quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Livros escritos por mulheres vão compor lista obrigatória da Fuvest em 2026

 

Obras de língua portuguesa escritas por mulheres estão na lista de leitura obrigatória da Fuvest a partir de 2026 – Foto: Reprodução/Amazon

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A Fuvest, responsável pelo vestibular para ingresso na USP, divulgou uma nova lista de leituras obrigatórias para o exame a partir de 2026. A nova lista é composta somente de mulheres autoras de língua portuguesa entre as edições de 2026 e 2028 do exame, contemplando as escritoras brasileiras e estrangeiras Clarice Lispector, Conceição Evaristo, Djaimilia Pereira de Almeida, Julia Lopes de Almeida, Lygia Fagundes Telles, Narcisa Amália, Nísia Floresta, Paulina Chiziane, Rachel de Queiroz e Sophia de Mello Breyner Andresen. 

A renovação se justifica pela necessidade de se valorizar o papel das mulheres na literatura, não apenas como personagens, mas como autoras. “Muitas delas foram alvo de décadas de invisibilidade pelo fato de serem mulheres”, ressalta a presidente do Conselho Curador da Fuvest e vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda. Aluísio Cotrim Segurado, Pró-Reitor de Graduação da USP e membro do Conselho da Fundação, acrescenta: “É uma mudança corajosa, necessária, mas que não se afasta da qualidade que a lista da Fuvest sempre teve”.

A partir de 2029, autores da literatura brasileira e de língua portuguesa voltam a aparecer na lista: Machado de Assis, Erico Verissimo e Luís Bernardo Honwana foram os escolhidos. Este será um ano em que a lista conterá quatro obras escritas por autoras e autores negros. Além disso, Incidente em Antares, de Erico Verissimo, foi uma obra escolhida por se tratar de um representante da literatura fantástica, uma novidade no vestibular.

Segundo Gustavo Ferraz de Campos Monaco, diretor executivo da Fuvest, a escolha pelo predomínio de autoras mulheres na nova lista não nega a literatura feita por homens, que é e continuará a ser essencial: “Trata-se, antes, de trazer a público e valorizar o que, muitas vezes, ainda não se conhece, e de destacar a importância das mulheres no cânone, em diferentes períodos históricos, nos mais variados gêneros literários, com perspectivas diversas. Esta é, assim, uma lista que posiciona a literatura como uma ferramenta de reflexão e transformação social”.

Para Monaco, o fato de a nova lista apresentar obras a partir do período do Romantismo em diante não impactará a maioria dos candidatos que prestarão o vestibular pela primeira vez na edição de 2026: “Esses estudantes estão terminando o primeiro ano, fase em que a análise literária escolar costuma avançar até o Arcadismo. Romantismo e Realismo são os principais movimentos literários analisados no segundo ano do ensino médio e, assim, as escolas terão tempo de introduzir essas obras ainda no curso de 2024”.

As obras de leitura obrigatória para o vestibular de 2025 continuam as mesmas já anunciadas pelos organizadores da prova: Marília de Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga), Quincas Borba (Machado de Assis), Os Ratos (Dyonélio Machado), Alguma Poesia (Carlos Drummond de Andrade), A Ilustre Casa de Ramires (Eça de Queirós), Nós Matamos o Cão Tinhoso! (Luís Bernardo Honwana), Água Funda (Ruth Guimarães), Romanceiro da Inconfidência (Cecília Meireles) e Dois Irmãos (Milton Hatoum).

Obras de leitura obrigatória 2026-2029

Os destaques em negrito referem-se às obras novas em cada ano em comparação com a lista do ano anterior.

