terça-feira, 6 de novembro de 2018

ONU Brasil apoia governo federal na recepção de refugiados e migrantes venezuelanos

A crise na Venezuela tem gerado um forte aumento no fluxo de entrada de venezuelanos no Brasil. Eles deixam o país por razões como insegurança e perda de renda devido à crise econômica. Desde 2015, mais de 85 mil venezuelanas e venezuelanos procuraram a Polícia Federal para solicitar refúgio ou residência.
As agências da ONU no Brasil têm apoiado os governos municipal, estadual e federal no recebimento dos venezuelanos tanto por meio do ordenamento de fronteira, abrigamento, atendimento de saúde e processo de interiorização.
Confira neste documentário especial produzido pela ONU Brasil.
A crise na Venezuela tem gerado um forte aumento no fluxo de entrada de venezuelanos no Brasil. Eles deixam o país por razões como insegurança e perda de renda devido à crise econômica. Desde 2015, mais de 85 mil venezuelanas e venezuelanos procuraram a Polícia Federal para solicitar refúgio ou residência.
“A situação na Venezuela não está tão boa, então eu não conseguia dinheiro nenhum para comida ou para medicamentos. Passamos três dias sem comer, sem nada. Por esse motivo decidimos vir para cá”, disse a venezuelana Amarilis, que hoje vive em Roraima.
As agências da ONU no Brasil têm apoiado os governos municipal, estadual e federal no recebimento dos venezuelanos tanto por meio do ordenamento de fronteira, abrigamento, atendimento de saúde e processo de interiorização.
Em Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) apoiam o recém-inaugurado Centro de Triagem, onde é possível receber, identificar, oferecer informações, regularizar o status migratório e imunizar as pessoas que cruzam a fronteira.
“A ONU Brasil tem trabalhado em cooperação com o governo brasileiro e com organizações da sociedade civil do país para garantir que as venezuelanas e os venezuelanos que cruzam a fronteira tenham seus direitos humanos integralmente respeitados”, disse Niky Fabiancic, coordenador-residente do Sistema ONU no Brasil.
A OPAS/OMS tem combatido o surto de sarampo em Roraima. Até outubro de 2018, foram vacinadas mais de 27 mil pessoas, entre brasileiros e imigrantes.
O UNICEF apoia uma pesquisa nutricional com foco em crianças de até 5 anos, que será conduzida pelo Ministério da Saúde. O UNFPA tem trabalhado no combate à violência de gênero e pelo direito à saúde sexual e reprodutiva de mulheres e meninas.
Em Boa Vista e Pacaraima, a ONU fornece apoio no registro e documentação de cidadãos venezuelanos, além de implementar projetos para facilitar sua integração.
A partir do plano de ação estabelecido pelo Ministério do Desenvolvimento Social, o ACNUR faz a gestão dos centros de acolhida onde os venezuelanos recebem alimentação, cuidados médicos e proteção, sendo também registrados.
Atualmente, 13 abrigos e um alojamento de trânsito em Roraima acolhem mais de 5 mil pessoas. No Centro de Referência para Pessoas Refugiadas e Migrantes, inaugurado pelo ACNUR, é possível emitir a carteira de trabalho, fazer o Cadastro Único e realizar chamadas gratuitas para a Venezuela.
Desde abril, o Sistema ONU no Brasil apoia a interiorização de solicitantes de refúgio e migrantes venezuelanos. Até outubro de 2018, cerca de 3 mil pessoas foram transportadas para 18 cidades brasileiras.
O processo é promovido pelo governo federal com o apoio do ACNUR, OIM, UNFPA e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A interiorização busca criar melhores condições de integração para venezuelanos que estão vivendo no Brasil.
Mais de 1,6 mil solicitantes de refúgio e migrantes foram cadastrados para encaminhamento profissional. Com apoio da OIT, o ACNUR tem feito parcerias para expandir oportunidades de ensino técnico e vocacional para as venezuelanas e venezuelanos.
Em Boa Vista, mais de 5 mil famílias foram registradas no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal, sendo que quase 2 mil são beneficiadas pelo Bolsa Família.
O objetivo da ONU Brasil é promover a coexistência pacífica entre os venezuelanos e as comunidades de acolhida para facilitar a integração dessas pessoas à sociedade brasileira.
“As brasileiras e os brasileiros têm uma importante tradição de acolhida. Acreditamos que este é o melhor caminho para todas e todos. Nós não acreditamos na construção de muros, nós acreditamos na construção de pontes”, disse Fabiancic.
Continue acompanhando os esforços da ONU no tema clicando aqui.
Onu
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Navio humanitário espanhol "Aita Mari" pressiona Madrid para poder navegar

