segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O que tem na sua calça jeans?

Você sabia que para produzir um par de jeans, são necessários em média quase 4 mil litros de água? Além disso, essas peças, quando lavadas, liberam fibras que poluem o meio ambiente.
A ONU Meio Ambiente defende que consumidores e a indústria da moda repensem radicalmente seus hábitos e práticas, a fim de tornar o setor de vestuário um modelo de sustentabilidade.
Calças jeans podem custar muito caro para o planeta Terra. Foto: Pexels
Calças jeans podem custar muito caro para o planeta Terra. Foto: Pexels
Hoje você tomou uma decisão que poderia mudar a cara do planeta. Você decidiu o que vestir.
Quando foi a última vez em que você olhou dentro armário e não conseguiu encontrar nada que servisse?
Estrelas das séries da Netflix usam roupas deslumbrantes — e diferentes — a cada episódio. Celebridades exibem a última moda e são sempre fotografadas com um novo look. É difícil acompanhar o ritmo, não é? Mas não se preocupe. Você não precisa.
Basta ouvir o que a vice-prefeita de Paris, Antoinette Guhl, tem a dizer num recente relatório sobre a indústria têxtil, que defende uma economia circular, ou seja, com o uso eficiente de recursos e o reaproveitamento de materiais e insumos tradicionalmente descartados. 
“O circular é o novo preto básico. Precisamos de uma indústria da moda baseada em três princípios: limpa, justa e boa”, afirma Guhl. 
Roupas são uma expressão de individualidade. Elas tornam as pessoas únicas, além de dar conforto e proteção para quem as veste. Mas o custo ambiental delas está crescendo.
A pegada ambiental do mundo da moda é imensa e vai além do uso de matérias-primas. Juntas, as indústrias globais de vestimentas e calçados respondem por 8% das emissões de gases do efeito estufa.
Avaliações de ciclo de vida — que levam em conta a produção de algodão, a fabricação, transporte e lavagem — mostram que são necessários 3.781 litros de água para fazer uma calça jeans. O processo equivale a uma emissão de 33,4 kg de carbono — o mesmo valor estimado para uma viagem de carro de 111 km ou para uma TV de tela grande ligada por 264 horas.
Até mesmo o ato de lavar roupa libera microfibras de plástico e outros poluentes no meio ambiente, contaminando os oceanos e fontes de água potável. No mundo, em torno de 20% da poluição da água associada à atividade industrial vem do tingimento e tratamento de produtos têxteis.
Globalmente, a indústria da moda tem poder considerável — ela vale 1,3 trilhão de dólares e emprega 300 milhões de pessoas ao longo de toda a sua cadeia de valor. 
Llorenç Milà i Canals, chefe da Iniciativa de Ciclo de Vida da ONU Meio Ambiente, avalia que o setor tem uma oportunidade enorme para criar um futuro mais limpo. Mas é preciso medidas que mobilizem todos os envolvidos nas cadeias de valor, a fim de lidar com gargalos ambientais.
“Todos os atores têm de fazer a sua parte na redefinição do modo como o valor é gerado e mantido dentro do setor de vestuário, migrando do (modelo do) vestuário descartável para um setor que gera e sustenta valor para a sociedade, sem poluir o meio ambiente”, disse o especialista.
Enquanto consumidores, isso significa comprar menos. Alguns estudos estimam que a peça de roupa média é usada dez vezes antes de ser descartada. A demanda por roupas tem previsão de crescimento de 2% ao ano — mas, atualmente, o número de vezes que as vestimos caiu em torno de 30% na comparação com o início dos anos 2000.
Esse desperdício custa dinheiro e recursos naturais. Do total de insumos de fibras usados em roupas, 87% são incinerados ou acabam em aterros sanitários. Em média, um caminhão de lixo de têxteis é, por segundo, incinerado ou despejado em aterros.
Existem medidas que todos podem tomar hoje. Como conferir se os materiais de uma roupa são sustentáveis e ficar com elas por mais tempo, reduzir a quantidade de roupas que são compradas, reutilizar e comprar produtos de segunda mão e reciclar. Outra recomendação é lavar as roupas menos vezes e de forma mais inteligente — por exemplo, usando sabonete líquido concentrado em vez da fórmula em pó, que é abrasiva e libera mais fibras na água.
Mas se as atitudes individuais sobre consumo precisam ser repensadas, o mesmo vale para o modo como as roupas são produzidas. Coletivamente, em larga escala, reduzir a pegada ambiental requer cortar o consumo de recursos e conceber roupas sem um pingo de poluição.
A indústria da moda já começou a se mexer.
Uma pesquisa da consultoria Pulse, com gestores de todos os segmentos da indústria, confirma que a sustentabilidade está ficando mais popular nas agendas corporativas. Dos executivos entrevistados, mais da metade disse que a sustentabilidade orientava sua estratégia desde o ano passado.
Tecnologias inovadoras também podem contribuir com cortes no uso de recursos. O algodão e o poliéster reciclado ainda pressionam o meio ambiente, por isso encontrar e desenvolver novos materiais sustentáveis é fundamental para reduzir o consumo de recursos naturais.
Já os países em desenvolvimento, com uma indústria têxtil ainda inicial, têm a oportunidade de incorporar modelos circulares na produção desde o começo. Eles podem estabelecer um padrão elevado de sustentabilidade, para que o resto do mundo os acompanhe.
Em última instância, a chave para um futuro sustentável está em repensar radicalmente a forma como consumimos e usamos roupas, rompendo com os atuais modelos de negócios. Isso significa comprar menos e cobrar a indústria da moda para que crie produtos mais responsáveis.
Onu
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"Aumento da imigração ajuda a solucionar défice demográfico"


