quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

“Não importa o que digam, a educação transforma”, afirmou angolano na Ufal


 

Se a educação tem o poder de transformar vidas, o angolano Tomas Antônio Dias Soque certamente é um exemplo dessa mudança. Após passar por situações extremas em seu país de origem, ele decidiu migrar para o Brasil, apostou no ensino superior e, hoje, gera emprego e renda com a empresa que criou depois de concluir a graduação em Engenharia de Energias pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

A história de Tomas no Brasil tem início entre 2013 e 2014, quando desembarcou de Angola com um sonho: se graduar em Engenharia de Petróleo e conseguir proporcionar uma vida melhor para os pais e para os irmãos. Mas se engana quem pensa que o caminho até alcançar o seu objetivo foi fácil: ele enfrentou dificuldades financeiras, o choque entre culturas educacionais e pensou até em abandonar a graduação.

“Vim parar no Brasil porque eu estava em uma situação complicada em Angola e, à época, só via solução em outro lugar, não mais no meu país. Então, li uma notícia sobre um convênio entre as embaixadas do Brasil e de Angola, comecei a juntar meus documentos e participei da seleção. Passei em Engenharia Ambiental na USP [Universidade de São Paulo], mas a USP estava em greve. Fiquei dois anos na lista de espera. Quando estava desistindo, surgiu uma vaga em Engenharia de Petróleo na Ufal”, explicou o angolano.

Apesar da oportunidade que surgiu, a adaptação ao novo país não foi fácil. Um dos aspectos que pesaram foi o financeiro. Tomas não contava com reservas que assegurassem sua sobrevivência em Alagoas e fatores como moradia e alimentação acabaram se tornando uma preocupação adicional para o, então, estudante de engenharia.

“Cheguei em condições muito difíceis, porque o curso exigia todo o meu tempo para estudar, mas eu estava preocupado com o valor do meu aluguel e até com o que comer. Depois de dois meses, os professores conseguiram uma bolsa de emergência para mim, no valor de R$ 200, e eu aluguei um quarto a R$ 150. O que sobrava, R$ 50, era tudo o que eu tinha no mês. Havia momentos em que estava presente na aula, mas pensando: quando sair daqui, o que é que vou comer… então os conteúdos não entravam. Eu comecei a pensar: não vou conseguir, não vai dar certo seguir estudando”, revelou Tomas.

Além das dificuldades para se manter no país, o choque educacional foi outro fator que pesou para o angolano. A diferença entre os modelos de ensino fez com que Tomas se questionasse sobre a permanência na Universidade. Foi, então, que surgiu o curso de Engenharia de Energia em sua vida. Após ouvir seus pais, irmãos, professores e amigos, Tomas decidiu apostar na mudança e deu início a mais uma jornada.

“Comecei na Ufal no semestre 2013.2. Fiz três ou quatro períodos de Engenharia de Petróleo, mas não me identifiquei com o curso. Foi quando o Ceca [Campus de Engenharias e Ciências Agrárias] passou a ofertar o curso de Engenharia de Energias. Era o curso do futuro. Conversei com professores que me deram muito suporte em Engenharia de Petróleo, que me indicaram o curso de Química. Quando conversei com meu irmão, ele me disse: faz o que o teu coração está a seguir”, contou emocionado o angolano.

A mudança de curso fez muito bem a Tomas. De acordo com ele, na graduação em Engenharia de Energias, ele encontrou um ambiente alegre, receptivo e no qual ele se sentia mais realizado. À época, além de um novo curso, ele encontrou oportunidades de trabalho, que garantiram uma renda extra e condições mínimas de permanência.

“Comecei a trabalhar de segurança e a lavar louça em pizzarias à noite, quando saía das aulas. Depois, ganhei uma bolsa no valor de R$ 600, voltada para estrangeiros. Como tinha a bolsa e comecei a trabalhar, pude ajudar meus pais. Quando estava no curso de Engenharia de Energias, vi um curso de instalação de painéis solares. O valor era minha bolsa completa. Falei com meus pais: preciso fazer esse curso. Minha mãe disse: ‘Não se preocupa’. Juntei esse dinheiro e fui fazer esse curso”, revelou Tomas.