Aita Mari está pronto para zarpar e ajudar as pessoas em perigo no Mediterrâneo Central (...) Mas o governo espanhol não deu resposta ao nosso pedido para navegar", critica o Maydayterraneo, projeto que resulta da união das organizações não-governamentais (ONG) Proem-AID e SMH, que fretaram o navio.
Antiga embarcação de pesca reconvertida, o "Aita Mari" está atracado no porto basco de Getaria e tem pavilhão espanhol, mas precisa de autorização da Direção Geral da Marinha Mercante para poder navegar.
O Maydayterraneo sublinha, num comunicado, que seguiu "de forma estrita, os trâmites exigidos para fretar uma embarcação" e salienta que "o objetivo deste navio devia ser uma prioridade para todos os atores que se relacionam com o mar", tendo em conta que se afogam todos os dias entre cinco a seis pessoas no Mediterrâneo Central.
Para o projeto Maydayterraneo, o salvamento marítimo deve ser assegurado pelos Estados: "Se a União Europeia e os seus Estados membros se comprometessem a resgatar nas águas internacionais entre Itália e Líbia, as ONG de resgate não teriam de mobilizar tantos recursos, tanto voluntariado, para defender a vida".
Atualmente apenas o navio humanitário italiano "Mare Jonio" opera naquela zona, desafiando o governo italiano, tendo os restantes suspendido as suas missões devido à "perseguição política e mediática de alguns dos governos do litoral mediterrânico", como Itália e Malta.
O ministro do Interior italiano Matteo Salvini, de extrema-direita, escreveu na sexta-feira na sua conta na rede social Twitter que o "Mare Jonio" "partiu para buscas no Mediterrâneo levando a bordo ativistas da extrema-esquerda, membros do Seawatch, Open Arms e uma escritora que publica no Espresso e no Repubblica. Boa viagem, beijos e abraços", terminado com a 'hashtag' #portichiusi (portos fechados).
Diario de Noticias
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sábado, 3 de novembro de 2018

O Fórum Social Mundial das Migrações prossegue até o próximo domingo 4, sobre o tema “Migrar, resistir, construir e transformar”.

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do 8º Fórum Social Mundial das Migrações que teve início, nesta sexta-feira (02/11), no Centro Cultural Universitário Tlatelolco, em Cidade do México.
O evento, que prossegue até o próximo domingo (04/11), tem como tema “Migrar, resistir, construir e transformar”.

Ação transformadora

“A transformação positiva de nossas sociedades começa com a rejeição de todas as injustiças, que hoje buscam sua justificativa na cultura do descarte, uma enfermidade pandêmica do mundo atual. Essa oposição é vista como um primeiro ato de justiça, especialmente quando consegue dar voz ao sem vozes. Dentre eles estão os migrantes, os refugiados e os deslocados, que são ignorados, explorados, violados e abusados no silêncio culpado de muitos”, frisa Francisco no texto.
Segundo o Papa, “a ação transformadora não se limita em denunciar as injustiças. É necessário identificar pautas de soluções concretas e viáveis, esclarecendo os papéis e responsabilidades de todos os envolvidos. No campo da migração (migrar), a transformação (transformar) se alimenta da resiliência (resistir) dos migrantes, refugiados e deslocados, e aproveita suas capacidades e aspirações para a construção (construir) de sociedades inclusivas, justas e solidárias, capazes de restituir a dignidade aos que vivem com grande incerteza e não podem sonhar um mundo melhor”.