"Aumento da imigração ajuda a solucionar défice demográfico"
Este ano, segundo os nossos cálculos, terão saído de Portugal cerca de 90 mil pessoas, o que acentua a tendência de descida da emigração; é provável que esta tendência de descida se mantenha se a economia portuguesa continuar a comportar-se como até agora", disse Rui Pena Pires, durante a apresentação do Relatório da Emigração 2017, que decorreu hoje no Palácio das Necessidades, em Lisboa.
"Como também temos assistido a uma subida importante e significativa da imigração, é provável que a imigração deixe de ser parte do problema do défice demográfico, e passe a ser parte da solução", vincou o coordenador do documento, que será entregue ainda hoje na Assembleia da República.
De acordo com o documento, cerca de 90 mil portugueses emigraram em 2017, menos 10 mil do que em 2016, com o Reino Unido a manter-se o principal destino.
O relatório, que compila dados relativos a 2017 nos países onde estão disponíveis, refere que "a emigração portuguesa continua numa tendência de descida sustentada" fortemente relacionada com "a retoma da economia portuguesa, sobretudo no plano da criação de emprego", e "descida do desemprego", com a "revitalização do mercado de trabalho".
Esta tendência, segundo o relatório, elaborado pelo Observatório da Emigração, explica-se ainda pela "redução da atração de países de destino como o Reino Unido, devido ao efeito 'Brexit', e Angola, devido à crise económica desencadeada com a desvalorização dos preços do petróleo".
A descida regista-se desde 2013, quando atingiu o pico de 120 mil, o máximo deste século, passando para 115 mil em 2014, 110 mil em 2015 e 100 mil em 2016.
Apesar da queda acentuada de 26% relativamente a 2016 (30.543), o Reino Unido continua a ser o principal destino dos portugueses, com 22.622 entradas em 2017, "a uma muito grande distância dos outros destinos mais relevantes".
Entre as maiores descidas, está também Angola, com uma queda de 24% entre 2016 e 2017 (de 3.908 para 2.962), mas ainda assim apenas metade da descida registada em 2016 face ao ano anterior (quando passou de 6.715 para 3.908).
A queda no número da entrada de portugueses registou-se ainda na Suíça (-8,6%), pelo quarto ano consecutivo, passando de 10.123 em 2016 para 9.257 em 2017, bem como para a Austrália e a Noruega, embora os valores absolutos sejam muito mais baixos.
Segundo o Observatório, devido a alterações e correções nas estatísticas alemãs e francesas, "é neste momento difícil medir com rigor a evolução recente da emigração para dois dos principais destinos da emigração portuguesa, que no entanto deverá estar em franca redução no caso francês".
Depois do Reino Unido, os principais destinos da emigração portuguesa são a Alemanha, França, Suíça e Espanha. Fora da Europa, os principais países de destino da emigração portuguesa integram o espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola (3 mil, em 2017), Moçambique (mil, em 2016) e Brasil (mil em 2015).
Pais ao minuto
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sábado, 15 de dezembro de 2018

