segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A marcha da fome

As migrações maciças só se reduzirão quando a cultura democrática se estender pela África e demais países do Terceiro Mundo

Quando em 13 de outubro de 2018 saíram da cidade hondurenha de San Pedro Sula, eram umas poucas centenas. Três semanas depois, enquanto escrevo este artigo, são já quase oito mil. Somou-se a eles uma grande quantidade de salvadorenhos, guatemaltecos, nicaraguenses e sem dúvida também alguns mexicanos. Avançaram uns mil e tantos quilômetros, andando dia e noite, dormindo no caminho, comendo o que gente caridosa e tão miserável como eles mesmos lhes oferece ao passarem. Acabam de entrar em Oaxaca, e ainda lhes falta metade do percurso.

São homens e mulheres e crianças pobres, muito pobres, e fogem da pobreza, da falta de trabalho, da violência que antes era só dos maus patrões e da polícia, e agora é, sobretudo, a das maras, essas quadrilhas de foragidos que os obrigam a trabalhar para elas, carregando ou vendendo drogas, e, caso se neguem, matando-os a punhaladas e lhes infligindo atrozes torturas.
Aonde vão? Aos Estados Unidos, claro. Por quê? Porque é um país onde há trabalho, onde poderão economizar e mandar remessas a seus familiares que os salvem da fome e do desamparo centro-americano, porque lá há bons colégios e uma segurança e uma legalidade que em seus países não existe. Sabem que o presidente Trump disse que eles são uma verdadeira praga de meliantes, de estupradores, que trazem doenças, sujeira e violência, e que ele não permitirá essa invasão e mobilizará pelo menos 15.000 policiais, e que, se lhes atirarem pedras, estes dispararão para matar. Mas, não se importam: preferem morrer tentando entrar no paraíso à morte lenta e sem esperanças que os espera onde nasceram, ou seja, no inferno.
O que pretendem é uma loucura, claro. Uma loucura idêntica à dos milhares e milhares de africanos que, após caminharem por dias, meses ou anos, morrendo como moscas no caminho, chegam à beira do Mediterrâneo e se lançam ao mar em balsas, botes e barcaças, apinhados como insetos, sabendo que muitos deles morrerão afogados – já são mais de 2.000 neste ano – e sem poder realizar o sonho que os guia: instalar-se nos países europeus, onde há trabalho, segurança et cetera et cetera.
O avanço dos milhões de miseráveis deste mundo sobre os países prósperos do Ocidente gerou uma paranoia sem precedentes na história, a tal ponto que tanto nos Estados Unidos como na Europa Ocidental ressuscitam fobias que se acreditavam extintas, como o racismo, a xenofobia, o nacionalismo, os populismos de direita e de esquerda e uma violência política crescente. Um processo que, se continuar assim, poderia destruir talvez a mais preciosa criação da cultura ocidental, a democracia, e restaurar aquela barbárie da que acreditávamos nos haver livrado, a que afundou a América Central e a boa parte da África neste horror de que tentam escapar tão dramaticamente seus naturais.
A paranoia contra o imigrante não entende razões e muito menos estatísticas. É inútil que os técnicos expliquem que, sem imigrantes, os países desenvolvidos não poderiam manter seus altos níveis de vida e que em geral – as exceções são escassas – quem emigra costuma respeitar as leis dos países anfitriões e trabalhar muito, precisamente porque neles se trabalha não só para sobreviver, mas também para prosperar, e que este estímulo beneficia enormemente as sociedades que recebem imigrantes. Não é esse o caso dos Estados Unidos? Não foi ao abrir suas fronteiras de par em par quando prosperou e cresceu e se tornou o gigante que é agora? Não foi a Argentina o país mais próspero da América Latina e um dos mais avançados do mundo graças à imigração?
É inútil. Ter medo do imigrante é ter medo “do outro”, do que é diferente por sua língua, ou pela cor da sua pele, ou pelos deuses que venera, e essa alienação se inocula graças à demagogia frenética em que certos grupos e movimentos políticos incorrem de maneira irresponsável, atiçando um fogo no qual poderíamos arder justos e pecadores ao mesmo tempo. Já aconteceu muitas vezes na história, de maneira que deveríamos estar avisados.
O problema da imigração ilegal não tem solução imediata, e tudo o que se diga em contrário é falso, começando pelos muros que Trump queria levantar. Os imigrantes continuarão entrando pelo ar ou pelo subsolo enquanto os Estados Unidos forem esse país rico e com oportunidades, o ímã que os atrai. E o mesmo se pode dizer da Europa. A única solução possível é que os países dos quais os migrantes fogem fossem prósperos, algo que está hoje em dia ao alcance de qualquer nação, mas que os países africanos, centro-americanos e de boa parte do Terceiro Mundo rejeitaram por cegueira, corrupção e fanatismo político. Na América Latina está claríssimo para quem quiser ver. Por que os chilenos não fogem do Chile? Porque lá há trabalho, o país progride muito rápido, e isso gera esperanças para os mais pobres. Por que fogem desesperados da Venezuela? Porque sabem que, nas mãos dos bandidos que hoje a governam, essa desventurada sociedade, que poderia ser a mais próspera do continente, continuará declinando sem remédio. Os países, diferentemente dos seres humanos nos quais a morte põe fim ao sofrimento, podem continuar barbarizando-se indeterminadamente.
Os milhões de pobres que querem chegar para trabalhar nos países do Ocidente prestam uma grande homenagem à cultura democrática, a que os tirou da barbárie em que também viviam há não muito tempo, e da qual foram saindo graças à propriedade privada, ao livre mercado, à legalidade, à cultura, e ao que é o motor de tudo aquilo: a liberdade. A fórmula não caducou, em absoluto, como queriam nos fazer acreditar certos ideólogos catastrofistas. Os países que a aplicam progridem. Os que a rejeitam retrocedem. Hoje em dia, graças à globalização, é ainda muito mais fácil e rápido que no passado. Um bom número de países asiáticos entendeu assim e, por isso, a transformação de sociedades como a sul-coreana, a taiwanesa e a singapuriana é tão espetacular. Na Europa, a Suíça e a Suécia, talvez os países que alcançaram os mais altos níveis de vida no mundo, eram pobres – muito pobres – e no século dezenove enviavam, para ganhar a vida no estrangeiro, migrantes tão desvalidos como os que em nossos dias escapam de Honduras, El Salvador ou Venezuela.
As migrações maciças só se reduzirão quando a cultura democrática se estender pela África e demais países do Terceiro Mundo, e os investimentos e o trabalho elevarem os níveis de vida de modo que nessas sociedades haja a sensação entre os pobres de que é possível sair da pobreza trabalhando. Isso agora está ao alcance de qualquer país, por mais necessitado que seja. Hong Kong o era há um século, e deixou de sê-lo em poucos anos ao se voltar para o mundo e criar um sistema aberto e livre, garantido por uma legalidade muito rigorosa. Tanto que a China Popular respeitou esse sistema, embora reduzindo radicalmente sua liberdade política.
El Pais
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México quer ir à raiz do problema das migrações na América Latina