Complexidade do fenômeno migratório

O Pontífice destaca que “esse fórum visa abordar sete eixos temáticos diretamente relacionados à migração atual: direitos humanos, fronteiras, incidência política, capitalismo, gênero, mudanças climáticas e dinâmicas transnacionais. Trata-se de temas muito importantes que merecem uma reflexão atenta e compartilhada por todos os participantes, uma reflexão que busca a integração de diferentes perspectivas, reconhecendo a complexidade do fenômeno migratório”.
“É justamente por causa dessa complexidade que há dois anos a comunidade internacional se comprometeu com o desenvolvimento de dois processos de consultas e negociações, que visam a adoção de dois pactos mundiais: um para a migração segura, ordenada e regular, e outro sobre os refugiados.”

Contribuição da Igreja

O Papa frisa que como contribuição a esses processos, a Seção Migrantes e Refugiados, sob sua direção, “preparou um documento com 20 pontos de Ação para o Pacto Global, que prevê uma série de medidas eficazes e credenciadas que, no conjunto, constituem uma resposta coerente aos desafios de hoje. Os 20 pontos articulam-se em torno de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar, que sintetizam a resposta aos desafios colocados à comunidade política, à sociedade civil e à Igreja pelo fenômeno migratório hoje”.
Segundo Francisco, “muitos dos princípios declarados e as medidas sugeridas nos 20 Pontos de Ação coincidem com as declarações que as organizações da sociedade civil subscreveram com o desejo de contribuir ao processo iniciado pelas Nações Unidas na perspectiva dos Pactos Mundiais”.

Desenvolvimento de propostas políticas

Os Pactos Globais, “além de suas limitações que a Santa Sé não deixou de mencionar, e sua natureza não obrigatória, constituem um quadro de referência para o desenvolvimento de propostas políticas e implementação de medidas concretas”.
“Como para toda ação de alcance global, a implementação das recomendações e sugestões contidas nos Pactos Globais requer a coordenação dos esforços de todos os envolvidos, dentre os quais a Igreja. Para isso, espero contar com a colaboração de todos vocês e das organizações que vocês representam nesse fórum”, sublinha o Papa.
“Essa colaboração é necessária para melhorar os acordos bilaterais e multilaterais no campo da migração, e que sejam sempre para o maior benefício de todos: migrantes, refugiados, deslocados, seus familiares, suas comunidades de origem e as sociedades que os acolhem. Isso só pode ser alcançado num diálogo transparente, sincero e construtivo entre todos os atores, respeitando os papéis e responsabilidades de cada um.”

Promoção humana integral

Francisco aproveita a ocasião para “incentivar as organizações da sociedade civil e os movimentos populares a colaborar na difusão maciça dos pontos dos Pactos Globais que apontam para a promoção humana integral dos migrantes e refugiados, como também das comunidades que os acolhem, evidenciando as boas iniciativas propostas.”
Convida os movimentos e organizações a se comprometerem na “partilha equitativa de responsabilidades na assistência aos requerentes de asilo e refugiados”, e que tenham uma ação decisiva “para identificar, com prontidão, as vítimas do tráfico, fazendo todos os esforços necessários para libertá-las e reabilitá-las”.
Francisco conclui a mensagem, pedindo a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe para que sustente os participantes do fórum em suas atividades com os migrantes, refugiados e deslocados.

Fórum Social Mundial das Migrações

O fórum nasceu em 2001. É uma iniciativa finalizada à pesquisa e construção de sociedade justas e atentas a um mundo mais solidário.
Participam da abertura dos trabalhos: o arcebispo de Cidade do México, cardeal Carlos Aguiar Retes, e dom Franco Coppola, núncio apostólico no México.
Participa também o subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, pe. Michael Czerny, jesuíta.
Radio Vaticano
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OIM apresenta Relatório sobre Migração Mundial 2018

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Organização Internacional para as Migrações (OIM) apresentou o Relatório Mundial sobre Migração 2018, em Genebra, durante o último Conselho. Esta 9.ª edição apresenta dados e informações relevantes sobre as migrações, bem como capítulos temáticos que, entre outros assuntos, destacam o papel dos media, os extremismos e a importância de uma governança integrada.
Produzido desde 2000, o Relatório Mundial sobre Migração procura contribuir para uma compreensão mais equilibrada em todo o mundo sobre migração, apresentando dados, informações e questões emergentes e complexas de forma acessível.