2026

  • Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • O Cristo Cigano (1961) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • As meninas (1973) – Lygia Fagundes Telles
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

2027

  • Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

2028

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

2029

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • D. Casmurro (1899) – Machado de Assis
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • Nós matamos o cão tinhoso! (1964) – Luís Bernardo Honwana
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Incidente em Antares (1970) – Erico Verissimo
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

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Saiba mais sobre as autoras escolhidas:

Nísia Floresta (1810-1885)
Nísia Floresta Brasileira Augusta foi o pseudônimo escolhido por Dionísia Gonçalves Pinto, considerada a primeira educadora e jornalista feminista do Brasil. Nascida no Rio Grande do Norte, essa escritora em prosa e verso denunciou também as injustiças cometidas contra os negros escravizados e os indígenas brasileiros.

Narcisa Amália (1852-1924)
Narcisa Amália de Campos foi uma educadora, poetisa e jornalista brasileira – primeira mulher a trabalhar profissionalmente como jornalista no Brasil. Dona de uma das poucas vozes femininas de sua época a trabalhar a ideia de identidade nacional, foi também antiescravista e republicana. Sua obra mereceu comentários elogiosos de Machado de Assis e de Pedro II.

Julia Lopes de Almeida (1862-1934)
Escritora, cronista e teatróloga, Júlia Lopes de Almeida foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, de cuja lista de fundadores foi posteriormente excluída para manter a Academia exclusivamente masculina. Em seu lugar, foi incluído o nome do poeta português Filinto de Almeida, seu marido, popularmente conhecido como o “acadêmico consorte”. Também foi uma das precursoras da literatura infantil no Brasil.

Rachel de Queiroz (1910-2003)
Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e a receber o Prêmio Camões, Rachel de Queiroz é uma autora de destaque da literatura social nordestina. Extremamente hábil na análise psicológica de seus personagens, a autora estreou na literatura aos 19 anos.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)
Poetisa, contista e escritora de literatura infantil, Sophia de Mello Breyner Andresen foi proveniente de uma família de origem aristocrática portuguesa. Acreditava que a poesia representava um valor transformador fundamental e que era algo que lhe acontecia, como afirmara antes dela Fernando Pessoa. Foi agraciada com o Prêmio Camões, tendo sido a segunda mulher a recebê-lo.

Clarice Lispector (1920-1977)
De origem ucraniana, Chaya Pinkhasivna Lispector emigrou para o Brasil em 1922 com seus familiares em razão da perseguição sofrida pelos judeus ucranianos em sua terra natal. A romancista e contista apresenta, em sua obra, traços bastante específicos como a ruptura com a narrativa factual, o uso intenso de um fluxo de consciência na escrita e o uso intenso de metáforas insólitas, como sublinhou Alfredo Bosi.

Lygia Fagundes Telles (1918-2022)
Lygia Fagundes Telles destacou-se como contista, embora tenha sido, também, uma importante romancista. Membro da Academia Brasileira de Letras, foi a segunda brasileira laureada com o Prêmio Camões e foi reconhecida, ainda em vida, como uma escritora primorosa por seus pares nacionais e internacionais, que a alcunharam “a grande dama da literatura brasileira”.

Conceição Evaristo (1946- )
Poeta, contista e romancista brasileira, Maria da Conceição Evaristo de Brito aborda em suas obras temas de grande relevo social, como a discriminação racial, de gênero e social, sendo considerada uma importante representante do movimento Pós-Modernista no Brasil. Professora universitária, Conceição Evaristo tomou posse, em 2022, como responsável pela Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência do Instituto de Estudos Avançados da USP. Cunhou a expressão escrevivência para descrever o processo criativo de sua obra.

Paulina Chiziane (1955- )
Moçambicana, nascida no subúrbio de Maputo, Paulina Chiziane iniciou, mas não concluiu, o curso universitário de Letras (linguística). Com uma atuação política destacada em seu país durante o período da independência, a autora se afastou da política e passou a se dedicar à literatura, passando a viver na província de Zambézia, para onde se retirou ao se afastar da política. Primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, foi também a primeira mulher africana agraciada com o Prêmio Camões.