Resultado de imagem para embaixador mexicano em Portugal, Alfredo Pérez BravoNuma altura em que o México é atravessado por milhares de migrantes, a maioria hondurenhos, rumo aos Estados Unidos, o embaixador afirmou à agência Lusa que o tema da migração "é fundamental para o México", porque é ele mesmo "um país de migrantes" e que a América Central vai ser uma das prioridades da política externa mexicana.
Cerca de 5.500 migrantes, que partiram das Honduras a 13 de outubro em direção aos Estados Unidos, chegaram esta semana à Cidade do México, sendo a maioria migrantes hondurenhos, mas também da Guatemala, Nicarágua, El Salvador, Panamá e Costa Rica, segundo a Comissão de Direitos Humanos daquele país.
Esta vaga de migrantes movimenta-se numa altura de transição política no México, com a saída do Presidente Enrique Peña Nieto e a tomada de posse no sucessor, Andrés Manuel López Obrador, que venceu as eleições presidenciais em julho e toma posse no início de dezembro.
"A intenção do novo governo do México é de atender aos problemas de raiz: o que é que causa estes fluxos migratórios? Falta de condições de vida, falta e oportunidades de trabalho, insegurança, violência, nos países centro-americanos", disse o embaixador mexicano em Portugal.
Segundo Pérez Bravo, a "proposta do próximo governo é desenvolver planos económicos e sociais que permitam a esses países um maior e mais rápido desenvolvimento económico, para que gere emprego e para que as pessoas não sejam obrigadas a sair dos países".
"No caso das caravanas de migrantes, o México tem uma política muito clara: Primeiro é dar todo o apoio solidário e atenção a qualquer migrante que passe pelo território mexicano. Tratamos como qualquer país; é ter um controlo sobre os fluxos migratórios e a entrada em território tem de ser feito por pessoas devidamente registadas e identificadas na fronteira. Não temos uma política de detenção. Se alguma pessoa quer entrar no México e cumpre com os requisitos, é bem-vindo".
A maioria dos migrantes da América Central que chegam à Cidade do México está determinada a entrar nos Estados Unidos apesar das ameaças do Presidente Donald Trump, que prometeu impedi-los de entrar no país e enviou cerca de 4.800 militares para a fronteira.
Entretanto, Donald Trump recorreu sexta-feira aos poderes extraordinários de segurança nacional para rejeitar o direito de asilo aos migrantes que entrem ilegalmente no país.
A medida instala um conjunto de regulamentos aprovados na quinta-feira e que contradiz as leis que estabeleciam a possibilidade de obtenção de asilo, independentemente da forma como os requerentes tenham entrado no país.
Responsáveis da administração da Casa Branca citados pela agência Associated Press (AP) referiram que as medidas, que podem enfrentar processos legais, entram hoje em vigor por pelo menos três meses, e não abrangem as pessoas que já se encontram no país.
Para escapar da pobreza ou da violência de gangues criminosos, mais de meio milhão de centro-americanos cruzam todos os anos o México na esperança de entrar nos Estados Unidos.
O Jogo
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sábado, 10 de novembro de 2018

“Racista e discriminatório”: plano de “retorno voluntário” freta aviões para repatriar haitianos no Chile

media
Um avião da Força Aérea do Chile decolou nesta quarta-feira (8) em direção ao Haiti, com 175 pessoas a bordo. Esta é a primeira viagem feita como parte de um plano de retorno voluntário de estrangeiros, lançado no mês passado pelo governo chileno. Um plano que visa principalmente imigrantes haitianos.