Oim
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A América Latina está lidando com uma crise de refugiados

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Imagine seu salário e poupança de uma vida toda reduzidos por causa da hiperinflação. O mercado local está sem produtos alimentícios básicos, e a farmácia não tem estoque dos remédios que você precisa diária ou semanalmente. O único hospital na cidade não funciona porque não tem material médico básico e até falta água corrente, e as escolas estão fechadas por causa da falta de eletricidade. Você deixa sua cidade natal e viaja mais de 2.000 quilômetros a pé até a capital de um país vizinho, inteiramente inseguro sobre o que o futuro o reserva. Quando você chega, é recebido com discurso xenofóbico de um político local, que te acusa de roubar empregos da população local e de cometer crimes.

Esse cenário se tornou muito familiar para migrantes e refugiados na América Latina, onde 2.6 milhões de venezuelanos, a grande maioria deles de 2015, aparecem em países vizinhos como o Brasil, Chile, Colômbia e Peru enquanto as condições em casa se tornaram insuportáveis.

A maioria dos governos – a Colômbia sendo o principal exemplo – receberou os venezuelanos de braços abertos, se apressando para ajudá-los a se integrarem na economia local e iniciando campanhas para combater a xenofobia. No entanto, em alguns países – Peru e Brasil, por exemplo – populações locais e políticos populistas alimentam medo e preconceito. Nesse verão, agitadores na cidade de Boa Vista na fronteira do Brasil com a Venezuela entoaram, “Fora, fora, fora! Voltem para a Venezuela!” enquanto tentavam bloquear a estrada que centenas de venezuelanos estiveram usando para chegar no Brasil. Reagindo à notícias de um assalto violento cometido por alguns venezuelanos, agitadores brasileiros atearam fogo aos pertences de centenas de milhares de migrantes e refugiados, forçando muitos a retornarem.

Tais histórias de resistência e hostilidade com os migrantes se tornaram comuns ao redor do mundo. A chegada de milhões de sírios na Europa desde 2011 ocasionou ressentimento populista que se alimenta principalmente de diferenças lingüísticas, culturais e religiosas. Mas a xenofobia da América Latina com os migrantes da Venezuela não pode ser explicada nos mesmos termos. A América Latina é possivelmente a região mais integrada culturalmente no mundo. Os venezuelanos partilham amplamente a linguagem, religião, feriados e tradições de seu anfitrião. O que, então, conduz a xenofobia contra os migrantes e refugiados venezuelanos?

Políticos populistas como Ricardo Belmont, ex-candidato a prefeito de Lima, no Peru, alimentam ansiedades econômicas espalhando o medo de que os novos moradores irão ameaçar os estilos de vida locais. Há pouco embasamento para tais alegações: pesquisas mostram que quando é permitido que trabalhem, os migrantes, normalmente, ajudam as economias locais ao invés de prejudicá-las.

O EXEMPLO VENEZUELANO

Evidências de outros países mostram que a entrada de novos migrantes no mercado de trabalho não costuma deslocar os locais de seus empregos ou prejudicar seus salários, exceto algumas vezes minimamente e temporariamente. Na realidade, os migrantes tendem a ser mais empreendedores do que os locais, porque o ato de migrar é mais comum entre os que “tomam riscos”, o mesmo tipo de pessoa que criaria um negócio. Os negócios criados por migrantes criam empregos, muitos dos quais vão para os locais. Estudos na Itália, no Reino Unido e na Malásia também mostram que quando os migrantes podem trabalhar, é bem menos provável que eles entrem para o crime.