Mediterrâneo sofrerá efeitos mais graves das alterações climáticas

Resultado de imagem para Mediterrâneo sofrerá efeitos mais graves das alterações climáticas
O aquecimento global afetará de forma mais grave a região mediterrânica e terá sérias consequências económicas e ambientais, afirmou a União para o Mediterrâneo numa avaliação preliminar apresentada na cimeira do clima COP24A subida das temperaturas vai ter impacto na agricultura e no turismo, nos ecossistemas marinhos e terrestres e provocará a subida das águas nas zonas costeiras, podendo desencadear grandes migrações de população, de acordo com a avaliação no estudo encomendado pela União.

Se não se tomarem medidas, a subida das temperaturas pode atingir 2,2 graus centígrados em algumas zonas e pode mesmo aumentar 3,8 graus no fim deste século, acompanhada de uma diminuição da precipitação entre 10 e 30 por cento.O nível da água do mar tem subido três milímetros por ano desde há décadas, mas as piores previsões apontam para uma subida entre 52 e 190 centímetros em 2100.

"Os efeitos das alterações climáticas na região mediterrânica estarão acima da média global, com efeitos no bem-estar dos humanos", disse o secretário geral da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas, na apresentação do documento.

Na bacia do Mediterrâneo, o aquecimento global fará com que a zona se torne "menos atraente para o turismo por causa das temperaturas altas", reduzindo a vegetação, afetando a agricultura e "impulsionando as migrações dos países africanos para norte", previu.

A diminuição de recursos e os conflitos sociais daí decorrentes fazem antecipar "migrações humanas em larga escala", sobretudo a partir dos países no sul e leste do Mar Mediterrâneo.

É uma tendência que se manterá nos próximos 50 anos, destacou, mas que poderia ser estabilizada em 2060 caso se tomem medidas para conter as emissões de gases com efeitos de estufa.

A União para o Mediterrâneo recomenda a adoção de uma "agenda comum pelo clima" na região, que poderá basear-se na versão final do relatório pedido pela organização à sua rede de peritos sobre clima e alterações climáticas.

Rtp Noticias

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Todo ser humano tem o direito a não deixar sua terra

