quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Entrada proibida: imigrações desafiam o mundo a recobrar noções de solidariedade

Imigrações de venezuelanos desafiaram governos de Roraima e federal ao longo do ano de 2018
Marcelo Camargo/Agência Brasi - 4.5.18
Imigrações de venezuelanos desafiaram governos de Roraima e federal ao longo do ano de 2018


Debate sobre fechamento de fronteiras ganhou força em ano marcado pela entrada de venezuelanos no Brasil e por caravanas rumo aos Estados Unidos

De um lado, famílias que se agarraram à esperança de dias melhores para tomar coragem de deixar tudo para trás e partir viagem levando consigo apenas algumas trouxas de roupa em busca de um recomeço. Do outro, o risco de colapso de serviços essenciais, o surgimento de epidemias e o aumento da violência. Governos locais e federais se viram obrigados a equacionar cada um desses fatores em busca de respostas ao enorme desafio que as imigrações apresentaram ao longo do ano.


As imigrações internacionais resultam de uma série de fatores, conforme explica a professora Bela Feldman-Bianco, uma das organizadoras do livro "Migração e exílio" (Editora UFV). "Estamos confrontando mais guerras, desastres climáticos e o aumento da pobreza no contexto das atuais políticas neoliberais e um capitalismo ultradestrutivo – isso tudo ao mesmo tempo", diz a professora, que considera um "equívoco" a taxação de correntes migratórias como sendo 'crises'. "Migrar deveria ser um direito humano. O problema é como governos e políticas nacionais percebem esses 'outros' migrantes." 
A migração foi amplamente discutida ao longo dos últimos anos especialmente na Europa , destino de milhares de imigrantes que fugiam de conflitos armados e da miséria no Oriente Médio e na África. Mas, em 2018, a questão bateu forte à nossa porta, com a chegada de milhares de venezuelanos pela fronteira em Roraima.

A fuga dos cidadãos do país vizinho não teve início neste ano, mas se intensificou conforme a crise do governo chavista de Nicolás Maduro recrudescia. A Prefeitura de Boa Vista, capital de Roraima, chegou a calcular que mais de 40 mil venezuelanos já estavam vivendo na cidade, número que representa cerca de 10% da população local, que totaliza cerca de 330 mil habitantes.
A superlotação do município e de seus arredores provocou crise humanitária e muitos dos refugiados que vieram ao Brasil em busca de melhores condições de vida deram de cara com uma realidade igualmente dramática .

Muitos foram submetidos a condições de trabalho análogas a de escravos e sofreram discriminação salarial em razão de sua cidadania. Várias crianças venezuelanas passaram a pedir esmola nas ruas de Boa Vista e mulheres contratadas como empregadas domésticas sofreram abusos sexuais e foram prostituídas, segundo denunciou a procuradora Priscila Moreto em pleno Senado Federal, em fevereiro.

A população local também sofreu com o novo cenário: houve aumento da violência e surto de sarampo importado pelos venezuelanos. Foram 25 casos suspeitos e 6 confirmados apenas nos primeiros meses do ano. De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde, divulgado no dia 12 deste mês, o estado registrou ao longo do ano 349 casos da doença, que causou a morte de quatro pessoas.

Feldman-Bianco explica que o drama vivido pelos imigrantes longe de seus países passa pela cultura da população local e também pelo modo como o poder público lida com os refugiados.
"O 'outro', desconhecido, tende a ser discriminado, seja venezuelano, haitiano, colombiano ou brasileiro (imigrante em outros países). Existe maior xenofobia por parte da população em relação aos imigrantes não brancos, sejam eles negros, indígenas ou japoneses e chineses", diz a professora.