Um país da América Latina fornece um excelente exemplo de políticas de migração de portas-abertas que beneficiaram ambos os migrantes e o país anfitrião: Venezuela. Em 1945, quando Eduardo Mendoz Goiticoa – avô do líder de oposição e prisioneiro político Leopoldo López – foi apontado ministro da Agricultura pelo presidente Rômulo Betancourt, ele também tomou a liderança em promover a imigração para ajudar a estimular a economia. Na realidade, sob sua liderança, a Venezuela estava entre os primeiros países a abraçarem oficialmente a criação da Organização Internacional de Refugiados (precursora do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) para ajudar os europeus que estavam procurando por novos lares depois da devastação da Segunda Guerra Mundial. Durante esse período, a Venezuela recebeu centenas de milhares de refugiados europeus.

As políticas que Betancourt e Mendoza instalaram sobreviveram por muitos governos. A Venezuela se tornou um imã para migrantes e um exemplo de integração de sucesso. Nos anos 50, o ditador Marcos Pérez Jiménez continuou a promover a imigração européia. Em 1961, tinham 530.000 estrangeiros na Venezuela, constituindo cerca de 7.5% da população. Vieram principalmente da Itália, Espanha e Portugal, mas também da Alemanha, Hungria, Romênia e Tchecoslováquia; alguns vieram do Oriente Médio, principalmente do Líbano e da Síria. A economia venezuelana teve um boom no meio dos anos 70, atraindo migrantes de países da América Latina incluindo da Argentina, Colômbia, Chile, Equador e Peru. Muitos estavam simplesmente procurando por melhores oportunidades do que as que estavam disponíveis em seus países, enquanto outros procuravam refúgio de ditaduras militares cruéis.  

Enquanto a Venezuela ofereceu uma casa para os novos chegados, também se beneficiou do seu trabalho duro, graças às políticas de integração estabelecidas no século 19. Guzmán Blanco, que cumpriu três mandatos separados como presidente da Venezuela entre 1870 e 1887, previu que a Venezuela se beneficiaria da aceitação de diversos estrangeiros. Seu governo investiu na construção de “colônias misturadas”, comunidades agrícolas onde migrantes trabalhavam com nativos. Comunidades isoladas de migrantes se tornaram a exceção ao invés de ser a regra. Graças à essas políticas de base, estrangeiros na Venezuela raramente vivenciavam preconceitos.

Hoje, a maioria dos estrangeiros que chegaram na Venezuela décadas depois, junto com sua prole, deixam o país como resultado das desastrosas políticas que o presidente Hugo Chávez e Nicolás Maduro infligiram contra essa que já foi uma próspera nação.

MIGRANTES OU REFUGIADOS?

A lição da história da Venezuela é que quanto mais cedo as comunidades integrarem os migrantes, mais cedo eles serão capazes de contribuir visivelmente à essas comunidades (que em troca devem ajudar a inocular contra a xenofobia). Uma integração de sucesso requer que os migrantes invistam em si mesmos, seus filhos, e nas comunidades em que estão se inserindo. Para isso acontecer, os migrantes precisam saber que serão aceitos e que será permitido a eles permanecerem por um curto e/ou longo prazo, bem como receber vistos de trabalho e acesso à serviços como assistência médica e educação. 

A maioria dos países encontrou maneiras de dar status legal aos venezuelanos que deixaram seu país e que tenham a documentação adequada, frequentemente somente um passaporte. Mas o crescente número de venezuelanos que estão cruzando a fronteira sem documentos encontrará dificuldades. É quase impossível tirar passaporte na Venezuela, por exemplo, porque simplesmente não há recursos suficientes para produzi-los. Cidadãos desesperados frequentemente pagam até $2.000 como propina, 68 vezes a mais que o salário mínimo mensal, para expedir seus passaportes.

O governo colombiano foi além disponibilizando licenças de trabalho para a maioria dos migrantes venezuelanos, até mesmo para os 450.000 que entraram ilegalmente no país. Mas a Colômbia é a exceção ao invés da regra. Outros países (Peru, por exemplo) estão, agora, demandando que os venezuelanos mostrem passaportes ao invés carteiras nacionais de identidade antes que entrem no país, quem dirá permanecer.

Para os venezuelanos sem documentos, a integração será uma batalha. Mas há um modo de evitar essa restrição: reconhecer e aceitar os venezuelanos como refugiados, significando que foram forçados a deixar a Venezuela. Mas com qual base legal?

