segunda-feira, 6 de março de 2017

Venezuelanos buscam melhores condições de vida no Amazonas

Depois de Roraima, o Amazonas passou a ser uma opção para venezuelanos que deixaram o país em busca de melhores condições de vida. A Venezuela enfrenta grave crise política e econômica, com escassez de alimentos, e essa situação está levando a população vizinha a procurar refúgio no Brasil. Entre 2014 e 2015, a Polícia Federal em Manaus registrou aumento de 402% nos requerimentos para entrada no país.
Até outubro do ano passado, foram 782 pedidos de refúgio, 115,8% a mais que em 2015, quando foram protocoladas 367 solicitações.

O venezuelano Elias Peres chegou a Manaus no fim de janeiro com a mulher e o filho, de 4 meses. Ele conta que estava desempregado e passando fome. “Aqui, a gente come um pouco melhor. Lá ficava três dias sem comer. A Venezuela não tem nada. O governo não está ajudando em nada”, afirmou.

Um grupo de trabalho, formado por 12 instituições, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, está monitorando a presença dos imigrantes. Levantamento feito em fevereiro identificou 117 venezuelanos na capital amazonense, sendo 95% indígenas, que atravessaram a fronteira no município de Pacaraima, em Roraima. A maioria está vivendo no bairro Educandos, no centro, e na Rodoviária de Manaus em abrigos improvisados. A secretária da pasta, Graça Prola, conta que algumas famílias aceitaram ir para um abrigo público onde recebem comida e assistência de saúde. Outros imigrantes recusaram a ajuda e estão pedindo esmola nas ruas.

“O abrigo ofertado pela Arquidiocese de Manaus, da Pastoral do Imigrante, inicialmente eles recusaram. Depois, duas ou três famílias foram e ainda permanecem lá. A maioria dos imigrantes que veio para cá é formada por mulheres. Não sei se é uma prática cultural, mas é uma prática elas pedirem esmola em lugares movimentados. Isso aconteceu em Boa Vista e ocorre com regularidade em Pacaraima”, disse Graça Prola.

Segundo a secretária, a maioria dos imigrantes está com a documentação pessoal e de permanência no Brasil em situação irregular. Eles informaram, no entanto, que não pretendem ficar no país por muito tempo.
“Pelo que falam, ele estão em busca de capital, de dinheiro para voltar para a cidade deles e comprar mantimentos porque lá estão sem alimentos e com fome. Alguns disseram que pretendem voltar no fim de março. Pela legislação que regulamenta a migração, eles podem e devem procurar a Polícia Federal para solicitar asilo, refúgio e ou visto de permanência. Só que essas solicitações devem ser espontâneas, não podem ser referenciadas”, afirmou.

Graça Prola informou ainda que foi feita uma solicitação à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para que haja maior fiscalização nas cidades de Pacaraima e Boa vista, em Roraima, no sentido de impedir que imigrantes sem documentação embarquem em ônibus para outras cidades e estados.

*Com a colaboração da TV Cultura no Amazonas
Edição: Graça Adjuto
www.miguelimigrante.blogspot.com