Djaimilia Pereira de Almeida (1982- )
Ana Djaimilia dos Santos Pereira de Almeida Brito é a pessoa mais jovem a figurar na lista de leitura obrigatória da Fuvest. Nascida em Angola, a autora passou boa parte de sua vida em Portugal, onde se licenciou em Estudos Portugueses e obteve o título de Doutora em Teoria da Literatura. Atualmente, é Professora da New York University. Foi vencedora do Prêmio Oceanos, tendo sido finalista em outras oportunidades.

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Texto: Assessoria de Comunicação da Fuvest

Jornal Usp

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Alunas migrantes do curso de português recebem atividade da campanha “21 dias de ativismo por direitos”

 Portal de Notícias PJF | Alunas migrantes do curso de português recebem atividade da campanha “21 dias de ativismo por direitos” | SEDH - 23/11/2023

A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) tem ampliado a rede de apoio aos imigrantes residentes na cidade. Uma das ações são os cursos de português, parceria entre a Escola de Governo da Secretaria de Recursos Humanos (SRH), Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) e a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa). O objetivo é acolher a população migrante, minimizando a dificuldade com o nosso idioma, possibilitar a inserção deste público no mercado de trabalho e na rotina escolar, e ajudar nas relações sociais cotidianas.

Integrando a campanha “21 Dias de Ativismo por Direitos”

https://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&idnoticia2=81967

Os alunos do curso participaram de uma roda de conversa na Casa de Leitura Delfina Fonseca Lima, localizada na Rua Marília, 631, Benfica, sobre os principais desafios da migração, principalmente para as mulheres.

As estudantes relataram diversas histórias sobre suas trajetórias de vida até chegar em Juiz de Fora e as diferenças e semelhanças entre as políticas que protegem as mulheres. Para elas, o maior desafio ainda é a barreira imposta pela língua.

A coordenadora da pasta sobre migrantes, refugiados, apátridas e retornados da (SEDH), Victoria Sabatine, enfatizou que, por esse motivo, o curso oferecido pela PJF é tão importante. “Aprender o idioma português é necessário para possibilitar que essas pessoas ingressem no mercado de trabalho, com a socialização nas comunidades e compreensão dos direitos e deveres”, explicou.

pjf.mg.gov.br

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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Projetos que beneficiam migrantes e refugiados venezuelanos em Manaus concorrem a prêmio

 


A Organização da Sociedade Civil (OSC Hermanitos) é finalista na categoria “Negócios de Impacto Social”, da Jaraqui Graúdo, a maior premiação do ecossistema de inovação e startups em Manaus. A cerimônia será realizada no dia 29 de novembro, durante a programação da ExpoAmazônia.

O prêmio é concedido anualmente pela Jaraqui Valley, que visa facilitar as conexões entre empreendedores e negócios de impacto, além de reconhecer atores e organizações que fazem a diferença na cidade.

Com atuação desde 2019, a OSC Hermanitos concorre em “Negócios de Impacto Social”, categoria que valoriza o empreendedorismo social. Um dos projetos desenvolvidos nessa área é o “Mujeres Fuertes”, com a coordenadora Ana Vasconcelos. A iniciativa beneficia mulheres migrantes, sendo mães solos com o sonho de abrir o seu próprio negócio nas áreas de beleza, estética e gastronomia.

Outras duas iniciativas de destaque do Hermanitos são o “Jóvenes en Acción”, projeto voltado para a qualificação profissional de adolescentes e jovens venezuelanos em busca do primeiro emprego. E o “Banco de Talentos”, uma plataforma que reúne mais de três mil currículos de profissionais venezuelanos em diversas áreas, e que sensibiliza empresários e líderes de RH (Recursos Humanos) sobre a importância de contratar migrantes e refugiados venezuelanos.