"Mas também há o papel do poder público ao nível local, estadual e federal. No caso dos venezuelanos que chegam a Roraima , houve uma militarização da questão migratória pelo governo federal e políticas de securitização ao nível estadual e local. Quem está lá representando o governo federal é o Ministério da Defesa e a polícia", complementa.
A citada "militarização" mencionada pela professora decorreu das ações adotadas pelo governo de Michel Temer (MDB). Ainda em fevereiro, em pleno Carnaval, o presidente interrompeu seu feriado para reunião com a governadora roraimense, Suely Campos (PP) e anunciou a  liberação de R$ 190 milhões para ações de assistência emergencial no estado. Temer prometeu "não descansar" até solucionar a questão que "aflige não só aos roraimenses, mas a todo o Brasil".

Mas, apesar da promessa e dos recursos, os problemas no cotidiano de Boa Vista persistiram e a situação que já se mostrava insustentável degringolou de vez no fim de março. No dia 20 daquele mês,  moradores do município de Mucajaí atearam fogo nos pertences de refugiados e expulsaram venezuelanos que viviam em abrigo municipal da cidade. Em resposta, o Exército Brasileiro fixou força-tarefa para mediar a crise em Boa Vista, com a chamada Operação Acolhida.

A crise voltou a resultar em episódio de violência em agosto, quando grupos de moradores da cidade de Pacaraima atacaram um acampamento de refugiados usando armas, paus e bombas caseiras. Mais de 1.200 refugiados que estavam na cidade  cruzaram de volta a fronteira por medo de serem vítimas da violência dos moradores.

Para a professora Bela Feldman-Bianco, faltou estrutura para lidar com a situação em Roraima e houve demora no atendimento e no processo de interiorização, que é a transferência dos migrantes para outros estados. "Se há crise, é por falta de estrutura que afeta tanto os que vem de fora quanto os brasileiros. No caso dos venezuelanos, por exemplo, há pesquisas realizadas pelo Observatório das Migrações Internacionais da UNB (OBMigra) mostrando que a maioria é formada por profissionais com diplomas universitários 'necessários' ao mercado de trabalho. Os migrantes não são causadores de crises. Eles não são 'invasores'", afirma a especialista.

Marcelo Camargo/AgÊncia Brasil
Imigrações 2018: processo de interiorização levou migrantes para outros estados do Brasil

Todo esse caos decorrente da presença dos imigrantes em Roraima levou o fechamento da fronteira com a Venezuela a ser discutido na Justiça. A primeira a apresentar pedido nesse sentido, em abril, foi a própria governadora Suely Campos, que argumentou no Supremo Tribunal Federal (STF) que "nada efetivo" foi feito pelo governo Temer quanto à crise.  
A relatora do caso, ministra Rosa Weber, buscou conciliar os governos estadual e federal, até que um juiz federal acatou os argumentos de Suely em outra ação e determinou o fechamento da fronteira do País com a Venezuela sob o argumento de que havia  "permissividade excessiva" por parte das autoridades brasileiras.

A medida foi revogada, mas os problemas persistiram. Tanto que, já neste mês, o  presidente Temer decretou intervenção federal no estado por conta do “grave comprometimento da ordem pública” decorrente da crise na segurança e no sistema penintenciário de Roraima. A intervenção foi anunciada após relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) indicar "risco de colapso" na segurança pública roraimense.

A nova linha de atuação do poder público para reduzir "riscos", no entanto, não significa necessariamente a busca por soluções definitivas para a crise humanitária no estado. O próprio interventor federal, governador eleito Antonio Denarium (PSL), chegou a dizer em entrevista que pretende limitar a entrada de venezuelanos. Ele foi desautorizado horas mais tarde por Temer, que defendeu a manutenção de "política de apoio" aos imigrantes.

Imigrações em caravanas desafiaram Trump, nos Estados Unidos 



Reprodução/ The Washington Post
Imigrações em foco: Pais e crianças vivem em péssimas condições na fronteira entre EUA e México

A miséria e a violência que levaram milhares de venezuelanos a deixarem suas casas rumo ao Brasil também fizeram com que famílias inteiras de países da América Central encarassem uma jornada ainda mais longa em busca do 'sonho americano'.