No ano passado, quase 100 mil haitianos se estabeleceram no Chile, em busca de uma vida melhor. Mas, desde abril de 2018, o novo governo conservador chileno tomou uma série de medidas administrativas para regular ainda mais a imigração, especialmente a originária do Haiti. O plano de retorno voluntário deve permitir que os mais desfavorecidos voltem para casa, se assim o desejarem, segundo as autoridades do Chile.
No aeroporto militar de Santiago, Andrés Chadwick, ministro do Interior do país, cumprimenta pessoalmente os primeiros candidatos a deixarem o Chile. Enquanto policiais controlavam os passaportes, ele apertava a mão de passageiros na frente das câmeras de televisão, desejando “bom voo e boa viagem”.
Na fila de espera, Ivenson, de 22 anos, diz que um amigo havia lhe prometido que encontraria trabalho no Chile. Mas, depois de dois anos no país, ele afirmou que sentia um profundo sentimento de fracasso e desapontamento. “Espero apenas voltar a meu país e conseguir finalmente avançar na vida”, declarou o haitiano.
Um pouco mais de 1000 pessoas se registraram no plano de retorno voluntário até o momento. Pessoas que não encontraram trabalho estável, condição essencial para regularizar sua situação. Todos tiveram que se comprometer a não voltar ao Chile por pelo menos 9 anos. O ministro do Interior, Andrés Chadwick, explica que essa condição foi imposta pelo governo "porque não se trata de uma agência de viagens e porque serão 10 anos em caso de expulsão".
"Plano bastante racista e discriminatório"
O médico haitiano Emmanuel Mompoint afirmou em entrevista à RFI que a comunidade do Haiti no país não concorda com o dispositivo de repatriação do governo do Chile. “Trata-se de um plano dirigido a um grupo específico de migrantes, sem argumentos que o justifiquem. É um plano bastante racista e discriminatório, tanto nos trâmites feitos, como nas notícias que são publicadas na imprensa”, afirmou. Do ponto de vista político, há uma instrumentalização da imigração, especificamente da imigração haitiana, com o objetivo de obter lucros políticos”, denunciou o médico.
Para associações de migrantes, trata-se principalmente uma operação publicitária do governo chileno. Elas denunciam que é muito mais difícil para os haitianos obter documentos no Chile do que participar do plano de retorno voluntário.
RFI
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Primeiro abrigo do Brasil para refugiados LGBTI recebe venezuelanas em Manaus

A Casa Miga em Manaus oferece um espaço seguro para que migrantes e refugiadas venezuelanas possam recomeçar a vida no Brasil. Foto: ACNUR/João MachadoA Casa Miga em Manaus oferece um espaço seguro para que migrantes e refugiadas venezuelanas possam recomeçar a vida no Brasil. Foto: ACNUR/João Machado
Em uma casa simples de quatro cômodos, localizada na zona central de Manaus (AM), Yelitza* é sempre a primeira a acordar. A venezuelana prepara o café da manhã para as outras cinco compatriotas que dividem o mesmo teto com ela. Após a refeição matinal, as seis moradoras partem para mais um dia de trabalho nas ruas da capital amazonense, onde vendem água mineral e “dindin”, um doce congelado de diferentes sabores. A iguaria lembra um picolé.
Ao final da tarde, todas voltam para casa para comer, descansar, jogar conversa fora e se preparar para o próximo dia.
Essa rotina simples, que lembra o cotidiano de muitos lares brasileiros, é um grande avanço na vida de Yelitza e suas amigas. As venezuelanas vivem na Casa Miga, o primeiro abrigo para refugiados LGBTI do Brasil. A residência é coordenada pela ONG Manifesta LGBTI+, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e outras instituições parceiras. O grupo é composto por dois casais e duas solteiras.
Forçadas a deixar seu país devido à insegurança, violência e dificuldades socioeconômicas, as seis mulheres — duas solteiras e dois casais — chegaram ao Brasil no início deste ano e se estabeleceram primeiro em Boa Vista (RR). Nem todas se conheciam da Venezuela, mas rapidamente formaram um grupo na praça pública onde viveram por três meses. Posteriormente, elas foram transferidas para um dos abrigos de venezuelanos mantidos pelo governo federal.
“Na Venezuela, não nos sentíamos protegidas. Havia muito preconceito e não podíamos contar com ajuda em (casos de) agressões preconceituosas ou xingamentos. No Brasil, ouvimos da própria polícia uma palestra sobre a lei de combate à violência contra mulheres e sabemos que existem políticas públicas de saúde para a população LGBTI”, conta Gabriela*, uma das residentes da Casa Miga.
Funcionária do ACNUR dá orientações para as moradoras da Casa Miga. Foto: ACNUR/João MachadoFuncionária do ACNUR dá orientações para as moradoras da Casa Miga. Foto: ACNUR/João Machado
Ainda em Boa Vista, as venezuelanas foram informadas sobre o processo de interiorização, implementado pelas autoridades brasileiras para realocar os migrantes e refugiados para outras cidades. O programa conta com o suporte do ACNUR e de outros organismos da ONU.
O grupo decidiu participar e escolheu Manaus como destino. Ao chegarem à capital amazonense, as venezuelanas foram para um dos abrigos públicos da cidade. Mas no local, foram vítimas de discriminação por outros venezuelanos.
“Diziam que éramos um mau exemplo para as crianças e as famílias. Assim, pedimos ao ACNUR para sair de lá”, lembra Yasmira*. “Temíamos criar algum conflito com os demais abrigados e queríamos um lugar onde pudéssemos nos sentir bem."
Com a demanda das venezuelanas, a ONG Manifesta se mobilizou para dar um novo lar a essas migrantes e solicitantes de refúgio. A instituição é conhecida em Manaus por promover os direitos da população LGBTI na esfera municipal e estadual. A organização acolhia jovens expulsos de casa por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
“Com o apoio de nossos parceiros, já tínhamos alugado o espaço. E com um financiamento colaborativo e doações pontuais, inauguramos a Casa Miga e oferecemos as vagas para este grupo especial”, explica Gabriel Mota, fundador e presidente da ONG.
Com financiamento da União Europeia, o ACNUR apoiou a reforma do abrigo, doando cama, colchões, ventiladores, máquina de lavar roupa e uma televisão. O Instrumento de Contribuição para a Estabilidade e a Paz (IcSP), um mecanismo de assistência do bloco europeu, visa melhorar o ambiente de proteção para venezuelanos no Brasil e contribuir para uma convivência mais pacífica dessa população com os brasileiros, nas cidades de acolhimento.
“Os fluxos migratórios mistos, como no caso da Venezuela, incluem diferentes perfis que precisam de respostas diferenciadas. Com o apoio da União Europeia, o ACNUR proporciona lugares seguros para pessoas com necessidades específicas, como é o caso da Casa Miga”, afirma Sebastian Roa, chefe do escritório de campo do ACNUR em Manaus.
A ONG Manifesta também chamou voluntários para apoiar as venezuelanas na elaboração e apresentação de seus currículos, que foram enviados para empresas e cursos de capacitação profissional. As moradoras da Casa Miga terão aulas de português e serão encaminhadas para atendimento de saúde quando for necessário.
Em breve, as moradoras da Casa Miga receberão a visita de assistentes sociais da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, entidade parceira do ACNUR. A instituição implementa na cidade o projeto financiado pela Direção-Geral da Ajuda Humanitária e da Proteção Civil da Comissão Europeia (ECHO). A iniciativa oferece um auxílio financeiro para facilitar o acesso dos venezuelanos a moradia. Com recursos para cobrir três meses de despesas, como aluguel, água, luz e gás, as venezuelanas poderão se mudar da Casa Miga, criando vagas para outros solicitantes de refúgio LGBTI.