sábado, 4 de março de 2017

Audiência pública debate situação dos venezuelanos em Roraima


O Ministério Público Federal em Roraima (MPF-RR), a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e a 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF realizam na próxima sexta-feira, dia 10 de março, uma audiência pública para debater a situação dos migrantes venezuelanos que vivem no Estado.
O evento, que será realizado a partir das 8h, no Auditório Alexandre Borges da Universidade Federal de Roraima (UFRR), pretende levantar informações, críticas e sugestões sobre a prestação de serviços relacionados à assistência social, trabalho, saúde, educação e abrigamento dos venezuelanos, bem como sobre a situação específica dos migrantes indígenas. Os dados coletados vão instruir procedimentos administrativos instaurados no MPF.
A audiência é aberta ao público – sem a necessidade de inscrição prévia – e voltada aos migrantes residentes em Roraima, bem como a lideranças indígenas, profissionais da imprensa e autoridades e estudiosos da área de migração.
Inscrições para exposição oral podem ser feitas previamente, por mensagem ao e-mail greice@mpf.mp.br, até as 14 horas do dia 9 de março. A mensagem deve conter nome completo do participante, entidade ou órgão público de que faça parte e o tema que pretende debater. Os interessados ainda podem encaminhar manifestações escritas para o e-mail indicado. Também será possível a inscrição para debates no início de cada mesa, considerando o tempo disponível.
O tempo para manifestação oral será limitado, de acordo com o número de inscrições, e comunicado pelo coordenador dos trabalhos. Os espectadores poderão formular perguntas por escrito aos componentes da mesa.
Programação
A audiência pública contará com a participação do procurador Federal dos Direitos do Cidadão adjunto, João Akira Omoto, do procurador da República José Gladston Viana Correia, que atua na defesa dos direitos indígenas, e do procurador Regional dos Direitos do Cidadão em Roraima.
A programação do evento prevê quatro mesas de debate, que vão discutir os temas Regularidade migratória e direitos dos migrantes venezuelanos, a partir das 9h15; Estrutura de abrigamento dos migrantes venezuelanos, direito de igualdade no acesso à assistência social e inserção laboral, entre 11h15 e 13h; Direitos específicos dos povos indígenas, com início às 14h15; e Igualdade no acesso à saúde e à educação e direitos das mulheres e das crianças venezuelanas, a partir das 16h15. (veja programação completa no edital de convocação da audiência)
Para enriquecer o debate e levantar soluções de assistência aos migrantes, foram convidados para a audiência representantes da Defensoria Pública da União (DPU), do Governo do Estado de Roraima, das prefeituras dos municípios de Boa Vista e Pacaraima, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça (MJ), da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Casa Civil da Presidência da República, da Reitoria da UFRR, além das lideranças indígenas venezuelanas e de representantes dos migrantes não indígenas.
Folha Web
www.miguelimigrante.blogspot.com

Haitianos abandonados em Manaus foram realocados em voos da Gol, TAM e Azul

A maior parte do grupo de 52 haitianos abandonados em Manaus pela companhia aérea Insel Air foram realocados  em voos da Gol, TAM e Azul, com destino a várias cidades brasileiras; outra parte deles seguiu no início da madrugada deste sábado (4). Todos conseguiram ser realocados para voos de companhias nacionais após acordo feito entre as empresas, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e o Procon Amazonas.
A informação foi confirmada pela diretora do Procon Amazonas, Rosely Fernandes. “Após um acordo feito com todas as companhias aéreas e com a Infraero, definimos que todos os haitianos vão seguir para seus destinos”, disse. Dos 52 haitianos deixados em Manaus pela Insel Air, 34 já conseguiram embarcar ainda nesta tarde. Outros 12 vão viajar na noite desta sexta (3) e outros 6 seguem viagem somente na madrugada de sábado (4).
Antes do acordo entre as empresas, a Infraero e o Procon, a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) havia anunciado que todos os estrangeiros receberiam ajuda do Governo do Estado com acolhimento em três abrigos em Manaus, como medida emergencial, incluindo alimentação, higiene e limpeza. Enquanto esperavam pelos novos voos, eles foram atendidos nos abrigos.
Inicialmente, 152 haitianos foram abandonados nesta semana pela Insel Air no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, após perderem voos de conexão para outras cidades brasileiras devido problemas da companhia, segundo informou a diretora do Procon Rosely Fernandes. Destes, 100 deles conseguiram comprar novos bilhetes e seguiram viagem por conta própria e 52 foram negligenciados e ficaram a mercê na cidade sem ter o que fazer.
Histórico de problemas
A companhia Insel Air, que tem a ilha caribenha de Curaçao como base, atrasou por semanas a saída de vários passageiros do Haiti, fazendo com que eles ficassem sem passagem para seguir viagem. Muitos dos passageiros sequer falam português e têm imensa dificuldade de comunicação com os funcionários do aeroporto.
 Insel Air começou a operar em Manaus em 2015, iniciando com a rota para Aruba e depois, em julho do mesmo ano, oferecendo os voos para Curaçao. Desde o ano passado, no entanto, os problemas enfrentados pelos passageiros da empresa são recorrentes. Muitos cancelamentos vem sendo registrados, tanto saindo de Manaus quanto saindo de Curaçao, o principal “hub” -  base para os voos - da companhia. 
A situação levou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a oficiar a empresa para que ela preste esclarecimentos a respeito dos motivos dos problemas. A Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur) também procurou a empresa, e segundo a diretora-presidente do órgão, Oreni Braga, a posição oficial da Insel é que ela está em fase de venda para a Avianca, que deve assumir seus voos.
A Critica 
www.miguelimigrante.blogspot.com

sexta-feira, 3 de março de 2017

Governo brasileiro reedita a resolução normativa que autoriza residencia provisoria a estrangeiro de pais fronteiriço


Governo  decidiu reeditar a resolução  normativa que autoriza residência provisória concedida a estrangeiro de país fronteiriço . Poderá ser concedida residência temporária, pelo prazo de até 2 anos, ao estrangeiro que tenha ingressado no território brasileiro por via terrestre e seja nacional de país fronteiriço, para o qual ainda não esteja em vigor o Acordo de Residência para Nacionais dos Estados Partes do MERCOSUL e países associados.
O interessado deverá fazer sua solicitação nas unidades da Polícia Federal.

