextos humanitários
Aryadne Bittencourt | advogada, doutoranda em Direito na UFRJ e pesquisadora no Memorial da América Latina
Mireille Muluila |  assessora de campo da Caritas Rio, formada em Relações Internacionais

Serviço

Curso: Tradução Humanitária e Mediação Cultural para Migrantes e Refugiados
Datas: Dias 11, 13, 18, 20 e 27 de janeiro, das 19h30 às 21h30
Inscrições: https://bit.ly/38dqAPl
Transmissão: Plataforma Zoom com transmissão simultânea no Canal do Youtube do Memorial:  http://www.youtube.com/Memorialdaamericalatinasp

memorial.org.br

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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Após denúncias, secretária determina presença da Guarda Municipal em abrigos de venezuelanos



Romulo Piaulino Foto

A Secretaria de Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), Eliana Lago, determinou a presença de viaturas da Guarda Municipal nos três abrigos para Venezuelanos em Teresina. Eliana  visitou neste domingo (03) os locais de permanência dos venezuelanos e ouviu demandas dos povos indígenas.

A secretaria explica que a determinação para a presença da guarda nos centros de acolhimento ocorre em virtude de denúncia de consumo de drogas ilícitas nos locais e até a presença de traficantes.

“Os abrigos são instituições municipais e queremos ter esse controle dos locais para garantir uma melhor assistência a esses povos  vulneráveis, a guarda municipal atuará para proteger e garantir a assistência a esses povos”, disse a secretária que também já discute a criação de projetos para inseri-los no mercado de trabalho", disse.

Os estrangeiros pedem condições de trabalho, como plantio para os homens e artesanato para as mulheres. Um dos venezuelanos Camilo Quinhones, que está alojado no antigo CSU do bairro Buenos Aires, zona norte, afirmou que no local não falta comida e nem os itens básicos de sobrevivência.

“Aqui estamos bem assistidos, temos comida, coleta de lixo, só pedimos trabalho para homens e mulheres”, disse Camilo. 

cidadeverde

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México promete plano para lidar com imigrantes deixados por políticas de Trump

 

Migrantes em abrigos improvisados em Saltillo, no México 27/12/2020 REUTERS/Daniel Becerril

Foto: Reuters

O governo mexicano afirmou nesta segunda-feira que vai elaborar um plano para lidar com os migrantes presos no país como resultado das políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a imigração, embora tenha ressaltado que o México não pode ser culpado pelo fluxo de pessoas. 

O Ministério do Interior anunciou que trabalhará em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores para entender como lidar com os imigrantes remanescentes no país por conta da política de Trump chamada "Fique no México", após o presidente eleito dos EUA, Joe Biden, prometer acabar com o programa. 

O México trabalhará em conjunto com os governos dos Estados Unidos, Guatemala, Honduras e El Salvador para abordar o desafio de imigração, disse a ministra do Interior, Olga Sánchez, em uma reunião com embaixadores, de acordo com declarações divulgadas pelo governo mexicano. 

"Nós não somos a causa do problema, mas reiteramos nossa disposição em sermos parte da solução", disse.

Por conta da política "Fique no México", migrantes com pedidos de asilo nos EUA permaneceram no México enquanto suas solicitações eram processadas. 

"Iremos formular um plano para os migrantes que ainda estão no México com esse programa", disse Sánchez, sem elaborar. "É previsível que no futuro distante, haverá um aumento no fluxo de imigrantes tentando entrar nos Estados Unidos via México". 

Terra

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Ministério da Cidadania, ACNUR e OIM lançam painel sobre integração e interiorização de venezuelanos no Brasil

 

Entre janeiro e novembro de 2020, mais de 18 mil pessoas venezuelanas foram interiorizadas © Alexandre Manfrim/Min. Defesa

Desde 2018, mais de 45 mil venezuelanos foram interiorizados de Roraima para mais de 600 municípios de 26 estados brasileiros e o Distrito Federal. Esses são resultados da Estratégia de Interiorização da Operação Acolhida do Governo Federal, que conta com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no marco da Plataforma R4V – Resposta a Venezuelanos.

Entre janeiro e novembro de 2020, mais de 18 mil pessoas venezuelanas foram interiorizadas, mesmo com as restrições impostas pela pandemia de COVID-19. Desde março, rigorosos protocolos de prevenção ao novo coronavírus foram implementados, possibilitando que os procedimentos da Operação Acolhida para a interiorização dos beneficiários seguissem em segurança.

O painel é uma iniciativa conjunta entre o Ministério da Cidadania, que coordena o Subcomitê Federal para Interiorização, e as agências da ACNUR e OIM. A plataforma mostra os números da interiorização com dados de evolução histórica desta estratégia, informações de quais municípios e estados receberam refugiados e migrantes e o perfil laboral, educacional e de necessidades específicas de proteção. Essas informações possibilitam maior conhecimento e agilidade para a integração local dessa população em interface com o poder público local. Além de informações quantitativas com gráficos da movimentação, mês a mês, município a município, o painel traz também informações por faixa etária e em quais modalidades o imigrante foi interiorizado.

Para a coordenadora do Subcomitê Federal de Interiorização, Niusarete de Lima, a ferramenta será uma facilitadora no processo de informações aos gestores estaduais e municipais da assistência social, bem como aos muitos parceiros da Operação Acolhida. “Ao final de cada mês, todos poderão saber o consolidado da movimentação dos imigrantes para cada um dos municípios. Toda a rede socioassistencial terá acesso às informações desta estratégia de governo, desenvolvida de forma articulada entre Governo Federal e agências internacionais”, afirmou.