Vontade de seguir em frente

“Aqui, nos sentimos em casa. Temos nosso espaço. Nos coordenamos para fazer as refeições e cumprimos regras de convivência, como dividir tarefas para organização da casa, não fumar e nem consumir bebidas alcoólicas ou drogas ilícitas”, diz Gabriela*.
“Estamos todas trabalhando para manter a mente ocupada e transferir algum dinheiro para a família que ficou na Venezuela”, acrescenta a venezuelana.
A empolgação com a Casa Miga é patente. A todo momento, as moradoras reafirmam sua disposição em seguir adiante. “Somos mulheres e somos de luta”, diz uma. “Não temos medo de trabalho”, ressalta outra.
Com todos os documentos em dia, inclusive a solicitação de refúgio, a carteira de trabalho e as vacinas, o grupo planeja se estabelecer no Brasil e trazer para cá os familiares que estão na Venezuela. Entre elas, há duas mães, cujos filhos ficaram sob os cuidados dos avós.
O primeiro abrigo no Brasil para refugiados LGBTI é um espaço seguro que acolhe a diversidade. Foto: ACNUR/João MachadoO primeiro abrigo no Brasil para refugiados LGBTI é um espaço seguro que acolhe a diversidade. Foto: ACNUR/João Machado
“Gostaria de voltar para a Venezuela apenas para visitar minha família. Lá está muito difícil, e aqui temos melhores perspectivas”, explica Jheraldine*.
“Mesmo que saiam da casa, elas sempre serão bem-vindas. Vamos continuar dando apoio e acompanhando o desenvolvimento de cada uma delas, no agora e no depois”, garante o diretor da ONG Manifesta.
Para o gestor, o primeiro abrigo de refugiados LGBTI fomenta a discussão sobre os diferentes riscos a que estão expostos os venezuelanos e venezuelanas. Debater esses desafios também permite repensar as políticas públicas para refugiados e migrantes.
“A orientação sexual ou identidade de gênero dessas pessoas se tornam um fator de vulnerabilidade, uma vez que muitos não reconhecem e legitimam a existência dessas pessoas enquanto sujeitos LGBTI”, afirma Gabriel Mota.

Crise na Venezuela

O ACNUR estima que 2,6 milhões de venezuelanos estão vivendo fora do seu país de origem, devido a uma complexa situação política e socioeconômica. Entre as razões que levam essas pessoas a deixar o lugar onde moram, estão a insegurança e a violência, redução na renda e dificuldades em obter comida, remédios e serviços essenciais.
Cerca de 70% dos venezuelanos expatriados estão em países da América do Sul, incluindo o Brasil. Segundo dados do governo federal, mais de 65 mil venezuelanos já solicitaram refúgio em terras brasileiras. Outros 19 mil entraram com um pedido de residência temporária.
Em Manaus, já são mais de 8,8 mil solicitações de refúgio feitas por venezuelanos desde 2017 e até agosto deste ano. Cerca de 600 pessoas estão em abrigos da cidade. Pelo menos 180 chegaram à cidade por meio do programa de interiorização.
Onu
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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Agência da ONU lança nova versão de plataforma sobre tráfico humano