 
A Santa Sé defendeu na Conferência Intergovernamental sobre Migração, realizada na segunda-feira, 10 de dezembro, em Marrakesh (Marrocos), o direito das pessoas a não migrar, para o qual pediu, por meio do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, medidas que respondam às circunstâncias que levam milhares de pessoas a abandonar suas casas tal como as guerras, a fome e os efeitos da mudança climática.
Os países participantes da Conferência, promovida pela ONU, aprovaram o Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular que, embora não seja vinculativa, oferece um instrumento eficaz para aqueles países que estão enfrentando os desafios da migração em suas fronteiras.
Em seu discurso, o Cardeal Parolin recordou que "cada vez mais pessoas são obrigadas a abandonar suas casas por fatores adversos", embora "a maioria da migração continue sendo regular", e recordou que "as pessoas em movimento são mais numerosas do que nunca".
Lamentou que as diversas crises humanas (guerras, miséria, etc.) impulsionem as pessoas "a viagens involuntárias, inseguras e irregulares que colocam os migrantes e suas famílias em situação de vulnerabilidade, o que apresenta desafios importantes aos países de origem, trânsito e destino".
Advertiu que, “quando estes desafios não são bem administrados, podem levar a uma crise, a retórica pode eclipsar a razão e os migrantes podem ser percebidos mais como ameaças do que como irmãos e irmãs que necessitam de solidariedade e serviços básicos”.
Para enfrentar esse risco, "o Pacto Global sobre Migração pretende ajudar a comunidade internacional a prevenir crises e tragédias. Ao mesmo tempo, também busca melhorar a governança da migração, que é destinada a aumentar à medida que a comunidade internacional se torne mais interconectada econômica, social e politicamente".
Deste modo, este Pacto "ajudará todos os governos, bem como as organizações não governamentais, incluindo as organizações religiosas, a administrar coletivamente a migração de uma maneira mais segura, ordenada e regular, algo que nenhum Estado pode conseguir sozinho".
O Secretário de Estado recordou que o Papa Francisco "dedicou grande parte do seu pontificado à conscientização da situação difícil dos migrantes, bem como a urgência moral de atender aqueles que estão deslocados e responder às causas fundamentais do seu deslocamento".
Sobretudo, “está focado na situação das pessoas mais vulneráveis, entre as quais, crianças e jovens migrantes. Sua visão da migração internacional pode ser resumida em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar".
Além disso, recordou que o processo de integração compromete ambas as partes. "A integração é um processo bilateral no qual os imigrantes devem respeitar as leis, a cultura e os costumes locais do país que os recebe, enquanto os países de acolhimento devem respeitar as tradições e culturas dos migrantes. Através da acolhida e da prudência mútuas, as ondas de xenofobia e racismo podem ser abordadas com eficácia".
Entretanto, o Purpurado não mencionou somente o tema da migração, mas parte de seu discurso se focou no "direito a não migrar". Neste sentido, “a Santa Sé apela aos governos e à comunidade internacional, para que criem condições que permitam às comunidades e indivíduos viverem em condições de segurança e dignidade em seus próprios países".
"O direito a não migrar só pode ser desfrutado se os fatores adversos e os fatores estruturais que obrigam as pessoas a abandonarem o seu país de origem sejam controlados e minimizados de maneira efetiva", assinalou.
Advertiu que "os conflitos, as guerras, a mudança climática, a pobreza extrema e várias misérias inevitavelmente obrigarão muitas pessoas a uma migração insegura, desordenada e irregular, que não é uma opção, mas um ato de desespero".
"Se encontrarmos soluções sustentáveis ​​para os conflitos e o subdesenvolvimento, reduziríamos muito a migração forçada, insegura, desordenada e irregular", concluiu.
Radio Vaticano 
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Relatório aponta pobreza rural como causa de migrações na América Central

Jovens do campo são o perfil mais comum entre os migrantes que deixam países do norte da América Central, com destino ao México e Estados Unidos, aponta um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Em El Progreso, Honduras, Gabriella, de 15 anos, abraça sua mãe Erica Calix, que acaba de saber que o banco confiscará sua casa porque ela não tem condições de pagar o aluguel. Foto: UNICEF/Bindra
Em El Progreso, Honduras, Gabriella, de 15 anos, abraça sua mãe Erica Calix, que acaba de saber que o banco confiscará sua casa porque ela não tem condições de pagar o aluguel. Foto: UNICEF/Bindra
Jovens do campo são o perfil mais comum entre os migrantes que deixam países do norte da América Central, com destino ao México e Estados Unidos, aponta um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Divulgado em Marrakesh, durante a conferência da ONU sobre o novo pacto migratório, o levantamento revela que a maioria dos expatriados dessa sub-região sai de zonas agrícolas.
Em 2015, 89% dos migrantes de El Salvador, 87% dos da Guatemala e 82% dos hondurenhos residiam nos Estados Unidos, segundo o relatório.
No período 2010-2015, apenas 11% dos hondurenhos e 15% dos mexicanos retornados — que haviam deixado seus países de origem, mas regressaram posteriormente — instalaram-se em grandes cidades. O restante foi principalmente para comunidades rurais e municípios menores.
A estimativa é um dos dados do Atlas da Migração no Norte da América Central, apresentado no Marrocos pela CEPAL e FAO para debater as causas e consequências dos deslocamentos internacionais na sub-região. A pesquisa enfatiza a relação entre pobreza no campo e os fluxos de migrantes.
“Em Honduras, a porcentagem da população rural que vive na pobreza alcança os 82%, enquanto na Guatemala chega aos 77% e em El Salvador, a 49%”, afirmou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, em conferência sobre o relatório.
A dirigente ressaltou que os números da miséria no meio agrícola aumentaram ao longo das últimas décadas, atingindo níveis críticos.
Segundo Bárcena, outros motores da migração centro-americana incluem o desemprego, questões familiares, violações de direitos, violência e segurança e vulnerabilidade às mudanças climáticas.
De acordo com a pesquisa, entre 2000 e 2012, aumentou em 59% o número de pessoas do norte da América Central que viviam em lugares distintos do seu local de nascimento.
“Hoje em dia, a migração é mais complexa do que nunca na América Central. Existem números maiores de migrantes em trânsito, de repatriados, de menores não acompanhados e solicitantes de refúgio. A migração se transformou numa questão da mais alta prioridade nas agendas políticas e de desenvolvimento”, disse Bárcena.
Na avaliação de Kostas Stamoulis, subdiretor-geral do Departamento de Desenvolvimento Econômico e Social da FAO, o atlas confirma que a maioria dos migrantes do norte da América Central que viaja para o México e Estados Unidos são de famílias rurais. Esses indivíduos dependem da agricultura para seu sustento.
O especialista afirmou que a FAO continuará trabalhando com os governos da região para criar oportunidades nas comunidades agrícolas e nos territórios de origem da maioria dos migrantes.