Em 1984, dez países da América Latina assinaram a Declaração de Refugiados de Cartagena, que define os refugiados como “pessoas que deixaram seus países porque suas vidas, segurança ou liberdade estavam ameaçadas pela violência generalizada, agressão estrangeira, conflitos internos, violação massiva de direitos humanos, ou outras circunstâncias que tenham conturbado seriamente a ordem pública”.

Os venezuelanos – particularmente os mais vulneráveis como os pobres, mulheres, crianças e críticos vocais do regime de Maduro – não têm liberdades básicas e são vitimas de perseguição política. Frequentemente sofrem com violações dos direitos humanos, na forma de repressões nos protestos, detenções arbitrárias, e o uso da tortura. Além disso, seu acesso à comida, saúde e educação foi severamente reduzido por uma crise feita pelo homem e que já resultou em subnutrição e até mesmo morte. Maduro e seu regime se recusaram a dar à população acesso à assistência humanitária que iria aliviar o sofrimento.

Muitos venezuelanos podem se encaixar na definição estreita de refugiado: alguém que migra como resultado do medo de perseguição baseado em opiniões pessoais ou filiação política. O regime em Caracas, por exemplo, começou a condicionar o acesso à programas sociais e subsídios somente com a posse do “Fatherland ID” (RG da Pátria, em tradução livre), que também é usado para rastrear e coletar informações relacionadas ao comportamento eleitoral dos indivíduos.

Como em outras crises de refugiados, os milhões de venezuelanos que deixaram suas casas não são migrantes procurando por melhores oportunidades mas sim refugiados migrando por suas vidas. Reconhecer esses venezuelanos como refugiados seria um reconhecimento de uma realidade que não pode mais ser ignorada.

Quando Betancourt e Mendoza criaram um órgão internacional para auxiliar os refugiados em 1948, eles provavelmente nunca imaginaram que, um dia, estariam assistindo milhões de venezuelanos tentando deixar seu país que está em colapso. Por décadas, a Venezuela recebeu milhões de estrangeiros que contribuíram com e se beneficiaram da prosperidade do país. Os países anfitriões das migrações atuais seriam espertos ao abrir suas portas para a Venezuela.

*Publicado originamente no Foreign Affairs | Tradução de Isabela Palhares

Carta Maior
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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Caravana de Migrantes: militares na fronteira dos EUA e ajuda da Unicef

MEXICO USA HONDURAS
Os Estados Unidos anunciaram que foi ativada a operação “Faithful Patriot” à qual participarão 5.200 militares que estarão na fronteira com o México antes da chegada dos milhares de migrantes da América Central, enquanto isso Unicef ajuda crianças e famílias que participam da caravana dando assistência humanitária
Os funcionários do Departamento de Segurança e Defesa dos Estados Unidos informaram que a operação, cujo nome pode ser traduzido como “Patriota Fiel”, terá 5.200 soldados, helicópteros, agentes de migração especializados e equipes de vigiância remota noturna para proteger a fronteira com o México.
“Nossa mensagem é simples: não vamos permitir que grandes grupos entrem nos Estados Unidos de maneira clandestina e fora da lei” disse o general Kevin McAleenan, Comissário para a proteção da fronteira.

As tropas poderão abrir fogo, diz Trump

Durante a coletiva da quarta-feira (01/11) na Casa Branca, o presidente Trump ameaçou que “se alguém lançar pedras ou rochas como fizeram no México, poderá ser alvo de disparos”, comentando a passagem da caravana dos migrantes no México. O Presidente afirmou - segundo o General O'Shaughnessy que dirije a operação no Texas -  que os migrantes são uma ameaça para os Estados Unidos.
O Presidente tinha afirmado na sua conta do Twitter que “muitos criminosos unem-se à caravana que se dirige aos Estados Unidos”, e disse para voltarem, pois não poderão atravessar a fronteira e conclui advertindo: “Esta é uma invasão do nosso país e nosso exército está esperando-os”.