Plataforma com dados desagregados sobre tráfico humano foi atualizada para melhorar análises de 90 mil casos do crime. Foto: OIMPlataforma com dados desagregados sobre tráfico humano foi atualizada para melhorar análises de 90 mil casos do crime. Foto: OIM
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou nesta semana (8) uma versão atualizada do seu Portal de Combate ao Tráfico de Pessoas, agora com dados sobre mais de 90 mil casos desse tipo de crime. A plataforma também ganhou novas ferramentas de visualização das estatísticas.
Conhecido pela sigla em inglês CTDC, o projeto disponibiliza informações sobre vítimas de 169 nacionalidades, que foram traficadas em 172 países. A inciativa é o primeiro portal global de dados desagregados sobre essa forma de violação dos direitos humanos, incluindo dados primários de organizações em todo o mundo.
As análises publicadas até o momento no website revelam novas compreensões sobre o tráfico humano, como os principais setores da indústria em que esse crime ocorre, as regiões geográficas de origem e exploração, as rotas do tráfico, além de outros temas específicos, como o sequestro e o recrutamento.
Quase metade das vítimas contabilizadas na plataforma são traficadas para a exploração de sua força de trabalho, com a maioria sendo alocada nos setores da construção, agricultura, manufatura, trabalho doméstico e hotelaria ou alimentação. A exploração sexual é o tipo mais comum de abuso, afetando pouco mais da metade dos adultos e mais de 70% das crianças.
Ainda de acordo com o portal, vítimas que são sequestradas para o tráfico têm maior probabilidade de ter familiares ou amigos envolvidos na realização do crime. Em 80% desses casos, as vítimas são mulheres.
Segundo os levantamentos do CTDC, as mulheres têm quase quatro vezes mais chances de serem recrutadas por seus parceiros íntimos, enquanto crianças são mais propensas que adultos a serem recrutadas por seus familiares.
“A existência desse tipo de dados é crucial para construir o embasamento de evidências para políticas e intervenções de combate ao tráfico”, disse Anh Nguyen, chefe da Divisão de Assistência e Proteção a Migrantes da OIM.
“Como a única fonte mundial de dados desagregados sobre vítimas de tráfico de pessoas, nossa esperança é que o CTDC contribua diretamente para os objetivos do Pacto Global sobre Migração."
Concluído em julho pelos países-membros da ONU, o pacto determina que as nações devem “coletar e utilizar dados precisos e desagregados como base para políticas baseadas em evidências” (Objetivo 1) e “prevenir, combater e erradicar o tráfico de pessoas no contexto das migrações internacionais” (Objetivo 10). O documento deve ser formalmente adotado em uma conferência em dezembro no Marrocos.
Com dados da OIM e das instituições Polaris e Liberty Asia, o portal deve continuar se expandindo à medida que novas estatísticas forem fornecidas. A expectativa é de que nos próximos meses, outras organizações parceiras e atuantes no combate ao tráfico disponibilizem mais informações para a plataforma.
Acesse o portal com conteúdo em inglês: https://www.ctdatacollaborative.org/.
Onu Brasil
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Jornalista diz que a imigração é uma ferramenta de poder na política

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O jornalista italo-argentino Roberto Savio defendeu hoje, em Lisboa, que a imigração se tornou uma ferramenta de poder na política, nomeadamente por movimentos e partidos que se aproveitam e também promovem o medo contra os imigrantes.

A imigração tornou-se uma ferramenta de poder na política", disse Savio, que é ainda economista, ativista e fundou a agência de notícias Inter Press Service (IPS) em 1964 com o jornalista argentino Pablo Piacentini.
O jornalista fez estas declarações no XIII Congresso Internacional do Conselho Português para os Refugiados (CPR), que ocorreu hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Roberto Savio afirmou ainda que existe "uma perceção sobre a imigração diferente da realidade", nomeadamente na Europa, sendo que esta perceção (negativa) é aproveitada por alguns movimentos para incutir o medo e manipular a opinião das pessoas contra os imigrantes.
O italo-argentino citou exemplos do ressurgimento de discursos xenófobos e anti-imigração em países como a Suécia, Itália, Hungria e os Estados Unidos.
"Vivemos 20 anos de ganância, entre 1989 e 2009, e agora viveremos 20 anos de medo", avaliou o jornalista.
Savio referiu que "entre 1989 e 2009 o mundo experimentou um período voltado para o mercado, para a ganância financeira", com os bancos a liderar e manipular a economia.
"Os governos voltaram-se para o mercado como motor do mundo e temas importantes como a saúde, educação, assistência social foram deixados de lado", sublinhou.
Segundo o jornalista, estamos a viver uma crise de valores.
Os valores mais enraizados, como por exemplo a solidariedade e justiça social, foram banidos do debate e, segundo o italo-argentino, estamos também a perder a noção da política como elemento de participação.
"Os jovens hoje em dia também estão agarrados à tecnologia e não debatem, não discutem os temas realmente importantes da sociedade", indicou.
O jornalista criticou também os meios de comunicação, que publicam apenas "eventos, deixando de analisar todo o processo de um determinado assunto, não possibilitando às pessoas uma visão global".
Lembrou a crise dos refugiados dos últimos anos, nomeadamente a fuga dos sírios do conflito no seu país, o que levou a uma reação de medo sobretudo na Europa, com o fluxo avassalador a chegar ao continente.
"Nos próximos 20 anos viveremos o medo", referiu, lembrando ainda que, mesmo países tradicionalmente com alto grau civilizacional, como a Suécia, viram surgir movimentos anti-imigração e xenófobos.
O jornalista afirmou que temos de lidar com estes medos e voltar a colocar na pauta do debate, a todos os níveis, os valores que foram deixados para trás, como a solidariedade, a justiça social, temas ligados a educação, participação política, entre outros.
Se isso não acontecer, segundo Savio, "haverá um aumento da xenofobia, o declínio da democracia participativa e o bloqueio total da imigração".
"Ao fechar as portas à imigração, criamos um problema maior, pois a Europa está a perder capital humano e a imigração é a principal forma para recuperar esta mão-de-obra", referiu, indicando que sem imigrantes, a Europa deixará de ser competitiva no mercado internacional.
Roberto Savio disse que "vivemos um período de mitos e manipulações em relação a temas como a imigração".
Diario de Noticias
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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Nova etapa da interiorização leva venezuelanos a outros Estados

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Em nova etapa do processo de interiorização, o Governo Federal e a Organização das Nações Unidas (ONU) transferem entre hoje e amanhã venezuelanos abrigados em Boa Vista para outros Estados. Nesta quinta-feira (8), 30 são levados para São Paulo e Rio de Janeiro. Na sexta-feira (9), os destinos são Pernambuco, Paraíba e Distrito Federal. 