Jovens e menores de idade

De acordo com o atlas, indivíduos com menos de 24 anos representam metade dos migrantes do norte da América Central que deixaram seus países de origem desde 2010. Quando considerados os jovens com menos de 20 anos, incluindo crianças e adolescentes, a proporção é de 25%.
De 2013 a 2017, 180 mil menores desacompanhados foram detidos na fronteira sudoeste dos Estados Unidos. De 2015 a 2016, 45 mil crianças e adolescentes, também desacompanhados e oriundos do norte da América Central, foram registrados no México.
Em 2017, o número de meninas migrantes e não acompanhadas teve aumento expressivo (72%) na comparação com o ano anterior.
Acesse o atlas clicando aqui.
Cepal 
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ONU reúne ativistas sul-americanas para comemorar 70 anos da Declaração dos Direitos Humanos

No Chile, a ONU levou para o Museu da Memória, em Santiago, nove ativistas da América do Sul, entre elas a brasileira Maria da Penha, com o objetivo de comemorar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Evento discutiu as experiências de luta dessas defensoras em diferentes temas, como violência contra as mulheres, meio ambiente e direitos dos povos indígenas.
Evento reuniu defensoras dos direitos humanos de nove países da América do Sul. À extrema direita, a brasileira Maria da Penha. Foto: Museu da Memória
Evento reuniu defensoras dos direitos humanos de nove países da América do Sul. À extrema direita, a brasileira Maria da Penha. Foto: Museu da Memória
No Chile, a ONU levou para o Museu da Memória, em Santiago, nove ativistas da América do Sul, entre elas a brasileira Maria da Penha, com o objetivo de comemorar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Evento discutiu as experiências de luta dessas defensoras em diferentes temas, como violência contra as mulheres, meio ambiente e direitos dos povos indígenas.
O evento foi aberto pelo ministro da Justiça e Direitos Humanos do Chile, Hernán Larraín, a coordenadora-residente da ONU no Chile, Silvia Rucks, a representante para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Birgit Gerstenberg, e o diretor do Museu da Memória, Francisco Estévez.
Também participaram a enviada especial do secretário-geral da ONU para deficiência e acessibilidade, Maria Soledad Cisternas, e representantes da União Europeia, do Instituto Nacional dos Direitos Humanos e do Ministério das Relações Exteriores do Chile.
Representante do ACNUDH para América do Sul, Birgit Gerstenberg, durante comemorações da ONU no Museu da Memória. Foto: Museu da Memória
Representante do ACNUDH para América do Sul, Birgit Gerstenberg, durante comemorações da ONU no Museu da Memória. Foto: Museu da Memória
As autoridades destacaram a importância dos princípios consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, 70 anos após ser adotada pela Assembleia Geral da ONU, em 10 de dezembro de 2018.