CONSELHO NACIONAL DE IMIGRAÇÃO

RESOLUÇÃO NORMATIVA No - 126, DE 2 DE MARÇO DE 2017

Dispõe sobre a concessão de residência temporária a nacional de país fronteiriço. O Conselho Nacional de Imigração, instituído pela Lei nº 6.815, de 19 de agosto de 1980, e organizado pela Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto nº 840, de 22 de junho de 1993, Tendo em vista o disposto na Resolução Normativa nº 27, de 25 de novembro de 1998, combinada com a Resolução Recomendada nº 8, de 19 de dezembro de 2006, Considerando os objetivos que inspiraram o Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados Partes do MERCOSUL e Países Associados, no sentido de aprofundar o processo de integração, implementar política de livre circulação e promover a regularização migratória dos nacionais da região.
Considerando os compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito internacional, no sentido de estabelecer políticas migratórias que garantam o respeito integral aos direitos humanos dos migrantes e seu pleno acesso à justiça, à educação e à saúde,

Considerando o fluxo migratório a unidades da Federação, sobretudo na região Norte, de estrangeiros nacionais de países fronteiriços que ainda não são parte do referido Acordo de Residência, que se encontram em situação migratória irregular no Brasil e aos quais não se aplica o instituto do refúgio para permanecer no país, resolve:

Art. 1º Poderá ser concedida residência temporária, pelo prazo de até 2 anos, ao estrangeiro que tenha ingressado no território brasileiro por via terrestre e seja nacional de país fronteiriço, para o qual ainda não esteja em vigor o Acordo de Residência para Nacionais dos Estados Partes do MERCOSUL e países associados.
Parágrafo único. A solicitação de residência temporária deverá ser feita junto às unidades da Polícia Federal, para registro, mediante a apresentação da seguinte documentação:
I - requerimento preenchido;
II - duas fotos 3x4;
III- cédula de identidade ou passaporte válido;
 IV - certidão de nascimento ou casamento ou certidão consular; V - certidão negativa de antecedentes criminais emitida no Brasil;
V - declaração de que não foi processado criminalmente no país de origem;
 e VI - comprovante de pagamento de taxas.
Art. 2º O estrangeiro que pretenda se beneficiar da presente Resolução Normativa e tenha solicitado refúgio no Brasil deverá apresentar às unidades da Polícia Federal declaração de preferência de regularização de estada, indicando como fundamento de seu pedido esta Resolução Normativa.
Parágrafo único. A declaração de preferência será encaminhada ao Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) para as providências administrativas a seu encargo.
Art. 3º Esta Resolução Normativa vigorará pelo prazo de um ano, podendo ser prorrogada.
Art. 4º Esta Resolução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

HUGO MEDEIROS GALLO DA SILVA

 Presidente do Conselho

Diário Oficial da União 

www.miguelimigrante.blogspot.com

UNICEF: 75% das crianças migrantes sofreram assédio ou agressão nas mãos de adultos no Mediterrâneo