O Hermanitos ainda realiza outras atividades beneficientes como “Sopão Hermanitos”, que distribui mais de 300 copos grandes sopas para pessoas em situação de vulnerabilidade social; o “Integrando Horizontes” com ações diversas. Entre as quais: eventos de socialização entre brasileiros e venezuelanos, atividades profissionais e cursos profissionalizantes, iniciativas contra xenofobia e muito mais; e a “Arena da Amizade”, que oferece aulas gratuitas de beach tênis para crianças e adolescentes em bairros periféricos de Manaus.

Tulio Duarte, diretor presidente do Hermanitos, destaca a dedicação de colaboradores, voluntários e parceiros.

“Essa indicação é uma honra e valida o esforço conjunto para fazer a diferença em Manaus. Estamos comprometidos em continuar promovendo ações que contribuam para a melhoria da qualidade de vida e para a inserção positiva de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas no mercado de trabalho. Isso não seria possível sem esforço e colaboração de tantas pessoas”,

agradece.

Em agosto, a OSC Hermanitos também conquistou o segundo lugar na categoria “Desenvolvimento” do Prêmio Ser Humano Regional, no 20º Congresso Amazônico de Recursos Humanos (CONAMARH). Já em outubro, a instituição ficou em terceiro lugar na categoria “Desenvolvimento” do Prêmio Ser Humano Brasil, promovida pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil).

Mais premiações

Tulio Duarte também concorre nas categorias: “Empreendedor do Ano”; “Espaço de Inovação”, “Assessoria e Consultoria” e “Aceleradora” como sócio-diretor da Venture Hub Manaus; e na “Startup Revelação” como co-fundador da AeroRiver – Barco Voador.

“Fico muito agradecido em ser reconhecido pelo trabalho no Hermanitos, na Venture Hub Manaus e no AeroRiver. Acredito que a inovação é a chave para enfrentar os desafios sociais de nossa época e entendo que o compromisso da inovação é melhorar a vida das pessoas, tornando o mundo um lugar melhor para todos. Sem dúvidas, a prosperidade econômica e empoderamento de pessoas é uma forma essencial de desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária”, finaliza.

Sobre o Hermanitos

A OSC Hermanitos tem como principal objetivo promover iniciativas de acolhimento, atividades culturais, empreendedorismo e a melhoria da qualidade de vida de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas em Manaus, por meio da inserção no mercado local de trabalho e a promoção da dignidade. Saiba mais sobre a instituição, como apoiar e seus projetos no site: www.hermanitos.org.br.

*Com informações da assessoria

emtempo.com.br

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Concerto vai acolher 3 mil pobres, migrantes e pessoas em situação vulnerável

 

O Prêmio Oscar, Ennio Morricone, chegou a dirigir a orquestra da edição de 2016  (Vatican Media

A iniciativa, que já recebeu nomes como os compositores Morricone e Piovani, volta a ser promovida neste ano. A quarta edição da celebração da beleza e da caridade na Sala Paulo VI vai acolher pela primeira vez o maestro Speranza Scappucci com a Orquestra e o Coro do "Teatro dell'Opera" de Roma. Três mil lugares reservados para os sem-teto, migrantes e pessoas com dificuldades sociais.

Como é tradição, será a Sala Paulo VI, no Vaticano, que vai sediar a quarta edição do Concerto com os Pobres e para os Pobres, uma iniciativa dedicada às pessoas desfavorecidas, às quais se pretende oferecer uma experiência de beleza através da música combinada com um gesto concreto de caridade. O evento, programado para sexta-feira, 15 de dezembro, às 17h30 na hora italiana, vai destinar 3 mil lugares para moradores em situação de rua, migrantes e aqueles que vivem dificuldades sociais. Eles serão os "convidados de honra" do evento, convidados a participar por meio do Dicastério para o Serviço da Caridade e de várias associações voluntárias que os assistem diariamente, e para os quais será distribuído uma marmita e outros itens de necessidades básicas.