O angolano complementa: “E assim fiz: juntava dinheiro e fazia um curso no Senai. Depois, um curso de solda. Trabalhando, estudando e fazendo cursos. Saía de casa às 6h e seguia para a biblioteca da faculdade todas as manhãs. Depois da biblioteca, para a aula. Depois da aula, seguia para o trabalho ou para o curso complementar. Saía às 22h45. Chegava em casa à meia-noite. E era assim todos os dias”.

Ao olhar para trás, Tomas se diz orgulhoso por tudo que passou e grato a Deus pelas oportunidades que teve. “Dou graças a Deus porque houve muitas pessoas boas em meu caminho. Se não fossem elas, seria mais difícil ainda. Mas eu tenho muito orgulho do que passei e de onde estou agora. Sei que tem coisas que passei que não vou viver mais. Então, não tenho medo. Passei por situações precárias. Passei necessidade na vida. Não importa o que me aconteça, acho que nunca mais eu vou viver no nível que eu já vivi”, expôs.

Graduado em Engenharia de Energias pela Ufal, no primeiro semestre de 2023, Tomas montou uma empresa de instalação de painéis solares e presta serviço não só em Alagoas, mas em estados vizinhos. Atualmente, sua empresa conta com cinco colaboradores, a quem ele chama de parceiros. “Eu me recuso a chamá-los de funcionários. Não sou patrão, tenho parceiros”, pontuou o angolano.

Para ele, a “chave” que garantiu uma verdadeira mudança de vida foi a educação. “A Ufal foi minha mãe. Eu prezo muito pela Ufal, respeito muito, dou muito valor, eu luto, defendo. A Ufal me transformou. As pessoas que ficam falando da educação, acho que é por falta de conhecimento ou por medo. Talvez elas reproduzam algumas opiniões. Mas a realidade é que a educação transforma. A educação não é uma esmola. A educação te dá oportunidades”, ressaltou, emocionado, o angolano Tomas.

Questionado sobre o que dizer para dezenas de outros estudantes que se encontram na situação pela qual passou, o angolano é enfático: o segredo é não desistir. Tomas lembra o histórico de luta por direitos e oportunidades, especialmente por parte da população negra, e ressalta que desistir nunca foi uma opção real em sua vida.

“O ponto-chave é não desistir. Quem persiste, alcança. Nós negros, principalmente, vivemos, agora, coisas que foram conseguidas por sangue, por morte. Pessoas morreram para negros estudarem. Então, quando a gente chega nesses lugares, a gente sabe que é diferente. Tem pessoas que têm melhores condições, que fazem cursinho. E a gente chega da escola pública. A gente se sente um pouco inferior. Mas desistir não é uma opção. Essas coisas que as pessoas lutaram para que a gente possa ter hoje, nós não podemos abandonar. Sou símbolo de resistência. Não importa o que digam, a educação transforma”, defendeu.

ufal.br/transparencia/noticias

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Sudão, a guerra esquecida que fez dez milhões de deslocados e refugiados

 


No país africano, há pelo menos 12.000 vítimas de um conflito que, depois de quase 10 meses, está se radicalizando entre tensões étnicas e infiltrações do exterior.

Giulio Albanese

Infelizmente, existe uma classificação gelada das áreas de conflito em nível planetário: guerras de série A e guerras de série B. Um engano instigado pelo sistema da grande mídia, segundo o qual algumas áreas do planeta são cobertas pela imprensa internacional, enquanto outras acabam sendo esquecidas. Emblemático é o caso do Sudão, onde, após quase dez meses de combates, todas as tentativas de mediação fracassaram, resultando na radicalização das posições entre os lados opostos, apoiados por potências estrangeiras. No entanto, estamos falando de um conflito que gerou o maior número de pessoas deslocadas internamente no mundo, mais de 11 milhões; enquanto há mais de 3 milhões de refugiados, espalhados no Egito, Líbia, Chade, República Centro-Africana, Sudão do Sul, Etiópia e Eritreia. De acordo com a ONU, metade da população sudanesa - cerca de 25 milhões de pessoas - precisa de assistência humanitária e proteção. Fontes bem informadas da sociedade civil denunciam a escalada das tensões entre os dois principais antagonistas, o general Abdel Fattah al-Burhan, chefe da junta militar e chefe do estado-maior do exército regular (Saf), e o general Mohamed Hamdan Dagalo, mais conhecido pelo apelido de Hemeti, comandante das Forças de Apoio Rápido (Rsf), a milícia associada ao poder até a eclosão da guerra civil.