Unicef ajuda crianças da caravana

Enquanto isso o Unicef comunica que 2.300 crianças que chegaram ao México com a caravana precisam de assistência humanitária – incluindo serviço de proteção, assistência médica, nutricional, água potável e serviços higiênicos para garantir sua proteção.
São crianças que participam da caravana e também as que ficaram sozinhas ou com famílias em comunidades e refúgios depois de ter abandonado o grupo.
Por isso o Unicef em coordenação com as organizações da socieade civil e as autoridades locais colocaram pontos com água potável nas áreas onde passa a caravana e distribuem ajuda de emergência.
Muitas das crianças e famílias presentes na caravana estão fugindo de violências de grupo de todos os tipos, extorções, ameaças, pobreza e acesso limitado à instrução e serviços sociais.
O Unicef pede mais uma vez para os governos darem prioridade ao superioir interesse das crianças ao aplicar leis e procedimentos sobre a imigração e manter as famílias unidas e encontrar alternativas à detenção de menores migrantes que pode ser uma experiência muito traumática e que pode comprometer o desenvovimento da criança a longo prazo.

Solicitação de asilo

Existe uma obrigação legal, segudo o Direito internacional, de acolher as pedidos de proteção dos solicitantes que temem a violência em seus países de origem. Porém o general Kevin McAleenan pediu que os migrantes que fazem parte da caravana aceitem a oferta do governo do México, “o governo mexicano ofereceu-lhes asilo e autorização de trabalho. Se eles são perseguidos nas suas terras de origem, já chegaram a um lugar seguro”.
O México anunciou o plano “Você está em casa” para dar condições aos refugiados e migrantes da caravana de ficarem no país . Consequentemente o número de migrantes está diminuindo graças a oferta de asilo mexicana e ao prolongamento da viagem, porém o presidente Trump está alertando as fronteiras. O uso das forças militares provavelmente terá pouco impacto tangível pois os migrantes querem apresentar um pedido legal de asilo nos Estados Unidos.
Radio Vaticano
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Fórum Social Mundial das Migrações inicia hoje em Cidade de México


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Com o tema “Migrar Resistir, Construir ,Transformar, vamos migrar todos ,vamos migrar o sistema . Se dará início hoje em Cidade de México  o VIII Fórum Social Mundial das Migrações  e pela primeira vez México sediara o evento  num momento e contexto de grande visibilidade sobre o tema uma vez que as caravanas de migrantes de centro-america  rumos aos Estados Unidos  chamam a atenção da população mundial. 

O evento dura ate 4 de novembro no Centro Universitário Tlateloco. Serão realizadas mais de 100 atividades e são esperadas mais de 3 mil pessoas durante os  3 dias os eixos abordados serão: 

Direitos humanos ,Inclusão social ,hospitalidade e mobilidade

Realidade de fronteiras, muros e outras barreiras

Resistências ,atores, movimentos e ações coletivas

A crise sistemática do capitalismo e suas consequências para a migração

Migração, gênero  e corpo

Migração, direitos da  mãe natureza, cambio climático e as disputas norte-sul

População migrante organizada como atores de incidência transnacional

Este fórum abordara e privilegiara  a critica a todas forma de violência ,discriminação e exclusão que impedem  aos migrantes  o pleno dos direitos humanos, e as condições dignas de trabalho

Miguel Ahumada


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Carta a un padre migrante desaparecido