No segundo semestre do ano, milhares de migrantes de países como El Salvador, Guatemala e, principalmente, Honduras se organizaram em caravanas e pegaram a estrada em direção ao norte no intuito de acessarem o território dos Estados Unidos.

A pé, homens, mulheres, crianças, idosos e gestantes percorreram centenas de quilômetros sob sol e chuva até chegarem à fronteira com o México . Mas o presidente americano, Donald Trump, não gostou da notícia dos visitantes que se aproximavam.
Pelo Twitter, seu canal favorito de comunicação, Trump disse que as caravanas integravam "bandidos maus" e "membros de organizações criminosas", e pressionou as autoridades mexicanas a impedirem a passagem dos migrantes.

E assim foi em outubro, quando cerca de 4 mil pessoas ficaram presas na ponte que separa a Guatemala do México devido à ação das forças de segurança do país. Houve confronto no local e, assustados, muitos passaram mal ou decidiram retornar.

"As caravanas têm brigões muito duros. Eles lutaram forte e com muita violência contra as autoridades do México. Os soldados mexicanos ficaram feridos e foram incapazes, ou não tiveram vontade, de impedir a caravana", reclamou Trump. "Não vamos deixá-los entrar nos Estados Unidos. Nossas fronteiras são sagradas. DEEM MEIA-VOLTA!", escreveu o presidente americano em sua rede social.

Para barrar imigrações, Donald Trump pressionou mexicanos pelo Twitter
NASA/Aubrey Gemignani - 23.7.18
Para barrar imigrações, Donald Trump pressionou mexicanos pelo Twitter

Para aqueles que passaram, governos locais e entidades da sociedade civil organizaram acampamentos para prestar assistência em cidades como Tapachula, Cidade do México e Tijuana.
Enquanto os migrantes descansavam, Trump decidiu enviar mais de 5 mil militares para reforçar a proteção da fronteira do país com o México. O republicano defende, desde sua campanha em 2016, a construção de um muro entre os dois países. Trump chegou a reservar US$ 5 bilhões do orçamento do governo para 2019 para a construção desse muro, mas a ideia causou discórdia no Congresso, que não aprovou o texto e levou o país a enfrentar paralisação federal (o chamado 'shutdown').
No mês passado, Trump deu um passo além em seu intuito de impedir a entrada de migrantes e  assinou ordem que suspende a concessão de refúgio a quem entrar ilegalmente nos Estados Unidos. Ao menos 2 mil famílias foram separadas por conta da política de "tolerância zero" com as imigrações ilegais.
Com a nova regra, muitos acabaram barrados na chegada aos EUA, sob a custódia da Patrulha Fronteiriça americana. Foi o caso de Jackeline Call, uma menina guatemalteca de sete anos de idade cuja histórica comoveu o mundo já neste mês. A menina acabou morrendo por desidratação e exaustão  após ela e os pais ficarem detidos por oito horas após a travessia ao sul de Lordsburg (Novo México).

Bela Feldman-Bianco considera que a alegada "crise" envolvendo as caravanas de migrantes "foram criadas pelas políticas draconianas" de Donald Trump .

A professora explica que o Brasil, hoje, está em um estágio diferente de países como os Estados Unidos em relação às imigrações, mas alerta para riscos de esse quadro mudar num futuro próximo. "O Brasil ainda está recebendo imigrantes e refugiados, enquanto, na Europa e nos Estados Unidos, as políticas são cada vez mais draconianas. Mas, ao mesmo tempo, há indícios que aqui também há o perigo da política endurecer (a tentativa de mudar o estatuto do refúgio mostra essa tendência), como já endureceu na Argentina de Macri. Ainda bem que, no Brasil, contamos com uma sociedade civil – e inclusive com uma Igreja atuante – em prol dos direitos humanos e dos direitos migrantes", avalia.