Defensoras da América do Sul

Durante o evento, as nove ativistas convidadas falaram sobre o papel fundamental das mulheres na promoção e defesa dos direitos humanos. Também abordaram suas vivências na defesa de causas como os direitos das mulheres, os direitos sexuais e reprodutivos, o fim da violência de gênero, os direitos das pessoas afrodescendentes, a educação não sexista, meio ambiente, os direitos das crianças, os direitos dos povos indígenas e direitos das pessoas migrantes. A violência sexual na ditadura também foi discutida no encontro.
Evento reuniu defensoras dos direitos humanos de nove países da América do Sul. Foto: Museu da Memória
Evento reuniu defensoras dos direitos humanos de nove países da América do Sul. Foto: Museu da Memória
As palestrantes foram Pamela Martín García (Argentina); Martina Barra (Bolívia); Maria da Penha (Brasil); Emilia Schneider (Chile); Rocío Rosero (Equador); Tina Alvarenga (Paraguai); Beatriz Caritimari (Peru); Brenda Sosa (Uruguai) e Alejandra González (Venezuela).
A comemoração foi encerrada com um show da artista chilena Francisca Valenzuela, que cantou seus maiores sucessos para mais de 4 mil pessoas na esplanada do Museu da Memória. A cantora e ativista homenageou as defensoras dos direitos humanos e as chamou para subir ao palco.
ONU
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

EUA detêm líderes religiosos e ativistas durante protesto na fronteira com México

Ajoelhados diante de um batalhão de choque, 32 líderes religiosos e ativistas foram detidos em uma cerca na fronteira dos Estados Unidos com o México, na segunda-feira, durante um protesto em apoio a uma caravana de imigrantes centro-americanos.
Agentes de segurança dos EUA prendem manifestantes durante protesto em apoio a imigrantes em San Diego, na Califórnia 10/12/2018 REUTERS/Mohammed Salem

Mais de 400 manifestantes, muitos deles líderes de igrejas, mesquitas, sinagogas e comunidades indígenas, tentavam impedir a detenção e deportação de imigrantes e para que os EUA recebem a caravana que chegou a Tijuana, no México, em novembro.

Cantando e orando, os líderes religiosos seguiam em frente em filas de quatro a seis pessoas, alguns com camisetas dizendo “O Amor Não Conhece Fronteiras”. Eles foram algemados e levados por agentes federais ao entrarem em uma área restrita diante da cerca.

“Como fiel que acredita em nossa humanidade em comum... estamos pedindo aos EUA que respeitem o direito dos imigrantes”, disse Joyce Ajlouny, secretária-geral do Comitê de Serviço dos Amigos Americanos, que organizou uma semana de ações de apoio aos imigrantes.O porta-voz da Patrulha de Fronteira dos EUA, 

Theron Francisco, disse que 31 pessoas foram detidas pelos Serviços Federais de Proteção por invasão e que uma foi presa pela Patrulha de Fronteira por agredir um agente.As detenções marcaram o segundo confronto com as autoridades norte-americanas desde que a caravana chegou a Tijuana. 

Agentes da Patrulha de Fronteira dispararam gás lacrimogêneo contra os imigrantes em 25 de novembro porque disseram ter sido agredidos com pedradas.Milhares de imigrantes estão vivendo em abrigos e acampamentos lotados em Tijuana depois de partirem da América Central em fuga da pobreza e da violência. 

Eles podem ter que esperar semanas ou meses para pedirem asilo na fronteira dos EUA.Dados divulgados na segunda-feira pela Alfândega e Proteção de Fronteira (CBP) mostraram que os pedidos de asilo na divisa EUA-México aumentaram 67 por cento no ano fiscal de 2018 em relação ao ano anterior.Autoridades imigratórias dos EUA dizem que estes pedidos, a maioria dos quais é aceita, exploram uma brecha legal que permite que imigrantes entrem no país enquanto aguardam uma audiência a respeito de sua solicitação de asilo em um tribunal.