Morricone e Piovani nas edições anteriores

Nascido em 2015 a partir de uma ideia de Riccardo Rossi e Gualtiero Ventura e organizado pela Nova Opera com a direção artística do maestro Marco Frisina, o evento é patrocinado pelo Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e pelo Dicastério para o Serviço da Caridade. As três edições anteriores contaram com a participação de alguns dos maiores expoentes do cenário musical internacional, incluindo o maestro Daniel Oren e os compositores Ennio Morricone e Nicola Piovani, além de orquestras de prestígio, como a Orquestra do Teatro Verdi de Salerno, a Roma Sinfonietta, a Orquestra Italiana do Cinema e o Coro da Accademia Nazionale di Santa Cecilia

Orquestra e Coro do Teatro dell'Opera de Roma

Para 2023, o regente é Speranza Scappucci, que vai se alternar com o maestro Frisina para liderar a Orquestra e o Coro do Teatro dell'Opera de Roma. Também confirmados no palco, presentes desde a primeira edição, estão os 200 elementos do Coro da Diocese de Roma. Valiosa, para esta edição do Concerto com os Pobres e para os Pobres, é a presença de dois solistas excepcionais: a soprano Maria Grazia Schiavo, entre as vozes mais importantes de sua geração no repertório barroco, e o tenor Levy Sekgapane, um popular talento sul-africano que já venceu o "Montserrat Caballé International Singing Competition" e o prestigioso concurso "Operalia".

O programa


O programa inclui uma seleção de obras-primas de Mozart, Rossini e Tchaikovsky, enriquecidas por famosas canções de Natal nacionais e internacionais, como Joy to the WorldQuanno nascette NinnoTu scendi dalle stelle e Stille Nacht, em novas versões especialmente orquestradas por Frisina.

A participação do público no Concerto com os Pobres e para os Pobres é totalmente gratuita, mediante o preenchimento obrigatório do formulário no site oficial do evento, disponível a apartir desta sexta-feira (24). Basta acessar o www.concertoconipoveri.org. Os ingressos, enviados por e-mail, contêm um código QR exclusivo que deve ser apresentado em formato digital ou em papel no controle de acesso no dia do evento.

Vatican News

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terça-feira, 21 de novembro de 2023

Com migrantes acampados de forma improvisada em igreja, cidade de fronteira no AC instala casa de acolhimento

 

Com migrantes acampados de forma improvisada em igreja, cidade de fronteira no Acre instala casa de acolhimento — Foto: Arquivo pessoal

O fluxo de migrantes na fronteira do Acre com Peru e Bolívia segue em ritmo acelerado e as casas de apoio nas cidades do interior do estado estão lotadas. Em Epitaciolândia, foi instalado um abrigo na semana passada em um antigo hotel e o local chegou a ficar com mais que o dobro da capacidade de ocupação.

Segundo o prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes, a casa de apoio na cidade tem capacidade para receber 70 pessoas e, logo que foi instalada, chegou a ficar com 170 migrantes. Essas pessoas estavam em um acampamento improvisado montado em uma igreja católica.

“Nossa capacidade é para 70 pessoas na casa de passagem. Nesse exato momento temos 89, mas serão abrigados mais 20. Contudo, na semana passada chegamos a 170 pessoas abrigadas. Porém muitos já seguiram viagem. O tempo que eles ficam aqui varia muito, alguns seguem viagem com cerca de dez dias e outros permanecem por mais tempo. Estamos trabalhando para agilizar toda a documentação para que eles tenham condições de seguir viagem, pois o Acre não é o destino final deles”, afirmou o prefeito.

Com a nova casa de apoio em Epitaciolândia, o Acre passou a ter quatro pontos de acolhimento a migrantes, onde eles podem tomar banho, se alimentar e dormir e depois seguir viagem. Uma fica em Assis Brasil, outra em Brasileia e em Rio Branco.