Ultimo Segundo
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Conare racionaliza regras processuais de refúgio

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O Comitê Nacional para os Refugiados – Conare, aprovou no último dia 20, novas regras processuais para o processo de refúgio. Com a medida, o Comitê simplifica regras de tramitação do processo, cria nova possibilidade de extinção sem resolução do mérito e reafirma a necessidade do refugiado manter seus dados atualizados para que possa ser notificado para a entrevista de refúgio.
Com a medida, será possível conferir mais velocidade às instruções processuais, dispensada a necessidade de segunda notificação para comparecer à entrevista de refúgio, cujo índice de abstenção aproxima-se ao 100%, sendo, na prática, mera formalidade processual, sem nenhum resultado prático, nem para a parte e nem para a administração.
Para o Secretário Nacional de Justiça e Presidente do Conare, Luiz Pontel de Souza, a medida está de acordo com o Decreto de Desburocratização – Decreto nº 9.094, de 17 de julho de 2017, e com melhores práticas administrativas. “A alteração das normas relativas ao processo de refúgio levou em consideração os princípios da eficiência e da economicidade, e considerou também os efeitos práticos tanto para a administração pública federal quanto para os usuários”, reconhece Pontel.
Além disso, a norma reitera o dever do refugiado e do solicitante de reconhecimento da condição de refugiado manterem os seus dados atualizados para receberem todas as notificações processuais, demonstrando harmonia com os deveres dos administrados consagrados na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, especialmente os deveres de atuar com lealdade e com boa-fé.
“O maior interessado em ter sua solicitação resolvida pelo Estado brasileiro é o próprio solicitante de reconhecimento da condição de refugiado e, para ser notificado, deve ter seus dados atualizados constantemente, a fim de que se possa dar seguimento ao seu processo, reafirmando o entendimento de que ele é o maior responsável pela informação correta de seus dados de contato”, diz Bernardo Laferté, coordenador-geral do Conare.
A norma também desburocratiza procedimentos, ao delegar competência para a coordenação-geral arquivar os processos dos solicitantes que viajam para o exterior por mais de 90 dias ou que viajam sem comunicar o Estado brasileiro. Com isso, os processos não precisam mais passar por deliberação do Comitê.
Outra novidade da norma é sobre o desarquivamento de processos de refúgio. Os processos agora somente poderão ser desarquivados uma única vez, mediante justificativa válida e, em caso de não comparecimento à entrevista, o processo será definitivamente extinto, evitando sucessivas faltas e permitindo que solicitantes que queiram ter o seu caso encaminhado possam ser entrevistados pela equipe da coordenação-geral do Conare.
Ministerio da Justiça
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Crise migratória da Venezuela preocupa o mundo

Ponte que liga San Antonio del Táchira, na Venezuela, a Villa Del Rosario, do lado colombiano, se tornou símbolo do êxodo de venezuelanos;

A crise dos refugiados venezuelanos atingiu o auge em 2018, com milhões de pessoas tendo deixado o país fugindo da falta de alimentos ou acesso a remédios e saúde, além de perseguição política. De acordo com a ONU, "o movimento dessa magnitude é sem precedentes na história recente das Américas e a vulnerabilidade deles que deixam o país também aumenta".

A entidade estima que precisará de US$ 738 milhões (R$ 2,9 bilhões) para dar assistência em uma crise que, em 2019, afetará 3,6 milhões de pessoas. Entretanto, nem todos migram para países da América Latina: os ricos buscam status de refugiado na Europa. Em muitos casos, empresários são colocados em albergues e disputam espaço com imigrantes sírios e líbios.

Grande parte dos venezuelanos, entretanto, entrou no Brasil através da fronteira com Roraima. A crise fez com que o governo Temer decretasse intervenção federal no Estado. Antes disso, a ex-governadora de Roraima, Suely Campos (PP), havia ido a Caracas e fechou um acordo para ajudar o presidente Nicolás Maduro na repatriação de refugiados. Porém, muitos que aderiram ao programa disseram que usarão a viagem de volta para rever a família e depois voltar ao Brasil.