Por volta das 8h, 30 imigrantes embarcaram em uma aeronave C-99 da Força Aérea Brasileira (FAB). Desses, 20 ficam em São Paulo, sendo 16 para a capital do Estado e quatro para Guarulhos. Outros 10 seguem viagem para o Rio de Janeiro. 

O voo de amanhã tem decolagem prevista para o mesmo horário, onde devem embarcar 42 venezuelanos. A primeira parada é no Recife, onde 18 seguem para Igarassu (PE) e 14 a João Pessoa. Outras 10 desembarcam em Brasília. 

Desde abril, cerca de 3 mil venezuelanos já foram levados a outros Estados pelo processo de interiorização. Todos os venezuelanos que viajam com a ajuda do governo aceitam voluntariamente participar do processo, são instruídos sobre as cidades de destino, vacinados e devidamente regularizados, inclusive com carteira de trabalho e CPF.
Fonte: ASCOM/Casa Civil
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Mostra CineTrabalho discute ‘Migração e Refúgio’ com exibições e debates


A Mostra CineTrabalho (Brazilian International Labour Film Festival – BILFF) acontece nos próximos dias 21 e 22 de novembro no Espaço Cultural Casa do Lago, na Unicamp.
O tema da Mostra será “Migração e Refúgio” e a programação terá exibições e debates.
O evento é uma pré-atividade do II Fórum Internacional Fontié Ki Kwaze – Fronteiras Cruzadas: (I)mobilidades globais e diásporas contemporâneas e uma atividade de extensão universitária da UNESP – Universidade Estadual Paulista. O evento mescla as características de um festival de cinema com a disciplina das ciências sociais para oferecer conhecimento e uma visão crítica sobre o mundo do trabalho.
Veja abaixo mais detalhes de toda programação:
1a. Sessão
Quarta-feira, 21 de novembro | 14h30
Abertura
Profa. Dra. Ana Carolina Maciel
Cátedra Sérgio Vieira de Mello – UNICAMP
SOLIDARIEDADE ATRAVÉS DAS FRONTEIRAS
Leo Hyde
Líbano | 2017 | Documentário | 7 minutos
Depois que os refugiados sírios fogem da guerra eles se estabelecem na comunidade de Georges, no Líbano. Ele e seu sindicato trabalham para garantir que todos tenham acesso a água potável segura e saneamento. O documentário integra a Série “One Day”, um projeto produzido pela Internacional de Serviços Públicos, que tenta capturar um dia comum na vida extraordinária de trabalhadores do serviço público.
DISTRITO ZERO
Pablo Iraburu e Jorge Fernández
Espanha | 2015 | Documentário | 67 minutos
O que se esconde dentro do telefone uma pessoa refugiada? Suas recordações, sua memória, sua identidade, contatos com o mundo do qual ela teve que fugir. Este filme narra a vida quotidiana de uma pequena oficina de conserto de celulares em um dos maiores campos de refugiados do mundo.
Mesa 1. Cidades de Refúgio
Participantes:
Profa. Dra. Mariana Fix
Instituto de Economia – UNICAMP
Profa. Dra. Ana Carolina Maciel
Cátedra Sérgio Vieira de Mello – UNICAMP
Proposta da Mesa: O que quer dizer uma cidade de refúgio? Por que essas cidades se tornam cada vez mais comuns no mundo contemporâneo? Afinal, onde se localizam os maiores efeitos das guerras e dos conflitos? O olhar sobre as barreiras e as aberturas na recepção desses refugiados pelas cidades, pelas Universidades, nos ajudará a discutir o recomeço de vida para milhões de refugiados e deslocados forçados. Será dada uma especial atenção ao drama vivido pela populaçãsíria no contexto atual.
2a. Sessão
Quarta-feira, 21 de novembro | 19h
REACT: UM FESTIVAL DE TEATRO FEITO POR REFUGIADOS
Acta Community Theatre
Reino Unido | 2018 | Documentário | 15 minutos
O documentário apresenta a experiência do Projeto Refugee Engagement and Integration through Community Theatre (2016-2018), na cidade de Bristol (Inglaterra), em parceria com o Rotterdams Wijktheater (Holanda) e o Centro per lo Sviluppo Creativo Danilo Dolci (Sicilia, Itália); um programa de teatro comunitário para os refugiados compartilharem suas histórias com as comunidades locais que os recebem. O projeto tem o apoio do Creative Europe Programme of the European Union.
YOU’RE WELCOME
Rebecca Panian
Suíça, Áustria, Alemanha | 2017 | Ficção | 9 minutos
Você deseja beber um café tranquilamente, mas acaba em uma situação em que as pessoas começam a incitar o ódio contra os refugiados – o que você faz? Enquanto espera por seu trem em uma cafeteria, uma jovem (Olivia) de repente encontra-se em uma situação em que o barista afugenta uma menina que pede esmolas na calçada e começa a fazer comentários de ódio contra os refugiados com os demais clientes. Olivia tem que decidir se simplesmente deixa o lugar, como fez um dos clientes, ou se deve agir. Baseado em uma história real.
UM PASSO SEM OS PÉS
Lydia Schamschula e Jeremy Glaholt
Alemanha | 2018 | Documentário | 45 minutos
