terça-feira, 23 de junho de 2026

SEMANA DO MIGRANTE - 2026 EU NÃO TENHO ONDE MORAR


Como se viu em diversos estados, regiões e cidades do Brasil, a Semana do Migrante de 2026, promovida pelo Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) e demais parceiros, contou uma uma série de iniciativas ricas, plurais e diversificadas. Elas vão desde cursos, simpósios e seminários até encontros e celebrações e marchas, passando por numerosas reuniões virtuais. Dioceses, paróquias, comunidades e várias entidades parceiras mobilizaram milhares de pessoas, entre migrantes, refugiados e agentes sociopastorais.

Dois fatores fundamentais contribuiram para o grande volume de eventos e manifestações. Em primeiro lugar, o tema e o lema, em sintonia com a Campanha da Fraternidade deste ano, tocaram de perto o cotidiano das pessoas e famílias. Tanto a Migração quanto a Moradia, de fato, estão no dia-a-dia da população, da opinião pública e da mídia em geral. Falar de migrantes e refugiados, por um lado, e da luta pela casa própria, por outro, é colocar o dedo numa ferida profunda da sociedade atual. São muitos os fatos, notícias e imagens que circulam sobre as multidões "sem terra, sem teto e sem trabalho", para usar os três "Ts" do Papa Francisco.

Em segundo lugar, essa ferida levanta o grito "Eu não tenho onde morar"! Grito que, de alguma maneira, encontra-se sufocado na garganta de milhões de pessoas e famílias. Gemido às vezes silencioso ou silenciado, mas sempre presente como sonho e direito de todo cidadão e cidadã. Inúmeras são as violações, as lutas e as esperanças em torno ao direito sagrado da moradia.

Com efeito, a casa é como que a roupa da família ou de um grupo que se ama. Toda família/grupo, no interior do lar, desenvolve uma intimidade muito particular. Como preservar essa intimidade e essa privacidade sem paredes, teto, piso e um conforto mínimo? Sem casa, a família/grupo é como um corpo nu, exposto na rua e na praça pública, aos olhares curiosos, estranhos e não raro hostis. Para o migrante e para toda pessoa, a moradia garante a dignidade humana, além de ser fator de saúde integral e longa vida.

Uma vez mais, a Semana do Migrante tornou-se veículo de ação sociopostoral - seja para a denúncia da migração compulsória e do déficit habitacional no país, seja para o anúncio profético na conquista e defesa dos direitos dos migrantes, refugiados e apátridas. SPM, sempre no caminho com os migrantes.


Alfredo, SP, 22/06/2026

www.miguelimigrante.blogspot.com

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