Como se isso não bastasse, o espectro da fragmentação por motivos étnicos está surgindo, com o risco de infiltração de jihadistas. De fato, outras formações rebeldes entraram em campo. Além dos dois principais concorrentes, há combatentes do SLA (Exército de Libertação do Sudão) de Abdel Waid al-Nur, que tem suas fortalezas em Jebel Marra, em Darfur, e do Splm-N (Movimento Popular para a Libertação do Sudão-Norte), que tem suas bases operacionais nas Montanhas Nuba, no sul de Kordofan, e que também atua no Estado do Nilo Azul.

Sudão - refugiados
Sudão - refugiados

Conforme apontado por Suliman Baldo, fundador e presidente da organização Sudan transparency and policy tracker, especialista em direitos humanos e resolução de conflitos na África, a proliferação de conflitos no país, fora do controle de ambos os lados, ou seja, do exército regular (Saf) e da RSF, é cada vez mais evidente. Em particular, são relatados vários confrontos localizados e de conotação étnica, atestando um crescente estado de anarquia em várias áreas geográficas do Sudão. Um relatório de 47 páginas elaborado por um grupo de cinco pesquisadores nomeados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), que circulou em meados do mês passado, detalha a dinâmica do conflito, particularmente na vasta região ocidental de Darfur, onde o embargo de armas foi violado por países terceiros que supostamente forneceram armas às Forças de Apoio Rápido Hemeti. O documento menciona voos de carga de Eau à cidade de Amdjaras, no leste do Chade. De lá, fontes locais informaram que armas e munições foram carregadas em caminhões e transferidas para Darfur em pequenos comboios, para serem entregues à RSF.

Mulheres sudanesas
Mulheres sudanesas

O relatório também estima que o número de mortos da limpeza étnica que ocorreu em abril do ano passado em El Geneina seria entre 10.000 e 15.000, maior do que as estimativas anteriores. Se esses números forem precisos, eles excederão os do massacre de Srebrenica em 1995, lembrado como o pior assassinato em massa na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Como se isso não bastasse, em 24 de janeiro, a agência de notícias estadunidense Bloomberg, citando fontes bem informadas, divulgou a notícia de que o governo iraniano forneceria drones de combate ao exército regular sudanês, após a retomada das relações diplomáticas entre os dois países em outubro do ano passado.

A essa narrativa deve ser acrescentado outro fato desanimador. Recentemente, o "Kyiv Post" publicou um vídeo exclusivo mostrando membros das forças especiais ucranianas interrogando mercenários do grupo Wagner, capturados no país africano.

A filmagem mostra operadores de forças especiais do grupo de batalha Timur, parte da Direção de Inteligência Militar da Ucrânia (Gur), examinando um veículo militar crivado de tiros de Wagner. Esse vídeo confirmaria um relatório de julho passado do fórum de defesa africano, um periódico do comando africano das forças armadas dos EUA (Africom), que afirmava que o grupo de Wagner havia treinado os milicianos da Rsf, fornecendo a eles material de guerra através da fronteira com a Líbia. Nesse contexto, cada vez mais marcado pela internacionalização do conflito, é evidente a incapacidade da diplomacia regional e internacional de encontrar o caminho para levar as partes em conflito a negociar de maneira séria.


vaticannews.va/pt
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

3 razões por que número de imigrantes que cruzam fronteira EUA-México é recorde

 Pessoas na fronteira EUA-México

CRÉDITO,GETTY IMAGES

Legenda da foto,

Mais de 6,3 milhões de pessoas foram detidas ao entrarem ilegalmente nos EUA sob Biden

  • Author,Bernd Debusmann Jr
  • Role,Da BBC News em Washington

As chegadas de imigrantes à fronteira do México com os Estados Unidos atingiram níveis recordes durante a presidência de Joe Biden, o que vêm representando uma grande dor de cabeça política para o democrata em ano de eleição.

As pesquisas sugerem que mais de dois terços dos americanos desaprovam a forma como Biden lida com a questão.