Este não é apenas um outro filme sobre refugiados. É um documento da vibrante cultura síria em Berlim (Alemanha). Devido a estereótipos equivocados que são perpetuados pela mídia; ser rotulado de “refugiado” tende a ter conotações negativas. Essa identidade negativa geralmente os leva a se sentirem isolados. O objetivo deste filme é combater a desumanização constante que a mídia faz dos sírios solicitantes de asilo. Uma vez que você é apresentado a pessoa, face a face, você é lembrado de sua humanidade. Através de temas universais, como a música, a arte, a família e os amigos, somos reintroduzidos à nossa conexão mútua.
Mesa 2. Arte e cultura no refúgio
Participante:
Joice Domeniconi
Doutoranda em Demografia
Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” – UNICAMP
Proposta da mesa: O que significa ser um refugiado? Quais são os seus sentimentos? Só a escuta da voz dos sujeitos envolvidos pode explicar a condição humana dos deslocamentos forçados, que tendem a aumentar no mundo atual. Só esta escuta pode desconstruir os estereótipos que contribuem para a exclusão desse grupo social e para o seu isolamento. A arte, a cultura, a música também acompanham esses deslocamentos e são trazidas, aqui, como instrumento de afirmação e ação dos refugiados.
3a. Sessão
Quinta-feira, 22 de novembro | 14h30
PARA ONDE FORAM AS FLORES?
Sin-Hong Chan
China | 2016 | Animação | 4 minutos
Um porquinho persegue seus sonhos em uma grande fábrica, mas todos os esforços parecem, na realidade, estarem perdidos.
CÚMPLICE
Heather White e Lynn Zhang
China, Estados Unidos da América | 2017 | Documentário | 89 minutos
“Cúmplice” é um filme sobre trabalhadores migrantes na China, país que produz 90% dos eletrônicos de uso pessoal de todo o mundo. Segundo dados oficiais, a cada cinco horas, um trabalhador é envenenado por produtos químicos tóxicos utilizados na fabricação desses equipamentos. Mas especialistas afirmam que o número real é muito maior. Filmado sem despertar a atenção, ao longo de três anos, o documentário “Cúmplice” segue o trabalhador migrante chinês que se tornou ativista, Yi Yeting, e outros ativistas que lutam para melhorar as condições de trabalho nas fábricas. Enquanto luta contra uma leucemia ocupacional, Yi Yeting estuda direito trabalhista por conta própria para preparar uma contestação legal contra seus antigos empregadores. Além de enfrentar funcionários corruptos, os ativistas se infiltram em fábricas que fabricam produtos para algumas das maiores marcas do mundo, como a Apple e a Samsung, para conseguirem provas de condições de trabalho perigosas.
Mesa 3. Migração, Saúde, Trabalho
Participantes:
Prof. Dr. Ricardo Antunes
Departamento de Sociologia, IFCH-UNICAMP
Mariana Shinohara Roncato
Doutoranda em Sociologia, IFCH-UNICAMP
Proposta da mesa: Qual é a relação entre a indústria de eletrônicos na China com as migrações internas? Hoje, os celulares e os eletrônicos não são apenas acessórios, mas parte integrante do corpo, da mente e da vida das pessoas. O trabalho migrante implicado nesses aparelhos tem muito a nos dizer sobre as dimensões ocultas dessa produção, seus efeitos para a saúde das pessoas implicadas e para a sociedade em geral.
4a. Sessão
Quinta-feira, 22 de novembro | 19h
MONICA
Dimitris Argyriou
Alemanha, Grécia | 2016 | Ficção | 5 minutos
Monica queria ser cabeleireira quando era jovem. As coisas deram errado… e esta é a sua história. (Baseado em uma entrevista real com uma vítima do tráfico de mulheres).
M.A.M.O.N. (MONITOR AGAINST MEXICANS OVER NATIONWIDE)
Alejandro Damiani
Uruguai, México | 2016 | Animação | 5 minutos
Enquanto Trump é submetido a uma cirurgia, um portal se abre para uma outra realidade. Os latinos residentes nos Estados Unidos se veem transportados ao deserto na fronteira, dividido por um muro. Ali se desenvolve uma batalha épica entre um robô mecha, controlado por Trump, e vários mexicanos estereotipados.
LIMPADORES
Fernando Gonzáles Mitjáns
Reino Unido | 2015 | Documentário | 40 minutos
“Limpadores” apresenta o quotidiano e lutas de trabalhadores migrantes invisíveis, em algumas das mais prestigiadas universidades de Londres, e o seu trabalho de providenciar que escritórios e salas de aula estejam limpas e arrumadas antes que professores e estudantes cheguem para as aulas do período da manhã.
Mesa 4. Mulheres em migração, trabalho imigrante nas Universidades
Participante:
Daniel Perseguim
Mestrando da ECA-USP
Representante do Fórum Fontié Ki Kwase – Fronteiras Cruzadas
Proposta da mesa: Qual trabalho é reservado às mulheres imigrantes no mundo atual? O que elas têm a dizer sobre esse trabalho e como se organizam? Valorizamos a troca de saberes e resistências dos trabalhadores imigrantes no nosso meio de trabalho. A educação, a arte e a tecnologia são aqui mobilizadas para compreender como é possível atuar de forma colaborativa com os imigrantes.
Inscrições e Certificados
O evento é gratuito e será conferido certificado de participação.
As inscrições poderão ser feitas no início de cada sessão.
Local:
 