Fundo das Nações Unidas para a Infância lançou relatório que destaca as rotas da África Subsaariana para a Líbia e as travessias do mar com destino à Europa como algumas das mais perigosas e mortíferas do mundo para crianças e mulheres.
Em Mossul, no Iraque, Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou para aumento da violência. Milhares de pessoas chegaram nessa semana na região a sudeste da cidade, fugindo dos conflitos.
Migrante em centro de detenção na Líbia. Foto: UNICEF/Romenzi
Migrante em centro de detenção na Líbia. Foto: UNICEF/Romenzi
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou um relatório na terça-feira (28) que destaca as rotas da África subsaariana para a Líbia e as travessias do mar com destino à Europa como algumas das mais perigosas e mortíferas do mundo para crianças e mulheres.
“As crianças e mulheres refugiadas e migrantes estão sofrendo com frequência de violência sexual, exploração, abuso e detenção ao longo da rota migratória do Mediterrâneo Central desde o norte da África até a Itália”, alertou o UNICEF no documento.
De acordo com o relatório, 256 mil migrantes foram registrados na Líbia. Desse contingente, cerca de 54 mil são mulheres e crianças.
Além disso, acredita-se que pelo menos 181 mil pessoas – incluindo mais de 25.800 crianças desacompanhadas – tentaram chegar à Itália por meio de contrabandistas em 2016.
Na parte mais perigosa – do sul da Líbia para a Sicília –, uma em cada 40 pessoas é morta, apontou o UNICEF.
De acordo com a diretora dos Programas de Emergência do UNICEF, Afshan Khan, a rota é controlada principalmente por contrabandistas, traficantes e outras pessoas que procuram sequestrar crianças desesperadas e mulheres que buscam refúgio ou uma vida melhor.
O documento apontou que quase metade das mulheres e crianças entrevistadas sofreu abuso sexual ao longo da viagem. Em algumas ocasiões, durante várias vezes e em vários locais.
Além disso, cerca de três quartos de todas as crianças entrevistadas disseram ter “experimentado violência, assédio ou agressão nas mãos de adultos”, incluindo espancamentos, abuso verbal e emocional.
Diante da situação, o UNICEF pediu aos governos e países da União Europeia que adotem medidas urgentes para promover os direitos humanos e proteger as mulheres e crianças migrantes.
O relatório da agência da ONU se baseia em entrevistas realizadas com 122 pessoas, incluindo 82 mulheres e 40 crianças de 11 nacionalidades. Entre os menores interpelados, 15 são meninas entre 10 e 17 anos.

OIM alerta para aumento do deslocamento de Mossul em meio à escalada da violência

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou na terça-feira (28) que milhares de pessoas que fogem dos conflitos da cidade de Mossul, no Iraque, chegaram recentemente em abrigos no país destinados a deslocados internamente.
Segundo a agência, cerca de 1.650 pessoas chegaram terça-feira às instalações de Hamam al-Aleel e quase 2.800 chegaram à faixa aérea de Qayara na noite de domingo. Ambos os locais estão em Nineweh, no sudeste de Mossul.
Bebê deslocado do conflito em Mossul em abrigo em Qayara, em Ninewa, Iraque. Foto: OIM/Hala Jaber
Bebê deslocado do conflito em Mossul em abrigo em Qayara, em Ninewa, Iraque. Foto: OIM/Hala Jaber
“Esses números, entre os maiores em semanas, são apenas uma fração das 250 mil ou mais pessoas que ainda podem ser deslocadas do oeste da cidade, à medida que os combates aumentarem”, alertou a assessor de imprensa da OIM para o Iraque, Hala Jaber.
“Há uma preocupação séria com os 750 mil civis que estão presos na área ocidental densamente povoada, com as condições piorando diariamente, segundo relatos e testemunhos daqueles que conseguiram escapar”, acrescentou.
Desde o início dos esforços das forças iraquianas para retomar a parte ocidental da cidade em 19 de fevereiro, mais de 10 mil pessoas foram deslocadas na zona, de acordo com o Ministério de Migração e Deslocamento do Iraque (MoMD).
O campo de Qayara da OIM fornece atualmente abrigo para 4.472 famílias deslocadas ou 25.344 pessoas, com uma capacidade planejada para abrigar 10 mil famílias ou 60 mil indivíduos.
O local de emergência de Haj Ali está hospedando atualmente 1.565 famílias deslocadas, ou 6.994 indivíduos, com uma capacidade planejada para 7 mil famílias ou 40 mil pessoas.
Onu
www.miguelimigrante.blogspot.com