Seu provável rival nas eleições presidenciais de novembro, Donald Trump, condenou nesta semana um projeto concebido conjuntamente por republicanos e democratas que estabelece leis mais duras para diminuir o fluxo migratório na fronteira. Trump diz que a legislação deveria ser ainda mais rigorosa.

Mas não são apenas os republicanos que estão descontentes com o tema. Os prefeitos democratas das cidades que enfrentam essa questão também manifestam insatisfação.

As razões para esse aumento são complexas, com alguns fatores que precedem o atual governo ou estão fora do alcance dos EUA.

Para tentar esclarecer o tema, perguntamos a especialistas o que está acontecendo.

1. Demanda reprimida após o bloqueio

O número começou a aumentar em 2018, em grande parte impulsionado pelos moradores da América Central, que fugiam de uma série de crises complexas, incluindo violência de gangues, pobreza, repressão política e desastres naturais.

As detenções caíram novamente no verão de 2019, o que as autoridades dos EUA atribuíram ao aumento da fiscalização por parte do México e da Guatemala.

A redução mais drástica ocorreu no início de 2020, quando as restrições da pandemia levaram a uma significativa queda de mais de 53% entre março e abril daquele ano.

Desde que essas medidas foram derrubadas no início de 2021, os números têm aumentado constantemente, atingindo um máximo histórico de pouco mais de 302 mil em dezembro de 2023.

Gráfico sobre deportação nos EUA

“Foi quando começamos a ver um aumento novamente, principalmente de centro-americanos, depois que as restrições de mobilidade [lá] e em toda a região começaram a diminuir”, diz Ariel Ruiz Soto, analista político do Instituto de Política de Migração, com sede em Washington.

“Foi também aí que aconteceu a maior mudança e começamos a ver fluxos muito mais diversificados, começando pela Venezuela, mas também pela Colômbia, Equador e locais mais distantes.”

Os imigrantes vêm agora de lugares tão distantes como a África Ocidental, a Índia e o Oriente Médio.

De fora das Américas, o maior aumento vem da China. Mais de 37 mil cidadãos chineses foram detidos na fronteira entre os EUA e o México no ano passado, cerca de 50 vezes o número de há dois anos.

Entre as razões dadas para esse crescimento de chineses estão os problemas econômicos no país asiático após a pandemia e aumento da repressão política sob o presidente Xi Jinping.

2. Tendências migratórias globais

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Podcast traz áudios com reportagens selecionadas.

Episódios

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Os aumentos no número de imigrantes observados na fronteira entre os EUA e o México nos últimos anos também ocorrem num momento em que, globalmente, a migração para os países ricos atinge o seu ponto mais alto.

Estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgadas no final do ano passado, mostram que 6,1 milhões de novos imigrantes permanentes se mudaram para os seus 38 Estados membros em 2022 — um aumento de 26% em relação a 2021 e 14% superior ao de 2019.

O número de pessoas que receberam asilo nos EUA duplicou em 2022, impulsionado em grande parte por migrantes da Venezuela, Nicarágua e Cuba. Os EUA estão agora atrás apenas da Alemanha em níveis de migração humanitária.

“Estamos sofrendo com deslocamentos de todo o mundo a um nível nunca visto na história, e as pessoas estão aparecendo na nossa fronteira sul por uma variedade de razões diferentes”, explicou Jorge Loweree, diretor-gerente de programas do Conselho Americano de Imigração, um grupo sem fins lucrativos, localizado em Washington.

“Existem quatro Estados falidos só no nosso hemisfério.”

3. De Trump a Biden

A mudança na Casa Branca em 2021 também contribuiu, dizem alguns especialistas.

Mesmo que nunca se tenha tornado realidade, a promessa do ex-presidente Trump de construir um muro fronteiriço e acelerar as deportações, além das notícias sobre a separação de crianças e seus pais detidos, considerada por muitos como cruel, deram a impressão de que os EUA estavam fechando a sua fronteira.

Sob o presidente Biden, houve uma mudança de tom e de política. As deportações diminuíram e o alardeamento de políticas anti-imigração mais duras terminaram.

Os imigrantes foram colocados em liberdade condicional nos EUA para aguardar as datas dos tribunais de imigração — um processo que muitas vezes pode levar anos.