Por: Iván Sánchez
Coatzacoalcos, Ver.- Una pequeña hoja con letras de colores se extiende desde la mano de Jaqueline hacia su abuela María Gabriela; es una carta que la pequeña de ocho años escribió para su padre, José Erasmo, un migrante desaparecido en México hace tres años.
La niña vive en Guatemala en una casa humilde color melón de la comunidad de Mazatatenango junto con su hermano Ernesto y su abuela, en donde esperan a que su padre regrese después de haber perdido su rastro en Sonora, poco antes de que cruzara la frontera hacia Estados Unidos.
Jaqueline siempre dibuja en una pequeña mesa rosa con dibujos de princesas que está en la sala, allí posiblemente escribió también la carta que desea que su abuela entregue a su padre, pero María no está segura de eso, ella trabaja todo el día y no conoce el momento exacto en el que el papel fue rellenado con las letras propias de una niña de su edad.
“Te hice una carta para ti y otra para mi papá”, le dijo la niña mientras la ocultaba tras su espalda poco antes de que María se uniera a la Caravana de Madres Migrantes de Migrantes Desaparecidos que llegó a México hace unos cuantos días.
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Ahora en el camión que viaja por carreteras mexicanas María aprieta con fuerza los papeles en sus manos, están arrugados de la presión y de las lágrimas que han caído mientras se esfuerza en que no le gane la curiosidad.
Prometió que sólo las leería hasta llegar a la Ciudad de México, en la basílica de Guadalupe, frente a esa virgen que protagoniza el programa televisivo que José Erasmo y su hija veían cuando estaban juntos.
Mientras tanto avanza por ese país que le robó a su hijo, sigue la ruta migratoria junto con otras 30 mujeres que buscan lo mismo que ella, un reencuentro que dé paz a su corazón y al de sus nietos.
Vivir con dos mil quetzales al mes
“Dos mil quetzales solo sirven para estirarlos”, asegura María quien debe ver la forma de con eso pagar alimentos, colegiatura y niñera.
Trabaja como técnica en un hospital en Guatemala, podría haberse jubilado hace tiempo, pero debe pagar la deuda que dejó su hijo al partir rumbo Estados Unidos y además sacar adelante a sus nietos, Jaqueline y Ernesto.
A pesar del dolor, aun debe solventar los 35 mil quetzales que pidieron prestados para que pudiera hacer el viaje que lo llevó a la desaparición.
Cada que recuerda esa llamada del 29 de julio del 2015 las lágrimas se le escapan del borde de los ojos, fue la última vez que oyó la voz de su hijo, esa voz de un hombre de 1.82 metros de altura, callado y cariñoso. Ese hombre que es destinatario de una carta llena de amor.
Movimiento Migrante Centroamericano
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Milhares de venezuelanos esperam para entrar em território peruano


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Pelo menos 6 mil venezuelanos fizeram fila na fronteira com o Peru nesta terça-feira, na esperança de entrar no país antes de um prazo final para adquirir residência, e outros 4 mil são esperados nos próximos dois dias, afirmou o gabinete do defensor público do Peru.

O Peru foi um dos primeiros países a oferecer documentos de residência temporária a venezuelanos que estão deixando seu país atingido pela crise e atravessando a fronteira para Colômbia e Equador até chegar ao Peru.

Como o número de venezuelanos no Peru já chega a quase meio milhão, o governo adiantou o prazo final para a concessão de residência do final do ano para o final do mês de outubro. Imigrantes venezuelanos terão de entrar no país até quarta-feira para que sejam considerados elegíveis a receberem os documentos que permitem moradia, trabalho e estudos legalmente no país.
O Peru também passou a exigir passaportes para a entrada no país.

Com a chegada do prazo final, um número crescente de venezuelanos tem lotado a fronteira do Peru com o Equador, segundo Abel Chiroque, diretor do gabinete do defensor público na cidade fronteiriça de Tumbes.

"A demanda por serviços é esmagadora (...) a capacidade de atendê-los entrou em colapso", disse Chiroque por telefone, descrevendo os imigrantes que estão na fila por quase 24 horas. "A situação é preocupante".

Chiroque disse que pediu que o governo distribua senhas para os venezuelanos na fila quando o prazo acabar, para que eles possam pedir documentos de residência posteriormente.

A agência peruana de imigração não respondeu imediatamente aos pedidos para comentários.
Desde que a economia da Venezuela, grande exportadora de petróleo, afundou em uma crise sob o comando do presidente Nicolás Maduro, cerca de 1,9 milhão de venezuelanos emigraram desde 2015, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Cerca de 90 por cento dos que saíram mais recentemente continuam na América do Sul, segundo a ONU.

O êxodo aumentou a demanda dos serviços sociais e provocou preocupações sobre crimes e empregos nos países que tem recebido os venezuelanos. Muitos imigrantes estão enfrentando discriminação e leis restritivas à imigração.


PortalR7
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