Haitianos são abandonados no Aeroporto de Manaus após problemas com a Insel Air

Dante GraçaManaus (AM)
Um grupo de pelo menos 50 haitianos, que chegou à capital amazonense na madrugada de segunda-feira, está abandonado no Aeroporto de Manaus depois de perderem seus voos de conexão para outras cidades do País por conta de problemas com a companhia aérea Insel Air.  
A companhia, que tem a ilha caribenha de Curaçao como base, atrasou por semanas a saída de muitos passageiros do Haiti, fazendo com que eles ficassem sem passagem para seguir viagem para seus destinos finais. 
Muitos dos passageiros sequer falam português e têm imensa dificuldade de comunicação com os funcionários do Aeroporto, que chegaram a retirar os computadores do stand da Insel Air no aeroporto temendo que os haitianos quebrassem os materiais. "Nós não vamos quebrar nada, nós só queremos respeito", afirmou Ernest Cadet, 27, que mora em Manaus há quatro anos e esteve junto ao grupo para tentar ajudá-los a encontrar uma saída para a situação. De acordo com ele, para muitos, a jornada começou em janeiro.
Alguns haitianos mostraram passagens comprovando agendamentos para 30 de janeiro, saindo do Haiti, fazendo escala em Curaçao e Manaus, e da capital amazonense seguiriam para outras cidades onde iriam trabalhar. No entanto, a saída do Haiti foi sendo atrasada sem explicações. E quando eles chegaram ao Brasil, imaginando que a espera finalmente acabaria, se depararam com problemas ainda mais sérios.
"Eu tinha serviço para pegar dia 9 de fevereiro. Agora eu não posso chegar na minha empresa, já passou um mês e não consegui entrar no Brasil", afirmou Renan Saint Aubin, que mora em Lajeado (RS), onde trabalha na Companhia Minuano de Alimentos. O voo dele seria Manaus-Brasíia-Porto Alegre, mas até o momento ele segue sem qualquer perspectiva de chegar à cidade. "Eu não tenho mais nem meus remédios, que preciso tomar", lamentou ele. 
Marckens Vikygelin já morava em São Paulo e voltou ao Haiti apenas para rever a família. Ele tinha a passagem marcada para o dia 15 de fevereiro para São Paulo, onde esperava chegar no dia 16. No entanto, até agora, ele não conseguiu chegar à capital paulista e já teme os prejuízos. "Eu tinha emprego mas agora não sei mais como vai ficar. Você sabe que a situação está difícil para conseguir trabalho no Brasil", lamentou ele. 
Sem auxílio e sem condições
A situação de fome e de desespero é comum entre os haitianos que estão no Aeroporto de Manaus. Qualquer aproximação da reportagem era vista por eles como uma saída, um socorro, já que eles não encontraram suporte nem da companhia aérea nem dos funcionários do Aeroporto. Eles chegaram a pegar formulários da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas relataram que sequer foram atendidos por ninguém da administração do aeroporto. "Isso é preconceito. Eles sabem que se a gente falasse português a gente iria no Procon, iria fazer algumas coisas, aí eles não fariam isso com a gente. Então a gente pede pro Governo do Brasil, para as pessoas que têm poder para ajudar a gente, por favor cheguem aqui porque precisamos de ajuda", afirmou Ernest Cadet. 
Ele lembrou que os haitanos chegaram ao Brasil com os devidos vistos e que vieram para cá esperando por algo melhor. Muitos deles já tinham empregos no País e foram ao Haiti apenas para ver as famílias. Na tentativa de voltar, no entanto, se depararam com a situação de completo abandono. "Meu vôo era dia 20 de fevereiro e vim só domingo passado para Manaus. Quando chegamos aqui, não tinha voo", relatou Pierre Andre Du Pevil, com um português de vocabulário raso mas compreensível, fruto do tempo vivido em São Paulo, para onde ele tentava voltar para trabalhar.
De Manaus, ele vai levar as lembranças do almoço sem direito a àgua que era "dado" no hotel onde eles ficaram hospedados, por conta da Insel Air. "Aqui está tudo muito ruim. Estamos sem dinheiro, no hotel pagavam comida mas não davam nem água. Só comprava quem tinha o dinheiro". 
Histórico de problemas
A Insel Air começou a operar em Manaus em 2015, iniciando com a rota para Aruba e depois, em julho do mesmo ano, oferecendo os voos para Curaçao. Desde o ano passado, no entanto, os problemas enfrentados pelos passageiros da empresa são recorrentes. Muitos cancelamentos vem sendo registrados, tanto saindo de Manaus quanto saindo de Curaçao, o principal 'hub' -  base para os voos - da companhia. 
A situação levou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a oficiar a empresa para que ela preste esclarecimentos a respeito dos motivos dos problemas. A Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur) também procurou a empresa, e segundo a diretora-presidente do órgão, Oreni Braga, a posição oficial da Insel é que ela está em fase de venda para a Avianca, que deve assumir seus voos. 
Em todas as matérias publicadas previamente pelo Portal A Crítica a respeito dos problemas da Insel, nunca houve sucesso na busca por um posicionamento da empresa. 
A Critica 
www.miguelimigrante.blogspot.com

quinta-feira, 2 de março de 2017

Peru: Entró en vigencia la nueva Ley de Migraciones

Norma facilita el ingreso de extranjeros al país. Modifica estados migratorios según el tiempo de permanencia y actividades