O governo brasileiro havia aprovado uma Medida Provisória para ajudar os refugiados, com  ações de assistência emergencial para os imigrantes que se refugiam no Brasil em razão de crises humanitárias em seus países de origem. Após as eleições, o presidente eleito Jair Bolsonaro sugeriu, disse durante cerimônia militar no Rio de Janeiro, a criação de campos de refugiados, "talvez, para atender aos venezuelanos que fogem da ditadura de seu país".

Além disso, agências da ONU e entidades internacionais lamentaram e criticaram a decisão do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de se distanciar do Pacto Global de Migração. "É sempre lamentável quando um Estado se dissocia de um processo multilateral, em especial um (país) tão respeitável de especificidades nacionais", declarou Joel Millman, porta-voz da Organização Internacional de Migrações (OIM).

Em 2018 uma caravana de migrantes da América Central  se dirigiu aos Estados Unidos e as reações do presidente Donald Trump foram duras. Ele  definiu a caravana como uma "invasão" e sugeriu que seja criada uma "barreira de pessoas" na fronteira sul do país para impedir que a caravana de imigrantes da América Latina avance. Na Ásia, os 150 mil refugiados rohingyas enfretaram problemas e a ONU classificou o êxodo em massa para Bangladesh como 'limpeza étnica". 

Terra

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Guatemala pede investigação de morte de criança migrante sob custódia dos EUA

Seguranças parados diante de sapatos e brinquedos deixados para trás no Ponto de Entrada de Tornillo, no Texas, onde os filhos dos imigrantes sem visto foram mantidos após a separação dos pais, em junho
O Ministério das Relações Exteriores da Guatemala pediu nesta terça-feira uma investigação sobre a morte da segunda criança imigrante do país sob custódia da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos.
Em comunicado, o órgão informou que recebeu a notícia da morte da segunda criança guatemalteca presa após cruzar a fronteira. Desta vez, um menino, de 8 anos, que faleceu em um hospital da cidade de Alamogordo, no estado americano do Novo México.
O governo da Guatemala já havia pedido uma investigação sobre a morte de Jakelin Caal Maquín no dia 8 de dezembro. Depois de ser presa com seu pai após cruzar ilegalmente a fronteira dos EUA, a menina guatemalteca, de 7 anos, morreu em condições similares.
A diretora de Comunicação Social do Ministério das Relações Exteriores da Guatemala, Marta Larra, afirmou que ainda não tem mais informações sobre a criança que morreu hoje e nem do seu pai.
Segundo ela, o menino entrou nos EUA na última terça-feira e, junto com o pai, os dois foram transferidos para o centro de detenção da Patrulha de Fronteira em Alamogordo cinco dias depois.
O cônsul da Guatemala na cidade de Phoenix, Óscar Padilla Lam, foi para a cidade e espera poder falar com o pai da criança em breve, segundo o Ministério das Relações Exteriores.
A criança começou a mostrar sintomas de uma "possível doença", de acordo com o CBP, na noite de ontem. Um dos agentes percebeu que ela não estava bem e decidiu levá-lo com o pai ao Hospital Gerald Champion Regional, na cidade de Alamogordo, no Novo México.
No hospital, os médicos afirmaram que a criança tinha um resfriado comum e, quando iam dar alta, perceberam que ela apresentava um quadro de febre. O jovem guatemalteco ficou mais 90 minutos em observação e deixou o local na tarde de segunda-feira, com uma receita para tomar ibuprofeno e amoxicilina.
Na noite de ontem, o menino começou a vomitar e a sentir náuseas, voltando ao hospital. No entanto, apesar do atendimento médico, o pequeno imigrante acabou morrendo durante a madrugada de hoje.
Efe
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Pesquisadores fazem mapeamento de negócios de refugiados em SP