Gráfico sobre deportação nos EUA

As pessoas que tentaram cruzar a fronteira durante esse período disseram à BBC que achavam que entrar e permanecer nos EUA seria mais fácil agora.

E coiotes, contrabandistas que vendem as travessias ilegais, aproveitaram uma mudança na presidência para criar um sentimento de urgência de que interessados deveriam se apressar para cruzar a fronteira.

"Parte disso é que eles acham que podem simplesmente vir. Acho que é exatamente isso que estão dizendo a eles", disse Alex Cuic, advogado de imigração e professor da Universidade Case Western Reserve, em Ohio.

“Eles sentem que há um caminho para vir até aqui”, acrescentou. “É quase como um convite.”

Por outro lado, alguns ativistas de imigração criticaram a administração Biden e os legisladores dos EUA de ambos os partidos por não terem conseguido aprovar uma reforma imigratória significativa.

A última grande revisão do sistema ocorreu há mais de 30 anos e agora o projeto de lei multipartidário apresentado ao Congresso nesta semana parece com chances diminuídas de sucesso devido à oposição parlamentares republicanos mais linha dura.

bbc.com/portuguese

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MIGRANTES FIZERAM 64,3 MILHÕES DE PEDIDOS DE ENTRADA NOS EUA PELO APP CBP ONE

 

O processo pelo CBP One está disponível em inglês, espanhol, crioulo haitiano, português e russo, e aberto a migrantes de qualquer país que esteja fisicamente no centro ou norte do México. Foto: Adobe Stock.

Os migrantes no México fizeram mais de 64,3 milhões de pedidos de entrada nos EUA usando o CBP One - um aplicativo que o governo Biden tentou estabelecer como a principal porta de entrada para o sistema de asilo americano na fronteira sul, mostram documentos internos do governo federal obtidos pela CBS News.

No primeiro ano de implementação do programa, os migrantes utilizaram o CBP One dezenas de milhões de vezes para solicitar uma cobiçada nomeação a ser processada pelas autoridades de imigração dos EUA numa passagem oficial da fronteira, de acordo com os documentos internos. Até agora, quase 450 mil migrantes foram autorizados a entrar nos EUA ao abrigo do processo.

Os documentos cobrem um período de 13 meses entre janeiro de 2023, quando a administração Biden começou a permitir que os migrantes solicitassem marcações utilizando o CBP One, e 8 de fevereiro de 2024. Em média, os migrantes fizeram pouco menos de 5 milhões de pedidos de marcações por mês.

O número de solicitações não representa indivíduos únicos, pois o total inclui tentativas repetidas das mesmas pessoas. No entanto, a figura ilustra a procura extraordinariamente elevada entre os migrantes para virem para os EUA e o desespero que leva muitos a tentar repetidamente garantir uma oportunidade de entrar no país.

“É um número impressionante”, disse Theresa Cardinal Brown, ex-funcionária da imigração dos EUA durante os governos dos presidentes George W. Bush e Barack Obama. “Há muitas pessoas que adorariam migrar para os Estados Unidos. Em essência, elas veem o CBP One como uma espécie de mecanismo de autopetição que nunca tivemos antes.”

Um esforço de Biden para controlar a migração

A administração Biden procurou utilizar o sistema CBP One para encorajar os migrantes a absterem-se de cruzar a fronteira ilegalmente entre os portos de entrada. Ao contrário daqueles que entram ilegalmente no país, os migrantes que conseguem uma nomeação no CBP One podem solicitar uma autorização de trabalho depois de serem libertados da custódia dos EUA e não têm de satisfazer as condições de asilo mais rigorosas de um regulamento da administração Biden.

Essa regra presume que os migrantes são inelegíveis para asilo se entrarem ilegalmente nos EUA depois de não terem conseguido procurar refúgio num terceiro país, como o México, a caminho de solo americano.

Até 8 de Fevereiro, as autoridades dos EUA nos portos de entrada ao longo da fronteira sul tinham permitido que 448.701 migrantes com nomeações CBP One entrassem no país, dando-lhes avisos para comparecerem no tribunal de imigração para defenderem os seus casos, de acordo com os documentos internos do governo.