“Como a maioria destes pedidos não terá sucesso quando forem adjudicados em um tribunal de imigração, precisamos que o Congresso trate destas vulnerabilidades”, disse o comissário da CBP, Kevin McAleenan, em um comunicado.

Os líderes do protesto disseram que o presidente norte-americano, Donald Trump, retratou a caravana como uma ameaça de segurança para impulsionar sua agenda “anti-imigrante” e restringir ainda mais a capacidade de pedirem asilo.

Reuters
Reportagem adicional de Andrew Hay, no Novo México
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Livro digital do Museu da Imigração facilita busca por ancestrais estrangeiros

Livro digital do Museu da Imigração facilita busca por ancestrais estrangeiros
O Museu da Imigração lançou um livro digital para auxiliar buscas no acervo da instituição, que reúne mais de dez mil publicações, 250 mil imagens, além de entrevistas e objetos.
O projeto atende uma demanda de pessoas que pesquisavam informações genealógicas, mas não sabiam por onde começar ou desconheciam a finalidade dos documentos, que, muitas vezes, servem para o processo de cidadania.
O coordenador do ebook, Henrique Trindade, diz que a publicação traz detalhes sobre períodos relacionados a processos migratórios, além de dicas sobre como buscar nomes, sobrenomes e o destino de famílias depois do desembarque em portos do país.
A estimativa é que 80% do acervo seja de italianos, mas também há informações de outras nacionalidades – incluindo a história de um austríaco que sobreviveu ao naufrágio do Titanic e veio ao Brasil em 1924.
A funcionária pública Ridete Pozetti passou dois meses fazendo buscas de parentesco para dar início à retirada da cidadania italiana e descobriu que seu bisavó, Giusepe, desembarcou no Porto de Santos em 1888 ao lado dos pais e de oito irmãos. Antes de migrar para o interior de São Paulo, os Pozetti se estabeleceram na Hospedaria dos Imigrantes, no Brás, onde hoje funciona o museu.
O download do livro digital é gratuito e feito no site do Museu da Imigração; o acervo também pode ser visto presencialmente mediante pagamento de R$ 10 por ingresso.
Band News Fm
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Nova Lei de Migração completa um ano em vigor e o que mudou?