A través del Decreto Legislativo 1305, publicado el 7 de enero, se oficializó la Nueva Ley de Migraciones. Esta norma, que ayer entró en vigencia, establece diversas reformas migratorias para aquellos extranjeros que deseen radicar en el Perú.
De acuerdo a la Superintendencia Nacional de Migraciones, esta legislación facilitará el ingreso de personal altamente calificado, inversionistas y voluntarios de otras naciones, lo cual “contribuirá al desarrollo del país”.
—Calidades migratorias—
La nueva norma determina dos calidades migratorias, según el tiempo de permanencia y las actividades que se desarrollarán. La primera calidad es la temporal, que el Estado otorgará a los extranjeros que lleguen al Perú sin ánimo de residencia y por estancias cortas. A esta se pueden acoger los visitantes que arriben como turistas, voluntarios (estadía máxima de 183 días), investigadores, negociantes, trabajadores temporales (365 días),  artistas, deportistas (90 días), tripulantes internacionales (30 días) y periodistas (el Gobierno determina el plazo de estadía).
La segunda calidad migratoria es la de residencia, con la cual se autoriza el ingreso a los extranjeros según las siguientes calificaciones: cooperante (experto o voluntario de cooperación gubernamental o no gubernamental ratificado por tratado internacional), formación o estudios (por un plazo máximo de 365 días), religioso (365 días), inversionista (365 días) y rentista (jubilado extranjero con  estadía indefinida), entre otras.
—Inversiones y rentas—
El superintendente nacional de Migraciones, Eduardo Sevilla, explicó que aquellos extranjeros que deseen invertir en el Perú podrán acogerse inicialmente a la calidad temporal de negociante. Si su inversión procede (compra de un inmueble, adquisición de bienes diversos, etc.), deberá optar por la residencia como inversionista.
“El objetivo es que, sea por negocio o por trabajo temporal, el extranjero pague impuestos en el Perú. Con esta ley nos hemos articulado con la Sunat y el Ministerio de Trabajo para un correcto monitoreo de cada caso”, dijo Sevilla a El Comercio.
Sevilla precisó que, respecto a los rentistas, su entidad ha recibido 120 consultas desde la promulgación de la norma, en enero pasado. Agregó que el 60%  de jubilados extranjeros que solicitó información sobre cómo radicar en el Perú procede de Estados Unidos y Europa.
—Orden interno—
Para el experto en temas migratorios, Carlos Aramburú, el fondo de la nueva ley es positivo, ya que fortalecerá las dinámicas migratorias del país. “Sin embargo, la apertura hacia los inmigrantes requiere un control del orden interno, para verificar que los extranjeros no tengan antecedentes penales y policiales, por ejemplo”, dijo.
Sobre el particular, la nueva Ley de Migraciones establece que el extranjero que incurra en causal de expulsión (por cometer algún delito) abandonará el país con un impedimento de reingreso por hasta 15 años. 
El Comercio
www.miguelimigrante.blogspot.com