Espaço Cultural Casa do Lago
(Sala de Cinema)
 
UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas
Av. Érico Veríssimo, 1011 – Cidade Universitária Zeferino Vaz
Barão Geraldo, Campinas-SP
13083-851
 
Comissão Organizadora:
Patricia Villen
Mariana Shinohara Roncato
Gabriel Cyrilo
carta campinas 

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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Por que o fechado Japão agora quer abrir suas portas para imigrantes

Produtores de arroz japoneses trabalhando na colheita em um campo de arroz em 20 de setembro de 2015 em Sayo, Japão
O governo do Japão propôs um projeto de lei para flexibilizar as regras de imigração do país.
O texto enviado ao Legislativo cria duas novas categorias de vistos para permitir que estrangeiros em setores com escassez de mão-de-obra, como construção, agricultura e saúde, possam atuar em seu território.
Atualmente, o Japão tem leis restritivas de imigração e aceita poucos profissionais de outros países.

ão-de-obra qualificada

Pelas novas regras, trabalhadores na primeira categoria de visto teriam permissão para trabalhar no país por cinco anos, e levar suas famílias, se tiverem certo nível de qualificação e alguma proficiência em japonês.
Já os mais qualificados estariam aptos a obter a segunda categoria de visto e poderiam se candidatar à residência.
O projeto de lei precisa ser aprovado pelo Parlamento e está enfrentando críticas de partidos da oposição. A preocupação, na visão deles, é com o impacto potencial que uma maior abertura a estrangeiros teria sobre os salários e a taxa de criminalidade no país.
Gráfico mostra como a população japonesa está envelhecendo

'Escolas com playgrounds vazios'

O envelhecimento da população é uma das razões por trás da possível flexibilização das regras para trabalho estrangeiro.
Rupert Wingfield-Hayes, correspondente da BBC News em Tóquio, observa que "o Japão é um exemplo fascinante do que pode acontecer com um país desenvolvido que não quer imigração".
Ele observa que a taxa de natalidade do país caiu abaixo de 2,1 filhos por mulher - ponto de reposição - em meados da década de 1970, se situando agora em torno de 1,4.
"Acrescente-se a isso a maior expectativa de vida do mundo (85,5 anos) e você tem um problema. E não é preciso ir longe de Tóquio (a capital do país) para vê-lo: são escolas com playgrounds vazios e silenciosos e campos de arroz, por exemplo, cultivados por homens idosos com as costas curvadas".

Desafios

O jornalista observa que o Japão tem, aos poucos, se tornado mais aberto a trabalhadores estrangeiros e que isso também traz desafios. Ele cita o exemplo de uma loja local de conveniência em que a equipe de funcionários é totalmente composta por jovens do Nepal que, tecnicamente, trabalham como estudantes ou "estagiários".
O problema, nesse sistema, segundo Hayes, é que ele está muito suscetível a abusos por parte de empregadores. Ele dá outro exemplo para ilustrar o quadro:
"Conheci recentemente uma mulher vietnamita que veio como estagiária. A fábrica de roupas que a contratou a fazia trabalhar 14 horas por dia, sete dias por semana. Em seu primeiro ano no Japão, ela só teve sete dias de folga".
Para o jornalista, "está claro que o Japão precisa de mão de obra estrangeira, mas também que precisa de um sistema adequado para regularizar e proteger essa mão de obra".
Shinzo Abe, primeiro-ministro do JapãoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionConforme o primeiro-ministro, novos vistos só serão concedidos a trabalhadores com habilidades específicas e apenas em alguns setores
As empresas no Japão há muito argumentam a favor de mudanças nas regras de imigração para recrutar trabalhadores de outros países.
Mas o primeiro-ministro Shinzo Abe destacou que a lei proposta não é uma revisão da política de imigração.
O Japão só aceitará trabalhadores estrangeiros "que tenham habilidades específicas e possam trabalhar imediatamente para fazer face a graves carências de mão-de-obra, apenas em setores que realmente precisam deles", disse ele a deputados na quinta-feira.
BBCBRASIL
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1º Congresso Brasileiro sobre Migrações e Refugiados ocorre entre os dias 8 e 9 de novembro na UFRR

O Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Roraima (ICJ/UFRR), em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil em Roraima (OAB/RR) promovem entre os dias 8 e 9 de novembro, o 1º Congresso Brasileiro sobre Migrações e Refugiados. O evento será realizado no auditório Alexandre Borges, localizado no Campus Paricarana da UFRR.
O objetivo do evento é demonstrar e debater com a sociedade em geral a questão imigratória no Estado de Roraima e no Brasil, buscando soluções, por meio da discussão científica e jurídica. 
No primeiro dia, haverá a Conferência Magna, com o tema: Os Direitos Humanos em tempo de crise, ministrada pelo professor doutor Sidney Guerra, da Universidade Federal  do Rio de Janeiro (UFRJ).  A programação segue até o dia 9 de novembro, com palestras e o lançamento do livro “Fluxos Migratórios Mistos para as Américas: uma abordagem jurídica”. 
As inscrições para participar do evento são gratuitas e podem ser feitas, por meio correio eletrônico: congressobrasileiro.mr@gmail.com.  Para realização das inscrições é necessário informar o nome completo,  CPF e  a Instituição vinculado.
Programação completa AQUI. 
Contato (entrevistas): (95)991501050- Luiz Bruno Lisbôa
UFRR
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