Embora os migrantes que chegam a um porto de entrada com uma nomeação CBP One sejam submetidos a verificações de segurança nacional e de segurança pública, não são examinados para asilo. Em vez disso, são processados ao abrigo da autoridade de liberdade condicional humanitária, que lhes permite trabalhar, e recebem uma notificação para comparecerem no tribunal de imigração, onde mais tarde podem pedir asilo. Esses casos normalmente levam anos para serem decididos.

Os principais países de origem daqueles que são autorizados a entrar nos EUA no âmbito do programa, mostram os documentos, são Venezuela, México, Haiti, Cuba, Honduras, Rússia, El Salvador, Colômbia, Chile e Guatemala. O processo pelo CBP One está disponível em inglês, espanhol, crioulo haitiano, português e russo, e aberto a migrantes de qualquer país que esteja fisicamente no centro ou norte do México.

Todas as manhãs, o governo dos EUA distribui 1.450 novas nomeações do CBP One. A maioria deles é alocada aleatoriamente, enquanto 30% deles são oferecidos a migrantes que estão esperando há mais tempo no México. Quem não conseguir marcar consulta deverá tentar novamente no dia seguinte.

gazetanews.com/imigracao

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Angolanos são metade dos estrangeiros acolhidos em abrigos de São Paulo

 


© Lusa

Os imigrantes angolanos representaram metade dos estrangeiros que buscaram abrigo em São Paulo, mantidos pela prefeitura e organizações parceiras em 2023, conforme autoridades locais.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da Prefeitura de São Paulo, no ano passado, 6.896 estrangeiros de 97 nacionalidades foram acolhidos em abrigos públicos.

O secretário de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Carlos Bezerra Júnior, destacou o aumento significativo no fluxo migratório, especialmente de angolanos para São Paulo. Em 2020, foram registrados 2.550 angolanos chegando à cidade, número que aumentou para 5 mil em 2022 e, em 2023, atingiu 3.390.

Os angolanos representaram pelo menos metade dos estrangeiros que recorreram aos abrigos públicos em busca de moradia. O secretário mencionou à Lusa que as razões para a migração incluem fugir de perseguição política, conflitos religiosos, violência, condições econômicas adversas e busca por atendimento médico, especialmente por parte de angolanas grávidas.

Em uma visita ao Centro de Acolhida (CA) Scalabriniana, parceiro da prefeitura, constatou-se que, em janeiro, o local abrigava 137 angolanos entre cerca de 190 acolhidos.

Os relatos de imigrantes angolanos no CA Scalabriniana incluem histórias como a de Marcelo Macama Ngoma, biomédico de 38 anos, que busca melhores condições de vida, e Lumengu Luamuifí, de 41 anos, que deixou Angola com suas filhas para trabalhar no comércio e estabelecer residência no Brasil. Pedro Belarmino Makasa, de 52 anos, está no Brasil em busca de aperfeiçoamento técnico-profissional e planeja retornar a Angola.

noticiasaominuto.com.br

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Papa: oferecer trabalho para as pessoas com deficiência e aos migrantes

 

Francisco em audiência com os membros da Confederação de Artesãos da Itália  (Vatican Media

Em seu discurso, o Papa recordou a importância desta Associação, que nasceu em 1946, após a Segunda Guerra Mundial. Seu objetivo foi o de contribuir para o renascimento e o desenvolvimento da economia nacional.

Nas últimas décadas, explicou Francisco, o artesanato passou por transformações notáveis, passando de pequenas instituições a empresas, que produzem materiais e prestam serviços até em grande escala. O uso das tecnologias aumentou o alcance do setor, mas, o importante é que não acabem por substituir a imaginação do homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As máquinas produzem, com velocidade excepcional, mas as pessoas inventam!

Sobre esta Associação, que valoriza o engenho e a criatividade humana, o Papa comparou seu trabalho a três membros do corpo: mãos, olhos e pés. Quanto às mãos, afirmou:

O trabalho manual torna o artesão partícipe da obra criadora de Deus. Fazer não é a mesma coisa que produzir, mas coloca em jogo a capacidade criativa, que une a habilidade das mãos, a paixão do coração e as ideias da mente. Suas mãos criam muitas coisas e os tornam colaboradores de Deus. Por isso, agradeçam ao Senhor pelo dom das mãos e pelas suas obras”.