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Pesquisadores de São Paulo desenvolveram uma rede de apoio a refugiados que abriram negócios e investem em economia criativa.
O projeto “Deslocamento Criativo” tem o objetivo de dar visibilidade e apoio a estrangeiros que escolheram viver e gerar renda na cidade.
A equipe da pesquisadora Maria Nilda Santos fez uma pesquisa qualitativa para desenhar um retrato de imigrantes que atuam nas áreas de música, moda, gastronomia, artesanato, cinema, design, artes visuais, cultura digital e cursos de idiomas.
“São Paulo é uma cidade multicultural e essa nova geração de imigrantes veio ajudar a oxigenar a economia”, afirma.
A pesquisa começou há cerca de um ano. O projeto “Deslocamento Criativo” envolve refugiados e solicitantes de refúgio que saíram do Oriente Médio e da África – são pessoas que vieram de países como República Democrática do Congo, Síria e Senegal.
Ainda não há dados oficiais e atualizados sobre a contribuição desses estrangeiros à economia de São Paulo.
Para mais informações sobre o mapa, acesse: http://www.deslocamentocriativo.com.br/mapa-de-neg%C3%B3cios-de-refugiados
G1
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Dificuldades e esperança marcam o ano de migrantes em todo o mundo

2018 foi mais um ano de partidas e chegadas para milhões de pessoas em todo o mundo. Após a crise migratória na Síria, que atingiu seu auge entre 2016 e 2017, países na América estiveram no centro dos debates neste ano.
Entre eles, a Venezuela, que vive a pior recessão econômica de sua história. São três anos de retração econômica. Entre 2013 e 2017, o PIB do país caiu 37% e, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, deve cair mais 15% em 2018.
A crise privou a população do acesso a serviços básicos, como os de saúde, e chegou a esvaziar as prateleiras de supermercados. A saída, para grande parte dos venezuelanos, tem sido procurar, em outros países, melhores condições de vida.
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
É uma crise migratória de grandes proporções. Hoje, mais de 3 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos vivem fora de seu país, sendo que 2,3 milhões deixaram sua terra natal a partir de 2015. E as estimativas são pessimistas. Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), em 2019, 3,6 milhões de pessoas vão precisar de ajuda, sem previsão de retorno à Venezuela.

Hoje, a Colômbia abriga o maior número de refugiados e migrantes da Venezuela — mais de 1 milhão. Em seguida, vem o Peru, com mais de 500 mil venezuelanos, Equador, com mais de 220 mil, Argentina, com 130 mil, Chile, com mais de 100 mil.
No Brasil, estima-se que cerca de 150 mil imigrantes cruzaram a fronteira. Mais de 85 mil procuraram a Polícia Federal para solicitar refúgio ou residência no Brasil. Os dados da operação estão compilados no site da Casa Civil.
Foto: Isac Nóbrega / PR
Com tantos imigrantes concentrados em um só estado, o governo federal deu início, em fevereiro, a um programa de interiorização. Desde então, mais de 3 mil imigrantes foram transferidos da fronteira para outras cidades, onde eles podem encontrar melhores condições para recomeçar.