Casa de apoio instalada em Epitaciolândia está operando acima da capacidade — Foto: Arquivo pessoal

A capacidade das três primeiras casas é para cerca de 50 pessoas. Segundo a coordenadora da Pastoral do Migrante da Diocese de Rio Branco, Aurinete Brasil, que acompanha a situação, em Assis Brasil, o local está com 32 migrantes, em Brasileia com 59 e Rio Branco com 65.

“Nossas equipes se juntaram à equipe da Assistência Social de Epitaciolândia para apoiar no translado e registro, organização do novo espaço no antigo hotel. O Estado também deu apoio nesse translado, com fornecimento de água para beber e alimentos. Nós entramos com doações em carne e alimentos também e teve doação de 100kg de frango da Acreaves, empresa localizada na fronteira de Brasiléia. Houve campanha de vacinação, atendimento de médicos voluntários e prevenção de doenças por meio de saúde bucal. Os migrantes ajudaram bastante para essa mudança de local. Hoje, sem dúvida, essa é a Casa de Passagem de maior referência em organização. Tem muitas coisas boas acontecendo, mas o Estado como um todo ainda precisa avançar, e os municípios precisam ajudar”, afirmou Aurinete.

Campanha solidária

Diante desse cenário, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), lançou a campanha "Juntos Pelo Imigrante". O objetivo é arrecadar alimentos para acolhimento dos migrantes nas casas de passagem dos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia e Rio Branco.

Dentre os itens para arrecadação estão alimentos não perecíveis, fraldas, leite e itens de higiene pessoal. Os locais para doação são as sedes das secretarias municipais de Assistência Social dos três municípios e na sede da secretaria estadual na Avenida Nações Unidas, em Rio Branco, das 7h às 14h.

Segundo a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Maria Zilmar da Rocha, a campanha é muito importante nesse momento, devido ao crescente número de imigrantes chegando ao Acre e afetando principalmente Epitaciolândia.

“É uma campanha de cunho muito importante. A gente pede também que todos os órgãos do governo do estado possam estar sensíveis a essa causa e nos ajudando a implementar essa ação voluntária de arrecadação de alimentos, de proteínas, kits de higiene e limpeza", disse em site oficial.

Decreto de emergência


Devido ao grande fluxo de migrantes na região de fronteira do Acre, a prefeitura de Epitaciolândia decretou situação de emergência humanitária no último dia 6 de novembro.

Até então, Epitaciolândia não tinha abrigo e mantinha, junto com a prefeitura de Brasileia, uma casa de apoio que fica instalada em Brasileia. Na época, dezenas de pessoas estavam acampadas de forma improvisada em uma igreja católica na cidade.

No decreto, que tem validade de 90 dias, a prefeitura autoriza a realização de campanhas educativas de orientação, junto à comunidade, com o objetivo de facilitar as ações de assistência à população afetada, sob a coordenação da Secretaria de Assistência Social do Município.

Ainda no decreto, a prefeitura instalou um Gabinete de Crises para discutir as medidas que devem ser tomadas no período de situação de emergência.

Comitê de Crise Humanitária no Acre


O governo do Acre publicou no dia 1º de novembro o decreto que dispõe sobre a implementação do comitê de Crise Humanitária no Acre, para discussão e adoção de providências relacionadas ao fluxo migratório no Acre.

O decreto considerou que "os serviços/estratégia de acolhimento dos Municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia e Rio Branco estão com capacidade extrapolada para acomodar migrantes e refugiados, seja em caráter provisório, seja para fixação de residência no Estado do Acre".

O aumento no fluxo de imigrantes na região de fronteira do Acre já é esperado em consequência de um decreto governamental do Peru, que pretende deportar imigrantes que não estejam em situação regular no país.

Inclusive, o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU) haviam recomendado ao governo do Acre que elaborasse, no prazo de 15 dias, um plano de contingência para acolhimento humanitário de pessoas que entrem no território acreano.


Por Iryá Rodrigues, g1 AC — Rio Branco

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