Porém, disse Francisco, nem todos têm esta sorte, devido à ociosidade ou ao desemprego, situações humanas que precisam ser levadas em consideração. Às vezes, as empresas buscam funcionários e se não os encontrar, tentem oferecer emprego às categorias mais frágeis: jovens, mulheres e migrantes. Aqui, o Papa agradeceu a contribuição das empresas que tentam abater os muros da exclusão dos que têm deficiências graves, incapacitados, marginalizados e explorados. É preciso reconhecer sempre a dignidade do trabalhador e da trabalhadora.

A seguir, Francisco explicou a importância dos olhos no trabalho humano:

O artesão tem uma visão original da realidade. Ele tem a capacidade de reconhecer uma obra-prima mesmo em uma matéria inerte: um bloco de mármore, para o artesão, representa um móvel; um pedaço de madeira, para um artesão, representa um violino, uma cadeira, uma moldura! O artesão é o primeiro a compreender o destino da beleza de um material. Tudo isso leva o homem a se aproximar do Criador”.

Neste sentido, Francisco recordou o Evangelho de Marcos, onde Jesus é definido como “carpinteiro”: o filho de Deus era artesão e aprendeu este ofício com São José, na oficina de Nazaré. Ele viveu vários anos entre os cinzéis e ferramentas de carpintaria, onde aprendeu a dar valor às coisas e ao trabalho. Hoje, os artesãos nos ajudam a ter uma visão diferente da realidade; ajudam a reconhecer o valor e a beleza da matéria que Deus colocou em nossas mãos.

Por fim, o Santo Padre explicou a função dos pés no trabalho do homem:

O artesanato é um meio para trabalhar, desenvolver a imaginação, melhorar os ambientes, as condições de vida e os relacionamentos. Eis porque, para mim, vocês são artesãos da fraternidade, como a parábola do Bom Samaritano, que nos recorda a arte das boas relações e da partilha. Com nossos pés vamos ao encontro dos que caem no caminho. Com o nosso trabalho, permitimos a eles de caminhar conosco como companheiros de viagem. Quando damos um passo em direção ao nosso irmão, tornamo-nos artesãos de uma nova humanidade”.

Francisco concluiu seu discurso encorajando os presentes a ser artesãos da paz, em um tempo em que as guerras causam vítimas e os pobres não são ouvidos. E os exortou: “Deixem que suas mãos, olhos e pés sejam sinais de uma humanidade criativa e generosa“.

vaticannews.va/pt

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sábado, 10 de fevereiro de 2024

Refugiados, migrantes e apátridas participarão das conferências locais livres da Caritas Arquidiocesana

 

fOTO Luciney Martins  o São Paulo 

Com o objetivo de se debater e construir, coletivamente, propostas que beneficiem refugiados, migrantes e apátridas, a Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP) promove as Conferências Livres Locais, que estão sendo organizadas pela entidade no âmbito da II Conferência Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (COMIGRAR), na cidade de São Paulo. 

A CASP convida pessoas refugiadas, migrantes, apátridas e demais interessados a participarem das duas conferências que serão realizadas em fevereiro e março. 

A primeira acontecerá no dia 24 de fevereiro, no Centro Pastoral São José, no Belém, zona leste da capital, com o tema “A Moradia como um Direito Social: discutindo questões habitacionais com refugiadas, refugiados e migrantes no município de São Paulo”. 

Já a segunda conferência, que tem como tema “Discutindo integração e saúde mental com refugiados, refugiadas e migrantes na zona leste de São Paulo”, será realizada em 2 de março, e está sendo organizada pela CASP em parceira com a Associação Comunitária São Mateus (ASCOM), e será realizada no Centro Temporário de Acolhimento São Mateus. 

TROCA DE IMPRESSÕES

Em seus 55 anos, a Caritas Arquidiocesana têm dedicado grande parte deles a acolher, proteger e orientar pessoas em situação de refúgio, e aquelas em situação de vulnerabilidade social na capital paulista. A CASP também atua ativamente na construção de políticas públicas para refugiados, migrantes e apátridas em todas as esferas públicas. 

“O trabalho que vem sendo desempenhado pela CASP é orientado a partir das demandas das pessoas refugiadas e migrantes que nos procuram diariamente. Por isso, a participação ativa de cada uma delas nas Conferências é de extrema importância”, pontuou Victor Felix, analista de informações do Serviço de Acolhida e Orientação para Refugiados (SAOR).