João Marques da Fonseca. FOTO: DIVULGAÇÃO
Há um ano, o Estatuto do Estrangeiro deixou de vigorar e abriu espaço para a nova Lei de Migração. Com propostas inovadoras e mais dinâmicas, o marco regulatório ganhou força e visibilidade nos últimos meses, principalmente para as companhias que contam com imigrantes em seu quadro funcional, pois precisaram rever os seus processos imigratórios e atualizar a documentação de seus expatriados para poder estar de acordo com a nova regulamentação.
Em minha visão, se a nova lei visava que as instituições regularizassem os seus expatriados, ela foi extremamente eficaz. Dados do Ministério do Trabalho, apontam que, só em 2018, o índice de registro de imigrantes no Brasil cresceu 50%, em relação ao ano anterior. Para mim, estes números são apenas reflexo da legalização. Não acredito que o País recebeu mais estrangeiros em 2018. Anseio que as empresas entenderam a importância de documentar os seus profissionais para não correrem riscos de imagem e, sobretudo, financeiros.
Para se ter uma ideia, o marco regulatório impõe multas que podem variar de R$ 1 mil a 5 milhões para cada irregularidade relacionada à imigração observada na empresa. Além disso, prevê detenção desde o Presidente até o gerente de Recursos Humanos da companhia, quando observado o descumprimento da norma. Neste caso, quem quer colocar o seu nome em risco? Acredito que ninguém.
Outra mudança positiva foi a unificação dos cadastros dos imigrantes e a inteligência no cruzamento de informações digitais. Agora, a Polícia Federal, principal órgão fiscalizador da lei, tem acesso aos dados empresariais e individuais de cada cidadão, de forma simples e eficaz, sem burocracia.
No entanto, penso que a nova lei ainda precise de alguns ajustes. Principalmente, no que tange aos projetos de atratividade, pois o Brasil é um dos países mais fechados do mundo. Porém, neste cenário, um ponto positivo anunciado recentemente é a Resolução Normativa n.º 36, do Conselho Nacional de Imigração que começou a autorizar a residência de imigrantes em território brasileiro com o objetivo de realizar investimento imobiliário em nosso País.
E isso é extremamente positivo para a nação. Para os interessados, o pedido de autorização pode ser realizado de forma prévia, com a emissão do visto temporário, ou de maneira local, caso o imigrante investidor esteja no Brasil. Após o registro feito na Polícia Federal, o imigrante investidor deverá permanecer no Brasil por, no mínimo, 30 dias durante o prazo concedido na autorização. O prazo de estada para essa modalidade de residência será de dois anos, com possibilidade de modificação para prazo indeterminado.
Mesmo com esta novidade, os dados de atratividade são preocupantes. Se avaliarmos os últimos três anos, entre 2015 e 2018, o número de expatriados que chegaram ao Brasil, com contrato de trabalho de até dois anos, caiu em 63%, aponta levantamento da EMDOC, consultoria especializada em mobilidade global. Quando falamos em administradores e gerentes, por exemplo, que vinham trabalhar permanentemente em nosso País, a queda é de 53%, revela o estudo.
Por outro lado, o número de expatriados da área de tecnologia e assistência técnica, com prazo de permanência de 180 dias no Brasil, subiu de 0 para 6.797, no período de janeiro a setembro de 2018. Quantidade que reflete uma mudança positiva no País, que foi gerada após a implantação do novo marco regulatório. Sendo esse um sinal positivo e inovador.
Nesse sentido, a nova Lei de Migração pode ser uma ferramenta para mudar este cenário, já que o Brasil não investe em atratividade há mais de 100 anos. Porém, é preciso definir os caminhos para colocar em prática este importante mecanismo. Acredito que, exercitando este conceito, nosso País só tende a ganhar, tanto economicamente quanto em áreas relacionadas ao saber, à pesquisa e ao desenvolvimento.
Tenho convicção que o intercâmbio de conhecimento é o que falta em nosso País. Precisamos de profissionais com outras culturas e visões em nossas empresas. É uma forma de aprimorar os nossos processos. Assim como os brasileiros vão ao exterior aplicar as suas ideias e aprender novas técnicas, devemos receber os imigrantes para fortalecer os nossos mercados. Este tipo de ação é extremamente eficaz em países de primeiro mundo, como o Canadá, Austrália, Estados Unidos, entre outros.
Portugal tem sido um grande exemplo de atratividade. Nos últimos anos, a região recebeu legalmente mais de 90 mil brasileiros, além de um quantitativo muito maior de pessoas de outras nacionalidades, já que os projetos deles são focados em atrair pessoas do mundo inteiro e não só do Brasil. Com esses números, vemos que Portugal é um excelente modelo neste quesito, pois apostam em atrair pessoas de todas as culturas, com segurança jurídica de curto, médio e longo prazo. E é exatamente disso que o nosso País precisa.
Todos temos o que aprender e aperfeiçoar. Nesse sentido, o Brasil precisa voltar a investir em projetos de atratividade que vislumbrem, efetivamente, a captação de profissionais qualificados e empreendedores de pequenas e médias empresas, que são grandes geradoras de empregos, que tenham interesse em se estabelecer em solo nacional e implementar novas técnicas, processo feito por muitos países nos últimos dois anos, como Alemanha e Japão.
Espero que em 2019, as autoridades comecem a pensar que o País precisa se desenvolver, que estes planos saiam do papel e comecem a vigorar rapidamente. Vai ser um avanço enorme para a nossa nação. Penso que todos já ouviram a expressão: “conhecimento nunca é demais”. Sendo assim, que tal começarmos a dar esta abertura para outros povos? Só teremos benefícios com esta escolha.
*João Marques da Fonseca é presidente da EMDOC, consultoria especializada em mobilidade global, bacharel em Administração de Empresas, Ciências Jurídicas e RelGov. É coautor de oito livros sobre migração e idealizador do PARR (Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados)
Estadao
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