Tráfico de mulheres na Amazônia: resquícios do colonialismo

Recentemente, no dia 15 de fevereiro, os meios de comunicação em nível nacional e internacional, divulgaram amplamente a notícia sobre a investigação da Polícia Federal que conseguiu desarticular uma quadrilha do tráfico internacional de mulheres que agia no Brasil desde 2010, cuja especialidade era o recrutamento de mulheres para a exploração sexual comercial na Europa. A quadrilha atuava em nível internacional e teria levado mais de 150 mulheres para esta finalidade. As prisões ocorreram simultaneamente em Fortaleza, capital do Ceará, Itália e Eslovênia.
Esta apreensão em Fortaleza não é um fato isolado. O tráfico de pessoas para exploração sexual comercial, especialmente de mulheres não é novidade. Na Amazônia, de maneira especial, trata-se de uma prática pertinente desde os primórdios do período colonial. A nossa literatura é farta de relatos, informações e denúncias de práticas de tráfico de pessoas na Amazônia para fins de exploração sexual e comercial. Diante dos fatos, parece oportuno citar algumas destas obras e pesquisas científicas.
Um dos textos mais antigos sobre esta temática data de meados do no século XVIII e foi escrito pelo missionário Jesuíta João Daniel que viveu na Amazônia entre e 1741-1757. Em sua vasta obra intitulada “Tesouro descoberto no máximo Rio Amazonas”,  volumes I e II, João Daniel descreve detalhadamente as estratégias de recrutamento forçado de trabalhadores indígenas vendidos para as mais diversas regiões de domínio do Império Português. Da mesma forma, detalha as formas mais covardes de violência sexual cometidas contra as mulheres em territórios de aldeamentos forçados  e a mercantilização de mulheres para o trabalho servil e exploração sexual.
A escritora Sylvia Aranha de Oliveira Ribeiro, em sua extensa obra sobre a Amazônia, nos apresenta “Francisca e a utopia da Liberdade”, publicado em Manaus, pela Editora Valer em 2010. Nesta obra a autora dialoga diretamente com um texto do professor David G. Sweet, da Universidade da Califórnia: “Francisca: a escrava da terra”, no qual denuncia as práticas recorrentes de recrutamento e venda de meninas das diversas etnias indígenas da Amazônia, para o trabalho doméstico e exploração sexual em Manaus e Belém e, não raro, em outras regiões do Brasil e até mesmo na França, Portugal e Inglaterra, durante todo o período da colonização.
O Nobel de Literatura de 2011, Mario Vargas Llosa, em “O sonho do Ceuta” informa que infelizmente, o tráfico de pessoas na Amazônia transpôs o período colonial e se “estabeleceu” na região durante todo o ciclo da “Economia da borracha” (1879 – 1947). O escritor denuncia que “neste período cometiam-se na Amazônia, as maiores atrocidades contra os direitos humanos sob a mais absoluta impunidade”. Dentre as mais perversas violações, Llosa denuncia a “rota do comércio de meninas indígenas” realizado entre as cidades de Iquitos, no Peru e Belém, no Brasil.
Manaus aparece na obra como o centro deste comércio de meninas entre 11 e 16 anos de idade destinadas à servidão doméstica e sexual nas residências dos comerciantes, empresários e coronéis da borracha. O recrutamento forçado foi amplamente realizado especialmente na Bolívia, Peru, Colômbia e Brasil, países inseridos no mercado da extração do látex.
Nesta mesma linha de denúncia a professora Mariana Ciavatta Pantoja, em sua obra, “Os Milton: cem anos de história nos seringais”, editado em Rio Branco (AC), pela  EDUFAC, em 2008, corrobora com as denúncias de recrutamento forçado de mulheres e crianças indígenas para o trabalho doméstico e servidão sexual em condições análogas ao trabalho escravo nos barracões dos seringais. A autora narra que “durante as aberturas dos seringais, ocorreram intensos conflitos com os povos indígenas que foram brutalmente assassinados e muitas mulheres indígenas sobreviventes dos massacres foram incorporadas à sociedade seringalista através de casamentos forçados com os seringueiros”. A pesquisadora explica que “as expedições armadas contra os índios, as chamadas “correrias”, eram promovidas pelos patrões dos seringais amazônicos encarregados de dominar os territórios e seus moradores tradicionais”.
Em 2015 Ilko Minev, publicou pela Editora Virgiliae, o romance “A Filha dos Rios” no qual denuncia a organização Zwi Migdal, uma máfia que atuou no tráfico de mulheres da Europa para a América do Sul, estabelecendo uma extensa rota de exploração sexual comercial que passava pela Argentina e chegava até a Amazônia destinando mulheres para a prostituição nos garimpos clandestinos dos principais rios da região.
Em 2012, juntamente com a professora Iraildes Caldas Torres, publicamos, pela Editora Mulheres, o livro “Tráfico de mulheres na Amazônia”, no qual atualizamos os dados e informações mais recentes sobre a atuação das rotas internacionais do tráfico de pessoas, especialmente de mulheres para fins de exploração sexual comercial nesta região em que tais crimes foram ficando impunes e legitimados no decorrer dos ciclos econômicos neocoloniais estabelecendo uma espécie de “naturalização” das práticas de aliciamento, recrutamento, e envio de pessoas para outros países com essa finalidade.
O livro problematiza o crescimento da chamada indústria internacional do sexo que é umas das principais economias contemporâneas pautada na exploração dos serviços sexuais, de modo especial de pessoas em situação de migração irregular. A indústria internacional do sexo vem se modernizando para manter aquecido o mercado por ela produzido com novas modalidades de produtos numa ampla rede de consumo na relação oferta X procura. A exploração da prostituição na indústria internacional do sexo segue a mesma lógica de qualquer outra atividade comercial convencional. As redes de prostituição funcionam como intermediadoras da locação dos serviços sexuais procurando as mulheres que interessam aos comerciantes do ramo da prostituição.
A permanência da Amazônia no contexto das rotas internacionais do tráfico de pessoas, especialmente de mulheres para a exploração sexual comercial vem preocupando e mobilizando diversas instituições governamentais e da sociedade civil que se dedicam à prevenção ou enfrentamento às quadrilhas especializadas nesta modalidade de crime que representa uma das mais perversas violações aos direitos humanos.
Desde 2010 a Rede “um grito pela vida”, instituição vinculada à Conferência dos Religiosos do Brasil, vem atuando no enfrentamento ao tráfico de mulheres na Amazônia e denunciando a livre atuação das quadrilhas internacionais agindo livre e impunimente na região. Rose Bertoldo, coordenadora da rede, denuncia que é cada vez mais intensa a circulação de mulheres em antigas e novas rotas da exploração sexual na economia garimpeira nos países fronteiriços e nos grandes centros urbanos. O professor Benedito Alcântara, pesquisador da Universidade Federal do Amapá e membro da Comissão de Direitos Humanos denuncia as rotas do tráfico de mulheres que atuam nas malhas portuárias dos grandes rios da Amazônia e na rota transatlântica.
Muito ainda poderia ser dito sobre esta temática que pode ser aprofundada nas obras acima descritas e em muitas outras fontes de informações, investigações e pesquisas voltadas para este tema complexo, antigo e profundamente atual na Amazônia que muito desafia toda a sociedade neste mês dedicado à luta cotidiana das mulheres.
 Márcia Oliveira
Dra em Sociedade e Cultura na Amazonia
Atual
www.miguelimigrante.blogspo.com