No Paraná

Segundo os últimos dados da Casa Civil, da Presidência da República, o Paraná recebeu 231 venezuelanos no programa de interiorização em 2018. Foram 131 em Curitiba, 10 em Foz do Iguaçu, 86 em Goioerê e 4 em Londrina.
Ainda segundo a Casa Civil, não há previsão de quais serão as próximas cidades a receber os imigrantes. “Há um diálogo constante do Governo Federal com estados e municípios para viabilizar abrigos e oportunidades para venezuelanos no contexto desta ajuda humanitária”, informa o órgão.
Os imigrantes chegaram ao estado em quatro grupos. Em geral, eles são recebidos, nas cidades, por organizações e entidades civis. A primeira cidade paranaense a receber os imigrantes foi Goioerê, no Noroeste do Paraná, onde eles foram atendidos pela Aldeias Infantis SOS.
Foi a primeira vez em que a cidade, de quase 30 mil habitantes, recebeu um fluxo migratório similar. De acordo com o sub-gestor da Aldeia SOS, Sérgio Marques, representantes da prefeitura tomaram medidas para orientar a população quanto à recepção.
“A prefeitura de Goioerê está nos apoiando e disponibilizando todos serviços públicos e equipamentos do município para apoiar a estadia dos venezuelanos aqui. A população está muito mobilizada”, contou, na época. “Está se formando uma corrente muito positiva aqui para recebê-los”.
Foto: AEN
Em Curitiba, a Cáritas organizou um programa de acolhimento, oferendo casas mobiliadas pelo período de alguns meses, até que possam se estabelecer na capital ou em outras cidades. O último grupo, de 102 imigrantes, chegou no dia 20 de dezembro. Alguns se instalaram em Colombo, na região metropolitana.
“São pessoas que têm história, tiveram que deixar para trás a família, seus sonhos. A gente tem recebido pessoas com muito potencial, pessoas que podem contribuir muito com nosso país”, explica a coordenadora dos projetos com o tema de imigração da Cáritas, Márcia Ponce. “Assim como temos muitos brasileiros vivendo em outros países, que a gente também possa acolher e acolher com dignidade”.
Em Curitiba, pessoas interessadas em ajudar os venezuelanos com doações podem entrar em contato com a Caritas pelo telefone (41) 3023-9907. As doações também podem ser entregues das 9h às 17h na Casa de Acolhida Dom Oscar Romero, na Rua General Teodorico Guimarães, número 48, no bairro Fanny.

Intolerância nos EUA

Cenas de crianças separadas dos pais imigrantes, nos Estados Unidos, foram outro marco em 2018. Com a eleição de Donald Trump, o país, que vem vivendo um endurecimento das leis de imigração, se tornou o centro de um escândalo internacional ao enviar os pequenos em abrigos e prender os seus pais, que chegavam sem documentação.
Foto: Lalo de Almeida / Folhapress
A separação de famílias, especialmente na fronteira dos Estados Unidos com o México, foi resultado da política de “tolerância zero”, adotada pela administração Donald Trump, em meados de abril. Os imigrantes ilegais – mesmo aqueles que procuravam asilo – são presos e respondem por crime federal nos EUA. Em seis semanas, mais de 2 mil crianças foram separadas dos pais e levadas para abrigos no início do ano.
Entre elas, estavam cerca de 50 crianças e pais brasileiros. As crianças tinham entre 6 e 17 anos, e foram para 15 abrigos espalhados pelo país. Pelo menos 11 estavam sozinhas, sem outros brasileiros, em locais onde a maioria das pessoas fala apenas espanhol ou inglês.
Com a repercussão, o país apertou os esforços para reunir as famílias separadas. Conforme um relatório oficial do governo, de novembro, 2.458 das 2.667 crianças separadas dos pais na fronteira com o México foram reunificadas.
Foto: Lalo de Almeida / Folhapress
O presidente, porém, segue firme no intuito de inibir o movimento migratório. Em seu Twitter, no dia 16 de dezembro, voltou a defender a tolerância zero e também a separação de parentes. “No entanto, se você não se separar, MUITO mais pessoas virão. Os traficantes de pessoas utilizam as crianças!”, escreveu, no Twitter.
“A política dos democratas de separação de crianças na fronteira durante o governo Obama foi muito pior do que a maneira como lidamos com isso agora. Lembrem da foto de 2014 de crianças em gaiolas – os anos Obama”, completou, falando de seu antecessor, Barack Obama.
Também por causa das críticas, em junho, Trump assinou um decreto determinando o fim da divisão das famílias. Isso, porém, é feito com a detenção dos menores junto com os pais que aguardam o processo de deportação.

No Brasil

No Brasil, a equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro dá sinais de que a política migratória será, também, dura no Brasil. Em dezembro, o futuro chanceler Ernesto Araújo afirmou que deverá se desassociar do Pacto Global de Migração, documento que foi aprovado no dia 10 de dezembro.
Nas redes sociais, ele afirmou que “a imigração não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a realidade e a soberania de cada país”.