“Os dados contribuirão para que os impactos das estratégias de interiorização e integração na inserção socioeconômica dos venezuelanos sejam melhor compreendidos. Queremos seguir fortalecendo essa estratégia como uma das melhores soluções para a acolhida e integração da população venezuelana no Brasil”, pontua Jose Egas, Representante do ACNUR no Brasil.

“O painel dá visibilidade e transparência ao importante trabalho realizado pelo Governo Federal ao implementar a Estratégia de Interiorização. Com dados disponíveis a todos os parceiros da resposta humanitária, podemos melhor ajustar nossas ações e impulsionar a integração socioeconômica dos beneficiários, trazendo benefícios para todos”, ressalta o chefe de missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux.

O Brasil é o sexto maior anfitrião de venezuelanos deslocados no mundo. Até agosto de 2020, mais de 260 mil refugiados, solicitantes de asilo e migrantes estavam no país. Segundo o painel, das 45 mil pessoas interiorizadas, mais de 46% está em idade laboral. Desses, 6% declararam não ter trabalho.

 

Estatísticas

Em relação à educação, 55% dos adultos têm ensino médio completo. Quando dois mil dos venezuelanos interiorizados têm ensino superior completo.

Sobre as necessidades específicas de proteção dos refugiados e migrantes interiorizados, oito mil venezuelanos declaram tem pelo menos uma, como: criança fora da escola, pai/mãe solteiro, gravidez, mulher em risco, algum tipo de deficiência, entre outros.

Acesse o painel de Interiorização.

Diretoria de Comunicação – Ministério da Cidadania

Com informações de ACNUR e OIM

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Catarinense escreve livro sobre imigração e destina lucro para famílias haitianas reencontrarem seus filhos

 


‘O 9º Poste da rua XV de Novembro’ é um romance que se passa na cidade de Joinville, Santa Catarina, mas engana-se quem pensa que este é “apenas” um romance. Escrito pelo jornalista brasileiro Herison Schor, de 28 anos, o livro fala sobre as dores da imigração e foi feito com o objetivo de ajudar as famílias haitianas a reencontrarem seus filhos.

Inspirado na própria história, já que sua família fugiu da Alemanha para o Brasil durante a 2º Guerra Mundial, e na da família de Pierre – garotinho haitiano que vive no Brasil, a primeira edição do livro foi publicada na última semana. Apesar deste ser o primeiro livro de Schor, os planos traçados com os lucros das vendas já têm destino certo: ele usará os recursos para pagar as passagens de crianças que ficaram no Haiti, para que possam se unir aos pais no Brasil.

Seu livro é um romance infanto-juvenil que conta a história de Marília, uma professora de língua portuguesa idosa que mora em frente ao nono poste da Quinze de Novembro, rua famosa de Joinville. Em uma das aulas, ela conhece Mahaila, uma menina haitiana que havia acabado de chegar ao Brasil.

Ao se dar conta da tristeza da garota, a professora a convida para um café. E é neste momento que elas revisitam o passado e a idosa acaba revelando que um dia também foi uma menina que teve que deixar sua terra natal para viver no Brasil.

Segundo o jornalista, a vontade de reverter o dinheiro das vendas do livro em reencontros de pais e filhos surgiu no instante em que nasceu desejo de escrever sua primeira obra. Um dos pais para quem pretendo entregar o dinheiro não sabe, mas foi por causa dele que tudo isso começou, quando vi uma foto sua circulando nas redes sociais. Ele estava vendendo doces brasileiros e segurando uma plaquinha escrito: ‘Compre uma cocada e ajude a trazer minha família para o Brasil’. Nos comentários, houve quem disse: ‘Eu só compro se for para você comprar a passagem pra voltar pra lá’. A partir desse momento, senti que era hora de agir”, afirma.

Resultado da miscigenação e da união de diversas raças, o livro também propõe uma relexão sobre a própria formação do Brasil. Entre os milhares de imigrantes que deixaram seus países para começar uma nova vida no Brasil, está a família de HerisonO autor é neto de uma imigrante, que deixou a Alemanha e inspirou algumas passagens de seu livro.

De acordo com ele, em pleno nazismo, a chegada da avó no Brasil não foi tão simples assim. Nesse período, minha vó e toda sua família foi proibida de falar a língua que até então era a única que sabiam.Tiveram que esconder suas fotografias e livros, pois tudo que fazia referência à Alemanha era queimado pelos soldados de Vargas. Meu bisavô, pai dela, foi preso apenas por não saber falar o português. Era um desespero profundo, pois estavam fugindo de sua terra natal para salvarem suas vidas, e aqui sofriam os efeitos por não serem bem vindos”, conta.

Permeado em diversas histórias de imigrantes e filhos de imigrantes que ele conheceu durante sua carreira de jonalista, ele decidiu escrever um livro homenageando estas pessoas. Publicado pela Editora Areia, de Joinvilleo escritor afirma que já conseguirá ajudar a primeira família, e que 9 crianças já estão na fila de espera. Nós desejamos todo o sucesso do mundo: a ele e estas famílias! 

Fonte: Nsctotal

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