Victor lembrou que as Conferências Livres Locais servem para as pessoas refugiadas, migrantes e apátridas trocarem impressões entre si para que, juntas, construam e enviem propostas de políticas públicas ao Governo Federal. “É a oportunidade de se debater e construir, coletivamente, propostas que beneficiem a todos e todas. Por isso, queremos motivá-los e motivá-las a participarem ativamente das Conferências para que sejam os e as protagonistas desses espaços e, consequentemente, da formulação da política migratória brasileira”, enfatizou.

De cada Conferência sairão até três propostas por eixo temático, as quais serão enviadas ao Governo Federal para discussão na COMIGRAR, que acontecerá presencialmente em Foz do Iguaçu (PR), de 7 a 9 de junho, e tem como objetivos aprofundar o debate sobre migrações, refúgio e apatridia; propor e discutir diretrizes e recomendações para políticas públicas; promover a participação social e política e fomentar a integração entre os entes federativos, organizações da sociedade civil e associações e coletivos de pessoas migrantes, refugiadas e apátridas que atuam no tema. 

CONFERÊNCIAS LOCAIS LIVRES DA CARITAS ARQUIDIOCESANA DE SÃO PAULO

PRIMEIRA CONFERÊNCIA
“A Moradia como um Direito Social: discutindo questões habitacionais com refugiadas, refugiados e migrantes no município de São Paulo”
Data: 24 de fevereiro
Horário: das 8h às 18h
Local: Centro Pastoral São José (Avenida Álvaro Ramos, 366 – Belenzinho – próximo da estação Belém do metrô)
Organização: Cáritas Arquidiocesana de São Paulo
Inscrições: As inscrições podem ser feitas por meio do formulário ou no local 

SEGUNDA CONFERÊNCIA
“Discutindo integração e saúde mental com refugiadas, refugiados e migrantes na zona leste de São Paulo”
Data: 02 de março
Horário: das 08h às 18h
Local: Centro Temporário de Acolhimento CTA São Mateus (Avenida Sapopemba, 13.483 – Jardim Adutora – 120m da estação São Mateus do monotrilho)
Organização: Caritas Arquidiocesana de São Paulo e Associação Comunitária São Mateus
Inscrições: As inscrições podem ser feitas no local. 

osaopaulo.org.br

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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Estados Unidos deportou número recorde de imigrantes em 10 meses

 


Os Estados Unidos deportaram em quase 10 meses 530 mil pessoas que entraram no país ilegalmente, um número recorde, informou nesta quinta-feira (8) um funcionário do Departamento de Segurança Interna (DHS).

"Desde 12 de maio, quando foi levantada a emergência de saúde pública na fronteira, já repatriamos mais de 530 mil pessoas, um recorde para esse período", disse o subsecretário de política fronteiriça e imigração do DHS, Blas Núñez-Neto, em entrevista coletiva. A grande maioria "cruzou a fronteira sudoeste, incluindo mais de 88 mil membros de famílias".

O governo do presidente Joe Biden levantou em maio passado uma regra sanitária que permitia bloquear na fronteira quase todos os imigrantes que não portavam a documentação necessária para entrar nos Estados Unidos.

Autoridades introduziram "vias legais", que obrigam os imigrantes a agendar uma data no aplicativo CBP One ou fazer os trâmites nos países por onde passam.

Aqueles que tentam entrar no país burlando essas vias podem ser expulsos por meio de repatriações aceleradas.

"Continuamos impondo consequências graves na fronteira para as pessoas que a cruzam ilegalmente", ressaltou o subsecretário. Os voos de expulsão tiveram como destino mais de 130 países.

A imigração é um dos temas quentes da campanha presidencial de novembro, principalmente para Biden, que os republicanos acusam de ter permitido a entrada de um número recorde de imigrantes. Autoridades interceptaram em dezembro imigrantes e solicitantes de asilo 302 mil vezes na fronteira com o México.

Esses voos podem ser dificultados pela Venezuela, que ameaçou suspendê-los caso o governo americano retome em abril as sanções ao setor do petróleo, que levantou em outubro. "Sempre há ajustes que são feitos com base em conversas com os governos", ressaltou Núñez-Neto.

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