quarta-feira, 1 de março de 2017

Violência sexual, exploração e morte: o drama de mulheres e menores em rota de refugiados

Papa envia mensagem para a CF 2017: "O criador foi pródigo com o Brasil"

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente, nesta Quarta-feira de Cinzas, dia primeiro de março, a Campanha da Fraternidade 2017 (CF 2017).  O tema  da Campanha: "Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida",O lançamento foi na sede da entidade, em Brasília (DF).
A campanha, que tem como lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), alerta para o cuidado da Casa Comum, de modo especial dos biomas brasileiros. Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase à diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem, sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.
O Papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2017. Eis a íntegra do texto:
Queridos irmãos e irmãs do Brasil!
Desejo me unir a vocês na Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2017, tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, lhes animando a ampliar a consciência de que o desafio global, pelo qual toda a humanidade passa, exige o envolvimento de cada pessoa juntamente com a atuação de cada comunidade local, como aliás enfatizei em diversos pontos na Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado de nossa casa comum.
O criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes. Entre vocês, a Igreja tem sido uma voz profética no respeito e no cuidado com o meio ambiente e com os pobres. Não apenas tem chamado a atenção para os desafios e problemas ecológicos, como tem apontado suas causas e, principalmente, tem apontado caminhos para a sua superação. Entre tantas iniciativas e ações, me apraz recordar que já em 1979, a Campanha da Fraternidade que teve por tema “Por um mundo mais humano” assumiu o lema: “Preserve o que é de todos”. Assim, já naquele ano a CNBB apresentava à sociedade brasileira sua preocupação com as questões ambientais e com o comportamento humano com relação aos dons da criação.
O objetivo da Campanha da Fraternidade deste ano, inspirado na passagem do Livro do Gênesis (cf. Gn 2,15), é cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Como “não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas” (LS, 43), esta Campanha convida a contemplar, admirar, agradecer e respeitar a diversidade natural que se manifesta nos diversos biomas do Brasil – um verdadeiro dom de Deus - através da promoção de relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles vivem. Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais.
Os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem nos oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa, portadora de plenitude e misericordiosa. Por isso, é necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres.
Todos os anos, a Campanha da Fraternidade acontece no tempo forte da Quaresma. Trata-se de um convite a viver com mais consciência e determinação a espiritualidade pascal. A comunhão na Páscoa de Jesus Cristo é capaz de suscitar a conversão permanente e integral, que é, ao mesmo tempo, pessoal, comunitária, social e ecológica. Reafirmo, assim, o que recordei por ocasião do Ano santo Extraordinário: a misericórdia exige “restituir dignidade àqueles que dela se viram privados” (Misericordia vultus, 16). Uma pessoa de fé que celebra na Páscoa a vitória da vida sobre a morte, ao tomar consciência da situação de agressão à criação de Deus em cada um dos biomas brasileiros, não poderá ficar indiferente.
Desejo a todos uma fecunda caminhada quaresmal e peço a Deus que a Campanha da Fraternidade 2017 atinja seus objetivos. Invocando a companhia e a proteção de Nossa Senhora Aparecida sobre todo o povo brasileiro, particularmente neste Ano mariano, concedo uma especial Bênção Apostólica e peço que não deixem de rezar por mim.
Vaticano, 15 de fevereiro de 2017.
[Franciscus PP.]
Radio vaticano
www.miguelimigrantye.blogspot.com