
(Foto: João Macedo/MDHC)
O Governo do Brasil realizou, nesta quinta-feira (2), mais uma operação de acolhimento a brasileiros repatriados dos Estados Unidos. Ao todo, 90 pessoas desembarcaram por volta das 2h no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG).
A operação de deportação é conduzida pelo governo norte-americano. No Brasil, a ação de recepção e acolhida é coordenada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com diversos órgãos federais, no âmbito do programa Aqui é Brasil — iniciativa que assegura atendimento digno, humanizado e com garantia de direitos às pessoas que retornam ao país em situação de repatriação ou deportação.
Após a recepção inicial, parte do grupo foi encaminhada a um hotel com estrutura preparada para o atendimento emergencial. No local, os repatriados receberam alimentação, kits de higiene, apoio psicossocial, acompanhamento médico e psicológico, além de orientações e suporte logístico para o deslocamento até suas cidades de origem.
A coordenadora da Organização Internacional para as Migrações (OIM) na operação Aqui é Brasil e porta-voz da ação, Mariana Medeiros, destacou a mobilização das equipes e a importância do acolhimento humanizado.
“Já no aeroporto, oito famílias aguardavam para receber parentes, e 11 pessoas seguiram diretamente por conta própria. Nossa equipe interdisciplinar estava preparada para atender todos os casos e, ao longo do dia, seguimos com os atendimentos de proteção, apoio à documentação e emissão de passagens, garantindo que todos possam retornar com segurança às suas cidades de destino”, afirmou.
Mariana também ressaltou o impacto social dessas operações em períodos simbólicos. “É especial quando os voos acontecem próximos a datas comemorativas, como a Páscoa. Muitas dessas pessoas conseguem reencontrar suas famílias e vivenciar esse momento com mais dignidade”, completou.
O grupo de 90 brasileiros repatriados nesta operação é composto por 83 homens e 7 mulheres. Não houve registro de pessoas idosas, crianças ou unidades familiares viajando juntas. Duas pessoas foram detidas ainda na imigração.
Aqui é Brasil
O Aqui é Brasil é um programa de acolhimento humanitário coordenado pelo MDHC, em parceria com os ministérios das Relações Exteriores (MRE), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Saúde (MS) e da Justiça e Segurança Pública (MJSP), além de governos estaduais, Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e organismos internacionais, como a OIM.
A iniciativa tem como foco garantir assistência emergencial e acompanhamento continuado, assegurando acesso a serviços essenciais e a proteção da dignidade e dos direitos humanos de todos os brasileiros atendidos.
Como parte do compromisso com a transparência e o aprimoramento das políticas públicas, o MDHC e a OIM disponibilizam um painel público de indicadores, com informações demográficas das pessoas atendidas, preservando suas identidades. A ferramenta amplia o acesso da sociedade a dados atualizados sobre as operações, fortalecendo o controle social e a formulação de políticas baseadas em evidências.
Também está em funcionamento o Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes (CREDH-RM), instalado no 1º piso do Terminal de Passageiros 1 (nível superior ao Check-in 1) do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG). O espaço oferece atendimento interdisciplinar em direitos humanos, realizado por equipe técnica especializada, com foco na qualificação da escuta, na identificação adequada das demandas e na promoção da cidadania.
Operações anteriores
Desde sua criação, no ano passado, o programa Aqui é Brasil já contabiliza 47 operações realizadas, possibilitando o retorno de mais de 3,8 mil brasileiros em situação de vulnerabilidade, majoritariamente oriundos dos Estados Unidos.
Em 2026, a política pública mantém ritmo contínuo de execução, com ações de acolhida registradas nos dias 7, 14 e 30 de janeiro; 5, 11, 16 e 28 de fevereiro; 6, 11, 18 e 26 de março; e 2 de abril, reforçando o compromisso permanente do Estado brasileiro com a recepção humanizada e a proteção de seus cidadãos no processo de retorno ao país.
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